Estereotipias no Transtorno do Espectro do Autismo

Definidas como movimentos, comportamentos e/ou atividades desencadeadas de maneira involuntária e repetitiva, as estereotipias são comuns no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Se você tem convívio com alguém no espectro, possivelmente tenha presenciado alguns comportamentos que caracterizam as estereotipais.

Movimentos realizados sem um motivo aparente, tais como o girar e bater de mãos, acenar, balançar cabeça, tronco e membros, abrir e fechar de boca; saltar, correr, pular, olhar objetos fixamente, cruzar pernas e bater pés, entre outros.

As denominadas estereotipias podem envolver um ou todos os sentidos. Geralmente incluem ações que duram segundos, minutos, às vezes horas.

Cada criança com autismo tem o seu próprio repertório de estereotipias, que podem evoluir com o tempo e, nem sempre, são consideradas nocivas ao autista.

Podem estar ligadas a momentos de estresse, ansiedade, fadiga, convívio social e outros estímulos ambientais.

Por isso, esses comportamentos podem ser considerados “auto-estimuladores”, pois costumam proporcionar ao autista uma excitação sensorial de forma a acalmar ou até mesmo gerar uma sensação de satisfação interna.

A estereotipia pode ajudar a aliviar a tensão de um ambiente excessivamente estimulante, pois ajuda a desfocar dos estímulos externos e se concentrar em si.

Quando os episódios de estereotipia passam a interferir nos processos de desenvolvimento e aprendizagem, afetando a capacidade de comunicação e socialização, uma intervenção terapêutica pode ser recomendada.

Identificar quando as repetições se tornam barreiras à realização das atividades diárias é o primeiro passo para melhorar a condição da criança, reduzindo ou eliminando os comportamentos estereotipados e reabilitando-a por meio da introdução de tratamentos, que incluem desde a Análise do comportamento aplicada (ABA) até medicamentos.

Estereotipias x Estereótipo: compreendendo as diferenças

É muito comum que os termos “estereotipia” e “estereótipo”, quando associados ao universo do autismo, se confundam.

Como observado, estereotipia é uma característica associada ao TEA. Já quando empregamos o termo “estereótipo”, refere-se a estigmatizar a pessoa com TEA.

O desconhecimento da população em geral sobre o espectro, bem como a maneira que ele é retratado na ficção, como em novelas e alguns filmes, pode contribuir ainda mais para uma representação equivocada do universo do TEA, rotulando o autista e restringindo sua capacidade individual.

Cada pessoa no espectro, seja ela criança ou adulto, tem características próprias e potenciais igualmente diferenciados que, quando desenvolvidos, permitem ao autista alcançar independência e autonomia em suas atividades diárias, bem como conviver em sociedade.

Conhecer para compreender, acolher e desenvolver. Em se tratando do TEA, o conhecimento é uma das mais potentes armas que há para cuidar de quem está no espectro, reduzindo assim os desafios característicos do distúrbio e possibilitando ao autista uma melhor condição de vida, sem rótulos, sem estereótipos que possam limitar seu potencial enquanto ser humano.

Referências:

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Draaisma D. Stereotypes of autism. Philosophical Transactions of the Royal Society B: Biological Sciences. 2009;364(1522):1475-1480. doi:10.1098/rstb.2008.0324. Disponível em < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2677582/#!po=42.5676>

Ghanizadeh A. Clinical Approach to Motor Stereotypies in Autistic Children. Iranian Journal of Pediatrics. 2010;20(2):149-159. Disponível em < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3446025/>

GOLDMAN, S., WANG, C., SALGADO, M. W., GREENE, P. E., KIM, M. and RAPIN, I. (2009), Motor stereotypies in children with autism and other developmental disorders. Developmental Medicine & Child Neurology, 51: 30–38. doi:10.1111/j.1469-8749.2008.03178.x. Disponível em < http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1469-8749.2008.03178.x/full>

Megan A. Hattier, Johnny L. Matson, Katherine Macmillan & Lindsey Williams. Stereotyped behaviours in children with autism spectrum disorders and atypical development as measured by the BPI-01. Developmental Neurorehabilitation Vol. 16, Iss. 5, 2013. Disponível em < http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.3109/17518423.2012.727107?journalCode=ipdr20>

Stephen M. Edelson, Ph.D. Self-Stimulatory Behavior. Autism Research Institute. Disponível em https://www.autism.com/symptoms_self-stim Watt N, Wetherby AM, Barber A, Morgan L. Repetitive and Stereotyped Behaviors in Children with Autism Spectrum Disorders in the Second Year of Life. Journal of autism and developmental disorders. 2008;38(8):1518-1533. doi:10.1007/s10803-007-0532-8. Disponível em < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2637365/>

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É possível sair do espectro do autismo?

Hoje vamos falar sobre um assunto bastante polêmico: É possível sair do espectro do autismo?

Há muita discussão sobre esse assunto e alguns pesquisadores discordam sobre isso enquanto outros grupos de pesquisadores e médicos acreditam que sim é possível sair do espectro em alguns casos (Cerca de 3% a 5% das crianças evoluem tanto que conseguem “sair do espectro”).

Estar dentro do espectro do autismo geralmente se refere ao conjunto específico de dificuldades comportamentais e de desenvolvimento. Receber um diagnóstico de TEA significa que as habilidades de comunicação e sociais são afetadas de alguma forma.

Primeiramente, é preciso deixar claro que o Transtorno do Espectro do Autismo não tem cura, pois ele não é considerado uma doença. Mas há casos de pessoas com TEA que após terem o diagnóstico correto e uma intervenção adequada diminuem muito os sintomas de autismo e levam uma vida normal, claro que com algumas limitações que podem ser trabalhadas ao longo da vida.

É muito importante esclarecer que o TEA é uma condição crônica, ou seja, quem tem o Transtorno provavelmente se manterá nele por toda sua vida. O autismo é um transtorno de neurodesenvolvimento que vem desde a formação da criança durante a gestação.

O que não quer dizer necessariamente que a pessoa com autismo vai conviver com os mesmos sintomas para sempre.  Há vários estudos científicos que mostram que as intervenções terapêuticas precoces reduzem ou até mesmo suprem as deficiências e limitações do espectro.

Por isso, quem tem o TEA ao ser estimulado corretamente e ter o apoio terapêutico adequado para sua condição pode deixar algumas características limitantes para trás. O que não quer dizer que ele tenha deixado de ser autista. Mas, os sintomas do autismo não vão mais prejudicar sua vida acadêmica, interação social e os relacionamentos, pois se tornam mais brandos.

Vou dar alguns exemplos para ficar mais claro. Com a intervenção precoce e acompanhamento profissional, as pessoas com autismo são estimuladas a realizar atividades do dia a dia. Logo, poderão diminuir as estereotipias, conviver em ambientes com ruídos e luzes que antes não conseguiam, podem passar a realizar sua higiene pessoal sem auxílio, por exemplo.

E quem ver de fora, pessoas que não sabem do histórico ou não convivem, podem não perceber que a pessoa é autista. Pois com o desenvolvimento do indivíduo, os sintomas vão ficando praticamente imperceptíveis.

Há alguns testes de diagnóstico padrão que são realizados nas pessoas com autismo para avaliar o nível dos sintomas e se ocorreu evolução. É importante que os autistas tenham esse acompanhamento constante com profissionais para que possa assim avaliar os resultados das intervenções terapêuticas.

Esses testes envolvem a análise do comportamento das crianças para identificar as características do espectro e há uma pontuação que avalia se a pessoa está ou não dentro do espectro do autismo e qual o grau do autismo.

Esses testes medem comportamentos com determinados números e somam no final. A partir dessa soma eles dizem se a criança atinge uma determinada pontuação. Se sim, ela atinge, então ela esta dentro do espectro e se não atinge está fora.

Se a pessoa que antes atingiu esta pontuação mas ela apresentou uma boa trajetória de desenvolvimento devido as intervenções terapêuticas e agora está fora desta pontuação ela é considerada “fora do espectro”. Mas isso não significa que está pessoa não carrega outras dificuldades e que não precise de apoio em algum momento da vida. Isso não significa que pessoa deixou de ser autista.

A pessoa com autismo pode evoluir muito, conseguir interagir, se comunicar e seguir com a sua rotina diária sem as limitações do espectro. Mas, o que queremos esclarecer é a importância da informação correta.

Os pais devem tomar muito cuidado com as falsas esperanças, pois ninguém deixa de ser autista. Após o diagnóstico e tratamento, há a evolução, mas o histórico do Transtorno do Espectro do Autismo ainda permanece e podem persistir algumas dificuldades que precisarão ser trabalhadas.

Por isso procure sempre se informar com os especialistas e busque as informações confiáveis.

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Tratamento medicamentoso para o TEA

No artigo de hoje vamos falar sobre o tratamento medicamentosopara as comorbidades em pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

É importante reforçar que não há um medicamento para tratar o autismo em si e sim para tratar as comorbidades ou condições associadas. Portanto, quem apresenta essas comorbidades pode precisar de medicamentos para controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

É muito comum para quem tem autismo apresentar algumas comorbidades, que são aquelas doenças ou condições que aparecem juntamente com o TEA.

Além disso, os medicamentos, quando são necessários, visam melhorar a qualidade de vida da pessoa com autismo e também de quem está à sua volta.

Portanto, os medicamentos mais comuns são antidepressivos, antipsicóticos, estimulantes, estabilizadores de humor e ansiolíticos. 

Vamos citar algumas condições/comorbidades em que o uso de medicamentos pode ser necessário.

Transtorno Bipolar

O Transtorno Bipolar causa alterações de humor que vão de depressão a episódios de obsessão. Há pessoas com o TEA que também apresentam bipolaridade. Por isso, a pessoa pode apresentar felicidade extrema e otimismo, autoestima inflada, distúrbios do sono e distração. 

Mas, em outros momentos, apresentam depressão, perda de interesse em atividades normais, mudanças no apetite, perda ou ganho de peso, cansaço e perda de energia, sono intenso e falta de concentração. Nesses casos, são indicados medicamentos antipsicóticos e para problemas de humor assim como remédios antidepressivos.

Depressão

A depressão pode ser comum em pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo, principalmente naquelas que têm um autismo leve e sentem dificuldades de interações sociais.

Por isso, apresentam humor alterado, tristeza profunda, falta de sono e apetite, irritabilidade e perda de motivação.

Assim, o tratamento pode combinar antidepressivos com terapia. Há uma grande variedade de antidepressivos disponíveis no mercado e apenas um médico pode indicar qual é o melhor para cada caso.

Ansiedade

Quem tem autismo também pode sofrer com o transtorno de ansiedade. Então, os sintomas variam de tensão, hiperatividade, preocupação em excesso, hiperatividade, dificuldade para dormir e medo. Para não comprometer a qualidade de vida do autista a medicação pode ser indicada. O médico pode receitar antidepressivos, ansiolíticos e antipsicóticos para aliviar os sintomas.

Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)

Também conhecido pela sigla TDAH é umas das principais comorbidades associadas ao TEA. Os sintomas variam de dificuldade em pensar antes de agir, ficar sentadas e concentradas.

Com isso, o tratamento do TDAH além de terapêutico é psicofarmacológico, feito com medicamentos prescritos pelo médico.

TOC

Os autistas também podem ter o Transtorno Obsessivo Compulsivo, conhecido pela sigla TOC.

Os sintomas são os pensamentos obsessivos e a pessoa se comporta de maneira repetitiva e compulsiva para lidar com esses pensamentos. O TOC pode ser tratado com terapia e medicamentos que ajudam a controlar os sintomas.

Epilepsias

Estima-se que cerca de um terço das pessoas com TEA pode apresentar epilepsia. Essa condição de saúde causa convulsões repetidas. São mais comuns em crianças menores de cinco anos e em adolescentes. Por isso, o tratamento medicamentoso deve ser indicado para controlar os sintomas e cessar as convulsões.

Distúrbios do sono

É bastante comum que as pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo tenham algum problema para dormir. Algumas têm insônia, dormem pouco ou acordam frequentemente.

Esses distúrbios do sono podem estar ligados à ansiedade e a hipersensibilidade sensorial dos autistas. Alguns medicamentos podem ser indicados para que a pessoa consiga se acalmar, relaxar e dormir com mais facilidade.

É importante destacar que os medicamentos só podem ser indicados por um médico. Somente um especialista consegue determinar a dosagem correta e a duração do tratamento.

Os pais devem seguir a risca as orientações médicas e nunca interromper o tratamento por conta própria ou automedicar a criança, jovem ou adulto autista. Pois, essa atitude pode comprometer a saúde do seu filho e até mesmo piorar a situação. Sempre busque orientação profissional.

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Apraxia e Autismo: compreenda a relação entre as condições e o impacto na capacidade de fala

A capacidade de comunicação verbal é um dos aspectos que merece atenção entre as crianças que estão no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). A dificuldade de falar na infância é extremamente comum e pode ser uma limitação característica do espectro. Entretanto, pode ser sinal da chamada apraxia da fala, uma condição que pode impactar no desenvolvimento de linguagem verbal e social de crianças autistas.

Considerada uma desordem neurológica da fala (pediátrica – ou seja, na infância), a apraxia pode ocorrer como resultado de comprometimento neurológico conhecido, em associação com distúrbios neurocomportamentais complexos, como é o caso do TEA, conforme esclarece a Associação Americana de Fonoaudiologia.

A apraxia consiste em limitações para realizar atividades como coordenar o uso da língua, lábios, boca e mandíbula para produzir sons de fala claros e consistentes, algumas das características da chamada apraxia da fala.

Vamos compreender melhor esse mecanismo. Quando queremos dizer algo, aquilo que desejamos expressar “nasce” em nosso cérebro para então ser concretizado em forma de palavras e verbalizado por nossa boca. Pois bem. Nossa mente dará sinal aos músculos da boca para emitirmos o som das palavras e emitirmos nossas mensagens. No caso da apraxia de fala, há uma espécie de falha no envio das mensagens do cérebro à boca de maneira eficaz, mesmo que não haja comprometimento na musculatura oral.

Sinais, diagnóstico e terapêutica

Entre os sinais mais comuns que podem indicar apraxia da fala, podemos citar*:

  • Pausas longas entre os sons das palavras proferidas
  • Nem sempre diz uma palavra da mesma maneira
  • Dificuldade (motora oral) para comer
  • Compreende melhor o que ouve do que sua capacidade de falar
  • Tem mais dificuldade em dizer palavras mais longas do que as mais curtas.
  • Parece ter mais problemas para falar quando está nervoso.
  • Difícil ser compreendido quando fala
  • Costuma errar consoantes e vogais ao proferir sílabas e palavras.
  • Dificuldade em repetir sequencias de palavras ou sílabas. Isso ocorre porque a criança não consegue mudar o som das palavras de sílaba para sílaba.

(Fonte: American Speech-Language-Hearing Association, com adaptações*)

O diagnóstico de apraxia em quem apresenta o espectro é mais complicado, pois seus sinais se assemelham às condições ligadas às limitações de linguagem comuns ao TEA.

Por isso, é preciso haver uma avaliação de um fonoaudiólogo que compreenda as especificidades do universo do TEA e possa analisar de maneira segura para que, se preciso, tenha início a intervenção terapêutica adequada com base nas necessidades de comunicação de cada caso.

Durante a análise, o fonoaudiólogo também avaliará a capacidade dos movimentos musculares da boca da criança, ou seja, como ela costuma mexer a mandíbula, lábios e língua.

O tratamento de apraxia pode ser longo e demanda constância. Além do profissional, familiares, cuidadores e educadores – no caso de crianças em idade escolar, devem contribuir com o processo terapêutico por meio da realização de atividades que estimulem a criança a aperfeiçoar sua capacidade de dizer sons, palavras e frases com clareza.

O fonoaudiólogo poderá contribuir no processo de aprendizagem de como movimentar a boca, mandíbula e língua para pronunciar corretamente as palavras. Não se trata de fazer exercícios para fortalecer a musculatura oral, visto que a apraxia não se trata de uma limitação física, mas sim, uma desordem neurológica da fala.

Entre as condutas indicadas que podem contribuir com a melhora da capacidade de fala e, consequentemente com o desenvolvimento, é a Análise de Comportamento Aplicada.

Conexão Apraxia da Fala e Autismo

A apraxia da fala é considerada uma comorbidade comum no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Um estudo apontou que aproximadamente 65% das crianças no espectro podem apresentar a apraxia e 36,8% das crianças com diagnóstico inicial de apraxia também tinham autismo. O que pode indicar a correlação que há entre as condições.

Como conclusão da análise, os pesquisadores ressaltaram a importância de monitorar todas as crianças diagnosticadas com apraxia quanto a sinais de autismo e vice e versa (todas as crianças diagnosticadas com autismo por sinais de apraxia). Segundo eles isso ajudará a identificar as crianças o mais cedo possível e permitir o acesso a serviços adequados às suas necessidades. [Esse estudo foi publicado em 2015 no Journal of Pediatrics Developmental & Behavioralpor pesquisadores da Faculdade de Medicina da Pensilvânia e ganhou repercussão nas comunidades internacionais que repercutem o tema “autismo”

Referências

American Speech-Language-Hearing Association (ASHA) Childhood apraxia of speech. 2007a. [Position Statement]. Disponível em  https://www.asha.org/public/speech/disorders/Childhood-Apraxia-of-Speech/#signs

Shriberg LD, Paul R, Black LM, van Santen JP. The Hypothesis of Apraxia of Speech in Children with Autism Spectrum Disorder. Journal of autism and developmental disorders. 2011;41(4):405-426. doi:10.1007/s10803-010-1117-5. Disponível em <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28141716>

Tierney, Cheryl MD, MPH*; Mayes, Susan PhD†; Lohs, Sally R.‡; Black, Amanda‡; Gisin, Eugenia‡; Veglia, Megan‡. How Valid Is the Checklist for Autism Spectrum Disorder When a Child Has Apraxia of Speech? Journal of Developmental & Behavioral Pediatrics: October 2015 – Volume 36 – Issue 8 – p 569–574. doi: 10.1097/DBP.0000000000000189. Disponível em <https://journals.lww.com/jrnldbp/Citation/2015/10000/How_Valid_Is_the_Checklist_for_Autism_Spectrum.3.aspx>

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Uso de células-tronco no tratamento do autismo

A terapia com células-tronco promete ser uma forma de tratamento para várias doenças e transtornos e em alguns casos já é uma realidade, principalmente na medicina regenerativa.

O tratamento tem o objetivo de substituir as células danificadas do corpo usando células saudáveis. Essas células conseguem realizar a auto-renovação, ou seja, dar origem a outras células-tronco iguais a ela e também se diferenciar em diversos tecidos.

As células-tronco são usadas em modelos científicos para a compreensão do autismo e nos testes de medicamentos. Mas, em relação ao tratamento do autismo, o uso das células-tronco ainda é bastante controverso. 

 Há pesquisas que relacionam a terapia com células-tronco para tratar o autismo e melhorar a qualidade de vida dessas pessoas enquanto outras não mostram nenhuma melhora e citam a importância da realização de mais estudos e testes clínicos.

É importante destacar que esse tipo de terapia ainda está nos estágios iniciais e muitas outras pesquisas ainda são necessárias.

É fundamental que os pais e especialistas da área fiquem bastante atentos para separar as informações confiáveis de falsas promessas.

É importante ressaltar que:

  • Não tem evidências de que esse tipo de tratamento pode ser eficaz para quem tem autismo;
  • Não há provas de que sejam totalmente seguras para as crianças autistas;
  • Não sabemos como essas células-tronco agem no cérebro;
  • Não está claro o mecanismo pelo qual essas células poderiam ser benéficas para quem tem autismo.
  • Não existem terapias com células-tronco aprovadas para o tratamento do autismo. Todas estão em fase experimental e precisamos aguardar os testes clínicos serem finalizados para termos uma conclusão;

Um estudo científico foi publicado no The Journal of Pediatrics. Segundo o estudo o uso de células-tronco de cordão umbilical não se mostrou eficiente no tratamento do TEA. Esse estudo é fruto de um ensaio clínico.

Lembrando que há muitos anos, pessoas com autismo são tratadas por métodos considerados  pioneiros, sem qualquer tipo de comprovação médica. Por isso, é importante redobrar a atenção e buscar ajuda especializada e capacitada para lidar com o Transtorno.

Fica aqui o nosso alerta! Não acreditem em falsas promessas e não arrisque a qualidade de vida do seu filho com terapias invasivas que não foram comprovadas cientificamente. Isso pode ser perigoso

Vamos seguir com as intervenções terapêuticas que tem comprovação, como por exemplo a Analise do Comportamento Aplicada, a ABA. Modelo Denver de intervenção precoce, Intervenção Fonoaudiólogica, Terapia Ocupacional, Fisioterapía entre outras.

Sempre busque pelo desenvolvimento de habilidades, independência, autonomia e qualidade de vida do seu filho.

Referências

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32444220/

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Preparando o autista para ingressar na universidade

A universidade pode ser um desafio para os estudantes universitários, especialmente para os autistas que podem apresentar dificuldades de adaptação e mudanças na rotina e também com a nova realidade.

Mas, com planejamento e o suporte adequado, os jovens conseguem realizar a graduação e aumentar a possibilidade de ter uma carreira de sucesso.

De acordo com o Censo de Educação Superior (Inep), entre os mais de 8 milhões de alunos matriculados em universidades brasileiras, 488 possuem o Transtorno do Espectro  do Autismo (TEA). Sendo que 212 estão em instituições de ensino públicas e 276 em privadas.

Para realizar esse sonho, os autistas precisam contar com o apoio dos pais, professores e instituições de ensino. Como as pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) aprendem de forma diferente, é importante que os materiais didáticos e de apoio escolar sejam adaptados de acordo com a necessidade do aluno.

É importante que a escola realize uma avaliação no aluno para saber quais são suas dificuldades. Além disso, precisa saber quais os conteúdos esses alunos não conseguem absorver e o que precisam aprender para ter sucesso nas provas dos vestibulares.

 Nessa fase, será avaliada a necessidade de manter o currículo da turma ou se o aluno precisará de conteúdos individualizados dentro de materiais didáticos específicos para melhorar seu desempenho. Depois, a equipe pedagógica, caso seja necessário, vai elaborar a produção do material didático adaptado, de acordo com as necessidades do aluno autista.

Além do material didático, o jovem autista que prestará o vestibular precisa ter o seu tempo de aprendizado respeitado. Os professores e coordenadores das escolas precisam se atentar para as atividades propostas e se o desempenho do aluno está sendo satisfatório. Se não estiver, é importante realizar mudanças no currículo escolar, modificar as instruções de atividades, alterar o formato das aulas, explorar novos ambientes, entre outras estratégias.

Como contribuir para essa transição do autista

O ensino médio é o momento em que os alunos são preparados para o vestibular e desenvolvem mais habilidades. Os pais também precisam se esforçar para ajudá-los a serem mais independentes e incentivar o jovem a se socializar.

Isso é bastante importante dentro das universidades, principalmente para trabalhar em projetos em grupos. Sabe-se que para quem tem o TEA o ambiente de uma sala de aula pode ser bastante difícil, pois há muitas pessoas em um local fechado se comunicando o tempo todo e com muitos estímulos sonoros.

Acompanhar como o autista está se adaptando a essas mudanças de rotina e ambiente é fundamental.

O autista tem dificuldade de interpretar a linguagem corporal, em manter relacionamento interpessoal e de interagir socialmente.

Os pais devem procurar ajuda profissional para evitar sofrimento, ansiedade e problemas emocionais nesse período.

Se for necessário, o autista precisa ter apoio de terapeutas, neurologistas, psicopedagogos e coordenadores do curso da faculdade para que o jovem não desista desse sonho e consiga concluir a graduação.

A escolha da universidade também é fundamental. Ela precisa oferecer profissionais de apoio, contribuir com as adaptações como flexibilização de conteúdo e até mesmo disponibilizar provas em formatos acessíveis para as necessidades específicas do aluno com autismo.

É bastante importante que os pais dos alunos conheçam o local de estudo e também levem o jovem antes dele iniciar as aulas, mostrar as salas de aulas, a biblioteca, salas de estudos, lanchonete e perceber como o autista reage e principalmente se ele fica à vontade naquele local.

Referências:

https://www.education.vic.gov.au/school/teachers/learningneeds/Pages/supportmaterials.aspx

http://portal.inep.gov.br/censo-da-educacao-superior

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Autismo e o mercado de trabalho

Ter um emprego é fundamental para que a pessoa consiga ser independente, tenha autonomia e liberdade para realizar seus sonhos e alcançar seus objetivos pessoais. Com as pessoas autistas não é diferente. Mas, encontrar um trabalho pode ser um desafio.

Mesmo que eles desenvolvam as suas potencialidades desde cedo, ainda há muita falta de informação e preconceito que podem barrar as chances de um autista conseguir um emprego e se manter no mercado de trabalho.

Para conseguir um emprego, um adulto com autismo provavelmente passará por mais obstáculos, testes e avaliações do que as pessoas neurotípicas. Além disso, os sinais do autismo podem se tornar um empecilho em muitas situações relacionadas ao trabalho.

Alguns adultos autistas sabem exatamente o que querem fazer, qual área de atuação gostariam de atuar, enquanto outros não têm ideia de qual trabalho desejam conquistar. Mas, assim como todas as outras pessoas, eles têm o direito de fazer escolhas e dirigir suas próprias vidas.

Mesmo que uma pessoa tenha habilidades verbais limitadas, é importante saber que o trabalho que está fazendo atende a seus interesses, habilidades e objetivos de vida.

Por isso, desde cedo, o autista precisa ter um acompanhamento para desenvolver suas habilidades e conseguir ser independente.

Entre as dificuldades encontradas no mercado de trabalho para os autistas, destacam-se: a ansiedade, desafios sensoriais, inflexibilidade na alteração da rotina, dificuldade em lidar com críticas, não conseguir interagir com os colegas e não conseguir se comunicar de forma efetiva.

No Brasil, não há pesquisas que falem sobre a quantidade de autistas no mercado de trabalho. Desde 2007, após a publicação da Convenção de Direitos das Pessoas com Deficiências, foi reconhecida a necessidade de “estímulo à inserção da pessoa com TEA no mercado de trabalho”.

Mas ainda não tem políticas públicas que tratem do assunto e reforcem a necessidade de ter um incentivo de contratação de pessoas com o TEA.

Dificuldades encontradas no ambiente de trabalho

Além disso, os autistas podem encontrar dificuldades dentro do ambiente de trabalho. É bastante comum que as pessoas com o TEA sofram discriminação dos colegas e de alguns empregadores. 

A satisfação e a produtividade do profissional com autismo dependem da adaptação de condições ambientais no trabalho – como a intensidade dos ruídos – e do suporte dos colegas de profissão. Mas, nem sempre os autistas encontram esse apoio.

Outra questão importante é sobre a remuneração. Os salários dos autistas, em média, costumam ser menores do que a de trabalhadores neurotípicos, a quantidade de horas trabalhadas é menor e não há panorama de crescimento profissional.

Há também falta de preparo vocacional para os autistas na adolescência. São poucos os autistas que conseguem ter conhecimento da área que desejam atuar e muitos ficam perdidos quando precisam optar por uma área de atuação.

Mas, a boa notícia é que muitas grandes empresas começaram a ver o valor da contratação de funcionários com o espectro do autismo.

Algumas vantagens que as empresas observam em empregados com autismo:

  • As pessoas com autismo têm facilidade em trabalhar com atividades rotineiras e processos padronizados, além de serem avessos ao descumprimento de normas estabelecidas no ambiente de trabalho; 
  • Se atrasam menos e são mais focados nas atividades;
  • Possuem alta capacidade de memorizar dados e processos relativos à sua atividade laboral;
  • Gostam de manter o ambiente de trabalho limpo e organizado;
  • São profissionais que se motivam com facilidade em relação às tarefas propostas e são capazes de ir além para buscar informações para completá-las;
  • Pensam de forma diferente e podem dar respostas que fujam do pensamento convencional;
  • Podem apresentar habilidades e conhecimento aprofundado em determinadas áreas.

Para quem tem o TEA, trabalhar ajuda na melhoria do desempenho cognitivo e garante maior qualidade de vida para o autista e sua família, além de melhorar suas condições financeiras. Por isso, o autista precisa desde cedo receber apoio para conseguir ingressar em um local de trabalho que o respeite e o ajude a ser autônomo e para que ele tenha todas as condições para contribuir com o crescimento da empresa.

Referências:

O processo e inclusão de autistas no mercado de trabalho, disponível em:

http://periodicos.pucminas.br/index.php/economiaegestao/article/view/15660/13069

https://www.verywellhealth.com/things-you-need-to-know-about-autism-and-employment-4159850

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Intervenção precoce no autismo

Você já ouviu falar da intervenção precoce? Entende-se por intervenção precoce a estimulação terapêutica que ocorre de forma direcionada e é realizada por profissionais especializados, logo que se detectam os sinais do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Modelo Denver de Intervenção Precoce

Entre eles, destaca-se o Modelo Denver de Intervenção Precoce que utiliza os princípios da Analise do comportamento Aplicada e que contribui para o desenvolvimento de crianças diagnosticadas com TEA.

Esse modelo tem o objetivo de desenvolver e aprimorar as habilidades sociais e da linguagem das crianças de forma lúdica.

Por isso, o modelo faz com que as crianças encontrem ferramentas para explorar e desfrutar o mundo de forma mais eficiente por meio de brincadeiras. É uma forma de estimular a capacidade de aprendizagem.

O modelo Denver foi comprovadamente eficaz com crianças de até 05 anos de idade e foi desenvolvido após 20 anos de estudo e pesquisa.  

Por meio desse modelo, a criança desenvolve as habilidades de comunicação, ganha competências sociais, aumenta o desenvolvimento cognitivo, as habilidades motoras e melhora os comportamentos.

Quanto mais cedo ocorrer a intervenção, maiores serão os benefícios para as crianças com autismo.

Quando a intervenção é iniciada logo nos primeiros anos de vida ou pouco tempo após ser feito o diagnóstico, os ganhos ao nível do desenvolvimento são maiores e a probabilidade de manifestarem outros problemas é menor. Isso porque aumenta o potencial de desenvolvimento da criança.

Plasticidade cerebral

Além disso, como o cérebro das crianças ainda está em processo de amadurecimento, há maiores ganhos terapêuticos e ocorre melhora significativa no quadro geral da criança.

Por isso, ao se intervir o mais cedo possível, maiores serão as chances de melhora na linguagem, na adequação dos comportamentos e do desenvolvimento de habilidades sociais.

É necessário que essa estimulação seja feita e acompanhada por especialistas, a fim de detectar e prevenir esses atrasos.

A intervenção precoce exige um atendimento multidisciplinar, ou seja, que incluam se profissionais de várias áreas como fisioterapeutas, psicólogos, médicos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, entre outros especialistas. 

A intervenção precoce é fundamental para o sucesso na comunicação, socialização, coordenação motora e outros aspectos do crescimento das crianças com autismo.  Diversas pesquisas demonstraram que a aprendizagem e desenvolvimento da criança ocorrem mais rapidamente na idade pré-escolar.

Por isso, a intervenção precoce ajuda que as crianças com autismo não percam a oportunidade de se desenvolver e de aprender, assim como as demais crianças. 

Por exemplo, problemas de comunicação são sintomas comuns que podem causar acessos de raiva e outros comportamentos. Se as crianças não conseguem comunicar as suas necessidades ou entender os outros, elas se expressam ou chamam a atenção com um comportamento inadequado.

Com a intervenção precoce, eles aprendem a se comunicar efetivamente o mais cedo possível, o que melhora alguns comportamentos desde cedo.

Um bom programa de intervenção precoce avalia os aspectos relevantes do ambiente, estimula as interações sociais, incluindo brincadeiras apropriadas para a idade e estimulam as atividades do dia a dia.

Vale lembrar que o envolvimento e participação dos pais são muito importantes porque é no ambiente domiciliar que a criança passa a maior parte do tempo e recebe muitos estímulos.

Para ter sucesso, a intervenção precoce precisa ser individualizada, ou seja, ser elaborada de acordo com a necessidade de cada criança, pois cada um responde de maneira diferente às intervenções, por isso, não há um modelo de programa único que será adequado para todas as crianças.

O plano de intervenção precoce também precisa ter um objetivo específico, identificar os comportamentos que precisam ser melhorados e trabalhados em cada caso. Além de incluir estratégias para ajudar a criança a aprender novas habilidades e a usá-las em diferentes contextos.

Para ter os resultados esperados, os profissionais devem fazer uma avaliação regular sobre o desenvolvimento da criança e avaliar a progressão do desenvolvimento.

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Epilepsia: uma comorbidade comum em pessoas com autismo

A Epilepsia é uma comorbidade bastante comum em pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Lembrando que comorbidade é quando duas condições aparecem ao mesmo tempo na mesma pessoa.

Mas antes de explicar a relação com o TEA, é importante entender o que é epilepsia. Epilepsia é uma alteração temporária e reversível do funcionamento do córtex do cérebro.

Sabe-se que os neurônios disparam um monte de descargas elétricas que resultam em perda de consciência súbita e movimentos involuntários.

A crise epiléptica pode ter ou não manifestação motora. A crise convulsiva é um tipo de crise epiléptica com manifestação motora e é conhecida também como ataque epiléptico. Durante essa crise, a pessoa pode cair e apresentar contrações musculares, morder a língua e em alguns casos até urinar.

E também há crises sem manifestação motora que são chamadas de crises de ausência em que a pessoa se desliga do mundo, fica com o olhar fixo e perde contato com o mundo por alguns segundos.

As causas podem variar desde uma lesão cerebral, abuso de bebidas alcoólicas, de drogas ou problemas no parto. Mas, algumas vezes, a origem da epilepsia é desconhecida.

Mas, vamos lá… qual é a relação do autismo com a epilepsia?

O primeiro ponto que temos que destacar é que ambas as condições compreendem um transtorno que tem conexão com o cérebro. A epilepsia é o quarto transtorno neurológico mais comum e afeta pessoas de todas as idades.

Pesquisas apontaram diversas mutações genéticas que têm relação com autismo e epilepsia. Sabe-se que tanto a epilepsia quanto o autismo envolvem uma sincronia anormal de sistemas no cérebro ligados às sinapses, que são as conexões entre os neurônios.

Em outras palavras, a epilepsia resulta de um funcionamento inadequado do cérebro. O autismo também ocorre devido a um problema no cérebro. As condições afetam diferentes estruturas e funções cerebrais. E algumas das alterações cerebrais associadas ao autismo também causam essas convulsões.

Todos os tipos de convulsões foram observados em pessoas com autismo. E ela pode ser considerada a complicação neurológica muito comum em quem tem TEA. Estima-se que quase um terço das pessoas com autismo pode apresentar epilepsia.

E de acordo com pesquisas, até 32% das pessoas com epilepsia também atendem aos critérios de diagnóstico do autismo. Além disso, cerca de 20 a 30% das crianças com autismo desenvolvem epilepsia antes de se tornarem adultas. O aparecimento da epilepsia é considerado mais frequente em crianças menores de 5 anos de idade e adolescentes.

Algumas pesquisas descobriram que a atividade elétrica no cérebro de pessoas com autismo exibe descargas do tipo epilepsia com mais frequência do que em pessoas que não são autistas.

Muitas pesquisas estão sendo realizadas no momento sobre o assunto para entender melhor qual é a ligação entre as duas condições. As crianças e adultos com as duas condições costumam ter os sintomas de autismo mais severos, são hiperativos e possuem um quociente de inteligência mais baixo em comparação com aqueles que não têm epilepsia.

O diagnóstico de epilepsia em quem tem autismo pode ser desafiador. Isso porque as pessoas com autismo têm dificuldade em reconhecer e comunicar seus sintomas.

Sinais da Epilepsia

Os pais e médicos que cuidam do autista devem ficar atentos a alguns sinais como:

  • mudança de olhar que ocorre de forma inexplicável
  • movimentos involuntários
  • confusão sem causa aparente
  • dores de cabeça severas
  • sonolência e perturbações do sono
  • mudanças de habilidades ou emoções sem qualquer motivo
  • estiramento nos músculos
  • irritabilidade ou agressividade

É importante buscar ajuda profissional para ter o diagnóstico correto, pois o aparecimento de epilepsia em quem tem TEA pode comprometer suas habilidades de linguagem e comunicação, o raciocínio e alterar os comportamentos. Essa perda de habilidades é chamada de regressão.

Mas, o que pode ser feito? Geralmente, a pessoa com autismo e epilepsia após ter o diagnóstico começa a se tratar com medicamentos para evitar as crises de epilepsia. É muito importante que seja realizado o acompanhamento com um neurologista para determinar quais tratamentos ou terapêuticas são indicadas para cada caso.

Lembrando também que nem todas as pessoas com autismo terão epilepsia. O assunto precisa ser discutido com os profissionais de saúde e os pais e autistas precisam entender as probabilidades de terem essa comorbidade para saber lidar com os sintomas, caso a epilepsia apareça.

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Uso de PECS para ajudar na comunicação funcional

Você conhece o PECS? Do inglês “Picture Exchange Communication System” (Sistema de Comunicação por Troca de Figuras, trata se de utilizar recursos visuais como ferramenta para quem tem o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) poder se comunicar.

Seja para fazer um pedido, compartilhar um sentimento ou pensamento ou o que se deseje expressar, por meio do uso de imagens simples é possível estabelecer um diálogo estabelecido por uma criança ou adulto no espectro.

Essa prática foi criada em 1984, sendo aplicada pela primeira vez num programa voltado ao TEA nos Estados Unidos, com o objetivo de possibilitar um meio de as crianças se comunicarem de maneira funcional, rápida e autônoma e, também, contribuir com o desenvolvimento da fala.

O PECS possui seis fases que tem como finalidade ensinar o propósito da comunicação.

A primeira fase consiste em aprender, por meio da troca de fotos individuais de itens como objetos, pessoas, animais etc., como manifestar o querem dizer espontaneamente.

Depois, na segunda etapa, ainda com o uso de imagens únicas, o autista é estimulado a expandir os ensinamentos adquiridos no primeiro passo e aplicar o uso das imagens em diferentes contextos, com mais pessoas e distantes do cotidiano ao qual já estavam acostumados a dialogar. A ideia é desenvolver a persistência.

Em um terceiro momento, a criança irá aprender a escolher entre uma galeria de imagens pessoal (pode ser armazenada em um fichário, por exemplo) a figura (ou as figuras) que melhor definem o que ela quer falar, para que, no momento que deseje se expressar, ela possa fazê-lo com autonomia.

A criança com autismo aprende a escolher entre duas ou mais fotos para pedir suas coisas favoritas. Estes são colocados em um livro de comunicação, um fichário com tiras de velcro onde as imagens são armazenadas e facilmente removidas para comunicação. Esse seria um quarto passo.

Com o tempo, no que seria um quinto passo, a criança aprende a construir sentenças simples, por meio do uso da figura que representa “eu quero”, seguido de outra que revele o item/coisa/atividade pretendido.

Mais à frente, numa sexta etapa, o PECS possibilita ainda a criança responder às perguntas feitas a ela como “o que você quer?”, “o que é isso”? etc.

Assim eles aprendem a interagir e formular frases que comecem com “eu quero”, “isso é”, “eu ouço”, “eu sinto”. Trata-se de um prelúdio para integrar a criança no convívio social por meio do aperfeiçoamento de sua habilidade de comunicação, sobretudo, entre crianças não verbais.

Para mais informações sobre esse sistema de estímulos de comunicação funcional alternativo é importante conversar com a equipe multiprofissional que acompanha a evolução da criança ou adulto com TEA.

Referências:

National Autism Resources. The Picture Exchange Communication System (PECS). Disponível em https://www.nationalautismresources.com/the-picture-exchange-communication-system-pecs/Acessado em 19 de abril de 2018.

Jennifer B., Ganz E, Rea Hong, Fara D. Goodwyn. Effectiveness of the PECS Phase III app and choice between the app and traditional PECS among preschoolers with ASD. Disponível em  https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1750946713000640Acessado em 19 de abril de 2018.

Indiana Resource Center for Autism. Successfully Using PECS with Children with ASD. Indiana University Bloomington. Disponível em https://www.iidc.indiana.edu/pages/Successfully-Using-PECSAcessado em 19 de abril de 2018.

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