Causas do Autismo

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Diversas pesquisas já foram realizadas para descobrir as causas que levam uma pessoa a ser autista. 

Até o momento sabe-se que o autismo ocorre devido a fatores genéticos, o que acontece na grande maioria dos casos, e a fatores ambientais.

Então, hoje sabemos que na verdade existe uma combinação de fatores genético e ambientais.

Cada criança autista é única, e hoje sabemos também que as causas que levam ao desenvolvimento do autismo também são únicas. 

Então, vamos destacar aqui um pouco sobre o que a ciência já descobriu que pode causar ou ser um fator de risco para o desenvolvimento do autismo.

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Causas genéticas

Está comprovado cientificamente que as mutações genéticas desempenham um papel significativo no surgimento do autismo. Cientistas do mundo todo identificaram diversos genes que estão ligados ao Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Sabe-se que nesses casos, o autismo ocorre devido a alguma falha no processo de desenvolvimento cerebral, logo no início da formação do feto.

Pesquisas realizadas em todo o mundo têm analisado as variações que ocorrem nos genes para compreender de que forma elas influenciam no desenvolvimento do sistema nervoso central (SNC) e como podem se expressar em torno do autismo.

Pesquisas cientificas, inclusive pesquisas que eu realizei durante o meu doutorado mostraram que os neurônios dos autistas são mais curtos e possuem menos ramificações em relação às pessoas que não estão dentro do espectro.

Por isso, pessoas com autismo apresentam dificuldades de linguagem, comunicação e socialização. 

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As alterações genéticas podem ser hereditárias, ou mutações novas que ocorreram durante a fecundação ou no embrião e não significa que foi passado pelos pais. 

Tudo que é hereditário é genético, mas nem tudo que é genético é hereditário.

Muitas pesquisas continuam sendo realizadas e a expectativa é de que, ao encontrar os genes ligados ao autismo, seja possível auxiliar no processo de diagnóstico precoce, assim como na escolha da melhor opção de condutas terapêuticas para cada autista. 

Hoje sabemos que os fatores genéticos estão envolvidos na grande maioria dos casos de autismo. 

Pesquisas recentes citam que mais de 90% dos casos de autismo são de causas genéticas. As pesquisas na área da genética vem sendo realizadas de forma mais rápida.

Até alguns anos atrás eram conhecidos cerca de 100 genes relacionados ao autismo, hoje esse número já passou de 1.000 genes.

Fatores ambientais

Alguns fatores ambientais vem sendo associados como fator de risco para o autismo. Alguns estudos já tem comprovação, outros ainda precisam de mais estudos.

Durante a gestação, alguns fatores podem ser os responsáveis pelo TEA.

Diversos estudos comprovam que o uso de ácido valpróico, que é utilizado para tratamento de epilepsia e transtorno bipolar aumenta o risco da criança nascer com autismo.

Tanto que no laboratório nós utilizamos o acido valpróico em modelos animais para induzir comportamentos autisticos. Então este é um fator ambiental que tem comprovação cientifica.

Outro fator que tem comprovação é a Idade paterna:  Estudos realizados observaram a relação entre o risco de autismo e a idade dos pais.

Descobriram que a incidência do autismo é maior entre filhos de mulheres adolescentes e de homens mais velhos.

Em comparação aos filhos de pais e mães jovens, as taxas de autismo entre crianças de pais com mais de 50 anos foram bem mais elevadas.  

Por isso, os pesquisadores acreditam que as mutações genéticas nos espermatozoides aumentam com a idade do homem, o que pode aumentar as chances do Transtorno. 

Outros fatores de risco

Outros fatores de risco que vem sendo associados mas que precisam de mais estudos e comprovações são exposição materna a toxinas e poluentes de ar, parto prematuro, baixo peso ao nascer, diabetes gestacional, uso de maconha durante a gestação, infecções graves durante a gestação, principalmente durante o primeiro trimestre.

Além disso, alguns estudos mostram que essas infecções podem aumentar o risco de desenvolvimento de autismo na criança.

Então, vale ressaltar que já tivemos excelentes avanços na ciência nas ultimas décadas, em relação ao conhecimento das causas do autismo, principalmente as genéticas, mas muitos estudos ainda estão em andamento e são necessários para alcançarmos mais respostas e entendimento acerca das causas do autismo.

Leia também: Autismo não é doença

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Dra. Fabiele Russo

Neurocientista, especialista em Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Pesquisadora na área do TEA há mais de 10 anos. Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) com Doutorado “sanduíche” no exterior pelo Departamento de Pediatria da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD). Realizou 4 Pós-doutorados pela USP. É cofundadora da NeuroConecta e também, coautora do livro: Autismo ao longo da vida.