Depressão e autismo: quando há risco de suicídio?

A depressão é uma condição bastante frequente e pode afetar até 85% das pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).  Estima-se que  aproximadamente 20% dos jovens com autismo tenham também transtornos depressivos. E quase metade dos adultos com autismo terão um quadro de depressão durante algum momento da vida.

Isso pode ocorrer devido a  fatores biológicos, psicológicos e sociais. Além do fato de o autismo e a depressão compartilharem vulnerabilidades genéticas comuns.

Sabe-se também que a depressão é mais comum em indivíduos com autismo que possuem uma grau mais leve. Acredita-se que isso ocorre com mais frequência porque eles têm consciência de sua condição e isso causa sofrimento psíquico.

Sentir-se socialmente isolado e solitário e ter dificuldade para comunicar seus sentimentos pode levar algumas pessoas com autismo a ter pensamentos suicidas. 

Quais são os sintomas?

A depressão em pessoas com autismo pode se apresentar de forma diferente. Em alguns casos, há aumento da agressividade e/ou dos comportamentos repetitivos.

Mas as pessoas com depressão e autismo podem ter dificuldade em compartilhar e identificar seus pensamentos e sentimentos.

Geralmente, eles não conseguem rotular seus sentimentos, comunicar os sintomas ou preocupações sobre seu estado mental e falta de ânimo. Tudo isso prejudica o diagnóstico e o tratamento.

A depressão pode prejudicar a independência do autista, suas habilidades sociais e de comunicação e desencadear pensamentos suicidas.

O risco de suicídio

Além da tristeza, apatia, desânimo e incertezas, alguns autistas com depressão podem pensar em suicídio. Sabe-se que uma das principais causas de morte prematura de pessoas com TEA é o suicídio.

É importante salientar que é preciso estar atento, desde o princípio, aos sentimentos de infelicidade ou inadequação das pessoas com TEA.

De acordo com pesquisas, as tentativas de suicídio  entre indivíduos com transtornos do espectro do autismo é significativamente maior do que entre a população em geral.

Os pesquisadores acreditam que conviver com autismo, muitas vezes, significa ter que enfrentar dificuldades diárias. Para eles, é muito difícil a interação com outras pessoas, nos estudos ou no trabalho. Muitos ainda sofrem bullying e não são compreendidos.

Principais motivos que levam à depressão

Pesquisadores e os relatos de autistas mostram quais são os potenciais motivos para ter depressão e pensamentos suicidas. São eles:

  • bullying, isolamento, solidão;
  • achar difícil entender seus próprios sentimentos e aprender a administrá-los;
  • precisar esconder ou mascarar traços ou comportamentos autistas;
  • dificuldade de ter um diagnóstico correto;
  • problemas para dormir;
  • dificuldade para comunicar suas emoções e pensamentos;
  • dificuldade em identificar emoções alheias;
  • outras condições de saúde como  o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).

O que pode ser feito?

É muito importante que o diagnóstico seja realizado precocemente para que o autista receba o tratamento adequado.

A família e as pessoas próximas precisam estar por perto e reconhecer os sinais de depressão. O que pode ser complicado uma vez que as pessoas com espectro autista reagem e interpretam o mundo de forma diferente das demais pessoas.

Como eles sofrem e não conseguem se expressar, pode ser mais complexo um diagnóstico.

Alguns medicamentos como antidepressivos e a terapia comportamental podem ser indicadas para controlar os sintomas.

Há uma grande variedade de antidepressivos disponíveis no mercado e apenas um médico, geralmente psiquiatra, pode indicar qual é o melhor para cada caso.

Os medicamentos podem controlar os sintomas de tristeza, humor alterado, falta de sono e apetite, irritabilidade e perda de motivação dos autistas deprimidos.

Já a intervenção terapêutica trabalha as questões referentes ao sofrimento psíquico e também situações relacionadas aos conflitos internos. O objetivo é  trazer mais qualidade de vida para quem sofre com a depressão.

Alguns fatores podem diminuir os riscos de suicídio. É importante ter o apoio familiar e garantir uma adaptação adequada na escolar e que a inclusão escolar seja efetiva.

Se o autista demonstrar qualquer sinal de sofrimento, a procura por especialista deve ser imediata. Isso porque muitos não sabem pedir ajuda.

Referências:

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32150706/

https://www.spectrumnews.org/features/deep-dive/the-deep-emotional-ties-between-depression-and-autism/

https://www.autismspeaks.org/expert-opinion/whats-connection-between-autism-and-depression

https://www.autism.org.uk/advice-and-guidance/topics/mental-health/suicide

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Dificuldades Alimentares no autismo

A Seletividade Alimentar, que é um tipo de Dificuldade Alimentar que afeta cerca de 80% das crianças autistas e cerca de  30% das neurotípicas, ou seja, que não tem autismo ou qualquer outro tipo de atraso no desenvolvimento.

É um problemas muito comum e que precisa de atenção. Porém, sabendo o manejo das técnicas corretas, é possível conquistar uma boa alimentação e a nutrição adequada para o seu filho.

Primeiro você precisa compreender o que seu filho está passando, portanto, precisa saber o que é seletividade, o que é dificuldade alimentar, desta forma, você vai conseguir contornar melhor tudo isso.

O que é o comer normal?

O marco da seletividade alimentar normal se inicia aos dois anos de idade. É uma seletividade que a gente chama de típica, nesse marco dos dois anos acontecem várias mudanças no desenvolvimento da criança. Na idade pré-escolar a criança começa a ter preferências alimentares, elas começam a conhecer o sabor doce, conhecer o sabor do salgado, do refrigerante e começa a ter as preferências alimentares.

Com dois anos de idade elas começam a agir também mais pela parte do comportamento, então começam a escolher alimentos da preferências delas, como por exemplo o leite, a grande maioria gosta muito do leite, do sabor doce ao invés de comer a comida que lhe é ofertada, elas deixam de comer alguns alimentos mas voltam a comer uns dois, três dias depois ou ainda, depois de uma semana.

A quantidade de alimentos que essas crianças com seletividade alimentar típica (que é a seletividade natural) comem é bem abrangente, contém 50 ou mais alimentos.

Dentro dessa seletividade típica há uma variação de apetite, então aos dois anos de idade a criança consome menos alimento, porque o índice energético dela é um pouquinho menor, ok? Isso é normal.

A velocidade de crescimento diminui, então essas crianças necessitam de menos calorias. Portanto, aos dois anos é um marco que a gente percebe que a criança tem menos apetite, ela começa a comer menos.

Elas apresentam uma resistência em experimentar o novo, então rejeitam a comida sem mesmo ter experimentado antes, e gostam de comer somente alimentos que interessam à elas.

Mas se dentro do contexto comportamental dessa criança, tiver uma rotina alimentar adequada, ela consegue comer os alimentos que a gente quer que ela coma. E ela não exclui grupos inteiros de alimentos, então essa seletividade alimentar típica, é uma seletividade que oscila muito do que está dentro do esperado.

Seletividade Alimentar

E o que que seria a seletividade alimentar sem ser típica, que é a seletividade fora do normal, que a gente precisa ficar um pouquinho mais de alerta?

Lembra que a criança que come normalmente aceita cerca de 50 alimentos diferentes? Já em uma dificuldade alimentar, a criança que é mais seletiva aceita menos alimentos, ela come uma variedade de até 30 alimentos diferentes.

É aquela criança que deixa de comer, mas ser ofertar novamente daqui duas ou três semanas, volta a comer aquele alimento que rejeitou. Come pelo menos um alimento de cada textura e de cada grupo alimentar, então do grupo de frutas come uma, no grupo de legumes come outra, ou seja, de cada grupo de alimentos ela aceita comer pelo menos um determinado alimento.

Consegue tolerar o alimento perto dela, consegue interagir com alimento, às vezes chega até experimentar, colocar na boca, mas depois recusa, chega à tocá-lo, chega a interagir bem com esse alimentos.

E o que seria a recusa alimentar?

A recusa alimentar é um pouquinho mais grave tem que ser tratada de imediato.

São crianças que rejeitam e aceitam pouquíssimos alimentos, no máximo 20 alimentos. São crianças que geralmente só toleram crocante, ou somente alimentos brancos, ou só os pastosos, e dependendo do grau de dificuldade dessa criança, rejeita categorias inteiras de alimentos, por exemplo, se a criança rejeita uma fruta, ela rejeita todas as frutas, se rejeita uma verdura, rejeita todas as verduras.

Essas crianças requerem um tratamento a longo prazo, requer um manejo de comportamento um pouco diferente, são crianças com uma dificuldade alimentar um pouquinho mais grave. Elas não toleram sequer ficar no mesmo ambiente com outras pessoas comendo.

E tem crianças que chegam no grau de dificuldade de recusa alimentar tão grande que ficam desnutridas, ficam abaixo do peso, geralmente só querem leite. A  grande maioria das crianças com recusa alimentar, são crianças que vivem à base de leite, crianças que ficam só com uma madeira durante o dia inteiro. Por isso temos que ficar alertas e avaliar o porque disso, o porque das suas dificuldades.

Aversão oral

E temos também a aversão oral, que são aquelas crianças que não passaram pela fase oral no desenvolvimento dela, então são aquelas crianças que a mãe relata que não pegava muito o mordedor, não fazia a conexão “mão-boca“, que apresentam grande sensibilidade e medo excessivo de qualquer estímulo incluindo a parte orofacial.

São crianças que não gostam de chupetas, que tiveram dificuldades na amamentação, crianças que tem algum tipo de utensílio específico, não tolera qualquer tipo de utensílio, não tolera qualquer tipo de bico na mamadeira, apresentam dificuldades inclusive na escovação dos dentes.

E por fim, temos a neofobia alimentar

A neofobia alimentar nada mais é do que o medo de experimentar o novo. São aquelas crianças que tem vontade de experimentar, ficam com a boca cheia d’água, mas quando vai colocar o alimento na boca bloqueia, então o alimento para essa criança é como se fosse algo muito estranho.

Essas crianças apresentam mesmo uma neofobia, que é o medo, a fobia de ver um alimento. São crianças que sentem medo do alimento, crianças que sofrem ao ver um alimento de plástico, o alimento simbólico, uma brincadeira, se esquiva, tem medo, choram, tem crianças que até acelera o coração, dilatam as pupilas, então essas crianças têm realmente uma fobia alimentar.

Então esses são os tipos de dificuldades alimentares que as crianças podem apresentar. Se seu filho está passando por algum tipo de dificuldade alimentar procure um especialista para realizar as intervenções necessárias e garantir uma boa alimentação e nutrição.

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Mutismo seletivo e autismo: qual é a relação?

O mutismo seletivo é um transtorno de ansiedade infantil em que a criança é incapaz de falar em alguns ambientes e com algumas pessoas. 

Geralmente, ela pode falar normalmente em casa, por exemplo, ou quando está sozinha com seus pais. Mas não consegue falar em outros ambientes sociais na escola, em público ou em reuniões de família. 

A criança sente que não consegue falar, porém há uma incapacidade que gera grande angústia. Independentemente da situação mesmo com dor ou se precisa usar o banheiro, a pessoa não se comunica.

Muitas vezes, pode ser confundido com timidez, dificuldade de adaptação a um ambiente ou idioma. E, em alguns casos, pode ser diagnosticado erroneamente como o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Os sintomas podem variar de acordo com  cada criança, mas geralmente causa sofrimento ao indivíduo e aos que estão à sua volta. Costuma ser percebido na infância, mas o Mutismo Seletivo pode continuar pela adolescência e na fase adulta.

Principais sintomas

O Mutismo Seletivo ocorre entre os 3 e 6 anos de idade, mas há casos em que o diagnóstico é realizado apenas após a criança ingressar na escola.

Alguns sintomas podem ser semelhantes ao autismo, por isso é importante ter bastante atenção e buscar ajuda especializada.

Veja detalhes dos sinais:

  • são capazes de se comunicar de forma clara e eficaz em ambientes onde se sintam confortáveis, seguras e calmas;
  • não iniciam a fala ou respondem em ambientes sociais;
  • lutam para ler em voz alta, falar na frente da classe ou trabalhar em grupos grandes;
  • o fato de não falar em certas situações pode interferir nas relações sociais e acadêmicas;
  • timidez excessiva;
  • isolamento social;
  • medo de ficar envergonhado na frente de um grupo;
  • acessos de raiva;
  • traços compulsivos;
  • negatividade.

Quantas pessoas são atingidas e quais são as causas?

O Mutismo Seletivo é um distúrbio relativamente raro. De acordo com o DSM-5, a ocorrência dessa condição varia entre 0,03% e 1%. A idade média de início é antes dos 5 anos, mas muitas crianças não são diagnosticadas até entrarem na escola.

As causas ainda não são conhecidas, mas há alguns fatores de risco que indicam a prevalência do distúrbio.

O que se sabe é que pode ter um componente genético e questões ambientais que podem influenciar o aparecimento do Mutismo Seletivo em algumas crianças.

Diagnóstico precoce

O Mutismo Seletivo pode atrapalhar bastante a qualidade de vida e o desempenho escolar das crianças. Além disso, elas pode ter problemas de interação social e dificuldades para ter amigos. Tudo isso pode causar problemas de autoestima e ansiedade social.

Por essas razões, é muito importante ter um diagnóstico precoce. Pode ser necessário passar por um psicólogo ou psiquiatra para checar se há problemas de linguagens. Já o fonoaudiólogo pode testar se há um distúrbio de linguagem.

Formas de tratamento

O tratamento pode envolver uma combinação de psicoterapia com medicação. A terapia cognitivo comportamental pode contribuir com a redução de ansiedade por trás desse comportamento.

E com o tempo e, juntamente com as intervenções terapêuticas adequadas, essas crianças aprendem a se comunicar e a melhorar a autoestima.

Vale destacar que as intervenções comportamentais devem ser adaptadas de acordo com a criança que apresenta o Mutismo Seletivo.

Em alguns casos, os especialistas podem realizar reforço positivo para ajudar no comportamento verbal  da criança, ajudando a verbalizar em voz alta.

Também pode estimular a criança aumentando gradualmente o número de pessoas e lugares nos quais ela precisa se comunicar.

Em alguns casos, as crianças são gradualmente expostas a situações que geram ansiedade em que a fala é esperada, depois recebem apoio emocional. E também orientação com exercícios de relaxamento para ajudar a superar esse medo e ansiedade.

Especialistas podem aindapraticar habilidades de interação social para reduzir a ansiedade. Assim, podem ser estimuladas a sair em grupos, brincar com as crianças e estimular o contato visual e o uso da linguagem corporal.

O tratamento precoce pode ajudar crianças com Mutismo Seletivo a aprender a falar com mais frequência, sem tanto medo ou ansiedade. Como resultado, eles podem melhorar seus resultados acadêmicos e sociais.

Referências:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2861522/

https://novaescola.org.br/conteudo/18059/mutismo-seletivo-conheca-as-causas-sintomas-e-formas-de-tratamento

https://www.asha.org/public/speech/disorders/Selective-Mutism/

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Saiba mais sobre o Transtorno Específico de Linguagem

O Transtorno Específico de Linguagem é um distúrbio da comunicação que interfere no desenvolvimento das habilidades da linguagem em crianças que não apresentam perda auditiva ou deficiência intelectual. 

Ele pode afetar a fala, a audição, a leitura e a escrita. Estima-se que afete até 8% das crianças no jardim de infância. O impacto desse transtorno geralmente persiste na idade adulta.

A causa é desconhecida, mas pesquisas recentes sugerem que há uma forte ligação genética. Crianças com esse transtorno têm maior probabilidade de ter pais e irmãos que também tiveram dificuldades e atrasos na fala. 

Vale destacar que assim como ocorre com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), o Transtorno Específico de Linguagem é uma condição que ocorre durante o neurodesenvolvimento.

Ambos Transtornos se manifestam precocemente e se não forem identificados prejudicam a qualidade de vida  da criança.

Apesar de serem Transtornos distintos, pessoas com autismo podem apresentar o Transtorno Específico de Linguagem. Mas mesmo tendo prejuízos de linguagem em ambas as condições, eles ainda são mais acentuados no TEA.

Quais são os sintomas?

Uma criança com o Transtorno Específico de Linguagem geralmente demora mais para falar. E depois sentem dificuldade de aprender novas palavras e conversar. Também afeta mais meninos que meninas.

A seguir, veja outros sintomas:

  • Sentem dificuldade em seguir instruções, pois não entendem as palavras;
  • Cometem erros gramaticais frequentes ao falar;
  • Persistentes dificuldades de linguagem;
  • Uso limitado de frases complexas;
  • Dificuldade em encontrar as palavras certas;
  • Dificuldade em entender a linguagem metafórica;
  • Problemas de leitura;
  • Troca de sons na fala;
  • Inverte a ordem das palavras;
  • Fala difícil de compreender;
  • Vocabulário restrito;
  • Hesitações parecidas com gagueiras.

Para diagnosticar o Transtorno há um critério de exclusão de outros quadros, como deficiência auditiva e intelectual e autismo.

Um fator fundamental é que a criança com esse Transtorno geralmente apresenta um desempenho em comunicação abaixo do esperado para  idade. Geralmente, ela brinca e interage, mas a linguagem não evolui. 

A importância do diagnóstico

É importante que pais e cuidadores fiquem atentos aos sinais e busque ajuda se achar que a criança apresenta o Transtorno.

As primeiras palavras já podem ser observadas a partir de um ano de idade. Mas, cada criança é única e pode demorar um pouco mais para falar.

Geralmente, um fonoaudiólogo, que é um profissional capacitado para identificar os problemas de fala ou linguagem,  poderá avaliar as habilidades de linguagem da criança. 

O tipo de avaliação depende da idade da criança, mas geralmente ocorre uma observação direta dos comportamentos e dificuldades de fala, entrevistas e questionários que são respondidos por pais ou professores.

Há também avaliações da capacidade de aprendizagem da criança e alguns testes para checar o desempenho da criança.

Intervenções terapêuticas e como conviver com o Transtorno

O Transtorno Específico de Linguagem aparece na primeira infância e provavelmente permanecerá durante toda a vida, mas a criança pode se desenvolver e aprender a lidar com ele.

Com a terapia fonoaudiológica, é possível melhorar o desempenho no processo de comunicação por meio do desenvolvimento de habilidades das crianças com o Transtorno.

O tratamento precoce durante os anos pré-escolares pode melhorar as habilidades de muitas crianças com atrasos de linguagem.

Sabe-se que  a intervenção terapêutica realizada antes dos 3 anos de idade tem se mostrado bastante eficaz.

Isso contribuirá para melhorar a interação social, os relacionamentos amorosos e profissionais, além do aprendizado escolar.

Geralmente, as medidas terapêuticas e intervenções variam de acordo com a idade e as necessidades da pessoa.

Quanto antes, melhor. Uma vez que assim a criança passará a adquirir os elementos gramaticais que faltam, ampliará sua compreensão de palavras e desenvolverá habilidades de comunicação social.

Referências

https://www.scielo.br/pdf/rcefac/2012nahead/188-11.pdf

https://www.sanarmed.com/artigos-cientificos/compreensao-de-ambiguidade-em-criancas-com-transtorno-especifico-de-linguagem-e-fala-e-transtorno-do-espectro-autista

https://leader.pubs.asha.org/doi/10.1044/leader.FTR1.06122001.4

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Conheça os principais Transtornos de Aprendizagem

Muitas crianças têm dificuldades para ler, escrever ou realizar outras tarefas relacionadas à aprendizagem em algum momento do período escolar.

Os pais e professores precisam ficar atentos se eles não possuem algum Transtorno Específico de Aprendizagem.

Nesses casos, a criança (ou jovem) é afetada pelo fato de o cérebro não receber, processar, analisar ou armazenar informações de forma adequada. Geralmente, essas crianças apresentam vários sinais que variam de pessoa para pessoa, mas não vão embora ou melhoram com o tempo.

De acordo com o DSM-5 (Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais – 5ª Edição), esses transtornos podem ser classificados como leves, moderados ou graves, gerais ou específicos, de curta ou longa duração. Quem possui algum tipo de Transtorno de Aprendizagem sente uma dificuldade pontual e específica, que está ligada a uma disfunção neurológica, sendo assim, o cérebro funciona de uma forma diferente.

Na maioria das vezes, esses transtornos de aprendizagem começam na idade escolar, embora possa não ser reconhecido até mais tarde, já na fase adulta. Envolvem  problemas contínuos que podem afetar a leitura, a escrita e os cálculos  matemáticos. Se não diagnosticado adequadamente, a pessoa com algum tipo de Transtorno de Aprendizagem pode ter problemas durante toda a vida, como baixa autoestima, baixo rendimento escolar, depressão, abandonar a escola e dificuldades para encontrar ou manter um emprego na fase adulta.  

O DSM-5 destaca que o Transtorno de Aprendizagem pode estar relacionado a fatores genéticos e ambientais e afeta a capacidade do cérebro de assimilar as informações tanto verbais (escrita ou falada) quanto não verbais (por gestos, tom de voz, postura corporal etc.). De acordo com a American Psychiatric Association, entre 5 a 15% das crianças em idade escolar (e cerca de 4% dos adultos) sofrem de transtornos específicos de aprendizagem.

Veja, a seguir, os principais tipos de Transtornos de Aprendizagem:

Dislexia

Caracteriza-se pela dificuldade de leitura e escrita. Entre os sintomas destacam-se a lentidão na aprendizagem, dificuldade de concentração, palavras escritas de forma estranha, dificuldade de soletrar, troca de letras por sons ou grafias parecidas, dificuldade em ler em voz alta e compreender. De acordo com a Associação Brasileira de Dislexia, cerca de 17% da população mundial possui esse Transtorno de Aprendizagem. O diagnóstico é realizado com ajuda de uma equipe multidisciplinar e o tratamento visa superar as dificuldades da criança e desenvolver suas habilidades para que consiga aprender de forma efetiva.

Discalculia

A dificuldade com números e compreensão dos exercícios de matemática podem ser um Transtorno de Aprendizagem. Chamado de discalculia, esse transtorno afeta a habilidade da criança de realizar cálculos matemáticos. Sendo assim, podem ter dificuldades de entender conceitos numéricos e problemas na hora de aprender operações matemáticas. Entre os sintomas, destacam-se a dificuldades na identificação visual e auditiva de números, dificuldade para contar, não compreender ou confundir os sinais matemáticos, problemas de lateralidade, trocar a ordem dos números quando copia da lousa, dificuldade de entender as horas e moedas e de estimar medidas. Estima-se que entre 3% a 6% da população mundial apresente discalculia.

Disortografia

É um distúrbio de linguagem que afeta principalmente a escrita, sendo assim, as pessoas que sofrem com esse transtorno não conseguem escrever as palavras de forma correta. Um texto escrito por uma pessoa com disortografia será cheio de erros gramaticais, que são cometidos repetidamente e isso não tem a ver com as habilidades intelectuais. Um dos erros mais comuns é o esquecimento de algumas letras em uma palavra. Como eles não dominam a escrita ou a ortografia, as pessoas com disortografia têm problemas para ler um texto. Dependendo da gravidade dos sintomas, eles podem se tornar incapazes de entender as palavras.

Disgrafia

É uma dificuldade específica de aprendizagem que afeta a habilidade de escrever. A disgrafia pode aparecer como uma dificuldade com a ortografia, caligrafia e problemas para colocar pensamentos no papel. A pessoa sente dificuldades em converter os sons da linguagem em forma escrita. Por isso, pode escrever as letras ao contrário, ter dificuldade em lembrar como as letras são formadas ou quando usar letras maiúsculas ou minúsculas. Também sente dificuldade em formar frases, usar a pontuação correta, a letra fica deformada, com espaçamento irregular, inversões e rotações das letras, podem fazer letras sobrepostas  e com espaçamento inconsistente entre as palavras.

Agora vamos descrever outras 2 condições que NÃO são consideradas Transtornos de Aprendizagem mas que impactam negativamente e atrapalham o processo de aprendizado:

Transtorno do Processamento Auditivo Central

É conhecido também como Disfunção Auditiva Central e afeta as vias centrais da audição. Sendo assim, atinge as áreas do cérebro relacionadas às habilidades auditivas e dificulta a detecção e a interpretação das informações sonoras. Dessa forma, a pessoa ouvirá, porém terá dificuldades em interpretar a mensagem recebida. Entre os sintomas destacam-se a dificuldade de memorização em atividades diárias, não conseguir ler e escrever, fadiga nas aulas, demorar a compreender o que foi falado, falta de atenção ou distração em excesso, necessidade de que a pessoa repita as frases, agitação e dificuldade para executar tarefas solicitadas.

Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividadea

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) não é um transtorno de aprendizagem mas afeta o processo de aprendizagem da criança. Entre os sintomas, destacam-se desatenção, hiperatividade e impulsividade. Costuma surgir na infância e pode acompanhar a pessoa por toda a vida. O desempenho na escola pode ser inferior ao de outras crianças, mas não devido a sua capacidade intelectual, e sim ao seu comportamento hiperativo e desatento.

Referências:

http://www.dyscalculia.org/

https://www.nhs.uk/conditions/dyslexia/

https://tdah.org.br/

https://www.psychiatry.org/patients-families/specific-learning-disorder/what-is-specific-learning-disorder

https://www.asha.org/public/speech/disorders/Learning-Disabilities/

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Sexualidade no autismo: o que é importante saber para quebrar preconceitos e tabus

As pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) também se desenvolvem sexualmente como qualquer outro indivíduo.

Por isso, é importante ajudar seu filho ou filha autista a compreender desde cedo os seus sentimentos e a se comportar de maneira adequada em relação a sexualidade, principalmente em público. E também a se proteger de abusos sexuais.

Cabe aos pais e responsáveis dar e explicações claras sobre sexo, sexualidade e como funcionam os relacionamentos. Mas ainda há muitos tabus, preconceitos e medos relacionados ao assunto.

O primeiro passo é saber que a sexualidade é mais do que apenas sexo. O autista, assim como qualquer outra pessoa também pode se sentir atraído e ter afeto pelos outros.

Muitos adolescentes com o TEA podem ter dificuldade para entender os sentimentos de intimidade, atração e afeto – em si mesmos e nos outros. Além de ter problemas para expressar seus sentimentos. Por conta disso, alguns podem ter atitudes inapropriadas.

Veja, a seguir, alguns pontos importantes sobre a sexualidade em autistas.

– Relacionamento amoroso: os autistas, na maioria das vezes, desejam ter um relacionamento romântico e manter intimidade com outras pessoas. Não há nada que impeça quem está no espectro se apaixonar ou manter um compromisso.

Mas, obviamente, as pessoas com TEA podem encontrar dificuldades de se relacionar e até mesmo enfrentar preconceitos. Algumas características do autismo que podem atrapalhar essa questão:

– dificuldade de se relacionar;

– pensamento mais rígido;

– dificuldade de identificar seus sentimentos;

– dificuldade para se comunicar;

– dificuldade de reconhecer a linguagem corporal.

Além disso, algumas pessoas com autismo, sentem dificuldade de  desenvolver uma conexão emocional profunda e duradoura com um parceiro.

– Relações sexuais: é importante ensinar o contexto de um relacionamento sexual.  É necessário explicar com uma linguagem adequada e buscar ajuda profissional se não souber como conduzir a conversa.

Também é preciso falar sobre doenças sexualmente transmissíveis, risco de gravidez e abuso sexual.

– Masturbação: o ato de se masturbar é algo natural para um jovem na puberdade. Porém, os pais e os cuidadores devem reforçar que é algo bastante íntimo, pessoal e não deve ser praticado em lugares públicos.

Pode ser útil comparar a masturbação com outras atividades que ele realiza sozinho em particular, como tomar banho ou ir ao banheiro.

Além disso, precisa ficar claro o que é lugar público e privado. Explique claramente que um lugar privado é onde outras pessoas não podem ver o que está sendo feito.

Se for necessário, prepare uma lista de lugares privado, como por exemplo o seu próprio quarto, o banheiro da sua casa e mostre imagens dos locais para facilitar o entendimento. 

– Mudanças no corpo: na puberdade ocorrem grandes mudanças nos organismo dos jovens. Nessa fase, podem surgir dúvidas sobre como cuidar do corpo.

As pessoas com autismo geralmente não gostam de mudanças. Alguns pré-adolescentes e adolescentes têm dificuldade com a ideia de que seus corpos estão mudando.

Por este motivo, é importante informar a seu filho com antecedência sobre as mudanças que ocorrerão quando ele atingir a puberdade.

As meninas podem ter dificuldade para entender como funciona a menstruarão, por exemplo.  Já os meninos podem ficar confusos em relação a ereção.

Algumas dicas importantes na hora de conversar com seu filho ou filha com TEA sobre sexualidade:

– É importante esclarecer que o sexo e a sexualidade são partes saudáveis ​​da vida;

– As crianças e jovens com TEA devem se sentir à vontade de procurar os pais para ter informações sobre a sexualidade e seus sentimentos;

– Explique sempre em um nível que as crianças e jovens possam entender;

– Use nomes corretos para as partes do corpo;

– Explique sobre segurança e limites do corpo — Isso inclui saber a diferença entre “toque bom” e “toque ruim”. Essa é uma forma de ensinar onde e quando seu corpo pode ser tocado — e sempre com sua autorização. É uma forma de proteger e respeitar seus corpos;

– Se mostre disponível para conversar sobre o assunto e esclarecer as dúvidas;

– Busque ajuda especializada se sentir receio ou não souber como orientar o jovem com TEA sobre sua sexualidade.

Referências

https://raisingchildren.net.au/autism/development/sexual-development/sexuality-teens-with-asd

https://autismawarenesscentre.com/teach-sexuality-person-asd/
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Educação inclusiva e Educação especial: qual é a diferença?

É bastante comum que os pais e cuidadores de autistas fiquem em dúvida na hora de matricular uma criança com autismo. Neste momento, é importante conhecer as melhores opções para a criança ou adolescente com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Afinal, a educação inclusiva e a educação especial são iguais?

Veja abaixo detalhes de cada uma.

O que é Educação Especial?

Segundo a lei de diretrizes e bases da educação nacional, a educação especial é “a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação” .

Dessa forma, a educação especial tem basicamente os mesmos objetivos da educação em geral, mas o atendimento deve ser feito de acordo com as limitações individuais do aluno.

Ela utiliza ferramentas didáticas especificar para contribuir com o aprendizado, segundo as dificuldades apresentadas pelo aluno, sejam físicas ou cognitivas.

Mas, a educação especial não visa cumprir um papel de integrador da criança com a sociedade.

Geralmente, são instituições de ensino regulares ou ambientes especializados em uma determinada deficiência — é o caso de escolas para pessoas surdas, deficientes visuais ou intelectual. Também há instituições voltadas aos transtornos globais de desenvolvimento ou com superdotação.

Esse sistema de ensino prega que as necessidades dessas crianças não podem ser supridas nas escolas regulares.

Geralmente, dividem as necessidades especiais aqueles que precisam de apoio e cuidados para realizar todas as atividades  pessoais e acompanhamento 24h; os que conseguem seguir regras e realizar hábitos de higiene, mas precisam de supervisão; e os com habilidades de adaptação pessoal e social e que conseguem realizar atividades simples.

Outras escolas de educação especial atendem crianças superdotadas, ou seja, que possuem uma inteligência acima da média e assim necessitam de estímulos diferentes. 

As escolas de educação especial precisam ter professores especializados, tecnologias de acessibilidade e recursos pedagógicos para atender a essas necessidades especiais.

O que é Educação Inclusiva? 

A educação inclusiva pode ser definida como um sistema educacional híbrido, ou seja,  alia a educação regular com a educação especial.

Assim  as crianças ou jovens com algum tipo de deficiência ou transtorno frequentam o ambiente escolar convivendo com outros alunos.

Dessa forma, a educação inclusiva caracteriza-se pela Educação Especial dentro da escola regular. E o objetivo é transformar a escola em um espaço para todos.

Especialistas destacam que ela favorece a diversidade, pois pressupõe que todos os alunos podem ter necessidades especiais em algum momento de sua vida escolar e o convívio pode ser benéfico para todos.

A educação inclusiva visa educar todas as crianças em um mesmo contexto escolar. Isso não quer dizer que estão negando as dificuldades e limitações  dos estudantes.

Mas, com estratégias adequadas e profissionais capacitados, o objetivo é capacitar o aluno independentemente da sua condição física e mental e ajudá-lo a se desenvolver e conviver com outras crianças.

De acordo com o Plano Nacional de Educação, essa modalidade de ensino perpassa todos os segmentos da escolarização (da Educação Infantil ao ensino superior); realiza o atendimento educacional especializado (AEE); disponibiliza os serviços e recursos próprios do AEE e orienta os alunos e seus professores quanto à sua utilização nasturmas comuns do ensino regular.

Mas, para ser efetivo para os alunos com necessidades especiais, é importante ter um projeto pedagógico inclusivo, além de ter recursos e tecnologias e ter profissionais capacitados.

Além disso, é necessário fazer adaptações nos materiais didáticos e métodos de ensino, de acordo com as limitações do aluno.

A Educação Inclusiva reforça que todas as crianças podem aprender. E respeita as diferenças dos indivíduos. Mas é um processo que está em evolução constante.

Qual é a escola mais indicada para meu filho (a) autista?

Como há diferentes graus de autismo – que variam de leve a grave, a necessidade ou apoio da pessoa com TEA  também varia.

A criança ou jovem com TEA precisa ter apoio para aprender e aperfeiçoar sua capacidade de integração social e ampliar sua percepção de mundo. A escola ideal é aquela que reforça o processo de inclusão e conta com professores, psicopedagogos e profissionais capacitados para acompanhar o desenvolvimento do autista.

Vale ressaltar que a  legislação brasileira garante o direito das pessoas com autismo de frequentar escolas regulares e também de terem o direito de ter um acompanhamento, se necessário.

A Educação Inclusiva deve ir além de apenas inserir o autista na sala de aula. É preciso inclui-lo nas atividades propostas e no ambiente como um todo. Por isso, é preciso que ocorra uma adaptação as suas necessidades e o apoio constante por parte dos pais e educadores.

Referências

https://novaescola.org.br/conteudo/57/legislacao-inclusao-autismo

https://educacaointegral.org.br/reportagens/autismo-escola-os-desafios-necessidade-da-inclusao/

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm#:~:text=LEI%20N%C2%BA%209.394%2C%20DE%2020%20DE%20DEZEMBRO%20DE%201996&text=Estabelece%20as%20diretrizes%20e%20bases%20da%20educa%C3%A7%C3%A3o%20nacional.

https://porvir.org/educacao-inclusiva-e-educacao-para-todos/

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Autismo: da adolescência para a vida adulta

Para pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), qualquer tipo de mudança pode ser um desafio e por isso a adolescência representa uma fase complicada.

A transição da adolescência para a vida adulta é um momento crucial na vida dos jovens. É uma fase de mudanças, novos conhecimentos, mais responsabilidades e bastantes incertezas.

Os pais e cuidadores desde o diagnóstico precisam enfrentar diversas barreiras para garantir a qualidade de vida e direitos dos filhos com TEA.

Nesse momento de transição para a vida adulta, o papel deles continua sendo fundamental para ajudá-los nesse processo de autodescoberta, planejamento e independência. Na adolescência, os jovens com autismo passam a ter que lidar com questões importantes como sexualidade, autoestima, ansiedade e muitas expectativas.

A pessoa com autismo moderado ou leve pode sentir dificuldades para tomar decisões ou não conseguir entender o que está acontecendo e até perceber que há algo diferente com ela. Por isso, é importante que o adolescente tenha um acompanhamento de especialistas para lidar melhor com essas questões e evitar qualquer tipo de sofrimento ou até mesmo depressão.

Independência na adolescência 

O planejamento desde cedo é importante para dar ao jovem com TEA o apoio necessário, fortalecer suas habilidades e diminuir suas limitações.

Um bom plano de transição incluirá metas de longos e curtos prazos e identificará o que será necessário para melhorar sua qualidade de vida. Precisa ser bastante específico para os interesses, habilidades e desejos do seu filho. Comece pensando como você deseja que a vida dele esteja daqui a 5 anos, 10 anos ou 20 anos. Planejar é o primeiro passo para colocar em prática as atividades e os sonhos.

Como acontece com qualquer adolescente, jovens com TEA possuem interesses específicos e atividades que proporcionam maior satisfação.

Os pais devem incentivá-lo a continuar com as atividades que o motivam. E perceber também o que ele não consegue tolerar ou fica incomodado.

Para isso, as experiências anteriores, sejam boas ou ruins, são excelentes fontes de informações relevantes para o processo de planejamento da transição.

Além disso, desde cedo, a pessoa com TEA deve reconhecer a diferença entre um estranho, amigo ou membro da família e também quais são os tipos de interações apropriadas para lidar com esses diferentes tipos de pessoas, para conseguir conviver bem em sociedade e não se prejudicar ou colocar sua vida em risco.

Faz parte do desenvolvimento da pessoa com TEA aprender a entender os sinais e se as situações em que está passando são adequadas ou se está sendo negligenciado por alguém.

Desenvolvimento de habilidades na adolescência 

O desenvolvimento das habilidades da pessoa com TEA varia muito de acordo com os estímulos que ela recebe do ambiente em que vive.

Na adolescência, os pais devem se atentar para as mudanças de comportamentos e conseguir ter uma comunicação efetiva, além de investir em acompanhamentos profissionais para que ele se desenvolva continuamente, tanto na escola quanto na vida em sociedade.

Os pais também devem incentivar os filhos a serem independentes e desenvolverem habilidades consideradas essenciais para a vida adulta.

Lembrando que essas habilidades não aparecem de forma automática para indivíduos com TEA e eles precisam ser ensinados e ter motivação para mudar um comportamento e atingir as metas.

Um adolescente com TEA pode ter dificuldade com atividades simples do dia a dia. Por exemplo, pode precisar de ajuda para tomar banho, cozinhar, limpar e lidar com dinheiro, o que pode prejudicá-lo na vida adulta.

Os pais podem ajudar dando às crianças tarefas simples de fazer desde cedo. Uma criança pequena pode aprender a colocar suas roupas sujas em um cesto, por exemplo. Com o tempo, ele aprende a separar roupas claras e escuras em duas pilhas.

Em seguida, a criança com TEA pode colocar as roupas na máquina de lavar e também aprender a importância dessa atividade para sua vida adulta. Na hora do banho, os pais devem ensiná-lo a importância do autocuidado e deixar que ele, aos poucos, consiga fazer essa atividade.

O jovem com TEA precisa saber quais são seus talentos e interesses, além de manter a autoestima elevada e ter consciência das suas dificuldades.

Muitos possuem sonhos, metas e querem entrar para o mercado de trabalho e até mesmo ter uma profissão. Para isso, precisam trabalhar desde cedo os seus potenciais e desafios que vão enfrentar na vida. A escola tem um papel importante nesse momento assim como os pais.

A ajuda multidisciplinar contribui para que o jovem conquiste a sua independência e chegue à vida adulta preparado para lidar com os desafios.

Referências:

Duncan, A.W. & Bishop, S.L. (2013) Understanding the gap between cognitive abilities and daily living skills in adolescents with autism spectrum disorders with average intelligence.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3619174/

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Saiba mais sobre o Transtorno Bipolar

Hoje vamos falar um sobre uma condição bastante comum em pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo que é o Transtorno Bipolar.

Provavelmente, você já escutou  alguém sendo chamado de bipolar quando estão se referindo a uma pessoa que muda de humor ou opinião rapidamente e de forma repentina.  

Mas, o Transtorno Bipolar vai muito além dessa característica e é um assunto bastante sério que pode afetar até 30% das pessoas com autismo, de acordo com diversas pesquisas. E estima-se que esse Transtorno Bipolar atinja cerca de 1-2% da população.

Por ser bastante comum em pessoas com autismo é importante reconhecer os sinais e os sintomas de cada Transtorno para que ocorra o diagnóstico e a pessoa com autismo e bipolaridade possa ter mais qualidade de vida. Mas por que isso acontece?

Algumas pesquisas mostram que alguns dos genes relacionados ao Transtorno Bipolar podem estar ligados ao surgimento do Transtorno do Espectro do Autismo. Mas, ainda precisam ser realizados mais estudos para entender a relação entre esses Transtornos.

Além disso, sabe-se que os transtornos bipolares estão associados a algumas alterações funcionais do cérebro como ocorre com quem tem autismo. As causas da bipolaridade variam bastante, mas os cientistas já sabem que  há componentes genéticos e ambientais.

Em alguns casos há alterações cerebrais associadas a um desequilíbrio de substâncias intracelulares envolvidas na regulação de neurotransmissores como dopamina, noradrenalina e serotonina ou alterações súbitas na estrutura ou na função de áreas cerebrais que participam da regulação do humor.

O Transtorno Bipolar causa alterações no comportamento e leva uma pessoa a oscilar bastante entre momentos de felicidade (euforia) e depressão repentinamente. São as chamadas “oscilações de humor”  e isso significa que a pessoa alterna entre a mania, que é um estado eufórico para um estado depressivo.

A intensidade do quadro pode ser leve, moderada ou grave. É bastante comum que a pessoa manifeste estados de humor variados no mesmo dia ou em curtos espaços de tempo.

Tipos de Transtorno Bipolar

Há tipos de transtorno bipolar, os mais comuns são o tipo 1 e 2. A principal diferença entre os esses dois tipos de transtornos bipolares é a gravidade dos episódios maníacos causados ​​por cada tipo.

Uma pessoa com bipolar 1 experimentará um episódio maníaco completo,  já quem tem o tipo 2 terá apenas um episódio hipomaníaco, ou seja, com menos intensidade.

Na fase maníaca, a pessoa apresenta aumento de energia, um humor eufórico e mania de grandeza. Os sinais de um episódio maníaco incluem felicidade extrema e otimismo, muita energia e agitação, autoestima inflada, distúrbios do sono e uma distração excessiva. Em geral, a mudança do comportamento é súbita e sem motivo aparente.

Eles têm pouco controle do temperamento e também podem ter compulsão por comida ou fazer uso de bebidas alcoólicas em excesso. É comum que fiquem hiperativos, agitados e falem muito. Essa fase maníaca pode durar dias e até meses.

Geralmente, a mudança do comportamento na euforia é súbita, mas a pessoa não percebe a sua alteração ou a atribui a algum fator do momento. O senso crítico e a capacidade de avaliação objetiva das situações ficam prejudicados ou ausentes, com explosões de raiva e fúria.

Também é comum que eles vivenciem um estado de mania mais leve e que traz menos prejuízo. Nesses episódios que são chamados de hipomaníacos ocorrem um aumento de energia, porém a pessoa se dispersa e perde mais tempo com detalhes.

Há também o transtorno ciclotímico, ou seja, oscilações crônicas do humor, que podem ocorrer até no mesmo dia. Por isso, a pessoa alterna sintomas de hipomania e de depressão leve. Nesses casos, esses comportamentos são confundidos com um temperamento instável ou irresponsável.

Já quando entram no episódio depressivo há uma alteração brusca de comportamento. Por isso, ficam bastante deprimidos, sem energia, falta iniciativa, perdem o prazer nas atividades, há alteração do sono e apetite e não conseguem se concentrar. Nessa fase, a pessoa fica muito para baixo, sente-se inútil, com baixa autoestima e apresenta pensamentos suicidas com frequência.

Em alguns casos, as duas fases ocorrem ao mesmo tempo. E aí os sintomas maníacos e depressivos podem ocorrer juntos ou rapidamente um após o outro. Essa situação recebe o nome de estado misto.

Sintomas do Transtorno Bipolar

Então vamos destacar os sintomas resumidamente de cada fase.

Na fase maníaca sentem-se excessivamente feliz, tem menos sono, falam muito rápido, muitas vezes com pensamentos acelerados, são extremamente inquietos ou impulsivos, distraídos em excesso, muito confiantes e envolvem-se em comportamentos de risco, como fazer sexo sem proteção ou gastam muito dinheiro.

Como a mania, a depressão também pode causar outros sintomas, como sentir-se triste ou sem esperança por longos períodos de tempo, se isolam de amigos e familiares, perdem o interesse em atividades, há mudança significativa no apetite, estão sempre com fadiga severa ou falta de energia.

Há também problemas com memória, concentração e para tomar decisões e podem pensar em suicídio com bastante frequência. Além disso, eles podem abusar do álcool, drogas ou de outras substâncias, o que piora ainda mais os sintomas.

Como podemos perceber, a bipolaridade causa muito sofrimento. Mas, apesar de começar a se manifestar na infância, adolescência ou início da idade adulta, o diagnóstico pode demorar para chegar e a pessoa fica sem o tratamento adequado por anos.

Sobre o diagnóstico do Transtorno Bipolar

O diagnóstico do transtorno bipolar é complexo, assim como o de outros problemas psiquiátricos, uma vez que  não conta com exames precisos, de sangue ou de imagem, que revelem biomarcadores que confirmem a bipolaridade. Os especialistas se valem de sinais clínicos e da evolução do paciente ao longo do tempo para fechar o quadro. Por isso, ter um especialista em bipolaridade nesse processo é fundamental.

O diagnóstico pode ser realizado com uma análise psicológica, observação de comportamentos e alterações de humor. Após o primeiro episódio, há um risco de aproximadamente 90% de a pessoa ter outro episódio em algum momento de sua vida. 

O transtorno bipolar inicia, em sua maioria, perto dos 15 aos 19 anos, apresentando um episódio depressivo como quadro inicial, mas as crianças também pode apresentar bipolaridade.

É extremamente importante que os pais conversem com os pediatras ou médicos para realizar uma avaliação assim que desconfiarem de uma comorbidade, ou seja, quando há o autismo e o transtorno bipolar na mesma pessoa.

O tratamento é realizado com medicação e intervenções comportamentais. Vale destacar, que não tem cura, pois não é uma doença, mas o Transtorno Bipolar pode ser controlado com os medicamentos adequados que estabilizam o humor.   Também pode ser necessárias as mudanças no estilo de vida, como parar de usar cafeína, álcool e outras drogas, por exemplo e aumentar os hábitos saudáveis de alimentação,  sono e redução dos níveis de estresse.

Quanto mais rapidamente o transtorno for diagnosticado, menos irá interferir na vida da pessoa.

Se você está desconfiado que algum ente querido com autismo também tem o transtorno bipolar, não deixe de procurar ajuda o quanto antes. O objetivo do tratamento é estabilizar o humor e evitar grandes variações de temperamento.

Os sintomas do transtorno bipolar podem ser difíceis de identificar em crianças e adolescentes.  O tratamento adequado e realizar um acompanhamento com profissionais são fundamentais para que a pessoa com bipolaridade ganhe qualidade de vida e consiga realizar suas atividades.

Um dado bastante importante é que 50% das pessoas com Transtorno Bipolar tentam o suicídio pelo menos uma vez na vida e 15% realmente se suicidam.

Estima-se que atualmente, as pessoas levam em média dez anos para serem diagnosticados com transtorno bipolar. O desconhecimento e o preconceito sobre esse transtorno do humor são os principais motivos que levam a essa demora.

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Como realizar o processo de desfralde em pessoas com TEA?

O processo de desfralde em muitas crianças – e até mesmo adolescentes ou adultos –  com autismo pode levar mais tempo. Isso pode acontecer devido a diversas razões.

Entre elas, é o fato de as pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) terem um atraso no desenvolvimento e por isso aprendem mais lentamente novas habilidades.

Além disso, os autistas têm grande dificuldade em quebrar rotinas estabelecidas há muito tempo, sendo assim, não querem realizar o processo de desfralde e ficam ansiosos com mudanças.

Outros fatores que contribuem para essa dificuldade no processo de desfralde são os desafios de comunicação e a ansiedade que as crianças com autismo desenvolvem ao redor do banheiro.

Elas podem ter dificuldade para entender um adulto perguntando se elas querem ir ao banheiro ou simplesmente não conseguem sinalizar que precisam realizar suas necessidades fisiológicas. E muitos não têm controle muscular ou esfincteriano, o que dificulta o movimento de sentar ou “segurar” o xixi ou o cocô. Além da falta de consciência sensorial, ou seja, não percebe se a bexiga está cheia ou a fralda está úmida.

É importante ressaltar que não existe uma regra a ser seguida quanto à idade ideal para ocorrer o processo de desfralde das crianças com TEA. Isso porque cada criança tem um comportamento, reage de forma distinta e tem o seu próprio tempo para se desenvolver.

A boa notícia é que  há várias estratégias que ajudam as crianças com autismo a superar seus desafios de treinamento no banheiro.

O segredo para ter sucesso nesse processo de desfralde é ter muita dedicação e amor.

Algumas dicas para o processo de desfralde

– Comece a observar as mudanças de comportamento no seu filho. Há crianças que mudam de semblante na hora que sentem vontade de fazer xixi ou cocô. A partir disso, é possível identificar qual é o momento para agir.

– Identifique qual é a maior dificuldade que ele sente. Pode ser que ache o vaso sanitário gelado ou sinta medo por que o banheiro é diferente dos outros cômodos da casa. Por isso, torne esse lugar bastante agradável para ele. Se ele gosta de desenhos animados ou personagens, cole nas paredes. Coloque as músicas prediletas e deixe alguns brinquedos disponíveis para estimular o acesso ao banheiro.

– Crie a rotina de ir ao banheiro com a criança em períodos determinados. Pode ser de uma em uma hora ou em períodos mais alternados. É preciso ganhar a confiança da pessoa com TEA e estabelecer um ritual.

– Quando se trata de comunicação: menos é mais! Use uma linguagem simples  e direta para ajudar seu filho a entender o que ele precisa fazer.  Faça uma atividade relaxante antes de levá-lo ao banheiro para que ele fique mais tranquilo antes de começa a rotina de ir ao banheiro.

–  Nunca levante a voz ou ameace a criança. O objetivo é incentivar e ensinar. Se ele se sentir amedrontado pode atrapalhar seu desempenho e limitar seu aprendizado.

– Facilite esse aprendizado usando as roupas apropriadas para essa fase, ou seja, mais fáceis de serem tiradas; use um adaptador para vaso e banquinho ou escadinha para que ele possa subir ou descer facilmente e também apoiar os pés enquanto está sentado.

– Não se preocupe com “acidentes” no percurso. Quando o seu filho urinar ou defecar fora do lugar apropriado, minimize a discussão e não dê broncas para não reforçar o comportamento. Limpe o local e converse com ele falando que espera que ele use o banheiro da próxima vez.

– Recompense os comportamentos desejados. Identifique algumas atividades, brinquedos ou guloseimas que motivarão seu filho. Quando ele usar o banheiro, entregue essa recompensa e comemore.

– Procure padrões de comportamento quando o seu filho não conseguir usar o banheiro. Se for necessário, anote o que aconteceu. Você pode começar a perceber o que faz com que ele faça xixi fora do lugar, por exemplo. E consegue também descobrir quais são os horários em que ele parece estar mais propenso a fazer suas necessidades.

– Incentive o seu filho a se comunicar. É importante ajudar crianças com habilidades verbais limitadas a sinalizar sua necessidade de usar o banheiro. Considere incentivá-lo a usar com algum suporte visual, como uma foto de um vaso sanitário para que ele possa apontar e expressar sua vontade de ir ao banheiro.

E você, já passou por essa situação? Conte para gente como foi essa experiência durante o processo de desfralde e as dificuldades que enfrentou!

Referências:
https://www.autism.org.uk/about/health/toilet-training.aspx

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