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Autismo

Autismo não é doença!

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o autismo não é uma doença e sendo assim, também não tem cura. O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é uma condição relacionada ao desenvolvimento do cérebro que afeta a forma como uma pessoa percebe o mundo e se socializa. Dessa forma, elas podem ter  dificuldades de interação social e comunicação. Porém, muitas pessoas com autismo conseguem realizar todas as suas atividades diárias, enquanto outros podem necessitar de ajuda.

Cabe aqui explicar a diferença entre doença, transtorno e síndrome. Você já parou para pensar a respeito desses termos? Inicialmente, pode parecer que estamos falando sobre alguns sinônimos. Mas, os significados são completamente diferentes.  Veja a seguir:

– Doença significa, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ausência de saúde – que é o estado de completo bem-estar físico, mental e social. Sendo assim, ocorre quando o organismo apresenta sintomas específicos que alteram suas funções físicas e psicológicas.

A palavra doença vem do latim dolentia que significa “sentir ou causar dor, afligir-se, amargurar-se”. A OMS disponibiliza a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID), que dá acesso à classificação das doenças e a variedade de sintomas e causas externas para ferimentos e doenças. Alguns exemplos: câncer, dengue, febre amarela, malária, entre outras.

– Síndrome caracteriza-se pelo conjunto de sintomas que definem um determinado estado clínico associado a problemas de saúde. Esses elementos podem ser observados ou não a olho nu e serem psicológicos ou fisiológicos.  Os sintomas que fazem parte de uma síndrome podem variar de acordo com o tempo e, em alguns casos, podem vir a desaparecer.

Não precisa ter uma causa física para se desenvolver, mas algumas síndromes podem ser a manifestação de uma doença. Mas, nem todas as síndromes são doenças, já que suas causas podem ter origens tanto biológicas quanto psicológicas. Geralmente, uma síndrome costuma ser chamada pelo nome do cientista que a descreveu pela primeira vez. É o que aconteceu com a Síndrome de Downou a Síndrome de Guillan-Barré.

– Transtorno é quando a saúde está alterada, mas não está associada a uma doença. Geralmente, está ligada à saúde mental e envolve casos relacionados ao cérebro. O termo é usado para descrever anormalidades ou comprometimentos de ordem psicológica e mental.  Destacam-se o Transtorno Bipolar,  o Transtorno Obsessivo Compulsivo e o Transtorno de Personalidade.

Por que o autismo é um transtorno?

De acordo com o último Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), o Transtorno do Espectro do Autismo “é definido pela presença de déficits persistentes na comunicação social e na interação social em múltiplos contextos, atualmente ou por história prévia”. Além disso, apresentam padrões restritos e repetitivos de comportamento. Por isso, apresentam comportamentos sensoriais incomuns, interesses restritos, fixos e intensos.  No dia a dia, essas mudanças e situações novas geram medo, ansiedade, irritabilidade e podem causar crises e choros.

Dessa forma, o autismo não se encaixa na definição de doença, mas é considerado um transtorno que pode ser melhorado e tratado para que a pessoa possa se adequar ao convívio social e às atividades gerais. Os sintomas podem aparecer ainda nos primeiros anos de vida da criança.

Segundo estudiosos da Universidade de Miami (EUA), o primeiro sinal pode ser reconhecido pela comunicação não verbal. Nesse caso, pela forma como o bebê olha para os objetos e solicita o que deseja. O choro sem interrupção, apatia exacerbada, se incomodar com o toque também são sinais que devem ser notados pelos pais ou médicos.

As causas do autismo ainda são desconhecidas, porém, segundo a Associação Médica Americana, as probabilidades de uma criança ter autismo devido à herança genética são de 50%.  O autismo atinge 80 milhões de pessoas no mundo, ou seja, 1% da população mundial. A maioria é do sexo masculino – cerca de quatro meninos para uma menina.

Para melhorar a qualidade de vida e a interação social, as terapias indicadas promovem o acompanhamento do comportamento e visam aprimorar a comunicação. E quanto antes ocorrer uma intervenção com especialistas, maiores serão os progressos nas relações afetivas e atividades diárias das pessoas que vivem com o autismo.

Referências:

http://www.who.int/about/mission/en/

DSM-V, American Psychiatric Association – Manual de Diagnóstico e Estatístico de Distúrbios Mentais 5ªed. Edit. Artes Médicas

https://media.jamanetwork.com/news-item/findings-suggest-genetic-factors-may-explain-risk-autism-spectrum-disorder/

https://journals.plos.org/plosone/article/file?id=10.1371/journal.pone.0199893&type=printable

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