Marcos do desenvolvimento infantil: a importância da intervenção precoce

Desde que nasce, o ser humano passa por estágios de crescimento físico e de aquisição de novas habilidades, como aprender a sorrir, a engatinhar, a levar objetos à boca ou segurá-los com as mãos, bem como acenar e bater palmas, caminhar e tantas outras aptidões.

Essas fases são consideradas “marcos do desenvolvimento infantil” e podem variar de criança para criança.

Como o Transtorno do Espectro Autista (TEA) consiste em um distúrbio neurológico complexo, ele pode impactar na capacidade de comunicação, interação social, comportamental e motora, interferindo no processo evolutivo da criança.

Estudos demonstram ser possível diagnosticar sinais que indicam o espectro antes mesmo dos 18 meses de vida.

Esse diagnóstico na primeira infância é essencial para uma intervenção precoce, considerada fundamental para melhorar os resultados evolutivos gerais das crianças no espectro possibilitando mais qualidade de vida e autonomia nas tarefas diárias, desde brincar, se vestir, até estudar, cuidar de si e da casa, entre outros.

A detecção do TEA em fase inicial favorece também os familiares, no sentido de permitir que eles possam aprender meios de contribuir com o aperfeiçoamento físico, mental e emocional da criança, reduzindo as fragilidades características do distúrbio.

O acompanhamento de uma equipe de assistência multiprofissional, bem como suporte de instituições de apoio à criança no espectro são bem-vindas nesse processo de desenvolvimento infantil.

São consideradas como melhores práticas para intervenções em crianças menores de 3 anos com suspeita ou confirmação de TEA devem incluir uma combinação de abordagens comportamentais, como a Análise de Comportamento Aplicada (ABA) e de desenvolvimento e começar o mais cedo possível.

Para haver êxito na intervenção precoce é preciso haver o envolvimento não apenas da criança no espectro, mas de seus familiares, cuidadores e especialistas que a acompanham.

Sinais do autismo

Fique atento a determinados sinais como o momento de começar a falar, andar, interagir com o meio externo. Procure observar a evolução da criança e se ela tem demonstrado atraso significativo em algum dos aspectos que envolvem a cognição, habilidade motora, de linguagem (verbal ou não), bem como a realização de movimentos repetitivos e estereotipados constantemente.

Por exemplo:

  • Se um bebê se fixa em objetos ou não responde às pessoas quando chamado pelo nome, constantemente, pode estar exibindo sinais precoces de uma desordem do espectro do autismo
  • Dificuldade para interações sociais – como, por exemplo, estabelecer contato visual
  • Repetição de ações ou palavras (isso quando já desenvolveram a fala)

Esses são aspectos do desenvolvimento infantil que podem ser indícios a serem acompanhados pelos pais e responsáveis pelo bebê.

Converse com seu médico e diga o que tem percebido. Lembre-se que o diagnóstico depende de múltiplos fatores, portanto, é fundamental haver uma análise adequada.

Quanto mais cedo identificado, mais fácil será de entender o que esperar do seu filho e como apoiá-lo na medida em que ele aprende e cresce.

Reconhecendo os marcos típicos no desenvolvimento infantil como facilitador na identificação de possíveis sinais de TEA (foram considerados marcadores até os 3 anos de idade de crianças neurotípicas)

Expressar um sorriso, virar de bruços, rolar na cama, sentar, engatinhar, falar, andar. Essas são algumas das habilidades que vão sendo adquiridas pelos bebês na medida em que os meses vão passando.

Essas mudanças evolutivas são os chamados “saltos” ou “marcos” de desenvolvimento. São momentos em que as crianças adquirirem novas habilidades que geralmente se enquadram em categorias como capacidades cognitivas, motoras, sociais, emocionais, de linguagem e comunicação.

Marcos de linguagem

3 meses: gritos e choro

6 meses: costuma repetir sons de consoantes (“ba-ba-ba”)

1 ano – reconhece o próprio nome e fala pelo menos uma palavra

18 meses – fala pelo menos 15 palavras

2 anos – acena, gesticula, faz sons de animais, entende o “não” e começa a formar frases unindo duas palavras.

3 anos – conhece e fala uma média de 450 palavras. Capaz de compor frases curtas. Identifica partes do corpo e cores. Usa palavras no plural.

Marcos de desenvolvimento social

3 meses – Sorri, mostra prazer em interagir

6 meses – começa a rir, joga jogos simples, segura objetos, demonstra vontade de interagir com os pais e pessoas ao redor

1 ano – emoções passam ser demonstradas, como a chamada e ansiedade na separação dos pais ou cuidador. Também passam a compreender determinados objetos como sendo “seus” (sentimento de posse).

2 anos – Imitam comportamentos dos adultos, demonstram frustração, orgulho, carinho e outras emoções

3 anos – compreendem o gênero, interagem com outras crianças

Marcos motores

4 meses – conseguem apoiar a cabeça para cima. Começam a ficar mais firmes. Empurram com os pés e pernas.

6 meses – rolam de um lado para outro. Começam a sentar com ajuda. Algumas crianças começam a engatinhar entre 6 e 8-9 meses.

1 ano – sentam sozinhos. Começam a ficar em é com apoio

18 meses – andam, bebem e comem com mais autonomia

2-3 anos – Aprendem a correr, subir e descer as escadas com ajuda, chutar uma bola, copiar linhas e círculos ao desenhar

Lembrem-se que esses marcos são parâmetros que podem variar de criança para criança. Caso haja algum atraso, converse com seu médico.

Fonte: Marcos de desenvolvimento – conteúdo adaptado de “Autism Developmental Stages”

Intervenção precoce e Plasticidade Neural

A intervenção precoce possibilita que o indivíduo com TEA tenha a perspectiva de ainda na infância, nos primeiros anos de vida, conseguir superar as limitações características do espectro e se desenvolver melhor.

Como pode ser observado no artigo “Plasticidade cerebral e poda neural: compreenda a conexão com o TEA”, publicado em NeuroConecta, nos primeiros anos de vida, o bebê possui o dobro de sinapses cerebrais se comparado a um adulto.

Isso significa que há mais neurônios “dispostos” a aprender coisas novas, como engatinhar, andar, falar, se socializar – por exemplo. Com a intervenção precoce, são lançados estímulos com os quais o cérebro passa a reconhecer as conexões que têm sido utilizadas com maior frequência e reforça esses circuitos na forma de memória. Esse mecanismo é responsável por facilitar à criança levar esse registro de determinada atividade na medida em que se desenvolve, reduzindo suas limitações.

Referências:

Autism Spectrum Disorder Foundation. Early Intervention Makes a Huge Difference for Autistic Children. Disponível em http://myasdf.org/site/media-center/articles/early-intervention-makes-a-huge-difference-for-autistic-children/ Acessado em 9 de março de 2018.

Hieneman M., Gonzalez V, Chan P.. What is ABA therapy now, really?. Autism Support Network. Disponível em <http://www.autismsupportnetwork.com/news/what-aba-now-really-autism-33299272> Acessado em 18 de outubro de 2017.

Smith VK1, Dillenbeck A. Developing and implementing early intervention plans for children with autism spectrum disorders. Semin Speech Lang. 2006 Feb;27(1):10-20. Disponível em < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16440241> Acessado em 8 de março de 2018.

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Agressividade no autismo: você sabe como agir?

Quando falamos sobre comportamentos ligados ao Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), um dos que costuma gerar preocupação é a agressividade.

Embora essa não seja uma atitude exclusiva do autismo, estudos indicam que as taxas de episódios de agressão podem ser mais comuns em indivíduos no espectro, em comparação com aqueles que possuem outros transtornos.

Morder, chutar, bater, arremessar objetos ou mesmo agredir com palavras as pessoas ao redor (ou a si mesmo), podem caracterizar a manifestação de uma atitude ofensiva e de agressividade.

Seja ela verbal ou física, é preciso saber o que fazer para lidar com a circunstância, que pode ser desafiadora tanto para a autista quanto para seus pais e cuidadores.

Na vida da criança com TEA esse comportamento pode ocasionar redução da qualidade de vida, aumento do nível de estresse e menor disponibilidade de suporte educacional e social.

Por isso, é importante os pais e cuidadores reconhecerem os sinais de alerta que precedem o comportamento agressivo, para que eles possam tentar técnicas para restringi-lo ou reduzir o nível de hostilidade.

Idealmente, o médico deve avaliar o comportamento e, ainda, excluir outras condições que possam estar contribuindo um episódio agressivo, como depressão ou epilepsia. A partir daí, será possível determinar quais intervenções podem ajudar, conforme a necessidade apresentada.

Para prevenir e tratar um quadro de irritabilidade, é indicado lançar mão de ações baseadas na Análise do Comportamento Aplicada (ABA).

Outra possibilidade terapêutica de manejo é o chamado Treinamento de Comunicação Funcional (TCF), que envolve ensinar a criança com espectro a se manifestar pacífica e adequadamente, quando ela quer atenção ou algum objeto, ou até mesmo não deseja realizar determinada atividade que é proposta a ela. Por exemplo, ensinar uma criança a tocar uma foto de sua mãe para pedir sua atenção, em vez de bater ou arremessar algo para ter sua solicitação atendida.

Seja qual for a conduta, o objetivo é reforçar os comportamentos positivos e diminuir o comportamento negativo, o que pode ajudar o seu filho a aprender a agir de forma adequada em situações sociais.

Tratamentos farmacológicos também podem ser benéficos na redução de frequência e intensidade das agressões.

Conhecimento, compreensão, prevenção e acolhimento diante de uma atitude agressiva são fundamentais para que haja êxito nas intervenções comportamentais e medicamentosas.

Com esse conjunto de medidas – que deve envolver a família e a equipe multidisciplinar – há uma boa chance de que a situação possa ser evitada e/ou controlada, possibilitando que haja uma melhor qualidade de vida para seu filho e para aqueles que estiverem junto a ele como seus cuidadores.

Referências

Autism Speaks. My child is sometimes aggressive – what can help?. Disponível em https://www.autismspeaks.org/node/110031 Acessado em 03 de janeiro de 2018.

Fitzpatrick SE, Srivorakiat L, Wink LK, Pedapati EV, Erickson CA. Aggression in autism spectrum disorder: presentation and treatment options. Neuropsychiatric Disease and Treatment. 2016;12:1525-1538. doi:10.2147/NDT.S84585. Disponível em < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4922773/> Acessado em 02 de janeiro de 2018.

Hill AP, Zuckerman KE, Hagen AD, et al. Aggressive Behavior Problems in Children with Autism Spectrum Disorders: Prevalence and Correlates in a Large Clinical Sample. Research in autism spectrum disorders. 2014;8(9):1121-1133. doi:10.1016/j.rasd.2014.05.006. Disponível em < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4160737/> Acessado em 04 de janeiro de 2018.

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Intervenções terapêuticas para o autismo

Neste artigo vamos falar sobre as intervenções para o autismo. Mas, claro, temos que destacar que essas intervenções ajudam a reduzir os sintomas e dão mais qualidade de vida para as pessoas com o transtorno, mas não curam o autismo.

Pois, como já falamos o autismo não é uma doença. Por isso, o tratamento ajuda a pessoa autista a desenvolver habilidades socias e ter mais independência e autonomia.

Saiba mais sobre Transtorno do Espectro do Autismo

Cada pessoa com autismo tem necessidades diferentes, portanto, é importante encontrar as melhores opções de tratamento de forma individual. Algumas pessoas podem precisar de pouco ou nenhum tratamento, enquanto outras podem necessitar de terapias mais intensas e frequentes. Lembrando também que o autismo é uma condição para vida toda.

Após o diagnóstico do autismo, a criança antes dos três anos deve passar por intervenção precoce que inclui uma combinação de abordagens comportamentais, como a Análise de Comportamento Aplicada, conhecida também pela sigla ABA.

Sobre as intervenções ABA

Ela refere-se a uma ciência com uma série de programas destinados a desenvolver habilidades sociais, cognitivas e incentivar comportamentos positivos usando um sistema de recompensa.

Dentro da ABA há técnicas que incentivam o passo a passo do aprendizado. Pode se trabalhar individualmente ou em grupo para quea criança desenvolva habilidades de comunicação e reduza comportamentos como a autoagressão. Também é possível que o terapeuta realize mudanças ambientais na casa ou na sala de aula para ter os resultados esperados.

Como sabemos, para algumas pessoas com autismo, interagir com as outras pessoas é muito difícil. Com a ABA é possível aprender as habilidades sociais básicas, incluindo como conduzir uma conversa, entender piadas e interpretar os sinais emocionais.

Modelo Denver

Outra intervenção é o Modelo Denver de intervenção precoce que é recomendada para crianças de até 5 anos. O modelo Denver é uma terapia comportamental baseada na Analise do Comportamento. Os pais e terapeutas usam atividades lúdicas para reforçar os comportamentos positivos. Por meio de brincadeiras, as crianças são encorajadas a melhorar suas habilidades linguísticas, sociais e cognitivas. Tem como objetivo fazer a criança perceber que se relacionar é legal, e com isso melhoras as habilidades sociais dessa criança.

Mas é importante dizer que para essas terapias terem um resultado positivo é preciso ter o envolvimento da criança, de seus familiares, cuidadores e especialistas que a acompanham. Todo mundo deve estar envolvido e participar deste processo! 

A intervenção precoce possibilita que a criança tenha mais perspectivas de conseguir superar as limitações características do espectro e se desenvolver melhor.

Outras intervenções

Além disso, a criança autista pode contar com a ajuda de outros profissionais como fonoaudiólogos que ajudam a desenvolver as habilidades de comunicação e a capacidade de usar a linguagem em um ambiente social.  Eles ensinam as habilidades verbais que podem ajudar as pessoas com autismo a se comunicar melhor, ajuda o autista a melhorar a velocidade e o ritmo da fala, além de usar palavras corretamente. 

Podemos contar também com o Terapeuta ocupacional que vai trabalhar as questões sensoriais e atividades de vida diária. Ele vai ajudar a criança a entender a importância do autocuidado e desenvolver habilidades para ser mais independente, como por exemplo se vestir, uso do banheiro, cozinhar, limpar e assim se tornar mais independente.

Em alguns casos, pode ser indicada a terapia cognitivo comportamental (TCC). Dessa forma, o autista é amparado por um psicólogo que durante as sessões consegue fazer com a pessoa com TEA aprenda mais sobre seus sentimentos, pensamentos e comportamentos.

A terapia também ajuda o autista a controlar a ansiedade, a reconhecer melhor as emoções e a lidar melhor com situações sociais.

O tratamento medicamentoso é indicado em alguns casos para tratamento de comorbidades associadas ao autismo.

Há diversos tipos de medicamentos que podem controlar por exemplo a depressão, a ansiedade e a hiperatividade.

Há também medicamentos que podem ser indicados para melhorar a qualidade do sono para pessoas que apresentam distúrbios do sono.

Outros medicamentos podem ajudar os problemas de agressividade, autoflagelação e outros comportamentos inadequados. Importante ressaltar o que tratamento medicamentoso deve sempre estar associado as terapias comportamentais.

Como vocês viram, há uma variedade de abordagens terapêuticas. Sabemos que podemos contar com diversos outros profissionais como os psicopedagogos, pedagogos, educadores físico, fisioterapeutas, arteterapeuta, musicoterapeuta entre outros.

Lembrando que é importante sempre buscar ajuda especializada, fazer um acompanhamento médico e com profissionais especialistas na área e para assim descobrir e desenhar o plano de tratamento mais eficaz para cada um.

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Compartilhar: como desenvolver essa habilidade em crianças autistas

Compartilhar pode ser uma atitude difícil de desenvolver, especialmente na infância. A maioria das crianças, sejam elas autistas ou neurotípicas – precisam de prática e suporte para desenvolver essa habilidade.

Saiba mais sobre o Transtorno do Espectro do Autismo

Nos primeiros anos de vida as crianças não costumam pensar sobre o sentimento das outras. Em geral, raramente são capazes de conseguir dividir seus pertences espontaneamente, com menos de seis anos de idade.

Trata-se de um comportamento normal. Faz parte do desenvolvimento de consciência da criança o que chamamos de “posse”.

Quando pequenas elas se preocupam com seus brinquedos, suas coisas, seu “mundo”. Na medida em que crescem e começam a brincar e a conviverem entre si, passam a partilhar seus pertences naturalmente.

No caso das crianças autistas pode ser que haja maior resistência em compartilhar. A interação social é um dos limitantes característicos do transtorno.

Assim como uma criança que não esteja no espectro, o melhor a fazer é não força-la. Em vez disso, crie atitudes e um ambiente que incentive seu filho a querer ceder ao outro algum de seus brinquedos espontaneamente.

Compartilhar implica empatia. Para você, eles podem ser apenas brinquedos. Para a criança, pode ter um valor muito maior como apego, estímulo e segurança por exemplo.

Pense no seguinte: imagine você sendo obrigado a emprestar uma roupa da qual gosta muito. Você certamente não se sentiria confortável em fazer isso.

Da mesma forma é para criança. Portanto, deve se respeitar a decisão dela em não dividir. Até porque muitas vezes o objeto em questão que se deseja partilhar pode ser justamente aquele que conforta seu filho e tirá-lo de seu controle pode desencadear um desequilíbrio emocional, gerando ansiedade.

Como desenvolver essa habilidade em seu filho? A chave é ir com calma. Observe como ele costuma interagir quando está junto à outras crianças. Conheça seu comportamento.

Com base nessa análise, você poderá ensiná-lo sobre os valores que há em compartilhar. Crie oportunidades para que você possa exercitar na prática com ele essa atitude quando estiverem juntos. Procure ser o exemplo que ele precisa, dividindo com ele seus objetos e reforçando essa atitude verbalmente ou através de imagens.

O importante é seguir uma dinâmica mais próxima daquela que se conecta com mais facilidade às crianças autistas, para que seja possível de ela assimilar em seu repertório o que você está ensinando e se sentir motivada a partilhar e, assim, contribuir com o aperfeiçoamento de suas habilidades de interação social, sempre respeitando suas limitações.

Referências:

McCann Sawyer, Lori; Luiselli, James K.; Ricciardi, Joseph N.; Gower, Jennifer L.. Teaching a child with autism to share among peers in an integrated preschool classroom: acquisition, maintenance, and social validation. Disponível em http://www.freepatentsonline.com/article/Education-Treatment-Children/131753665.html Acessado em 8 de fevereiro de 2018.

Naber FBA, Bakermans-Kranenburg MJ, van IJzendoorn MH, et al. Play Behavior and Attachment in Toddlers with Autism. Journal of Autism and Developmental Disorders. 2008;38(5):857-866. doi:10.1007/s10803-007-0454-5. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2335292/ Acessado em 7 de fevereiro de 2018.

Raising Children Network. Sharing and learning to share. Disponível em http://raisingchildren.net.au/articles/sharing.html Acessado em 7 de fevereiro de 2018.

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Plasticidade cerebral e Poda neural: compreenda a conexão com o TEA

Como funciona o cérebro de uma pessoa no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)? Essa é uma pergunta que vem sendo alvo de inúmeras pesquisas em todo o mundo.

Os cientistas têm procurado compreender os mecanismos que possam estar ligados à essa “desordem neurológica” que caracteriza a condição de autismo, gerando desafios sociais, de comunicação (verbal ou não) e comportamentais.

No primeiro ano de vida de um ser humano o cérebro forma os circuitos neurais. Portanto, essa “rede”, que se assemelha a uma teia de aranha, é repleta de ligações entre os neurônios – as chamadas sinapses -, sendo a responsável por conduzir a informação que transita entre o cérebro, sistema nervoso central e organismo.

Nesse período do desenvolvimento infantil, a criança possui o dobro de sinapses que um adulto. Isso ocorre porque o cérebro lança circuitos para inúmeras atividades, já que não conhece o estilo de vida que levaremos. Como uma espécie de reserva extra.

Com o tempo, na medida em que o indivíduo recebe estímulos de aprendizagem e desenvolvimento, o cérebro passa a reconhecer quais conexões têm sido utilizadas com maior frequência e reforça esses circuitos na forma de memória.

Sobre a poda neural

Os recursos que não são utilizados vão sendo desativados. A essa exclusão, dá-se o nome de “poda neural”, um processo que ocorre dentro do cérebro, que resulta na redução do número total de neurônios e sinapses.

Esse “corte” acontece inúmeras vezes ao longo da vida, sendo mais intenso próximo aos 3 anos de idade e na adolescência, o que é benéfico para o bom funcionamento do cérebro.

Ao passo que algumas conexões vão sendo desligadas, outros neurônios vão surgindo. Isso acontece devido a plasticidade cerebral (ou neuroplasticidade), que pode ser definida como a capacidade adaptativa que o cérebro possui de se regenerar ao longo da vida, estabelecendo novas sinapses. A neuroplasticidade se trata disso.

A ideia de que o cérebro está em constante mutação, adequando-se conforme a aprendizagem, o comportamento, meio ambiente e aos processos neurais. Algumas décadas atrás, as pessoas acreditavam que, uma vez que o cérebro foi formado, era isso. Nada mais acontecia. Hoje já é sabido que esse é um processo contínuo.

É como se fosse um arbusto ou uma árvore frutífera, por exemplo. Para que cresçam fortes é preciso que sejam podados de tempos em tempos, regenerando folhas, galhos e frutos.

Mas, o que isso tem a ver com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)?

Acredita-se que nesse processo de regeneração e poda pode haver alguma falha, responsável pelo surgimento de transtornos de aprendizagem e neuronais, como o autismo. Essa dita “conectividade anormal” pode fornecer uma justificativa para a dificuldade em assimilar novas habilidades, como falar e andar, por exemplo.

Em 2014 um importante estudo realizado por neurocientistas no Centro Médico da Universidade de Columbia – que foi publicado na revista científica Neuron, trouxe à luz uma nova perspectiva quanto ao funcionamento do cérebro de um autista.

A pesquisa demonstrou que as crianças com TEA possuíam um excesso de sinapses – as conexões entre as células cerebrais, o que segundo o artigo ocorreria devido a uma ineficiência no processo de poda neural durante o processo de desenvolvimento cerebral. Portanto, devido a esse fato poderiam ocorrer os déficits neurológicos comuns no autismo.

Com base nesse achado, os cientistas relataram que pode ser possível futuramente haver um tratamento que restaure e normalize a atividade da poda sináptica, podendo controlar ou reduzir os comportamentos típicos de quem está no espectro.

Novos horizontes

No final de 2017 mais um estudo liderado por brasileiros demonstrou um importante avanço na busca por expandir conhecimento no universo do TEA.

Dessa vez os pesquisadores foram além da análise da atividade dos neurônios. Eles verificaram que outro importante grupo de células do cérebro chamadas “astrócitos” possui papel fundamental no funcionamento do sistema neuronal, sendo peça-chave para compreender o mecanismo do espectro e, assim, contribuir com o aperfeiçoamento do tratamento para o distúrbio, de maneira personalizada.

“Estas células são responsáveis por sustentar e nutrir os neurônios e estão envolvidos em diversas atividades cerebrais.

Além disso, eles regulam a concentração de diversas substâncias do sistema neuronal, tendo assim potencial para interferir nas funções cerebrais de quem tem o espectro autista”, esclarece a autora principal, a neurocientista Fabiele Russo, que também é a idealizadora do portal NeuroConecta.

Com isso percebeu-se que não deve se focar apenas em testar drogas direcionadas para tratar neurônios, mas também para os astrócitos. Leia a reportagem completa aqui no site

Leia também: https://neuroconecta.com.br/minicerebros-para-o-estudo-do-transtorno-do-espectro-do-autismo/

Referências:

Berger JM, Rohn TT, Oxford JT. Autism as the Early Closure of a Neuroplastic Critical Period Normally Seen in Adolescence. Biological systems, open access.2013;1:10.4172/2329-6577.1000118. doi:10.4172/2329-6577.1000118.Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3864123/Acessado em 21 de janeiro de 2018.

Columbia University Medical Center. Children with Autism Have Extra Synapses in Brain. Newsroom CUMC. Disponível em http://newsroom.cumc.columbia.edu/blog/2014/08/21/children-autism-extra-synapses-brain/Acessado em 21 de janeiro de 2018.

DrDonna. Why Synaptic Pruning is Good. Learning Science. Disponível em https://www.gemmlearning.com/blog/learning_science/why-synaptic-pruning-is-good/Acessado em 22 de janeiro de 2018.

Tang, Guomei et al. Loss of mTOR-Dependent Macroautophagy Causes Autistic-like Synaptic Pruning Deficits. Neuron, Volume 83 , Issue 5 , 1131 – 1143. Disponível em < http://www.cell.com/neuron/fulltext/S0896-6273(14)00651-5> Acessado em 21 de janeiro de 2018.

Russo FB et al. Modeling the Interplay Between Neurons and Astrocytes in Autism Using Human Induced Pluripotent Stem Cells. Biol Psychiatry. 2017 Oct 3. pii: S0006-3223(17)32009-7. doi: 10.1016/j.biopsych.2017.09.021. Acessado em 21 de janeiro de 2018.

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Autismo é genético?

Neste artigo vamos falar sobre a questão da genética no autismo. Até a década de 1980, autismo era considerado um distúrbio adquirido por influência do ambiente. Hoje, os pesquisadores comprovaram que a genética desempenha um papel muito importante nas causas do autismo.

Saiba mais em: O que é autismo?

Mas o que é genética?

Mas vamos lá: você sabe o que significa o termo genética?

A genética é responsável por estudar os genes individuais de uma pessoa.

O código genético presente no DNA do ser humano é responsável por fornecer instruções para a construção das proteínas que compõem o organismo todo e direcionar seu crescimento e função. Os genes são as unidades do material genético responsável pela produção de importantes ferramentas para o organismo.

E atualmente sabemos que as mutações genéticas realmente estão ligadas ao surgimento do TEA. Sabe-se que quando genético, o TEA geralmente ocorre devido a alguma falha no processo do desenvolvimento cerebral, ainda no início do desenvolvimento fetal.

Isso é causado por defeitos nos genes que controlam o crescimento do cérebro e que regulam a forma como os neurônios se comunicam entre si.

Sobre o autismo

O autismo é um transtorno que afeta a estrutura e a função dos neurônios no cérebro. Alguns pesquisadores observaram que os neurônios dos autistas são mais curtos e possuem menos ramificações e a área mais afetada é o córtex cerebral que é a camada mais externa do nosso cérebro.

Por isso, as pessoas com TEA sentem dificuldades de linguagem, comunicação e socialização.

Uma única alteração genética é suficiente para causar o TEA, mas na maioria dos casos, o autismo não ocorre apenas devido a alterações em um único gene.

O que se sabe é que envolvem distúrbios moleculares complexos em múltiplos genes importantes.  Muitas dessas mutações genéticas têm a ver com a sinapse, o espaço pelo qual o estímulo é transmitido de um neurônio para outro.

Por meio das sinapses que os neurônios se comunicam para coordenar movimentos, percepções sensoriais, aprendizados e memórias. As sinapses são estruturas que se modificam de acordo com o uso, tornando-se mais ou menos sensíveis aos estímulos e essa plasticidade é a base essencial do aprendizado e da memória.

Hereditariedade

Uma questão muito importante sobre esse assunto é que há uma confusão entre hereditariedade e genética. O autismo pode surgir devido à genética, mas nem sempre é hereditário. Ou seja, o fato de ser genético não quer dizer que o autismo é passado pelos pais em todos os casos.

O que devemos ter em mente é que a causa do TEA é uma condição multifatorial com combinação de variantes genéticas raras e comuns, que podem ou não ser herdadas.

Apesar dos estudos científicos evidenciarem que no autismo a questão genética é a principal causa do TEA, o diagnóstico do Transtorno é baseado em exame clínico, realizado por neuropediatras, psiquiatras ou outros especialistas. 

Mesmo as pesquisas sendo bastante promissoras e muito tem sido descoberto e compreendido sobre o autismo nos últimos anos, ainda não se determinou exatamente o que causa o autismo.

Um estudo publicado em 2019 pelo JAMA Psychiatry confirmou que 97% a 99% dos casos de autismo têm causa genética, sendo 81% hereditário e cerca de 1 à 3% deve ter origem ambiental.

Atualmente há mais de 1.000 genes relacionados ao autismo.  O tema é bastante complexo, mas saber que o autismo está ligado a questões genéticas aumentam as chances de realizar um diagnóstico precoce e melhorar a forma como são realizadas as condutas terapêuticas para cada autista, de acordo com suas necessidades.

E como sabemos, quanto antes o TEA for descoberto, melhores serão as perspectivas de que a pessoa se desenvolva, aumente a autonomia e conquiste a sua independência.

Saiba mais em: Sinais do Autismo – Conheça 14 sinais que são comuns em crianças com autismo

Referências:

https://gene.sfari.org/

Autism Speaks.org

https://jamanetwork.com/journals/jamapsychiatry/article-abstract/2737582

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Desenvolvendo habilidades com Musicoterapia

Musicoterapia é internacionalmente reconhecida como uma atividade clínica e regulamentada na área da saúde. Essa terapia consiste na utilização da música no contexto clínico, educacional e social e tem como objetivo auxiliar no tratamento ou prevenção de problemas de saúde mental.

Na musicoterapia, o paciente vivencia a música de forma ativa através de diversas atividades de acordo com as suas necessidades clínicas, habilidades e potenciais.

A música é composta por melodia, harmonia e ritmo de uma maneira organizada e está presente em todas as culturas conhecidas. A música vem sendo utilizada em vários contextos, desde para o entretenimento, até para acalmar crianças agitadas, liberar emoções, expressar consciência social, dentre outras funções.

Essa abordagem terapêutica vem ganhando popularidade como uma estratégia de intervenção para crianças com transtornos do desenvolvimento, incluindo o autismo, já que essa terapia ajuda na melhora da qualidade de vida desses indivíduos.

O Transtorno do Espectro do Autismo, também conhecido como TEA, atinge aproximadamente 1-2% da população, afetando substancialmente a capacidade da criança em adquirir habilidades sociais.

A aplicação de intervenções eficazes para facilitar e desenvolver as habilidades sociais é essencial devido ao impacto que essas habilidades podem ter, ao longo da vida, sobre a independência e o funcionamento desses indivíduos.

Estudos mostram que a musicoterapia é uma prática eficaz, com efeitos profundos sobre a melhoria dessas habilidades em crianças com autismo.

Benefícios que a musicoterapia pode promover para os indivíduos com autismo

  • Promover o bem estar e satisfação emocional;
  • Diminuir o estresse;
  • Ajudar a expressar sentimentos;
  • Auxiliar na comunicação;
  • Auxiliar na melhora da memória;
  • Ajudar na criatividade;
  • Ajudar na socialização e interação;
  • Diminuir a hiperatividade;
  • Trabalhar as necessidades cognitivas.

As sessões de musicoterapia devem ser conduzidas por um musicoterapeuta qualificado, podendo ser individuais ou em grupo, mas o tratamento deve ser sempre individualizado de acordo com as necessidades de cada um.

Referências:

LaGasse AB. Social outcomes in children with autism spectrum disorder: a review of music therapy outcomes. Patient Relat Outcome Meas. 2017 Feb 20;8:23-32. doi: 10.2147/PROM.S106267.

Brown LS. The Influence of Music on Facial Emotion Recognition in Children with Autism Spectrum Disorderand Neurotypical Children. J Music Ther. 2017 Mar 1;54(1):55-79. doi: 10.1093/jmt/thw017.

Ghasemtabar SN, Hosseini M, Fayyaz I, Arab S, Naghashian H, Poudineh Z. Music therapy: An effective approach in improving social skills of children with autism. Adv Biomed Res. 2015 Jul 27;4:157. doi: 10.4103/2277-9175.161584.

 

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Inclusão escolar e material adaptado

Neste artigo vamos falar sobre a inclusão escolar e a importância dos materiais adaptados nesse processo.

Um dos desafios dos pais e familiares de pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é contribuir com o processo de inclusão escolar que ainda está engatinhando aqui no Brasil.

Mas, vamos lá…você sabe o que significa inclusão escolar?

A inclusão é fazer com que o aluno se envolva nas atividades dentro da sala de aula e tenha uma experiência de qualidade.  Além de desenvolver suas habilidades, participar da rotina da escola, aprender e brincar com outras crianças.

O aluno necessita fazer parte da turma, interagir com os colegas e professores, compreender o conteúdo das aulas e se desenvolver de acordo com suas limitações e particularidades.

Inclusão não apenas ter o aluno dentro da escola!

Inclusão não é deixar o aluno isolado no canto da sala e dizer que ele está dentro da sala de aula e por isso está incluído. Não!!! Inclusão é fazer com que o aluno participe das atividades com toda a turma.

Para isso ser possível é importante que ocorra uma grande parceria entre os pais, a escola e os profissionais envolvidos na educação dessa criança.

Um fator importante nesse processo é a utilização de materiais didáticos adaptados. Isso é necessário porque muitos autistas sentem dificuldade de aprender da forma tradicional, outros conseguem acompanhar a turma, mas muitos não.

Ter esse apoio pedagógico é muito importante no  processo de aprendizagem. É importante destacar que a adaptação de materiais didáticos deve ser feita de acordo com o repertório comportamental da criança e deve atender a necessidade individual.

A adaptação dos conteúdos didáticos mantém a integridade do conteúdo no currículo, mas pode apresentá-lo em um formato diferente ou alterar o ambiente no qual o aluno aprende com base nas suas necessidades e limitações individuais.

Mas você deve estar se perguntando como deve ser esse material didático adaptado? Não há uma fórmula exata, uma vez que cada criança com o TEA é única, mas o ideal é que as tarefas complexas sejam fragmentadas em etapas e que as atividades sejam mais lúdicas.

O material didático precisa ser atraente e adequado para cada criança. Ele precisa ser objetivo, os enunciados devem ser menores e é necessário evitar longos textos que exijam uma interpretação complexa.

Também é indicado que ele contenha menos exercícios por página, pois uma página lotada de informações pode distrair a criança com autismo e tirar o foco do objetivo da atividade.

Se for possível, o conteúdo deve ter temas de interesse da criança nas atividades. Essa é uma forma para que ela seja estimulada e tenha vontade de fazer determinada atividade. Também é preciso evitar questões com duplo sentido. As metáforas e figuras de linguagem devem ser excluídas, pois elas são um desafio para crianças autistas.

Para que tudo isso seja eficaz, os pais precisam encontrar uma instituição de ensino que ofereça recursos de apoio, profissionais capacitados e que respeite o ritmo da aprendizagem da criança.

Também poderá ser necessário modificar as instruções das atividades, alterar o formato das aulas, explorar novos ambientes e usar estratégias de ensino diferenciadas. E para saber se todas essas estratégias estão funcionando é fundamental observar com regularidade o avanço do aluno e se as dificuldades persistem.

Escolher uma boa escola que atenda todos esses requisitos pode ser bastante difícil, mas é fundamental para que essa inclusão ocorra. Opte pela escola que queira incluir seu filho e sua família, além de valorizar e respeitar a pessoa com o transtorno, suas habilidades e suas diferenças.

É extremamente importante manter uma relação baseada em cooperação e apoio mútuo. Mas, vale destacar que a escola não pode se recusar a matricular o aluno com TEA. Se isso ocorrer, ela está cometendo um crime.

O aluno autista tem o direito de aprender, desenvolver suas potencialidades e participar em igualdade de condições com outros alunos.

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Educação física e seu papel no autismo

A educação física é mais uma ferramenta que pode auxiliar no desenvolvimento de habilidades na criança com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), em especial, no que cabe às aptidões sociais e motoras.

Ela contribui com a melhora do condicionamento físico e saúde de seus praticantes. Inclusive, essa é uma das disciplinas que integra a grade curricular de grande parte das escolas de ensino do País.

Assim como o organismo é nutrido pela alimentação, o corpo (músculos e etc.) é fortalecido por meio de atividades, como fazer algum esporte, dançar, correr, nadar, andar.

No caso de crianças com TEA, exercícios podem contribuir para vencer as fragilidades que apresentam no equilíbrio, coordenação, flexibilidade e planejamento motor. A ausência de atividade física na rotina do autista pode impactar na sua autonomia para realizar tarefas como caminhar, virar-se, vestir uma roupa.

Como benefícios ainda é possível citar melhora na resistência, força, flexibilidade, manutenção e perda de peso. Já no aspecto comportamental, pode se observar redução de movimentos estereotipados do autista, bem como diminuição de comportamentos agressivos.

Da mesma maneira que o profissional de qualquer outra disciplina escolar educativa deve se empenhar em ser um facilitador para que a criança no espectro possa acompanhar/assimilar os ensinamentos que lhe são propostas, o educador físico deve atuar no campo da saúde física, instruindo e acompanhando o autista, de maneira inclusiva. (confiram também a reportagem “Aprendizagem escolar dos autistas – ensino fundamental e ensino médio: como vencer desafios”)

O educador físico é o profissional qualificado que poderá oferecer o suporte necessário para que haja o melhor aproveitamento possível de cada atividade.

O educador (dentro ou fora do ambiente escolar) poderá auxiliar na escolha e frequência ideal do exercício que melhor se enquadra no perfil do autista, levando em conta suas aptidões e limitações e fornecer orientação física ou verbal para conduzir o treinamento. Inclusive, alguns estudos brasileiros conceituam como atividade física ou esportiva inclusiva aquela que leva em conta essas especificidades do TEA.

Lembre-se: praticar exercícios regularmente, desde a infância – seja ela da criança que está no espectro ou não (neurotípica), contribui para alcançar saúde e qualidade de vida, reduzindo o risco de doenças como obesidade, hipertensão, diabetes e depressão, entre outras.

Leia também:

Educação no Autismo: aprendizado como ferramenta

Referências:

Sports, Exercise, and the Benefits of Physical Activity for Individuals with Autism. Autism Speaks. February 19, 2009. Disponível em https://www.autismspeaks.org/science/science-news/sports-exercise-and-benefits-physical-activity-individuals-autism Acessado em 22 de dezembro de 2017.

Lang R, Koegel LK, Ashbaugh K, Regester A, Ence W, Smith W. Physical exercise and individuals with autism spectrum disorders: A systematic review. Research in Autism Spectrum Disorders. 2010;4:565-576. Disponível em < http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1750946710000073> Acessado em 21 de dezembro de 2017.

AGUIAR, João Serapião; DUARTE, Édison. Educação Inclusiva: um estudo na área da Educação Física. Rev. Bras. Ed. Esp. Marília, Mai/Ago de 2005, v.11, n.2, p.223-240. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbee/v11n2/v11n2a5.pdf  Acesso em 21 de dezembro de 2017.

RODRIGUES, D. A educação física perante a educação inclusiva: reflexões conceptuais e metodológicas. Boletim da Sociedade Portuguesa de Educação. Disponível em http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/RevEducFis/article/view/3649/2515  Acessado em 21 de dezembro de 2017.

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Transtorno do Processamento Sensorial -TPS- no autismo

Transtorno do Processamento Sensorial (TPS) no autismo

No artigo de hoje vamos falar um pouquinho sobre o Transtorno do Processamento Sensorial (TPS) no autismo. Você já ouviu falar sobre o TPS? Muitas crianças, jovens e adultos com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) podem apresentar também o TPS.

Estudos mostram que as habilidades sensoriais dos autistas podem ser ineficientes. Sabe-se que os estímulos sensoriais não são registrados adequadamente e também não são modulados de forma correta pelo cérebro, pelo Sistema Nervoso Central (SNC) da pessoa.

A pessoa com TPS pode apresentar por exemplo uma sensibilidade maior aos estímulos do ambiente ou ainda uma sensibilidade muito menor, que chamamos de hipersensibilidade e hipossensibilidade.

Quando há hipersensibilidade, a pessoa percebe os estímulos do ambiente com mais facilidade. Por isso, acham as luzes e as cores muito brilhantes, os sons ficam bem intensos, os odores se tornam muito fortes e as sensações táteis são interpretadas de modo profundo.

Já quem tem hipossensibilidade precisa de bastante excitação ou esforço para sentir o estímulo. Nesses casos, a pessoa costuma ser agitada, faz mais bagunça, tem pouca resposta à dor ou gosta de muito barulho, por exemplo.

Essas alterações sensoriais podem ser visuais, por exemplo, a pessoa tem dificuldades de diferenciar tamanhos, formatos e cores de objetos, calcula errado uma distancia e tem uma noção espacial pobre o que faz com que essa pessoa caia com frequência ou esbarre muito nas coisas ao redor.

Essas alterações sensoriais também podem ser auditivas (por exemplo a pessoa não suporta ambientes com muito barulho e fica tapando os ouvidos), podem ser olfativas, vestibular (que está relacionado com a sensação de movimento principalmente da cabeça. Por exemplo se a criança é hipossensivel na questão vestibular ela normalmente vai ficar pulando, rodando e girando ao redor do corpo), também podem ser gustativas e tátil (em relação ao toque e temperatura). Então todas essas questões sensoriais podem se apresentar de diferentes formas e intensidades.

Os autistas muitas vezes sentem muitas dificuldades para lidar com as diversas sensações do ambiente.  É muito comum pessoas com autismo apresentarem essas questões sensoriais e se sentir incomodados com sons, luzes, texturas, movimentos, toques e sabores. E isso pode levar a crises.

Tudo aquilo que causa uma experiência sensorial pode impactar no comportamento da pessoa com autismo. Por isso que é importante sabermos diferenciar birras de crises.

Aparentemente, o comportamento pode parecer semelhante, mas há algumas diferenças.

A birra é intencional e é usada como estratégia. A criança faz birra para chamar a atenção e pode acontecer por causa de uma frustração. A birra diminui depois de ser ignorada,  acaba após a criança receber o que quer. A birra deve desaparecer depois que a criança cresce.

Já a crise não é intencional e não é realizada como uma estratégia.  É uma forma de controlar as emoções. Não tem idade para acontecer. Ela serve para o autista se expressar, mostrar que algo não está agradando, não quer dizer que ele quer chamar atenção. Pode acontecerdevido a um estímulo sensorial. A crise passa depois de um desgaste emocional. Pode apresentar sintomas antes das crises, como balançar o corpo.

Normalmente as crises ocorrem por questões de problemas de processamento sensorial.

Essas dificuldades sensoriais são consideradas uma característica do TEA e até mesmo são usadas como um dos critérios para o diagnóstico do autismo.

No DSM-5, dentro de Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades o DSM fala sobre a possível presença de Hiper ou Hiporreatividade a estímulos sensoriais ou interesse incomum por aspectos sensoriais do ambiente.

O DSM cita como exemplo o seguinte: indiferença aparente a dor/temperatura, reação a sons ou texturas específicas, cheirar ou tocar objetos de forma excessiva, fascinação visual por luzes ou movimento.

Obviamente, esses problemas de integração sensorial podem comprometer bastante a qualidade de vida do autista e o seu desenvolvimento.

Muitas crianças com TPS por exemplo não conseguem brincar direito. Elas podem parecer desajeitadas em atividades que envolvam movimentos ou não conseguem segurar objetos. Tudo isso pode causar muito mal-estar para a criança e fazer com que ela não consiga interagir com os seus coleguinhas. Ela acaba tendo uma resposta emocional negativa a essas sensações que a incomodam.

Sinais do TPS no autismo

Cada criança é única, mas elas podem apresentar alguns comportamentos parecidos que indicam o TPS:

  • Algumas podem escolher sempre os mesmos brinquedos ou mudar de uma atividade a outra com frequência, não concluindo essas atividades.
  • Podem ser desajeitadas e esbarrar em tudo que encontram. É comum também ter dificuldades de pegar uma bola ao ser jogada, não antecipando o movimento.
  • Alguns podem apresentar dificuldades na alimentação. A alimentação costuma ser mais seletiva, escolhem alimentos com base na mesma textura ou consistência.
  • Com vestuário, as etiquetas nas roupas incomodam ou a textura do tecido pode incomodar.
  • Podem apresentar dificuldades com higiene pessoal. Por exemplo podem ficar incomodadas ao cortar as unhas e os cabelos. Atividades simples como escovar os dentes parece muito sofrido.
  • Podem se sentir desconfortáveis ao andar de carro ou com barulho de eletrodomésticos. Outro comportamento que pode ser observado é que não gostam de se sujar. Alguns também podem cheirar objetos. É comum que evitem lugares com barulho ou luzes em excesso ou que comece a balançar o corpo para controlar o ambiente externo. Para se autorregular.
  • Também é comum ficar incomodado com um simples carinho, reagindo agressivamente ou parecer ansioso com o toque. Muitos evitam o toque e estão sempre distantes das pessoas. Essas crianças podem se recusar a andar descalços, chorar quando tomam banho ou querer passar muito tempo no chuveiro.

Bom, então se você observar sinais como os que eu acabei de citar aqui você deve procurar um Terapeuta Ocupacional (TO) especialista em integração sensorial que é o principal profissional que trabalha com TPS para realizar o diagnóstico e intervenção.

O TO vai fazer uma Avaliação de Processamento Sensorial. Uma avaliação padronizada com testes fundamentados e comprovados por pesquisas científicas. Por meio dessa avaliação vai ser possível direcionar o melhor tratamento e dar mais orientações para a família e a escola.

Conhecer o perfil sensorial da criança é muito importante, pois há associação direta entre o comportamento apresentado e a maneira como uma sensação é recebida do meio ambiente.

É muito importante que o autista passe por essa avaliação e comece a realizar a terapia de integração sensorial para ganhar qualidade de vida. E sempre importante dizer que os terapeutas precisam do apoio dos pais, dos  familiares para que o tratamento seja efetivo.  A família precisa participar das terapia.

Na terapia de integração sensorial os terapeutas usam ferramentas e realizam atividades que estão presentes no cotidiano da pessoa. Geralmente, eles propõem intervenções que favorecem a recepção, o processamento e a resposta adaptativa ao meio pela integração de informações sensoriais.

A terapia de integração sensorial trabalha em várias frentes, mas fornece principalmente condições para que a criança explore o ambiente. Também promove o aumento da habilidade em manter a atenção. Ela melhora a coordenação e os movimentos para que a criança tenha sucesso nas atividades. Além disso, contribui com a autoestima e  melhora nos aspectos sociais do autista.

A terapia vai ajudar a criança com dificuldade de integração sensorial a administrar suas sensibilidades e desejos.

As técnicas de terapia de integração sensorial são simples e, em alguns casos, podem ser feitas em casa. Tais alternativas procuram trazer mais conforto a quem tem dificuldade em processar informações sensoriais. Auxiliando aqueles que tem excesso, ou falta de sensibilidade em algum dos sentidos.

Exemplos de algumas técnicas

– Toque de texturas – se a criança sente um incômodo ao tocar em determinadas texturas, o terapeuta estimula esse contato aos poucos com brincadeiras ou brinquedos como massinha de modelar. Depois que ela se acostumar com a sensação, será possível avançar para outros objetos com texturas similares.

– Tocar o corpo – é importante ter a capacidade de reconhecer o espaço que o próprio corpo ocupa no ambiente. O terapeuta pode ajudar a criança com brincadeiras a reconhecer partes do corpo com espelhos, por exemplo.

– Balanço e gira-gira – para estimular o aparelho vestibular, as crianças podem brincar em balanços ou girar o corpo para regular a noção de gravidade do corpo. Os movimentos vão ajudar a controlar o equilíbrio corporal.

– Tapete sensorial  – para quem tem pouca sensibilidade tátil pode ser uma boa ideia brincar com um tapete retangular repletos de diferentes texturas. Dessa forma, a pessoa compreende melhor o tato e estimula o cérebro para se adaptar. Ela pode segurar outros objetos e perceber seu formato.

–  Estímulo com pressão – algumas pessoas são hipossensíveis e sentem-se mais confortáveis quando estão fisicamente pressionadas. Aqui pode ser usado um cobertor pesado ou um colchão fino em cima do corpo, por exemplo. É preciso muito cuidado para a criança não  se machuque.

O terapeuta trabalha de forma individual com a criança com o TEA, de acordo com a sua dificuldade sensorial. É comum que aquelas que sentem dificuldades com texturas realizem brincadeiras com diferentes materiais como massinhas, água, papel, cola, adesivo e areia, por exemplo.

Quem é muito sensível ao toque pode passar pela dessensibilização. Ao realizar atividades que o incomodam como por exemplo escovar os dentes. Há também um dispositivo que simula a sensação física de um abraço, limitando o espaço e pressionando o corpo para gerar uma sensação de bem-estar e tranquilidade. Ele é conhecido como a máquina do abraço.

Os autistas que possuem sensibilidade a odores ou sons podem entrar em contato com brinquedos com fragrâncias ou musicais, por exemplo. O terapeuta pode experimentar diferentes tons de voz e diversos odores, avaliando sempre a reação do autista e mudando a estratégia sensorial sempre que necessário.

E no dia a dia, os pais e familiares são orientados a seguir algumas atitudes que melhoram o bem-estar e qualidade de vida dos autistas. Por exemplo, para quem sofre com a sensibilidade visual, os pais podem ser aconselhados a modificar o ambiente ou reduzir a iluminação da casa. Já quando o problema é com os sons, criam-se maneiras de reduzir os barulhos externos.

Em relação aos cheiros, pode se reduzir os perfumes, e quem apresenta dificuldade em relação ao toque, respeitam-se a suas preferências como texturas de alimentos e também explicam a importância de não tocar na pessoa sem sua permissão para que ela se sinta confortável.

Lembrando que é muito importante buscar ajuda especializada, encontrar profissionais capacitados para desenvolver a terapia de integração sensorial e melhorar a qualidade de vida dos autistas.

A longo prazo, a terapia de integração sensorial diminui a necessidade para adaptações e ajuda as pessoas a terem uma rotina normal, sem grandes limitações.

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