Hora de dormir: conheça a relação entre qualidade do sono e TEA

Estima-se que até 80% das pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) podem apresentar distúrbios do sono em algum momento de suas vidas. O distúrbio do sono pode ser caracterizado por dificuldade em adormecer, agitação e insônia.

Como você se sente quando se aproxima do horário de dormir? Para aqueles que convivem com o  autismo, seja o próprio autista, seja seu familiar ou cuidador, esse pode ser um momento que gera ansiedade e tensão.

Uma noite mal dormida pode impactar não apenas aquele que está no espectro, mas também os que convivem com ele. A privação do sono pode representar impactos severos na saúde física e mental. Desde a infância, dormir contribui para o desenvolvimento da criança – tanto físico, quanto de habilidades ligadas à cognição e aprendizagem. Além disso, enquanto dormirmos o nosso organismo realiza funções vitais como reparo muscular, a consolidação da memória e a liberação de hormônios que regulam o crescimento e o apetite.

Em quem tem TEA dormir mal pode ainda agravar as fragilidades características do espectro, interferindo em aspectos como humor e comportamento, interação social, aproveitamento acadêmico e em outras atividades, até mesmo as terapêuticas, presentes na rotina do autista.

Mas o que pode causar distúrbio do sono?

– Acordar diversas vezes durante à noite e/ou ter dificuldade para pegar no sono novamente depois

– Dormir demais

– Ansiedade e estresse decorrente de circunstâncias sociais – que podem gerar insônia

– Déficit de habilidade social – o que dificulta a conexão do autista com as demais pessoas da casa durante os rituais para dormir (como colocar um pijama, reduzir ou apagar a luz, silenciar o ambiente, se deitar etc.)

– Comprometimento na produção de melatonina – hormônio responsável por regular o sono

– Sensibilidade sensorial a sons, luzes e etc. (ou ausência deles)

– Realizar atividades que podem estimular demais nos momentos que precedem o sono

– Efeitos colaterais decorrentes de medicação

– Distúrbios neurológicos como epilepsia, síndrome das pernas inquietas e problemas gastrointestinais também podem causar interferência.

Há estudos que indicam como uma das causas o fato de que quem tem TEA poder apresentar alterações nos genes que regulam o ciclo circadiano, uma espécie de “relógio” em nosso organismo que dá o ritmo das 24 horas (dia/noite), nas quais geralmente uma pessoa dorme aproximadamente 8 horas (quando adulta) e até 16 horas em média (quando bebê/criança).

Como melhorar a qualidade do sono dos autistas?

Estudos sugerem que medidas como estabelecer rotinas para dormir é o principal suporte no gerenciamento do sono de qualidade do autista.

Procure estabelecer uma espécie de “ritual” para a hora de dormir. Isso irá ajudar a criança a se acalmar e ter uma noite de sono proveitosa.

Tomar um banho, reduzir a luz e os sons do ambiente, realizar alguma atividade da qual o autista se sinta confortável (mas que não o estimule e deixe agitado), como contar uma história, podem ser boas estratégias.

É indicado evitar alimentos pesados ou oferecer bebidas que contenham cafeína. Caso necessário, introduzir como opção terapêutica associada o uso de medicamentos pode ser bem-vindo.

Essas ações podem contribuir para melhorar a qualidade de vida das crianças com TEA e também de sua família.

Referências:

Devnani PA, Hegde AU. Autism and sleep disorders. Journal of Pediatric Neurosciences. 2015;10(4):304-307. doi:10.4103/1817-1745.174438. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4770638/ Acessado em 11 de janeiro de 2018.

Sleep and Autism. The National Autism Society. Disponível em http://www.autism.org.uk/about/health/sleep.aspx Acessado em 11 de janeiro de 2018.

weide awake: Why children with autism struggle with sleep. Spectrum News. Disponível em https://spectrumnews.org/features/deep-dive/wide-awake-why-children-with-autism-struggle-with-sleep/ Acessado em 11 de janeiro de 2018.

Yang, Zhiliang et al. Circadian-relevant genes are highly polymorphic in autism spectrum disorder patients. Brain and Development , Volume 38 , Issue 1 , 91 – 99. Disponível em <http://www.brainanddevelopment.com/article/S0387-7604(15)00075-3/fulltext> Acessado em 11 de janeiro de 2018.

Read More
Cães de serviço para autistas

Cães de serviço para autistas

Como a relação “humano-animal” pode contribuir para o desenvolvimento da pessoa com TEA

Dizem que o cão é o melhor amigo do homem. Mas, será que esta relação pode beneficiar uma pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)? A resposta é sim. Vamos compreender de que forma este convívio pode contribuir para o desenvolvimento da criança com TEA.

Assim como há cães treinados para auxiliar pessoas com deficiência visual a alcançarem autonomia na realização de suas tarefas (os cães guias), cachorros têm sido preparados para dar assistência ao autista. Estes são chamados de “cães de serviço para autistas”.

Eles recebem treinamento e certificação para ajudar a pessoa com TEA a desempenhar funções que possam ser consideradas um desafio como interagir com outras pessoas em locais públicos, como um restaurante, escola e outros. Estes cachorros devem usar uma “capa” que os identifica e permite que acessem sem restrição os lugares em que o autista vá.

Por meio do estabelecimento de uma conexão “humano-animal” é possível   contribuir com o desenvolvimento das habilidades sociais, de comunicação (verbal ou não) e comportamentais do autista. De acordo com o Autism Speaks, um cão do serviço do autismo, por exemplo, pode acompanhar uma criança e contribuir com a diminuição da ansiedade durante visitas médicas ou dentárias, atividades escolares, compras e viagens.

Alguns cães do serviço do autismo são treinados para reconhecer e interromper suavemente os comportamentos auto-prejudiciais ou ajudar a cessar um colapso emocional. Por exemplo, pode responder a sinais de ansiedade ou agitação com uma ação calmante, como encostar-se na criança (ou adulto) ou pousar suavemente sobre o colo, sentar-se ou deitar-se.

No Brasil um dos primeiros “cães de serviço para crianças com autismo” foram entregues a duas crianças com autismo e uma com distrofia muscular em janeiro de 2017, graças a uma parceria de uma marca de ração e com a empresa espanhola, que atua no desenvolvimento de cães de assistência há mais de 20 anos, estando presente em mais de 10 países no mundo, entre eles o Brasil.

Cães de estimação e Autismo

Além dos cães com habilidades categorizadas como “de serviço”, ter um cachorro ou outro animal de estimação em casa, por si só, pode ser benéfico. Reconhecido como sinônimo de lealdade, companheirismo, amizade e amor, o cachorro pode transformar a vida de uma pessoa com TEA – que observa, se relaciona e sente o mundo ao redor de maneira diferente.

Segundo o Autism Speaks, um animal bem treinado pode ser uma influência calmante para quem possui autismo. Um cão afetuoso fornece um amor incondicional e amizade.

Possuir um cão de estimação reduz o estresse e melhora significativamente a convivência em famílias que têm uma criança com TEA, conforme apontou um estudo recente (2016) desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Lincoln, no Reino Unido, publicado no American Journal of Veterinary Behavior.

Entre os benefícios apontados desta convivência estão a melhora no comportamento da criança, maior interação social, segurança, possibilidade de acesso a locais públicos, incluindo restaurantes e, até mesmo, na qualidade do sono. Há ainda pontos positivos como andar com o cão, que possibilita a prática de exercícios. E, aprender a cuidar de um cachorro ensinará responsabilidade e habilidades práticas.

Como disse o escritor norte-americano Thom Jones, “cães têm uma forma de encontrar as pessoas que deles necessitam, preenchendo um vazio que nem sequer elas sabem que tem”.

Referências

Carlisle, Gretchen K. Pet Dog Ownership Decisions for Parents of Children With Autism Spectrum Disorder. Journal of Pediatric Nursing: Nursing Care of Children and Families , Volume 29 , Issue 2 , 114 – 123. Disponível em <http://www.pediatricnursing.org/article/S0882-5963(13)00293-5/fulltext> Acessado em 3 de setembro de 2017.

 Grandgeorge M, Tordjman S, Lazartigues A, Lemonnier E, Deleau M, Hausberger M. Does Pet Arrival Trigger Prosocial Behaviors in Individuals with Autism? Plos One. Published: August 1, 2012. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0041739 Disponível em: <http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0041739> Acessado em 3 de setembro de 2017.

Hall, Sophie S. et al. The long-term benefits of dog ownership in families with children with autism. Journal of Veterinary Behavior: Clinical Applications and Research , Volume 13 , 46 – 54. Disponível em <http://www.journalvetbehavior.com/article/S1558-7878(16)30034-X/abstract> Acessado em 3 de setembro de 2017.

Service dog or therapy dog: Which is best for a child with autism? Autism Speaks. Disponível em <https://www.autismspeaks.org/blog/2016/07/15/service-dog-or-therapy-dog-which-best-child-autism> Acessado em 3 de setembro de 2017.

Read More

O papel do fonoaudiólogo no TEA

Neste artigos vamos falar um pouco sobre o papel do fonoaudiólogo em casos de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Características do TEA

É importante destacar que uma das características do TEA é o comprometimento da linguagem, seja ela oral ou escrita e também na comunicação verbal e não verbal. Essas características são consideradas os primeiros sinais para detectar se a criança está dentro do espectro do autismo.

Os fonoaudiólogos são terapeutas especializados no tratamento de problemas de linguagem e distúrbios da fala.  Ele desempenha um papel importante na inclusão e reabilitação dos indivíduos com autismo.

Após uma avaliação, o especialista trabalhará as habilidades sociais e de comunicação de cada individuo, o que possibilitará identificar as dificuldades que serão estimuladas durante o processo terapêutico.

Uma vez que o autismo é diagnosticado, os fonoaudiólogos avaliam as melhores formas de contribuir com a comunicação e a qualidade de vida da pessoa. Ao longo da terapia, o fonoaudiólogo também trabalha em estreita colaboração com a família, a escola e outros profissionais.

O fonoaudiólogo atua no desenvolvimento da criança com autismo contribuindo para reduzir os impactos do TEA na audição e fala, além de ampliar a independência cognitiva e funcional do autista, o que facilita a sua interação social. O objetivo é ajudar a pessoa a se comunicar de maneiras mais úteis e funcionais.

Os desafios relacionados à comunicação e à fala variam de pessoa para pessoa com o TEA. Alguns indivíduos no espectro do autismo não são capazes de falar. Outros gostam de conversar, mas têm dificuldade em manter uma conversa ou entender linguagem corporal e expressões faciais quando conversam com outras pessoas.

Desenvolvimento de habilidades

Vamos destacar alguns exemplos das habilidades que a fonoaudiologia pode trabalhar com as pessoas com o TEA:

  • Fortalecer os músculos da boca, mandíbula e pescoço;
  • Treinar os sons para deixar a fala mais clara;
  • Combinar as emoções com a expressão facial correta;
  • Compreender a linguagem corporal;
  • Ensinar a conversar e a responder as perguntas;
  • Combinar uma imagem com o seu significado.
  • Contribuir com o tom de voz.

O especialista deve ser consultado logo que surgir atrasos ou dificuldade de comunicação na criança. Assim que for detectado o déficit de linguagem já é possível introduzir ações para desenvolver as habilidades da pessoa com o TEA.

Com a atuação do fonoaudiólogo, a criança passará a entender e a usar as palavras. Sendo assim, conseguirá fazer perguntar e responder, conseguirá pedir ajuda e saber quando e como começar uma conversa.

O fonoaudiólogo pode também contribuir com o aprendizado do autista. Ele consegue trabalhar a leitura e escrita da criança e o ajuda a ler e a escrever.

Além disso, há uma técnica chamada Comunicação Ampliada e Alternativa (CAA) que inclui todas as formas de interlocução que podem ser usadas para expressar pensamentos, necessidades, desejos e ideias.

O fonoaudiólogo pode trabalhar a linguagem corporal do autista e ensinar a criança a reconhecer alguns sinais corporais que podem ser bastante sutis. Pode também ajudar o autista a desenvolver as habilidades de conversação, saber quando perguntar, quando dar bom dia, por exemplo.

A terapia fonoaudiológica pode acontecer em casa, na escola ou em um consultório. O autista pode fazer essa terapia sozinho ou em pequenos grupos. O fonoaudiólogo desenvolverá atividades lúdicas e dirigidas sempre enfocando o uso da linguagem no contexto correto. 

Importância da equipe multidisciplinar

Pelo fato do TEA ser um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta as pessoas de diferentes formas na área da sociabilização, comunicação e comportamento, o fonoaudiólogo deve preferencialmente atuar em conjunto com uma equipe multidisciplinar que reúna especialistas como pediatras, neurologistas, terapeutas ocupacionais, entre outros.

É sempre importante lembrar a necessidade de buscar um especialista credenciado e capacitado para atender as necessidades de uma pessoa com o TEA.

Esse profissional será um parceiro no desenvolvimento das habilidades do autista.

Busque indicações de profissionais com pediatras ou médicos de confiança para encontrar um fonoaudiólogo capacitado para atuar diretamente com seu filho.  

Read More

Transtorno de Aprendizagem não verbal (TANV)

Ainda pouco conhecido, o Transtorno de Aprendizagem não verbal (TANV) é uma alteração específica no funcionamento cerebral. Afeta o raciocínio matemático, a cognição visual e espacial, a coordenação motora, a percepção sensorial e as habilidades sociais.

É um transtorno específico de aprendizagem, considerado raro, atinge 1% das crianças e dos adolescentes.

Quem possui TANV apresenta um bom desenvolvimento da linguagem e vocabulário e, algumas vezes, desenvolve a leitura precoce. As causas do Transtorno ainda não foram esclarecidas, mas sabe-se que ocorre devido a uma alteração no hemisfério direito do cérebro.

As pessoas com TANV têm capacidade intelectual dentro ou acima da média, boa memória e podem demorar para receber um diagnóstico correto.

Uma questão importante é  que o TANV pode ser confundido com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) ou até mesmo com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Afeta as meninas com a mesma frequência que os meninos e tende a ocorrer com mais frequência quando há outros casos na famílias, como a maioria dos outros transtornos de aprendizagem.

Características do TANV

Há algumas áreas que as pessoas com esse Transtorno apresentam dificuldade. Muitos não entendem as imagens visuais.   A maioria das crianças com o Transtorno tem dificuldade em entender a linguagem corporal. Por isso, pode afetar também as interações sociais. 

O TANV afeta a matemática em geral, a capacidade de organização e a integração de informações visuais e motora. Sendo assim, essas pessoas podem ter dificuldade de realizar  movimentos mais complexos e são considerados “desastrados”.

Nota-se dificuldade na percepção do outro, na aceitação do novo e na mudança de rotina. Mas, essas pessoas podem ter ótimos recursos verbais e de memória. Alguns são leitores fluentes e dominam um extenso vocabulário.

Alguns sinais do problema

– Problemas de organização espaço-visual, ou seja, não distinguem rapidamente as diferenças entre formas, tamanhos, quantidades e comprimentos.

– Apresentam dificuldade em calcular distâncias.

 – Dificuldade de equilíbrio, ou seja, dificulta andar de bicicleta, amarrar cadarços e atividades esportivas.

–  Dificuldades em se ajustar a situações novas e complexas.

– Apresentam dificuldades em entender sarcasmo, humor e metáforas.

– Déficits aritméticos e na compreensão de leitura.

Como ele é identificado e as intervenções indicadas

O diagnóstico do TANV surge após uma avaliação que deve ser realizada por uma equipe de profissionais. São realizados diversos testes neuropsicológicos com o objetivo de compreender como funciona o, desempenho escolar, as habilidades motoras, o processamento visual-espacial, aritmética e o funcionamento psicossocial.

Observa-se também comportamentos, históricos genéticos, da gestação, acadêmico e as características de relacionamentos sociais. Ele avaliará o desenvolvimento da fala e da linguagem do paciente, QI verbal, QI de desempenho e desenvolvimento motor.

As crianças com TANV podem apresentar bons resultados em testes acadêmicos, como de leitura e de subtração, e mesmo assim ter dificuldades em usar esse conhecimento para a realização de tarefas mais complexas. Por isso, os pais podem demorar para procurar ajuda.

Dentre as possíveis intervenções que podem ser benéficas para essas pessoas está a terapia ocupacional, que tende a ajudar as crianças a melhorar suas habilidades motoras finas e sociais.

Algumas crianças e jovens podem precisar de ajuda de psicólogos para lidar com questão de autoestima e ansiedade. É importante que a escola e os professores sejam comunicados sobre a condição do aluno com TANV para que possam ser realizadas ações pedagógicas para melhorar o aprendizado desses alunos.

Referências

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862016000300013

https://www.psychologytoday.com/intl/conditions/nonverbal-learning-disorder

Read More

Sinais e diagnóstico do TEA

A identificação de sinais do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) em sua fase inicial (precoce) é fundamental. Quanto mais cedo, melhor, pois é ampliada a perspectiva de desenvolver as capacidades do autista – em termos cognitivos, sociais e de linguagem, promovendo melhor qualidade de vida, independência e autonomia para realizar as atividades diárias.

O diagnóstico do TEA é considerado essencialmente clínico, baseado em evidências científicas, em conformidade com os critérios estabelecidos por DSM–V (Manual de Diagnóstico e Estatístico da Sociedade Norte-Americana de Psiquiatria) e pelo CID-10 (Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde – OMS) – sendo esta acatada como referência pelo Brasil, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), conforme indicado nas Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA) do Ministério da Saúde, publicada em 2014.

Geralmente, a análise consiste em uma entrevista com os pais e a criança, e avaliação observacional de comportamentos, que pode ser conduzida idealmente por uma equipe multidisciplinar de médicos, incluindo um pediatra, psicólogo, fonoaudiólogo, educador físico, terapeuta ocupacional e assistente social.

Testes genéticos podem ser igualmente recomendados, bem como rastreio para problemas médicos relacionados, tais como síndromes genéticas. Os resultados podem auxiliar os pais a entender o máximo possível sobre os pontos fortes e as necessidades de seus filhos e os especialistas a direcionarem o melhor tratamento para habilitação e desenvolvimento do autista.

Os sinais costumam se manifestar antes dos 3 anos de idade, sendo possível fazer o diagnóstico por volta dos 18 meses de vida da criança, ou até mesmo antes.

Cada pessoa é diferente e, portanto, se desenvolve de maneiras distintas. Entretanto, determinados sinais como o momento de começar a falar, andar, interagir com o meio externo podem ser indícios a serem acompanhados pelos pais e responsáveis pelo bebê. Por exemplo, se um bebê se fixa em objetos ou não responde às pessoas, constantemente, pode estar exibindo sinais precoces de uma desordem do espectro do autismo.

O momento de vida mais comum de se identificar aspectos do TEA é ainda na primeira infância, porém, há pessoas que atingem a idade adulta sem saber que tem o espectro do autismo.

Nestes casos indícios podem ser dificuldades de socialização, comunicação atípica e habilidade mental fragilizada. A Academia Americana de Pediatria recomenda a triagem de rotina de todas as crianças para o autismo no período entre 18 meses e 24 meses de vida, durante os exames de puericultura.

O melhor caminho é acompanhar a evolução da criança e observar suas atitudes. Muitas vezes, os pais são os primeiros a notar que seu filho está mostrando comportamentos incomuns, como não fazer contato visual, não responder ao seu nome ou brincar com brinquedos de formas incomuns e repetitivas. Confira indicadores de desenvolvimento e sinais de alerta mais comuns nas Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA).

Se você tem notado algum aspecto de impacto na cognição, habilidade motora, de linguagem (verbal ou não), bem como a realização de movimentos repetitivos e estereotipados constantemente, converse com seu médico e diga o que tem percebido.

Quanto mais cedo identificado, maiores as perspectivas de uma evolução no desenvolvimento do autista.

Referências:

Autism Sciense Foundation
Autism Speaks
Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA)

Read More

Diagnóstico tardio do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)

Hoje vamos falar sobre o diagnóstico tardio do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e suas consequências na vida adulta.

Sempre falamos que o diagnóstico precoce de autismo contribui muito para aumentar a qualidade de vida e também faz com que as crianças com autismo tenham o tratamento adequado e sejam estimuladas desde cedo.

Mas, embora o autismo seja na maioria das vezes diagnosticado na infância, um número crescente de adultos está descobrindo que também têm o Transtorno. Infelizmente, nem todo mundo recebe um diagnóstico logo na primeira infância. Isso acontece principalmente com aquelas pessoas que tem um autismo de grau leve.

Por isso, muitos convivem com o autismo por décadas sem saber que está dentro do espectro.  Isso ocorre porque eles não apresentam dificuldades de aprendizagem que muitas pessoas autistas possuem, como atrasos de linguagem, por exemplo, mas podem ter dificuldades específicas de interação social e no comportamento.

É comum que algumas pessoas só venham a descobrir que fazem parte do espectro na fase adulta e tenham passado a vida toda se sentindo mal, sem se enquadrar nos padrões da sociedade, com dificuldades de se relacionar com as pessoas e até mesmo sendo julgada por seus comportamentos e acabavam se isolando ou sendo isolados.  O diagnóstico pode ajudar a pessoa a entender por que ela está tendo essas dificuldades e pode ajudar também a lidar com algumas situações do dia a dia.

Sabemos que quanto mais cedo uma condição é detectada, mais rapidamente a intervenção pode começar e melhor será o resultado. Por isso, quem recebe um diagnóstico tardio de autismo pode ter a vida impactada por anos. O desenvolvimento é bastante afetado assim como a convivência social na escola e familiar.

As pessoas com TEA sem um diagnóstico podem sofrer bullying nas escolas pela falta de compreensão do transtorno. Em alguns casos, essas pessoas podem desenvolver depressão e outros transtornos mentais como a ansiedade. Isso porque elas percebem que são diferentes das outras pessoas e são muito criticadas e cobradas.

Alguns adultos que receberam o diagnóstico tardio encontram maneiras de lidar e se tornam resilientes diante da discriminação e dos estereótipos. Mas alguns enfrentam batalhas diárias e ao longo da vida para lidar com o seu dia a dia. Elas também podem encontrar dificuldades como conseguir um emprego, conhecer novas pessoas e manter as relações pessoais como amizades ou relacionamentos amorosos.

Os sintomas em adultos costumam ser: dificuldade de interação social, são mais introspectivos, preferem ficar em casa, são antissociais e sentem dificuldades nas relações, na comunicação, apresentam hiperfoco em algumas áreas de interesse ou manias e dificuldades nas mudanças de rotina. Geralmente, essas pessoas são diagnosticadas quando procuram ajuda para os filhos, primos ou irmão, pois eles apresentam os mesmos sintomas e o diagnóstico fica mais evidente.

Como o autismo não apresenta sinais físicos aparentes e não há exames de imagens ou de sangue que possa detectá-lo, é importante se atentar para os sinais logo nos primeiros anos de vida.

Receber um diagnóstico, mesmo que tardio, pode ser um alívio. É a partir desse momento que a pessoa com o transtorno passa a ter apoio, cuidados necessários e o principal, a compreensão da sociedade e familiares para conseguir se adaptar e viver sua vida.

Para evitar o diagnóstico tardio, é muito importante que os pais prestem atenção no desenvolvimento de seus filhos. Uma vez que os principais sintomas do Transtorno são sinais de atraso na linguagem, comunicação, interação social e interesses restritos e repetitivos.

Se você se identificar com os sintomas ou conhecer alguém que possa ter o TEA, não deixe de procurar ajuda especializada. Nunca é tarde para ter mais qualidade de vida, aprender a conviver com os sintomas do autismo, ampliar as habilidades sociais, conseguir se comunicar e o mais importante, SER FELIZ.

Gostou desse artigo? Então compartilhe com mais pessoas.

Read More

Deficiência intelectual e autismo: compreender para desenvolver

A deficiência intelectual (DI) e o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) são ambos distúrbios do desenvolvimento. Considerados comuns, eles podem se manifestar juntos na mesma pessoa. Estima-se que, combinados, afetam entre 3-5% da população. Para se ter uma ideia, uma pesquisa feita pelo CDC (Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos) revelou que cerca de 40% das pessoas com autismo têm DI.

Individualmente, a deficiência afeta 1-3% da população e o TEA pode atingir 1 em cada 50 crianças em idade escolar. Ambas as condições são heterogêneas, ou seja, tem suas causas consideradas variáveis, decorrentes de fatores genéticos, epigenéticos e/ou fatores ambientais.

Mas, o que é a deficiência intelectual?

Antigamente chamada de “retardo mental”, trata-se de uma condição caracterizada pelo funcionamento intelectual abaixo da média, ou seja, um quociente de inteligência (QI) abaixo de 70. Entende-se por “funcionamento intelectual” a habilidade de raciocinar, resolver problemas, planejar, refletir e aprender.

Soma-se a isso limitações no funcionamento adaptativo, que referem-se a aptidão da pessoa de se comunicar, bem como sua capacidade de integração social e de cuidar de si de maneira independente, tais como se alimentar, vestir, caminhar e etc.

Caso a criança com TEA esteja enfrentando dificuldades de aprendizagem ou de comunicação, pode ser que ela apresente déficit intelectual.

Compreender estas características é fundamental para que seja possível identificá-las em um indivíduo com o espectro do autismo. Com base nestas informações será possível introduzir um tratamento adequado, levando em conta a funcionalidade intelectual e adaptativa e, assim, melhorar as ferramentas empreendidas para desenvolver suas habilidades.

Tenha em mente sempre que autistas veem, ouvem e sentem de forma diferente. Sendo assim, o autista pode ter inteligência acima, abaixo ou na média. Por isso, em cada situação há diferentes níveis de suporte para que ele possa extrair o máximo de seu potencial intelectual, psicológico e cognitivo, podendo assim levar uma vida digna e, em sua maioria, com autonomia e independência para realizar suas atividades.

Leia também em NeuroConecta: O que é autismo

Baixe nosso E-book “Manual sobre o Autismo” e tenha acesso a mais informações sobre o universo do TEA https://neuroconecta.com.br/

Referências:

Car autism Road map. Intelectual disability and ASD. The Children’s Hospital of Philadelphia. Disponível em <https://www.carautismroadmap.org/intellectual-disability-and-asd/

Perou R, Bitsko RH, Blumberg SJ, Pastor P, Ghandour RM, Gfroerer JC, Hedden SL, Crosby AE, Visser SN, Schieve LA, Parks SE, Hall JE, Brody D, Simile CM, Thompson WW, Baio J, Avenevoli S, Kogan MD, Huang LN. Surveillance summaries. Suppl 2. Vol. 62. Washington, D.C.: 2013. Mental health surveillance among children–United States, 2005-2011. Morbidity and mortality weekly report. pp. 1–35. 2002. [PubMed] Disponível em <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23677130

Srivastava AK, Schwartz CE. Intellectual Disability and Autism Spectrum Disorders: Causal Genes and Molecular Mechanisms. Neuroscience and biobehavioral reviews. 2014;46 Pt 2:161-174. doi:10.1016/j.neubiorev.2014.02.015. Disponível em <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4185273/

Read More

Abril: mês da Conscientização Mundial do Autismo

Sobre o autismo

Hoje, dia 2 de abril, é o Dia Mundial da Conscientização do Autismo.

Queremos convidar você a conhecer o autismo, um transtorno do neurodesenvolvimento mais comum na população do que se pode imaginar, já que afeta cerca de 1-2% da população mundial.

Afinal, você já ouviu falar sobre o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)? Sabe o que significa?

O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento que traz prejuízos na comunicação e interação social e no comportamento.

Causas do TEA

O TEA tem causas poligênicas (mutações em vários genes conhecidos) e multifatoriais (fatores genéticos e ambientais envolvidos).

Contudo, sabemos que as causas são majoritariamente genéticas, mas que os fatores ambientais também podem ser fatores de risco.

Aliás, ao pesquisar na ferramenta de busca da internet o termo “autismo”, uma das referências que se pode observar com maior frequência são esses questionamentos somados à pergunta: “Meu filho é autista. E agora?”

Conscientização do Autismo: compreender para desenvolver.

Alinhados à proposta do movimento internacional de conscientização do autismo, nós, da NeuroConecta, queremos convidar você a compartilhar sua história com o TEA. Seja você alguém que está no espectro ou que convive com alguém que esteja, conte-nos sua vivência.

Acreditamos que por meio de experiências compartilhadas pode ser possível contribuir com a aceitação e acolhimento de quem tem o transtorno.

O primeiro passo para desenvolver quem está no espectro, é não negligenciar seus sentimentos e compreender que não se deve generalizar o autismo.

Cada indivíduo com Transtorno do Espectro do Autismo apresenta suas particularidades. Compreender que a pessoa com autismo pode ter limitações e respeitá-las é fundamental no processo de evolução.

No universo do TEA compreenda que é possível vencer barreiras. Portanto, a palavra de ordem é: estimular!

O limite da capacidade de seu filho irá até aonde for a sua capacidade de amor e compreensão!

Read More

Saiba mais sobre a Comunicação Aumentativa Alternativa (CAA)

Quando falamos em comunicação e no ato de se comunicar, geralmente pensamos nas palavras e na fala. Mas, a comunicação entre as pessoas é muito mais abrangente e há diversos recursos para que ela ocorra.

Como sabemos, algumas pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)  apresentam dificuldades para se expressar ou falar. Por isso, a Comunicação Aumentativa Alternativa (CAA) pode ser muito eficiente.

Você já ouviu falar sobre CAA?

A Comunicação Aumentativa Alternativa (CAA) contribui com pessoas com dificuldades de fala, escrita funcional ou com prejuízos em sua comunicação ou capacidade de escrever. Por isso, utiliza cartões e pranchas de comunicação, vocalizador ou outros recursos para auxiliar nas habilidades de compreensão e expressão.

Os sistemas de baixa tecnologia usam equipamentos como cartões, quadros ou livros com fotos ou imagens que representam tarefas, ações ou objetos. 

As crianças com TEA podem aprender a usar essas ferramentas para entender o que as pessoas estão dizendo, pedir o que precisam, fazer comentários e responder às perguntas de outras pessoas.

Podem ser usados auxílios externos como cartões de comunicação, pranchas de comunicação, pranchas alfabéticas e de palavras, vocalizadores ou o próprio computador que, por meio de software específico, pode tornar-se uma ferramenta poderosa de voz e comunicação.

Vale destacar que os recursos de comunicação de cada pessoa são construídos de forma totalmente personalizada e levam em consideração várias características que atendem às necessidades da pessoa.

A seguir vamos detalhar algumas formas de Comunicação Alternativa.

Conheça o PECs

Do inglêsPicture Exchange Communication System, ou Sistema de Comunicação por Troca de Figuras, é uma estratégia que usa recursos visuais como ferramenta para quem tem o Transtorno do Espectro do Autismo poder se comunicar.

A técnica  possui mais de 11 mil símbolos.  São desenhos simples e claros, de fácil reconhecimento, adequados para pessoas de qualquer idade.

Dessa forma, o autista consegue compartilhar um sentimento ou pensamento ou se expressar por meio do uso de imagens simples. O objetivo é possibilitar uma comunicação funcional, rápida e autônoma e, também, contribuir com o desenvolvimento da fala.

Ao todo, são seis fases. A primeira visa usar imagens de itens como objetos, pessoas, animais para estimular a fala espontânea.

Na segunda etapa, as imagens são aplicadas em diferentes contextos, com mais pessoas e distantes do cotidiano ao qual já estavam acostumados a dialogar. Em um terceiro momento, a criança aprende a escolher entre uma galeria de imagens pessoal a figura  que melhor define o que ela quer falar.

A criança com autismo aprende a escolher entre duas ou mais fotos para pedir seus objetos favoritos. Geralmente, essas imagens ficam em um livro de comunicação, um fichário com tiras de velcro onde as imagens são armazenadas e facilmente removidas para comunicação.

Com o tempo, a criança aprende a construir sentenças simples e o PECS possibilita ainda a criança responder às perguntas feitas a ela como “o que você quer?”, “o que é isso”? etc.

É uma técnica muito usada para aperfeiçoar a habilidade de comunicação, principalmente entre crianças não verbais. O PECS é uma intervenção de linguagem de baixa tecnologia e relativamente barata.

Tecnologia a favor da comunicação

Atualmente, existem diversos programas que facilitam a inclusão de alunos e ajudam na comunicação.

Há um software chamado de Boardmaker  que foi desenvolvido especificamente para criação de pranchas de comunicação alternativa, utilizando símbolos e várias ferramentas que permitem a construção de recursos de comunicação personalizados.

E  Speaking Dynamically Pro (SDP)  utiliza os recursos do computador para agregar funcionalidades poderosas como permitir que as pranchas falem por meio de síntese de voz.

Além disso, há várias ferramentas de programação fáceis de usar e que permitem que a  comunicação seja efetiva.

 As crianças com TEA costumam ser boas no processamento visual e, além disso, muitos aplicativos foram projetados para uso com iPads e dispositivos celulares para ajudar as crianças a desenvolver suas habilidades de comunicação.

Referências

https://www.nationalautismresources.com/the-picture-exchange-communication-system-pecs/

https://www.aacandautism.com/why-aac

https://raisingchildren.net.au/autism/development/language-development/augmentative-communication-asd

Read More

Atuação do fisioterapeuta no TEA: estimulando as habilidades motoras

Os fisioterapeutas têm experiência em avaliar habilidades motoras e atividades que envolvam força, coordenação, equilíbrio, controle respiratório, postura e marcha.

Quando falamos em Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) geralmente associamos ao transtorno no desenvolvimento neurológico que impacta nas habilidades de comunicação (verbal ou não), sociais e comportamentais (atitudes e interesses repetitivos e restritos).

Entretanto, um outro aspecto – tão importante quanto os demais – também pode ser comprometido e merece atenção: as habilidades motoras.

Esse é um aspecto que vai além do olhar voltado aos movimentos repetitivos realizados pelos autistas, como os de braços e pernas.

Trata-se da análise dos desafios que se apresentam na marcha, na competência postural, no tônus muscular, na capacidade de planejamento motor, e na realização de movimentos grossos.

Essas preocupações podem variar de gravidade e afetar o desenvolvimento infantil da criança com TEA, interferindo em sua qualidade de vida em longo prazo, caso não seja adequadamente tratado.

Estudos recentes sugerem que os distúrbios do movimento em crianças no espectro desempenham uma parte fundamental no TEA. Estando presentes desde o nascimento, podem ser mais uma ferramenta indicadora para ajudar no diagnóstico precoce de TEA ainda nos primeiros meses de vida.

Diante dessa perspectiva, faz-se necessária uma intervenção integrativa e multidisciplinar precoce, que inclui diferentes profissionais como médicos pediatras, neurologistas, psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas e entre outros. Quem deve ser o responsável em manejar as deficiências motoras desta população é o fisioterapeuta.

Compreendendo os desafios motores e como o fisioterapeuta poderá ajudar

Habilidades motoras brutas: as habilidades motoras brutas são definidas como capacidade de realizar movimentos usando os membros superiores e inferiores (braços, pernas, tronco e pés). As crianças com autismo, em média, apresentam um atraso nesta área de desenvolvimento de em média seis meses, em relação àquelas chamadas “neurotípicas”, ou seja, que estão fora do espectro.

Tônus Muscular: no caso do tônus muscular, que responde pela flexibilidade do corpo, as crianças com autismo costumam ser mais enrijecidas, o que pode se tornar um obstáculo para a realização de movimentos, o que pode ocasionar em problemas de equilíbrio e quedas frequentes.

Marcha: já no que diz respeito à marcha, ou seja, a maneira como caminhamos, a criança com TEA pode apresentar um padrão diferenciado e andarem na ponta dos pés.

Normalmente, este distúrbio começa com uma idade média entre 18 e 24 meses de vida, quando costumam a aprender a andar. Mas, qual pode ser o problema em apresentar esse tipo de marcha? Caminhar na ponta dos pés pode diminuir a resistência física, causar dores e calos, fraqueza muscular nas pernas, entre outros.

Planejamento motor: Outro ponto que pode ser considerado nevrálgico para uma criança com TEA diz respeito ao planejamento de motor, que consiste na capacidade do cérebro em entender uma ação motora, descobrir como fazê-la e dar ordem aos músculos e as partes do corpo corretas a executarem essa atividade. Para quem está no espectro, uma simples tarefa de se movimentar de um lado para o outro de uma sala, por exemplo, pode ser desafiadora, devido à dificuldade de idealizar e executar este plano motor. A intervenção deste profissional deve ser projetada para atender às especificidades de cada pessoa com TEA, organizando o tratamento de maneira a estimular a reduzir a ansiedade do indivíduo e encorajá-lo, facilitando o aprendizado motor.

No caso de restrições motoras grossas, os fisioterapeutas poderão desenvolver exercícios como jogos funcionais, que possibilitem a criança aprender padrões de movimento dos membros, de forma a contribuir com o equilíbrio e a coordenação.

Se o problema é com a marcha, por exemplo, os fisioterapeutas podem contribuir ensinando a criança a alongar os músculos encurtados ou a fortalecer os mais fracos enquanto trabalham na biomecânica geral da marcha – ou seja, na readequação do padrão do andar.

Exercícios de força podem auxiliar no que cabe à melhora no tônus muscular. O planejamento motor também é uma área que pode ser aprimorada com treinamento específico e definição de metas com os pais e a criança.

Eles se concentram em desenvolver a capacidade de uma criança para que ela possa participar de ações diárias e rotineiras, como sentar e andar ou habilidades complexas, como chutar, jogar, pegar.

Quando não desenvolvidas, as competências motoras em crianças com TEA podem afetar a oportunidade de interações sociais e oportunidades de aprendizado. A fisioterapia poderá contribuir para que isso não ocorra.

Consulte um fisioterapeuta se tiver preocupações em qualquer uma das áreas retratadas neste artigo!

Referências:

Atun-Einy O, Lotan M, Harel Y, Shavit E, Burstein S, Kempner G. Physical Therapy for Young Children Diagnosed with Autism Spectrum Disorders–Clinical Frameworks Model in an Israeli Setting. Frontiers in Pediatrics. 2013;1:19. doi:10.3389/fped.2013.00019. Disponível em <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3860886/> Acessado em 27 de novembro

How Can Physiotherapy Help My Child Who Has Autism? Neurodevelopmental Physiotherapy. Boomerang Health. Disponível em http://www.boomeranghealth.com/blog/neurodevelopmental-physiotherapy/how-can-physiotherapy-help-my-child-with-autism/ Acessado em 27 de novembro de 2017.

Lloyd M, MacDonald M, Lord C. Motor Skills of Toddlers with Autism Spectrum Disorders. Autism : the international journal of research and practice. 2013;17(2):133-146. doi:10.1177/1362361311402230.
Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3188325/ Acessado em 27 de novembro de 2017.

Physiotherapy for children with autism. Physiotherapy New Zealand.
Disponível em http://physiotherapy.org.nz/your-health/blogs/physiotherapy-for-children-with-autism/#.Whv7h0qnE2w Acessado em 27 de novembro de 2017.

Read More