Como preparar a criança autista para conviver em sociedade?

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é mais comum na sociedade do que grande parte da população pode imaginar. Estima-se que o autismo atinge cerca de 2% da população, 160 milhões de pessoas no mundo, sendo mais de 4 milhões somente no Brasil. Se há tanta representatividade, por que famílias ainda encontram dificuldade para integrar as crianças autistas à comunidade?

Um levantamento feito pela The National Autistic Society (NAS), divulgado em 2016, que contou com mais de 7 mil pessoas, revelou que 79% dos autistas e 70% dos familiares sentem-se socialmente isolados. Há quem relate que as pessoas chegam a olhar com reprovação para a criança ou adulto.

Um dos primeiros passos para quebrar estigmas é falar sobre o TEA na comunidade, a começar pelas instituições de ensino, que devem estar preparadas para receber e desenvolver crianças autistas. Campanhas organizadas pela sociedade civil e órgãos governamentais também contribuem para extinguir preconceitos.

É preciso falar sobre isso. Deve-se compreender, conforme indica a NAS, que o autismo não afeta apenas as crianças. Elas crescerão e se transformarão em adultos autistas. Este aspecto torna ainda mais importante prepará-las para conviver em sociedade, com autonomia e independência, mesmo se estiverem sob olhares de estranheza da população que a cerca, seja na infância, adolescência, vida adulta ou velhice.

Diante deste cenário, estimular a criança ao convívio com outras pessoas ainda no âmbito familiar auxilia no processo. Estabelecer regras para que ao ingressar numa comunidade possa estar sujeito àquelas de controle social. Compreender, conversar, desenvolver por meio de ações terapêuticas são fundamentais.

Quanto mais for instigada a confiança na capacidade da criança mais se poderá reduzir fragilidades na interação social. Prepará-las para possíveis frustrações por meio de respostas negativas às solicitações também é um meio de auxiliar a criança.

Outro ponto importante é compreender quando haverá alguma mudança na rotina do autista. Seja ingressar em uma escola ou uma viagem. Pais e responsáveis, juntamente com a equipe multidisciplinar, devem analisar com quais desafios o autista poderá se deparar. Conversar com as pessoas que o receberão e compartilhar as especificidades de linguagem que podem ser utilizadas, assim como atitudes que facilitem a conexão com o novo ambiente, facilitará a convivência em sociedade.

Referências:
The National Autistic Society (NAS)

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Saiba mais sobre a Síndrome de Prader-Willi

A Síndrome de Prader-Willi é uma condição genética rara que causa problemas físicos, mentais e comportamentais. Uma das características de quem tem a Síndrome é sentir compulsão alimentar, ou seja, vontade de comer o tempo todo.

A Síndrome foi descrita pela primeira vez em 1956 e estima-se que afete cerca de uma pessoa a cada  10 mil ou 30 mil pessoas em todo o mundo. No Brasil, não há dados com os números de portadores da condição.

Na infância, essa condição é caracterizada por tônus ​​muscular fraco (hipotonia), dificuldades de alimentação, crescimento deficiente e atraso no desenvolvimento. Desde a infância, os indivíduos afetados desenvolvem um apetite insaciável, o que pode levar a obesidade, diabetes e outras complicações de saúde.

Pessoas com a Síndrome de Prader-Willi geralmente apresentam comprometimento intelectual que varia de leve a moderado e dificuldades de aprendizado. Também podem ter problemas comportamentais como  explosões de temperamento, teimosia e problemas para dormir. Alguns possuem tolerância de dor.

Eles possuem características faciais peculiares como testa estreita, olhos amendoados, boca triangular, baixa estatura e mãos e pês pequenos. Além disso, os órgãos genitais são subdesenvolvidos. A puberdade costuma atrasar  e a maioria não consegue ter filhos (inférteis).

Principais sintomas

Os bebês com a Síndrome apresentam:

  • Hipotonia (fraqueza e tônus muscular baixo);
  • Choro fraco;
  • Sono excessivo;
  • Dificuldade de sucção e/ou deglutição;
  • Criptorquidia, ou seja, testículos embutidos no abdome, fora da bolsa escrotal;
  • Pele e cabelos mais claros que os dos pais;
  • Boca pequena voltada para baixo; 
  • Testa estreita;
  • Olhos amendoados e/ou estrabismo;
  • Refluxo;
  • Hipoglicemia.

Já as crianças e jovens podem apresentar:

  • Atraso no desenvolvimento motor;
  • Dificuldade de aprendizagem e da fala;
  • Diminuição da sensibilidade à dor;
  • Alterações hormonais;
  • Diminuição da função dos testículos e dos ovários;
  • Puberdade tardia;
  • Febre sem motivo aparente;
  • Hipotermia;
  • Diabetes;
  • Hipertensão arterial;
  • Retenção de líquidos;
  • Epilepsia;
  • Apetite voraz;
  • Apneias;
  • Pele azulada;
  • Pneumonias recorrentes;
  • Problemas gastrointestinais;
  • Baixa estatura;
  • Mãos e pés pequenos;
  • Escoliose;
  • Obesidade;
  • Problemas de visão;
  • Pernas em X;
  • Comportamento de autoflagelação;
  • Ausência do reflexo do vômito.

Causas e diagnóstico

A Síndrome de Prader-Willi ocorre pela perda da função dos genes nas áreas q11 e q12 do cromossomo 15 de origem paterna.  As pessoas normalmente herdam uma cópia desse cromossomo de cada pai. A maioria dos casos (cerca de 70%) ocorre quando um segmento do cromossomo 15 é excluído em cada célula.

Ela afeta o hipotálamo,pequena região do cérebro, que tem como função a  produção de hormônios, regular o humor, o sono, a libido e controlar as sensações de fome e saciedade.

A Síndrome está presente desde o nascimento, mas é comum que o diagnóstico ocorra mais tarde na vida. Isso ocorre porque a Síndrome de Prader-Willi é pouco conhecida, até mesmo pelos médicos. É comum que essa condição seja confundida com o Transtorno do Espectro do Autismo ou a Síndrome de Down.

Quanto antes for feito o diagnóstico e iniciado o tratamento e terapias, maior será a qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares.  Para identificar o Prader-Willi existem alguns testes genéticos. O ideal é que eles sejam solicitados em recém-nascidos e lactentes com hipotonia e dificuldade de sucção, bem como com algumas das características referentes à aparência física (fenótipo) da Síndrome.

Formas de tratamento

Por ser uma Síndrome, a condição não tem cura. Mas, existem terapias disponíveis que visam melhorar a qualidade de vida dessas pessoas e que reduzem os sintomas.

O acompanhamento nutricional pode ser útil para que a criança com a Síndrome realize uma dieta rica em nutrientes e com baixas calorias, que promove o controle do peso.

Em alguns casos, opta-se por tratamento com hormônio do crescimento e hormônios sexuais, como a terapia de reposição hormonal que  pode aumentar a testosterona para meninos e a progesterona para meninas. Isso contribui para o desenvolvimento sexual e pode reduzir o risco de osteoporose.

Além disso, essas pessoas podem precisar de ajuda para melhorar as habilidades sociais ou terapia ocupacional para ajudar nas tarefas de rotina. Há casos que necessitam de fisioterapia para gerenciar a coordenação e movimento; fonoaudiologia para promover a capacidade de comunicação e também psicólogos para lidar com as questões emocionais.

Referências:

https://www.ipwso.org

https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/prader-willi-syndrome/symptoms-causes/syc-20355997

https://www.spwbrasil.com.br

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Meu filho é autista. E agora?

Compreenda como interagir e fortalecer vínculos

Ao pesquisar na ferramenta de busca da internet o termo “autismo”, uma das referências que se pode observar com maior frequência é o questionamento: “Meu filho é autista. E agora?”

Ao se deparar com esta nova realidade homens e mulheres, pais e mães, avós, tios, demais familiares podem manifestar como primeiro impacto susto, indignação, tristeza, culpa, insatisfação, preocupação. São diversas as emoções que uma pessoa pode sentir ao receber o diagnóstico de autismo de seu filho. O primeiro passo é não negligenciar seus sentimentos, mas não se pode deixar ser consumido por eles.

Há ainda um estigma em relação às perspectivas que existem no universo do autismo – para a criança e seus familiares. Este diagnóstico está longe de ser uma sentença. Pelo contrário é a oportunidade de tomar atitudes práticas para desenvolver o autista e auxiliá-lo a alcançar o melhor desempenho conforme suas habilidades.

Houve um tempo ainda que se condicionava a condição de autismo à atitudes provocadas pelos pais. Hoje isto já caiu por terra e estudos apontam como possíveis causas genéticas e, até mesmo, fatores ambientais. Portanto, não se culpe.

Isso se deve, em grande parte, a desinformação sobre o que de fato é o “Transtorno do Espectro do Autismo”. (confira em O que é Autismo –  https://neuroconecta.com.br/o-que-e-autismo/).

Não se deve generalizar o autismo. Cada indivíduo com Transtorno do Espectro do Autismo apresenta suas particularidades.

Compreender que a pessoa com autismo pode ter limitações e respeitá-las é fundamental no processo de evolução. Alguns apresentam mais necessidades de apoio que os demais. Há aqueles que não gostam de ser tocados, se sentem incomodados por determinados sons, luzes e cheiros. Podem ser metódicos, sistemáticos. Repetir atitudes e até roupas.

Há ainda pessoas com autismo que são excelentes em determinadas atividades como pintar, tocar música, fazer cálculos (podem ser até considerados superdotados).

Devido à fragilidade de comunicação que alguns autistas podem apresentar em relação à linguagem verbal, será possível se adaptar ao diálogo por meio da linguagem de sinais.

Seja qual for a situação, respeite! Não tente adequá-lo a viver no seu mundo, mas compreenda que é possível integrar um universo ao outro sem ferir barreiras, mas sim, tornando-as complementares. Não se pode rotular, a palavra é estimular!

O limite da capacidade de seu filho irá até aonde for a sua de compreensão.

Um estudo de pesquisadores da Universidade de Manchester, nos Estados Unidos, publicado em novembro de 2016 no periódico científico chamado “The Lancet”, considerado uma das revistas mais importantes em divulgação de pesquisas, mostrou que os pais de crianças com autismo que auxiliam seus filhos contribuem para reduzir a gravidade dos seus sintomas e melhorar a sua capacidade de se comunicar.

Ao ouvir a palavra autismo, lembre-se: trata-se de uma condição crônica, de uma deficiência e não de uma doença. Portanto deve-se buscar meios de permitir que a criança avance e possa alcançar autonomia e independência para viver a vida conforme sua possibilidade e assim o desejar.

Se este é seu caso ou conhece alguém que acabou de iniciar um contato com o Transtorno do Espectro do Autismo, busque suporte médico, acompanhamento terapêutico para desenvolver as funções emocionais, intelectuais e cognitivas da criança, além de obter apoio psicológico.

Para seu filho e para você e seus familiares, bem como pessoas próximas. A intervenção parental é fundamental para o sucesso dos tratamentos empreendidos pela equipe multidisciplinar que estará cuidando de seu filho.

Tenha tempo para você, se cuide. É preciso que esteja bem para passar isso a sua criança. Encontre grupos de pessoas que já vivenciaram esta experiência e tem muitos ensinamentos a compartilhar, inclusive, em como lidar com os receios que possa haver ao longo do processo de adaptação à esta nova fase.

Com esforço, amor, compreensão de seus sentimentos e de seu filho você poderá descobrir um novo e intenso universo! Você não está sozinho!

Suporte

Se você precisa de suporte com alguma questão referente aos direitos da pessoa com espectro do autismo, de seus familiares, entre outros aspectos correlacionados, procure uma instituição. Abaixo, separamos algumas delas:

Associação Brasileira de Autismo
Associação Amigos do Autista
Autismo e Realidade
Casa de David
Instituto Autismo & Vida

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terapia aba

ABA e Autismo: conheça 9 benefícios dessa terapia

As intervenções baseadas na Análise do Comportamento Aplicada (ABA, do inglês Applied Behavior Analysis) são comprovadas cientificamente e eficazes no tratamento e desenvolvimento de pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Conhecidas também como terapia ABA, essas intervenções são eficazes para o desenvolvimento de habilidades sociais, cognitivas, motoras e de comunicação, bem como para manejar e reduzir os comportamentos considerados negativos, que são comportamentos inadequados que trazem prejuízos para o desenvolvimento da criança.

O que é ABA?

A Análise do Comportamento Aplicada (ABA) é uma ciência que estuda o comportamento humano e suas interações com o ambiente. 

A ABA visa entender como os comportamentos são aprendidos e como podem ser modificados por meio de intervenções específicas. Portanto, é baseada no princípio de que as mudanças no ambiente podem influenciar o comportamento das pessoas, seja para desenvolver novas habilidades ou reduzir comportamentos não funcionais.

Assim, o objetivo das intervenções ABA é promover o desenvolvimento de habilidades funcionais, reduzir comportamentos inadequados e alcançar mais independência e autonomia das pessoas com autismo.

Benefícios da terapia ABA

Entre os benefícios da ABA, neste artigo destacamos nove, sendo eles:

  • Tratamento individualizado;
  • Definição de metas e resultados a serem alcançados;
  • Avaliação do comportamento;
  • Aprendizagem de novas habilidades;
  • Avaliação dos avanços;
  • Pode ser aplicada em todos os contextos;
  • Envolvimento da Família;
  • Atua em prol do desenvolvimento do autista;
  • Tem comprovação científica;

1) Tratamento individualizado

Um dos grandes benefícios da ABA é ser altamente personalizada e individualizada. O programa de ensino é adaptado às necessidades específicas de cada indivíduo, levando em consideração suas habilidades, interesses e desafios. Isso significa que a intervenção é moldada de acordo com as características individuais do autista, maximizando a eficácia do tratamento.

2) Definição de metas e resultados a serem alcançados

Fazer um bom programa de ensino individualizado (PEI) e o planejamento terapêutico são essenciais para definir os objetivos a curto, médio e longo prazo da terapia e com isso, conseguir alcançar os resultados desejados. Esses são pontos fundamentais da terapia ABA.

3) Avaliação do comportamento

Na terapia ABA avalia-se os comportamentos que devem ser trabalhados e modificados. É fundamental fazer essa avaliação funcional dos comportamentos para entender os motivos de determinados comportamentos ocorrerem e assim definir estratégias eficazes para substituir esses comportamentos inadequados por comportamentos funcionais.

4) Aprendizagem de novas habilidades

A terapia ABA concentra-se fortemente na promoção da aprendizagem. Utilizando técnicas como reforço e modelagem, os terapeutas ABA trabalham para ensinar novas habilidades e incentivar comportamentos desejados, promovendo assim o desenvolvimento da independência e autonomia da pessoa autista.

5) Avaliação dos avanços

Realizar avaliações constantemente é essencial. A intervenção baseada em ABA avalia se a criança está aprendendo e desenvolvendo as habilidades conforme planejado no programa de ensino.

Essas avaliações são importantes avaliar os avanços e para que se necessário, mude as estratégias de ensino. Se a criança não aprende o problema está na maneira de ensinar. Por isso, devemos mudar as estratégias!

6) Pode ser aplicada em todos os contextos

Outra benefício da ABA é sua aplicabilidade em diversos contextos. Seja em casa, na escola, na clínica ou em ambientes comunitários, os princípios da ABA podem ser integrados de maneira consistente, proporcionando uma abordagem abrangente no processo de intervenção. Essa consistência é fundamental para a generalização das habilidades aprendidas em diferentes situações.

7) Envolvimento da Família

A ABA reconhece a importância da participação ativa da família no processo terapêutico. Os pais e cuidadores são capacitados com estratégias e técnicas para apoiar o desenvolvimento contínuo de seus filhos autistas fora das sessões de terapia, promovendo assim o desenvolvimento e generalização das habilidades aprendidas

8) Atua em prol do desenvolvimento do autista

Desde a infância à idade adulta – com o uso de técnicas que possibilitem ampliar a capacidade cognitiva, motora, de linguagem e de integração social, a intervenção ABA atua para reduzir comportamentos negativos que possam causar danos ou interferir no processo de aprendizagem.

Por fim, Intervenções ABA podem auxiliar no aperfeiçoamento de habilidades básicas, como olhar, ouvir e imitar, ou complexas, como conversar e interagir com o outro.

9) ABA tem comprovação científica

A ABA é cientificamente comprovada existindo há mais de 50 anos, e pode contribuir com uma melhora nas interações sociais, aprender novas competências e manter comportamentos positivos.

A frequência e intensidade das intervenções baseadas em ABA são definidas com base no perfil de cada pessoa. O grau de autismo também é levado em conta, bem como as características individuais.

A intervenção ABA deve ser intensiva

De acordo com a Association for Science in Autism Treatment (ASAT) diversos estudos e pesquisas indicam que, quando implementada intensivamente (mais de 20 horas por semana) e se possível precocemente (começando antes dos 4 anos de idade) a intervenção gera grandes ganhos no desenvolvimento de quem está no espectro. Por isso devemos escolher intervenções ABA para o tratamento do autismo.

Para aprender mais sobre a ciência ABA e se tornar uma terapeuta ABA conheça a Formação ABA PRO

Referências:

Applied Behavior Analysis. Psychology Today.Disponível em <https://www.psychologytoday.com/us/therapy-types/applied-behavior-analysis> Acessado em 12 de maio de 2018.

Applied Behavior Analysis (ABA) for parents. Association for Science in Autism Treatment (ASAT). Disponível em https://www.asatonline.org/for-parents/learn-more-about-specific-treatments/applied-behavior-analysis-aba/Acessado em Acessado em 12 de maio de 2018.

Applied Behavior Analysis (ABA). Autism Speaks. Disponível em https://www.autismspeaks.org/what-autism/treatment/applied-behavior-analysis-aba

Walsh MB. The Top 10 Reasons Children With Autism Deserve ABA. Behavior Analysis in Practice. 2011;4(1):72-79. doi:10.1007/BF03391777. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3196209/ Acessado em 25 de outubro de 2017.

Jamie Pacton. Is ABA Therapy the Best Choice for Kids with Autism?. Parents.com. Disponível em http://www.parents.com/health/special-needs-now/is-aba-therapy-the-best-choice-for-kids-with-autism/> Acessado em 18 de outubro de 2017.

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Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e Autismo

Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e Autismo

Você já ouviu falar na ABA? A Análise de Comportamento Aplicada?

Trata-se de uma ciência originada da Análise do Comportamento que possibilita compreender os comportamentos e habilidades humanas e como podem ser influenciados pelo meio ambiente.

Esta forma de intervenção, que já existe há mais de 50 anos, pode contribuir com uma melhora nas interações sociais, aprender novas competências e manter comportamentos positivos.

A ABA tem como objetivo atuar em prol do desenvolvimento do autista – desde a infância à idade adulta – com o uso de técnicas que possibilitem ampliar a capacidade cognitiva, motora, de linguagem e de integração social, procurando reduzir por meio de práticas de repetição e esforço comportamentos negativos que possam causar danos ou interferir no processo de aprendizagem podendo auxiliar no aperfeiçoamento de habilidades básicas, como olhar, ouvir e imitar, ou complexas, como ler, conversar e interagir com o outro.

Nas intervenções da dinâmica da ABA são avaliados determinados dados que possibilitam verificar se o comportamento está mudando na direção esperada e os objetivos estão sendo alcançados. As dinâmicas que compreendem a prática podem ser ministradas em casa, em escolas ou em clínicas especializadas e envolvem até 40 horas por semana de terapia individualizada.

Geralmente as atividades de ABA envolvem os seguintes elementos:

Gerenciamento de comportamentos

Em caso de comportamento positivo, há uma recompensa como forma de estimular determinada prática. Com a terapia ABA, a expectativa é que esta atitude seja repetida posteriormente. E, em alguns casos, se houver comportamento negativo, como meio de inibir tal atitude, pode haver repreensão.

Ensino de novas habilidades 

Ensinar habilidades que permitem que os indivíduos sejam mais bem-sucedidos e menos dependentes do comportamento problemático que pode gerar atitude negativa para atender às suas necessidades

Idealmente, é indicado que a ABA tenha início antes dos quatro anos de idade, mas pode ser aplicada em outras fases da vida também. De acordo com a Autism Speaks, instituição que – entre outras competências – financia pesquisas sobre ABA, a análise de comportamento aplicada é reconhecida como um tratamento seguro e eficaz para o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Como os aspectos que envolvem o TEA são heterogêneos, ou seja, há especificidades de pessoa para pessoa, o ideal é conversar com o médico e a equipe de profissionais que acompanha a criança com TEA para que junto à família possam saber como a ABA poderá auxiliar e, assim, encontrar a terapêutica que melhor se adequa às necessidades individuais do autista e que poderá auxiliar em seu desenvolvimento.

Por que ABA é uma ótima opção terapêutica?

No artigo “10 motivos pelos quais as crianças com autismo merecem ABA”, publicado na revista Association for Behavior Analysis International, a autora e pesquisadora Mary Beth Walsh, do Departamento de Filosofia e Teologia, Caldwell College, elenca algumas das razões – além do olhar da ciência – que atribuem à ABA ser uma boa escolha terapêutica para casos de TEA. Entre os pontos por ela abordados temos:

Crianças com autismo merecem acesso à ABA porque poderá auxiliar seus pais a se tornarem melhores pais para elas – “Nós, pais de crianças com autismo, temos que trabalhar mais para garantir que nossos filhos aprendam tudo o que puderem, alcancem seu potencial, e quando confiamos na ABA para medir o progresso e orientar o ensino, sabemos que estamos fazendo toda a diferença que podemos”, relata ela.

As crianças com autismo merecem ABA porque ajudará a ensinar a eles a dormir durante a noite e usar o banheiro – por meio da ABA é possível saber se as orientações provenientes da intervenção dos pais para ensinar como dormir ou usar o banheiro estão no caminho certo.

“Os dados revelaram padrões comportamentais que orientaram nossa intervenção. Os dados nos mostraram o que fazer. Os dados demonstraram que nosso filho tem essa habilidade – uma habilidade muito importante! Ele pode ir ao banheiro independentemente, relata a pesquisadora.

As outras razões incluem aspectos como fazer amigos com mais facilidade; aproveitar suas competências já adquiridas; para que possam se tornar mais independentes e estarem preparadas para o dia em que não tiverem mais seus pais ou cuidadores; e para advogarem em defesa de seus direitos.

Dica de leitura complementar

Para quem se interessar em ler este artigo completo, acessem aqui. O material está em inglês, mas pode ser convertido para o português por meio da tradução automática do Google de seu computador. Embora esteja publicado em uma revista científica, a linguagem é de fácil acesso e traz as percepções com base nas vivências da autora. Vale à pena acessar.

Referências:

Hieneman M., Gonzalez V, Chan P.. What is ABA therapy now, really?. Autism Support Network. Disponível em <http://www.autismsupportnetwork.com/news/what-aba-now-really-autism-33299272> Acessado em 18 de outubro de 2017.

Applied Behavior Analysis (ABA). Autism Speaks. Disponível em <https://www.autismspeaks.org/what-autism/treatment/applied-behavior-analysis-aba>  

Walsh MB. The Top 10 Reasons Children With Autism Deserve ABA. Behavior Analysis in Practice. 2011;4(1):72-79. doi:10.1007/BF03391777. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3196209/ Acessado em 25 de outubro de 2017.

Hernandez, Purnima et al.. Applied behavior analysis. The Journal of the American Dental Association , Volume 142 , Issue 3 , 281 – 287. Disponível em <http://jada.ada.org/article/S0002-8177(14)62038-9/fulltext> Acessado em 18 de outubro de 2017.

Jamie Pacton. Is ABA Therapy the Best Choice for Kids with Autism?. Parents.com. Disponível em http://www.parents.com/health/special-needs-now/is-aba-therapy-the-best-choice-for-kids-with-autism/ > Acessado em 18 de outubro de 2017.

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Conheça as opções terapêuticas para o TEA

Após o diagnóstico de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é hora de iniciar uma nova etapa: conhecer as opções terapêuticas.

É por meio da intervenção no desenvolvimento do autista que é possível estimular seu aperfeiçoamento em diferentes competências: sociais, de linguagem, motoras, psicológicas e intelectuais. Com isso é possível reduzir impactos do TEA e ampliar a independência funcional e qualidade de vida do autista.

Entre as terapias eficazes podemos citar as Análise do comportamento aplicada (ABA), terapia ocupacional, fonoaudiologia, fisioterapia, musicoterapia e terapia farmacológica – isto é, com uso de medicamentos se necessário.

Análise do Comportamento Aplicada (ABA)

Trata-se de uma ciência sendo uma abordagem da psicologia comportamental que trabalha para alterar sistematicamente comportamento da pessoa com autismo, incentivando comportamentos positivos, a interação com outras pessoas, ensinando novas habilidades, ampliando a motivação para aprender, entre outros.

Terapia de fala

Tem por objetivo trabalhar a capacidade de interação do autista com as pessoas por meio do aperfeiçoamento da linguagem falada (verbal), o que possibilita expressar necessidades e vontades com autonomia. Costuma ser aplicada por um fonoaudiólogo, que deve atuar preferencialmente em conjunto com demais profissionais e familiares.

Vale destacar que alguns indivíduos com TEA são não verbais e incapazes de desenvolver habilidades de comunicação verbal. Neste caso passa a ser desenvolvido o uso de gestos, linguagem de sinais e programas de comunicação de imagens como meios de estabelecer comunicação eficaz.

Terapia Ocupacional (TO)

Focada no aspecto motor do autista, para habilitá-lo a exercer atividades de vida diária básicas como vestir, escrever, usar uma tesoura, entre outros.  A TO trabalha também na integração de atividades em seu dia a dia que satisfazem suas necessidades sensoriais e reduz o excesso ou a falta de estímulo. Quando bem trabalhada, permite autonomia tanto ao indivíduo com TEA quanto pessoas de seu convívio, como familiares.

Fisioterapia

Também aperfeiçoa habilidades motoras e auxilia a lidar com aspectos sensoriais, principalmente em relação à percepção do seu corpo no espaço. Basicamente, trabalhará as habilidades motoras bruta, tônus muscular, marcha, planejamento motor, no equilíbrio, o que possibilitará melhorar o andar, sentar, coordenar etc.

Farmacológica

Aplicada alinhada às demais terapêuticas. Cada caso será analisado pelo médico que acompanha o autista que deverá acompanhar todo o processo medicamentoso para analisar eficácia. Quando necessário, auxilia a controlar irritabilidade e comportamentos agressivos. Além disso, o uso de medicamentos pode ser indicados para as comorbidades.

Há ainda terapêuticas ditas alternativas (complementares) que NÃO possuem comprovação científica de eficácia. Caso você tenha conhecimento de alguma delas, converse sobre isso com o médico e equipe de profissionais que acompanha o caso. Muitas ainda estão no âmbito da pesquisa e não devem ser utilizadas, como por exemplo a terapia celular – que usa células-tronco como ferramenta terapêutica.

A prática de exercícios físicos também tem demonstrado resultados positivos, quando integrada às demais terapêuticas.

Atenção

Todo este conjunto de condutas terapêuticas para a manutenção e promoção da qualidade de vida da pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo só será eficaz se não estiver restrito apenas à responsabilidade da equipe multidisciplinar que o acompanha. É fundamental que a família e demais pessoas que convivem com o autista estejam integradas e interagindo em sinergia em prol do desenvolvimento de seu familiar ou amigo.

Encorajar o autista a seguir em frente por meio do estímulo ao melhor desempenho de suas habilidades, respeitando suas particularidades e limitações, é o caminho mais promissor para o êxito no tratamento.

Referências

Autism Science Foundation
Autism Spectrum Disorders: Guide to Evidence-based Interventions – The Missouri Autism Guidelines Initiative

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Como melhorar o aprendizado de uma criança com TDAH na escola

Crianças com o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) enfrentam mais obstáculos na hora de aprender e apresentam dificuldades na escola. O TDAH é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e acompanha o indivíduo por toda a sua vida. É bastante comum em crianças e adolescentes — ocorre em 3 a 5% das crianças, em várias regiões diferentes do mundo.

Os sintomas do TDAH, como dificuldade de prestar atenção, em ficar sentado muito tempo e controlar os seus impulsos podem dificultar o bom desempenho das crianças na escola.

Por causa da desatenção, é comum que a criança com o TDAH não se concentre na aula e não acompanhe a explicação do professor. Por isso, eles perdem a matéria e não aprendem tanto quanto poderiam. Nas avaliações, é comum que cometam erros bobos por não ler o enunciado corretamente e por serem mais impulsivos.

TDAH não é deficiência intelectual

Vale lembrar que quem tem TDAH pode até conhecer o assunto e aprender, já que não há deficiência intelectual, mas não conseguem um bom rendimento nas provas por não conseguir focar, prestar atenção e estudar.

Além disso, quem tem TDAH apresenta dificuldade para memorizar, repetem os mesmos erros, são mais desorganizados, mais esquecidos e não conseguem se concentrar em matérias mais monótonas e que exigem atenção.

Estratégias eficazes para a sala de aula

Os professores desempenham um papel fundamental e, muitas vezes, são os responsáveis por ajudar a identificar o TDAH. Mas, sabe-se que é difícil para um professor conseguir dar atenção individualizada e acompanhar de perto as dificuldades de cada aluno dentro de uma sala de aula.

As regras da sala de aula devem ser claras, concisas e revisadas regularmente com o aluno. A criança precisa entender as instruções. Como os alunos com TDAH são suscetíveis a distrações, uma boa estratégia é mantê-lo próximo do professor.

A escola, coordenadores, diretores e professores devem realizar reuniões pedagógicas e conseguir identificar quais são as dificuldades dos alunos com TDAH e o que está atrapalhando o desempenho escolar.

Outro ponto importante é saber distinguir o que a pessoa com TDAH é capaz de fazer e quais suas limitações. Além disso, é importante recompensar e elogiar os progressos. Alguns recursos podem ser eficazes no processo de aprendizagem:

  • Lembretes em agendas e/ou cadernos;
  • Listas de tarefas;
  • Anotações em provas e trabalhos;
  • Quadro de avisos e cronogramas.

É importante não sobrecarregar a criança com excesso de atividades extracurriculares. Lembrando que ambientes com estímulos externos devem ser evitados. A sala de aula deve contar com os elementos necessários para a aprendizagem ser efetiva. É importante que os professores evitem instruções muito longas e parágrafos muito extensos.

O diálogo também é fundamental. Os professores devem conversar com os pais e alunos e, sempre que possível mostrar que a impulsividade pode prejudicar o desempenho dele e dos outros alunos.

Eles precisam entender que interromper a aula ou o andamento das atividades pode ser improdutivo. Isso necessita ser realizado de forma individual, para não constranger a criança.

A escolha da escola para quem tem TDAH

É importante destacar que não existem escolas especializadas em TDAH no Brasil. Mas, há profissionais da área de educação, como professores, coordenadores, diretores, psicólogas escolares, pedagogas e psicopedagogas que são especialistas  no assunto e que sabem lidar de forma adequada com as crianças que possuem o Transtorno.

As técnicas utilizadas pelos professores com alunos que têm TDAH têm o objetivo de adaptar o ensino às dificuldades que eles apresentam como: prestar atenção muito tempo, copiar do quadro,  ficar levantando o tempo todo, conversar demais, por exemplo.

Os pais devem buscar uma escola que ofereça um atendimento adequado para os alunos com TDAH e que atenda às necessidades específicas da criança ou jovem. A escola deve participar do processo terapêutico e escolar, contribuindo em formular práticas que facilite e otimize a absorção de conteúdos e melhore o desempenho nas avaliações.

Referências:

https://tdah.org.br/

https://www.verywellmind.com/help-for-students-with-adhd-20538

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