ADOS – Protocolo de Observação para Diagnóstico de Autismo

A avaliação do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) exige uma equipe multidisciplinar bem treinada e experiente. Ademais, diversas escalas ajudam no processo diagnóstico. Uma delas é o ADOS, que vem do inglês – Autism Diagnostic Observation Schedule, e significa Protocolo de Observação para Diagnóstico de Autismo, e é uma escala de observação.

o ADOS trata-se portanto de uma avaliação estruturada e completa, no qual através da observação avalia objetivamente a habilidade social, de comunicação e o comportamento de pessoas com TEA, desde crianças até adultos.

O ADOS possui módulos específicos e cada um deles é apropriado para crianças e adultos de diferentes níveis de desenvolvimento e linguagem, podendo ser verbal e não verbal.

Por isso, ele gera avaliações precisas das pessoas com  autismo e o desenvolvimento em todas as idades, habilidades de linguagem, antecedentes culturais e níveis de desenvolvimento. 

Como funciona?

A avaliação do ADOS usa situações sociais planejadas para ter respostas e interações interpessoais. Por isso, utiliza-se termos padronizados, materiais, atividades, introduções de atividades e sequências hierárquicas de atividades sociais.

Portanto, a observação comportamental visa distinguir o autismo de outros transtornos e estuda diretamente os comportamentos sociais e comunicativos associados com o autismo. Este roteiro de observação consiste em tarefas apresentadas pelo examinador.  

Assim, as atividades são padronizadas e permitem que o examinador observe comportamentos que foram identificados como importantes para o diagnóstico de autismo e outros transtornos de desenvolvimento.

Dentro de cada módulo, a resposta do participante a cada atividade é registrada. As classificações gerais são feitas no final do cronograma.

Assim, o ADOS é dividido em quatro módulos:

  • O Módulo 1 é usado para crianças com fala limitada;
  • O Módulo 2 é para quem sabe falar, mas não é verbalmente fluente;
  • O Módulo 3 é usado com crianças verbalmente fluentes;
  • O Módulo 4 é usado com adolescentes e adultos verbalmente fluentes. 

Entretanto, o ADOS não possui módulos que abordam adolescentes e adultos não verbais. Os módulos fornecem sequências comunicativas que combinam uma série de situações. E cada situação fornece uma combinação diferente para comportamentos sociais específicos. 

Já os comportamentos são classificados em quatro domínios:

  • interação social recíproca;
  • comunicação/linguagem;
  • comportamentos estereotipados/restritivos;
  • humor e comportamentos anormais não específicos.

Leia também: Saiba mais sobre o ADI-R

Detalhando cada módulo e fazendo avaliações

O primeiro módulo inclui cenários que envolvem brincadeiras, rotinas e comemorações. Já o segundo módulo envolve conversas, demonstrações de tarefas, descrições de figuras, brincadeiras e leitura de livros. 

O terceiro módulo utiliza algumas das atividades do segundo módulo, mas também incluem desenhos animados, relatórios de conversas, análise emocional, desafios sociais e criação de histórias.

O último e quarto módulo é voltado para adolescentes e adultos verbalmente fluentes e inclui discussões de histórias, trabalho, escola, livros, amizade, solidão, relacionamentos e planos futuros.

Cada módulo consiste em um conjunto de cenários padronizados pelos quais o  avaliador analisa a pessoa.  Outros componentes incluem conversas estruturadas ou cenários sociais, como uma festa de aniversário ou um lanche. E nessas situações são introduzidos  obstáculos para ver como a criança lida com isso.

Geralmente, espera-se que a criança mostre iniciativa e se isso não ocorrer, o examinador fornecerá tarefas cada vez mais específicas para garantir que eles reajam e tenham algum comportamento. Nem sempre os pais estarão presentes para que a criança não se distraia.

Cada módulo leva cerca de 40 minutos para ser concluído. Entretanto, o examinador pode optar por usar outro módulo depois de perceber que o selecionado anteriormente não corresponde às habilidades funcionais da criança.

Normalmente, o teste é gravado em vídeo para que uma equipe possa analisá-lo e fazer o diagnóstico. Os comportamentos recebem uma pontuação entre zero e três: zero indica um comportamento normal, enquanto três indica que há uma disfunção comportamental.

E você, já conhecia esse Protocolo de Observação para Diagnóstico de Autismo?

Saiba mais sobre avaliações: Protocolo AFLS

Referências

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2893552/

https://research.agre.org/program/aboutados.cfm

https://www.appliedbehavioranalysisedu.org/how-is-ados-autism-diagnostic-observation-schedule-used-to-identify-asd/

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Inclusão escolar: um direito assegurado por lei

Um dos desafios dos cuidadores de pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é saber como contribuir com o processo de inclusão escolar.

Por isso, é importante que ocorra uma parceria entre pais, escola e profissionais envolvidos na educação da criança no ambiente escolar.

Mas, a inclusão escolar vai muito além de fazer com que a pessoa com TEA esteja em uma sala de aula.

Crianças e adolescentes com TEA geralmente apresentam dificuldades na interação e na comunicação com outras pessoas, comportamentos repetitivos e pouco interesse em realizar atividades próprias da idade.

Assim, a inclusão escolar é fazer com que o aluno se envolva nas atividades e tenha uma experiência de qualidade. 

Além de desenvolver suas habilidades, participar da rotina da escola, aprender e brincar com outras crianças.

O aluno necessita fazer parte da turma, interagir com os colegas e professores, compreender o conteúdo das aulas e se desenvolver de acordo com suas limitações e particularidades.

Como escolher a escola?

No Brasil, desde 2012, há a lei n. 12.764 que determina que pessoas com autismo devam frequentar escolas regulares e também têm o direito de ter um acompanhamento, se necessário.

Mesmo com isso estabelecido na legislação, os pais podem encontrar dificuldades para encontrar uma escola com disponibilidade e capacidade para lidar com as limitações do aluno autista e que realmente façam uma inclusão escolar adequada.

Escolher uma boa escola pode ser difícil, uma vez que depende muito das necessidades individuais da criança.

Para que essa inclusão ocorra, a escola e a grade curricular devem ser adaptadas de acordo com o aluno com TEA.

É importante ter o apoio da direção da escola, pois a criança precisará de alguns recursos, profissionais e apoio especializado para atender às suas necessidades.

Por isso, os pais devem examinar as diferentes opções de escolas disponíveis com bastante antecedência. É possível marcar uma visita para saber se a escola tem uma estrutura é adequada.

Observe a sala de aula, assim como os outros alunos e o professor com quem seu filho passará parte do tempo.

Não deixe de se encontrar com o diretor ou responsável pela escola, que juntamente com os demais educadores, garantirão a participação das famílias e dos estudantes no processo de aprendizado.

A participação de todos é essencial

Busque estabelecer espaços de diálogo que viabilizem a participação ativa de todos os envolvidos, como os professores, coordenadores, diretores, auxiliares de limpeza, merendeiros, entre outros.

Essa é a melhor forma de atingir os objetivos de aprendizagem e garantir a inclusão e a convivência com outros alunos.

Os professores e responsáveis pela educação devem identificar os interesses e as necessidades do aluno.

Com um profissional do atendimento educacional especializado nas escolas é possível identificar o que está atrapalhando ou impedindo a aprendizagem.

Inclusão: um direito do autista

Escolha aquela escola que queira incluir seu filho e sua família, além de valorizar e respeitar a pessoa com o Transtorno, suas habilidades e suas diferenças.

Há a necessidade de manter uma relação baseada em cooperação e apoio mútuo.

Lembrando que a escola não pode se recusar a matricular o aluno com TEA e se a instituição dificultar seu acesso ao ambiente escolar está cometendo um crime.

Além disso, de acordo com a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), o acesso à escola para crianças e adolescentes não pode ser negado em qualquer circunstância, tanto da rede pública quanto particular.

E também não pode ser cobrado nenhum valor adicional nas mensalidades devido ao Transtorno.

Caso encontre dificuldades a ter direito a uma educação inclusiva, é possível entrar em contato com a Secretaria de Educação do município e até o Ministério Público para exigir os direitos do estudante.

Conseguir desenvolver suas potencialidades, participar em igualdade de condições com outros alunos é um direito da pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo.

Saiba mais:

Autismo e inclusão: importância da adaptação dos conteúdos didáticos

Alfabetização e autismo: quais são os desafios?

Referências:

https://www.verywellhealth.com/educational-options-for-children-with-autism-260393

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Conheça alguns pré-requisitos importantes para o desenvolvimento da fala

Para que a criança consiga falar, ela precisa ter alguns pré-requisitos importantes para o desenvolvimento da fala.

Os pré-requisitos são as habilidades que preparam as crianças para falar e se comunicar. Dentre elas podemos citar a habilidade de fazer contato visual, de apontar, entre outras.

Todos esses repertórios ajudam na aprendizagem da fala, mas também para o desenvolvimento da socialização. Além disso, contribuem com a autonomia e a independência das crianças com atraso no desenvolvimento ou algum transtorno como o autismo.

A seguir, veja detalhes sobre os pré-requisitos para desenvolver a fala:

Contato visual

A capacidade de manter o contato visual ajudará o bebê a obter informações sobre a linguagem da boca e do rosto. 

Então, fazer o contato visual ajuda a criança a observar a pronúncia, expressão, sonorização do adulto observado, o que ajuda na produção da sua própria fala.

O mesmo se aplica à escuta: a criança aprende a reconhecer a voz humana e a determinar quais são as mais importantes. 

Sorriso social

A criança começa a sorrir ao interagir com os pais quando eles usam os sons, ações, expressões faciais. Costuma aparecer quando a criança tem entre dois e três meses.

Isso estimula ainda mais a interação social porque é muito mais gratificante interagir quando você recebe uma resposta.

Atenção compartilhada

Acontece quando duas pessoas focam em um mesmo objeto ou dão atenção para uma mesma conversa, por exemplo.

Essa atenção pode ocorrer por meio do olhar, gestos ou quando alguém aponta ou indica algo, além de palavras.

A atenção compartilhada contribui com a comunicação e a aprendizagem. Portanto, quem não tem essa habilidade não entende a função do contato visual e não olham para as pessoas.

Também apresentam dificuldades para compartilhar o interesse com os colegas e pais. Geralmente, não têm interesse por brinquedos e não buscam atenção dos pais e familiares.

Compreensão

Antes de começar a falar, é fundamental que a criança seja capaz de entender palavras e instruções simples.

Ela deve demonstrar compreensão ao responder a comandos simples, como “dê tchau” ou “pegue o brinquedo”.

Seguir instruções

A criança precisa responder de forma consistente a demanda. Por exemplo: o pai ou a mãe pede algo para criança e ela consegue fazer. Isso significa que ela compreendeu o que foi falado.

Imitação

Ajuda a criança a vocalizar as palavras. Se ela não imita respostas motoras, possivelmente não imitará as respostas vocais.

Imitar outras pessoas estimula a cooperação e a interação social. Aos 9 meses, a criança é capaz de imitar as palmas e sons.

Comunicação não verbal

Antes de começar a falar, as crianças usam gestos e outros meios não verbais de comunicação, como apontar, mostrar objetos ou fazer movimentos específicos para expressar suas necessidades e desejos.

Desenvolvimento motor

O desenvolvimento motor é essencial para a criança alcançar a fala. Afinal, a medida que a criança desenvolve habilidades motoras orais, como controlar a musculatura dos lábios e da língua, ela está mais apta a produzir sons da fala.

Balbuciar

O balbucio é uma etapa prévia à fala em que a criança produz sequências repetitivas de sons e sílabas, como “bababa” ou “dadada”. É um indicador importante de que a criança está explorando os sons da linguagem.

Importante

É fundamental identificar e trabalhar no desenvolvimento dessas habilidades de forma precoce para prevenir dificuldades com a linguagem verbal e o desenvolvimento e intendência da criança.

Vale destacar que a Terapia ABA realiza o treino dos pré-requisitos da fala.  Se achar que seu filho ou filha está demorando a falar e a se comunicar, procure um especialista para uma avaliação.

Leia também: Conheça 14 sinais que são comuns em crianças com autismo

Referências:

https://www.autism.org.uk/advice-and-guidance/topics/communication

https://childdevelopment.com.au/areas-of-concern/using-speech/talking-readiness-pre-language-skills

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Neurônios-espelho e sua relação com habilidade de imitação

Você já ouviu falar em neurônios-espelho? O cérebro humano é bastante complexo e reflete as ações praticadas por outras pessoas como se fossem espelhos.

Há um grupo de neurônios que são responsáveis por essa habilidade e que são chamados de neurônios-espelho.

Além disso, eles também estão ligados a capacidade de imitação, empatia, compreensão e comportamento social.

Os neurônios-espelho foram descobertos na década de 1990, por cientistas da Universidade de Parma, na Itália.

TEA e neurônios-espelho

Como sabemos, uma característica do autismo é a dificuldade de interação social.

Contudo, é comum que as pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) apresentem dificuldade em se relacionar, demonstrar os sentimentos e as emoções, e de se colocar na perspectiva do outro.

Por isso, estudos têm sido realizados sobre o autismo e os neurônios-espelho.

Sabe-se que, em alguns casos, os neurônios-espelho não funcionam adequadamente em indivíduos com o TEA.

Por isso, essa dificuldade de se relacionar e da incapacidade de se colocar no lugar do outro pode estar relacionada à disfunção desses neurônios.

Outra questão importante dos neurônios-espelho é em relação à limitação da capacidade de imitação do outro.

Lembrando que a imitação está relacionada ao desenvolvimento da linguagem e desenvolvimento motor.

O papel na cognição

Além da imitação e empatia, o neurônio-espelho é importante para a compreensão da cognição social: a forma como as pessoas interagem com outros socialmente.

Os neurônios-espelho registram as informações sensoriais geradas quando um indivíduo planeja uma ação, quando executa a ação e quando vê outra pessoa realizando a ação. Todas elas ficam armazenadas nas mesmas regiões do cérebro.

A importância de pesquisas na área

Ainda é preciso que sejam feitas novas pesquisas sobre os neurônios-espelho para esclarecer a sua função e a ligação com os comportamentos dos autistas.

Pesquisas na área sobre os neurônios espelhos e o autismo são fundamentais para que no futuro possam ser estabelecidas terapias mais efetivas para melhorar a socialização das pessoas com o TEA.

Como foi descoberto

Pesquisadores descobriram que alguns neurônios em uma área do córtex pré-motor dos macacos disparavam quando os animais faziam coisas como pegar ou morder um amendoim.

Uma vez que os pesquisadores identificaram os neurônios-espelho em macacos, o próximo passo foi procurá-los em humanos.

Mas eles não conseguiram registrar a atividade de neurônios individuais em humanos da mesma forma que poderiam em macacos, já que isso requer conectar eletrodos diretamente ao cérebro.

Em vez disso, o primeiro estudo do neurônio-espelho humano examinou a contração muscular da mão. Desde então, a maioria dos estudos sobre o sistema de neurônios-espelho humanos tem usado algum tipo de neuroimagem, geralmente ressonância magnética.

Saiba mais sobre os neurônios espelho

  • É considerado uma das descobertas mais importantes da neurociência dos últimos anos.
  • Permite o aprendizado por imitação, já que é acionado quando é necessário observar ou reproduzir o comportamento de outros seres da mesma espécie.
  • Os neurônios-espelho são um tipo de célula cerebral que responde igualmente quando realizamos uma ação e quando testemunhamos alguém realizando a mesma ação.
  • Foi descrito inicialmente em macacos por pesquisadores da Universidade de Parma, na Itália.
  • Está localizado no córtex pré-motor e lobo parietal inferior dos primatas.
  • Está ligado à observação e imitação das expressões faciais e dos movimentos das mãos e movimentos.
  • As propriedades dessas células têm ajudado a entender a origem de alguns distúrbios neurológicos.
  • Alguns pesquisadores estão interessados ​​em saber se os neurônios-espelho respondem não apenas às ações ou emoções de outras pessoas, mas também à intenção por trás dessas ações.
  • O autismo poderia resultar de disfunções dos neurônios-espelho.

Leia também: Plasticidade cerebral e Poda neural: compreenda a conexão com o TEA

Referências:

https://www.correiobraziliense.com.br/revista-do-correio/2021/08/4946248-neuronios-espelho-nos-permitem-viver-a-vida-dos-outros.html

https://www.news-medical.net/health/What-are-Mirror-Neurons.aspx

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Avaliação das habilidades de vida funcionais: saiba mais sobre o Protocolo AFLS

Você já ouviu falar do Protocolo AFLS? A Avaliação de Habilidades de Vida Funcionais, em tradução livre, é uma ferramenta de avaliação de habilidades para ensinar crianças, adolescentes e adultos com dificuldades de desenvolvimento.

Então, ajuda nas habilidades essenciais que os indivíduos precisam para alcançar a independência e a autonomia.

Dessa forma, o Protocolo AFLS foi criado com o objetivo de ajudar a pessoa a adquirir habilidades para ter uma vida funcional.

Vale destacar que crianças com autismo ou outros  problemas comportamentais ou de desenvolvimento podem ter dificuldade em aprender e desenvolver as habilidades vitais necessárias para serem mais independentes.

Portanto, é importante que profissionais que trabalham com essas crianças forneçam uma base que as ajude a alcançar o mais alto nível de independência possível.

Como funciona?

O protocolo AFLS inclui protocolos de avaliação diferentes que avaliam habilidades funcionais, práticas e essenciais da vida cotidiana.

Além de uma avaliação, o AFLS ajuda a rastrear e monitorar o progresso de soluções que permitem que as habilidades avaliadas sejam rastreadas para o progresso ao longo de muitos anos. Entre as habilidades, podemos citar:

Habilidades básicas da vida

São avaliadas como funciona o autocuidado, as formas de manter a higiene, rotinas e habilidades básicas de comunicação.

As habilidades avaliadas no Protocolo de Avaliação de Habilidades Básicas de Vida devem ser consideradas um pré-requisito para qualquer programa de habilidades funcionais.

Entre as atividades, inclui: autogerenciamento, comunicação básica, como se vestir, toalete, higiene, saúde, segurança e primeiros socorros e rotinas noturnas.

Habilidades domésticas

Esteja morando com os pais ou sozinho, o autista precisa treinar as habilidades necessárias para viver em uma casa. Por isso, ajuda a criança ou jovem a preparar suas refeições em casa, tarefas de limpeza, lavar roupas, por exemplo.

Habilidades de participação na comunidade

A participação na comunidade começa com o aprendizado de atividades do dia a dia. É o caso de ensinar a atravessar a rua, usar transporte público, fazer compras no mercado e ir ao restaurante, por exemplo.

A capacidade de contar o tempo e usar conceitos relacionados ao tempo, marcar e manter compromissos, usar um telefone e outras habilidades para ajudar os alunos a permanecerem conectados e interagirem com outras pessoas também são avaliadas. Além disso, também avaliam-se a forma como lidam com o dinheiro.

Habilidades escolares

Esta avaliação abrange todos os níveis etários de educação: ensino fundamental, ensino médio, ensino médio, faculdade. Por isso, considera o nível de desenvolvimento do indivíduo em relação a linguagem, comportamento e habilidades cognitivas.

Além disso, também avalia: como é a estrutura da sala de aula, a rotina e expectativas, refeições na escola, habilidades sociais, recursos tecnológicos, conhecimentos adquiridos.

Habilidades vocacionais

Este protocolo ensina habilidades essenciais a alunos que se preparam para ingressar no mercado de trabalho ou àqueles que já estão trabalhando, mas desejam desenvolver habilidades.

Além disso, abrange habilidades relacionadas à busca de um emprego e preparação para entrevistas. Também avalia as relações com colegas de trabalho e conhecimentos específicos.

Vantagens do Protocolo AFLS

  • Pode ser utilizado a qualquer hora e em qualquer lugar – em casa ou na escola;
  • É fácil de entender: é escrito em uma linguagem prática e não muito técnica;
  • Simples de usar: fornece um passo a passo com exemplos e métodos, tornando o sistema fácil para todos;
  • Acessível e personalizável: é mais barato do que outras ferramentas de avaliação do autismo e pode ser personalizado de acordo com as necessidades de qualquer aluno a qualquer momento.

Leia também:

Saiba mais sobre o ADI-R

ADOS – Protocolo de observação para diagnóstico de autismo

Referências:

https://functionallivingskills.com/functional-living-tools/

https://life-skills.middletownautism.com/background/assessment-life-skills/assessment-functional-living-skills-afls/

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Conheça a Síndrome de Savant

A Síndrome de Savant é uma condição rara em que a pessoa tem habilidades extraordinárias relacionadas a memória. Essas pessoas apresentam habilidades como fazer contas complexas sem calculadora, tocar uma música no piano após escutar apenas uma vez ou aprender vários idiomas em pouco tempo.

A Síndrome de Savant ganhou atenção da mídia nos últimos anos por conta da série The Good Doctor. O termo vem do francês Savant e significa “sábio”.

Na série, o ator Freddie Highmore dá vida a um jovem cirurgião com a Síndrome de Savant e autismo. Ele tem bastante dificuldade de se conectar com as pessoas que o rodeiam no ambiente de trabalho. Mas, possui muitas habilidades que o ajudam a salvar vidas.

Características e sintomas da Síndrome de Savant

Apesar dessas habilidades em determinadas áreas, a pessoa com a síndrome apresenta em grande parte das vezes deficiência intelectual associada.

Geralmente, quem tem a Síndrome de Savant apresenta quociente de inteligência entre 40 e 70 e em alguns casos pode ter QI de até 114.

Essa condição geralmente afeta mais os homens do que as mulheres. Estima-se que uma em cada dez pessoas que estão dentro do espectro do autismo possua também a Síndrome de Savant.

Eles costumam ter habilidades extraordinárias em áreas como arte (pintura ou escultura), música, cálculos complexos, cálculo de calendários, mecânicas ou espaciais, podem ser poliglotas (falar vários idiomas), ciências, entre outras.

As habilidades extraordinárias estão sempre ligadas à excelente memória da pessoa. Geralmente, apenas uma habilidade especial está presente. Mas, assim como ocorre com o autismo, as pessoas com a Síndrome de Savant sentem muita dificuldade de se relacionar, demonstrar emoções, enfrentar mudanças de rotina.

Apresentam uma disfunção significativa nas habilidades que pertencem ao hemisfério esquerdo do cérebro como as habilidades lógicas ou simbólicas, além de ter dificuldades de linguagem e fala.

Diagnóstico e tratamento da Síndrome de Savant

O diagnóstico da Síndrome de Savant é clínico. Por isso, o médico avalia o histórico do paciente e faz uma avaliação neuropsicológica. O profissional avaliará as habilidades e, se achar necessário, poderá solicitar exames de imagem para identificar o risco de tumores ou acidentes vasculares cerebrais.

Não há cura para a Síndrome de Savant porque ela não é uma doença, mas há terapias que podem ajudar a aumentar a qualidade de vida. Além de minimizar as dificuldades e aumentar outras habilidades.

Essas terapias costumam ser individualizadas, pois consideram os pontos fortes e dificuldades das pessoas com a Síndrome.

Essas habilidades costumam aparecer na infância, mas também podem surgir em indivíduos neurotípicos após lesão cerebral ou alguma doença que surge mais tarde na infância ou vida adulta.

Saiba mais sobre o assunto

O primeiro relato da Síndrome de Savant ocorreu em um artigo científico em 1783, descrevendo o caso de Jedediah Buxton, uma calculadora de raios com memória extraordinária.

Mas, o primeiro especialista a diagnosticar o savantismo foi J. Langdon Down, que também identificou a Síndrome que leva o seu nome. Ele chamava as pessoas com a Síndrome de Savant de “idiot savant” (“idiota prodígio”, em francês). Mas o termo foi considerado inadequado e se tornou politicamente incorreto.

Há algumas pessoas com a Síndrome de Savant que ficaram conhecidas por suas habilidades, entre elas Kim Peek, que conseguiu memorizar mais de 12 mil livros na íntegra. Sua história inspirou o filme Rain Man (1988).

Saiba mais sobre comorbidades associadas ao TEA

Referências:

The savant syndrome: an extraordinary condition. A synopsis: past, present, future. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2677584/

http://www.agnesian.com/page/savant-syndrome-faqs

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Autismo virtual – Isso existe?

As crianças já passam muito tempo em frente às telas e esse tempo aumentou ainda mais nos últimos anos, principalmente durante a pandemia.  Por conta disso, surgiu o termo “autismo virtual”, ou seja, o uso excessivo de telas como tablets, celulares, computadores ou mesmo a televisão poderia causar uma condição semelhante ao autismo.

Mas será que existe autismo virtual?

A resposta para essa pergunta é NÃO! Porque o autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento, ou seja, a pessoa já nasce autista.

Essa história surgiu após a publicação de uma pesquisa romena que comparou um grupo de crianças que havia sido exposto a mais de quatro horas/dia em um ambiente virtual com e outro que não havia passado tanto tempo assim diariamente. As crianças tinham entre zero a três anos.

Então, os pesquisadores sugeriram que a privação sensorial-motora e sócio afetiva, provocada pelo consumo excessivo de um ambiente virtual, poderia ativar comportamentos e elementos similares a aqueles encontrados em crianças diagnosticadas com o transtorno do espectro do autismo.

O que causa autismo?

Muitas pesquisas em todo o mundo já foram realizadas para descobrir quais são as causas do autismo.

Contudo, o que se sabe até o momento é que, na maioria das vezes, o TEA ocorre devido a fatores genéticos e a fatores ambientais.

As mutações genéticas desempenham um papel bastante significativo no surgimento do autismo. O TEA ocorre devido a alguma falha no processo de desenvolvimento cerebral, logo no início da formação do feto.

Os fatores genéticos estão envolvidos na grande maioria dos casos de autismo.  Pesquisas recentes citam que mais de 90% dos casos de autismo são de causas genéticas.

Entre os fatores ambientais, podemos citar: o uso de ácido valpróico, que é utilizado para tratamento de epilepsia e transtorno bipolar e aumenta o risco da criança nascer com autismo.

Outro fator que tem comprovação é a idade paterna e alguns estudos apontam a relação entre o risco de autismo e a idade dos pais.

Além disso, diversos estudos mostram que a exposição materna a toxinas, o parto prematuro, o baixo peso ao nascer, diabetes materna, uso de drogas durante a gestação e infecções graves (Infecções virais e bacterianas) das gestantes também podem ser fatores de risco para autismo.

Quais são os riscos das telas para as crianças?

Sabemos que o uso excessivo de telas não causa autismo, mas sambemos também que esse uso excessivo pode comprometer o desenvolvimento infantil.

Algumas pesquisas apontam que a superexposição a eletrônicos, no caso de crianças muito pequenas, pode causar déficit de atenção, atrasos cognitivos, distúrbios de aprendizado, aumento de impulsividade e diminuição da habilidade de regulação própria das emoções.

Por conta disso, as crianças podem receber um diagnóstico equivocado de autismo.

Além disso, o excesso de telas pode aumentar o risco de obesidade, causando problemas para dormir, distúrbios emocionais como ansiedade, depressão e até agressividade.

Em alguns casos, pode gerar dependência digital, transtornos de alimentação e de imagem corporal, cyberbullying e até mesmo problemas visuais, auditivos e de postura.

Como evitar o excesso de telas?

É importante que os pais e responsáveis redobre a atenção e fique de olho quanto tempo os pequenos estão conectados. Portanto, uma estratégia eficaz é estabelecer regras como não usar os aparelhos durante as refeições e desligar os aparelhos entre uma e duas horas antes de dormir.

Além disso, as crianças também precisam ser estimuladas a praticar outras atividades que não necessitem de tecnologia. Pode ser a leitura de um livro, pinturas, música, jogos ou ter contato com a natureza.

O uso de telas não é recomendado para crianças menores de 2 anos. Para crianças entre 2-5 anos a exposição deve ser de no máximo 1 hora por dia. Após 5 anos a exposição deve ser de no máximo 2 horas por dia.

Referências:

https://www.gazetadopovo.com.br/viver-bem/saude-e-bem-estar/criancas-grudadas-no-smartphone-estao-em-risco-de-autismo/

https://www.webmd.com/mental-health/news/20170503/are-smartphones-helping-or-harming-kids-mental-health

https://jamanetwork.com/journals/jamapediatrics/fullarticle/2788488

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Por que realizar intervenção baseada na ABA em meu filho?

Uma dúvida bastante frequente dos pais que recebem o diagnóstico de autismo dos filhos é sobre as intervenções. Certamente, entre as intervenções que possuem resultados comprovados, destacam-se as baseadas na Análise de Comportamento Aplicada (ABA).

As intervenções baseadas na ABA são cientificamente comprovadas e possibilitam compreender as ações e habilidades das pessoas no espectro autista e como elas podem ser influenciadas pelo meio ambiente.

Além disso, a ABA contribui com uma melhora nas interações sociais, ajuda no aprendizado de novas competências e a manter comportamentos positivos.

Então, a seguir, destacaremos alguns motivos para você escolher intervenções baseadas na ABA para seu filho:

1. Desenvolvimento do autista

A ABA tem como objetivo atuar em prol do desenvolvimento do autista – desde a infância à idade adulta. São usadas técnicas que possibilitem ampliar a capacidade cognitiva, motora, de linguagem e de integração social do autista.

2. Eficácia da ABA é comprovada cientificamente

Um dos primeiros estudiosos na área ABA foi o psicólogo Skinner, em 1930.

Portanto, a ABA tem evidências científicas que atestam sua eficácia. Consiste em um conjunto de procedimentos e intervenções destinados a aumentar comportamentos positivos.

Além disso, ensina novas habilidades, que possibilitem à criança se integrar em novos ambientes e reduzir comportamentos prejudiciais a ela, como a autoagressão.

3. Gerenciamento de comportamentos

Em caso de comportamento positivo, há uma recompensa como forma de estimular determinada prática. Por isso, com a terapia ABA, a expectativa é que esta atitude seja repetida posteriormente.

E, em alguns casos, se houver comportamento negativo, algumas estratégias são utilizadas como meio de inibir tal atitude.

4. Pode ser aplicada em diferentes locais

As dinâmicas que compreendem a prática da intervenção ABA podem ser ministradas em casa, em escolas ou em clínicas especializadas. Assim, em alguns casos envolvem até 40 horas por semana de terapia individualizada.

5. ABA não requer equipamentos

Uma das características positivas das intervenções ABA é que elas não requerem o uso de equipamentos ou ferramentas caras, assim, possibilita ser trabalhada não apenas por profissionais.

Ademais, ela pode ser praticada em casa, com suporte dos pais e familiares, no contexto escolar,  entre outros ambientes naturais.

6. Ajuda no ensino de novas habilidades

Ensina habilidades que permitem que os indivíduos sejam mais bem-sucedidos e menos dependentes do comportamento problemático que pode gerar atitude negativa para atender às suas necessidades.

7. Foco no autista de forma individualizada

A Intervenção é individualizada. Por isso, são realizadas avaliações constantes para determinar qual é a melhor estratégia, de acordo com as dificuldades e limitações do autista.

Ademais, as intervenções baseadas em ABA auxiliam no aperfeiçoamento de habilidades básicas, como olhar, ouvir e imitar, ou complexas, como conversar e interagir com o outro.

8. Trabalha a motivação

A ABA trabalha com a motivação da criança por meio dos reforçadores, ou seja, estímulos para que os comportamentos positivos voltem a acontecer.

O reforço deve ser individual, ou seja, precisa agradar a criança ou jovem. Por isso, há diversos tipos de reforçadores.

Entre os tipos de reforçadores usados podemos citar: brinquedos, cócegas, alimentos, passeios, elogios, abraços, jogos, desenhos.

9. Mensuram os avanços

A ABA é uma ciência que estuda as leis que regem a interação do indivíduo com o ambiente. Dessa forma, após uma análise dos comportamentos é possível traçar um plano de ação para modificá-los.

Os profissionais realizam uma avaliação inicial para checar as habilidades do indivíduo e nortear os pontos principais da intervenção. Além disso, as metas são avaliadas frequentemente e as escalas atualizadas.

Como a ABA é uma tecnologia de ensino individual, o especialista em ABA conhece e sabe usar mais de uma escala de habilidades.

10. Trabalho em conjunto

Geralmente, as crianças com autismo passam por mais de uma intervenção ao mesmo tempo. É comum que sejam atendidos por psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, pediatras, neurologistas, entre outros.

Os profissionais que cuidam do autista trabalham em conjunto e trocam informações para que o autista consiga se desenvolver adequadamente.

Conheça a Formação ABA PRO

Referências:

https://www.appliedbehavioranalysisprograms.com/lists/5-techniques-used-in-applied-behavior-analysis/

https://www.autismspeaks.org/applied-behavior-analysis

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Como avaliar se meu filho está fazendo ABA de verdade?

Já falamos aqui em como as intervenções baseadas na Análise de Comportamento Aplicada (ABA) são eficazes para aumentar o repertório de comportamentos funcionais e para o desenvolvimento de habilidades dos autistas.

Comprovada cientificamente, a Ciência ABA oferece técnicas que desenvolvem as habilidades  essenciais da vida diária e reduz comportamentos inadequados relacionados ao transtorno.

Mas como saber se a equipe de profissionais realmente está aplicando a ABA corretamente?

A seguir, detalhamos algumas questões importantes para você avaliar se seu filho ou filha está fazendo ABA de verdade.

Técnicas sem comprovação científica

Primeiramente, a Análise de Comportamento Aplicada (ABA) é uma ciência comprovada que possibilita compreender as ações e habilidades das pessoas autistas e como elas podem ser influenciadas pelo meio ambiente.

Por isso, não podem ser aplicadas técnicas experimentais, sem comprovação científica. Assim, esta intervenção, que já existe há mais de 50 anos, pode contribuir com uma melhora nas interações sociais, aprendizagem de novas competências e manter comportamentos positivos.

Usam várias técnicas

Geralmente, são usadas várias técnicas ao mesmo tempo para evitar a estagnação e o tédio da criança. Por isso, é fundamental ter o apoio de especialistas capacitados que possam avaliar a pessoa e definir qual é a melhor estratégia.

As intervenções visam substituir comportamentos inadequados por outros mais positivos e apropriados.

Além disso, buscam melhorar a concentração, a motivação, a fala e as interações sociais da criança também são importantes e trabalhadas de forma individual.

Não mensuram os avanços e nem usam escalas

A ABA é uma ciência que estuda as leis que regem a interação do indivíduo com o ambiente e após uma análise dos comportamentos é possível traçar um plano de ação para modificá-los.

Portanto, é preciso realizar uma avaliação inicial para checar as habilidades do indivíduo e nortear os pontos principais da intervenção.

Além disso, as metas devem ser avaliadas frequentemente e as escalas atualizadas.

Como a ABA é uma tecnologia de ensino individual, o especialista em ABA deve conhecer e saber usar mais de uma escala de habilidades.

Também é importante saber se a equipe produz gráficos para mensurar o aumento ou diminuição dos comportamentos-alvo e para avaliar o desenvolvimento das habilidades trabalhadas durante a intervenção. Por isso, a intervenção deve ser mensurável.

Formação dos profissionais

É fundamental que os especialistas sejam capacitados em ABA. Além do curso de graduação, o profissional precisa ter realizado uma especialização em Análise do Comportamento e ter um certificado. Os aplicadores ABA devem ter um curso de capacitação ou treinamento e contar com a supervisão de um especialista.

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Tratamento individualizado

Os pais devem ficar atentos se as técnicas propostas se adequam às necessidades específicas do seu filho ou filha.

A ABA não é um método, ou seja, não há manual específico para todos. As atividades de intervenção devem ser realizadas de forma individual.

Duração

É preciso se atentar para o período em que ocorrem as intervenções. Para ser efetiva, geralmente ela precisa ser intensiva: pode ser realizada cerca de 15 a 40 horas por semana.

Sendo assim, se seu filho ou filha faz apenas uma hora por semana de ABA, desconfie!

Foco correto

O foco da intervenção não deve ser apenas a eliminação dos comportamentos inadequados, mas principalmente no desenvolvimento de novas habilidades.

A intervenção deve procurar identificar as razões que causam os comportamentos problemáticos. Isso porque sempre há uma razão para a criança agir de determinada maneira.

Trabalho em conjunto

Geralmente, as crianças com autismo passam por mais de uma intervenção ao mesmo tempo. É comum que sejam atendidos por psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, pediatras, neurologistas, entre outros.

É fundamental que os profissionais trabalhem em conjunto, troquem informações e até mesmo tenham a supervisão constante de um Analista do Comportamento.

Leia também: Por que realizar ABA no meu filho?

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Referências:

https://childmind.org/article/know-getting-good-aba/

https://www.autismspeaks.org/applied-behavior-analysis

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Como estimular o aprendizado por meio de brincadeiras?

Você já parou para pensar na importância das brincadeiras para o desenvolvimento da criança? Além de se divertir, ao brincar a criança usa as atividades lúdicas como um instrumento que potencializa o processo de aprendizagem.

Com as brincadeiras, a aprendizagem ocorre de forma mais rápida, já que a criança se sente motivada a realizar a atividade. Por isso, contribui com o desenvolvimento físico, emocional (afetivo), mental e social.

Ao brincar, as crianças estimulam o pensamento crítico, a linguagem e expandem o seu conhecimento, além de consciência corporal e emocional.

Portanto, a criança deve ser estimulada desde seu nascimento com atividades educativas  e brinquedos próprios para sua idade.

No caso dos autistas, as brincadeiras ajudam a criança ou jovem a aprender de uma forma natural e efetiva. Assim, podem ajudá-la a interagir socialmente, melhorar a linguagem e também a diminuir comportamentos restritivos e repetitivos.

Entre as atividades lúdicas recomendadas para a aprendizagem estão:

  • pintura;
  • leituras;
  • jogos de tabuleiro;
  • fantoches;
  • quebra-cabeça;
  • massinhas;
  • esculturas;
  • mímica;
  • brinquedos de montar.

A seguir, veja como as brincadeiras contribuem para o aprendizado das crianças.

Desenvolvimento físico

Brincar com bola, pular, correr…atividades simples do dia a dia fazem com que a criança se movimente e ativam os músculos. Brincar contribui para que as crianças sejam mais ativas e saudáveis. Além de estimular a independência.

Desenvolvimento emocional (socialização)

As crianças quando brincam em grupo aprendem desde cedo a socializar, a conviver com os outros, a negociar, fazer escolhas e tomar decisões.

Normalmente, também contribui para desenvolver a autoconfiança, ajuda a controlar as emoções, reduz comportamentos impulsivos, reduz o estresse e aumenta a empatia.

Desenvolvimento cognitivo

Ao brincar, a criança treina as suas habilidades cognitivas: aprende a pensar, lembrar, prestar atenção e a solucionar problemas.

Além disso, as brincadeiras ajudam na imaginação, estimulam a criatividade, a concentração, persistência e resiliência.

Também contribui com o reconhecimento de formas, cores, medidas, contagem e reconhecimento de letras.

Outras habilidades

Brincar exige que a criança pense, use a linguagem, interaja, seja curiosa e explore o mundo ao redor. Com as atividades lúdicas, as crianças desenvolvem habilidades como:

  • compreensão das palavras;
  • aprendem a ouvir e falar;
  • desenham e rabiscam;
  • aumenta a autoconfiança;
  • aprendem a cuidar dos outros e do meio ambiente;
  • aprendem o significado de letras, palavras, símbolos, números e diferentes sinais.

Brincadeiras e brinquedos para quem está no espectro

As crianças e jovens com o Transtorno do Espectro do Autismo também devem brincar!

Além de todos os benefícios na aprendizagem, os brinquedos podem ajudar o autista a vencer a barreira sensorial.

Por isso, dependendo da experiência proposta na atividade, é possível que o autista melhore o seu comportamento, aprenda a lidar com alguma sensibilidade (visual, sonora ou que envolva cheiros e texturas).

Sempre que possível, opte por brincadeiras que estimulem a imaginação, como blocos de montar ou encaixar.

Os jogos também são uma opção: os eletrônicos, por exemplo, podem tocar músicas, repetir palavras, ajudar a reconhecer objetos, animais ou cores.

Já livros e quebra-cabeças possuem texturas e cores, que além de promover momentos de lazer, estimulam a criança.

No entanto, algumas crianças com autismo podem se sentir incomodadas com vários brinquedos ao mesmo tempo, algumas texturas e sons.

Por isso, é fundamental conhecer a criança com autismo, saber suas particularidades e restrições.

Geralmente, o melhor brinquedo ou atividade lúdica para a criança com autismo é aquela que a motiva a se engajar em algo. Quanto mais interativo e educativo for para a criança, melhor.

Referências:

https://www.parentingforbrain.com/benefits-play-learning-activities-early-childhood/

https://www.healthline.com/health/the-importance-of-play

https://raisingchildren.net.au/newborns/play-learning/play-ideas/why-play-is-important

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