Entenda o Espectro da Esquizofrenia

Pessoas que estão no espectro da esquizofrenia possuem um transtorno que faz com que percam o contato com a realidade. Por isso, elas experimentam uma variedade de sintomas extremos que podem incluir:

  • Alucinações: como ver, ouvir, cheirar, provar ou sentir (por meio do toque) coisas que não existem;
  • Delírios: que são crenças falsas que não mudam mesmo quando a pessoa recebe evidências de que aquilo não é verdade. Isso pode se apresentar como paranóia extrema ou medos irracionais;
  • Desorganização do pensamento (Discurso): a desorganização do pensamento costuma ser inferida a partir do discurso do indivíduo. Portanto, este pode mudar de um tópico a outro. As respostas a perguntas podem ter uma relação oblíqua ou não ter relação alguma (tangencialidade). Raras vezes, o discurso pode estar tão gravemente desorganizado que é quase incompreensível, lembrando a afasia receptiva em sua desorganização linguística (incoerência ou “salada de palavras”).
  • Comportamento Motor Grosseiramente Desorganizado ou Anormal: pode se manifestar de várias formas, desde o comportamento “tolo e pueril” até a agitação imprevisível. Os problemas podem ser observados em qualquer forma de comportamento dirigido a um objetivo, levando a dificuldades na realização das atividades cotidianas.
  • Sintomas Negativos: Dois sintomas negativos são especialmente proeminentes na esquizofrenia: expressão emocional diminuída e avolia. Expressão emocional diminuída inclui reduções na expressão de emoções pelo rosto, no contato visual, na entonação da fala e nos movimentos das mãos, da cabeça e da face, os quais normalmente conferem ênfase emocional ao discurso. A avolia é uma redução em atividades motivadas, autoiniciadas e com uma finalidade. Portanto, a pessoa pode ficar sentada por períodos longos e mostrar pouco interesse em participar de atividades profissionais ou sociais.

 Além disso, os sintomas também podem incluir:

  • Perda de motivação;
  • Desinteresse ou falta de prazer na vida diária;
  • Retirada social e fala reduzida;
  • Dificuldade em mostrar emoções;
  • Dificuldade em planejar e manter as atividades;
  • Dificuldade em se concentrar ou prestar atenção.

Como é feito o diagnóstico?

Geralmente, o diagnóstico de esquizofrenia é feito após o primeiro episódio de psicose. De acordo com os critérios do DSM-5, uma pessoa deve ter persistentemente dois ou mais dos sintomas descritos no manual.

Antes que um diagnóstico possa ser feito, o médico psiquiatra deve conduzir um exame médico completo para descartar o uso indevido de substâncias ou outras doenças neurológicas ou médicas cujos sintomas imitem a esquizofrenia.

O transtorno pode ser bastante debilitante, pois as pessoas com esquizofrenia geralmente não conseguem distinguir entre a realidade e suas alucinações e delírios.

Isso pode resultar em má adesão ao tratamento, ou seja, não ingerem as medicações prescritas.

Quando costuma aparecer?

Estima-se que atinja cerca de 1% da população mundial. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), são mais de 20 milhões de pessoas atingidas por essa doença mental.

A esquizofrenia costuma aparecer pela primeira vez em homens no final da adolescência ou no início dos vinte anos. Já nas mulheres, é comum que apareçam perto dos vinte ou trinta  anos.

Assim, a esquizofrenia tem um forte componente genético e pode ocorrer com mais frequência quando há outros casos nas famílias.

Além disso, alguns fatores de risco aumentam as chances do surgimento da esquizofrenia. São eles:

  • Complicações durante a gravidez e o parto, como desnutrição ou exposição a toxinas ou vírus que afetam o desenvolvimento cerebral;
  • Consumo de drogas psicoativas ou psicotrópicas durante a adolescência e juventude que mexem com o funcionamento cerebral.

Tratamentos indicados

As causas da esquizofrenia são complexas e não são totalmente compreendidas. Portanto, os tratamentos atuais se concentram no controle dos sintomas e na solução de problemas relacionados ao funcionamento do dia a dia.

Geralmente, indicam-se medicamentos antipsicóticos para reduzir a intensidade e a frequência dos sintomas psicóticos.

Já a terapia cognitivo-comportamental, o treinamento de habilidades comportamentais ajudam a tratar os sintomas negativos e cognitivos da esquizofrenia.

Embora não haja cura para a esquizofrenia, as pesquisas estão levando a tratamentos inovadores e mais seguros.

Os especialistas também estão descobrindo as causas da doença estudando genética, conduzindo pesquisas comportamentais e usando imagens avançadas para observar a estrutura e a função do cérebro. Assim, essas abordagens prometem terapias novas e mais eficazes.

Condições associadas como autismo

Você sabia que inicialmente, o autismo era enquadrado como uma forma de esquizofrenia?

Isso levou a crença de que sua causa poderia estar ligada a alguma experiência negativa ou por consequência de má criação dos pais ou responsáveis.

Certamente, este conceito já foi refutado. No entanto, de acordo com pesquisas, a esquizofrenia é cerca de três vezes mais comum em indivíduos com autismo.

Leia também: Comorbidades comuns no autismo

Saiba mais: Tratamento medicamentoso para as comorbidades comuns no autismo

Referências:

https://www.nimh.nih.gov/health/topics/schizophrenia

https://www.nhs.uk/mental-health/conditions/schizophrenia/symptoms/

https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/schizophrenia

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Entenda como uma experiência sensorial pode impactar no comportamento do Autista

Sons, luzes, texturas, movimentos, toques, sabores, temperaturas…

Tudo aquilo que causa uma experiência sensorial pode impactar no comportamento do indivíduo que tem Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Em um mundo regido por estímulos visuais e auditivos – de diferentes tipos e intensidades – pode ser um tanto quanto difícil compreender o quão incômodo e até restritivo – do ponto de vista cognitivo, social e de comunicação – podem ser estas sensações para o autista – sobretudo, na infância, período de descobertas quanto às suas habilidades e, também, às possíveis fragilidades.

No início da década de 1970, um terapeuta ocupacional e neurocientista chamado A. Jean Ayres, descreveu esta condição de “sensibilidade” como uma “disfunção de integração sensorial”, em referência a essas dificuldades com atividades cotidianas.

O que para alguns é o toque da buzina de um carro, para o autista pode soar como um barulho alto, que lhe causa desconforto e perturbação.

Dificuldades sensoriais

As dificuldades sensoriais são reconhecidamente uma característica de TEA, incluída como critério diagnóstico desta condição. São consideradas um fator de impacto importante no comportamento do autista que, se não trabalhada, pode reduzir a perspectiva de desenvolvimento.

Um estudo publicado no ano de 2011 mostrou que comportamentos sensoriais limitam a participação no trabalho, família e lazer.

Embora os receptores dos sentidos estejam localizados no sistema nervoso periférico, acredita-se que o problema decorre da disfunção neurológica no sistema nervoso central – o cérebro. Por isso, acredita-se que uma das maneiras de trabalhar o autista é por meio da integração sensorial – que envolve atividades que acionam múltiplos sentidos ao mesmo tempo.

Segundo a Dra. A. Jean Ayres, a dinâmica centra-se principalmente em três sentidos básicos, conforme apresentado em reportagem publicada no Autism Research Institute:

  • Tátil – referente ao toque, e a percepção de texturas
  • Vestibular – estruturas dentro da orelha que detectam movimento e mudanças na posição da cabeça e do corpo.
  • Proprioceptivo – refere-se aos músculos, articulações e tendões que proporcionam a uma pessoa uma consciência sobre a posição do corpo.

Embora esses três sistemas sensoriais sejam menos familiares do que a visão e a audição, eles são fundamentais para nossa sobrevivência. Basicamente nos permitem experimentar, interpretar e responder a diferentes estímulos em nosso ambiente.

No autismo eles podem responder por reações como recusar a comer determinado alimento por conta de sua textura; dificuldade de executar ações de movimento como subir e descer escadas; e até mesmo de se sentar em uma cadeira ou usar uma colher para se alimentar.

Estas experiências sensoriais podem gerar excesso de estimulação no cérebro o que torna difícil para o autista organizar seu comportamento e se concentrar, ocasionando uma resposta emocional negativa à estas sensações (tátil; vestibular e proprioceptivo).

Avaliação

A avaliação e o tratamento dos processos integrais sensoriais devem ser realizados por Terapeutas Ocupacionais (TO), com apoio dos familiares do autista.

De acordo com o Autism Research Institute, os objetivos gerais do terapeuta são: (1) fornecer à criança informações sensoriais que ajudem a organizar o sistema nervoso central, (2) auxiliar a criança a inibir e/ou a modular a informação sensorial e (3) ajudar a criança no processamento da resposta aos estímulos sensoriais.

Afinal, como auxiliar a lidar com estímulos sensoriais?

No caso de sensibilidade visual – por exemplo, com luzes muito fortes, ou muitos objetos e imagens uma sugestão é modificar o ambiente, reduzir a iluminação, oferecer óculos escuros, entre outros meios e melhorar a experiência decorrente da observação do local.

Se o impacto é provocado por sons, é possível ajudar fornecendo protetores auriculares, fechando portas e janelas para reduzir barulhos externos.

No caso de cheiros, você pode ajudar evitando usar perfume e tornando o ambiente livre de fragrâncias que possam perturbar a pessoa.

Sobre o toque, avise a pessoa que você está prestes a tocá-la e procure sempre abordá-la de frente para que ela possa vê-lo. Em quem tem sensibilidade ao toque, um abraço pode ser doloroso em lugar de ser reconfortante. Modificar as texturas de alimentos, para atender aquela que é aceitável Ex. batata para purê de batata. Permitindo que a pessoa complete as próprias atividades (por exemplo, escovação e lavagem de cabelo) para que eles possam fazer o que é confortável.

Desafios

Um dos aspectos que tornam a fragilidade sensorial no autismo difícil de estudar, no entanto, é que os problemas sensoriais são variáveis. O que isso quer dizer? Uma criança com TEA pode gritar toda vez que vai ao supermercado, enquanto outra criança pode gostar de ir ao supermercado e empurrar o carrinho. Geralmente, estudos sobre autismo não aprofundam nessas peculiaridades dos problemas sensoriais.

Para Mary Temple Grandin, portadora do espectro e considerada referência mundial em autismo, sendo prova viva de que as características comuns do TEA podem ser controladas e modificadas, embora haja na literatura científica pesquisas que reconheçam e identifiquem a questão da deficiência sensorial no autismo, poucos aprofundam nas especificidades de cada caso, o que, segundo ela, poderia levar a tratamentos mais efetivos para aliviar a sensibilidade sensorial. “Seria mais fácil para um indivíduo com autismo participar de atividades normais se seus problemas fossem efetivamente tratados de acordo com suas necessidades específicas”, relatou ela no artigo “Treatments needed for severe sensory sensitivity”, publicado no site Spectrum News.

A experiência de Temple Grandin

Como forma de aliviar a ansiedade e a tensão, comuns a sua hipersensibilidade ao contato físico de outras pessoas (o que para ela era uma experiência sensorial desagradável), Temple desenvolveu em 1965 o que chamou de “máquina do abraço”, um dispositivo que visava simular a sensação física de um abraço, limitando o espaço e pressionando o corpo para gerar uma sensação de bem-estar e tranquilidade. Temple relata suas experimentações no livro “Uma menina muito estranha”

Para saber mais sobre Mary Temple Grandin acesse “Temple Grandin fala em entrevista exclusiva para a Revista Autismo” (Revista Autismo – Edição 3 – online em 21 de dezembro de 2012 – escrito por Carolina Rafols)

Leia também: Sinais do Autismo – Conheça 14 sinais que são comuns em crianças com autismo

Referência

Schaaf R.C. et al. The everyday routines of families of children with autism. Autism. 2011. Vol 15, Issue 3, pp. 373 – 389. Disponível em <http://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/1362361310386505?url_ver=Z39.88-2003&rfr_id=ori:rid:crossref.org&rfr_dat=cr_pub%3dpubmed#articleCitationDownloadContainer>

Hatch-Rasmussen C. Integração sensorial. Autism Research Institute. Disponível em <https://www.autism.com/symptoms_sensory_overview>

Deweerdt S. Talking sense: What sensory processing disorder says about autism. Spectrum News. 1 june 2016. Disponível em <https://spectrumnews.org/features/talking-sense-what-sensory-processing-disorder-says-about-autism/>

Sensory differences. The National Autistic Society. Disponível em <http://www.autism.org.uk/sensory>

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Causas do Autismo

Diversas pesquisas já foram realizadas para descobrir as causas que levam uma pessoa a ser autista. 

Até o momento sabe-se que o autismo ocorre devido a fatores genéticos, o que acontece na grande maioria dos casos, e a fatores ambientais.

Então, hoje sabemos que na verdade existe uma combinação de fatores genético e ambientais.

Cada criança autista é única, e hoje sabemos também que as causas que levam ao desenvolvimento do autismo também são únicas. 

Então, vamos destacar aqui um pouco sobre o que a ciência já descobriu que pode causar ou ser um fator de risco para o desenvolvimento do autismo.

Causas genéticas

Está comprovado cientificamente que as mutações genéticas desempenham um papel significativo no surgimento do autismo. Cientistas do mundo todo identificaram diversos genes que estão ligados ao Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Sabe-se que nesses casos, o autismo ocorre devido a alguma falha no processo de desenvolvimento cerebral, logo no início da formação do feto.

Pesquisas realizadas em todo o mundo têm analisado as variações que ocorrem nos genes para compreender de que forma elas influenciam no desenvolvimento do sistema nervoso central (SNC) e como podem se expressar em torno do autismo.

Pesquisas cientificas, inclusive pesquisas que eu realizei durante o meu doutorado mostraram que os neurônios dos autistas são mais curtos e possuem menos ramificações em relação às pessoas que não estão dentro do espectro.

Por isso, pessoas com autismo apresentam dificuldades de linguagem, comunicação e socialização. 

As alterações genéticas podem ser hereditárias, ou mutações novas que ocorreram durante a fecundação ou no embrião e não significa que foi passado pelos pais. 

Tudo que é hereditário é genético, mas nem tudo que é genético é hereditário.

Muitas pesquisas continuam sendo realizadas e a expectativa é de que, ao encontrar os genes ligados ao autismo, seja possível auxiliar no processo de diagnóstico precoce, assim como na escolha da melhor opção de condutas terapêuticas para cada autista. 

Hoje sabemos que os fatores genéticos estão envolvidos na grande maioria dos casos de autismo. 

Pesquisas recentes citam que mais de 90% dos casos de autismo são de causas genéticas. As pesquisas na área da genética vem sendo realizadas de forma mais rápida.

Até alguns anos atrás eram conhecidos cerca de 100 genes relacionados ao autismo, hoje esse número já passou de 1.000 genes.

Fatores ambientais

Alguns fatores ambientais vem sendo associados como fator de risco para o autismo. Alguns estudos já tem comprovação, outros ainda precisam de mais estudos.

Durante a gestação, alguns fatores podem ser os responsáveis pelo TEA.

Diversos estudos comprovam que o uso de ácido valpróico, que é utilizado para tratamento de epilepsia e transtorno bipolar aumenta o risco da criança nascer com autismo.

Tanto que no laboratório nós utilizamos o acido valpróico em modelos animais para induzir comportamentos autisticos. Então este é um fator ambiental que tem comprovação cientifica.

Outro fator que tem comprovação é a Idade paterna:  Estudos realizados observaram a relação entre o risco de autismo e a idade dos pais.

Descobriram que a incidência do autismo é maior entre filhos de mulheres adolescentes e de homens mais velhos.

Em comparação aos filhos de pais e mães jovens, as taxas de autismo entre crianças de pais com mais de 50 anos foram bem mais elevadas.  

Por isso, os pesquisadores acreditam que as mutações genéticas nos espermatozoides aumentam com a idade do homem, o que pode aumentar as chances do Transtorno. 

Outros fatores de risco

Outros fatores de risco que vem sendo associados mas que precisam de mais estudos e comprovações são exposição materna a toxinas e poluentes de ar, parto prematuro, baixo peso ao nascer, diabetes gestacional, uso de maconha durante a gestação, infecções graves durante a gestação, principalmente durante o primeiro trimestre.

Além disso, alguns estudos mostram que essas infecções podem aumentar o risco de desenvolvimento de autismo na criança.

Então, vale ressaltar que já tivemos excelentes avanços na ciência nas ultimas décadas, em relação ao conhecimento das causas do autismo, principalmente as genéticas, mas muitos estudos ainda estão em andamento e são necessários para alcançarmos mais respostas e entendimento acerca das causas do autismo.

Leia também: Autismo não é doença

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O que são as habilidades pré-acadêmicas e como desenvolvê-las

Você já ouviu falar sobre as habilidades pré-acadêmicas? Trata-se de habilidades que antecedem o aprendizado e contribuem com o desempenho acadêmico nos primeiros anos escolares.

Geralmente, essas habilidades são divididas entre a leitura e escrita e também estão relacionadas à matemática.

Vale destacar que o período pré-escolar, de 3 a 5 anos, é fundamental para o desenvolvimento infantil.

Nesta fase, as crianças adquirem importantes habilidades sociais e apresentam melhora em diferentes habilidades cognitivas e comportamentais.

A seguir, você confere detalhes das habilidades pré-acadêmicas e como desenvolvê-las.

Consciência fonológica

É a capacidade de reconhecer e manipular os sons da fala. A criança consegue reconhecer palavras que rimam, que iniciam com o mesmo som, distinguem sons, segmenta o som em partes menores.

Desenvolver essa habilidade é fundamental para o aprendizado da leitura e da escrita em crianças.

Geralmente, as crianças que apresentam dificuldades em compreender os fonemas podem ter problemas em aprender a ler e a escrever.

Há diversas formas de desenvolver a consciência fonológica. Entre elas, podemos citar:

  • Bater palmas ao soletrar palavras — uma palma para cada sílaba.
  • Falar lentamente os sons das palavras e estimular as crianças a tentar adivinhar o que virá depois.
  • Substituir sons para formar palavras e mostrar que elas podem ter outro significado.
  • Contar histórias com rimas, ouvir músicas e brincar com jogos de palavras.
  • Incentivar jogos, aplicativos e softwares que ajudam a desenvolver as habilidades de leitura.

Noção de tempo

A noção de tempo para a criança varia de acordo com a idade. Até um ano, o bebê não faz distinção entre dia e noite e age por instinto.

Entre um e dois anos, começa a compreender que seu dia segue certa rotina, como comer, dormir, passear e já consegue diferenciar os finais de semana dos demais dias. É importante que a criança entenda como funciona o tempo, distinguir os horários, como funciona a sua rotina para se desenvolver.

Os pais, professores e familiares podem contribuir com o treino de noção de tempo das crianças. O primeiro passo é estabelecer uma rotina e explicar a razão pela qual ela está fazendo determinada ação. Por exemplo, explicar quais são os horários para acordar, brincar e se alimentar.

Manter um relógio e um calendário por perto é uma estratégia para que a criança entenda como funciona a passagem do tempo. E também uma forma de entender o que significa segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses e anos.

Coordenar habilidade manuais

A habilidade manual é definida como a capacidade de realizar movimentos hábeis e dirigidos de braço-mão na manipulação de objetos.

As crianças podem treinar as habilidades manuais com brincadeiras que estimulem a sua coordenação motora desde pequenos.

Por isso, vale a pena investir em brincadeiras de recortar revistas com tesoura sem ponta, deixar que pintem e desenhem livremente, brincadeiras de massinhas e também de montar blocos.

Identificar números

A criança também precisa compreender como funcionam as representações numéricas e que os números são ordenados em sequência.

Também é importante ter a capacidade de contar adequadamente, obedecendo os princípios de contagem.

Para contribuir com o aprendizado, há diversas brincadeiras que podem ajudar a criança a entender os números:

  • Jogos de tabuleiro;
  • Jogos de memória;
  • Massinha de modelar;
  • Brincadeiras de encaixe.

Habilidades auditivas e memória fonológica

Trata-se da capacidade de lembrar de informações auditivas faladas em um curto período de tempo.

A melhor forma de treinar a habilidade auditiva da criança é brincando. Invista em audiolivros, músicas, leitura em voz alta. Peça para que ela repita o que foi falado ou lido.

Leia também: Inclusão escolar: um direito assegurado por lei

Saiba mais: Alfabetização e autismo: quais são os desafios?

Referências:

https://lincs.ed.gov/publications/pdf/NELPReport09.pdf

https://portal.ct.gov/-/media/SDE/ESSA-Evidence-Guides/Early_Skills_and_Predictors_of_Academic_Success

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Recursos pedagógicos para trabalhar em sala de aula

A pedagogia pode contribuir com o desenvolvimento de uma criança no espectro do autismo através das atividades e recursos pedagógicos.

Essa é a área que tem como objetivo promover ações de ensino e aprendizagem, contribuindo para o desenvolvimento educacional de crianças nas instituições escolares.

Estima-se que o autismo atinge cerca de 1-2% da população mundial. Ou seja, no Brasil, temos cerca de 2-4 milhões de pessoas com autismo.

Por isso, as instituições de ensino devem estar preparadas para atender à essa demanda desde a pré-escola até os demais níveis de ensino do sistema educacional.

Em se tratando de educação especial, a equipe pedagógica deverá focar seus esforços em estabelecer estratégias que possibilitem à criança no espectro ter um ambiente proveitoso na escola.

Assim, o primeiro passo para promover um bom aproveitamento em sala de aula é a inclusão.

O professor tem papel fundamental nesse processo de integração da criança junto aos demais alunos e, também, no que cabe à assimilação do conteúdo educacional proposto. Isso só funcionará se houver suporte adequado, sobretudo porque cada criança apresenta suas especificidades.

Ademais, os professores devem ter em mente também que crianças com autismo apresentam dificuldades em áreas como da comunicação, comportamento, motora, na interação social e na integração sensorial.

Saiba mais em Inclusão: um direito assegurado por lei

Entre os recursos pedagógicos que podem ser aplicados, podemos citar:

Estímulo visual

Uso de cartões com imagens para indicar ao aluno o que propõe uma determinada tarefa ou mesmo para mostrar a mudança de uma atividade para a outra pode auxiliar o aluno com TEA.

Por exemplo, se a ação for ligada ao ensino do português ou matemática, você coloca uma imagem/símbolo que corresponda ao assunto, facilitando assim a assimilação do aluno com autismo.

Estruturação da rotina: com o estabelecimento de uma rotina diária para o autista, as atividades serão melhor aproveitadas.

Crianças com TEA tendem a resistir à mudanças, portanto, caso haja necessidade, calcular em sala de aula um tempo extra de ensino e condução do autista em caso de atividades ainda não vivenciadas será bem-vindo.

Suporte para interação social

Sabemos que pessoas no espectro tendem a apresentar dificuldade no campo de interação social. Portanto, para facilitar esse processo de integração com os demais colegas é preciso ensinar ao autista maneiras de interagir.

Assim, se há algum colega em uma determinada atividade – como no uso de um computador, o autista saberá como agir, pedir licença e aguardar que o aluno saia do aparelho para então utilizá-lo.

Linguagem simples

Como professores é preciso trabalhar uma comunicação facilitada e assertiva em sala de aula. Crianças com TEA têm dificuldade em ler sinais e gestos não verbais como expressões faciais.

Professores muitas vezes tendem a lançar olhares em sala de aula à classe para expressar determinada aprovação ou reprovação sobre algum comportamento, como por exemplo, uma bagunça em classe. Mas, no caso da criança com TEA o recomendado é conversar diretamente com o autista e esclarecer o que se espera.

Estabeleça diálogo simples e direcione: mantenha uma dinâmica simples e direta para expressar determinadas instruções orais. Utilize de palavras-chave como “primeiro, faça isso. Depois, faça aquilo. Afinal, esse direcionamento curto e objetivo será melhor assimilado pela criança no espectro.

Atividades sensoriais como recursos pedagógicos

A sensibilidade aos estímulos sensoriais – como a luz fluorescente da sala – podem ser extremamente desafiadoras para a criança com TEA.

Portanto, isso deve e pode ser trabalhado em sala de aula. Utilizar de estratégias como estabelecer pausas na rotina de aula para que a criança faça atividades que contribuam para trabalhar o estresse – como brincar, podem auxiliar a reduzir a tensão decorrente das limitações sensoriais.

Estabeleça pausas

Caso a criança com TEA esteja demonstrando inquietação, faça uma pausa. Muitas vezes, passar um tempo distante da atividade que realizavam e depois retomar de onde parou é o suficiente para a criança se acalmar. Escolha algum local da sala de aula que possa ser esse ponto de “descanso”.

Uso de tecnologia

Atualmente, a tecnologia vem sendo considerada uma ferramenta poderosa para desenvolver as habilidades da criança e ser um facilitador de aprendizagem em sala de aula. Ferramentas da chamada “realidade aumentada” já têm sido desenvolvidas direcionadas às especificidades desse público. Em breve abordaremos esse tema aqui no site.

Converse com os pais

Os pais das crianças com TEA geralmente são os mais bem instruídos em se tratando de atender às necessidades e desenvolver habilidades de seus filhos.

Converse com os pais para que possa ter informações necessárias para estabelecer uma melhor rotina em sala de aula, bem como compreender o que está por trás de determinados comportamentos do autista.

É importante compreender que existem várias abordagens diferentes para o planejamento de um currículo apropriado.

Ao escolher uma instituição de ensino para seu filho (a) procure conhecer a filosofia da escola e saber se ela está apta a atender uma criança no espectro, lembrando que o plano de trabalho é individual, não existem uma regra, já que cada indivíduo no espectro é único.

Leia também: Inclusão escolar: um direito das pessoas com TEA

Referências:

Kim Greene. Teaching Students with Autism Spectrum Disorder. Disponível em https://www.scholastic.com/teachers/articles/teaching-content/teaching-students-autism-spectrum-disorder/ Acessado em 4 de dezembro de 2017.

O que faz um pedagogo? Guia da Carreira. Disponível em http://www.guiadacarreira.com.br/carreira/o-que-faz-um-pedagogo/ Acessado em 4 de dezembro de 2017.

Pedagogy for inclusion. Asdin Schools. Disponível em http://www.asdinschools.org.nz/School-policies-and-practices/Evolving-inclusive-practices/Pedagogy-for-inclusion Acessado em 4 de dezembro de 2017.

Training materials for teachers of learners with severe, profound and complex learning difficulties. Complex needs. Disponível em http://complexneeds.org.uk/ Acessado em 4 de dezembro de 2017

Arkit and autismo new futures. Autism Pedagogy blog. Disponível em http://www.autismpedagogy.com/blog/2017/8/4/arkit-and-autism-new-futures Acessado em 5 de dezembro de 2017.

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Conheça mais sobre o Transtorno de Processamento Sensorial

O Transtorno de Processamento Sensorial (TPS) é uma condição em que o sistema nervoso têm dificuldade em processar estímulos do ambiente e os sentidos. Sabe-se que os estímulos sensoriais não são registrados adequadamente e também não são modulados de forma correta pelo cérebro.

Por muitas vezes, o TPS foi associado ao autismo, mas foi descoberto que é um distúrbio distinto que pode ou não acometer pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Pesquisas recentes mostram que há um elevado grupo de pessoas que não são autistas, mas que apresentam TPS. A causa exata do TPS não foi identificada, mas pesquisadores acreditam que o Transtorno tenha um forte componente genético.

Portanto, é uma condição neurofisiológica na qual a entrada sensorial (do ambiente ou do próprio corpo) é mal detectada ou mal interpretada. 

Sendo assim, uma criança com TPS sente dificuldade de processar o calor ou o frio, o cansaço, a fome, as luzes e os sons e com isso, atividades simples do dia a dia podem ser muito desafiadoras.

Hipossensibilidade x Hipersensibilidade

Há casos de hipo e hipersensibilidade. Quando há hipossensibilidade, a criança precisa de bastante excitação ou esforço para sentir o estímulo. Por isso, é comum que ela seja bastante agitada, faça muito movimento ou bagunça, morda objetos, tenha pouca resposta à dor, goste de muito barulho e cheire tudo o que encontra.

Já a hipersensibilidade, é quando a criança percebe os estímulos com mais facilidade. Com isso, as luzes e as cores se tornam brilhantes demais, os sons ficam bem intensos, os odores se tornam muito fortes e as sensações táteis são interpretadas de modo extremamente profundo. 

Essas pessoas sofrem com essa sensibilidade intensa e que atrapalha bastante a rotina. Assim, podem ser mais seletivos com comida, não gostar de barulho, se sentirem mal ao serem tocado, não gostam de se sujar, reclamam da luz e cheiros, além de serem mais sensível à dor.

Conheça outros sintomas do TPS

– Intolerância a algumas roupas ou texturas: é comum que crianças fiquem irritadas com a sensação que as roupas causam em seus corpos. Em alguns casos, é preciso escolher vestimentas sem costura, retirar as etiquetas e evitar tecidos que causem desconfortos.

– Intolerância a ruídos: no caso dos sons, a pessoa com TSP pode sofrer até mesmo com poucos estímulos como latidos de cachorros e sentir angústia e ansiedade. Também perdem a concentração devido aos ruídos.

– Problemas Alimentares: algumas pessoas podem ter aversão a alguns alimentos devido a sua textura ou cores. Muitas vezes a seletividade alimentar é causada por conta dos problemas sensoriais.

– Dificuldade em usar as habilidades motoras finas:  sentem dificuldade de usar lápis de cera ou canetas ou de abotoar a roupa.

– Dificuldade com mudanças: pessoas com o Transtorno podem ter problemas para passar de uma atividade para outra, mudar de ambiente ou moradia. Essas mudanças causam mal estar.

Diagnóstico

Para descobrir se a criança possui TPS, é preciso observar os comportamentos e conversar com os pais sobre as dificuldades e medos encontrados.

É importante relatar o que criança gosta, rejeita, como busca o estímulo, se fica agitada ou calma, por exemplo. Averigua-se se a pessoa tem sensibilidade tátil, se sofre ao tocar em objetos, não gosta de colocar o pé na areia, fica mal com algumas roupas, se não gosta de se sujar ou tem dificuldade na hora do banho.

Então, por causa do Transtorno, essas pessoas podem sofrer com problemas emocionais, sociais e até interferir no aprendizado e educação. Alguns sentem dificuldade de se relacionar ou fazer parte de um grupo. Em alguns casos, sofrem de ansiedade, depressão, ficam agressivos ou tendem a ter problemas de comportamento.

É importante ressaltar que as crianças e adultos com o TPS são tão inteligentes quanto quaisquer outras pessoas. Seus cérebros são simplesmente conectados de forma diferente e por isso precisam ser ensinados de maneiras adaptadas ao modo como processam as informações.

Tratamento

É importante procurar um Terapeuta Ocupacional (TO) especialista em integração sensorial que é o principal profissional que trabalha com TPS para realizar o diagnóstico e intervenção.

O TO vai fazer uma Avaliação de Processamento Sensorial. Uma avaliação padronizada com testes fundamentados e comprovados por pesquisas científicas. Por meio dessa avaliação vai ser possível direcionar o melhor tratamento e dar mais orientações para a família e a escola.

Conhecer o perfil sensorial da criança é muito importante, pois há associação direta entre o comportamento apresentado e a maneira como uma sensação é recebida do meio ambiente.

É muito importante que o autista passe por essa avaliação e comece a realizar a terapia de integração sensorial para ganhar qualidade de vida. E sempre importante dizer que os terapeutas precisam do apoio dos pais e familiares para que o tratamento seja efetivo. A família precisa participar da intervenção!

Por fim, a terapia de integração sensorial trabalha em várias frentes, mas fornece principalmente condições para que a criança explore o ambiente. Também promove o aumento da habilidade em manter a atenção. Ela melhora a coordenação e os movimentos para que a criança tenha sucesso nas atividades. Além disso, contribui com a autoestima e melhora nos aspectos de interação social do autista.

Leia também: Entenda como uma experiência sensorial pode impactar no comportamento do Autista

Referências:

www.spdstar.org

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2759332/

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Hiperlexia e autismo: qual é a relação entre essas condições?

A hiperlexia é uma condição que faz com que a pessoa desenvolva uma habilidade de leitura excepcional em uma idade precoce, mas ao mesmo tempo não possui habilidades linguísticas.

Sendo assim, a criança apresenta um fascínio intenso por letras ou números e uma capacidade avançada de leitura.

Frequentemente, começam a ler muito jovens, às vezes, já aos dois anos e sem instrução de leitura. Essa habilidade indica que algumas crianças têm uma capacidade de decodificação de palavras maior do que o restante da população. Isso significa que os níveis de compreensão também excedem aos de uma criança típica de sua idade.

As crianças que têm hiperlexia possuem uma excelente memória visual e auditiva, e elas tendem a lembrar do que veem e ouvem com pouco esforço. Porém, essa memória excepcional não ajuda na fala ou na compreensão da linguagem.

E embora as crianças hiperléxicas tenham habilidades avançadas de leitura, elas geralmente têm um vocabulário limitado e dificuldade para se comunicar.

Saiba mais: Diagnóstico precoce do autismo

Hiperlexia e autismo

A hiperlexia pode estar presente no autismo e ser um dos primeiros sinais do transtorno que os pais notam. Mas pode ser difícil para os pais e professores reconhecerem a diferença entre um leitor precoce de uma criança hiperléxica.  É importante ressaltar que a leitura precoce sozinha não é um sinal de hiperlexia.

As crianças que têm hiperlexia têm baixa compreensão de leitura, o que geralmente não corresponde à sua capacidade de reconhecer palavras.

Eles também geralmente apresentam problemas com a fala, muitas vezes não conseguem juntar palavras para expressar suas ideias ou entender o que os outros falam.

Alguns pesquisadores acreditam que a hiperlexia faz com que a criança consiga ler, mas elas não compreendem o que está escrito, não interpretam e não identificam o uso social das palavras.  

Além disso, elas também têm dificuldades de se relacionar com outras crianças da mesma idade por terem uma limitação na linguagem. As crianças hiperléxicas gostam muito de jogos e televisão por causa do estímulo visual.

Veja, a seguir, alguns sintomas da hiperlexia:

  • consegue ler precocemente as palavras muito acima da média do que seria esperado na idade de uma criança;
  • pode parecer talentosa em algumas áreas e extremamente deficiente em outras;
  • dificuldade significativa na compreensão da linguagem verbal;
  • dificuldade em socializar e interagir com as pessoas;
  • medos específicos ou incomuns;
  • fixação com letras ou números:
  • repetição de uma palavra ou frase (ecolalia);
  • memorização de frases sem entender o significado;
  • necessidade intensa de manter rotinas ou rituais;
  • dificuldade em processar o que foi dito;
  • ótima memória.

Como lidar com uma criança hiperléxica

É bastante comum que a hiperlexia seja confundida com crianças superdotadas e muitos pais demoram para buscar ajuda especializada.

Ter o diagnóstico correto da hiperlexia é muito importante para que a criança receba uma intervenção precoce para melhorar suas habilidades sociais e de linguagem. Embora os sintomas tendam a diminuir com o tempo, o estilo de aprendizagem característico dos hiperléxicos permanece até a idade adulta.

Para diagnosticar a condição é realizada uma avaliação que incluirá a observação de habilidades de decodificação, conhecimento de palavras e de vocabulário, a capacidade de responder perguntas, as questões de compreensão de leitura e outras habilidades de linguagem e de processamento sensorial.

Após o diagnóstico, é importante que os pais procurem uma equipe multidisciplinar para que a criança ganhe qualidade de vida e se desenvolva tanto na escola quanto nas relações pessoais.

O papel do fonoaudiólogo é fundamental para que a linguagem oral seja desenvolvida de forma lúdica. As crianças com hiperlexia costumam gostar de dispositivos eletrônicos e por isso a tecnologia pode ser usada para atrair e contribuir para trabalhar os pontos que precisam ser desenvolvidos.

Por isso, os pais e cuidadores devem ficar atentos aos sinais e sintomas atípicos da idade, verificar se a criança está se isolando, possui atraso de fala ou alterações na comunicação.

Em seguida, deve buscar ajuda de profissionais das áreas de fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional para trabalhar o desenvolvimento da linguagem e a interação social da criança.

Saiba mais em: Sinais do Autismo – Conheça 14 sinais que são comuns em crianças com autismo

Leia também: Como estimular a fala e a comunicação em crianças com autismo

Referências:

– Reading skills in hyperlexia: a developmental perspective. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10349355

– Cognitive and language correlates of hyperemia: evidence from children with autism spectrum disorders. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s11145-008-9154-6

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Como estimular a fala e a comunicação em crianças com autismo?

Em diversos casos, pessoas com autismo não conseguem se comunicar através da fala. Mas isso não significa que a pessoa seja incapaz de falar, mas que não consegue manter uma comunicação por meio da fala.

Os pais e responsáveis devem ficar de olho nos marcos de desenvolvimento da fala e ver se a criança está se desenvolvendo dentro do esperado.

Por exemplo, uma criança que tem aproximadamente de 18 meses, já deve falar cerca de 20 palavras, aos 24 meses cerca de 200 palavras. E aos quatro ou cinco anos, espera-se que a fala já tenha se desenvolvido por completo. Se ocorrer qualquer atraso de linguagem, é importante buscar ajuda especializada para a criança.

Assim, quanto mais cedo a criança receber suporte especializado, melhor será para o seu desenvolvimento e ampliação dessas habilidades.

É importante lembrar que cada pessoa é única. Por isso, algumas estratégias funcionam bem com uma criança ou adolescente, mas podem não ser eficientes para outras.

Apesar do fato de que todas as pessoas com autismo podem aprender a se comunicar, nem sempre isso ocorre por meio da linguagem falada.  Autistas que não falam também podem se comunicar de outras formas.

Quanto mais cedo a criança receber suporte especializado, melhor será para o seu desenvolvimento e ampliação de habilidades.

Saiba mais sobre autismo: O que é autismo?

Leia também: Sinais do autismo

Estratégias para desenvolvimento da fala

É importante lembrar que cada pessoa com autismo é única. Por isso, algumas estratégias funcionam bem com uma criança ou adolescente, mas podem não ser eficientes para outras.

Apesar do fato de que todas as pessoas com autismo podem aprender a se comunicar, nem sempre isso ocorre por meio da linguagem falada.  Autistas que não falam também podem se comunicar de outras formas.

A seguir, veja algumas dicas para estimular a fala e a comunicação das pessoas autistas.

Estimular brincadeiras e jogos

As crianças aprendem brincando e com a linguagem e fala não é diferente. Vale a pena investir em brincadeiras interativas para que seu filho ou filha consiga se comunicar.

Sempre que possível brinque com a criança, cante, bata palmas e faça com que ela se sinta confortável para interagir, falar ou balbuciar. Aproveite esse momento para fazer perguntas e contar histórias.

Imitação

Outra estratégia eficaz é estimular a imitação, ou seja, ensinar a criança a repetir ações e palavras.

De uma forma lúdica, chame a sua atenção com brinquedos e não force situações.

Estimule gestos e contato visual

A comunicação não ocorre apenas por meio da fala. A criança não verbal se comunica com o contato visual e gestos corporais. Os pais e responsáveis podem estimular esses comportamentos.

Podem acenar a cabeça quando deseja falar sim ou não, bater palmas, abrir as mãos, entre outras atitudes. Estimule para que ele aponte para objetos.

Deixar se expressar

A criança precisa se sentir livre para falar, se expressar sem medo de errar. Não corrija os erros de forma brusca e dê oportunidades para ele se comunicar.

Dê espaço para que a criança responda por si, mesmo que demore. Nunca complete suas frases. E se ele não responder ou não falar naquele momento, diga que está tudo bem.

Use uma linguagem simples

Nada de usar palavras rebuscadas! A criança precisa entender as palavras e para isso o vocabulário precisa ser mais simples. Use sentenças mais curtas que possam ser compreendidas sem esforço.

Se seu filho ou filha não for verbal, tente falar principalmente em palavras isoladas e de forma pausada.

Uso da tecnologia

Os autistas podem gostar bastante de vídeos e tecnologia. Há diversos softwares e suportes visuais que podem estimular a fala e seu desenvolvimento.

Há diversos dispositivos e aplicativos com imagens que podem produzir palavras, ajudar a pedir ou mostrar o que estão pensando.

Atividades do dia a dia

Use as tarefas simples do dia a dia como uma nova oportunidade para ensinar a criança a se comunicar.

Quando é necessário buscar a terapia de fala?

O objetivo da terapia de fala é ajudar a pessoa a se comunicar de uma maneira mais funcional.

Geralmente, começa com uma avaliação realizada por um fonoaudiólogo que determina os desafios de comunicação da pessoa. Em seguida, determina as metas para a terapia.

Pode ser interessante buscar ajuda de um especialista para que a criança consiga falar de forma mais clara. Também ajuda a compreender a linguagem corporal, modular a voz e a responder perguntas.

Leia também: Benefícios da CAA para o desenvolvimento dos autistas

Saiba mais: Habilidades importantes para desenvolvimento da fala

Referências:

https://www.asha.org/public/speech/disorders/autism/

https://www.autismspeaks.org/speech-therapy-autism

https://www.verywellhealth.com/pragmatic-speech-delays-in-autism-260049

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Benefícios da CAA para o desenvolvimento dos autistas

A Comunicação Alternativa Aumentativa (CAA) é toda prática comunicativa que difere da fala. Portanto, a CAA oferece recursos para que a pessoa consiga se comunicar de forma efetiva com as outras pessoas.

Muitas pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) apresentam algum tipo de dificuldade para se expressar ou falar. Então, nesses casos, a CAA pode ser bastante eficiente.

Para isso, são usados sistemas de baixa e de alta tecnologia. Os sistemas de baixa tecnologia inclui cartões, pranchas com figuras, quadros ou livros com fotos ou imagens que representam tarefas, ações ou objetos. Já os sistemas de alta tecnologia são por exemplo os vocalizadores e aplicativos.

A CAA pode ser usada para melhorar a comunicação em todos os aspectos da vida do autista, nas relações familiares, na escola e no trabalho.

As pessoas com TEA podem aprender a usar essas ferramentas para entender o que as outras pessoas estão dizendo, pedir o que precisam, fazer comentários e responder às perguntas.

O tipo de sistema escolhido varia de acordo com o autista, sua idade, suas limitações em relação à comunicação e o contexto em que ele vive.

Cabe aos profissionais que atendem a criança ou jovem identificar a ferramenta de CAA compatível com aquela pessoa.

Saiba mais: Recursos visuais: qual a importância no dia a dia de pessoas com autismo?

Quais são os benefícios da CAA para autistas?

Basicamente, a Comunicação Ampliada Alternativa (CAA) ajuda as crianças com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) a melhorar sua capacidade de compreender e se comunicar com outras pessoas de forma geral.

Além disso, podemos destacar outros benefícios:

– Aprender as palavras iniciais. É possível juntar uma palavra a uma imagem ou gesto que a representa. Um exemplo: falar a palavra “bola” e segurar a imagem do objeto. As crianças vão associar os sons da fala com a imagem do objeto.

Algumas pessoas com TEA respondem melhor às informações apresentadas visualmente.

– Melhorar a compreensão das palavras. A fala por si só pode ser muito rápida, enquanto uma imagem dura mais. Ver uma imagem o ajuda a entender as informações e ajuda a evitar a sobrecarga de informações.

Incentiva o contato visual

Olhar para o outro é importante para a comunicação e a interação social. Por isso, a CAA estimula que a criança preste atenção nos outros, faça mais contato visual e preste mais atenção no que está no que está acontecendo ao redor.

Reduz o estresse

Com a CAA, os pais, cuidadores, professores, colegas, entre outras pessoas, conseguem compreender e melhor os comportamentos das crianças com autismo. Além disso, a criança consegue comunicar o que deseja.

Isso gera menos estresse, frustrações e por isso ajuda a melhorar a interação social.

Ajuda a desenvolver a fala

As crianças autistas podem ser estimuladas a falar com a CAA. Geralmente, reforçam e oferecem estratégias para encorajar e a fala especificamente. 

Pode diminuir os comportamentos desafiadores e agressivos

Há pesquisas que mostram que a CAA ensina a criança a se comunicar e diminui a necessidade do comportamento desafiador e agressividade.

Exemplo: a criança quer algo e aprende a pedir o que deseja sem partir para a agressão ou comportamentos inadequados.

Sabe-se que o desenvolvimento da comunicação tem um enorme impacto sobre o comportamento global da criança, reduzindo inclusive comportamentos agressivos e de autoflagelação.

Contribui com a inclusão escolar

Muitos alunos atípicos enfrentam dificuldade para serem socialmente incluídos no ambiente escolar devido às dificuldades de fala e comunicação.

Desse modo, a CAA contribui bastante para estabelecer um contato efetivo de comunicação entre a criança e a escola e os colegas neuróticos.

A maioria das crianças se adapta bem e aprende rapidamente a utilizar as ferramentas para a comunicação ampliada, se tornando mais independentes e abertas para a socialização.

Leia também: Conheça alguns pré-requisitos importantes para o desenvolvimento da fala

Referências:

https://nationalautismresources.com/the-picture-exchange-communication-system-pecs/

https://raisingchildren.net.au/autism/development/language-development/augmentative-communication-asd

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Como a escalada do comer pode ajudar na seletividade alimentar

Muitas pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) apresentam algum tipo de seletividade alimentar ou recusa alimentar persistente. Isso dificulta que se alimentem adequadamente. Para isso, existem algumas estratégias como a escalada do comer ou escalada para o alimento.

Por meio da escalada do comer criam-se experiências sensoriais positivas com os alimentos.

Para exemplificar, uma criança dentro da escalada, realizará como se fosse um passo a passo, se aproximando e aceitando de forma gradativa os alimentos.

Vale destacar que as crianças com TEA podem apresentar comportamentos restritivos, seletivos e ritualísticos que afetam diretamente seus hábitos alimentares resultando em desinteresse e recusa para alimentação.

Além disso, a alimentação pode ser negativamente afetada pela sensibilidade sensorial a texturas, gostos, cheiros e temperaturas dos alimentos especialmente em crianças com autismo.

Passos da escalada do comer

É importante seguir um passo a passo para que a criança com autismo vá se adaptando às mudanças e consiga se alimentar melhor. A seguir, veja os passos da escalada do comer.

Tolerar

A criança fica próxima do alimento sem se sentir incomodada ou com algum desconforto. Pode apenas visualizar, deixar o alimento perto ou no prato. Sendo assim, ela passa a tolerar os alimentos.

Interagir

A criança sente interesse pelo alimento e começa a interagir, pode ser como uma brincadeira. Aceita tocar mesmo que seja com o garfo.

Cheirar

A criança se aproxima mais do alimento e sente o seu cheiro, mesmo sem tocar.

Tocar

A criança pega o alimento com as mãos, segura, manuseia de forma natural.

Provar

Coloca na boca e se familiariza com as características do alimento, ou seja, sabor, textura e temperatura. Pode mastigar e cuspir, passar a língua, morder.

Comer

Finalmente, a criança aceita o alimento, mastiga e engole. Em seguida, ele passa a fazer parte da sua dieta.

Como os pais e cuidadores podem ajudar?

Permitir as brincadeiras com os alimentos é fundamental para que a criança passe a tolerar o item escolhido.

Os pais e cuidadores devem criar um ambiente tranquilo, leve e divertido para as refeições. A criança precisa ser respeitada o tempo todo, não pode ser forçada a nada.

É importante manter a calma, nunca ameaçar a criança a se alimentar e ela precisa se sentir livre para tocar, conhecer, brincar e cheirar o alimento. Lembre-se que a sujeira faz parte do processo.

Diga sempre para a criança que ela pode experimentar, no entanto, não é obrigada a engolir, caso não goste do sabor ou textura.

Veja abaixo algumas outras dicas que podem ser úteis nesse processo:

  • Manter a rotina: estabelecer horários para a criança comer faz com que ela entenda a necessidade de se alimentar. Vale a pena incentivar que ela participe ativamente da refeição, ou seja, prepare os alimentos e ajude a organizar a mesa.
  • Evite lanches e guloseimas fora de hora: isso evita que a criança perca a fome e se alimente adequadamente.
  • Varie bastante: sempre que possível coloque diversos alimentos à mesa para que ela possa se servir. Varie sempre nas texturas, cores e sabores.
  • Incentive a autonomia: faça com que a criança se sirva durante as refeições e escolha o que quer comer.
  • Leveza durante as refeições: conversem sobre assuntos variados durante as refeições e brinquem com a criança.
  • Comemore as conquistas: todos os alimentos novos que a criança experimentar e aceitar devem ser comemorados. Continue oferecendo novos alimentos e a recompense com um brinquedo ou brincadeiras.
  • Evite eletrônicos: as refeições devem ser momentos descontraídos e focados na alimentação. Evite usar celular e ver televisão enquanto a criança se alimenta para não distraí-la.

Saiba mais em: Sinais do Autismo – Conheça 14 sinais que são comuns em crianças com autismo

Leia também: Como estimular o aprendizado por meio de brincadeiras?

Referências:

https://www.verywellhealth.com/how-to-help-children-with-texture-aversions-to-food-1323972

https://raisingchildren.net.au/autism/health-daily-care/daily-care/eating-habits-asd

https://www.spectrumnews.org/opinion/eating-aversion

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