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De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão será um dos transtornos mentais mais incapacitantes em todo o mundo até 2020.
Estima-se que ela possa atingir mais de 320 milhões de pessoas. Os sintomas variam bastante, mas é comum que indivíduos deprimidos sintam uma tristeza profunda, desânimo, desinteresse, humor alterado, falta de apetite e até pensamentos suicidas.
Um estudo divulgou que quase 20% dos jovens com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) foram diagnosticados com depressão. E estima-se que quase metade dos adultos com autismo terá um quadro depressão durante algum momento da vida.
Isso ocorre, de acordo com os pesquisadores, devido a fatores biológicos, psicológicos e sociais. Além do fato de o autismo e a depressão compartilharem vulnerabilidades genéticas comuns.
Leia também: Comorbidades comuns no TEA
Estudos sugerem que irmãos de crianças com autismo também costumam ter depressão, mas com menos frequência.
Com isso, sabe-se que fatores familiares compartilhados, como os genes e o ambiente doméstico, contribuem para a surgimento do transtorno mental. Porém, autistas têm 2,5 vezes mais chances de ter um diagnóstico de depressão do que seus irmãos sem o Transtorno.
Sabe-se também que a depressão é mais comum em indivíduos com autismo que possuem mais inteligência.
Assim, os pesquisadores acreditam que aquelas pessoas com autismo e com o quociente de inteligência (QI) acima da média sejam mais conscientes das dificuldades sociais associadas ao seu diagnóstico de autismo, o que aumenta a chance do surgimento da depressão.
Um desafio encontrado pelos especialistas na hora do diagnóstico da depressão é que muitas das características são semelhantes aos sintomas e comportamentos do autismo, tais como: retraimento social, distúrbios do sono e contato visual reduzido.
Contudo, é importante ressaltar que a depressão em pessoas com autismo pode apresentar-se de forma distinta, com o aumento da agressividade e/ou dos comportamentos repetitivos.
Todas as pessoas com depressão podem ter dificuldade em compartilhar seus pensamentos e sentimentos.
Mas, quem tem autismo geralmente não consegue rotular seus sentimentos, comunicar os sintomas ou preocupações sobre seu estado mental e falta de ânimo. Por isso, o diagnóstico pode ser mais difícil.
Médicos e pesquisadores afirmam que é importante examinar mudanças no comportamento, como sono e hábitos alimentares, irritabilidade ou níveis de agitação.
Uma questão importante levantada pelos especialistas e que causa depressão é o bullying frequente. Um outro estudo descobriu que crianças com autismo eram vítimas de bullying cerca de três vezes mais do que as demais.
Nesses casos, acredita-se que ser intimidado por toda a sua vida prejudica a saúde emocional de algumas pessoas com autismo.
Outra informação relevante apontada pelos pesquisadores é o fato de que algumas pessoas com TEA só tiveram o diagnóstico após um quadro de depressão.
Sabe-se que indivíduos que tiveram um diagnóstico tardio de TEA, muitas vezes, sofrem pelo isolamento social e bullying nas escolas e até na sociedade.
Na maioria das vezes, eles não entendem o que está acontecendo, mas sabem que são diferentes ou tratados de outra forma.
A depressão pode ter consequências devastadoras na qualidade de vida da pessoa com autismo, pois aumenta o risco de pensamentos e comportamentos suicidas.
Uma pesquisa realizada com 791 crianças com TEA – sendo entre elas 186 crianças com desenvolvimento típico e 35 crianças não autistas com depressão diagnosticada — mostrou que pensamentos suicidas foram 28 vezes mais frequentes em aqueles com TEA.
Após o diagnóstico, é fundamental que ocorra um tratamento adequado e multidisciplinar, pois a depressão pode reduzir ainda mais a interação social e aumentar a apatia em pessoas com TEA.
Os tratamentos para a depressão variam bastante – pode ser indicado terapia adaptada com psicólogos especializados e em alguns casos o uso de medicação específica indicada por um psiquiatra.
Saiba mais em: Tratamento medicamentoso
Referências:
– OMS: https://www.who.int/mental_health/management/depression/wfmh_paper_depression_wmhd_2012.pdf
– Association Between Autism Spectrum Disorders With or Without Intellectual Disability and Depression in Young Adulthood, disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2698632
Characterization of Depression in Children with Autism Spectrum Disorders, disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3154372/
Differences in the Prevalence, Severity and Symptom Profiles of Depression in Boys and Adolescents with an Autism Spectrum Disorder versus Normally Developing Controls, disponível em: https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/1034912X.2014.998179?scroll=top&needAccess=true&journalCode=cijd20
Você já ouviu falar da Síndrome de Rett?
Ela é definida como uma desordem do desenvolvimento neurológico, é considerada relativamente rara e afeta mais meninas. Sua incidência global é de aproximadamente uma a cada 10 mil pessoas.
A criança com a Síndrome de Rett não apresenta sintomas nos primeiros seis meses de vida. Dessa forma, com o tempo, essas pessoas desenvolvem dificuldades para realizar alguns movimentos, na coordenação e na comunicação e também apresentam dificuldades para usar as mãos, andar e se comunicar.
De acordo com a Associação Brasileira de Síndrome de Rett (Abrete), estima-se que a cada cinco horas vem ao mundo uma menina com a Síndrome.
A síndrome ocorre devido a mutações no gene MECP2 (do inglês, methyl-CpG-binding protein 2), localizado no cromossomo X. É como se desligassem determinados genes durante o desenvolvimento neuronal da criança, causando prejuízos ao desenvolvimento do sistema nervoso central.
A Síndrome de Rett foi citada pela primeira vez no final da década de 1950, mas apenas em 1983 a desordem foi reconhecida e documentada no periódico Annals of Neurology.
Passando a partir desse momento a ser diagnosticada nos EUA. No Brasil, os primeiros casos foram publicados em 1986.
Por muitos anos, a Síndrome de Rett foi diagnosticada de forma equivocada como autismo, paralisia cerebral ou com outro problema de desenvolvimento.
Isso porque muitos médicos ou especialistas da área da saúde não tinham informações clínicas e terapêuticas sobre o problema.
Entretanto, a Síndrome de Rett foi excluída do espectro autista do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais [DSM] da Associação Americana de Psiquiatria em 2013.
Com isso a Organização Mundial de Saúde (OMS) também retirou a Síndrome de Rett do espectro autista por considerar uma Síndrome única e distinta do autismo.
Porém, o autismo costuma aparecer com maior frequência em pessoas que têm outras condições genéticas, como nas pessoas com Síndrome de Down, Síndrome de Rett, Esclerose Tuberosa, Síndrome de Angelman e Síndrome do X-Frágil.
O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento complexo envolvendo a dificuldade de comunicação e socialização e um repertório limitado de comportamentos e interesses.
Além disso, o tempo de vida da criança com autismo é semelhante à população geral e pessoas com TEA podem ter bastante qualidade de vida.
Muitas pessoas com a Síndrome de Rett podem viver até os 60 anos com muitas complicações. Estima-se que 70% das pessoas com a Síndrome consigam chegar até os 35 anos devido a mortes súbitas (geralmente após um quadro de pneumonia).
Outra característica das pessoas com TEA é que as crianças tendem a preferir objetos às pessoas.
Já quem possui a Síndrome de Rett gosta de se relacionar e de atenção das pessoas, enquanto crianças com o autismo tendem a rejeitar o contato físico.
A gravidez de bebês com Síndrome de Rett costuma ocorrer de forma normal, assim, sem problemas gestacionais.
É muito importante que a criança com Síndrome de Rett receba um diagnóstico correto logo no início da manifestação dos sintomas para assim receber o tratamento adequado.
Para isso, é necessária a observação dos sinais que surgem nas crianças. Os testes genéticos confirmam o diagnóstico por meio da análise de DNA.
1. Os sintomas costumam ser sutis nos primeiros meses. Entre seis e 18 meses de idade, os bebês com a Síndrome de Rett fazem menos contato visual, perdem o interesse em brinquedos, demoram a sentar ou engatinhar.
2. Quando a criança está perto dos quatro anos, começa a perder a capacidade de falar e usar as mãos. Realiza assim movimentos repetitivos e involuntários.
Podem segurar a respiração, gritar ou chorar compulsivamente sem motivo. Sentem dificuldades para se mexer.
3. As dificuldades de movimento continuam, mas apresentam melhoras no comportamento – choram menos e ficam menos irritadas. Podem ter um aumento do contato visual e usar as mãos para se comunicar.
4. Possuem mobilidade reduzida, fraqueza muscular e escoliose (curvatura anormal da coluna vertebral). Nesse estágio, a criança diminui a capacidade de comunicação e de movimentação das mãos. Aumenta o risco de morte súbita.
Além disso, é comum o surgimento de outros sintomas que diferem a Síndrome de Rett do Transtorno do Espectro Autista:
– Retardo do crescimento – é comum que o crescimento do cérebro dos bebês com síndrome de Rett diminua após o nascimento.
– Convulsões – pessoas com a Síndrome de Rett apresentam episódios de convulsão em algum momento da vida. Por isso, podem ocorrer espasmos musculares e até mesmo crises de epilepsia.
– Arritmias – as crianças com a Síndrome de Rett podem ter um batimento cardíaco irregular que deve ser acompanhado por especialistas para assim, evitar complicações.
– Problemas de respiratórios – podem apresentar respiração muito rápida (hiperventilação), expiração forçada de ar, apneia (obstrução do fluxo de ar para os pulmões), entre outros.
Ainda não há um tratamento específico para as manifestações dos sintomas da Síndrome de Rett.
Mas, assim como ocorre com quem tem TEA, há intervenções terapêuticas que podem ajudar esses pacientes a terem mais qualidade de vida. Para isso, é importante que as crianças sejam acompanhadas por especialistas desde cedo.
Portanto, um tratamento multidisciplinar com clínico geral, pediatra, fisioterapeuta, neurologista, nutricionista, terapeuta ocupacional, fonoaudióloga, podem ser indicadas de acordo com os sintomas apresentados e dificuldades encontradas pela criança ou adulto que tenha a Síndrome de Rett.
Leia também: https://blog.neuroconecta.com.br/comorbidades-comuns-no-autismo/
http://www.abrete.org.br
Quando se trata de educação, todos os pais têm esperanças, sonhos e planos para os filhos. Um dos desafios dos pais e cuidadores de pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é saber como contribuir com o processo de inclusão escolar.
É importante que ocorra uma parceria entre pais, escola e profissionais envolvidos na educação da criança no ambiente escolar.
Mas, a inclusão escolar vai muito além de fazer com que a pessoa com TEA esteja em uma sala de aula. Muitas crianças e adolescentes com TEA apresentam dificuldades na interação e na comunicação com outras pessoas, comportamentos repetitivos e pouco interesse em realizar atividades próprias da idade.
A inclusão escolar é fazer com que o aluno se envolva nas atividades e tenha uma experiência de qualidade.
Além de desenvolver suas habilidades, participar da rotina da escola, aprender e brincar com outras crianças.
O aluno necessita fazer parte da turma, interagir com os colegas e professores, compreender o conteúdo das aulas e se desenvolver de acordo com suas limitações e particularidades.
No Brasil, desde 2012, há a lei n. 12.764 que determina que pessoas com autismo devam frequentar escolas regulares e também têm o direito de ter um acompanhamento, se necessário.
Mesmo com isso estabelecido na legislação, os pais podem encontrar dificuldades para encontrar uma escola com disponibilidade e capacidade para lidar com as limitações de um aluno com autismo e que realmente façam uma inclusão escolar adequada.
Escolher uma boa escola pode ser difícil, uma vez que depende muito das necessidades individuais da criança.
Para que essa inclusão ocorra, a escola e a grade curricular devem ser adaptadas de acordo com o aluno com TEA.
É importante ter o apoio da direção da escola, pois a criança precisará de alguns recursos, profissionais e apoio especializado para atender às suas necessidades.
Os pais devem examinar as diferentes opções de escolas disponíveis com bastante antecedência. A maioria das escolas tem sites e é possível marcar uma visita para saber se a estrutura é adequada.
Observe a sala de aula, assim como os outros alunos e o professor com quem seu filho passará parte do tempo.
Não deixe de se encontrar com o diretor ou responsável pela escola, que juntamente com os demais educadores, garantirão a participação das famílias e dos estudantes no processo de aprendizado.
Busque estabelecer espaços de diálogo que viabilizem a participação ativa de todos os envolvidos – professores comuns, professores do atendimento educacional especializado (AEE), coordenador pedagógico, diretor, auxiliares de limpeza, merendeiros, entre outros.
Essa é a melhor forma de atingir os objetivos de aprendizagem e garantir a inclusão e a convivência com outros alunos.
Os professores e responsáveis pela educação devem identificar os interesses e as necessidades do aluno.
Com um profissional do atendimento educacional especializado nas escolas é possível identificar o que está atrapalhando ou impedindo a aprendizagem.
Escolha aquela escola que queira incluir seu filho e sua família, além de valorizar e respeitar a pessoa com o Transtorno, suas habilidades e suas diferenças.
Há a necessidade de manter uma relação baseada em cooperação e apoio mútuo.
Lembrando que a escola não pode se recusar a matricular o aluno com TEA e se a instituição dificultar seu acesso ao ambiente escolar está cometendo um crime.
De acordo com a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), o acesso à escola para crianças e adolescentes não pode ser negado em qualquer circunstância, tanto da rede pública quanto particular. E também não pode ser cobrado nenhum valor adicional nas mensalidades devido ao Transtorno.
Caso encontre dificuldades a ter direito a uma educação inclusiva, é possível entrar em contato com a Secretaria de Educação do município e até o Ministério Público para exigir os direitos do estudante.
Conseguir desenvolver suas potencialidades, participar em igualdade de condições com outros alunos é um direito da pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo.
Referências:
https://www.verywellhealth.com/educational-options-for-children-with-autism-260393
Pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) podem apresentar transtornos psiquiátricos associados, conhecidos como comorbidades.
Há casos de crianças que manifestam até mais de um deles. Entre eles, destaca-se o Transtorno Bipolar, conhecido como bipolaridade.
O Transtorno Bipolar ou Transtorno Afetivo Bipolar é uma condição que causaalterações de humor que vão da depressão a episódios de obsessão (maníacos). Esses ciclos podem permanecer por dias, semanas ou até meses.
Há pessoas com TEA que também apresentam bipolaridade. Além disso, é bastante frequente que as crianças com autismo sejam diagnosticadas com bipolaridade. Por isso, é importante reconhecer os sinais e os sintomas de cada um.
Como acontece com outros transtornos psiquiátricos, estudos sugerem que o Transtorno Bipolar pode ser relativamente comum entre crianças e adultos com autismo. Alguns estudos descobriram que até 27% das pessoas com autismo também apresentam sintomas de Transtorno Bipolar. Por outro lado, sua prevalência na população geral é de cerca de 4%.
Sabe-se que o Transtorno Bipolar pode estar ligado à genética. Pesquisadores identificaram alguns dos genes que podem estar relacionados ao transtorno bipolar e vários deles também podem estar ligados ao autismo. Entretanto, ainda precisam ser realizados estudos para entender a relação entre o autismo e o transtorno bipolar.
Então, os sintomas do transtorno bipolar se enquadram em duas categorias: maníacos e depressivos. Os sinais de um episódio maníaco incluem: felicidade extrema e otimismo, aumento de energia e agitação, autoestima inflada, distúrbios do sono e distração excessiva.
Já os sintomas de um episódio depressivo mostram quadros de depressão, perda de interesse em atividades normais, mudanças no apetite, perda ou ganho de peso, cansaço e perda de energia, sono intenso e falta de concentração.
Os sintomas incluem fala rápida e praticamente ininterrupta, irritabilidade, euforia, depressão, estimulação constante, diminuição abrupta do sono e aumento da impulsividade. Veja detalhes:
Quando uma criança não pode falar ou tem um distúrbio de comunicação, pode ser difícil identificar esse sintoma. Mas, a criança pode parecer excessivamente feliz ou rir inadequadamente ou até mesmo de forma histérica. Ela pode mostrar irritabilidade em vez de bom humor e o comportamento pode se tornar mais agressivo. As “birras” podem aumentar.
Muitas crianças com autismo podem ter problemas para dormir. Mas, os pais devem se atentar se ele está dormindo de forma excessiva e não quer mais sair da cama.
Muitas crianças e adultos com autismo e transtorno bipolar apresentam um aumento na fala e vocalizações.
A atenção é facilmente atraída para estímulos externos que não são importantes. Quem tem autismo e bipolaridade fica mais distraído do que o habitual.
A criança pode dormir excessivamente, se autoestimular em excesso, comer compulsivamente, ir ao banheiro com mais frequência ou se envolver em qualquer outro comportamento prazeroso com mais frequência e intensidade.
É importante que os pais conversem com o médico para realizar uma avaliação logo que desconfiarem de uma comorbidade (duas condições ao mesmo tempo).
Geralmente, um psiquiatra fará o diagnóstico por meio de análise dos sintomas apresentados na criança, olhando atentamente quando se iniciaram e quanto tempo durou.
O tratamento geralmente envolve medicação, mas existem intervenções comportamentais e alternativas que também são eficazes e devem ser discutidas pelos pais e especialistas.
– https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2590592/
– https://www.healthline.com/health/bipolar-and-autism
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o autismo não é uma doença e sendo assim, também não tem cura.
O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é uma condição relacionada ao desenvolvimento do cérebro que afeta a forma como uma pessoa percebe o mundo e se socializa.
Dessa forma, elas podem ter dificuldades de interação social e comunicação. Porém, muitas pessoas com autismo conseguem realizar todas as suas atividades diárias, enquanto outros podem necessitar de ajuda.
No campo da saúde, os termos “doença”, “síndrome” e “transtorno” são frequentemente usados, porém muitas vezes podem gerar confusão. Compreender as nuances entre esses conceitos é fundamental para uma compreensão mais clara das condições médicas e psicológicas.
Você já parou para pensar a respeito desses termos?
Inicialmente, pode parecer que estamos falando sobre alguns sinônimos. Mas, os significados são diferentes. Veja a seguir:
Doença significa, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ausência de saúde – que é o estado de completo bem-estar físico, mental e social. Sendo assim, ocorre quando o organismo apresenta sintomas específicos que alteram suas funções.
A palavra doença vem do latim dolentia que significa “sentir ou causar dor, afligir-se, amargurar-se”. Alguns exemplos: câncer, dengue, febre amarela, malária, entre outras.
Uma síndrome é um conjunto de sinais e sintomas que ocorrem juntos e que, quando identificados em conjunto, apontam para uma condição ou doença específica.
Uma síndrome pode não ter uma causa única identificável, e seus sintomas podem variar em gravidade e apresentação. Exemplos comuns incluem a Síndrome de Down e a Síndrome do Intestino Irritável.
Um transtorno é uma condição de saúde mental que causa sofrimento significativo e compromete o funcionamento diário de uma pessoa. Os transtornos podem afetar o humor, o comportamento, o pensamento e a interação social.
Portanto, eles geralmente são diagnosticados com base em critérios específicos estabelecidos em manuais de diagnóstico, como o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) e na CID 11.
Exemplos incluem Transtorno de Ansiedade Generalizada e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), o Transtorno Obsessivo Compulsivo e o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).
De acordo com o último Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), o Transtorno do Espectro do Autismo “é definido pela presença de déficits persistentes na comunicação social e na interação social em múltiplos contextos, atualmente ou por história prévia”.
Além disso, apresentam padrões restritos e repetitivos de comportamento. Por isso, apresentam comportamentos sensoriais incomuns, interesses restritos, fixos e intensos. No dia a dia, essas mudanças e situações novas geram medo, ansiedade, irritabilidade e podem causar crises e choros.
Dessa forma, o autismo não se encaixa na definição de doença, mas é considerado um transtorno que pode ser melhorado e tratado para que a pessoa possa se adequar ao convívio social e às atividades gerais. Os sintomas podem aparecer ainda nos primeiros anos de vida da criança.
Segundo estudiosos da Universidade de Miami (EUA), o primeiro sinal pode ser reconhecido pela comunicação não verbal. Nesse caso, pela forma como o bebê olha para os objetos e solicita o que deseja. O choro sem interrupção, apatia exacerbada, se incomodar com o toque também são sinais que devem ser notados pelos pais ou médicos.
As causas do autismo ainda não são totalmente conhecidas, porém, segundo a Associação Médica Americana, as probabilidades de uma criança ter autismo devido à herança genética são de mais de 50%.
O autismo atinge 80 milhões de pessoas no mundo, ou seja, 1% da população mundial. A maioria é do sexo masculino – cerca de quatro meninos para uma menina.
Saiba mais sobre o autismo em meninas
Para melhorar a qualidade de vida e a interação social, as terapias indicadas promovem o acompanhamento do comportamento e visam aprimorar a comunicação.
E quanto antes ocorrer uma intervenção com especialistas, maiores serão os progressos nas relações afetivas e atividades diárias das pessoas que vivem com o autismo.
https://www.who.int/about/who-we-are/
DSM-V, American Psychiatric Association – Manual de Diagnóstico e Estatístico de Distúrbios Mentais 5ªed. Edit. Artes Médicas
A amizade, por definição, consiste em um “sentimento de afeição, estima, ternura etc. que une assim uma pessoa a outra”[1].
Portanto, trata-se de um vínculo que independe de idade, condição física e/ou social, sexo, cor, credo. Pode ser um laço construído entre indivíduos de uma mesma família ou entre pessoas de outros núcleos sociais dos quais fazemos parte, como uma escola ou trabalho.
Por isso, nesse Dia do Amigo, nós da NeuroConecta queremos encorajar vocês a estimularem oportunidades para que as crianças, no espectro ou não, possam estabelecer vínculos entre elas.
Certamente, ter um amigo na infância pode contribuir com o senso de pertencimento, de inclusão, um dos fatores essenciais para o desenvolvimento sobretudo emocional da criança que está no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).
Além de ser um elo afetivo, o vínculo social pode contribuir com o desenvolvimento de uma criança no TEA.
Por isso, é importante compreender que essa conexão pode (e deve) ser estimulada não apenas entre aquelas que apresentam o distúrbio, mas também junto àquelas neurotípicas, que estejam fora do espectro.
Aliás, um estudo[2] demonstrou que crianças autistas e neurotípicas, quando estimuladas a estabelecerem vínculos sociais entre elas, eram mais receptivas umas com as outras, sendo aptas a construírem brincadeiras conjuntas e conviverem positivamente, em harmonia.
Contudo, esse “elo” de amizade começa no relacionamento da criança com sua mãe e pai. Pesquisas[3] indicam que há ligação entre a qualidade do apego entre pais-filhos e a amizade da criança com os pares; ou seja, crianças que se sentem seguras por meio do vínculo parental são capazes de formar amizades mais harmoniosas.
Além disso, para vencer determinadas limitações sociais que possam ser características do TEA, há dinâmicas de grupo de habilidades sociais[4], que integram crianças, sendo estas conduzidas por um terapeuta habilitado.
Afinal, o objetivo do grupo é ensinar as crianças a conviverem, a aprendem a se comunicar, estabelece novas amizades, controlarem suas emoções e começarem a prestar atenção nos sentimentos das pessoas que as cercam.
Portanto, uma das dicas para contribuir com o desenvolvimento social da criança no espectro é começar cedo a estimular o convívio social.
As crianças podem aprender muito umas com as outras. Inclusive, a vencer limitações.
“Ter um amigo é um tesouro sem preço” (Antoine de Saint-Exupéry, autor do clássico livro infanto-juvenil “O Pequeno Príncipe”).
Referências
[1] Amizade. Definição via Dicionário Michaellis. Consulta online disponível em < http://michaelis.uol.com.br/busca?id=9QYO> Acessado em 20 de julho de 2018.
[2] Bauminger N, Solomon M, Aviezer A, Heung K, Brown J, Rogers SJ. Friendship in High-functioning Children with Autism Spectrum Disorder: Mixed and Non-mixed Dyads. Journal of autism and developmental disorders. 2008;38(7):1211-1229. doi:10.1007/s10803-007-0501-2. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5538879/ Acessado em 20 de julho de 2018.
[3] Berlin LJ, Dodge KA. Relations among relationships. Child abuse & neglect. 2004;28(11):1127-1132. doi:10.1016/j.chiabu.2004.07.002. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2764315/ Acessado em 20 de julho de 2018.
[4] How a social skills group can benefit your child. Stepping Stones. Disponível em https://www.steppingstonesca.com/single-post/2017/04/27/How-a-social-skills-group-can-benefit-your-child Acessado em 20 de julho de 2018.
Lançado em 18 de junho pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a 11ª edição da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID), incluiu novas condições de saúde em seu catálogo.
Aliás, uma delas é o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Assim como o Manual de Diagnóstico e Estatísticas dos Transtornos Mentais (DSM), a CID11 uniu o TEA em um único diagnóstico.
Com isso, agora o espectro do autismo está incluído como um dos transtornos do neurodesenvolvimento, recebendo seu próprio código: “6A02”, que contempla ainda subclassificações.
Sendo elas:
6A02.0 Transtorno do espectro do autismo SEM transtorno do desenvolvimento intelectual (DI) e com comprometimento leve ou ausente da linguagem funcional
6A02.1 Transtorno do espectro do autismo COM transtorno do desenvolvimento intelectual (DI) e com comprometimento leve ou ausente da linguagem funcional
6A02.2 Transtorno do espectro do autismo SEM transtorno do desenvolvimento intelectual (DI) e com linguagem funcional prejudicada
6A02.3 Transtorno do espectro do autismo COM transtorno do desenvolvimento intelectual (DI) e com linguagem funcional prejudicada
6A02.5 Transtorno do espectro do autismo COM desordem do desenvolvimento intelectual (DI) e com ausência de linguagem funcional
6A02.Y Outro transtorno do espectro do autismo especificado
6A02.Z Transtorno do espectro do autismo, não especificado
Anteriormente, na CID10, o autismo era classificado como Transtorno Global do Desenvolvimento. Havia várias categorias utilizadas para pessoas dentro do espectro e agora o conceito de TEA apareceu no manual”, esclarece Dra Fabiele Russo, pesquisadora e idealizadora do portal NeuroConecta.
Contudo, com essa nova categorização será possível estabelecer diagnóstico mais adequado às especificidades do transtorno, contribuindo com o desenvolvimento de habilidades e melhora do manejo terapêutico daqueles que estão no espectro.
Além disso, por meio da CID é possível ter acesso a um panorama do número de pessoas no mundo apresentam o TEA.
Portanto, o novo manual será apresentado em maio de 2019, durante a Assembleia Mundial da Saúde e deve entrar em vigor nos EUA em 1º de janeiro de 2022. O catálogo não era atualizado desde 1990.
Com cerca de 55 mil códigos únicos para lesões, doenças e causas de morte, o documento é a base para identificar tendências e estatísticas de saúde em todo o mundo.
Contudo, a CID-11 está em desenvolvimento há mais de uma década e oferece melhorias significativas em relação às versões anteriores.
Enfim, pela primeira vez, é completamente eletrônica e possui um formato que facilita seu uso”, esclareceu o chefe da agência da Organização das Nações Unidas (ONU), Tedros Adhanom Ghebreyesus.
Leia mais em OMS lança nova classificação internacional de doenças
Com informações de NeuroConecta e ONU Brasil