Saiba mais sobre os lobos cerebrais e suas funções

Você sabia que o cérebro é um órgão bastante complexo e controla todas as funções do corpo? Ele interpreta as informações do mundo exterior e também é responsável pela inteligência, criatividade, emoção e memória.

O cérebro é dividido nos hemisférios direito e esquerdo. A camada mais externa do cérebro é chamada de córtex cerebral que é dividido em 5 lobos (frontal, parietal, temporal, occipital e ínsula).

Os lobos cerebrais desempenham diversas funções. Portanto, cada um desempenha funções muito específicas. Mas, é importante entender que cada lobo do cérebro não funciona sozinho. 

Vamos detalhar as funções de cada lobo cerebral. Os lobos cerebrais são:

  • Frontal
  • Parietal
  • Temporal
  • Occipital
  • Ínsula

Frontal

Estão localizados diretamente atrás da testa. Ficam responsáveis pelos movimentos voluntários do corpo, a linguagem e o gerenciamento das habilidades cognitivas.

Portanto, os lobos frontais são considerados o centro de controle comportamental e emocional e responsável pela personalidade. 

Quem sofre algum dano nos lobos frontais podem ter problemas como paralisias, perda de movimentos corporais, incapacidade de se expressar, perda de flexibilidade. Além de ter dificuldade para se concentrar em uma tarefa, em resolver problemas, apresentar mudanças na personalidade e de comportamentos.

Parietal

Estão localizados atrás do lobo frontal e são responsáveis pela integração das informações sensoriais. Isso inclui toque, temperatura, pressão e dor.

Além disso, os lobos parietais também desempenham um papel na capacidade da pessoa de avaliar o tamanho, a forma e a distância. Além disso, ajudam na interpretação dos símbolos. 

Temporal

Ficam atrás das orelhas e são o segundo maior lobo. Contribuem com o processamento de informações auditivas e a codificação da memória. Além disso, desempenham um papel importante no processamento de afeto, linguagem e percepção visual.

O dominante (geralmente o lado esquerdo) está envolvido na compreensão da linguagem, no aprendizado e na lembrança de informações verbais. 

O lobo não dominante está envolvido no aprendizado e na lembrança de informações não verbais como a música.

Danos nos lobos causam dificuldade em compreender palavras, o que vemos e ouvimos, em aprender e reter novas informações e em reconhecer rostos.

Occipital

Situam-se na parte posterior da cabeça e desempenham um papel central no processamento visual primário. São responsáveis pela interpretação das cores, pelo reconhecimento facial, pela percepção de profundidade, pelo processamento visuoespacial. Além de possibilitar a percepção visual, os lobos occipitais também facilitam o processamento e a interpretação das informações visuais.

Danos na região podem dificultar a localizar objetos, identificar cores, causar alucinações, incapacidade de reconhecer palavras, dificuldades para ler e escrever.

Ínsula

Este lobo não é facilmente identificável externamente, mas pode ser visualizado quando o lobo temporal é deslocado.

A ínsula está envolvida no processamento e integração de uma variedade de informações, como sensações gustativas, viscerais, de dor e vestibulares. Estudos apontam que a ínsula está ligada a desejos e vícios. 

Além disso, desempenha um papel importante em uma ampla gama de transtornos psiquiátricos, como esquizofrenia, pânico, estresse pós-traumático e transtornos obsessivo-compulsivos (TOC).

Alterações nos lobos frontais no autismo

O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento. Mas, você já parou para pensar como funciona o cérebro de uma pessoa no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)?

Os cientistas de todo o mundo têm procurado compreender os mecanismos que possam estar ligados a essa “desordem neurológica” que compromete a interação e comunicação social e os comportamentos da pessoa.

Sabe-se que a condição ocorra devido a alterações cerebrais e a forma como os neurônios se conectam. Alterações no córtex temporal podem causar prejuízo na percepção de informações importantes para a interação social, por exemplo.

Além disso, pesquisas apontam que, em alguns grupos estudados, crianças com TEA possuem um excesso de sinapses – as conexões entre as células cerebrais, o que ocorre devido a uma ineficiência no processo de poda neural durante o processo de desenvolvimento cerebral. Devido a esse fato poderiam ocorrer déficits neurológicos comuns no autismo.

Há também pesquisas sobre o lobo frontal que indicam que alterações nessa região cerebral podem explicar os comportamentos característicos do autismo.  Pesquisas apontam que o dano no lobo frontal está associado ao comprometimento de funções como planejamento, organização e autorregulação, embora o funcionamento intelectual geral permaneça intacto.

Muitas pesquisas continuam em andamento sobre o funcionamento cerebral dos autistas. Isso é importante para que se descubram as causas do autismo, ampliem-se os diagnósticos para que as pessoas com TEA comecem a fazer a intervenção precoce o quanto antes. Além de ampliar os tipos de tratamentos que aumentarão a qualidade de vida dessas pessoas.

Leia também: Minicérebros utilizados no estudo do Transtorno do Espectro do Autismo

Referências:

http://www.alasbimnjournal.net/contenidos/frontal-and-temporal-lobe-dysfunction-in-autism-and-other-related-disorders-adhd-and-ocd-80

https://www.spectrumnews.org/news/brain-structure-changes-in-autism-explained/

https://www.scielo.br/pdf/prc/v14n2/7855.pdf

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Entendendo a ecolalia no autismo

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é caracterizado por prejuízos na comunicação e interação social e no comportamento. Entre os diversos aspectos da linguagem no autismo, a ecolalia é muito comum.

A ecolalia é um distúrbio de linguagem que faz com que a criança repita tudo o que ouve como um eco ou usam palavras aleatórias fora de contexto.

Elas também podem ser descritas como estereotipias verbais. A definição mais utilizada é “uma repetição em eco da fala” que foi descrita em 1943.

Saiba mais em: O que o TEA?

Cabe ressaltar que a ecolalia, na verdade, faz parte normal do desenvolvimento infantil. E à medida que as crianças aprendem a falar, imitam os sons que ouvem.

No entanto, à medida que as crianças crescem, elas começam a utilizar a linguagem de maneira mais sofisticada para expressar desejos, necessidades e ideias e não fazem mais o uso das ecolalias (por volta dos 2 anos de idade a criança já deve começar a diminuir as ecolalias). Mas, em crianças com autismo é comum que a ecolalia persista após os 3 anos de idade e isso é um sinal de alerta para o TEA, principalmente quando a ecolalia é usada fora do contexto.

A ecolalia é um dos sintomas mais comuns entre as características da linguagem no autismo. 

Algumas crianças e também adultos imitam os sons da fala sem entender o significado por trás desses sons. A ecolalia pode surgir como uma resposta à sobrecarga sensorial, onde a repetição de palavras ou frases oferece uma forma de lidar com desafios sensoriais.

Em alguns casos a ecolalia pode não ter nenhum significado de comunicação e ocorrer como uma ferramenta para que o autista se acalme. Neste caso, ela é considerada uma forma de auto-estimulação da mesma forma que ocorre com outras estereotipias.

Tipos de Ecolalia

A ecolalia pode ser imediata, mediata (conhecida como tardia) ou mitigada.

Na ecolalia imediata a criança repete as palavras logo depois de ouvi-las. Ou seja, a criança repete imediatamente após ouvir algo, como se estivesse ecoando as palavras.

Na ecolalia tardia a repetição ocorre após um intervalo de tempo significativo. A pessoa pode armazenar uma expressão ou frase na memória e repeti-la em outro momento, muitas vezes fora de contexto.

Já a ecolalia mitigada caracteriza-se por situação em que podem ser feitas modificações da emissão ecoada, seja imediata ou tardia, para fins comunicativos funcionais. Portanto, a ecolalia mitigada é uma variação em que o indivíduo repete ou modifica palavras e frases ouvidas, incorporando-as em sua própria comunicação.

É importante compreender que a ecolalia, quando funcional, desempenha um papel valioso na comunicação para indivíduos autistas.

Compreendendo melhor a ecolalia

Vários estudos indicam que a ecolalia imediata sugere a intenção comunicativa da criança. Por isso, acredita-se que é uma forma dela se comunicar com o outro ou manter o diálogo.

Pesquisadores que estudam a ecolalia observaram padrões na maneira como ela progride em crianças com TEA. Geralmente, as crianças repetem trechos da linguagem sem entender o que elas significam. Depois começam a modificar esses trechos, misturam e recombinam palavras e frases que usaram. A partir do momento que começam a entender mais a linguagem, algumas crianças usam frases mais curtas ou apenas uma ou duas palavras para se expressar.

Dessa forma, a linguagem se torna mais espontânea e flexível. É comum também que a ecolalia seja usada ocasionalmente, especialmente quando a criança está cansada, confusa ou frustrada. 

Diversos pesquisadores consideram a ecolalia apenas como uma característica comum das dificuldades de linguagem no TEA. Porém, é importante buscar compreender a pessoa que fala e se isso não atrapalha o desenvolvimento da comunicação, além de prejudicar na reciprocidade e o contato com outras pessoas.

Um profissional consegue diagnosticar a ecolalia conversando com a pessoa e observando os seus comportamentos e se há repetição de fala.  A ecolalia tem uma função e temos que descobrir qual é e ajudar a moldar a linguagem para que ela seja flexível e funcional. 

Independentemente da utilidade da ecolalia para a pessoa com autismo, o hábito pode interferir na interação social e no aprendizado. Portanto, a maioria dos pesquisadores se concentra em ajudar a pessoa a mudar para uma forma mais funcional de linguagem. Além disso, sabe-se que a pessoa com autismo tem maior probabilidade de usar a ecolalia quando não conseguiu aprender uma resposta apropriada à pergunta.

Portanto, os profissionais e cuidadores devem observar atentamente a ecolalia para compreender seu propósito. Identificar se é uma resposta a estímulos específicos ou uma tentativa de comunicação é crucial.

Tratamento

O tratamento costuma ser multidisciplinar com a atuação de fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e psicólogos. E a intervenção deve se pautar na individualidade da criança. Portanto, o objetivo é fazer com que a criança autista ganhe autonomia e independência para conseguir se comunicar. Os especialistas devem realizar intervenções baseadas em evidências.

Pontos importantes:

Identificar as funções da Ecolalia: Identificar padrões e contextos em que a ecolalia ocorre pode fornecer insights valiosos sobre suas funções comunicativas. Determinar se a ecolalia está servindo como uma forma de autoestimulação, expressão de necessidades ou outra função. Isso pode orientar o desenvolvimento de estratégias específicas.

Incentivar a comunicação funcional: é essencial promover formas alternativas de expressão e comunicação para reduzir a dependência da ecolalia como principal meio de interação e desenvolver uma comunicação funcional.

Contextualizar e Respeitar: Reconhecer que a ecolalia muitas vezes desempenha uma função importante na vida do indivíduo, seja imediata, tardia ou mitigada, e abordá-la com respeito e empatia.

Além disso, é muito importante a participação dos pais e cuidadores que também devem receber orientação dos profissionais para estimular a comunicação funcional, generalizar as habilidades desenvolvidas e contribuir para a evolução da criança no dia a dia e nos contextos naturais.

Referências

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19838574/

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/3215891/

https://www.verywellhealth.com/why-does-my-child-with-autism-repeat-words-and-phrases-260144

https://link.springer.com/article/10.1007/s40489-015-0067-4

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Conheça-os-10-principais-sinais-de-autismo

Conheça os 10 principais sinais de autismo

Já falamos algumas vezes sobre a importância de identificarmos os sinais do Autismo (Transtorno do Espectro do Autismo -TEA) precocemente.

Portanto, quanto mais cedo ocorrer o diagnóstico, mais rapidamente o autista começará as intervenções precoces. Com isso, conseguirá desenvolver as habilidades cognitivas, sociais e de linguagem. Dessa forma, o autista terá mais qualidade de vida, independência e autonomia para realizar as atividades diárias.

O diagnóstico do TEA é considerado essencialmente clínico, baseado em evidências científicas, em conformidade com os critérios estabelecidos por DSM–V (Manual de Diagnóstico e Estatístico da Sociedade Norte-Americana de Psiquiatria) e pela CID-11 (Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde – OMS).

Os sinais do autismo geralmente se manifestam antes dos três anos de idade, mas há casos que já podem ser identificados antes mesmo dos 18 meses de vida da criança.

Os 10 sinais e sintomas comuns em crianças com autismo são:

  • Pouco contato visual
  • Dificuldade de interação
  • Não imitam
  • Não atendem quando são chamadas
  • Dificuldade em atenção compartilhada
  • Atraso na fala
  • Dificuldades na comunicação não verbal
  • Comportamentos sensoriais incomuns
  • Não brincar de “faz de conta”
  • Movimentos estereotipados

1. Pouco contato visual

A criança não olha quando é chamada pelo nome ou não sustenta o olhar. Sabe-se que essa dificuldade ocorre devido a uma resposta a uma sensação de desconforto quando expostas a muitos estímulos sociais.

Muitos não conseguem se concentrar na fala e nos olhos das pessoas ao mesmo tempo. E também não entendem que o olhar fornece informações em uma interação.

2. Dificuldade de interação

As crianças e adultos autistas apresentam dificuldades na interação social e precisam de ajuda para aprender a agir em diferentes tipos de situações sociais.

Além disso, é comum que o autista tenha dificuldade de entender as outras pessoas, entender as expressões faciais e linguagem corporal. Muitas vezes podem não gostam tanto de contato físico, apresentam dificuldades em compartilhar atenção e por isso preferem brincar sozinhos. Por conta disso, sentem mais dificuldade de fazer amigos e se relacionar.

3. Não imitam

Os bebês começam a imitar atitudes e comportamentos por volta dos seis a oito meses de vida.

A imitação envolve a capacidade de uma criança de copiar as ações de adultos e colegas. Por isso, elas aprendem a realizar ações com objetos, a fazer gestos e movimentos corporais como bater palmas ou acenar e também a se comunicar.

Crianças que estão no espectro costumam ter grande dificuldade em imitar. Isso pode comprometer o seu desenvolvimento.

4. Não atender quando são chamadas

A criança com autismo normalmente não responde quando é chamado pelo nome e por isso muitas vezes os pais pensam em surdez no primeiro momento. É importante destacar que o bebê neurotípico (não autista) consegue reagir ao ser chamado pelo nome por volta dos 6-9 meses de idade.

Sendo assim, reconhece seu nome e que as pessoas estão falando com ele, ou seja, responde a esse estímulo. Isso normalmente não acontece com crianças com autismo.

Geralmente, elas não esboçam reações e é como se não tivessem ouvindo seus pais chamando ou interagindo com elas.  Podem também fixar o olhar em algum objeto incomum.

5. Dificuldade na atenção compartilhada

A atenção compartilhada acontece quando duas pessoas focam em um mesmo objeto ou dão atenção para uma mesma situação, por exemplo. Essa atenção pode ocorrer por meio do olhar, gestos ou quando alguém aponta ou indica algo, além de palavras.

A atenção compartilhada contribui com a comunicação e a aprendizagem. No entanto, vale destacar que geralmente os autistas apresentam dificuldades para conseguir se comunicar dessa forma. Por isso, geralmente eles não demonstram interesse em brincadeiras coletivas.

6. Atraso na fala

A criança acima de dois anos que não fala palavras ou frases deve receber maior atenção.  Alguns autistas apresentam atrasos no desenvolvimento da fala e outras dificuldades de linguagem.

Por isso, é importante que os pais e os responsáveis fiquem atentos aos marcos de desenvolvimento da fala. Se achar que a criança está demorando muito para balbuciar ou falar as primeiras palavras, vale a pena conversar com o pediatra e procurar ajuda de um fonoaudiólogo especialista.

Leia também: Entendendo a ecolalia no autismo

7. Dificuldades na comunicação não verbal

A pessoa com autismo geralmente tem dificuldades para entender linguagem não verbal como por exemplo gestos, expressões faciais, metáforas, ironias, entre outras.

8. Comportamentos sensoriais incomuns

Estudos mostram que as habilidades sensoriais dos autistas podem ser ineficientes. Eles podem, por exemplo, ter uma sensibilidade maior aos estímulos do ambiente ou ainda uma sensibilidade muito menor.

Quando há hipersensibilidade, a pessoa percebe os estímulos do ambiente com mais facilidade. Por isso, acham as luzes e as cores muito brilhantes, os sons ficam bem intensos, os odores se tornam muito fortes e as sensações táteis são interpretadas de modo profundo.

Já quem tem hipossensibilidade precisa de bastante excitação ou esforço para sentir o estímulo. Nesses casos, a pessoa costuma ser agitada, faz mais bagunça, tem pouca resposta à dor ou gosta de muito barulho, por exemplo.

Por isso, os autistas muitas vezes sentem muitas dificuldades para lidar com as diversas sensações do ambiente.  

Portanto, é muito comum pessoas com autismo apresentarem essas questões sensoriais e isso pode levar a crises.

9. Não brincar de “faz de conta”

A criança autista não costuma criar suas próprias histórias, geralmente apresenta dificuldades para participar das brincadeiras dos colegas e para utilizar brinquedos para simbolizar personagens.

Nesses casos, costumam ser mais solitárias e brincam com partes de brinquedos ou outros objetos sem dar função.

10. Movimentos estereotipados

Os autistas geralmente apresentam movimentos, comportamentos e/ou atividades desencadeadas de maneira involuntária e repetitiva.

Portanto, podem chacoalhar as mãos, balançar-se para frente e para trás, correr de um lado para outro, pular ou girar sem motivos aparentes. Os movimentos podem se intensificar em momentos de felicidade, tristeza ou ansiedade, já que a estereotipia é uma forma que a pessoa encontra para ajudar na autorregulação.

Procure ajuda especializada!

Se percer qualque atraso no desenvolvimento do seu filho e notar alguns sinais destacados neste artigo converse com o pediatra e procure ajuda especializada.

Portanto, quanto antes observar os sinais e realizar o diagnóstico melhor será para o desenvolvimento do pequeno. Além disso, busque sempre por intervenções baseadas em evidências científicas, como as baseadas na ABA (Análise do Comportamento Aplicada).

Saiba mais: O que é o autismo (TEA)?

Leia também: Por que escolher intervenções baseadas na ABA para autistas?

Referências

https://autismsciencefoundation.org/what-is-autism/autism-diagnosis/

https://www.autismspeaks.org/signs-autism

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Entenda o autismo não verbal

Além das dificuldades na interação social e no comportamento, os atrasos no desenvolvimento da fala são indicadores que levam muitos pais e profissionais a suspeitarem do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

É frequente a utilização do termo “não verbal” para descrever crianças que ainda não desenvolveram a capacidade de falar, mas isso não está totalmente correto.

Na verdade, essa pessoa é “não falante” o que NÃO significa necessariamente que ela seja “não verbal”.

A comunicação verbal vai além da fala. Comunicação verbal significa que a pessoa se comunica através de verbos. Portanto, a ausência da fala não significa, obrigatoriamente, uma incapacidade de se comunicar através de verbos.

Vamos entender melhor? Veja abaixo mais detalhes sobre o que significa Não Verbal e Não Falante.

Não verbal

É alguém que se comunica através de gestos, expressões faciais, movimentos corporais ou outros meios adaptativos. Essa pessoa não utiliza verbos para se comunicar, nem por meio da fala e nem por meio da escrita. Ou seja, essa pessoa é não verbal.

Não falante 

É alguém que NÃO se comunica através da fala, mas pode empregar outras formas de linguagem verbal para se expressar como por exemplo a escrita e a digitação.

Ou seja, essa pessoa é não falante, mas é verbal, pois ela utiliza verbos para se comunicar, mesmo que seja de outra forma diferente da fala propriamente dita. Ficou claro agora?

Então…

É errado dizer que toda pessoa que não desenvolveu a fala é “não verbal”. Uma pessoa não falante pode sim ser verbal se ela utilizar verbos para se comunicar através de outros meios diferentes da fala.

Estima-se que cerca de 30% das pessoas com TEA não conseguem utilizar a fala para se comunicar ou utilizam um número restrito de palavras.

Portanto, elas podem se comunicar por meio da linguagem escrita, por gestos, cartões ou por meio da tecnologia com aplicativos ou eletrônicos. Por isso a implementação da Comunicação Aumentativa Alternativa (CAA) é tão importante. Nós precisamos e devemos oferecer recursos para dar voz para essas pessoas. Afinal o mais importante é a pessoa conseguir se comunicar, não importa a maneira!

Fala, linguagem e comunicação

Para entender mais sobre o assunto é importante distinguir os termos fala, linguagem e comunicação. Vamos lá?

A fala é a comunicação oral através da transmissão de sons. Para que ela ocorra a pessoa deve utilizar os órgãos fonoarticulatórios como: a boca, os lábios, a língua, o palato mole, o palato duro e os dentes.

A linguagem inclui todo o sistema de comunicação, podendo ser verbal ou não verbal. Resumindo, a fala é a nossa capacidade de nos comunicar oralmente, e a linguagem é a capacidade global de comunicação.

A comunicação é o processo de transmitir informações, ideias, sentimentos, pensamentos de uma pessoa para outra. Portanto a comunicação pode ser realizada através da fala e da linguagem.

O que pode ser feito para melhorar a comunicação do autista não verbal

É importante que os pais procurem uma intervenção terapêutica para desenvolver e melhorar as habilidades de comunicação da criança autista.

As famílias, professores e pessoas próximas podem ajudar no desenvolvimento da comunicação. É importante que as crianças autistas sejam estimuladas a interagir com outras pessoas e brinquem, pratiquem atividades lúdicas. Gestos e contato visual podem ajudar bastante no desenvolvimento da comunicação. Ele precisa se sentir à vontade para se expressar no seu próprio tempo, sem pressões desnecessárias.

A tecnologia também pode ser usada a favor da comunicação. Há diversos dispositivos e aplicativos com imagens que podem contribuir para que a criança autista não verbal se comunique e até mesmo se divirta.

Lembrando que os terapeutas capacitados são os mais indicados para mostrar quais são as estratégias para incentivar o desenvolvimento da comunicação. Por isso, é fundamental buscar ajuda profissional para realizar as intervenções necessárias.

Referências

https://www.cdc.gov/ncbddd/autism/signs.html

https://www.autismspeaks.org/expert-opinion/seven-ways-help-your-child-nonverbal-autism-speak

https://www.verywellhealth.com/what-is-nonverbal-autism-260032

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Intervenções lúdicas: a importância do brincar para o desenvolvimento dos autistas

As intervenções têm como objetivo trabalhar os comportamentos, a socialização, a comunicação, a aprendizagem, os aspectos motores, sensoriais, entre outros, e com isso oferecer mais qualidade de vida às pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) (O que é o autismo – TEA?)

Elas ajudam a criança ou jovem com autismo a adquirir habilidades e a poder se relacionar com outras pessoas na sociedade, ter mais independência e autonomia.

Cada pessoa com autismo tem necessidades diferentes, portanto, é importante encontrar as melhores opções de tratamento/intervenção de forma individual, claro que sempre buscando por profissionais capacitados e intervenções baseadas em evidências científicas.

As intervenções lúdicas, no entanto, ajudam a criança com autismo a se desenvolver de uma forma mais divertida, engajada, com atividades recreativas e brincadeiras.

Intervenções lúdicas

Os pais e terapeutas devem usar atividades lúdicas para reforçar os comportamentos positivos. Por meio de brincadeiras, as crianças são encorajadas a melhorar suas habilidades linguísticas, sociais e cognitivas.

Afinal, isso vai fazer a criança perceber que se relacionar é importante, e com isso melhoram as habilidades sociais.

Entre eles, podemos citar o modelo DIR®/Floortime™.  A sigla vem do inglês Developmental, Individual Difference, Relationship-Based Model e significa “Desenvolvimento funcional emocional, diferenças individuais e de relacionamento”.

Visa o desenvolvimento das crianças com alguma alteração no desenvolvimento da sociabilidade, como é o caso do autismo, respeitando as diferenças individuais e as suas relações interpessoais.

Assim, o objetivo é ajudar essas crianças a utilizar suas capacidades levando em conta a etapa do desenvolvimento em que se encontram. Os pais ou terapeutas se sentam no chão com a criança para brincar e interagir em seu nível. Dessa forma, os adultos ajudam as crianças a expandir seus “círculos de comunicação”.

É uma forma de sistematizar a brincadeira com a criança e proporcionar sua progressão sobre as etapas do desenvolvimento.

São realizadas estratégias desenvolvidas pelos terapeutas com o foco no desenvolvimento emocional e estímulo das capacidades sociais, emocionais e intelectuais.

Saiba mais: Como estimular a aprendizagem por meio de brincadeiras

Grupos integrados

Além disso, existem os grupos integrados (ou modelo Integrated Play Groups, em inglês). Trata-se de uma prática baseada em evidência criada no final da década de 1980 para contribuir com o desenvolvimento das crianças com autismo por meio de brincadeiras e atividades lúdicas.

Portanto, o intuito é ensinar crianças com autismo as habilidades que precisam para interagir com seus colegas e se envolver em brincadeiras simbólicas. Pode envolver teatro, dança, ioga, artes visuais, artes multimídias.

Os adultos ajudam crianças com autismo e seus colegas com desenvolvimento típico a se envolverem em atividades lúdicas de interesse mútuo.

Cada grupo é guiado por um especialista a brincar com um tema específico. Depois, elas podem ter um tempo livre para brincar e interagir da forma que quiserem.

As atividades trazem maior consciência e empatia, juntamente com uma maior capacidade de interagir com crianças que se comunicam de maneira diferente de si mesmas.

A importância do brincar para o autista

Primeiramente, vale destacar que a criança tem o direito de brincar e usar as atividades lúdicas como um instrumento que potencializa o processo de aprendizagem.

Ao brincar, a aprendizagem acontece de forma mais rápida, uma vez que a criança se sente motivada a realizar a atividade. Além de desenvolver o físico, o emocional (afetivo), o mental e o social.

A criança autista deve ser estimulada a aprender de uma forma natural e efetiva – e as intervenções lúdicas contribuem para isso, além de ajudá-las a interagir socialmente, a melhorar a linguagem e diminuir os comportamentos restritivos e repetitivos.

Participação dos pais

Para que essas intervenções tenham um resultado positivo é preciso ter o envolvimento da criança, de seus familiares, cuidadores e especialistas que a acompanham. Todo mundo deve estar envolvido e participar deste processo.

A intervenção precoce, principalmente quando realizada de forma lúdica, possibilita que a criança tenha mais perspectivas de conseguir superar as limitações características do espectro e se desenvolver melhor.

Lembrando que é importante sempre buscar ajuda especializada, fazer um acompanhamento médico e contar com profissionais especialistas na área. Essa é a melhor forma de ajudar no desenvolvimento e independência da criança ou jovem com autismo.

Leia também: Por que escolher intervenções baseadas na ABA?

Referências:

https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/pdfs/Clinical_Report-The_Importance_of_Play_in_Promoting_Healthy_Child.pdf

https://www.iidc.indiana.edu/irca/articles/play-time-an-examination-of-play-intervention-strategies-for-children-with-autism-spectrum-disorders.html

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Intervenções baseadas na ABA: abordagens eficazes para o desenvolvimento do autista

As intervenções ABA (Análise do Comportamento Aplicada) são amplamente utilizadas no tratamento do autismo.

Baseada na ciência do comportamento, as intervenções baseadas na ABA têm se destacado como eficazes para desenvolver as habilidades cognitivas, sociais, comunicativas e acadêmicas de pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Saiba mais: O que é o autismo (TEA)?

Neste artigo, exploraremos o que é a intervenção ABA, seus princípios fundamentais e como ela pode fazer uma diferença significativa na vida de indivíduos autistas.

O que é a Intervenção ABA?

A Análise do Comportamento Aplicada (ABA) é uma ciência que estuda o comportamento humano e suas interações com o ambiente.

A ABA visa entender como os comportamentos são aprendidos e como podem ser modificados por meio de intervenções específicas. Portanto, é baseada no princípio de que as mudanças no ambiente podem influenciar o comportamento das pessoas, seja para desenvolver novas habilidades ou reduzir comportamentos problemáticos.

Assim, o objetivo das intervenções ABA é promover o desenvolvimento de habilidades funcionais, reduzir comportamentos problemáticos e alcançar mais independência das pessoas com autismo.

Princípios Fundamentais da Intervenção ABA

A ABA se baseia em vários princípios que guiam o planejamento e a execução da intervenção. Alguns dos princípios fundamentais incluem:

  • Análise Funcional do Comportamento: é o processo de identificar as funções subjacentes dos comportamentos problemáticos para desenvolver estratégias de intervenção.
  • Reforço: O uso de reforçadores fortalece os comportamentos desejados, aumentando assim a probabilidade de sua repetição no futuro.
  • Modelação: envolve demonstrar o comportamento-alvo para que a pessoa possa imitá-lo e aprender por meio da observação.
  • Ensino por tentativa discreta:  as atividades são divididas em pequenos passos ou etapas. Cada etapa é ensinada individualmente, uma de cada vez, para garantir que o aluno compreenda completamente antes de avançar para o próximo passo.
  • Generalização: é importante para que as habilidades aprendidas em um contexto específico sejam realizadas em outros ambientes e situações da vida cotidiana.

Como é aplicada?

A intervenção ABA é individualizada e adaptada às necessidades de cada um. Por isso, os terapeutas conduzem avaliações detalhadas para identificar os objetivos específicos e o que precisa ser feito para alcançá-los. Com base nessas avaliações, são desenvolvidos programas de intervenção com metas claras e mensuráveis.

A terapia ABA é frequentemente realizada em ambientes estruturados, como clínicas ou escolas, mas também pode ser implementada em casa e em contextos sociais.

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Por que escolher as intervenções baseadas na ABA?

Porque as intervenções ABA são altamente eficazes e baseadas em evidências para o tratamento do autismo. Afinal, são ferramentas poderosa para melhorar a qualidade de vida e a independência de pessoas no espectro.

Portanto, com as intervenções ABA, os indivíduos podem alcançar marcos importantes em seu desenvolvimento, capacitando-os a levar uma vida mais com mais autonomia e independência.

Saiba mais: Por que escolher intervenções baseadas na ABA para autistas?

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Autismo e inclusão: a importância da adaptação dos conteúdos didáticos para alunos autistas

Um dos grandes desafios dos educadores de pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é contribuir com o processo de inclusão escolar e fazer com que esses alunos aprendam e acompanhem o conteúdo das aulas.

Para ter sucesso na inclusão é importante a adaptação dos conteúdos didáticos.

A utilização dos recursos didáticos corretos é fundamental para a inclusão e para que o aluno com TEA absorva os conteúdos educacionais e realmente aprenda.

Por isso, uma forma de melhorar o aprendizado é investir na adaptação dos conteúdos didáticos. Isso é necessário porque os autistas sentem dificuldade de aprender da forma tradicional e ter esse apoio pedagógico facilita o processo de aprendizagem e inclusão.

É necessário que a adaptação dos conteúdos didáticos das aulas seja realizada de acordo com o repertório comportamental de cada aluno.

Mas, vale destacar que nem toda criança com o Transtorno do Espectro do Autismo precisará de uma adaptação dos materiais didáticos.

Plano de Ensino Individualizado (PEI)

A adaptação atenderá a necessidade individual da criança. Por isso, uma das melhores maneiras de ensinar uma criança com dificuldades de aprendizagem ou desenvolvimento atípico é por meio do Plano de Ensino Individualizado (PEI).

Lembrando que a adaptação dos conteúdos didáticos mantém a integridade do conteúdo no currículo, mas pode apresentá-lo em um formato diferente ou alterar o ambiente no qual o aluno aprende com base nas suas necessidades e habilidades individuais.

A equipe de ensino, que pode ser formada por professores, pedagogos, psicopedagogos, precisa avaliar caso a caso e averiguar em que nível cada criança está em cada disciplina, quais conteúdos já absorveu e o que ainda não aprendeu.

Após essa avaliação, eles devem decidir se a criança seguirá o mesmo currículo da turma ou se o aluno precisará de um currículo totalmente individualizado e paralelo ao da classe. Em seguida, essa equipe deve planejar a produção do conteúdo didático individualizado e adaptado.

Mas como deve ser esse material didático adaptado? Não há uma fórmula exata, uma vez que cada criança com o TEA é única, mas o ideal é que as tarefas complexas sejam fragmentadas em etapas e que as atividades sejam lúdicas.

O material didático precisa ser atraente e adequado para os níveis da criança com o TEA. É importante que o material didático seja objetivo, os enunciados sejam menores e é necessário evitar longos textos que exijam uma interpretação complexa.

Alguns outros exemplos

  • Ter menos exercícios por página, pois uma página lotada de informações pode distrair a pessoa com TEA e tirar o foco do objetivo da atividade ou aula;
  • Ter mais atividades para ligar, recortar e colar, pintar, circular, marcar X etc;
  • Ter temas de interesse da criança em todas as atividades. Ela precisa ser estimulada e ter vontade de fazer determinada atividade;
  • Os conteúdos precisam ser simples e reduzidos. Por isso, o material didático deve focar no que realmente é importante para aluno e que possa ser aplicado no seu cotidiano;
  • Evitar questões dúbias e com duplo sentido. As metáforas e figuras de linguagem devem ser excluídas, pois elas são um desafio para crianças autistas e podem causar desconforto e desestimular a aprender;
  • As imagens e desenhos são aliados nesses casos. O material didático deve ter bastantes recursos visuais, pois o aluno com o TEA fica mais interessado para consultar e interpretar os exercícios e atividades propostas.

Outros aspectos fundamentais para a inclusão escolar de crianças com TEA

Além do material didático adaptado, as instituições de ensino devem oferecer recursos de apoio para que a inclusão aconteça de verdade.

Além disso, a equipe responsável pela aprendizagem do aluno precisa ficar atenta para respeitar o ritmo da aprendizagem da criança e mudar o tempo previsto das atividades para que cada aluno possa alcançar os objetivos propostos.

Também poderá ser necessário modificar as instruções das atividades, alterar o formato das aulas, explorar novos ambientes e usar estratégias de ensino diferenciadas.

E para saber se todas essas estratégias estão funcionando é fundamental observar com regularidade o avanço do aluno e se as dificuldades persistem.

Leia também: Inclusão escolar: um direito do autista

Referências:

http://www.hdesd.org/files/2015/06/A-LLIS-03_Autism-Strategies.pdf

https://www.education.vic.gov.au/school/teachers/learningneeds/Pages/supportmaterials.aspx

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Recursos visuais: qual a importância no dia a dia de pessoas com autismo?

Os recursos visuais (símbolos, fotografias, programação visual) são usados como ferramentas que expandem a capacidade da pessoa com autismo de interagir com o ambiente ao seu redor.

Esses recursos visuais podem dar às crianças, jovens e adultos um senso de autonomia, contribuindo assim para sua independência.

Portanto, os recursos visuais também ajudam os autistas a compreender a rotina e contribuir com suas atividades. Melhora a comunicação entre as pessoas com autismo e seus responsáveis.

Afinal, esses recursos tornam mais fácil para as pessoas com autismo entenderem o que está sendo dito ou ensinado, sem ter que dar sentido às palavras faladas rapidamente.

Além disso, autistas geralmente são bastante literais em seus pensamentos. Em alguns casos, isso pode tornar os conceitos abstratos muito difíceis de entender. Assim, os recursos visuais podem tornar todos esses conceitos compreensíveis.

Benefícios

Algumas crianças podem responder bem a cartões com figuras enquanto outras podem achar vídeos ou fotografias digitais mais úteis.

Além disso, os recursos visuais podem mudar de acordo com as necessidades de seu filho.

Esses recursos podem ajudar a:

  • Fornecer estrutura e rotina;
  • Encorajar a independência;
  • Aumentar a confiança;
  • Melhorar a compreensão;
  • Evite frustração e ansiedade;
  • Aumentar a interação com outras pessoas;
  • Melhora a comunicação.

Os suportes visuais podem ser imagens, objetos, linguagem de sinais ou texto. Eles podem vir em uma variedade de formas. Veja exemplos abaixo.

Quadro de rotina

Um cronograma com as atividades é um excelente sistema de suporte visual. O quadro de rotina ajuda o autista a visualizar suas ações e ter previsibilidade. Pode ser feito em casa com materiais do dia a dia.

Rotular objetos

Colocar etiquetas em objetos indicando o que são e as funções pode ajudar a criança com autismo a entender o significado dos itens.

Além disso, uma ampla variedade de itens pode ser usada como suporte visual. Por exemplo:

  • Símbolos;
  • Fotografias;
  • Vídeos curtos;
  • Miniaturas de objetos reais;
  • Fotos;
  • Desenhos;
  • Palavras;
  • Podem ser objetos reais, imagens impressas ou visualizadas por meio de celulares ou computadores.

Como escolher o melhor recurso visual?

Não há um único tipo de recurso visual que seja eficaz, já que as crianças e jovens com autismo são diferentes e apresentam necessidades distintas.

Os suportes visuais são muito pessoais e o que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. Use o interesse especial da pessoa, por exemplo, faça um cronograma visual na forma de um animal.

Por isso, use símbolos básicos  para permitir que uma pessoa expresse uma opinião. Por exemplo, coloque um símbolo de polegar para baixo ao lado de uma das atividades de hoje para mostrar que ela não gostou.

Então, use por exemplo, toalhas de mesa de cores diferentes: branco para a hora do jantar, azul para a hora de brincar.

Também podem ser usados marcadores de tempo para ajudar no início e no fim de atividades.

Enfim, se ficar na dúvida, não deixe de procurar orientação de um profissional.

Leia também:

Conheça alguns pré-requisitos para o desenvolvimento da fala

Recursos pedagógicos para trabalhar em sala de aula

Referências:

https://www.autism.org.uk/advice-and-guidance/topics/communication/communication-tools/visual-supports

https://autismawarenesscentre.com/visual-supports-best-way-use/

https://www.autismparentingmagazine.com/benefits-of-autism-visual-supports/

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Saiba mais sobre o ADI-R

O ADI-R é a sigla para Autism Diagnostic Interview-Revised ou Entrevista Diagnóstica para o Autismo Revisada, em português. Trata-se de uma entrevista diagnóstica estruturada que foi desenvolvida para ajudar a identificar o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Durante a entrevista com os pais ou cuidadores são coletadas informações detalhadas sobre o comportamento e desenvolvimento da criança.

Por isso, o ADI-R é muito útil para diagnosticar o TEA, planejar medidas terapêuticas e distinguir o autismo de outros transtornos do desenvolvimento.

Dessa forma, tem o objetivo de fornecer uma avaliação ao longo da vida de uma série de comportamentos relevantes para o diagnóstico em pessoas a partir dos 5 anos até o início da idade adulta e com idade mental a partir dos 2 anos de idade.

Foi criada em 1989 como uma ferramenta para pesquisar sobre o crescimento dos  diagnósticos de autismo e passou a ser usada para facilitar a detecção desse Transtorno.

Como funciona?

O ADI-R normalmente leva de uma a duas horas e se concentra no comportamento atual da criança ou comportamento em um determinado ponto nas áreas de interação social recíproca, comunicação e linguagem e padrões de comportamento.

A ADI-R possui cinco seções:

  • Perguntas introdutórias;
  • Questões sobre comunicação (inicial e atual);
  • Desenvolvimento social e como costumam brincar;
  • Investigação sobre comportamentos repetitivos e restritos;
  • Questões relativas a problemas de comportamento em geral.

Devido à longa entrevista, o ADI-R é usado principalmente em ambientes clínicos ou de pesquisa.

Habilidades avaliadas

E esse tipo de entrevista é focada nas seguintes habilidades.

  • Comunicação e Linguagem: avalia-se a fala e as habilidades atuais para manter a conversa;
  • Interação social: avalia-se como a criança interage com as pessoas e como mostram ou interpretam respostas emocionais;
  • Comportamentos repetitivos e obsessivos: avalia-se a presença de comportamentos estereotipados de TEA, como fixação em objetos incomuns, movimentos repetitivos das mãos ou uso repetido de frases curtas e fora do contexto. Além disso, pode ser avaliado se há hiperatividade e agressividade.

Os pais são questionados sobre como e quando perceberam que algo poderia estar errado com a criança e sobre os principais marcos do desenvolvimento. Então, a entrevista investiga o comportamento da criança durante os primeiros cinco anos de vida.

Ferramenta de avaliação

Vale destacar que o ADI-R não envolve diretamente a criança, geralmente é uma entrevista conduzida por um pesquisador ou psicólogo juntamente com os pais ou cuidadores.

Portanto, o ADI-R concentra-se na história do desenvolvimento da criança, contando com a memória das pessoas mais próximas a ela, no caso pais, mães e cuidadores. Sendo assim, avalia-se o histórico médico, comportamentos gerais, passados ​​e atuais, datas do marco do desenvolvimento, o desenvolvimento da fala e da linguagem e comportamentos destrutivos ou agressivos.

As perguntas são pontuadas em uma escala de zero a três, sendo três o resultado mais anormal. Cada pergunta também pode ser codificada de acordo com a idade da criança no momento em que foi notada pela primeira vez, ou se o comportamento é algo que os pais ainda estão vendo regularmente.

O examinador faz perguntas gerais e específicas. Por exemplo, os pais são questionados sobre as habilidades de comunicação de seus filhos. E eles falam se a criança aponta para objetos, se acena com a cabeça, por exemplo. Os pais também revelam detalhes de como é a comunicação verbal e não verbal e as habilidades sociais.

Vale destacar que  o ADI-R não deve ser a única ferramenta de avaliação usada para fechar um diagnóstico do espectro do autismo. Assim, as avaliações devem ser realizadas por uma equipe de profissionais especializados em autismo, para assim, o médico fechar o diagnóstico.

Portanto, especialistas como médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais podem realizar diversas avaliações que procuram tipos específicos de desafios e comportamentos que indicariam o autismo.

Leia também:

Importância do diagnóstico precoce do autismo

ADOS – Protocolo de observação para diagnóstico do autismo

Referências:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4471312/https://www.verywellhealth.com/adi-r-test-use-in-autism-diagnosis-260241

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Conheça os direitos dos autistas

Você sabia que a legislação brasileira destaca alguns direitos para as pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)? Hoje vamos falar sobre os direitos dos autistas assegurados por lei. 

Dessa forma, as pessoas com o TEA e seu familiares precisam saber quais são esses direitos para serem respeitadas e para que todos eles sejam cumpridos e colocados em prática no dia a dia.  Essa é a parte difícil né gente? A lei existe mas muitas vezes não é cumprida.

A primeira lei é a lei número 12.764/12, conhecida como Lei Berenice Piana, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

E em 2015, foi publicada a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, que também é conhecida pela sigla LBI (13.146/2015). Mas o que essas leis contribuem para os autistas? Vamos detalhar isso um pouquinho agora?

Direito a Inclusão escolar

A criança com autismo tem direito de ingressar e permanecer em uma escola regular. Por isso, o autista tem assegurado por lei o direito de estudar tendo todas as condições de acesso, aprendizagem e participação. A instituição de ensino não pode se recusar a realizar a matrícula da criança autista e nem pode cobrar qualquer valor a mais por isso. Além disso, o aluno autista precisa ter um acompanhamento profissional, adaptações de espaço e nos materiais didáticos para que seu ensino seja efetivo, caso seja necessário.

Direito ao Atendimento prioritário

A pessoa com autismo tem prioridade no atendimento, ou seja, o direito de ter um atendimento imediato e diferenciado das demais pessoas em todas as instituições e serviços de atendimento ao público.

Direito ao Mercado de trabalho

O autista tem a possibilidade de participar do programa de aprendizagem para a pessoa com deficiência, a partir dos 14 anos. E não é necessário preencher requisito relativo a grau de escolaridade. Ele pode ser contratado como jovem aprendiz.

Isenção de Impostos para a Aquisição de Veículos

Quem tem autismo pode adquirir veículos com isenção de impostos. Por isso, o valor do automóvel acaba saindo com mais desconto. Uma questão importante aqui é que o autista não precisa necessariamente ser o condutor, mas deve indicar três condutores habilitados. O benefício pode ser exercido uma vez a cada dois anos.

Vaga no estacionamento

O autista também tem direito a uma vaga especial nos estacionamentos, mesmo que não sejam os condutores do veículo. As vagas ficam localizadas em áreas estratégicas, próximas à porta de entrada de shoppings e supermercados, por exemplo, para facilitar o acesso.

Nos transportes

Os autistas carentes, assim como suas famílias, também têm direito ao transporte gratuito em ônibus, barco ou trem. Em relação ao transporte aéreo, o acompanhante do autista tem um desconto de 80% do valor da passagem.

Na Saúde

O autista tem direito a atenção integral à saúde por intermédio do Sistema Único de Saúde, o SUS, com atendimento universal e gratuito. Além disso, a Lei Berenice Piana destaca a obrigatoriedade de diagnóstico precoce e tratamento multidisciplinar. Além de ter direito aos medicamentos, é assegurado o direito da nutrição adequada e de informações que auxiliem no diagnóstico e no tratamento.  É importante reforçar que a pessoa com transtorno do espectro autista não poderá ser impedida de participar de planos privados de assistência à saúde por causa da sua condição.

Direito a prestação continuada

A pessoa com autismo tem o direito de um salário mínimo, desde que comprove que ele, ou a família, não tem condições financeiras para se sustentar.

Imposto de renda

As despesas médicas podem ser deduzidas do Imposto de Renda. Além disso, a pessoa com autismo tem preferência no recebimento da restituição do imposto de renda.

É muito importante que os autistas e familiares conheçam as leis que garantem os seus direitos. Se houver qualquer dúvida, é importante buscar ajuda especializada de um advogado.

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