Educação no autismo: o aprendizado como ferramenta

Desenvolver a pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) por meio do aprendizado é um dos recursos importantes para estimular habilidades sociais e cognitivas.

Crianças com o espectro do autismo não experimentam o mundo da mesma forma que os demais. No processo educacional não é diferente.

Quanto mais precocemente eles são introduzidos neste universo do conhecimento, melhor será seu desempenho. Ensinar permite-lhes viver uma vida mais independente e sociável à medida que se tornam adultos. Para isso, é preciso expandir os muros da residência familiar e ingressar em escolas.

Crianças aprendem melhor quando são expostas a vários estilos de aprendizagem e métodos de ensino. Estudos têm demonstrado que identificar estes meios como o autista compreende melhor, aperfeiçoam o seu desempenho em todas as áreas e podem os tornar profissionais preparados inclusive para o mercado de trabalho.

Entre os tipos de aprendizagem – segundo o Centro Nacional de Informações e Recursos sobre o Autismo dos Estados Unidos podemos citar:

Recurso Visual no aprendizado

O visual que consiste no uso da visão. Crianças neste caso se conectam com livros, vídeos, gráficos, cores e outras imagens.  Quando adultas costumam procurar como opções de carreiras aquelas ligadas às artes, arquitetura, entre outras.

Recurso Auditivo no aprendizado

Neste caso a compreensão é facilitada por meio de recursos que utilizam da fala, de sons de música. Elas não necessitam muitas vezes do recurso visual, por isso, costumam parecer alheias na sala de aula, sem contato com os olhos, mas estão totalmente atentas às falas. Vão muito bem em atividades de interpretação de personagens, por exemplos. Como profissões, podem se encaixar bem como juízes, advogados, músicos entre outros.

Tátil ou sinestésico

Neste caso, ver e tocar é sinônimo de aprender. Exemplos dessas estratégias incluem jogos eletrônicos. Para um aprendiz cinético tátil, ver e tocar é aprender. Este tipo de pessoa pode se escultor, mecânico e, até mesmo, brilhantes cirurgiões.

Às vezes, é mais difícil avaliar o verdadeiro estilo de aprendizagem de uma criança. Neste caso, é melhor apresentar todas as áreas de métodos de aprendizagem dentro de um plano de aula.

É importante que uma criança seja observada na sala de aula e nos demais ambientes de ensino para descobrir como ela recebe melhor as informações. Estudos apontam que ao compreender isso, os comportamentos negativos podem ser evitados na sala de aula.

A determinação de uma abordagem educacional apropriada para os alunos com autismo deve ser baseada numa avaliação de especialistas, pais e responsáveis. Afinal, sua maneira de ver o mundo difere das demais crianças. E isso não deve ser um fator limitante para seu desenvolvimento.

No Brasil, embora haja instituições capacitadas, ainda é deficitária a oferta qualificada de ensino para crianças com autismo.

Algumas estratégias podem ser aplicadas. Se o seu filho é ansioso, procure levá-lo antes do início das aulas à escola, para que ele se familiarize com o ambiente aos poucos.

Conversar com professores e orientadores e compartilhar recursos que você utiliza com seu filho para facilitar a assimilação de palavras e imagens podem ajudar.

Referências:
Centro Nacional de Informações e Recursos sobre o Autismo dos Estados Unidos

 

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Moradias assistidas e autismo

As moradias assistidas ou residências inclusivas são espaços que servem de residências para algumas pessoas. 

Não são clínicas nem locais de tratamento, são residências adaptadas às necessidades individuais de pessoas com deficiências, com problemas de saúde, dependência química e também para autistas. Elas surgiram como uma alternativa mais humanizada ao modelo de internação em grandes instituições ou hospitais.

Frequentemente ouvimos os pais de autistas preocupados com o futuro dos filhos com o Transtorno do Espectro do Autismo. Sabemos que mesmo com todos os esforços e terapias realizados na infância para desenvolver habilidades que possibilitem ter independência e autonomia nas demais etapas da vida, alguns autistas precisam de apoio na fase adulta e infelizmente os pais não serão eternos.

Pessoas com autismo com grau moderado ou severo precisam de suporte para as tarefas do dia a dia como limpar uma casa, cozinhar ou realizar a higiene pessoal. Mas quando não possuem algum familiar que possa acolher e cuidar é necessário pensar em alternativas como a moradia assistida.

Elas podem ser uma opção para que os autistas tenham dignidade e qualidade de vida.  Esses locais contam com equipe multidisciplinar capacitada e disponível para prestar um atendimento personalizado e qualificado.

Há casos também de pessoas com autismo leve que desejam ser mais independentes e morar sozinhos. Mas ainda necessitam de ajuda parcial nas atividades domésticas e também acompanhamento psicológico e terapêutico.

Existem algumas moradias assistidas no Brasil, mas ainda não são suficientes para atender a demanda. Muitas delas foram criadas por pais de crianças com algum tipo de deficiência.

Reforçando que o direito à moradia e residência protegida é previsto em Lei (Art. 3º, Inciso IV – Lei 12.764/2012). E há vários modelos de moradia assistida que variam de acordo com o grau de dependência do autismo ou outra deficiência.

Elas podem ser casas individuais, que são locais em que a pessoa recebe ajuda para determinadas ações com profissionais que visitam semanalmente e trabalham em pontos específicos; apartamentos individuais assistidos por profissionais e familiares; casas compartilhadas, em que jovens moram juntos e recebem apoio de terapeutas e cuidadores.

Há unidades individuais ou que contam com até uma dezena de moradores, agrupados por faixa etária, tipo e grau de limitação ou ainda sem critérios específicos. Algumas possuem equipes permanentes de assistência e outras apenas garantem serviços básicos e que contam com monitores que as visitam periodicamente.

Ao escolher a moradia assistida, é preciso observar alguns pontos. O adulto ou jovem autista consegue realizar suas atividades de forma independente? É capaz de preparar a própria comida e cuidar da higiene?

Há moradias assistidas públicas e privadas disponíveis no Brasil. É importante que os pais e cuidadores visitem o local para checar se é seguro, se oferece atividades voltadas para o convívio social, saúde física e mental.

É fundamental que o autista more em um local que o ajude com suas limitações, problemas de comunicação e linguagem, dificuldades motoras e cognitivas.

As moradias assistidas devem ser bem localizadas, em um bairro residencial e de fácil acesso aos serviços necessários para o bem-estar dos autistas.

A equipe de cuidadores precisa estimular a pessoa com o TEA a ser independente para realizar suas tarefas do dia a dia.

É preciso ter em mente que o propósito das moradias assistidas é construir a ideia e o sentimento de lar, evitando o processo de institucionalização, ou seja, o autista precisa se sentir acolhido.

É fundamental que o morador veja como um local onde conseguirá exercer sua cidadania e sua independência como a sua própria casa. O propósito é oferecer uma moradia digna e humana.

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Problemas gastrointestinais são comuns em pessoas com TEA

Você sabia que os problemas gastrointestinais são frequentes em  pessoas com autismo?

Sabe-se que os distúrbios gastrointestinais estão entre as condições médicas mais comuns associadas ao autismo. É comum que apareçam constipações (prisões de ventre), diarreias e refluxos gastrointestinais, entre outras condições.

Esses problemas intestinais podem afetar pessoas com autismo de qualquer idade. Há diversas pesquisas relacionadas ao tema, mas as razões para isso acontecer ainda não estão totalmente claras. Estima-se que  as crianças com autismo têm mais de 3,5 vezes chances de sofrer com esses problemas do que as neurotípicas.

O que se sabe também é que quem tem TEA possui um desequilíbrio nas bactérias do intestino. Alguns estudos mostram que a microbiota intestinal de um autista é diferente, há uma alteração do equilíbrio da microbiota caracterizada pela perda de massa bacteriana benéfica.

Pesquisadores também revelaram que a atividade gastrointestinal de algumas crianças com autismo difere das outras porque suas células intestinais mostram anormalidades na forma como decompõem e transportam os carboidratos.

Além disso, seus intestinos abrigam grandes quantidades de algumas bactérias digestivas. Lembrando que as bactérias desempenham um papel importante na digestão e os níveis anormais podem causar problemas digestivos e inflamação intestinal.

Quais são os problemas mais comuns?

Constipação: conhecida também como prisão de ventre, ocorre quando a pessoa fica longos períodos sem evacuar. Por isso, causa grande desconforto e é uma condição séria. Em alguns casos, pode durar duas semanas ou mais.

As causas da constipação podem incluir uma dieta restrita que fornece poucas fibras insuficientes, o uso de medicamentos e problemas sensoriais ou comportamentais que interferem no uso do banheiro. Além disso, alguns autistas podem apresentar um trato intestinal mais lento, o que dificulta a evacuação regular. O tratamento pode incluir medicamentos e intervenções  comportamentais.

Diarreias: ocorre um aumento do número de evacuações que podem também perder sua consistência e se tornar mais aguadas. As causas podem variar – infecções, doenças inflamatórias intestinais, alergias alimentares, entre outras. E o tratamento muda conforme a causa, mas geralmente resolve-se com medicação.

Refluxo gastroesofágico: esse problema acontece quando há o retorno involuntário e repetitivo do conteúdo do estômago para o esôfago. Geralmente, causa desconforto e sensação de azia. O tratamento costuma ser o uso de medicamentos que diminuem a produção de ácido pelo estômago e favorecem o esvaziamento gástrico.

O que  pode ser feito para lidar com os problemas gastrointestinais

Além da dor e desconforto, esses problemas intestinais podem causar alterações no comportamento dos autistas. Por isso, é muito importante que os pais busquem ajuda profissional.

Alguns autistas não verbais podem ter dificuldade para demonstrar o que estão sentindo. E isso pode dificultar o diagnóstico. É importante ficar atento se a criança sente dor abdominal ou mudou de comportamento.

Cada caso deve ser avaliado individualmente para chegar a um tratamento adequado. Na maioria das vezes, as medicações podem aliviar os sintomas. A recomendação é buscar um acompanhamento médico e nutricional para mudar a dieta se necessário. E o uso de prebióticos e probióticos também tem sido recomendado para diminuir o mal-estar causado por esses problemas gastrointestinais.

Mas, fazer mudanças na dieta pode ser difícil quando uma criança autista tem problemas gastrointestinais e seletividade alimentar, por exemplo. Os nutricionistas e os médicos responsáveis devem indicar uma dieta que forneça a ingestão adequada de todos os nutrientes. O planejamento e a preparação de refeições nutritivas devem envolver toda a família.

Referências

https://www.autismspeaks.ca/about-autism/treatment/treatments-for-associated-medical-conditions/gi-disorders/

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5683266/

https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fpsyt.2019.00194/full

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Síndromes relacionadas ao autismo

O autismo é uma condição de saúde de origem multifatorial, ou seja, é resultado de fatores genéticos, hereditários ou não e fatores ambientais.

Mas uma porcentagem, cerca de 20% dos casos, é conhecida como “autismo sindrômico” e ocorre quando há uma relação entre o autismo e síndromes genéticas.

Ocorre devido a doenças monogênicas, ou seja, causada por causa de mutações que ocorrem no DNA de um único gene, as mais comuns são, a síndrome do X frágil e a esclerose tuberosa.

Além disso, há outras doenças monogênicas que possuem uma frequência alta de sintomas de TEA, porém são menos prevalentes na população geral. Nessa lista incluem Síndrome de Angelman, Síndrome de Rett,  Síndrome do CDKL5, Síndrome de Phelan McDermid e Síndrome de Timothy, entre outras condições menos comuns.

Por isso, sabe-se que o autismo tende a ocorrer com maior frequência em pessoas que têm uma dessas condições genéticas como as citadas anteriormente. Dessa forma, compreender o componente genético de cada caso pode trazer informações sobre prognóstico, conduta médica personalizada e aconselhamento genético para os familiares que pretendem ter mais filhos.

Vamos descrever um pouquinho algumas síndromes relacionadas ao TEA:

Síndrome do X Frágil

É causada por mutações no gene FMR1. É uma condição genética e hereditária que faz com que as crianças apresentem atrasos no desenvolvimento da fala e da linguagem. A maioria tem deficiência intelectual que varia de leve a moderada. Alguns apresentam ansiedade em excesso e comportamento hiperativo. Estima-se que um terço dos indivíduos com Síndrome do X Frágil também tenham características do Transtorno do Espectro do Autismo.

Esclerose tuberosa

É uma doença hereditária rara que ocorre devido a mutações nos genes TSC1 e TSC2 . A pessoa com esclerose tuberosa apresenta epilepsia, deficiência intelectual, e anormalidades na pele, que são os adenomas sebáceos. O autismo é muito comum em pacientes com esclerose tuberosa. Aproximadamente 60% de pacientes com esclerose tuberosa são autistas.

Síndrome de Angelman

É uma síndrome genética causada por alterações  no gene chamado UBE3A. Essa síndrome afeta principalmente o sistema nervoso. Por isso, as pessoas com essa Síndrome possuem atrasos no desenvolvimento, deficiência intelectual, comprometimento da fala e linguagem e problemas com movimento e equilíbrio. Alguns podem ter crises recorrentes de epilepsia. Além desses sintomas, os pacientes também  podem apresentar hiperatividade, esteriotipias e impulsividade, fenótipos relacionados ao TEA.

Síndrome de Rett

É uma síndrome que afeta desenvolvimento neurológico, considerada relativamente rara e afeta mais as meninas.  A prevalência  é de aproximadamente uma a cada 10 mil pessoas do sexo feminino e ocorre devido a mutações no gene MECP2, localizado no cromossomo X. Os pacientes apresentam  hipotonia, Perda das habilidades motoras finas, alterações nos processos de comunicação e socialização, movimentos estereotipados das mãos, podem apresentar distúrbio do sono entre outros quadros clínicos. A Síndrome de Rett foi excluída do espectro autista do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais [DSM] da Associação Americana de Psiquiatria em 2013 por considerar uma Síndrome única e distinta do autismo.

CDKL5

É uma síndrome bastante rara, causada por mutação no gene CDKL5. Antes ela era incluída como uma forma atípica da síndrome de RTT. Os pacientes afetados por CDKL5 apresentam características clínicas relacionadas a síndrome de Rett, incluindo comprometimento motor, deficiência intelectual, déficits visuais, epilepsia e autismo. Mas, devido às crises convulsivas não encontradas em paciente com mutação no gene Mecp2, a CDKL5 foi considerada uma síndrome distinta, e não mais uma variante da síndrome de Rett.

Phelan McDermid

Pacientes com a síndrome de Phelan McDermid apresentam mutação do tipo deleção no gene SHANK3. É um transtorno do neurodesenvolvimento e os indivíduos afetados manifestam características do autismo (em torno de 80%), deficiência intelectual, fala atrasada ou ausente e hipotonia. Estudos mostraram que quanto maior a deleção no gene SHANK3, mais aparentes são as características dismórficas e os prejuízos relacionados ao autismo.

Síndrome de Timothy

É uma síndrome rara causada por mutações no gene Cav1.2. Os indivíduos apresentam características de autismo, diferentes problemas cardíacos, sindactilia (que é a união entre dois ou mais dedos das mãos ou dos pés), características faciais dismórficas, imunodeficiência e disfunção neurológica. A síndrome de Timothy compartilha algumas das características do autismo, como déficits em habilidades de comunicação e socialização e no desenvolvimento de linguagem e fala. Deficiência intelectual e convulsões, outras características comuns em pessoas com autismo.

Essas são as principais síndromes relacionadas ao autismo, mas o autismo é mais frequente em outras síndromes também como por exemplo pacientes com Síndrome de Down tem maiores chances de apresentar autismo. É importante salientar que o acompanhamento médico é a única maneira de indicar a existência dessa relação de patologias associadas. Os pais e cuidadores devem ficar atentos aos sinais e buscar ajuda especializada para ter o tratamento adequado e realizar intervenções terapêuticas para diminuir os sintomas e melhorar a qualidade de vida dessas pessoas.

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Fonoaudiologia e autismo: reduzindo dificuldades de linguagem e comunicação no TEA

Você sabe qual o papel do fonoaudiólogo no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)? Vamos compreender.

Uma das características do TEA é o comprometimento da linguagem (oral e escrita) e comunicação (verbal e não verbal), sendo estes considerados os sinais que frequentemente são os primeiros indícios de espectro do autismo.

E, é por meio da intervenção de um fonoaudiólogo no desenvolvimento da criança com autismo que é possível reduzir impactos do TEA na audição e fala e ampliar a independência cognitiva e funcional do autista, o que contribui para facilitar a interação social.

A partir do diagnóstico de TEA é indicado que um fonoaudiólogo seja consultado assim que o atraso ou dificuldade de comunicação for percebido.

Uma vez que o déficit de audição e linguagem no autista foi determinado, será possível iniciar ações para desenvolver as habilidades necessárias no campo da comunicação.

Um fonoaudiólogo ajudará a criança a entender e usar as palavras. Ela poderá aprender a perguntar e responder questões; pedir ajuda; começar ou encerrar uma conversa.

Este profissional também poderá trabalhar na leitura e escrita, possibilitando que o indivíduo com TEA leia livros, conte histórias, escreva letras, palavras e frases.

Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA)

Outra possibilidade que pode ser conduzida pelo fonoaudiólogos e trazer benefícios, sobretudo para indivíduos com TEA considerados não verbais e com habilidades de comunicação verbal comprometida, é a chamada “Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA)” que é uma ferramenta que inclui todas as formas de interlocução que podem ser usadas para expressar pensamentos, necessidades, desejos e ideias – tais como expressões ou gestos faciais, uso de imagens para ilustrar algo que se objetive expressar, entre outros.

A CAA pode oferecer um meio de comunicação efetivo para indivíduos com transtorno do espectro do autismo, muitos dos quais não conseguem usar o discurso convencional de forma eficaz. Entre as modalidades que podem substituir ou ampliar o discurso de uma pessoa com TEA por meio da CAA, estão: uso de sinais emitidos por meio de sistemas que incluem símbolos gráficos exibidos em placas de comunicação ou em livros, ou dispositivos que dependem de tecnologia, como geradores de fala, incluindo tecnologias móveis (computador, tablets ou outros dispositivos eletrônicos).

Quem é o fonoaudiólogo?

Conforme a definição do Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa) este é o profissional “responsável pela promoção da saúde, prevenção, avaliação e diagnóstico, orientação, terapia (habilitação e reabilitação) e aperfeiçoamento dos aspectos fonoaudiológicos da função auditiva periférica e central, da função vestibular, da linguagem oral e escrita, da voz, da fluência, da articulação da fala e dos sistemas miofuncional, orofacial, cervical e de deglutição”.

Por ser o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) um distúrbio do neurodesenvolvimento que afeta as pessoas de diferentes formas na área da sociabilização, comunicação e comportamento, o fonoaudiólogo deve preferencialmente atuar em conjunto com uma equipe multidisciplinar que reúna especialistas como pediatras, neurologistas, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas, entre outros.

Leia também em Neuroconecta – na seção “Artigos” :

Conheça as opções terapêuticas para o TEA
O papel do terapeuta ocupacional no TEA

Referências

CFFa. O que é a Fonoaudiologia. Conselho Federal de Fonoaudiologia. Disponível em <http://www.fonoaudiologia.org.br/cffa/>

Ganz JB. AAC Interventions for individuals with autism spectrum disorders: state of the science and future research directions. Augment Altern Commun. 2015;31(3):203–214. Disponível em <http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.3109/07434618.2015.1047532?journalCode=iaac20>. Acessado em 5 de setembro de 2017.

Iacono T, Trembath D, Erickson S. The role of augmentative and alternative communication for children with autism: current status and future trends. Neuropsychiatric Disease and Treatment. 2016;12:2349-2361. doi:10.2147/NDT.S95967. Disponível em <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5036660/#b1-ndt-12-2349> Acessado em 5 de setembro de 2017.

Lau, Carol A. Pathways: Audiology Must Take its Rightful Place on the Autism Team. Hearing Journal: February 2012 – Volume 65 – Issue 2 – pp 18,20

doi: 10.1097/01.HJ.0000411237.82369.02. Disponível em <http://journals.lww.com/thehearingjournal/Fulltext/2012/02000/Pathways__Audiology_Must_Take_its_Rightful_Place.9.aspx> Acessado em 5 de setembro de 2017.

What do SLPs do when working with individuals with autism? American Speech-Language Hearing Association. Disponível em <http://www.asha.org/public/speech/disorders/Autism/> Acessado em 5 de setembro de 2017.

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Transtorno do Processamento Auditivo Central: saiba como ele afeta a aprendizagem

O Transtorno do Processamento Auditivo Central também é conhecido também como Distúrbio do Processamento Auditivo Central (DPAC) e é caracterizado por afetar as vias centrais da audição. Por isso, há uma disfunção  nas áreas do cérebro relacionadas às habilidades auditivas, responsáveis por um conjunto de processos que vão da detecção à interpretação das informações sonoras.

A principal consequência desse transtorno está na dificuldade de processamento das informações captadas pelas vias auditivas. E dessa forma a pessoa consegue ouvir, mas terá dificuldades em interpretar a mensagem recebida. Por conta disso, a criança com esse Transtorno apresenta muitas dificuldades de aprendizagem na escola.

Vale destacar que, na maioria das vezes, o sistema auditivo periférico, que é composto por tímpano, ossículos, cóclea e nervo auditivo, encontra-se totalmente preservado.  O problema auditivo pode afetar pessoas de todas as idades, mas é mais comum em crianças. Estima-se que entre 2 a 7% do público infantil em idade escolar pode ter esse transtorno.

As causas para o Transtorno do Processamento Auditivo Central ainda não estão totalmente esclarecidas. Sabe-se que tem a ver com  a hereditariedade e, em alguns casos, devido a uma lesão cerebral ou infecções crônicas no ouvido.

Também pode ser causado por um nascimento traumático, onde há falta de oxigênio no cérebro, icterícia grave  e hemorragias cerebrais. Há casos de adultos que sofrem com o transtorno depois de uma esclerose múltipla.

Quais são os sintomas desse Transtorno?

Entre os sintomas, é comum que a pessoa apresente dificuldade de memorização em atividades diárias, não consegue ler e escrever, sente fadiga nas aulas e demora a compreender o que foi falado.

Há também falta de atenção ou distração em excesso. Muitas vezes, há necessidade de que a pessoa repita as frases, agitação e dificuldade para executar tarefas solicitadas. Veja, a seguir, outros sintomas:

  • dificuldade em localizar o som;
  • respostas inconsistentes ou inadequadas;
  • dificuldade em aprender músicas;
  • problemas associados de leitura, ortografia e aprendizado
  • dificuldade em aprender um novo idioma;
  • incapacidade de distinguir sons semelhantes uns aos outros.

Como é feito o diagnóstico e tratamento

Geralmente, o diagnóstico ocorre após a criança apresentar problemas de aprendizagem na escola.  É comum que seja  diagnosticado equivocadamente como dislexia ou transtorno do déficit de atenção. 

É importante ter a avaliação de uma equipe multidisciplinar formada por fonoaudiólogo, otorrinolaringologista, neurologista, psicólogo e pedagogo para descartar outras condições parecidas.

Os especialistas podem optar por realizar um exame que monitora a audição da pessoa enquanto ela escuta as palavras e frases. Geralmente,  o ruído de fundo aumenta e as falas ficam mais rápidas. Também podem ser realizados testes cognitivos e de linguagem.

Por ser um transtorno, não há cura. Mas é possível realizar intervenções que ajudam a melhorar a capacidade de se comunicar e aprender.

O tratamento costuma ser bastante individual  e envolve treinamento auditivo, intervenções na escola, em casa e com todos os membros da família.

A terapia auditiva pode ser indicada e inclui algumas atividades ou tarefas que visam  treinar o cérebro para analisar melhor o som. Por isso, essas pessoas treinam a diferenciar os sons e a memória auditiva.

E como lidar com esse transtorno na escola?

Os pais devem comunicar a escola e professores assim que receberem um diagnóstico de Transtorno do Processamento Auditivo Central. Algumas mudanças podem tornar o ambiente escolar adequado e facilitar o aprendizado.

É recomendado que a criança fique localizada nas cadeiras da frente para não se distrair e ficar mais distante dos ruídos. Isso pode ajudar ouvir com mais clareza. Os professores devem ficar atentos se a criança entendeu uma explicação. É importante também usar instruções escritas e verbais para as tarefas escolares.

Referências

https://www.asha.org/PRPSpecificTopic.aspx?folderid=8589943561&section=Signs_and_Symptoms

https://www.webmd.com/brain/auditory-processing-disorder#2https://www.nhs.uk/conditions/auditory-processing-disorder/

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Desfralde em crianças com autismo, conheça o processo

O processo de desfralde e uso do banheiro pode ser bastante complicado. As crianças com autismo costumam levar mais tempo para deixar as fraldas.

Essa situação ocorre por diversas razões. Principalmente porque as crianças com autismo podem ter um atraso de desenvolvimento e levar mais tempo para aprender uma nova habilidade.

Outra questão importante é que os autistas sentem dificuldade para mudar a rotina. Logo ficam ansiosos em ter que deixar a fralda e usar o vaso sanitário.

Além disso, há a questão da comunicação. Os autistas podem não entender os adultos perguntando se elas querem ir ao banheiro. E também não conseguem sinalizar a vontade de realizar suas necessidades fisiológicas. Há aqueles que não conseguem ter controle do esfíncter, que o músculo que ajuda a segurar a urina ou as fezes. 

Entenda o que é autismo

Quais estratégias podem ajudar no desfralde

Há algumas estratégias que podem facilitar esse processo. Claro, que para ter sucesso, é importante muita dedicação e paciência. Vamos detalhar algumas estratégias aqui:

O primeiro passo é observar as mudanças de comportamento do autista quando está com vontade de ir ao banheiro. Ele ou Ela faz alguma expressão diferente? Reage de alguma forma? Nesse momento, os pais ou cuidadores podem começar a agir e explicar a necessidade de usar o banheiro antes que ele faça em outro cômodo ou no chão, por exemplo.

É preciso perceber qual é a dificuldade da criança com autismo. Será que ele não entende que precisa usar o vaso sanitário? Ou será que o fato de ser gelado o incomoda? Ele pode perceber que o banheiro é um local diferente dos outros cômodos e não gostar dali.

Se você perceber que o problema é o banheiro é possível fazer algumas mudanças. O banheiro precisa ser um local agradável para ele. Os pais podem colocar uma música ambiente ou colar desenhos animados ou personagens na parede. E também deixar por lá alguns brinquedos.

Os autistas gostam de rotina e se sentem seguro com isso. Uma dica importante é estabelecer horários para a criança ir ao banheiro como se fosse um ritual. Deixá-la algum tempo nesse local pode ser útil nessa fase de desfralde.

Usar uma linguagem simples e direta ajuda o autista a compreender melhor o que está acontecendo. Assim, ele sabe o que tem que fazer.

Outra questão importante: nunca seja agressivo, violento ou mude o tom de voz com a criança. Ela precisa aprender e ser incentivada. Ter medo pode comprometer o aprendizado.

As roupas também são muito importantes, principalmente para crianças pequenas. É interessante usar roupas fáceis de tirar, que não sejam tão elaboradas com nós ou botões.

Se possível, use um adaptador de vaso sanitário e algo para apoiar os pés quando estiver sentada. Tudo isso para dar mais conforto e facilitar.

É preciso entender que o processo de desfralde não vai ocorrer do dia para noite. Leva tempo e por isso as crianças autistas podem ter escapes de urina ou defecar em horários e locais inapropriados. Nesse momento, evite dar broncas para não reforçar um comportamento inadequado. Converse com ele e explique o que aconteceu e o que você espera dele na próxima vez.

Um dica legal É manter um diário de comportamento. Anote sempre o que aconteceu, se há algum padrão de comportamento, quais horários costumam acontecer. Assim, é possível perceber o que pode estar motivando-o a fazer suas necessidades fora do lugar correto e poder agir.

Uma dica para crianças que sentem dificuldade para se comunicar, os pais podem incentivar o filho a se expressar de outra forma toda vez que desejar usar o vaso sanitário. Aí vale usar algum suporte visual como imagens do banheiro para que ele aponte toda vez que sentir vontade.

E claro Sempre que ele ou ela conseguir usar o banheiro, é preciso comemorar essa conquista. Por isso, recompense com atividades que ele gosta de fazer, sempre com reforço positivo, porque ele vai entender que aquele comportamento é legal. Entao o reforço positivo é sempre muito importante.

Espero que tenham dessas dicas. Compartilhem com outras pessoas que estão passando por esta fase e pelo processo de desfralde dos seu filhos.

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Coordenação motora no autismo: como desenvolver habilidades

Correr, jogar bola, escovar os dentes ou mesmo aprender a falar, caminhar e escrever. Consideradas habilidades motoras, estas atividades podem representar um universo desafiador para o indivíduo que tem Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Acredita-se que a causa provável da manifestação de distúrbio motor tem origem nas conexões anormais entre os neurônios – condição comum no TEA. Para se ter uma ideia, estima-se que aproximadamente 80% das crianças com autismo apresentem dificuldade neste campo.

Desde 1960 estudos demonstraram que as habilidades motoras ajudam as crianças a aprender comportamentos sociais e de comunicação básicos. São fatores que estão interligados. Estas chamadas “habilidades motoras” podem incluir  movimentos finos, responsáveis por atividades como escrita e desenho; e grandes movimentos, também conhecidos como habilidades motoras grossas, tais como andar, pular. Se não desenvolvidas, podem interferir no comportamento social e de comunicação do autista – inclusive impactando na capacidade de fala e de compreensão das palavras.

Uma vez que a infância é um momento muito importante e sensível no desenvolvimento e na formação de muitos padrões motores finos e grossos, as primeiras intervenções devem ser iniciadas neste período.

Promover brincadeiras simples, como desenhar com tinta guache, mexer com massinhas de modelar, encaixar objetos em plataformas, podem inspirar a criança a desenvolver habilidades motoras finas.

Já as grossas podem ser estimuladas por meio de ações como marchar, saltar em um trampolim, jogar bola, dançar, andar de triciclos e bicicletas. Um estudo avaliou o efeito do exercício físico sobre as habilidades motoras em crianças autistas. Além de fortalecer músculos e melhorar a coordenação, também oferecem oportunidades de aprendizado que podem impactar na capacidade de linguagem.

Motive o seu filho a praticar equilíbrio em atividades como caminhar sobre uma linha de fita. Em sua casa, faça um caminho de obstáculos usando cadeiras, travesseiros, cordas e caixas.

Uma vez que a criança experimenta sucesso, ele ou ela poderá se sentir motivada para tentar outras práticas. A chave é se divertir. Então, lembre-se que: quando ajudar as crianças com autismo a desenvolver habilidades motoras – um bom termômetro é você considerar a atividade agradável – sobretudo do ponto de vista sensorial. Se você gostar as chances de elas também são maiores.

Tenha em mente que as crianças com TEA também podem ser excessivamente sensíveis a algumas texturas, sons, gostos e cheiros, de modo que os materiais que uma criança gosta de interagir podem ser muito perturbadores para outras. Encontre o que funciona melhor para o seu filho. Seja qual for a escolha, amor, carinho, paciência e perseverança são ferramentas-chaves para alcançar êxito neste processo.

Referências

Kedro, M. Movement Activities for Autism. Livestrong. 13 jun. 2017. Disponível em <http://www.livestrong.com/article/131666-movement-activities-autism/>

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Piochon C., Kloth AD, Grasselli G., Titley HK, Nakayama H, Hashimoto K., Wan V., Simmons D., Eissa T., Nakatani J., Cherskov A., Miyazaki T., Watanabe M., Takumi T., Kano M., Wang SH., Hansel C.. Cerebellar plasticity and motor learning deficits in a copy-number variation mouse model of autism. Nature Communications, 2014; 5: 5586 DOI: 10.1038/ncomms6586

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Walle, Eric A.,Campos, Joseph J. Developmental Psychology, Vol 50(2), Feb 2014, 336-348. Disponível em <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23750505>

Rain, E. Autism and Children Motor Skills in Autistic Children. Disponível em <http://autism.lovetoknow.com/Motor_Skills_in_Autistic_Children>

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Entendendo o Transtorno Opositivo Desafiador (TOD)

O Transtorno Opositivo Desafiador (TOD) é um dos transtornos mais comuns na infância.

De acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais 5.ª edição (DSM-5), o TOD é uma condição que afeta diretamente o aspecto comportamental onde a criança ou o adolescente apresenta um quadro de irritabilidade, padrões persistentes de comportamentos negativistas, desobedientes e desafiadores.

Os sinais do TOD normalmente surgem antes dos 8 anos de idade e é mais comum em meninos do que meninas. Ainda não se conhece uma causa específica para o desenvolvimento do TOD, mas é provável que exista uma associação entre fatores genéticos e ambientais.

O TOD é uma das comorbidades que pode ser observada no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). O termo comorbidade trata-se da co-existência de dois ou mais transtornos ou doenças.

A palavra comorbidade é formada pelo prefixo latino “cum” que significa correlação, e pela palavra morbidade, originada de “morbus”, que significa estado patológico ou doença.

Alguns sinais do TOD:

  • Hostilidade;
  • Irritabilidade;
  • Desobediência;
  • Desafia regras;
  • Agressão verbal;
  • Apresentam surtos de raiva;
  • Apresentam tendência vingativa.

O tratamento requer uma abordagem multidisciplinar, onde inclui terapia comportamental, medicação e um bom suporte escolar.

Muitas vezes os indivíduos com o transtorno evoluem para um quadro de depressão e/ou Transtorno de conduta, por isso é muito importante ficar atento aos sintomas e buscar tratamento médico.

O TOD deve ser acompanhado pelo neurologista ou pelo psiquiatra infantil. Esses profissionais estão preparados para perceber os sintomas e indicar o melhor tratamento.

Além disso, poderão investigar se a criança ou adolescente apresenta outros transtornos associados como por exemplo TDAH, Transtorno de ansiedade, Transtorno de aprendizagem ou Transtorno de linguagem.

A intervenção precoce é essencial e ajuda a prevenir a progressão do transtorno para quadros mais graves. Por isso, é sempre importante buscar ajuda profissional.

Leia também: Saiba mais sobre o TDAH

Referências:

 American Psychiatric Association (2013). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5th Edn. Washington, DC: American Psychiatric Association.

 Yixin Tang, Xiuyun Lin, Peilian Chi, Qing Zhou, and  Xiangning Hou. Multi-Level Family Factors and Affective and Behavioral Symptoms of Oppositional Defiant Disorder in Chinese Children. Front Psychol. 2017; 8: 1123. 

Lavigne J. V., Bryant F. B., Hopkins J., Gouze K. R. Dimensions of oppositional defiant disorder in young children: model comparisons, gender and longitudinal invariance. J. Abnorm. Child Psychol. 2015; 43, 423–439.

Egger H. L., Angold A. Common emotional and behavioral disorders in preschool children: presentation, nosology, and epidemiology. J. Child Psychol. Psychiatry. 2006; 47, 313–337.

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Disgrafia: conheça esse transtorno específico de aprendizagem

A disgrafia é um transtorno de aprendizagem que causa problemas na hora de escrever. É um distúrbio neurológico que pode afetar crianças ou adultos. A principal característica é uma caligrafia ilegível, ou seja, fica bastante difícil de ler o que a pessoa escreveu.

Além disso, é comum que a pessoa demore muito tempo para finalizar uma tarefa escolar e tenha que fazer muito esforço para escrever de maneira organizada. A disgrafia pode aparecer como uma dificuldade com a ortografia, caligrafia e problemas para colocar pensamentos no papel.

O cérebro da pessoa com disgrafia tem dificuldade para processar palavras e escrever. Vale ressaltar que não é falta de inteligência ou que a pessoa não saiba ler, soletrar ou identificar letras e palavras.

O que causa a disgrafia 

Escrever é um processo complexo. A escrita envolve memória, coordenação motora, pensar em palavras e nos seus significados. Por isso, é preciso avaliar com muita calma se realmente a criança apresenta o transtorno de aprendizagem ou se é apenas uma dificuldade comum e passageira.

Sabe-se que se a disgrafia aparece na infância e geralmente é o resultado de um problema com a codificação ortográfica. As causas são desconhecidas, mas a disgrafia em adultos geralmente ocorre após algum trauma.

Esse transtorno de aprendizagem geralmente acontece com mais frequência quando há algum membro da família com disgrafia. Também há pesquisas que relacionam a disgrafia com o desenvolvimento pré-natal e crianças que nascem antes da hora. Em muitos casos, a disgrafia está associada a um problema psicomotor.

Disgrafia e outros transtornos de aprendizagem

As crianças com esse transtorno podem ter outras dificuldades de aprendizado, mas geralmente não há problemas de habilidades sociais. É comum que quem tenha o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) também apresente disgrafia. Isso ocorre porque a atenção está intimamente ligada às habilidades de escrita e leitura.

Outros transtornos de aprendizagem associados à disgrafia incluem dislexia, pois apresentam dificuldade de  colocar as palavras na ordem correta em uma frase e dificuldade para lembrar as palavras.

Alguns sintomas e características da disgrafia

Apesar de ser raro, as pessoas com disgrafia sentem dor enquanto escrevem. Também é comum que ocorra uma mistura de letras maiúsculas e minúsculas, tamanhos e formas irregulares e letras inacabadas. Veja outros sinais abaixo:

– ortografia e letras maiúsculas incorretas;

– dimensionamento e espaçamento inadequado de letras;

– dificuldade em copiar palavras;

– escrita lenta;

– dificuldade em visualizar palavras antes de escrevê-las;

– posição incomum do corpo ou da mão ao escrever;

– apertam firme na caneta ou lápis;

– falam as palavras em voz alta enquanto escrevem;

– omitem letras e palavras de frases.

Diagnóstico e tratamento da disgrafia

O diagnóstico da disgrafia geralmente é realizado logo após a criança entrar na escola e apresentar dificuldades de aprendizado. Pode ser identificado por professores, psicólogos, pedagogos e neuropediatras .

As crianças podem fazer alguns exames como avaliação do quociente de inteligência e análise dos trabalhos escolares. O tratamento para disgrafia varia e pode incluir terapia para controlar os movimentos de escrita e ajudar na memória.

Para algumas pessoas com disgrafia, a terapia ocupacional e treinamento de habilidades motoras podem melhorar a capacidade de escrever. 

A terapia ocupacional fortalece o tônus ​​muscular, melhora a destreza e avalia a coordenação olho-mão. As crianças disgráficas também devem ser avaliadas quanto à ambidestria, que pode atrasar as habilidades motoras finas na primeira infância.

Mas, pode ser um desafio ao longo da vida. Os pais precisam do apoio dos professores e da escola para que a disgrafia não atrapalhe o desempenho escolar das crianças.

Podem ser necessárias algumas estratégias na sala de aula que podem ajudar no aprendizado. Entre elas, pode ser útil usar o computador nas tarefas, realizar exames orais, dar mais tempo para os testes, suportes de escrita que facilitem segurar um lápis, entre outras.

Também poderão ser realizados exercícios grafomotores para melhorara coordenação motora e o domínio das mãos para movimentar um lápis sobre o papel. E com a caligrafia o aluno com disgrafia treina a habilidade da escrita.

 Referências

https://dyslexiaida.org/understanding-dysgraphia/

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4726782/

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