O papel do psicólogo no autismo

O papel do psicólogo no autismo

Os psicólogos podem desempenhar um papel importante no diagnóstico de TEA e ajudar as pessoas a lidar e a gerenciar os desafios associados ao autismo.

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é uma condição que afeta o desenvolvimento neurológico e causa dificuldades de interação social, no comportamento e na comunicação.

Além disso, o psicólogo pode usar algumas abordagens terapêuticas desenvolvidas para tratar crianças com o TEA.

Vamos detalhar as principais e como esses especialistas são fundamentais para melhorar a qualidade de vida dos autistas.

 

Análise do Comportamento Aplicada (ABA)

A terapia ABA é uma terapia que usa técnicas de ensino baseadas em evidências para aumentar comportamentos adequados e reduzir aqueles que podem ser prejudiciais ou interferem no aprendizado.

Ela é bastante eficaz para melhorar as habilidades de comunicação e sociais.

É uma intervenção considerada bastante eficiente, pois ajuda no aperfeiçoamento de habilidades básicas e complexas, como:

  • olhar;
  • ouvir e imitar;
  • ler;
  • conversar;
  • interagir com o outro.

 

Os psicólogos aplicam a ABA depois de uma avaliação para verificar os comportamentos e determinar o que precisa ser melhorado.

As atividades podem ser desenvolvidas em casa, em escolas ou clínicas.

É uma terapia que usa formas de recompensas para reforçar o comportamento positivo e estimular determinada prática.

Os psicólogos também podem ensinar habilidades para os autistas e torná-los menos dependentes.

O ideal é que a ABA ocorra desde cedo, perto dos quatro anos de idade.

A família também recebe um suporte do psicólogo e é orientada a realizar as atividades em casa de acordo com as necessidades do autista.

 

Psicólogo e Terapia cognitivo-comportamental (TCC)

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) concentra-se na conexão entre pensamentos, sentimentos e comportamentos.

O psicólogo, que também é chamado de terapeuta, durante as sessões, conhece melhor a pessoa com autismo e sua família e aprende a identificar os comportamentos e pensamentos que causam desconfortos e precisam ser trabalhadas.

O psicólogo passa a acompanhar a rotina do autista e trabalhar a autorregulação por parte das crianças, a ensiná-las a obterem o autocontrole e como se comportar adequadamente.

Há diversas técnicas usadas pelos psicólogos para melhorar as habilidades sociais do autista.

Eles costumam escutar bastante os pais e a criança e ajudam a lidar com a ansiedade, depressão e situações do dia a dia como rejeição, isolamento e comportamentos inadequados.

Os psicólogos podem usar determinados objetos para estimular o autocontrole e a autorregulação.

Além disso, usam cartões simbólicos com desenhos para se aproximar do cotidiano da criança e fazem intervenções comportamentais.

Os psicólogos fazem com que o autista lide melhor com a frustração, medos, impulsividade, agressividade.

Os psicólogos podem também usar reforços positivos.

Para isso, busca estimular uma frequência maior desse comportamento na vida da criança.

Além dos autistas, os pais podem precisar de terapia para lidar com suas emoções.

 

Como encontrar o psicólogo ideal?

Todo o profissional que visa lidar com os autistas e aplicar a terapia ABA (Análise do Comportamento Aplicada) precisa ser capacitado, realizar uma especialização.

Os pais devem procurar psicólogos com experiência comprovada de atuação em ABA ao autismo e também em TCC.

A participação dos pais é fundamental em todo o processo.

Eles precisam acompanhar as etapas, as intervenções realizadas e ajudar nas mudanças sugeridas pelos psicólogos.

E quanto mais cedo essas intervenções ocorrerem, maiores serão as chances da pessoa com o TEA ter mais qualidade de vida.

 

Referências

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3196209/

https://www.autismspeaks.org/what-autism/treatment/applied-behavior-analysis-aba  

https://www.autismspectrum.org.au/how-can-we-help/therapy-services

https://www.psychologytoday.com/us/blog/child-development-central/201607/understanding-behavioral-therapy-autism

 

 

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O papel do professor de apoio especializado para os autistas

O papel do professor de apoio especializado para os autistas

Muitas crianças com TEA conseguem frequentar uma escola, conviver com outras crianças e aprender.

Mas, algumas delas sentem muitas dificuldades e precisam de alguém para auxiliá-las nesse processo de inclusão e aprendizagem.

Para isso, entra em cena o professor de apoio.

A legislação garante que a criança/jovem autista tenha assegurado esse apoio e outros mecanismos para conseguir estudar.

Vamos detalhar algumas leis.

 

Professor de apoio – Lei número 9.394/1996

De acordo com essa lei, os sistemas de ensino devem assegurar aos educandos com deficiência e altas habilidades ou superdotação o direito a ter currículos, métodos, técnicas, recursos educativos para atender às suas necessidades.

E também o direito de aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados.

Além de terem disponíveis professores com especialização adequada para atendimento especializado.

Bem como, professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns.

Segundo essa legislação, essas crianças e adolescente devem ser integrados na vida em sociedade, inclusive para o mercado de trabalho.

E devem ter acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis.

Por fim, em relação aos alunos com altas habilidades (ou superdotados):

A lei determina que o poder público institua um cadastro nacional de alunos para ter um controle e fomentar as políticas públicas voltadas ao desenvolvimento de suas potencialidades.

 

Lei número 12.764/2012

Desde 2012, com a lei número 12.764 que estabelece a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), os autistas têm o direito de ter um acompanhante especializado nas salas de aulas.

A lei serve como um reforço na luta pela inclusão.

Sendo assim, os alunos com o TEA que forem matriculados na rede regular de ensino podem ter o acompanhamento.

Esse acompanhamento deve ser de um professor de apoio especializado ou professor auxiliar.

Segundo a legislação, “os sistemas de ensino devem efetuar a matrícula dos estudantes com o TEA nas classes comuns de ensino regular, assegurando o acesso à escolarização, bem como ofertar os serviços da educação especial, dentre os quais: o atendimento educacional especializado complementar e o profissional de apoio”.

 

Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência)

De acordo com a Lei Brasileira de Inclusão, Lei 13.145/2015, o profissional de apoio escolar é um direito assegurado pela legislação e “atua em todas as atividades escolares nas quais se fizer necessária, em todos os níveis e modalidades de ensino, em instituições públicas e privadas, excluídas as técnicas ou os procedimentos identificados com profissões legalmente estabelecidas”.

A lei também determina que toda pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades com as demais pessoas e não sofrerá nenhuma espécie de discriminação.

E também é dever do Estado, da sociedade e da família assegurar à pessoa com deficiência, com prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à sexualidade, à paternidade e à maternidade, à alimentação, à habitação, à educação, entre outros para que se garanta seu bem-estar pessoal, social e econômico.

 

Decreto número 6.949/2009 

Esse decreto promulgou a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo.

No artigo 24, que trata sobre educação, ficou estabelecido que o Estado deve ofertar o direito sem discriminação e com base na igualdade de oportunidades e assegurarão sistema educacional inclusivo em todos os níveis.

Para isso, o Estado deve garantir o desenvolvimento do potencial humano e do senso de dignidade e autoestima e fortalecer o respeito pelos direitos humanos, pelas liberdades fundamentais e pela diversidade humana.

Outro ponto abordado é sobre o desenvolvimento da criatividade e talentos das pessoas com deficiência, assim como de suas habilidades físicas e intelectuais. Estabelece também que as pessoas com deficiência não sejam excluídas do sistema educacional e possam ter acesso ao ensino inclusivo, de qualidade e gratuito.

E as pessoas com deficiência devem ter o direito a adaptações razoáveis e recebam o apoio necessário, no âmbito do sistema educacional geral, com vistas a facilitar sua efetiva educação. Para isso, é necessário realizar medidas de apoio individualizadas e efetivas.

 

O que faz o professor de apoio

O professor de apoio participa da reintegração da pessoa com TEA na sala de aula e ajuda na inclusão escolar.

Ele adapta as atividades, auxiliando as interações sociais e aplicações didáticas.

O professor de apoio atua juntamente com a equipe pedagógica e com o professor regular

Juntos, eles definem as estratégias que serão utilizadas para que o estudante autista tenha acesso ao aprendizado das disciplinas e das formas de avaliação que permitam que a aprendizagem seja efetiva.

Geralmente, esses profissionais contribuem para melhorar as habilidades de leitura, escrita, matemática, compreensão e comunicação.

Eles também ajudam estabelecendo uma rotina, ensinando sobre regras e comportamentos adequados na sala de aula.

Por exemplo, os alunos são ensinados a seguir instruções, interagir com colegas e se comunicar de maneira eficaz.

Esse profissional também pode auxiliar o aluno nos momentos de higiene, alimentação e locomoção.

Lembrando que o professor de apoio tem como função principal facilitar a acessibilidade do aluno com autismo na escola.

 

Como garantir o direito de ter um professor de apoio

Cabe à escola garantir a plena participação do aluno em todas as atividades escolares em igualdade de condições.

Por isso, a instituição de ensino deve providenciar um professor de apoio especializado diretamente na secretaria de educação à qual está vinculada.

Essa contratação é um dever da instituição de ensino.

Sendo assim, é proibido cobrar da família qualquer mensalidade ou anuidade por ter um professor de apoio especializado para o aluno autista.

A escola poderá solicitar aos pais ou cuidadores um laudo que comprove que a criança tem autismo.

Mas, não poderá se recusar a matricular o aluno autista.

Por lei, seja a escola particular ou pública, as escolas têm obrigação de contribuir com a inclusão escolar e providenciar o professor de apoio para acompanhar o aluno com o TEA.

Se sentir resistência da direção, procure ajuda especializada de um advogado e busque os seus direitos.

 

Referências:

https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2015/17749_7890.pdf

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12764.htm

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9394.htm

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d6949.htm

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A importância da Educação Física para o desenvolvimento motor

Manter o corpo ativo é fundamental para ter saúde e prevenir problemas desde cedo. As crianças têm contato com a atividade física logo na infância e também nas aulas de Educação Física. Mas você sabia que essas aulas proporcionam diversos benefícios além da recreação?

A Educação Física ajuda no desenvolvimento motor dos estudantes ao proporcionar a oportunidade de se movimentar e desenvolver suas habilidades.

Crianças e jovens devem praticar atividade física de forma lúdica, por meio de brincadeiras, jogos, esportes, tarefas e Educação Física nas escolas.

Ao se manter ativo, a criança e jovem melhora sua aptidão cardiorrespiratória e muscular, saúde óssea, cardiovascular e metabólica.

Apenas 60 minutos por três vezes por semana já fazem a diferença na saúde, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Ela ajuda o autista a manter-se fisicamente ativo e ter um estilo de vida saudável. Além disso, ajuda a desenvolver habilidades e ganhar experiências e aprendizados.

Desenvolvimento motor, autismo e Educação Física

Alguns estudos mostram que as crianças autistas podem ter graus diferentes de dificuldade com habilidades motoras finas e grossas. Essas dificuldades podem ser superadas e a Educação Física pode contribuir para isso.

Alguns autistas apresentam dificuldades de equilíbrio, consciência corporal e controle motor.  O que pode causar problemas para praticar esportes ou andar de bicicleta, por exemplo.

Contribui ao estruturar o meio ambiente adequado para a criança e o adolescente. Quem pratica atividade física regular consegue desenvolver a sua capacidade motora, garantindo a aprendizagem de habilidades específicas. Ela aprimora a motricidade do aluno, aumentando o equilíbrio, a organização temporal e a espacial.

5 benefícios da educação física para autistas

1 – Habilidades sociais – as atividades físicas desenvolvidas para autistas apresentam ganhos significativos em suas habilidades sociais e de comunicação.

A educação física promove brincadeiras em grupos, programas de corrida e jogos que contribuem para melhorar as dificuldades de quem tem o Transtorno do Espectro do Autismo.

2 – Mais força e resistência muscular – a prática de educação física é importante para a saúde física e também para aumentar a forca e resistência muscular dos autistas. Isso inclui esportes recreativos e jogos, além de brincadeiras.

3 – Habilidades de mobilidade – Aumenta o equilíbrio, a coordenação corporal, o controle visual-motor e outras habilidades de mobilidade.

4 – Habilidades motoras – Alguns tipos de atividades físicas também contribuem para melhorar significativamente essas habilidades. Entre elas, destacam-se brincadeiras de pular e desviar de objetos.

5 – Controle da ansiedade – Pode contribuir para a diminuição da ansiedade.

Sair do sedentarismo e praticar atividade física regular estimula no organismo a produção de endorfina, que é responsável por causar bem-estar, aliviando a depressão e melhorando o humor.

Como incluir as crianças autistas nas aulas de Educação Física

As aulas de Ed. Física são uma grande oportunidade para diversão, a prática de exercícios, aprendizado e treino de habilidades sociais para todas as crianças, mas quem tem autismo pode ter dificuldades. Porém, a inclusão nas aulas de Educação Física é necessária e fundamental.

Os professores de Ed. Física devem tornar as aulas divertidas e que ofereçam pouco risco para os autistas desenvolver suas habilidades. É importante se concentrar em jogos que exigem cooperação.

Os pais devem participar ativamente e saber como está o desempenho dos filhos nas aulas de Educação Física.

Referências

https://www.autismspeaks.org/expert-opinion/does-physical-activity-have-special-benefits-people-autism

https://www.autismparentingmagazine.com/support-your-asd-child-in-physical-education/

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Saiba mais sobre a hipotonia

A hipotonia ou o tônus muscular baixo é a diminuição da força muscular e dos músculos.

Por isso, os músculos não são tão firmes quanto o esperado em termos de desenvolvimento.

Normalmente, mesmo quando relaxados, os músculos têm uma quantidade muito pequena de contração que dá uma sensação de elasticidade e fornece alguma resistência ao movimento passivo.

Crianças com baixo tônus muscular podem apresentar atraso nas habilidades motoras, semelhantemente podem apresentar também, dificuldade de coordenação motora e fraqueza muscular, entre outras condições.

Em inglês, essas crianças ficaram conhecidas como floppy babies, ou “bebês molengas”, em tradução livre.

Esse problema de saúde é comum em crianças com autismo.

Estima-se que aproximadamente 30% das crianças com autismo têm perda moderada a grave de tônus muscular.

Elas podem apresentar uma postura inadequada, dificuldade em executar tarefas motoras finas e grossas adequadas à idade, consciência corporal deficiente, dificuldade em mastigar e problemas de fala.

O pescoço e o tronco ficam moles, gerando dificuldade para sustentar a cabeça e se sentar.

A hipotonia é mais frequentemente detectada em bebês logo após o nascimento ou quando são muito jovens.

Mas, esse problema também pode aparecer em crianças maiores.

Esse tônus muscular fraco tende a sinalizar um problema no cérebro, na medula espinhal, nos nervos ou nos músculos.

Os sintomas da hipotonia incluem:

  • Falta de controle parcial ou total da cabeça;
  • Atraso no desenvolvimento motor;
  • Diminuição da força;
  • Hipersensibilidade;
  • Dificuldades de fala;
  • Postura debilitada.

Diagnóstico e tratamento da hipotonia

Primordialmente, os pais devem ficar atentos aos sinais dessa fraqueza muscular.

É importante perceber se a criança fica com os braços e as pernas em linha reta enquanto descansa.

E também verificar se ela pode escorregar das mãos quando é segurada – já que os braços se erguem sem resistência.

A hipotonia geralmente é diagnosticada durante o primeiro ou até o segundo ano de vida.

O diagnóstico geralmente é realizado pela observação clínica.

Em seguida, o especialista solicita exames laboratoriais, estudos de imagem, como a tomografia computadorizada, ressonância magnética e eletroencefalograma.

Cabe destacar que a hipotonia é diferente da fraqueza muscular, mas algumas vezes pode ser difícil distinguir as duas condições.

Mas, quanto mais precoce for à detecção do quadro, maiores serão as chances da criança ter um tratamento adequado.

O tratamento da criança hipotônica deve ser adaptado de acordo com a condição específica.

Existem algumas estratégias para trabalhar o baixo tônus muscular e geralmente consistem em exercícios usados para aumentar a força muscular.

A terapia costuma ser de suporte e com uma equipe de reabilitação formada por vários profissionais como o profissional de educação física, psicomotricista, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo e fisioterapeuta.

As atividades físicas supervisionadas por um profissional de educação física pode ajudar no aumento da força muscular e diminuição da hipotonia.

A psicomotricidade também pode ajudar no tônus muscular e nas questões psicomotoras.

A terapia ocupacional pode ajudar a pessoa a aprender maneiras de realizar as atividades da vida diária.

Já o fonoaudiólogo pode ajudar nas dificuldades de respiração, fala e deglutição.

Por fim, a fisioterapia pode melhorar o controle motor e a força geral do corpo.

Referências:

https://www.saudecuf.pt/mais-saude/doencas-a-z/hipotonia

http://medicina.fm.usp.br/gdc/docs/revistadc_96_p.82-93%20862.pdf

https://www.webmd.com/baby/hypotonia-floppy-infant-syndrome

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Censo 2020 vai incluir informações sobre autismo

O presidente da República sancionou a lei que obriga a inclusão nos censos demográficos de informações específicas sobre pessoas com autismo.

Até o momento não existem dados oficiais sobre quem tem o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e seus familiares no Brasil.

A lei número 13.861/2019 inclui dados específicos sobre autismo no Censo do IBGE.

Estima-se que existam cerca de dois milhões de autistas no país, mas essa informação ainda não pode ser confirmada por dados oficiais, algo que provavelmente mudará a partir do ano que vem com o Censo.

De acordo com o presidente, a medida foi tomada “atendendo à necessidade da comunidade autista no Brasil e reconhecendo a importância do tema”.

O Censo será importante para mapear o autismo no Brasil e também para a criação de políticas públicas eficientes, que abranjam as pessoas com o TEA de todo o território nacional.

Além disso, com as informações do Censo, o poder público terá informações relevantes para quantificar e qualificar os profissionais que precisam ser preparados para atender essa população com capacitação adequada.

Na ocasião, o presidente Bolsonaro sancionou a proposta ao lado do apresentador Marcos Mion, que participou de uma campanha nas redes sociais pela inclusão da pergunta sobre autistas no Censo 2020.

Mion é pai de Romeu, que foi diagnosticado com autismo, e desde então o apresentador é engajado na causa e divulga informações sobre o TEA.

De acordo com o presidente, “o Censo carece de critérios específicos em relação ao autismo, inviabilizando levantamento adequado, mas existe proposta mais precisa, técnica e que trará resultados dois anos antes, agilizando o desenvolvimento de políticas públicas eficientes”.

Sobre a lei

A lei número 13.861/2019 é de autoria da deputada federal Carmen Zanotto (Cidadania-SC) e inclui no Censo do IBGE de 2020 informações específicas sobre pessoas com autismo.

Para Carmen, a sanção é uma vitória da comunidade autista, que lutou desde o início de tramitação do projeto no Congresso Nacional para que a lei se tornasse realidade.

A proposta da deputada altera a lei número 7.853, de 1989, para que seja obrigatório que os censos populacionais do País incluam “especificidades inerentes ao autismo”.

Para a deputada, a principal causa da omissão de políticas públicas direcionadas a este segmento populacional é a inexistência de dados oficiais sobre o autismo.

A partir da coleta de informações, será possível saber quantas pessoas com o transtorno existem no Brasil e a realidade socioeconômica das famílias.

O novo questionário pode ser considerado um avanço na inclusão de pessoas com autismo, incluindo familiares.

Mas, inicialmente será preciso ficar atento à precisão dos dados gerados a partir da pesquisa para que as informações e os números sobre autismo sejam corretos.

Detalhes sobre o censo 2020

O Censo Demográfico é realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística  (IBGE) e trata-se de um estudo estatístico domiciliar.

Ele é feito a cada dez anos e assim é possível saber como vive a população do país.

Segundo o Instituto, a intenção é conseguir um retrato abrangente e fiel do Brasil para que se possa desenvolver e implementar políticas públicas e direcionar investimentos do governo ou da iniciativa privada.

Por meio do Censo 2020, é possível ter informações sobre o tamanho da população brasileira, distribuição de pessoas pelo território nacional, nível de escolaridade de crianças e jovens, condições de emprego e renda da população, por exemplo.

O questionário básico do ano que vem contará com 26 questões – onze a menos que no Censo 2010. Já o questionário completo, aplicado a apenas 10% dos domicílios, contará com 76 perguntas – em 2010, eram 102 questões. A redução das questões visa diminuir o tempo de abordagem dos participantes.

Fontes:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2019-07/bolsonaro-anuncia-inclusao-de-autistas-no-censo-2020

https://brasil.estadao.com.br/blogs/vencer-limites/bolsonaro-sanciona-autismo-no-censo/

http://portal.cidadania23.org.br/2019/07/18/sanciona-lei-de-carmen-zanotto-que-incluiu-dados-sobre-o-autismo-no-censo/

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Dificuldades de escrita e autismo

Dificuldades de escrita – Você já ouviu falar em grafomotricidade? Apesar da palavra, decerto, complicada, a grafomotricidade é, a expressão gráfica da criança.

Ela está ligada a um conjunto de funções neurológicas e musculares que possibilitam que a criança realize os movimentos motores na escrita e em outros registros gráficos.

Não é novidade que as pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo podem encontrar dificuldade para desenvolver a psicomotricidade fina.

Por isso, é comum que isso afete a escrita e a aprendizagem.

A escrita se torna um desafio para os autistas porque envolve coordenação, força muscular, planejamento motor, habilidades de linguagem, bem como, organização e questões sensoriais.

A coordenação motora fina é responsável pelos movimentos realizados pelas mãos e dedos.

Esse desenvolvimento é de grande relevância para a escrita e necessita que a criança tenha boa tonicidade muscular nos membros superiores e inferiores.

Muitas atividades podem ser realizadas para melhorar e trabalhar a consciência corporal.

Seguem alguns exemplos: dobrar papel, carimbar, fazer colagem, recortar com tesoura sem ponta, ligar pontos, desenhar, modelar massinha, abotoar e desabotoar, abrir e fechar zíper ou velcro e amarrar cadarços.

Além disso, a criança pode ser acompanhada por um terapeuta ocupacional.

Assim, ele poderá passar exercícios específicos para aumentar o tônus muscular.

A escola também precisa, sem dúvida, contribuir e dar todo o suporte necessário para o aluno autista.

É importante destacar que as crianças com idade até os três anos não devem ser forçadas ou exigir que elas sigam um padrão.

O seu desenvolvimento grafomotor deve ser mais livre e ela pode se sentir à vontade para explorar as atividades, desenhar livremente e manipular objetos da forma que quiser.

Após essa fase, os educadores costumam introduzir atividades como desenhos e grafia para estimular as habilidades motoras.

A importância da psicomotricidade

A coordenação motora fina é, de fato, fundamental para aprimorar a grafomotricidade da criança.

Para isso, é importante trabalhar a consciência corporal do autista.

Sobretudo, a psicomotricidade ocupa papel fundamental no desenvolvimento do processo da alfabetização do autista.

Ela é a ciência que estuda o ser humano por meio de seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo.

As atividades psicomotoras permitem à criança, primordialmente, conhecer o seu próprio corpo e dominar a gesto da escrita.

Lembrando que para uma pessoa com o TEA escrever pode ser cansativo e exigir muita paciência dos pais e professores.

Parece fácil, mas exige, entretanto, que o autista se posicione corretamente, pegue o lápis e a folha ou caderno da forma correta.

E também use a coordenação motora fina para realizar um traçado regular, além dos sentidos e memória.

Para que tudo isso aconteça, com toda a certeza, há várias partes do cérebro se comunicando adequadamente.

No caso dos autistas, no entanto, todo esse processo pode ser mais complexo e levar mais tempo para que a criança aprenda a escrever e a ler.

Disgrafia

Também é bastante comum que os autistas apresentem disgrafia, que é uma dificuldade de escrever coerentemente, independentemente da capacidade de ler.

Eles fazem letras de tamanho inadequado e espaçadas, ou escrevem palavras erradas ou mal escritas, apesar de serem instruídas adequadamente.

Nas crianças, o distúrbio geralmente surge quando eles são introduzidos pela primeira vez na escrita.

Alguns sintomas são:

  • dificuldade em usar a escrita como ferramenta de comunicação;
  • aperto do lápis de forma estranha;
  • muitos erros de ortografia;
    dor ao escrever;
  • diminuição ou aumento da velocidade de escrita e cópia;
  • falar sozinho enquanto escreve.

Também apresentam relutância ou se recusam a concluir tarefas que envolvem qualquer tipo de redação.

 Referências:

https://www.time4learning.com/homeschooling/special-needs/autism/writing-strategies.html

http://www.autism-help.org/comorbid-dysgraphia-autism.htm

https://abcnews.go.com/Health/AutismNews/autistic-children-handwriting-biggest-challenge/story?id=9036125

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A falsa promessa da cura do autismo com o MMS

Você já ouviu falar em MMS? A sigla vem do inglês Mineral Miracle Solution (Solução Mineral Milagrosa “cura”) e é uma substância vendida como medicamento que possui uma composição parecida com a água sanitária.

Conhecendo a MMS

Na indústria, esse produto é usado para branquear a polpa da madeira destinada a fazer o papel, e há um protocolo específico para lidar com o MMS devido à sua alta toxicidade.

Infelizmente, essa substância se tornou popular entre os familiares de pessoas com autismo. Alguns pais e cuidadores acreditaram que as crianças poderiam ser curadas ao ingerir o MMS.

A substância é um produto não licenciado que é basicamente uma mistura de clorito de sódio e pó cítrico conhecido para fazer o alvejante de cloro.

Aqueles que vendem o produto alegam que, embora sejam similares, o MMS (dióxido de cloro) é diferente dos produtos de limpeza de grau industrial.

Há benefícios?

É importante esclarecer que não há comprovação científica dos benefícios do MMS para o autismo ou qualquer outra condição de saúde.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) até mesmo proibiu a venda do produto.

O órgão alegou ainda que, desde o ano passado, fiscaliza e retira anúncios de venda do produto e derrubam propagandas que incentivem o uso do MMS.

Cabe destacar que para um medicamento ser aprovado levam-se anos de pesquisas e testes clínicos para comprovar sua eficácia e possíveis efeitos colaterais.

Além disso, a agência norte-americana dos EUA Food and Drug Administration (FDA), o Ministério da Saúde do Canadá e a Food Standards Agency do Reino Unido lançaram alertas sobre o risco do MMS para a saúde.

Porém, ainda é bastante fácil de encontrar pela internet.

O falso medicamento é dado para as crianças via oral ou retal e podem fazer muito mal para o organismo.

Os especialistas alertam que a criança que ingerir essa solução pode sofrer uma descamação da mucosa do intestino, diarreia, enjoos, vômitos, desidratação, insuficiência renal, anemia e outros problemas bastante graves como sobrecarregar os rins e no futuro causar falência renal.

Alguns especialistas relatam que o uso contínuo deixa a pessoa debilitada e provoca picos de anemia.

Como surgiu o MMS?

O criador do MMS foi o norte-americano Jim Humble. Ele afirma, sobretudo, que o MMS, além do autismo, pode curar outros problemas de saúde como:

  • Câncer;
  • Diabetes;
  • Esclerose múltipla;
  • Parkinson;
  • Alzheimer;
  • AIDS;
  • entre outros.

E esse boato de cura?

O MMS e a sua fama de “curar” o autismo surgiu após o lançamento do livro da norte-americana Kerri Rivera:

“Curando os sintomas conhecidos como autismo”.

Na obra, ela destaca, em resumo, um protocolo para se alcançar a cura do autismo, que inclui, pois, dieta, desintoxicação e o uso do MMS por via oral ou retal.

Em alguns casos, por certo, as crianças sofrem descamação das paredes do intestino e, assim, um muco é expelido.

A autora afirma que seriam os “vermes causadores dos sintomas de autismo”.

A partir daí, como resultado, surgiram médicos, formadores de opinião, ao mesmo tempo, surgiram depoimentos de pessoas divulgando os benefícios do MMS.

Depoimentos em vídeos nas redes sociais e em conversas de aplicativos de celular.

Mas, todo cuidado é pouco! Ou seja, sempre desconfie de produtos que são vendidos como miraculosos.

Além disso, é necessário ressaltar que o autismo não tem cura, pois não é uma doença. A falta de informação ou  fake news (notícias falsas) podem colocar muitas vidas em risco.

É importante, sem dúvida, que o uso e a venda do MMS sejam denunciados ao Ministério Público.

Se algum médico indicar esse suposto medicamento, ele, semelhantemente, também deve ser denunciado.

Essa é, de fato, a melhor forma de impedir que essa situação perigosa continue acontecendo.

Em resumo, os pais devem receber todo o apoio possível para, dessa forma, lidar com essas falsas informações.

Ao receber um diagnóstico de autismo, eles podem ser influenciados a usar esse produto como solução de um problema real.

Muitos encontram informações falsas e buscam apoio em outros pais que, do mesmo modo, passam pela mesma situação.

Em conclusão, por falta de conhecimento, desespero ou medo, os pais podem cair nessas ciladas, se iludirem e complicar a saúde dos filhos autistas.

Referências:

https://www.healthline.com/health-news/parents-warned-about-bleach-therapy-for-autism#4

https://www.bbc.com/news/technology-48355681

https://oglobo.globo.com/sociedade/anvisa-proibe-remedio-que-vendia-falsa-cura-para-aids-autismo-23645125

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Sinais do Autismo em Meninas: Como Identificar?

As taxas de prevalência de autismo trazem que o autismo afeta cerca de 4x mais meninos do que meninas.

Os pesquisadores acreditam que as meninas podem nascer com fatores genéticos de proteção que reduzem o risco de autismo. Por outro lado, sabemos que muitas meninas com autismo na verdade não são diagnosticadas e provavelmente existem mais meninas com o transtorno do que imaginamos.

É bastante comum que as garotas com o TEA sejam subdiagnosticadas, ou seja, não recebam o diagnóstico correto. Geralmente, as meninas não se encaixam em grande parte dos estereótipos do espectro. Também, tendem a mascarar mais os sintomas do que os meninos.

Muitas delas podem não apresentar sintomas evidentes como dificuldades de fala e linguagem (atraso de linguagem e fala), problemas de comunicação social ou desafios cognitivos significativos.

Outro fator que dificulta o diagnóstico é que a sociedade espera que as meninas sejam mais caladas ou tímidas do que os meninos.

Por isso, o autismo pode ficar mais evidente na adolescência, quando elas precisam se relacionar socialmente nas escolas ou em grupos sociais e encontram dificuldades.

Alguns sinais e sintomas que merecem atenção

As meninas com autismo podem parecer mais inocentes do que as outras garotas da mesma idade.

O autismo em meninas faz com que elas não entendem duplo sentido ou piadas e evitam se expor.

Além disso, podem gostar mais de rotina do que as outras garotas e sentem dificuldades de aceitar mudanças.

Outro fato interessante é que as meninas tendem a disfarçar mais suas limitações sociais, pois conseguem imitar comportamentos de outras meninas da mesma idade.

Além disso, apresentam menos atitudes repetitivas e restritas.

Isso ocorre devido à estrutura cerebral, que é diferente entre meninos e meninas e por causa dos aspectos hormonais.

O cérebro feminino tem uma inteligência social maior do que a dos meninos, por isso, o TEA pode ser mais facilmente camuflado.

A depressão costuma ser bastante comum em meninas autistas, principalmente na adolescência.

Isso ocorre porque  são frequentemente isoladas ou têm menos amigos do que as outras colegas e sentem dificuldade de interagir.

Elas podem sentir que não se encaixam no padrão estabelecido pela sociedade, o que prejudica a autoestima.

Sabe-se que as meninas com autismo são mais propensas a ter altas taxas de depressão, ansiedade e até mesmo distúrbios alimentares.

De acordo com pesquisas, TEA em meninas apresentam alguns sintomas, tais como:

– Aumento das habilidades de imitação social;

– Vontade de interagir diretamente com os outros;

– Uma tendência a ser tímida ou passiva;

– Têm bastante imaginação;

– Melhores habilidades de linguagem e no desenvolvimento.

É importante destacar que a criança tímida sabe o que deve fazer e como reagir ao estado emocional das pessoas, mas não consegue.

Já a criança autista não consegue perceber isso.

Essa pequena diferença pode ajudar a descobrir o autismo em meninas.

O diagnóstico também costuma ser mais difícil porque as meninas autistas apresentam menos raiva, agressividade e comportamentos estereotipados.

Por isso, recomenda-se buscar ajuda especializada em qualquer sinal de suspeita.

O futuro das meninas autistas

As pesquisas que envolvem o autismo ainda focam mais nos meninos.

Por isso, existem poucos estudos que falem especificamente de autismo em meninas.

Como o autismo em meninas é mais difícil de ser identificado, as avaliações clínicas devem ser mais rigorosas para as meninas, e os pais devem prestar muita atenção aos possíveis indicadores de TEA.

Lembrando que quando o TEA demora a ser identificado, as meninas podem perder a chance de desenvolver suas habilidades mais rapidamente, o que prejudica a sua qualidade de vida.

Mas, a cada dia, aumentam os estudos e interessados em analisar a questão de gênero e quais fatores influenciam no surgimento do TEA em meninas.

Atualmente, alguns pesquisadores buscam acompanhar as meninas autistas desde a infância para traçar em breve novos modelos de diagnóstico.

Dessa forma, espera-se que elas possam ter uma intervenção precoce e ganhem mais qualidade de vida.

Referências

https://med.stanford.edu/news/all-news/2015/09/girls-and-boys-with-autism-differ-in-behavior-brain-structure.html

https://www.autismawareness.com.au/could-it-be-autism/autism-and-girls/

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