É comum que as pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) tenham algum tipo de dificuldade para se expressar ou falar.

Nesses casos, a Comunicação Ampliada Alternativa (CAA) pode ser bastante eficiente e ajudar a criança a se comunicar melhor e melhorar a sua capacidade de escrever.

Para isso, são usados cartões e pranchas de comunicação, vocalizador ou outros recursos para auxiliar nas habilidades de compreensão e expressão.

Além disso, podem ser usados sistemas de baixa tecnologia como cartões, quadros ou livros com fotos ou imagens que representam tarefas, ações ou objetos. 

A CAA pode ser usada para melhorar a comunicação em todos os aspectos da vida do autista, desde as relações familiares até na escola e no trabalho.

As crianças com TEA podem aprender a usar essas ferramentas para entender o que as pessoas estão dizendo, pedir o que precisam, fazer comentários e responder às perguntas de outras pessoas.

O tipo de sistema escolhido varia de acordo com o autista, sua idade, suas limitações em relação à comunicação e o contexto em que ela vive.

Cabe aos profissionais que atendem a criança ou jovem identificar a ferramenta de CAA compatível com aquela pessoa.

Quais são os benefícios da CAA para autistas?

Basicamente, a Comunicação Ampliada Alternativa (CAA) ajuda as crianças com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) a melhorar sua capacidade de compreender e se comunicar com outras pessoas de forma geral.

Além disso, podemos destacar outros benefícios:

Aprender as palavras iniciais. É possível juntar uma palavra a uma imagem ou gesto que a representa. Um exemplo: falar a palavra “bola” e segurar a imagem do objeto. As crianças vão associar os sons da fala com a imagem do objeto.

Algumas pessoas com TEA respondem melhor às informações apresentadas visualmente.

Melhorar a compreensão das palavras. A fala por si só pode ser muito rápida, enquanto uma imagem dura mais. Ver uma imagem o ajuda a entender as informações e ajuda a evitar a sobrecarga de informações.

Incentivar o contato visual. Olhar para o outro é importante para a comunicação e a interação social. A CAA estimula que a criança preste atenção nos outros e no que está acontecendo ao redor.

Reduz o estresse. Com a CAA, os pais conseguem entender melhor os comportamentos dos filhos ou filhas com autismo. Isso gera menos estresse e melhora o relacionamento entre eles.

Ajuda a desenvolver a fala. As crianças autistas podem ser estimuladas a falar com a CAA. Geralmente, reforçam e oferecem estratégias para encorajar e a fala especificamente. 

Pode diminuir os comportamentos desafiadores e agressivos. Há pesquisas que mostram que a CAA ensina a criança a se comunicar e diminui a necessidade do comportamento desafiador e agressividade. Exemplo: a criança quer algo e aprende a pedir o que deseja sem partir para a agressão ou comportamentos inadequados.

Sabe-se que o desenvolvimento da comunicação tem um enorme impacto sobre o comportamento global da criança, reduzindo inclusive comportamentos agressivos e de autoflagelação.

 – Contribui com a inclusão escolar. Muitos alunos atípicos enfrentam dificuldade para serem socialmente incluídos no ambiente escolar devido às dificuldades de fala e comunicação.

Desse modo, a CAA contribui bastante para estabelecer um contato efetivo de comunicação entre a criança e a escola e os colegas neuróticos.

A maioria das crianças se adapta bem e aprende rapidamente a utilizar as ferramentas para a comunicação ampliada, se tornando mais independentes e abertas para a socialização.

Referências:

https://nationalautismresources.com/the-picture-exchange-communication-system-pecs/

https://raisingchildren.net.au/autism/development/language-development/augmentative-communication-asd

Neurocientista que estuda o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) há quase 10 anos, Fabiele Russo é Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) com Doutorado no exterior pelo Departamento de Pediatria da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD) e Pós-doutorado pela USP. Possui ampla experiência na área do autismo.