Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e Autismo

Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e Autismo

Você já ouviu falar na ABA? A Análise de Comportamento Aplicada?

Trata-se de uma ciência originada da Análise do Comportamento que possibilita compreender os comportamentos e habilidades humanas e como podem ser influenciados pelo meio ambiente.

Esta forma de intervenção, que já existe há mais de 50 anos, pode contribuir com uma melhora nas interações sociais, aprender novas competências e manter comportamentos positivos.

A ABA tem como objetivo atuar em prol do desenvolvimento do autista – desde a infância à idade adulta – com o uso de técnicas que possibilitem ampliar a capacidade cognitiva, motora, de linguagem e de integração social, procurando reduzir por meio de práticas de repetição e esforço comportamentos negativos que possam causar danos ou interferir no processo de aprendizagem podendo auxiliar no aperfeiçoamento de habilidades básicas, como olhar, ouvir e imitar, ou complexas, como ler, conversar e interagir com o outro.

Nas intervenções da dinâmica da ABA são avaliados determinados dados que possibilitam verificar se o comportamento está mudando na direção esperada e os objetivos estão sendo alcançados. As dinâmicas que compreendem a prática podem ser ministradas em casa, em escolas ou em clínicas especializadas e envolvem até 40 horas por semana de terapia individualizada.

Geralmente as atividades de ABA envolvem os seguintes elementos:

Gerenciamento de comportamentos

Em caso de comportamento positivo, há uma recompensa como forma de estimular determinada prática. Com a terapia ABA, a expectativa é que esta atitude seja repetida posteriormente. E, em alguns casos, se houver comportamento negativo, como meio de inibir tal atitude, pode haver repreensão.

Ensino de novas habilidades 

Ensinar habilidades que permitem que os indivíduos sejam mais bem-sucedidos e menos dependentes do comportamento problemático que pode gerar atitude negativa para atender às suas necessidades

Idealmente, é indicado que a ABA tenha início antes dos quatro anos de idade, mas pode ser aplicada em outras fases da vida também. De acordo com a Autism Speaks, instituição que – entre outras competências – financia pesquisas sobre ABA, a análise de comportamento aplicada é reconhecida como um tratamento seguro e eficaz para o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Como os aspectos que envolvem o TEA são heterogêneos, ou seja, há especificidades de pessoa para pessoa, o ideal é conversar com o médico e a equipe de profissionais que acompanha a criança com TEA para que junto à família possam saber como a ABA poderá auxiliar e, assim, encontrar a terapêutica que melhor se adequa às necessidades individuais do autista e que poderá auxiliar em seu desenvolvimento.

Por que ABA é uma ótima opção terapêutica?

No artigo “10 motivos pelos quais as crianças com autismo merecem ABA”, publicado na revista Association for Behavior Analysis International, a autora e pesquisadora Mary Beth Walsh, do Departamento de Filosofia e Teologia, Caldwell College, elenca algumas das razões – além do olhar da ciência – que atribuem à ABA ser uma boa escolha terapêutica para casos de TEA. Entre os pontos por ela abordados temos:

Crianças com autismo merecem acesso à ABA porque poderá auxiliar seus pais a se tornarem melhores pais para elas – “Nós, pais de crianças com autismo, temos que trabalhar mais para garantir que nossos filhos aprendam tudo o que puderem, alcancem seu potencial, e quando confiamos na ABA para medir o progresso e orientar o ensino, sabemos que estamos fazendo toda a diferença que podemos”, relata ela.

As crianças com autismo merecem ABA porque ajudará a ensinar a eles a dormir durante a noite e usar o banheiro – por meio da ABA é possível saber se as orientações provenientes da intervenção dos pais para ensinar como dormir ou usar o banheiro estão no caminho certo.

“Os dados revelaram padrões comportamentais que orientaram nossa intervenção. Os dados nos mostraram o que fazer. Os dados demonstraram que nosso filho tem essa habilidade – uma habilidade muito importante! Ele pode ir ao banheiro independentemente, relata a pesquisadora.

As outras razões incluem aspectos como fazer amigos com mais facilidade; aproveitar suas competências já adquiridas; para que possam se tornar mais independentes e estarem preparadas para o dia em que não tiverem mais seus pais ou cuidadores; e para advogarem em defesa de seus direitos.

Dica de leitura complementar

Para quem se interessar em ler este artigo completo, acessem aqui. O material está em inglês, mas pode ser convertido para o português por meio da tradução automática do Google de seu computador. Embora esteja publicado em uma revista científica, a linguagem é de fácil acesso e traz as percepções com base nas vivências da autora. Vale à pena acessar.

Referências:

Hieneman M., Gonzalez V, Chan P.. What is ABA therapy now, really?. Autism Support Network. Disponível em <http://www.autismsupportnetwork.com/news/what-aba-now-really-autism-33299272> Acessado em 18 de outubro de 2017.

Applied Behavior Analysis (ABA). Autism Speaks. Disponível em <https://www.autismspeaks.org/what-autism/treatment/applied-behavior-analysis-aba>  

Walsh MB. The Top 10 Reasons Children With Autism Deserve ABA. Behavior Analysis in Practice. 2011;4(1):72-79. doi:10.1007/BF03391777. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3196209/ Acessado em 25 de outubro de 2017.

Hernandez, Purnima et al.. Applied behavior analysis. The Journal of the American Dental Association , Volume 142 , Issue 3 , 281 – 287. Disponível em <http://jada.ada.org/article/S0002-8177(14)62038-9/fulltext> Acessado em 18 de outubro de 2017.

Jamie Pacton. Is ABA Therapy the Best Choice for Kids with Autism?. Parents.com. Disponível em http://www.parents.com/health/special-needs-now/is-aba-therapy-the-best-choice-for-kids-with-autism/ > Acessado em 18 de outubro de 2017.

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Conheça as opções terapêuticas para o TEA

Após o diagnóstico de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é hora de iniciar uma nova etapa: conhecer as opções terapêuticas.

É por meio da intervenção no desenvolvimento do autista que é possível estimular seu aperfeiçoamento em diferentes competências: sociais, de linguagem, motoras, psicológicas e intelectuais. Com isso é possível reduzir impactos do TEA e ampliar a independência funcional e qualidade de vida do autista.

Entre as terapias eficazes podemos citar as Análise do comportamento aplicada (ABA), terapia ocupacional, fonoaudiologia, fisioterapia, musicoterapia e terapia farmacológica – isto é, com uso de medicamentos se necessário.

Análise do Comportamento Aplicada (ABA)

Trata-se de uma ciência sendo uma abordagem da psicologia comportamental que trabalha para alterar sistematicamente comportamento da pessoa com autismo, incentivando comportamentos positivos, a interação com outras pessoas, ensinando novas habilidades, ampliando a motivação para aprender, entre outros.

Terapia de fala

Tem por objetivo trabalhar a capacidade de interação do autista com as pessoas por meio do aperfeiçoamento da linguagem falada (verbal), o que possibilita expressar necessidades e vontades com autonomia. Costuma ser aplicada por um fonoaudiólogo, que deve atuar preferencialmente em conjunto com demais profissionais e familiares.

Vale destacar que alguns indivíduos com TEA são não verbais e incapazes de desenvolver habilidades de comunicação verbal. Neste caso passa a ser desenvolvido o uso de gestos, linguagem de sinais e programas de comunicação de imagens como meios de estabelecer comunicação eficaz.

Terapia Ocupacional (TO)

Focada no aspecto motor do autista, para habilitá-lo a exercer atividades de vida diária básicas como vestir, escrever, usar uma tesoura, entre outros.  A TO trabalha também na integração de atividades em seu dia a dia que satisfazem suas necessidades sensoriais e reduz o excesso ou a falta de estímulo. Quando bem trabalhada, permite autonomia tanto ao indivíduo com TEA quanto pessoas de seu convívio, como familiares.

Fisioterapia

Também aperfeiçoa habilidades motoras e auxilia a lidar com aspectos sensoriais, principalmente em relação à percepção do seu corpo no espaço. Basicamente, trabalhará as habilidades motoras bruta, tônus muscular, marcha, planejamento motor, no equilíbrio, o que possibilitará melhorar o andar, sentar, coordenar etc.

Farmacológica

Aplicada alinhada às demais terapêuticas. Cada caso será analisado pelo médico que acompanha o autista que deverá acompanhar todo o processo medicamentoso para analisar eficácia. Quando necessário, auxilia a controlar irritabilidade e comportamentos agressivos. Além disso, o uso de medicamentos pode ser indicados para as comorbidades.

Há ainda terapêuticas ditas alternativas (complementares) que NÃO possuem comprovação científica de eficácia. Caso você tenha conhecimento de alguma delas, converse sobre isso com o médico e equipe de profissionais que acompanha o caso. Muitas ainda estão no âmbito da pesquisa e não devem ser utilizadas, como por exemplo a terapia celular – que usa células-tronco como ferramenta terapêutica.

A prática de exercícios físicos também tem demonstrado resultados positivos, quando integrada às demais terapêuticas.

Atenção

Todo este conjunto de condutas terapêuticas para a manutenção e promoção da qualidade de vida da pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo só será eficaz se não estiver restrito apenas à responsabilidade da equipe multidisciplinar que o acompanha. É fundamental que a família e demais pessoas que convivem com o autista estejam integradas e interagindo em sinergia em prol do desenvolvimento de seu familiar ou amigo.

Encorajar o autista a seguir em frente por meio do estímulo ao melhor desempenho de suas habilidades, respeitando suas particularidades e limitações, é o caminho mais promissor para o êxito no tratamento.

Referências

Autism Science Foundation
Autism Spectrum Disorders: Guide to Evidence-based Interventions – The Missouri Autism Guidelines Initiative

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Como melhorar o aprendizado de uma criança com TDAH na escola

Crianças com o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) enfrentam mais obstáculos na hora de aprender e apresentam dificuldades na escola. O TDAH é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e acompanha o indivíduo por toda a sua vida. É bastante comum em crianças e adolescentes — ocorre em 3 a 5% das crianças, em várias regiões diferentes do mundo.

Os sintomas do TDAH, como dificuldade de prestar atenção, em ficar sentado muito tempo e controlar os seus impulsos podem dificultar o bom desempenho das crianças na escola.

Por causa da desatenção, é comum que a criança com o TDAH não se concentre na aula e não acompanhe a explicação do professor. Por isso, eles perdem a matéria e não aprendem tanto quanto poderiam. Nas avaliações, é comum que cometam erros bobos por não ler o enunciado corretamente e por serem mais impulsivos.

TDAH não é deficiência intelectual

Vale lembrar que quem tem TDAH pode até conhecer o assunto e aprender, já que não há deficiência intelectual, mas não conseguem um bom rendimento nas provas por não conseguir focar, prestar atenção e estudar.

Além disso, quem tem TDAH apresenta dificuldade para memorizar, repetem os mesmos erros, são mais desorganizados, mais esquecidos e não conseguem se concentrar em matérias mais monótonas e que exigem atenção.

Estratégias eficazes para a sala de aula

Os professores desempenham um papel fundamental e, muitas vezes, são os responsáveis por ajudar a identificar o TDAH. Mas, sabe-se que é difícil para um professor conseguir dar atenção individualizada e acompanhar de perto as dificuldades de cada aluno dentro de uma sala de aula.

As regras da sala de aula devem ser claras, concisas e revisadas regularmente com o aluno. A criança precisa entender as instruções. Como os alunos com TDAH são suscetíveis a distrações, uma boa estratégia é mantê-lo próximo do professor.

A escola, coordenadores, diretores e professores devem realizar reuniões pedagógicas e conseguir identificar quais são as dificuldades dos alunos com TDAH e o que está atrapalhando o desempenho escolar.

Outro ponto importante é saber distinguir o que a pessoa com TDAH é capaz de fazer e quais suas limitações. Além disso, é importante recompensar e elogiar os progressos. Alguns recursos podem ser eficazes no processo de aprendizagem:

  • Lembretes em agendas e/ou cadernos;
  • Listas de tarefas;
  • Anotações em provas e trabalhos;
  • Quadro de avisos e cronogramas.

É importante não sobrecarregar a criança com excesso de atividades extracurriculares. Lembrando que ambientes com estímulos externos devem ser evitados. A sala de aula deve contar com os elementos necessários para a aprendizagem ser efetiva. É importante que os professores evitem instruções muito longas e parágrafos muito extensos.

O diálogo também é fundamental. Os professores devem conversar com os pais e alunos e, sempre que possível mostrar que a impulsividade pode prejudicar o desempenho dele e dos outros alunos.

Eles precisam entender que interromper a aula ou o andamento das atividades pode ser improdutivo. Isso necessita ser realizado de forma individual, para não constranger a criança.

A escolha da escola para quem tem TDAH

É importante destacar que não existem escolas especializadas em TDAH no Brasil. Mas, há profissionais da área de educação, como professores, coordenadores, diretores, psicólogas escolares, pedagogas e psicopedagogas que são especialistas  no assunto e que sabem lidar de forma adequada com as crianças que possuem o Transtorno.

As técnicas utilizadas pelos professores com alunos que têm TDAH têm o objetivo de adaptar o ensino às dificuldades que eles apresentam como: prestar atenção muito tempo, copiar do quadro,  ficar levantando o tempo todo, conversar demais, por exemplo.

Os pais devem buscar uma escola que ofereça um atendimento adequado para os alunos com TDAH e que atenda às necessidades específicas da criança ou jovem. A escola deve participar do processo terapêutico e escolar, contribuindo em formular práticas que facilite e otimize a absorção de conteúdos e melhore o desempenho nas avaliações.

Referências:

https://tdah.org.br/

https://www.verywellmind.com/help-for-students-with-adhd-20538

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Como diagnosticar o autismo leve?

O autismo é um transtorno de neurodesenvolvimento que traz dificuldades nas habilidades de interação e comunicação social e no comportamento. Existem três níveis diferentes de autismo, caracterizados como níveis 1, 2 e 3, que variam de leve a grave.

Portanto, no caso do autismo leve (nível 1), os sintomas podem ser mais brandos, o que pode dificultar o diagnóstico.

É importante ficar atento aos sinais e procurar ajuda especializada. É comum que os pais não consigam diferenciar o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) ou se o filho é uma pessoa introspectiva, ou seja, quando a criança é mais fechada e tímida.

Por isso, geralmente o diagnóstico do autismo nível 1 ocorre bem mais tarde, muitas vezes apenas na fase adulta.

Pessoas com autismo nível 1 (“leve”) geralmente conseguem se comunicar, estudar, trabalhar e lidar com atividades comuns do dia a dia, como atividade de autocuidado. Eles podem viver de forma independente e normalmente como qualquer outra pessoa, muitas vezes, sem precisar de ajuda. Todas essas questões dificultam o diagnóstico dos adultos.

Sinais do autismo nível 1

Veja, a seguir, alguns sinais do autismo nível 1:

  • Interesse diminuído em interações ou atividades sociais;
  • Dificuldade em conversar com uma pessoa;
  • Dificuldade na comunicação não verbal (entender gestos e expressões);
  • Dificuldade em se adaptar a mudanças na rotina ou no comportamento;
  • Dificuldade em se planejar ou se organizar;
  • Pouco contato visual;
  • Linguagem verbal fluida, mas de forma mecânica;
  • Estereotipias e repetições;
  • Apego demasiado a um determinado objeto.

Que especialista procurar?

É importante destacar que o diagnóstico do autismo é clinico, ou seja, não há um exame específico que determine se a pessoa tem o Transtorno. Por isso, notar os sintomas é fundamental para ter um diagnóstico precoce.

É bastante comum que o pediatra realize o diagnóstico do autismo, pois ele é o responsável pelo acompanhamento das crianças desde os primeiros dias de vida.

E quanto antes for realizado o diagnóstico, mais rapidamente vão começar as intervenções precoces para que a criança seja estimulada e melhore as suas habilidades e se desenvolva.

A criança pode ser encaminhada para um neuropediatra (neurologia infantil) ou psiquiatra infantil. Esses profissionais conseguem realizar um diagnóstico por meio dos sintomas e escalas de avaliações. No consultório médico, os responsáveis pela criança precisam falar sobre os comportamentos e detalhar tudo o que perceberam de diferente na rotina, abrangendo a vida familiar, escolar e social.

Depois da confirmação do diagnóstico, o autista e sua família recebe a indicação de abordagens terapêuticas, que geralmente contam com uma equipe de multiprofissionais.

Pessoas com autismo de nível 1 ou leve geralmente mantêm a qualidade de vida com pouco apoio. Esse suporte geralmente ocorre na forma de terapia comportamental ou outros tipos de terapia que ajudam a melhorar as habilidades sociais e de comunicação.

A terapia comportamental ou ABA também ajuda a desenvolver comportamentos positivos que podem não ocorrer de forma natural para o autista, mas precisa ser aprendida.

No caso de adultos, é comum que descubram ao procurar ajuda psicológica ou em uma consulta com um psiquiatra. Não são raros os casos de pais que são diagnosticados com o TEA logo após os filhos serem identificados com autismo.

O impacto do diagnóstico tardio do autismo leve

Autistas com nível leve podem demorar a ter um diagnóstico. Essas pessoas passam anos se sentindo inadequados à sociedade e sofrem muito sem saber o que acontece com elas.

Geralmente, pessoas com autismo leve não apresentam deficiência intelectual ou déficit de linguagem. Os adultos autistas sem diagnóstico podem apresentar desafios e/ou restrições sensoriais ao toque, sons, luzes, texturas, sabores e, muitas vezes, são vistos pelos outros como tímidos, ingênuos, antissociais e ríspidas.

O diagnóstico correto é fundamental para que a pessoa consiga ter uma vida normal, com mais tranquilidade, lidando melhor com suas limitações e melhorando habilidades sociais.

Referências:

https://www.autismspeaks.org/autism-diagnosis-criteria-dsm5

https://www.autismawareness.com.au/could-it-be-autism/understanding-autism/

https://www.webmd.com/brain/autism/high-functioning-autism

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Avaliação neuropsicológica: quando é necessária?

Se uma criança está enfrentando dificuldades e pais ou educadores suspeitam que ela tenha o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), uma avaliação neuropsicológica pode ajudar a confirmar ou descartar essa hipótese.

A avaliação neuropsicológica visa investigar quais as funções cognitivas estão preservadas e as que estão comprometidas. O profissional realiza testes padronizados para ter uma avaliação completa das funções cognitivas.

Por isso, realiza-se um mapeamento de todas as funções cerebrais das pessoas, além dos aspectos emocionais e da personalidade.

Cabe ao neuropsicólogo identificar o desempenho de habilidades como atenção, percepção, linguagem, raciocínio, memória, aprendizagem e habilidades motoras. Depois dessa avaliação neuropsicológica é possível identificar quais tipos de intervenções são indicadas.

Qual é o objetivo da avaliação neuropsicológica?

Ela avalia de forma cuidadosa e abrangente a pessoa para identificar pontos fortes e fracos em várias áreas. Algumas crianças encaminhadas para uma avaliação já podem ter um diagnóstico ou ainda estão tentando descobrir qual é a condição associada.

Em ambos os casos, os resultados de uma avaliação neuropsicológica podem ajudar a esclarecer diagnósticos e a traçar recomendações específicas para atender às necessidades de uma criança autista em casa e/ou na escola. 

A avaliação neuropsicológica também visa compreender a razão pela qual a criança autista não está absorvendo os conteúdos em sala de aula. Pode também descobrir quais são as dificuldades encontradas pela pessoa como falta de atenção, dificuldade em memorizar, diminuição da percepção visual e/ou auditiva e até mesmo se há um quociente intelectual deficitário.

Além disso, por meio da avaliação neuropsicológica é possível ajudar a pessoa com o TEA, seus pais e a escola na formação de um currículo adaptado, para que essa criança possa estudar de acordo com as suas dificuldades e limitações.

Como funciona

São realizadas entrevistas e testes neuropsicológicos padronizados e o neuropsicólogo poderá investigar o funcionamento cognitivo e estabelecer as habilidades e as dificuldades específicas de uma pessoa para planejamento de intervenção. Como algumas crianças exigem intervalos frequentes, os testes podem ser divididos entre duas a cinco consultas.

A avaliação neuropsicológica pode contribuirpara o diagnóstico correto do autismo. Normalmente, é realizada com base na observação, histórico e nas queixas do paciente e dos pais. 

As pessoas com o TEA devem ser examinadas por neuropsicólogos experientes e bem treinados. E essa investigação deve destacar a singularidade de cada pessoa com TEA.

A avaliação da inteligência é fundamental para qualquer avaliação neuropsicológica e quem tem autismo. Mas, a análise do perfil cognitivo é muito mais importante do que a medição do quociente de inteligência (QI). Por isso, avaliam-se as funções cognitivas individuais das pessoas com TEA.

Quando envolvem crianças e adolescentes, geralmente a avaliação neuropsicológica é feita com a presença dos pais. Inicialmente são coletados os dados do paciente – e as perguntas abrangem desde o nascimento até os dias atuais.

Em seguida, os especialistas aplicam testes ou usam ferramentas de diagnóstico para compreender as funções cognitivas, como funciona a memória, a atenção, o planejamento, entre outros fatores. 

É comum também que o neuropsicólogo converse com outros profissionais que convivem com a criança como professores e pediatras para entender melhor como ela se comporta.

As pontuações dos testes são interpretadas no contexto de outras informações. Alguns déficits não podem ser quantificados. As habilidades sociais, por exemplo, são avaliadas em grande parte por meio da observação de comportamentos.

Após a conclusão da avaliação, os pais são orientados e os profissionais indicam as medidas e terapêuticas adequadas para cada caso.

Referências:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5789214/

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O que é o modelo DIR®/Floortime™?

O modelo DIR®/Floortime™ foi criado no final da década de 1980 por pesquisadores norte-americanos para ajudar as crianças a se desenvolver, principalmente as que estão no espectro do autismo.

A sigla vem do inglês Developmental, Individual Difference, Relationship-based Model e significa “Desenvolvimento funcional emocional; diferenças individuais e de relacionamento”.

Por isso, esse modelo terapêutico visa o desenvolvimento das crianças com alguma alteração no desenvolvimento da sociabilidade, como é o caso do autismo, respeitando as diferenças individuais e as suas relações interpessoais.

O objetivo é ajudar essas crianças a utilizar suas capacidades levando em conta a etapa do desenvolvimento em que se encontram. E também como processam as informações que recebem do meio em que vivem. Por isso, visa na formação das competências sociais, emocionais e intelectuais.

Como funciona?

Esse método é uma terapia baseada em relacionamento para crianças com autismo. A intervenção é chamada Floortime porque os pais ou terapeutas se sentam no chão com a criança para brincar e interagir em seu nível. 

O objetivo é que os adultos ajudem as crianças a expandir seus “círculos de comunicação”. Terapeutas e pais se envolvem nas atividades e nos jogos da criança.

O método DIR®/Floortime™ foca na criança como um ser único e respeita a sua individualidade e limitações. É uma forma de sistematizar a brincadeira com a criança e proporcionar sua progressão sobre as etapas do desenvolvimento.

Pode ser aplicada por profissionais de diferentes áreas como psicólogos, fonoaudiólogos, pedagogos e terapeutas ocupacionais. Mas, a participação da família é fundamental para ser efetiva.

Algumas estratégias do modelo

Os terapeutas ensinam aos pais a direcionar seus filhos para interações cada vez mais complexas. O método não funciona isoladamente em habilidades de fala, motoras ou cognitivas. Ele foca no desenvolvimento emocional e incentiva as crianças a se esforçarem ao máximo.

O Floortime é uma das estratégias e significa “tempo de chão”, onde o terapeuta ou professor segue os interesses emocionais da criança e a desafia a estimular suas capacidades sociais, emocionais e intelectuais.

As sessões com o método incluem treinamento para pais e cuidadores, bem como interação com a criança. Mas, ocorrem em forma de brincadeiras para promover o desenvolvimento ou a aquisição das habilidades. A criança lidera a interação e o terapeuta segue seus interesses e motivações.

A interação é muito importante nesse processo. O autista e o terapeuta estabelecem uma relação que estimula a comunicação, mesmo que a criança ainda não fale.  Podem ser realizadas interações por meio da música, movimento, arte, jogos ou até mesmo diálogos.

Seis marcos principais do método DIR®/Floortime™

Há algumas habilidades importantes que as crianças precisam desenvolver. O método DIR®/Floortime™ se baseia nas seis fases do desenvolvimento que contribuem para o crescimento emocional e intelectual. São elas:

  • Auto-regulação, atenção e interesse no mundo;
  • Intimidade ou envolvimento em relacionamentos;
  • Comunicação recíproca intencional;
  • Resolução de problemas de comunicação complexos;
  • Criação e elaboração de símbolos/ideia;
  • Construção de pontes entre os símbolos/ideias.

Alguns benefícios do D.I.R.®/ Floortime™

A criança autista passa a se manter calma e regulada; interage com os outros de forma espontânea; pode iniciar uma comunicação empática e consegue resolver conflitos sociais.

Além disso, passa a assimilar, regular, responder e compreender sensações como o som, toque, e o planejamento e sequenciamento de ações e ideias.

E por fim, melhora os relacionamentos da criança com seus pais, professores, terapeutas e colegas. Aprende também a ter mais autonomia.

Saiba mais sobre o assunto

O modelo D.I.R.®/ Floortime™ foi criado por Stanley Greenspan e Serena Wieder nos EUA depois de anos de observações e estudos relacionados ao desenvolvimento infantil. Os pesquisadores unificaram o conhecimento de vários estudos e identificaram a importância e necessidade dos relacionamentos e do afeto para o aprendizado.

Referências:

http://www.icdl.com/floortime

https://www.autismspeaks.org/floortime-0

 

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Conheça os graus de autismo

Ao receber um diagnóstico de autismo, os pais podem ficar com muitas dúvidas e se perguntarem se há graus de autismo ou se todos os autistas são iguais. A resposta é sim. Há diferentes graus de autismo.

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) pode ser classificado de acordo com o grau de dependência do autista e necessidade de suporte e independência.

Por isso, o autismo pode ser leve, moderado ou severo (conhecidos também como níveis 1, 2 e 3 respectivamente).

Autismo no DSM-5

No Brasil, nós adotamos o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, que está na sua quinta edição (DSM-5), e que considera o autismo como um Transtorno do Neurodesenvolvimento.  O DSM-5 é a publicação oficial da Associação Americana de Psiquiatria.

Nós vamos explicar um pouquinho como o DSM define os graus do autismo. Desde 2013, o Transtorno do Espectro do Autismo é medido de acordo com sua gravidade, ou seja, o grau de comprometimento da condição do autista. Assim, é possível avaliar as habilidades de cada pessoa com o transtorno – se há comprometimento intelectual e de linguagem. 

Parece bastante complexo, mas o que queremos dizer é que o autismo pode ser classificado em níveis. Vamos destacar cada um deles para ficar mais claro para você. Quanto menor o nível, menos apoio a pessoa pode precisar. Por exemplo, pessoas com autismo de nível 1 (grau leve) apresentam sintomas leves e podem não precisar de muito apoio. Aqueles com autismo de nível 2 ou 3 têm sintomas que variam de moderados a graves e requerem apoio mais substancial.

Nível 1 de autismo

Começaremos pelo nível 1, que é considerado um grau mais leve, uma vez que a pessoa com autismo precisa de pouco apoio contínuo, pode ter dificuldade para se comunicar ou interagir socialmente ou não tem interesse de se relacionar com outras pessoas. Pode apresentar resistência quando ocorrem mudanças, ter estereotipias, dificuldade de comunicação, mas o autista leve tem um comprometimento menor. Por exemplo, uma pessoa com nível leve de autismo é capaz de falar, mas não tem sucesso ao tentar fazer amigos. Também possuem problemas de organização e planejamento que dificultam a independência.

Em alguns casos, os sintomas são tão sutis, que o diagnóstico pode ser realizado mais tarde. Entre eles destaca-se o Transtorno de Asperger antes assim chamado, que é uma condição de autismo leve, que apresenta pouca capacidade de fazer amigos, conversação unilateral, intenso foco em um assunto, entre outras características. 

Nível 2

Já o nível 2 é considerado um autismo moderado. A pessoa apresenta um déficit notável nas habilidades de comunicação tanto verbais quanto não verbais. Há pouca interação social com outras pessoas. Evita-se  a mudança na rotina, pois tem dificuldade em lidar com ela. Também é comum que fique estressado com mais facilidade e tenha muita dificuldade para mudar o foco e a atividade que está realizando. Ele é o meio termo e entre o leve e o severo. Por isso, o indivíduo com autismo moderado não é tão independente quanto os de níveis leve, nem tão dependente quanto os de autismo severo.

Nível 3

Chegamos ao nível 3, que é considerado o autismo severo. Pessoas nessas condições possuem severos prejuízos na comunicação verbal e não verbal. Além de serem muito limitados para interagir com outras pessoas. Não suportam mudanças na rotina e apresentam comportamentos repetitivos que interferem diretamente na vida dele e das pessoas em sua volta. E também apresentam alto nível de estresse e resistência para mudar de foco ou atividade. Geralmente, são dependentes para realizar as atividades do dia a dia, como trocar de roupa, comer, tomar banho… Podem ser mais agressivos em algumas situações. Apresentam mais comportamentos repetitivos, ou seja, fazem a mesma coisa repetidas vezes. E também comportamentos restritivos, podendo se distanciar do mundo e das pessoas ao seu redor. 

Claro que nem todo mundo com autismo se encaixa perfeitamente em apenas um nível (e sabemos também que dentro de cada nível tem variações). Mas os níveis ajudam a fornecer algumas características em comum entre os autistas e ajudar os médicos e especialistas a estabelecer metas e formas de lidar com cada pessoa que tem o Transtorno. 

É importante destacar que independentemente do grau, seja ele leve, moderado ou severo, a criança necessita de apoios específicos, pois geralmente o que diferencia são os sintomas que em alguns são mais sutis do que em outros.

É fundamental conversar com especialistas de confiança para esclarecer as dúvidas em relação aos graus do autismo e as razões que levam a pessoa com o transtorno a se enquadrar naquele nível.

Identificar qual é o nível do autismo é o primeiro passo para que a pessoa com o transtorno passe a ter o tratamento adequado e tenha mais qualidade de vida. 

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Como lidar com os comportamentos inapropriados do autismo

Um dos desafios dos pais de autistas é administrar os comportamentos inadequados das crianças e jovens dentro do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Como sabemos, de fato, as crianças com TEA apresentam problemas nas habilidades de comunicação, déficits na interação interpessoal e limitações sociais.

Contudo, os comportamentos inadequados podem ocorrer devido ao déficit na habilidade necessária para comunicar sentimentos, necessidades e desejos ou para concluir com êxito uma tarefa.

Geralmente, eles não levam em contam os comentários e olhares de reprovação e continuam agindo como se estivesse tudo bem.

Por isso, surgem as birras, os ataques de raiva e comportamentos agressivos.

Alguns exemplos de comportamentos inapropriados

  • Birras que parecem incontroláveis;
  • Recusa-se a fazer atividades simples como comer, se vestir, sair da cama ou fazer a lição;
  • Comem objetos como papel, borracha, sabão;
  • Fazem barulhos ou gritam em momentos inadequados;
  • Rir em momentos sociais inadequados como em um funeral;
  • São agressivos ou violentos;
  • Batem a cabeça na parede.

Entendendo esses comportamentos inadequados

É importante saber que um comportamento é um processo aprendido, dessa forma, pode ser modificado.

Geralmente, o comportamento é realizado para atender a uma necessidade ou propósito.

As birras, por exemplo, acontecem devido a alguma frustração ou proibição, quando eles não querem fazer algo, por medo, frustração, bem como, por tédio. E eles também querem provocar alguma reação nas pessoas presentes naquela situação.

Um erro que os pais cometem nessas situações é aceitar os comportamentos inadequados da criança autista.

Eles podem achar difícil – e certamente, é – lidar com esses tipos de constrangimento, principalmente se for em público e ficam irritados ou envergonhados.

Por isso, decerto, os pais cedem às exigências do filho,  o que reforça o comportamento inadequado.

É bom observar

A criança entende que conseguiu o que queria e, decerto, vai voltar a repetir esse comportamento inadequado toda vez que desejar o mesmo objetivo (serve como uma recompensa).

Primeiramente, os pais devem observar esses comportamentos e identificar em quais situações eles acontecem. É importante perceber se estão relacionados a dificuldade de comunicação ou a necessidade de rotina e hábitos.

Além disso, é importante reconhecer se ocorreu alguma mudança significativa no ambiente em que a criança está. E, em seguida, saber quais são os resultados obtidos pela criança depois desses comportamentos inadequados.

Igualmente, outra questão bastante delicada é sobre os comportamentos sexuais inadequados que surgem na adolescência. Os autistas podem tocar-se em locais públicos, tocar os outros e, da mesma forma, realizar a masturbação na frente de outras pessoas e tirar a roupa na frente de estranhos.

Como agir diante de comportamentos inadequados

Não é fácil lidar com esses comportamentos inadequados, mas é necessário que os pais e cuidadores demonstre que dessa forma a criança não conseguirá o que deseja. Sendo assim, não reforça o comportamento.

É importante manter a calma, não gritar, bem como, não brigar ou bater na criança. É necessário, no entanto, manter a mesma postura quando a criança apresentar esse comportamento e evitar ceder.

Os pais devem elogiar e dar atenção quando a criança conseguir ter um comportamento adequado. É importante conversar e explicar a necessidade de tal comportamento. Nesse sentido, pode ser usadas imagens ou fotos para facilitar a comunicação.

Ajuda Profissional

Certamente, ter uma equipe de profissionais ajuda bastante na orientação desses comportamentos. Busque ajuda de especialistas para lidar com os comportamentos inadequados e entenda como pode ajudar seu filho a se desenvolver e ter mais qualidade de vida.

Os pais devem procurar tratamento de um profissional qualificado para explicar suas preocupações e desenvolver um plano de tratamento individualizado para desse modo, reduzir os comportamentos inadequados de seus filhos.

ABA: ajudando a modificar comportamentos inadequados

A terapia ABA também é, sem dúvida, eficiente para modificar os comportamentos inadequados em situações específicas. Por meio de diversas técnicas de reforço e recompensa, as crianças autistas vão sendo estimuladas a aprenderem o comportamento adequado durante o dia a dia.

Muitas habilidades importantes podem ser ensinadas nas situações diárias de rotina. Os pais também precisam usar reforços positivos e negativos para que a ABA seja eficaz para minimizar os comportamentos inadequados.

O reforço positivo é uma das principais estratégias utilizadas na ABA. Quando um comportamento é seguido por algo que é valorizado, como uma recompensa, é mais provável que uma pessoa repita esse comportamento. Com o tempo, isso incentiva mudanças positivas de comportamento.

Cada vez que a pessoa usa o comportamento ou a habilidade com sucesso, recebe uma recompensa. Lembrando que essa recompensa pode ser um elogio, um brinquedo ou livro e também assistir a um vídeo, por exemplo. Essas recompensas positivas incentivam a pessoa a continuar usando a habilidade e mudar de comportamento.

Referencias:

https://raisingchildren.net.au/autism/behaviour/understanding-behaviour/challenging-behaviour-asd

https://www.autism.org.uk/about/behaviour/guidelines.aspx

https://www.autismspeaks.org/applied-behavior-analysis-aba-0

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Importância do apoio psicológico para os pais de autistas

O Apoio Psicológico é muito importante. Receber um diagnóstico de autismo pode causar diversas reações e sentimentos nos pais da criança ou jovem com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Estudos mostram que os pais que cuidam de crianças com o TEA geralmente relatam níveis aumentados de estresse, depressão e ansiedade. Por isso, é muito importante que os pais e mães de autistas recebam um apoio psicológico durante todas as fases da criança ou do adolescente com o TEA.

O estresse vivenciado pelos pais de uma criança autista representa um risco maior para diminuição da qualidade de vida. Esses pais correm um alto risco de “síndrome do cuidador” ou “estresse do cuidador”, que é uma condição de exaustão, raiva ou culpa.

Tudo isso causa um mal-estar muito grande e afeta seu bem-estar mental, físico, social e financeiro. Eles se sentem responsáveis em atender todas às necessidades de uma criança com autismo, dando todo o suporte, atenção, amor e carinho que eles precisam.

O Apoio Psicológico

Ao receber o apoio psicológico, os pais conseguem desabafar, aliviar o sofrimento e redirecionar pensamentos e comportamentos para aumentar o bem-estar.

A terapia é o momento que os pais conseguem falar e serem ouvidos e principalmente lidar com as dores, angústias e até luto pelo filho idealizado.

O papel dos psicólogos

Os psicólogos podem desempenhar um papel importante no diagnóstico de TEA e ajudar as pessoas a lidar e gerenciar os desafios associados ao autismo.

Com a terapia, as pessoas podem mudar as expectativas criadas e aprender a conviver melhor em família e ajudar na evolução do filho autista com menos angústia e sofrimento.  

Sabemos que criar uma criança no espectro pode ser muito diferente de cuidar uma criança neurotípica. Há questões sensoriais a serem consideradas, decisões educacionais que devem ser avaliadas, busca por profissionais e decisões terapêuticas que sobrecarregam os pais dos autistas. Eles podem ficar cansados e confusos com tudo isso.

Um terapeuta ajuda a identificar as necessidades das famílias e ajudar os pais a priorizar as tarefas e reduzir a ansiedade associada à sobrecarga.

Outra questão importante que pode acontecer é o desentendimento entre os pais. Sabe-se que os pais de crianças podem acabar brigando e discordando bastante sobre a criação, formas de tratamentos, terapêuticas, entre outras questões.

Isso pode causar sofrimento e estresse. O terapeuta pode ajudar um casal a superar as dificuldades enquanto estão juntos, visando o bem-estar da relação.

Mas, vale ressaltar que a terapia não faz milagre e não é da noite para o dia que surgem os resultados. É um processo que leva tempo, paciência, perseverança e comprometimento.

As mães costumam ser mais sensíveis, não se sentem compreendidas pelos companheiros e podem entrar em depressão.  Pedir ajuda pode ser muito difícil, principalmente no início. Não hesite em buscar apoio profissional se achar que precisa e para administrar melhor os sentimentos.

Acesso à terapia

Outra questão importante é que a terapia pode ter um custo elevado, o que dificulta o acesso. Mas, o que nem todo mundo sabe é que muitas universidades, centros de estudo e projetos voluntários oferecem tratamento psicológico gratuito. É importante se informar se há esses serviços disponíveis na sua cidade e buscar indicações.  

Também é possível buscar grupos de apoio. Pode ser útil ouvir ou conversar com pessoas que passaram ou estão passando por uma experiência semelhante.  Para muitos pais, os grupos de apoio oferecem esperança, conforto e incentivo para continuar a enfrentar os desafios de criar uma criança com autismo.

Referências:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5858410/

 https://journals.lww.com/md-journal/Fulltext/2019/08090/Emotional_problems_in_mothers_of_autistic_children.68.aspx

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