Uma dúvida bastante frequente dos pais que recebem o diagnóstico de autismo dos filhos é sobre as intervenções. Entre as intervenções que possuem resultados comprovados, destaca-se as baseadas na Análise de Comportamento Aplicada (ABA). Você já ouviu falar sobre ABA?

As intervenções baseadas na ABA são cientificamente comprovadas e possibilitam compreender as ações e habilidades das pessoas no espectro autista e como elas podem ser influenciadas pelo meio ambiente.

A ABA já existe há mais de 50 anos e contribui com uma melhora nas interações sociais, ajuda no aprendizado de novas competências e a manter comportamentos positivos. A seguir, destacamos 10 motivos para você realizar a intervenção baseada na ABA em seu filho:

 

1. Desenvolvimento do autista

A ABA tem como objetivo atuar em prol do desenvolvimento do autista – desde a infância à idade adulta. São usadas técnicas que possibilitem ampliar a capacidade cognitiva, motora, de linguagem e de integração social do autista.

 

2. Gerenciamento de comportamentos

Em caso de comportamento positivo, há uma recompensa como forma de estimular determinada prática. Com a terapia ABA, a expectativa é que esta atitude seja repetida posteriormente.

E, em alguns casos, se houver comportamento negativo, como meio de inibir tal atitude, pode haver repreensão.

 

3. Pode ser aplicada em diferentes locais

As dinâmicas que compreendem a prática da intervenção ABA podem ser ministradas em casa, em escolas ou em clínicas especializadas. Envolvem até 40 horas por semana de terapia individualizada.

 

4. Ajuda no ensino de novas habilidades

Ensina habilidades que permitem que os indivíduos sejam mais bem-sucedidos e menos dependentes do comportamento problemático que pode gerar atitude negativa para atender às suas necessidades.

 

5. Foco no autista de forma individualizada

Intervenções via ABA podem auxiliar no aperfeiçoamento de habilidades básicas, como olhar, ouvir e imitar, ou complexas, como conversar e interagir com o outro.

São realizadas avaliações constantes para determinar qual é a melhor estratégia, de acordo com as dificuldades e limitações do autista.

 

6. Trabalha a motivação

A ABA trabalha com a motivação da criança por meio dos reforçadores, ou seja, estímulos para que os comportamentos positivos voltem a acontecer.

O reforço deve ser individual, ou seja, precisa agradar a criança ou jovem. Por isso, há diversos tipos de reforçadores.

Entre os tipos de reforçadores usados podemos citar: brinquedos, cócegas, alimentos, passeios, elogios, abraços, jogos, desenhos.

 

7. Uso de várias técnicas

É comum que sejam usadas várias técnicas ao mesmo tempo para evitar a estagnação e o tédio da criança. Por isso, é fundamental ter o apoio de especialistas capacitados que possam avaliar a pessoa e definir qual é a melhor estratégia.

As técnicas se esforçam para substituir comportamentos inadequados por outros mais positivos e apropriados.

Melhorar a concentração, a motivação, a fala e as interações sociais da criança também são importantes e trabalhadas de forma individual.

 

8. Diversas dimensões

A ABA possui diversas dimensões centrais e visam ajudar a criar mudanças mais significativas e produzir um impacto maior no comportamento e evolução do autista.

 

9. Mensuram os avanços

A ABA é uma ciência que estuda as leis que regem a interação do indivíduo com o ambiente e após uma análise dos comportamentos é possível traçar um plano de ação para modificá-los.

Os profissionais realizam uma avaliação inicial para checar as habilidades do indivíduo e nortear os pontos principais da intervenção. Além disso, as metas são avaliadas frequentemente e as escalas atualizadas.

Como a ABA é uma tecnologia de ensino individual, o especialista em ABA conhece e sabe usar mais de uma escala de habilidades.

 

10. Trabalho em conjunto

Geralmente, as crianças com autismo passam por mais de uma intervenção ao mesmo tempo. É comum que sejam atendidos por psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, pediatras, neurologistas, entre outros.

Os profissionais que cuidam do autista trabalham em conjunto e trocam informações para que o autista consiga se desenvolver adequadamente.

 

Referências:

https://www.appliedbehavioranalysisprograms.com/lists/5-techniques-used-in-applied-behavior-analysis/

https://www.autismspeaks.org/applied-behavior-analysis

 

Neurocientista que estuda o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) há mais de 10 anos, Fabiele Russo é Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) com Doutorado sanduíche no exterior pelo Departamento de Pediatria da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD) e Pós-doutorado pela USP. Possui ampla experiência na área do autismo.