Avaliação das habilidades de vida funcionais: saiba mais sobre o Protocolo AFLS

Você já ouviu falar do Protocolo AFLS? A Avaliação de Habilidades de Vida Funcionais, em tradução livre, é uma ferramenta de avaliação de habilidades para ensinar crianças, adolescentes e adultos com dificuldades de desenvolvimento.

Então, ajuda nas habilidades essenciais que os indivíduos precisam para alcançar a independência e a autonomia.

Dessa forma, o Protocolo AFLS foi criado com o objetivo de ajudar a pessoa a adquirir habilidades para ter uma vida funcional.

Vale destacar que crianças com autismo ou outros  problemas comportamentais ou de desenvolvimento podem ter dificuldade em aprender e desenvolver as habilidades vitais necessárias para serem mais independentes.

Portanto, é importante que profissionais que trabalham com essas crianças forneçam uma base que as ajude a alcançar o mais alto nível de independência possível.

Como funciona?

O protocolo AFLS inclui protocolos de avaliação diferentes que avaliam habilidades funcionais, práticas e essenciais da vida cotidiana.

Além de uma avaliação, o AFLS ajuda a rastrear e monitorar o progresso de soluções que permitem que as habilidades avaliadas sejam rastreadas para o progresso ao longo de muitos anos. Entre as habilidades, podemos citar:

Habilidades básicas da vida

São avaliadas como funciona o autocuidado, as formas de manter a higiene, rotinas e habilidades básicas de comunicação.

As habilidades avaliadas no Protocolo de Avaliação de Habilidades Básicas de Vida devem ser consideradas um pré-requisito para qualquer programa de habilidades funcionais.

Entre as atividades, inclui: autogerenciamento, comunicação básica, como se vestir, toalete, higiene, saúde, segurança e primeiros socorros e rotinas noturnas.

Habilidades domésticas

Esteja morando com os pais ou sozinho, o autista precisa treinar as habilidades necessárias para viver em uma casa. Por isso, ajuda a criança ou jovem a preparar suas refeições em casa, tarefas de limpeza, lavar roupas, por exemplo.

Habilidades de participação na comunidade

A participação na comunidade começa com o aprendizado de atividades do dia a dia. É o caso de ensinar a atravessar a rua, usar transporte público, fazer compras no mercado e ir ao restaurante, por exemplo.

A capacidade de contar o tempo e usar conceitos relacionados ao tempo, marcar e manter compromissos, usar um telefone e outras habilidades para ajudar os alunos a permanecerem conectados e interagirem com outras pessoas também são avaliadas. Além disso, também avaliam-se a forma como lidam com o dinheiro.

Habilidades escolares

Esta avaliação abrange todos os níveis etários de educação: ensino fundamental, ensino médio, ensino médio, faculdade. Por isso, considera o nível de desenvolvimento do indivíduo em relação a linguagem, comportamento e habilidades cognitivas.

Além disso, também avalia: como é a estrutura da sala de aula, a rotina e expectativas, refeições na escola, habilidades sociais, recursos tecnológicos, conhecimentos adquiridos.

Habilidades vocacionais

Este protocolo ensina habilidades essenciais a alunos que se preparam para ingressar no mercado de trabalho ou àqueles que já estão trabalhando, mas desejam desenvolver habilidades.

Além disso, abrange habilidades relacionadas à busca de um emprego e preparação para entrevistas. Também avalia as relações com colegas de trabalho e conhecimentos específicos.

Vantagens do Protocolo AFLS

  • Pode ser utilizado a qualquer hora e em qualquer lugar – em casa ou na escola;
  • É fácil de entender: é escrito em uma linguagem prática e não muito técnica;
  • Simples de usar: fornece um passo a passo com exemplos e métodos, tornando o sistema fácil para todos;
  • Acessível e personalizável: é mais barato do que outras ferramentas de avaliação do autismo e pode ser personalizado de acordo com as necessidades de qualquer aluno a qualquer momento.

Leia também:

Saiba mais sobre o ADI-R

ADOS – Protocolo de observação para diagnóstico de autismo

Referências:

https://functionallivingskills.com/functional-living-tools/

https://life-skills.middletownautism.com/background/assessment-life-skills/assessment-functional-living-skills-afls/

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Conheça a Síndrome de Savant

A Síndrome de Savant é uma condição rara em que a pessoa tem habilidades extraordinárias relacionadas a memória. Essas pessoas apresentam habilidades como fazer contas complexas sem calculadora, tocar uma música no piano após escutar apenas uma vez ou aprender vários idiomas em pouco tempo.

A Síndrome de Savant ganhou atenção da mídia nos últimos anos por conta da série The Good Doctor. O termo vem do francês Savant e significa “sábio”.

Na série, o ator Freddie Highmore dá vida a um jovem cirurgião com a Síndrome de Savant e autismo. Ele tem bastante dificuldade de se conectar com as pessoas que o rodeiam no ambiente de trabalho. Mas, possui muitas habilidades que o ajudam a salvar vidas.

Características e sintomas da Síndrome de Savant

Apesar dessas habilidades em determinadas áreas, a pessoa com a síndrome apresenta em grande parte das vezes deficiência intelectual associada.

Geralmente, quem tem a Síndrome de Savant apresenta quociente de inteligência entre 40 e 70 e em alguns casos pode ter QI de até 114.

Essa condição geralmente afeta mais os homens do que as mulheres. Estima-se que uma em cada dez pessoas que estão dentro do espectro do autismo possua também a Síndrome de Savant.

Eles costumam ter habilidades extraordinárias em áreas como arte (pintura ou escultura), música, cálculos complexos, cálculo de calendários, mecânicas ou espaciais, podem ser poliglotas (falar vários idiomas), ciências, entre outras.

As habilidades extraordinárias estão sempre ligadas à excelente memória da pessoa. Geralmente, apenas uma habilidade especial está presente. Mas, assim como ocorre com o autismo, as pessoas com a Síndrome de Savant sentem muita dificuldade de se relacionar, demonstrar emoções, enfrentar mudanças de rotina.

Apresentam uma disfunção significativa nas habilidades que pertencem ao hemisfério esquerdo do cérebro como as habilidades lógicas ou simbólicas, além de ter dificuldades de linguagem e fala.

Diagnóstico e tratamento da Síndrome de Savant

O diagnóstico da Síndrome de Savant é clínico. Por isso, o médico avalia o histórico do paciente e faz uma avaliação neuropsicológica. O profissional avaliará as habilidades e, se achar necessário, poderá solicitar exames de imagem para identificar o risco de tumores ou acidentes vasculares cerebrais.

Não há cura para a Síndrome de Savant porque ela não é uma doença, mas há terapias que podem ajudar a aumentar a qualidade de vida. Além de minimizar as dificuldades e aumentar outras habilidades.

Essas terapias costumam ser individualizadas, pois consideram os pontos fortes e dificuldades das pessoas com a Síndrome.

Essas habilidades costumam aparecer na infância, mas também podem surgir em indivíduos neurotípicos após lesão cerebral ou alguma doença que surge mais tarde na infância ou vida adulta.

Saiba mais sobre o assunto

O primeiro relato da Síndrome de Savant ocorreu em um artigo científico em 1783, descrevendo o caso de Jedediah Buxton, uma calculadora de raios com memória extraordinária.

Mas, o primeiro especialista a diagnosticar o savantismo foi J. Langdon Down, que também identificou a Síndrome que leva o seu nome. Ele chamava as pessoas com a Síndrome de Savant de “idiot savant” (“idiota prodígio”, em francês). Mas o termo foi considerado inadequado e se tornou politicamente incorreto.

Há algumas pessoas com a Síndrome de Savant que ficaram conhecidas por suas habilidades, entre elas Kim Peek, que conseguiu memorizar mais de 12 mil livros na íntegra. Sua história inspirou o filme Rain Man (1988).

Saiba mais sobre comorbidades associadas ao TEA

Referências:

The savant syndrome: an extraordinary condition. A synopsis: past, present, future. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2677584/

http://www.agnesian.com/page/savant-syndrome-faqs

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Autismo virtual – Isso existe?

As crianças já passam muito tempo em frente às telas e esse tempo aumentou ainda mais nos últimos anos, principalmente durante a pandemia.  Por conta disso, surgiu o termo “autismo virtual”, ou seja, o uso excessivo de telas como tablets, celulares, computadores ou mesmo a televisão poderia causar uma condição semelhante ao autismo.

Mas será que existe autismo virtual?

A resposta para essa pergunta é NÃO! Porque o autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento, ou seja, a pessoa já nasce autista.

Essa história surgiu após a publicação de uma pesquisa romena que comparou um grupo de crianças que havia sido exposto a mais de quatro horas/dia em um ambiente virtual com e outro que não havia passado tanto tempo assim diariamente. As crianças tinham entre zero a três anos.

Então, os pesquisadores sugeriram que a privação sensorial-motora e sócio afetiva, provocada pelo consumo excessivo de um ambiente virtual, poderia ativar comportamentos e elementos similares a aqueles encontrados em crianças diagnosticadas com o transtorno do espectro do autismo.

O que causa autismo?

Muitas pesquisas em todo o mundo já foram realizadas para descobrir quais são as causas do autismo.

Contudo, o que se sabe até o momento é que, na maioria das vezes, o TEA ocorre devido a fatores genéticos e a fatores ambientais.

As mutações genéticas desempenham um papel bastante significativo no surgimento do autismo. O TEA ocorre devido a alguma falha no processo de desenvolvimento cerebral, logo no início da formação do feto.

Os fatores genéticos estão envolvidos na grande maioria dos casos de autismo.  Pesquisas recentes citam que mais de 90% dos casos de autismo são de causas genéticas.

Entre os fatores ambientais, podemos citar: o uso de ácido valpróico, que é utilizado para tratamento de epilepsia e transtorno bipolar e aumenta o risco da criança nascer com autismo.

Outro fator que tem comprovação é a idade paterna e alguns estudos apontam a relação entre o risco de autismo e a idade dos pais.

Além disso, diversos estudos mostram que a exposição materna a toxinas, o parto prematuro, o baixo peso ao nascer, diabetes materna, uso de drogas durante a gestação e infecções graves (Infecções virais e bacterianas) das gestantes também podem ser fatores de risco para autismo.

Quais são os riscos das telas para as crianças?

Sabemos que o uso excessivo de telas não causa autismo, mas sambemos também que esse uso excessivo pode comprometer o desenvolvimento infantil.

Algumas pesquisas apontam que a superexposição a eletrônicos, no caso de crianças muito pequenas, pode causar déficit de atenção, atrasos cognitivos, distúrbios de aprendizado, aumento de impulsividade e diminuição da habilidade de regulação própria das emoções.

Por conta disso, as crianças podem receber um diagnóstico equivocado de autismo.

Além disso, o excesso de telas pode aumentar o risco de obesidade, causando problemas para dormir, distúrbios emocionais como ansiedade, depressão e até agressividade.

Em alguns casos, pode gerar dependência digital, transtornos de alimentação e de imagem corporal, cyberbullying e até mesmo problemas visuais, auditivos e de postura.

Como evitar o excesso de telas?

É importante que os pais e responsáveis redobre a atenção e fique de olho quanto tempo os pequenos estão conectados. Portanto, uma estratégia eficaz é estabelecer regras como não usar os aparelhos durante as refeições e desligar os aparelhos entre uma e duas horas antes de dormir.

Além disso, as crianças também precisam ser estimuladas a praticar outras atividades que não necessitem de tecnologia. Pode ser a leitura de um livro, pinturas, música, jogos ou ter contato com a natureza.

O uso de telas não é recomendado para crianças menores de 2 anos. Para crianças entre 2-5 anos a exposição deve ser de no máximo 1 hora por dia. Após 5 anos a exposição deve ser de no máximo 2 horas por dia.

Referências:

https://www.gazetadopovo.com.br/viver-bem/saude-e-bem-estar/criancas-grudadas-no-smartphone-estao-em-risco-de-autismo/

https://www.webmd.com/mental-health/news/20170503/are-smartphones-helping-or-harming-kids-mental-health

https://jamanetwork.com/journals/jamapediatrics/fullarticle/2788488

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Por que realizar intervenção baseada na ABA em meu filho?

Uma dúvida bastante frequente dos pais que recebem o diagnóstico de autismo dos filhos é sobre as intervenções. Certamente, entre as intervenções que possuem resultados comprovados, destacam-se as baseadas na Análise de Comportamento Aplicada (ABA).

As intervenções baseadas na ABA são cientificamente comprovadas e possibilitam compreender as ações e habilidades das pessoas no espectro autista e como elas podem ser influenciadas pelo meio ambiente.

Além disso, a ABA contribui com uma melhora nas interações sociais, ajuda no aprendizado de novas competências e a manter comportamentos positivos.

Então, a seguir, destacaremos alguns motivos para você escolher intervenções baseadas na ABA para seu filho:

1. Desenvolvimento do autista

A ABA tem como objetivo atuar em prol do desenvolvimento do autista – desde a infância à idade adulta. São usadas técnicas que possibilitem ampliar a capacidade cognitiva, motora, de linguagem e de integração social do autista.

2. Eficácia da ABA é comprovada cientificamente

Um dos primeiros estudiosos na área ABA foi o psicólogo Skinner, em 1930.

Portanto, a ABA tem evidências científicas que atestam sua eficácia. Consiste em um conjunto de procedimentos e intervenções destinados a aumentar comportamentos positivos.

Além disso, ensina novas habilidades, que possibilitem à criança se integrar em novos ambientes e reduzir comportamentos prejudiciais a ela, como a autoagressão.

3. Gerenciamento de comportamentos

Em caso de comportamento positivo, há uma recompensa como forma de estimular determinada prática. Por isso, com a terapia ABA, a expectativa é que esta atitude seja repetida posteriormente.

E, em alguns casos, se houver comportamento negativo, algumas estratégias são utilizadas como meio de inibir tal atitude.

4. Pode ser aplicada em diferentes locais

As dinâmicas que compreendem a prática da intervenção ABA podem ser ministradas em casa, em escolas ou em clínicas especializadas. Assim, em alguns casos envolvem até 40 horas por semana de terapia individualizada.

5. ABA não requer equipamentos

Uma das características positivas das intervenções ABA é que elas não requerem o uso de equipamentos ou ferramentas caras, assim, possibilita ser trabalhada não apenas por profissionais.

Ademais, ela pode ser praticada em casa, com suporte dos pais e familiares, no contexto escolar,  entre outros ambientes naturais.

6. Ajuda no ensino de novas habilidades

Ensina habilidades que permitem que os indivíduos sejam mais bem-sucedidos e menos dependentes do comportamento problemático que pode gerar atitude negativa para atender às suas necessidades.

7. Foco no autista de forma individualizada

A Intervenção é individualizada. Por isso, são realizadas avaliações constantes para determinar qual é a melhor estratégia, de acordo com as dificuldades e limitações do autista.

Ademais, as intervenções baseadas em ABA auxiliam no aperfeiçoamento de habilidades básicas, como olhar, ouvir e imitar, ou complexas, como conversar e interagir com o outro.

8. Trabalha a motivação

A ABA trabalha com a motivação da criança por meio dos reforçadores, ou seja, estímulos para que os comportamentos positivos voltem a acontecer.

O reforço deve ser individual, ou seja, precisa agradar a criança ou jovem. Por isso, há diversos tipos de reforçadores.

Entre os tipos de reforçadores usados podemos citar: brinquedos, cócegas, alimentos, passeios, elogios, abraços, jogos, desenhos.

9. Mensuram os avanços

A ABA é uma ciência que estuda as leis que regem a interação do indivíduo com o ambiente. Dessa forma, após uma análise dos comportamentos é possível traçar um plano de ação para modificá-los.

Os profissionais realizam uma avaliação inicial para checar as habilidades do indivíduo e nortear os pontos principais da intervenção. Além disso, as metas são avaliadas frequentemente e as escalas atualizadas.

Como a ABA é uma tecnologia de ensino individual, o especialista em ABA conhece e sabe usar mais de uma escala de habilidades.

10. Trabalho em conjunto

Geralmente, as crianças com autismo passam por mais de uma intervenção ao mesmo tempo. É comum que sejam atendidos por psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, pediatras, neurologistas, entre outros.

Os profissionais que cuidam do autista trabalham em conjunto e trocam informações para que o autista consiga se desenvolver adequadamente.

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Referências:

https://www.appliedbehavioranalysisprograms.com/lists/5-techniques-used-in-applied-behavior-analysis/

https://www.autismspeaks.org/applied-behavior-analysis

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Como avaliar se meu filho está fazendo ABA de verdade?

Já falamos aqui em como as intervenções baseadas na Análise de Comportamento Aplicada (ABA) são eficazes para aumentar o repertório de comportamentos funcionais e para o desenvolvimento de habilidades dos autistas.

Comprovada cientificamente, a Ciência ABA oferece técnicas que desenvolvem as habilidades  essenciais da vida diária e reduz comportamentos inadequados relacionados ao transtorno.

Mas como saber se a equipe de profissionais realmente está aplicando a ABA corretamente?

A seguir, detalhamos algumas questões importantes para você avaliar se seu filho ou filha está fazendo ABA de verdade.

Técnicas sem comprovação científica

Primeiramente, a Análise de Comportamento Aplicada (ABA) é uma ciência comprovada que possibilita compreender as ações e habilidades das pessoas autistas e como elas podem ser influenciadas pelo meio ambiente.

Por isso, não podem ser aplicadas técnicas experimentais, sem comprovação científica. Assim, esta intervenção, que já existe há mais de 50 anos, pode contribuir com uma melhora nas interações sociais, aprendizagem de novas competências e manter comportamentos positivos.

Usam várias técnicas

Geralmente, são usadas várias técnicas ao mesmo tempo para evitar a estagnação e o tédio da criança. Por isso, é fundamental ter o apoio de especialistas capacitados que possam avaliar a pessoa e definir qual é a melhor estratégia.

As intervenções visam substituir comportamentos inadequados por outros mais positivos e apropriados.

Além disso, buscam melhorar a concentração, a motivação, a fala e as interações sociais da criança também são importantes e trabalhadas de forma individual.

Não mensuram os avanços e nem usam escalas

A ABA é uma ciência que estuda as leis que regem a interação do indivíduo com o ambiente e após uma análise dos comportamentos é possível traçar um plano de ação para modificá-los.

Portanto, é preciso realizar uma avaliação inicial para checar as habilidades do indivíduo e nortear os pontos principais da intervenção.

Além disso, as metas devem ser avaliadas frequentemente e as escalas atualizadas.

Como a ABA é uma tecnologia de ensino individual, o especialista em ABA deve conhecer e saber usar mais de uma escala de habilidades.

Também é importante saber se a equipe produz gráficos para mensurar o aumento ou diminuição dos comportamentos-alvo e para avaliar o desenvolvimento das habilidades trabalhadas durante a intervenção. Por isso, a intervenção deve ser mensurável.

Formação dos profissionais

É fundamental que os especialistas sejam capacitados em ABA. Além do curso de graduação, o profissional precisa ter realizado uma especialização em Análise do Comportamento e ter um certificado. Os aplicadores ABA devem ter um curso de capacitação ou treinamento e contar com a supervisão de um especialista.

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Tratamento individualizado

Os pais devem ficar atentos se as técnicas propostas se adequam às necessidades específicas do seu filho ou filha.

A ABA não é um método, ou seja, não há manual específico para todos. As atividades de intervenção devem ser realizadas de forma individual.

Duração

É preciso se atentar para o período em que ocorrem as intervenções. Para ser efetiva, geralmente ela precisa ser intensiva: pode ser realizada cerca de 15 a 40 horas por semana.

Sendo assim, se seu filho ou filha faz apenas uma hora por semana de ABA, desconfie!

Foco correto

O foco da intervenção não deve ser apenas a eliminação dos comportamentos inadequados, mas principalmente no desenvolvimento de novas habilidades.

A intervenção deve procurar identificar as razões que causam os comportamentos problemáticos. Isso porque sempre há uma razão para a criança agir de determinada maneira.

Trabalho em conjunto

Geralmente, as crianças com autismo passam por mais de uma intervenção ao mesmo tempo. É comum que sejam atendidos por psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, pediatras, neurologistas, entre outros.

É fundamental que os profissionais trabalhem em conjunto, troquem informações e até mesmo tenham a supervisão constante de um Analista do Comportamento.

Leia também: Por que realizar ABA no meu filho?

Saiba mais sobre ABA: Conheça a Formação ABA PRO

Referências:

https://childmind.org/article/know-getting-good-aba/

https://www.autismspeaks.org/applied-behavior-analysis

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Como estimular o aprendizado por meio de brincadeiras?

Você já parou para pensar na importância das brincadeiras para o desenvolvimento da criança? Além de se divertir, ao brincar a criança usa as atividades lúdicas como um instrumento que potencializa o processo de aprendizagem.

Com as brincadeiras, a aprendizagem ocorre de forma mais rápida, já que a criança se sente motivada a realizar a atividade. Por isso, contribui com o desenvolvimento físico, emocional (afetivo), mental e social.

Ao brincar, as crianças estimulam o pensamento crítico, a linguagem e expandem o seu conhecimento, além de consciência corporal e emocional.

Portanto, a criança deve ser estimulada desde seu nascimento com atividades educativas  e brinquedos próprios para sua idade.

No caso dos autistas, as brincadeiras ajudam a criança ou jovem a aprender de uma forma natural e efetiva. Assim, podem ajudá-la a interagir socialmente, melhorar a linguagem e também a diminuir comportamentos restritivos e repetitivos.

Entre as atividades lúdicas recomendadas para a aprendizagem estão:

  • pintura;
  • leituras;
  • jogos de tabuleiro;
  • fantoches;
  • quebra-cabeça;
  • massinhas;
  • esculturas;
  • mímica;
  • brinquedos de montar.

A seguir, veja como as brincadeiras contribuem para o aprendizado das crianças.

Desenvolvimento físico

Brincar com bola, pular, correr…atividades simples do dia a dia fazem com que a criança se movimente e ativam os músculos. Brincar contribui para que as crianças sejam mais ativas e saudáveis. Além de estimular a independência.

Desenvolvimento emocional (socialização)

As crianças quando brincam em grupo aprendem desde cedo a socializar, a conviver com os outros, a negociar, fazer escolhas e tomar decisões.

Normalmente, também contribui para desenvolver a autoconfiança, ajuda a controlar as emoções, reduz comportamentos impulsivos, reduz o estresse e aumenta a empatia.

Desenvolvimento cognitivo

Ao brincar, a criança treina as suas habilidades cognitivas: aprende a pensar, lembrar, prestar atenção e a solucionar problemas.

Além disso, as brincadeiras ajudam na imaginação, estimulam a criatividade, a concentração, persistência e resiliência.

Também contribui com o reconhecimento de formas, cores, medidas, contagem e reconhecimento de letras.

Outras habilidades

Brincar exige que a criança pense, use a linguagem, interaja, seja curiosa e explore o mundo ao redor. Com as atividades lúdicas, as crianças desenvolvem habilidades como:

  • compreensão das palavras;
  • aprendem a ouvir e falar;
  • desenham e rabiscam;
  • aumenta a autoconfiança;
  • aprendem a cuidar dos outros e do meio ambiente;
  • aprendem o significado de letras, palavras, símbolos, números e diferentes sinais.

Brincadeiras e brinquedos para quem está no espectro

As crianças e jovens com o Transtorno do Espectro do Autismo também devem brincar!

Além de todos os benefícios na aprendizagem, os brinquedos podem ajudar o autista a vencer a barreira sensorial.

Por isso, dependendo da experiência proposta na atividade, é possível que o autista melhore o seu comportamento, aprenda a lidar com alguma sensibilidade (visual, sonora ou que envolva cheiros e texturas).

Sempre que possível, opte por brincadeiras que estimulem a imaginação, como blocos de montar ou encaixar.

Os jogos também são uma opção: os eletrônicos, por exemplo, podem tocar músicas, repetir palavras, ajudar a reconhecer objetos, animais ou cores.

Já livros e quebra-cabeças possuem texturas e cores, que além de promover momentos de lazer, estimulam a criança.

No entanto, algumas crianças com autismo podem se sentir incomodadas com vários brinquedos ao mesmo tempo, algumas texturas e sons.

Por isso, é fundamental conhecer a criança com autismo, saber suas particularidades e restrições.

Geralmente, o melhor brinquedo ou atividade lúdica para a criança com autismo é aquela que a motiva a se engajar em algo. Quanto mais interativo e educativo for para a criança, melhor.

Referências:

https://www.parentingforbrain.com/benefits-play-learning-activities-early-childhood/

https://www.healthline.com/health/the-importance-of-play

https://raisingchildren.net.au/newborns/play-learning/play-ideas/why-play-is-important

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Entenda o Espectro da Esquizofrenia

Pessoas que estão no espectro da esquizofrenia possuem um transtorno que faz com que percam o contato com a realidade. Por isso, elas experimentam uma variedade de sintomas extremos que podem incluir:

  • Alucinações: como ver, ouvir, cheirar, provar ou sentir (por meio do toque) coisas que não existem;
  • Delírios: que são crenças falsas que não mudam mesmo quando a pessoa recebe evidências de que aquilo não é verdade. Isso pode se apresentar como paranóia extrema ou medos irracionais;
  • Desorganização do pensamento (Discurso): a desorganização do pensamento costuma ser inferida a partir do discurso do indivíduo. Portanto, este pode mudar de um tópico a outro. As respostas a perguntas podem ter uma relação oblíqua ou não ter relação alguma (tangencialidade). Raras vezes, o discurso pode estar tão gravemente desorganizado que é quase incompreensível, lembrando a afasia receptiva em sua desorganização linguística (incoerência ou “salada de palavras”).
  • Comportamento Motor Grosseiramente Desorganizado ou Anormal: pode se manifestar de várias formas, desde o comportamento “tolo e pueril” até a agitação imprevisível. Os problemas podem ser observados em qualquer forma de comportamento dirigido a um objetivo, levando a dificuldades na realização das atividades cotidianas.
  • Sintomas Negativos: Dois sintomas negativos são especialmente proeminentes na esquizofrenia: expressão emocional diminuída e avolia. Expressão emocional diminuída inclui reduções na expressão de emoções pelo rosto, no contato visual, na entonação da fala e nos movimentos das mãos, da cabeça e da face, os quais normalmente conferem ênfase emocional ao discurso. A avolia é uma redução em atividades motivadas, autoiniciadas e com uma finalidade. Portanto, a pessoa pode ficar sentada por períodos longos e mostrar pouco interesse em participar de atividades profissionais ou sociais.

 Além disso, os sintomas também podem incluir:

  • Perda de motivação;
  • Desinteresse ou falta de prazer na vida diária;
  • Retirada social e fala reduzida;
  • Dificuldade em mostrar emoções;
  • Dificuldade em planejar e manter as atividades;
  • Dificuldade em se concentrar ou prestar atenção.

Como é feito o diagnóstico?

Geralmente, o diagnóstico de esquizofrenia é feito após o primeiro episódio de psicose. De acordo com os critérios do DSM-5, uma pessoa deve ter persistentemente dois ou mais dos sintomas descritos no manual.

Antes que um diagnóstico possa ser feito, o médico psiquiatra deve conduzir um exame médico completo para descartar o uso indevido de substâncias ou outras doenças neurológicas ou médicas cujos sintomas imitem a esquizofrenia.

O transtorno pode ser bastante debilitante, pois as pessoas com esquizofrenia geralmente não conseguem distinguir entre a realidade e suas alucinações e delírios.

Isso pode resultar em má adesão ao tratamento, ou seja, não ingerem as medicações prescritas.

Quando costuma aparecer?

Estima-se que atinja cerca de 1% da população mundial. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), são mais de 20 milhões de pessoas atingidas por essa doença mental.

A esquizofrenia costuma aparecer pela primeira vez em homens no final da adolescência ou no início dos vinte anos. Já nas mulheres, é comum que apareçam perto dos vinte ou trinta  anos.

Assim, a esquizofrenia tem um forte componente genético e pode ocorrer com mais frequência quando há outros casos nas famílias.

Além disso, alguns fatores de risco aumentam as chances do surgimento da esquizofrenia. São eles:

  • Complicações durante a gravidez e o parto, como desnutrição ou exposição a toxinas ou vírus que afetam o desenvolvimento cerebral;
  • Consumo de drogas psicoativas ou psicotrópicas durante a adolescência e juventude que mexem com o funcionamento cerebral.

Tratamentos indicados

As causas da esquizofrenia são complexas e não são totalmente compreendidas. Portanto, os tratamentos atuais se concentram no controle dos sintomas e na solução de problemas relacionados ao funcionamento do dia a dia.

Geralmente, indicam-se medicamentos antipsicóticos para reduzir a intensidade e a frequência dos sintomas psicóticos.

Já a terapia cognitivo-comportamental, o treinamento de habilidades comportamentais ajudam a tratar os sintomas negativos e cognitivos da esquizofrenia.

Embora não haja cura para a esquizofrenia, as pesquisas estão levando a tratamentos inovadores e mais seguros.

Os especialistas também estão descobrindo as causas da doença estudando genética, conduzindo pesquisas comportamentais e usando imagens avançadas para observar a estrutura e a função do cérebro. Assim, essas abordagens prometem terapias novas e mais eficazes.

Condições associadas como autismo

Você sabia que inicialmente, o autismo era enquadrado como uma forma de esquizofrenia?

Isso levou a crença de que sua causa poderia estar ligada a alguma experiência negativa ou por consequência de má criação dos pais ou responsáveis.

Certamente, este conceito já foi refutado. No entanto, de acordo com pesquisas, a esquizofrenia é cerca de três vezes mais comum em indivíduos com autismo.

Leia também: Comorbidades comuns no autismo

Saiba mais: Tratamento medicamentoso para as comorbidades comuns no autismo

Referências:

https://www.nimh.nih.gov/health/topics/schizophrenia

https://www.nhs.uk/mental-health/conditions/schizophrenia/symptoms/

https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/schizophrenia

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Entenda como uma experiência sensorial pode impactar no comportamento do Autista

Sons, luzes, texturas, movimentos, toques, sabores, temperaturas…

Tudo aquilo que causa uma experiência sensorial pode impactar no comportamento do indivíduo que tem Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Em um mundo regido por estímulos visuais e auditivos – de diferentes tipos e intensidades – pode ser um tanto quanto difícil compreender o quão incômodo e até restritivo – do ponto de vista cognitivo, social e de comunicação – podem ser estas sensações para o autista – sobretudo, na infância, período de descobertas quanto às suas habilidades e, também, às possíveis fragilidades.

No início da década de 1970, um terapeuta ocupacional e neurocientista chamado A. Jean Ayres, descreveu esta condição de “sensibilidade” como uma “disfunção de integração sensorial”, em referência a essas dificuldades com atividades cotidianas.

O que para alguns é o toque da buzina de um carro, para o autista pode soar como um barulho alto, que lhe causa desconforto e perturbação.

Dificuldades sensoriais

As dificuldades sensoriais são reconhecidamente uma característica de TEA, incluída como critério diagnóstico desta condição. São consideradas um fator de impacto importante no comportamento do autista que, se não trabalhada, pode reduzir a perspectiva de desenvolvimento.

Um estudo publicado no ano de 2011 mostrou que comportamentos sensoriais limitam a participação no trabalho, família e lazer.

Embora os receptores dos sentidos estejam localizados no sistema nervoso periférico, acredita-se que o problema decorre da disfunção neurológica no sistema nervoso central – o cérebro. Por isso, acredita-se que uma das maneiras de trabalhar o autista é por meio da integração sensorial – que envolve atividades que acionam múltiplos sentidos ao mesmo tempo.

Segundo a Dra. A. Jean Ayres, a dinâmica centra-se principalmente em três sentidos básicos, conforme apresentado em reportagem publicada no Autism Research Institute:

  • Tátil – referente ao toque, e a percepção de texturas
  • Vestibular – estruturas dentro da orelha que detectam movimento e mudanças na posição da cabeça e do corpo.
  • Proprioceptivo – refere-se aos músculos, articulações e tendões que proporcionam a uma pessoa uma consciência sobre a posição do corpo.

Embora esses três sistemas sensoriais sejam menos familiares do que a visão e a audição, eles são fundamentais para nossa sobrevivência. Basicamente nos permitem experimentar, interpretar e responder a diferentes estímulos em nosso ambiente.

No autismo eles podem responder por reações como recusar a comer determinado alimento por conta de sua textura; dificuldade de executar ações de movimento como subir e descer escadas; e até mesmo de se sentar em uma cadeira ou usar uma colher para se alimentar.

Estas experiências sensoriais podem gerar excesso de estimulação no cérebro o que torna difícil para o autista organizar seu comportamento e se concentrar, ocasionando uma resposta emocional negativa à estas sensações (tátil; vestibular e proprioceptivo).

Avaliação

A avaliação e o tratamento dos processos integrais sensoriais devem ser realizados por Terapeutas Ocupacionais (TO), com apoio dos familiares do autista.

De acordo com o Autism Research Institute, os objetivos gerais do terapeuta são: (1) fornecer à criança informações sensoriais que ajudem a organizar o sistema nervoso central, (2) auxiliar a criança a inibir e/ou a modular a informação sensorial e (3) ajudar a criança no processamento da resposta aos estímulos sensoriais.

Afinal, como auxiliar a lidar com estímulos sensoriais?

No caso de sensibilidade visual – por exemplo, com luzes muito fortes, ou muitos objetos e imagens uma sugestão é modificar o ambiente, reduzir a iluminação, oferecer óculos escuros, entre outros meios e melhorar a experiência decorrente da observação do local.

Se o impacto é provocado por sons, é possível ajudar fornecendo protetores auriculares, fechando portas e janelas para reduzir barulhos externos.

No caso de cheiros, você pode ajudar evitando usar perfume e tornando o ambiente livre de fragrâncias que possam perturbar a pessoa.

Sobre o toque, avise a pessoa que você está prestes a tocá-la e procure sempre abordá-la de frente para que ela possa vê-lo. Em quem tem sensibilidade ao toque, um abraço pode ser doloroso em lugar de ser reconfortante. Modificar as texturas de alimentos, para atender aquela que é aceitável Ex. batata para purê de batata. Permitindo que a pessoa complete as próprias atividades (por exemplo, escovação e lavagem de cabelo) para que eles possam fazer o que é confortável.

Desafios

Um dos aspectos que tornam a fragilidade sensorial no autismo difícil de estudar, no entanto, é que os problemas sensoriais são variáveis. O que isso quer dizer? Uma criança com TEA pode gritar toda vez que vai ao supermercado, enquanto outra criança pode gostar de ir ao supermercado e empurrar o carrinho. Geralmente, estudos sobre autismo não aprofundam nessas peculiaridades dos problemas sensoriais.

Para Mary Temple Grandin, portadora do espectro e considerada referência mundial em autismo, sendo prova viva de que as características comuns do TEA podem ser controladas e modificadas, embora haja na literatura científica pesquisas que reconheçam e identifiquem a questão da deficiência sensorial no autismo, poucos aprofundam nas especificidades de cada caso, o que, segundo ela, poderia levar a tratamentos mais efetivos para aliviar a sensibilidade sensorial. “Seria mais fácil para um indivíduo com autismo participar de atividades normais se seus problemas fossem efetivamente tratados de acordo com suas necessidades específicas”, relatou ela no artigo “Treatments needed for severe sensory sensitivity”, publicado no site Spectrum News.

A experiência de Temple Grandin

Como forma de aliviar a ansiedade e a tensão, comuns a sua hipersensibilidade ao contato físico de outras pessoas (o que para ela era uma experiência sensorial desagradável), Temple desenvolveu em 1965 o que chamou de “máquina do abraço”, um dispositivo que visava simular a sensação física de um abraço, limitando o espaço e pressionando o corpo para gerar uma sensação de bem-estar e tranquilidade. Temple relata suas experimentações no livro “Uma menina muito estranha”

Para saber mais sobre Mary Temple Grandin acesse “Temple Grandin fala em entrevista exclusiva para a Revista Autismo” (Revista Autismo – Edição 3 – online em 21 de dezembro de 2012 – escrito por Carolina Rafols)

Leia também: Sinais do Autismo – Conheça 14 sinais que são comuns em crianças com autismo

Referência

Schaaf R.C. et al. The everyday routines of families of children with autism. Autism. 2011. Vol 15, Issue 3, pp. 373 – 389. Disponível em <http://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/1362361310386505?url_ver=Z39.88-2003&rfr_id=ori:rid:crossref.org&rfr_dat=cr_pub%3dpubmed#articleCitationDownloadContainer>

Hatch-Rasmussen C. Integração sensorial. Autism Research Institute. Disponível em <https://www.autism.com/symptoms_sensory_overview>

Deweerdt S. Talking sense: What sensory processing disorder says about autism. Spectrum News. 1 june 2016. Disponível em <https://spectrumnews.org/features/talking-sense-what-sensory-processing-disorder-says-about-autism/>

Sensory differences. The National Autistic Society. Disponível em <http://www.autism.org.uk/sensory>

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Causas do Autismo

Diversas pesquisas já foram realizadas para descobrir as causas que levam uma pessoa a ser autista. 

Até o momento sabe-se que o autismo ocorre devido a fatores genéticos, o que acontece na grande maioria dos casos, e a fatores ambientais.

Então, hoje sabemos que na verdade existe uma combinação de fatores genético e ambientais.

Cada criança autista é única, e hoje sabemos também que as causas que levam ao desenvolvimento do autismo também são únicas. 

Então, vamos destacar aqui um pouco sobre o que a ciência já descobriu que pode causar ou ser um fator de risco para o desenvolvimento do autismo.

Causas genéticas

Está comprovado cientificamente que as mutações genéticas desempenham um papel significativo no surgimento do autismo. Cientistas do mundo todo identificaram diversos genes que estão ligados ao Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Sabe-se que nesses casos, o autismo ocorre devido a alguma falha no processo de desenvolvimento cerebral, logo no início da formação do feto.

Pesquisas realizadas em todo o mundo têm analisado as variações que ocorrem nos genes para compreender de que forma elas influenciam no desenvolvimento do sistema nervoso central (SNC) e como podem se expressar em torno do autismo.

Pesquisas cientificas, inclusive pesquisas que eu realizei durante o meu doutorado mostraram que os neurônios dos autistas são mais curtos e possuem menos ramificações em relação às pessoas que não estão dentro do espectro.

Por isso, pessoas com autismo apresentam dificuldades de linguagem, comunicação e socialização. 

As alterações genéticas podem ser hereditárias, ou mutações novas que ocorreram durante a fecundação ou no embrião e não significa que foi passado pelos pais. 

Tudo que é hereditário é genético, mas nem tudo que é genético é hereditário.

Muitas pesquisas continuam sendo realizadas e a expectativa é de que, ao encontrar os genes ligados ao autismo, seja possível auxiliar no processo de diagnóstico precoce, assim como na escolha da melhor opção de condutas terapêuticas para cada autista. 

Hoje sabemos que os fatores genéticos estão envolvidos na grande maioria dos casos de autismo. 

Pesquisas recentes citam que mais de 90% dos casos de autismo são de causas genéticas. As pesquisas na área da genética vem sendo realizadas de forma mais rápida.

Até alguns anos atrás eram conhecidos cerca de 100 genes relacionados ao autismo, hoje esse número já passou de 1.000 genes.

Fatores ambientais

Alguns fatores ambientais vem sendo associados como fator de risco para o autismo. Alguns estudos já tem comprovação, outros ainda precisam de mais estudos.

Durante a gestação, alguns fatores podem ser os responsáveis pelo TEA.

Diversos estudos comprovam que o uso de ácido valpróico, que é utilizado para tratamento de epilepsia e transtorno bipolar aumenta o risco da criança nascer com autismo.

Tanto que no laboratório nós utilizamos o acido valpróico em modelos animais para induzir comportamentos autisticos. Então este é um fator ambiental que tem comprovação cientifica.

Outro fator que tem comprovação é a Idade paterna:  Estudos realizados observaram a relação entre o risco de autismo e a idade dos pais.

Descobriram que a incidência do autismo é maior entre filhos de mulheres adolescentes e de homens mais velhos.

Em comparação aos filhos de pais e mães jovens, as taxas de autismo entre crianças de pais com mais de 50 anos foram bem mais elevadas.  

Por isso, os pesquisadores acreditam que as mutações genéticas nos espermatozoides aumentam com a idade do homem, o que pode aumentar as chances do Transtorno. 

Outros fatores de risco

Outros fatores de risco que vem sendo associados mas que precisam de mais estudos e comprovações são exposição materna a toxinas e poluentes de ar, parto prematuro, baixo peso ao nascer, diabetes gestacional, uso de maconha durante a gestação, infecções graves durante a gestação, principalmente durante o primeiro trimestre.

Além disso, alguns estudos mostram que essas infecções podem aumentar o risco de desenvolvimento de autismo na criança.

Então, vale ressaltar que já tivemos excelentes avanços na ciência nas ultimas décadas, em relação ao conhecimento das causas do autismo, principalmente as genéticas, mas muitos estudos ainda estão em andamento e são necessários para alcançarmos mais respostas e entendimento acerca das causas do autismo.

Leia também: Autismo não é doença

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O que são as habilidades pré-acadêmicas e como desenvolvê-las

Você já ouviu falar sobre as habilidades pré-acadêmicas? Trata-se de habilidades que antecedem o aprendizado e contribuem com o desempenho acadêmico nos primeiros anos escolares.

Geralmente, essas habilidades são divididas entre a leitura e escrita e também estão relacionadas à matemática.

Vale destacar que o período pré-escolar, de 3 a 5 anos, é fundamental para o desenvolvimento infantil.

Nesta fase, as crianças adquirem importantes habilidades sociais e apresentam melhora em diferentes habilidades cognitivas e comportamentais.

A seguir, você confere detalhes das habilidades pré-acadêmicas e como desenvolvê-las.

Consciência fonológica

É a capacidade de reconhecer e manipular os sons da fala. A criança consegue reconhecer palavras que rimam, que iniciam com o mesmo som, distinguem sons, segmenta o som em partes menores.

Desenvolver essa habilidade é fundamental para o aprendizado da leitura e da escrita em crianças.

Geralmente, as crianças que apresentam dificuldades em compreender os fonemas podem ter problemas em aprender a ler e a escrever.

Há diversas formas de desenvolver a consciência fonológica. Entre elas, podemos citar:

  • Bater palmas ao soletrar palavras — uma palma para cada sílaba.
  • Falar lentamente os sons das palavras e estimular as crianças a tentar adivinhar o que virá depois.
  • Substituir sons para formar palavras e mostrar que elas podem ter outro significado.
  • Contar histórias com rimas, ouvir músicas e brincar com jogos de palavras.
  • Incentivar jogos, aplicativos e softwares que ajudam a desenvolver as habilidades de leitura.

Noção de tempo

A noção de tempo para a criança varia de acordo com a idade. Até um ano, o bebê não faz distinção entre dia e noite e age por instinto.

Entre um e dois anos, começa a compreender que seu dia segue certa rotina, como comer, dormir, passear e já consegue diferenciar os finais de semana dos demais dias. É importante que a criança entenda como funciona o tempo, distinguir os horários, como funciona a sua rotina para se desenvolver.

Os pais, professores e familiares podem contribuir com o treino de noção de tempo das crianças. O primeiro passo é estabelecer uma rotina e explicar a razão pela qual ela está fazendo determinada ação. Por exemplo, explicar quais são os horários para acordar, brincar e se alimentar.

Manter um relógio e um calendário por perto é uma estratégia para que a criança entenda como funciona a passagem do tempo. E também uma forma de entender o que significa segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses e anos.

Coordenar habilidade manuais

A habilidade manual é definida como a capacidade de realizar movimentos hábeis e dirigidos de braço-mão na manipulação de objetos.

As crianças podem treinar as habilidades manuais com brincadeiras que estimulem a sua coordenação motora desde pequenos.

Por isso, vale a pena investir em brincadeiras de recortar revistas com tesoura sem ponta, deixar que pintem e desenhem livremente, brincadeiras de massinhas e também de montar blocos.

Identificar números

A criança também precisa compreender como funcionam as representações numéricas e que os números são ordenados em sequência.

Também é importante ter a capacidade de contar adequadamente, obedecendo os princípios de contagem.

Para contribuir com o aprendizado, há diversas brincadeiras que podem ajudar a criança a entender os números:

  • Jogos de tabuleiro;
  • Jogos de memória;
  • Massinha de modelar;
  • Brincadeiras de encaixe.

Habilidades auditivas e memória fonológica

Trata-se da capacidade de lembrar de informações auditivas faladas em um curto período de tempo.

A melhor forma de treinar a habilidade auditiva da criança é brincando. Invista em audiolivros, músicas, leitura em voz alta. Peça para que ela repita o que foi falado ou lido.

Leia também: Inclusão escolar: um direito assegurado por lei

Saiba mais: Alfabetização e autismo: quais são os desafios?

Referências:

https://lincs.ed.gov/publications/pdf/NELPReport09.pdf

https://portal.ct.gov/-/media/SDE/ESSA-Evidence-Guides/Early_Skills_and_Predictors_of_Academic_Success

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