Sinais e diagnóstico do TEA

A identificação de sinais do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) em sua fase inicial (precoce) é fundamental. Quanto mais cedo, melhor, pois é ampliada a perspectiva de desenvolver as capacidades do autista – em termos cognitivos, sociais e de linguagem, promovendo melhor qualidade de vida, independência e autonomia para realizar as atividades diárias.

O diagnóstico do TEA é considerado essencialmente clínico, baseado em evidências científicas, em conformidade com os critérios estabelecidos por DSM–V (Manual de Diagnóstico e Estatístico da Sociedade Norte-Americana de Psiquiatria) e pelo CID-10 (Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde – OMS) – sendo esta acatada como referência pelo Brasil, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), conforme indicado nas Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA) do Ministério da Saúde, publicada em 2014.

Geralmente, a análise consiste em uma entrevista com os pais e a criança, e avaliação observacional de comportamentos, que pode ser conduzida idealmente por uma equipe multidisciplinar de médicos, incluindo um pediatra, psicólogo, fonoaudiólogo, educador físico, terapeuta ocupacional e assistente social.

Testes genéticos podem ser igualmente recomendados, bem como rastreio para problemas médicos relacionados, tais como síndromes genéticas. Os resultados podem auxiliar os pais a entender o máximo possível sobre os pontos fortes e as necessidades de seus filhos e os especialistas a direcionarem o melhor tratamento para habilitação e desenvolvimento do autista.

Os sinais costumam se manifestar antes dos 3 anos de idade, sendo possível fazer o diagnóstico por volta dos 18 meses de vida da criança, ou até mesmo antes.

Cada pessoa é diferente e, portanto, se desenvolve de maneiras distintas. Entretanto, determinados sinais como o momento de começar a falar, andar, interagir com o meio externo podem ser indícios a serem acompanhados pelos pais e responsáveis pelo bebê. Por exemplo, se um bebê se fixa em objetos ou não responde às pessoas, constantemente, pode estar exibindo sinais precoces de uma desordem do espectro do autismo.

O momento de vida mais comum de se identificar aspectos do TEA é ainda na primeira infância, porém, há pessoas que atingem a idade adulta sem saber que tem o espectro do autismo.

Nestes casos indícios podem ser dificuldades de socialização, comunicação atípica e habilidade mental fragilizada. A Academia Americana de Pediatria recomenda a triagem de rotina de todas as crianças para o autismo no período entre 18 meses e 24 meses de vida, durante os exames de puericultura.

O melhor caminho é acompanhar a evolução da criança e observar suas atitudes. Muitas vezes, os pais são os primeiros a notar que seu filho está mostrando comportamentos incomuns, como não fazer contato visual, não responder ao seu nome ou brincar com brinquedos de formas incomuns e repetitivas. Confira indicadores de desenvolvimento e sinais de alerta mais comuns nas Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA).

Se você tem notado algum aspecto de impacto na cognição, habilidade motora, de linguagem (verbal ou não), bem como a realização de movimentos repetitivos e estereotipados constantemente, converse com seu médico e diga o que tem percebido.

Quanto mais cedo identificado, maiores as perspectivas de uma evolução no desenvolvimento do autista.

Referências:

Autism Sciense Foundation
Autism Speaks
Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA)

Read More

Diagnóstico tardio do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)

Hoje vamos falar sobre o diagnóstico tardio do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e suas consequências na vida adulta.

Sempre falamos que o diagnóstico precoce de autismo contribui muito para aumentar a qualidade de vida e também faz com que as crianças com autismo tenham o tratamento adequado e sejam estimuladas desde cedo.

Mas, embora o autismo seja na maioria das vezes diagnosticado na infância, um número crescente de adultos está descobrindo que também têm o Transtorno. Infelizmente, nem todo mundo recebe um diagnóstico logo na primeira infância. Isso acontece principalmente com aquelas pessoas que tem um autismo de grau leve.

Por isso, muitos convivem com o autismo por décadas sem saber que está dentro do espectro.  Isso ocorre porque eles não apresentam dificuldades de aprendizagem que muitas pessoas autistas possuem, como atrasos de linguagem, por exemplo, mas podem ter dificuldades específicas de interação social e no comportamento.

É comum que algumas pessoas só venham a descobrir que fazem parte do espectro na fase adulta e tenham passado a vida toda se sentindo mal, sem se enquadrar nos padrões da sociedade, com dificuldades de se relacionar com as pessoas e até mesmo sendo julgada por seus comportamentos e acabavam se isolando ou sendo isolados.  O diagnóstico pode ajudar a pessoa a entender por que ela está tendo essas dificuldades e pode ajudar também a lidar com algumas situações do dia a dia.

Sabemos que quanto mais cedo uma condição é detectada, mais rapidamente a intervenção pode começar e melhor será o resultado. Por isso, quem recebe um diagnóstico tardio de autismo pode ter a vida impactada por anos. O desenvolvimento é bastante afetado assim como a convivência social na escola e familiar.

As pessoas com TEA sem um diagnóstico podem sofrer bullying nas escolas pela falta de compreensão do transtorno. Em alguns casos, essas pessoas podem desenvolver depressão e outros transtornos mentais como a ansiedade. Isso porque elas percebem que são diferentes das outras pessoas e são muito criticadas e cobradas.

Alguns adultos que receberam o diagnóstico tardio encontram maneiras de lidar e se tornam resilientes diante da discriminação e dos estereótipos. Mas alguns enfrentam batalhas diárias e ao longo da vida para lidar com o seu dia a dia. Elas também podem encontrar dificuldades como conseguir um emprego, conhecer novas pessoas e manter as relações pessoais como amizades ou relacionamentos amorosos.

Os sintomas em adultos costumam ser: dificuldade de interação social, são mais introspectivos, preferem ficar em casa, são antissociais e sentem dificuldades nas relações, na comunicação, apresentam hiperfoco em algumas áreas de interesse ou manias e dificuldades nas mudanças de rotina. Geralmente, essas pessoas são diagnosticadas quando procuram ajuda para os filhos, primos ou irmão, pois eles apresentam os mesmos sintomas e o diagnóstico fica mais evidente.

Como o autismo não apresenta sinais físicos aparentes e não há exames de imagens ou de sangue que possa detectá-lo, é importante se atentar para os sinais logo nos primeiros anos de vida.

Receber um diagnóstico, mesmo que tardio, pode ser um alívio. É a partir desse momento que a pessoa com o transtorno passa a ter apoio, cuidados necessários e o principal, a compreensão da sociedade e familiares para conseguir se adaptar e viver sua vida.

Para evitar o diagnóstico tardio, é muito importante que os pais prestem atenção no desenvolvimento de seus filhos. Uma vez que os principais sintomas do Transtorno são sinais de atraso na linguagem, comunicação, interação social e interesses restritos e repetitivos.

Se você se identificar com os sintomas ou conhecer alguém que possa ter o TEA, não deixe de procurar ajuda especializada. Nunca é tarde para ter mais qualidade de vida, aprender a conviver com os sintomas do autismo, ampliar as habilidades sociais, conseguir se comunicar e o mais importante, SER FELIZ.

Gostou desse artigo? Então compartilhe com mais pessoas.

Read More

Deficiência intelectual e autismo: compreender para desenvolver

A deficiência intelectual (DI) e o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) são ambos distúrbios do desenvolvimento. Considerados comuns, eles podem se manifestar juntos na mesma pessoa. Estima-se que, combinados, afetam entre 3-5% da população. Para se ter uma ideia, uma pesquisa feita pelo CDC (Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos) revelou que cerca de 40% das pessoas com autismo têm DI.

Individualmente, a deficiência afeta 1-3% da população e o TEA pode atingir 1 em cada 50 crianças em idade escolar. Ambas as condições são heterogêneas, ou seja, tem suas causas consideradas variáveis, decorrentes de fatores genéticos, epigenéticos e/ou fatores ambientais.

Mas, o que é a deficiência intelectual?

Antigamente chamada de “retardo mental”, trata-se de uma condição caracterizada pelo funcionamento intelectual abaixo da média, ou seja, um quociente de inteligência (QI) abaixo de 70. Entende-se por “funcionamento intelectual” a habilidade de raciocinar, resolver problemas, planejar, refletir e aprender.

Soma-se a isso limitações no funcionamento adaptativo, que referem-se a aptidão da pessoa de se comunicar, bem como sua capacidade de integração social e de cuidar de si de maneira independente, tais como se alimentar, vestir, caminhar e etc.

Caso a criança com TEA esteja enfrentando dificuldades de aprendizagem ou de comunicação, pode ser que ela apresente déficit intelectual.

Compreender estas características é fundamental para que seja possível identificá-las em um indivíduo com o espectro do autismo. Com base nestas informações será possível introduzir um tratamento adequado, levando em conta a funcionalidade intelectual e adaptativa e, assim, melhorar as ferramentas empreendidas para desenvolver suas habilidades.

Tenha em mente sempre que autistas veem, ouvem e sentem de forma diferente. Sendo assim, o autista pode ter inteligência acima, abaixo ou na média. Por isso, em cada situação há diferentes níveis de suporte para que ele possa extrair o máximo de seu potencial intelectual, psicológico e cognitivo, podendo assim levar uma vida digna e, em sua maioria, com autonomia e independência para realizar suas atividades.

Leia também em NeuroConecta: O que é autismo

Baixe nosso E-book “Manual sobre o Autismo” e tenha acesso a mais informações sobre o universo do TEA https://neuroconecta.com.br/

Referências:

Car autism Road map. Intelectual disability and ASD. The Children’s Hospital of Philadelphia. Disponível em <https://www.carautismroadmap.org/intellectual-disability-and-asd/

Perou R, Bitsko RH, Blumberg SJ, Pastor P, Ghandour RM, Gfroerer JC, Hedden SL, Crosby AE, Visser SN, Schieve LA, Parks SE, Hall JE, Brody D, Simile CM, Thompson WW, Baio J, Avenevoli S, Kogan MD, Huang LN. Surveillance summaries. Suppl 2. Vol. 62. Washington, D.C.: 2013. Mental health surveillance among children–United States, 2005-2011. Morbidity and mortality weekly report. pp. 1–35. 2002. [PubMed] Disponível em <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23677130

Srivastava AK, Schwartz CE. Intellectual Disability and Autism Spectrum Disorders: Causal Genes and Molecular Mechanisms. Neuroscience and biobehavioral reviews. 2014;46 Pt 2:161-174. doi:10.1016/j.neubiorev.2014.02.015. Disponível em <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4185273/

Read More

Abril: mês da Conscientização Mundial do Autismo

Sobre o autismo

Hoje, dia 2 de abril, é o Dia Mundial da Conscientização do Autismo.

Queremos convidar você a conhecer o autismo, um transtorno do neurodesenvolvimento mais comum na população do que se pode imaginar, já que afeta cerca de 1-2% da população mundial.

Afinal, você já ouviu falar sobre o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)? Sabe o que significa?

O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento que traz prejuízos na comunicação e interação social e no comportamento.

Causas do TEA

O TEA tem causas poligênicas (mutações em vários genes conhecidos) e multifatoriais (fatores genéticos e ambientais envolvidos).

Contudo, sabemos que as causas são majoritariamente genéticas, mas que os fatores ambientais também podem ser fatores de risco.

Aliás, ao pesquisar na ferramenta de busca da internet o termo “autismo”, uma das referências que se pode observar com maior frequência são esses questionamentos somados à pergunta: “Meu filho é autista. E agora?”

Conscientização do Autismo: compreender para desenvolver.

Alinhados à proposta do movimento internacional de conscientização do autismo, nós, da NeuroConecta, queremos convidar você a compartilhar sua história com o TEA. Seja você alguém que está no espectro ou que convive com alguém que esteja, conte-nos sua vivência.

Acreditamos que por meio de experiências compartilhadas pode ser possível contribuir com a aceitação e acolhimento de quem tem o transtorno.

O primeiro passo para desenvolver quem está no espectro, é não negligenciar seus sentimentos e compreender que não se deve generalizar o autismo.

Cada indivíduo com Transtorno do Espectro do Autismo apresenta suas particularidades. Compreender que a pessoa com autismo pode ter limitações e respeitá-las é fundamental no processo de evolução.

No universo do TEA compreenda que é possível vencer barreiras. Portanto, a palavra de ordem é: estimular!

O limite da capacidade de seu filho irá até aonde for a sua capacidade de amor e compreensão!

Read More

Saiba mais sobre a Comunicação Aumentativa Alternativa (CAA)

Quando falamos em comunicação e no ato de se comunicar, geralmente pensamos nas palavras e na fala. Mas, a comunicação entre as pessoas é muito mais abrangente e há diversos recursos para que ela ocorra.

Como sabemos, algumas pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)  apresentam dificuldades para se expressar ou falar. Por isso, a Comunicação Aumentativa Alternativa (CAA) pode ser muito eficiente.

Você já ouviu falar sobre CAA?

A Comunicação Aumentativa Alternativa (CAA) contribui com pessoas com dificuldades de fala, escrita funcional ou com prejuízos em sua comunicação ou capacidade de escrever. Por isso, utiliza cartões e pranchas de comunicação, vocalizador ou outros recursos para auxiliar nas habilidades de compreensão e expressão.

Os sistemas de baixa tecnologia usam equipamentos como cartões, quadros ou livros com fotos ou imagens que representam tarefas, ações ou objetos. 

As crianças com TEA podem aprender a usar essas ferramentas para entender o que as pessoas estão dizendo, pedir o que precisam, fazer comentários e responder às perguntas de outras pessoas.

Podem ser usados auxílios externos como cartões de comunicação, pranchas de comunicação, pranchas alfabéticas e de palavras, vocalizadores ou o próprio computador que, por meio de software específico, pode tornar-se uma ferramenta poderosa de voz e comunicação.

Vale destacar que os recursos de comunicação de cada pessoa são construídos de forma totalmente personalizada e levam em consideração várias características que atendem às necessidades da pessoa.

A seguir vamos detalhar algumas formas de Comunicação Alternativa.

Conheça o PECs

Do inglêsPicture Exchange Communication System, ou Sistema de Comunicação por Troca de Figuras, é uma estratégia que usa recursos visuais como ferramenta para quem tem o Transtorno do Espectro do Autismo poder se comunicar.

A técnica  possui mais de 11 mil símbolos.  São desenhos simples e claros, de fácil reconhecimento, adequados para pessoas de qualquer idade.

Dessa forma, o autista consegue compartilhar um sentimento ou pensamento ou se expressar por meio do uso de imagens simples. O objetivo é possibilitar uma comunicação funcional, rápida e autônoma e, também, contribuir com o desenvolvimento da fala.

Ao todo, são seis fases. A primeira visa usar imagens de itens como objetos, pessoas, animais para estimular a fala espontânea.

Na segunda etapa, as imagens são aplicadas em diferentes contextos, com mais pessoas e distantes do cotidiano ao qual já estavam acostumados a dialogar. Em um terceiro momento, a criança aprende a escolher entre uma galeria de imagens pessoal a figura  que melhor define o que ela quer falar.

A criança com autismo aprende a escolher entre duas ou mais fotos para pedir seus objetos favoritos. Geralmente, essas imagens ficam em um livro de comunicação, um fichário com tiras de velcro onde as imagens são armazenadas e facilmente removidas para comunicação.

Com o tempo, a criança aprende a construir sentenças simples e o PECS possibilita ainda a criança responder às perguntas feitas a ela como “o que você quer?”, “o que é isso”? etc.

É uma técnica muito usada para aperfeiçoar a habilidade de comunicação, principalmente entre crianças não verbais. O PECS é uma intervenção de linguagem de baixa tecnologia e relativamente barata.

Tecnologia a favor da comunicação

Atualmente, existem diversos programas que facilitam a inclusão de alunos e ajudam na comunicação.

Há um software chamado de Boardmaker  que foi desenvolvido especificamente para criação de pranchas de comunicação alternativa, utilizando símbolos e várias ferramentas que permitem a construção de recursos de comunicação personalizados.

E  Speaking Dynamically Pro (SDP)  utiliza os recursos do computador para agregar funcionalidades poderosas como permitir que as pranchas falem por meio de síntese de voz.

Além disso, há várias ferramentas de programação fáceis de usar e que permitem que a  comunicação seja efetiva.

 As crianças com TEA costumam ser boas no processamento visual e, além disso, muitos aplicativos foram projetados para uso com iPads e dispositivos celulares para ajudar as crianças a desenvolver suas habilidades de comunicação.

Referências

https://www.nationalautismresources.com/the-picture-exchange-communication-system-pecs/

https://www.aacandautism.com/why-aac

https://raisingchildren.net.au/autism/development/language-development/augmentative-communication-asd

Read More

Atuação do fisioterapeuta no TEA: estimulando as habilidades motoras

Os fisioterapeutas têm experiência em avaliar habilidades motoras e atividades que envolvam força, coordenação, equilíbrio, controle respiratório, postura e marcha.

Quando falamos em Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) geralmente associamos ao transtorno no desenvolvimento neurológico que impacta nas habilidades de comunicação (verbal ou não), sociais e comportamentais (atitudes e interesses repetitivos e restritos).

Entretanto, um outro aspecto – tão importante quanto os demais – também pode ser comprometido e merece atenção: as habilidades motoras.

Esse é um aspecto que vai além do olhar voltado aos movimentos repetitivos realizados pelos autistas, como os de braços e pernas.

Trata-se da análise dos desafios que se apresentam na marcha, na competência postural, no tônus muscular, na capacidade de planejamento motor, e na realização de movimentos grossos.

Essas preocupações podem variar de gravidade e afetar o desenvolvimento infantil da criança com TEA, interferindo em sua qualidade de vida em longo prazo, caso não seja adequadamente tratado.

Estudos recentes sugerem que os distúrbios do movimento em crianças no espectro desempenham uma parte fundamental no TEA. Estando presentes desde o nascimento, podem ser mais uma ferramenta indicadora para ajudar no diagnóstico precoce de TEA ainda nos primeiros meses de vida.

Diante dessa perspectiva, faz-se necessária uma intervenção integrativa e multidisciplinar precoce, que inclui diferentes profissionais como médicos pediatras, neurologistas, psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas e entre outros. Quem deve ser o responsável em manejar as deficiências motoras desta população é o fisioterapeuta.

Compreendendo os desafios motores e como o fisioterapeuta poderá ajudar

Habilidades motoras brutas: as habilidades motoras brutas são definidas como capacidade de realizar movimentos usando os membros superiores e inferiores (braços, pernas, tronco e pés). As crianças com autismo, em média, apresentam um atraso nesta área de desenvolvimento de em média seis meses, em relação àquelas chamadas “neurotípicas”, ou seja, que estão fora do espectro.

Tônus Muscular: no caso do tônus muscular, que responde pela flexibilidade do corpo, as crianças com autismo costumam ser mais enrijecidas, o que pode se tornar um obstáculo para a realização de movimentos, o que pode ocasionar em problemas de equilíbrio e quedas frequentes.

Marcha: já no que diz respeito à marcha, ou seja, a maneira como caminhamos, a criança com TEA pode apresentar um padrão diferenciado e andarem na ponta dos pés.

Normalmente, este distúrbio começa com uma idade média entre 18 e 24 meses de vida, quando costumam a aprender a andar. Mas, qual pode ser o problema em apresentar esse tipo de marcha? Caminhar na ponta dos pés pode diminuir a resistência física, causar dores e calos, fraqueza muscular nas pernas, entre outros.

Planejamento motor: Outro ponto que pode ser considerado nevrálgico para uma criança com TEA diz respeito ao planejamento de motor, que consiste na capacidade do cérebro em entender uma ação motora, descobrir como fazê-la e dar ordem aos músculos e as partes do corpo corretas a executarem essa atividade. Para quem está no espectro, uma simples tarefa de se movimentar de um lado para o outro de uma sala, por exemplo, pode ser desafiadora, devido à dificuldade de idealizar e executar este plano motor. A intervenção deste profissional deve ser projetada para atender às especificidades de cada pessoa com TEA, organizando o tratamento de maneira a estimular a reduzir a ansiedade do indivíduo e encorajá-lo, facilitando o aprendizado motor.

No caso de restrições motoras grossas, os fisioterapeutas poderão desenvolver exercícios como jogos funcionais, que possibilitem a criança aprender padrões de movimento dos membros, de forma a contribuir com o equilíbrio e a coordenação.

Se o problema é com a marcha, por exemplo, os fisioterapeutas podem contribuir ensinando a criança a alongar os músculos encurtados ou a fortalecer os mais fracos enquanto trabalham na biomecânica geral da marcha – ou seja, na readequação do padrão do andar.

Exercícios de força podem auxiliar no que cabe à melhora no tônus muscular. O planejamento motor também é uma área que pode ser aprimorada com treinamento específico e definição de metas com os pais e a criança.

Eles se concentram em desenvolver a capacidade de uma criança para que ela possa participar de ações diárias e rotineiras, como sentar e andar ou habilidades complexas, como chutar, jogar, pegar.

Quando não desenvolvidas, as competências motoras em crianças com TEA podem afetar a oportunidade de interações sociais e oportunidades de aprendizado. A fisioterapia poderá contribuir para que isso não ocorra.

Consulte um fisioterapeuta se tiver preocupações em qualquer uma das áreas retratadas neste artigo!

Referências:

Atun-Einy O, Lotan M, Harel Y, Shavit E, Burstein S, Kempner G. Physical Therapy for Young Children Diagnosed with Autism Spectrum Disorders–Clinical Frameworks Model in an Israeli Setting. Frontiers in Pediatrics. 2013;1:19. doi:10.3389/fped.2013.00019. Disponível em <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3860886/> Acessado em 27 de novembro

How Can Physiotherapy Help My Child Who Has Autism? Neurodevelopmental Physiotherapy. Boomerang Health. Disponível em http://www.boomeranghealth.com/blog/neurodevelopmental-physiotherapy/how-can-physiotherapy-help-my-child-with-autism/ Acessado em 27 de novembro de 2017.

Lloyd M, MacDonald M, Lord C. Motor Skills of Toddlers with Autism Spectrum Disorders. Autism : the international journal of research and practice. 2013;17(2):133-146. doi:10.1177/1362361311402230.
Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3188325/ Acessado em 27 de novembro de 2017.

Physiotherapy for children with autism. Physiotherapy New Zealand.
Disponível em http://physiotherapy.org.nz/your-health/blogs/physiotherapy-for-children-with-autism/#.Whv7h0qnE2w Acessado em 27 de novembro de 2017.

Read More

TOC e Autismo, compreenda a relação

No artigo de hoje vamos falar sobre o Transtorno Obsessivo-Compulsivo, conhecido pela sigla TOC e a sua ligação com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

O TOC pode ser definido como um transtorno psiquiátrico que causa crises de pensamentos obsessivos e manias. Causa também comportamentos compulsivos e repetitivos que atrapalham a rotina e a vida da pessoa.

Há diversos estudos que comprovam a relação do TOC com o Autismo. Sabe-se que o TOC pode ocorrer em cerca de 6% a 10% das crianças com o TEA. E estima-se que 2% da população geral sofra com o TOC.

Além disso, os picos de incidência do TOC estão entre as crianças de período escolar e os jovens adultos, na faixa etária dos 18 e 20 anos. As pessoas com autismo têm duas vezes mais chances de serem diagnosticadas com TOC também.

Nesses casos, os autistas apresentam pensamentos obsessivos e se comportam de maneiras repetitivas e compulsivas para lidar com esses pensamentos. Por exemplo, podem lavar as mãos repetidamente ou organizar objetos várias vezes para tentar controlar pensamentos ruins.

TOC x Estereotipias

Muitas pessoas podem confundir TOC com estereotipias. Vamos falar aqui resumidamente a diferença entre TOC e estereotipia.

As pessoas com TOC geralmente se sentem desconfortáveis ​​com seus sintomas e gostariam de se livrar deles.

Enquanto as pessoas com TEA geralmente não se incomodam com seus rituais e muitas vezes a estereotipia traz conforto quando tem função de autorregulação.

Muitos pesquisadores estão estudando as duas condições para entender melhor como elas interagem, suas semelhanças e diferenças. E também como realizar o diagnóstico correto para ter um tratamento eficaz.

Alguns cientistas trabalham com a hipótese de que algumas regiões cerebrais são semelhantes em pessoas com autismo e pessoas que possuem TOC.

Essa parte do cérebro estudada está associada a parar e continuar um comportamento e formação de hábitos. Mas ainda estão sendo realizados estudos para concluir as causas e o que pode ser feito para aumentar a qualidade de vida dessas pessoas.

Sintomas do TOC

Vou citar aqui alguns sintomas do TOC que podem afetar também pessoas com autismo.

A pessoa pode apresentar obsessão, ou seja, pensamentos e ideias que vêm à cabeça da pessoa repetidamente e de forma insistente, sem que ela possa controlar. Por isso, podem ter obsessão por limpeza, fixação por rotina e organização e pensamento agressivos.

Um pensamento obsessivo, por exemplo, é pensar que as pessoas da família podem se machucar se eles não colocarem as roupas na mesma ordem todas as manhãs. 

Na maioria das vezes, a obsessão vem seguida da compulsão, ou seja, a pessoa passa a realizar rituais para se livrar da ansiedade e começa a ter comportamentos repetidos e irracionais.

Um hábito compulsivo é querer lavar as mãos repetidamente depois de tocar em algo que pode estar sujo. Os sintomas podem ir e vir e diminuir com o tempo ou piorar.

Vale esclarecer que quem tem TOC não consegue controlar seus pensamentos ou comportamentos, mesmo quando reconhece que são excessivos e prejudiciais. Eles também não sentem prazer ao realizar comportamentos ou rituais, mas podem sentir um breve alívio da ansiedade com essas atitudes. Obviamente, quem tem o TOC apresenta problemas significativos em sua vida diária por conta desse transtorno e precisa de ajuda profissional.

TOC e Autismo

Ter TOC e autismo pode causar muito sofrimento. Geralmente, o paciente vai precisar de um acompanhamento psicológico associado com alguma medicação indicada pelo médico. Esses medicamentos geralmente são antidepressivos, antipsicóticos e ansiolíticos que ajudam a tratar e controlar os sintomas do TOC.

É importante esclarecer que apenas um médico pode indicar o medicamento mais adequado para cada caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Os sintomas podem ser controlados e até mesmo desaparecerem por um tempo, mas podem voltar em algum momento da vida. Por isso, a pessoa que tem TOC precisa ser acompanhada frequentemente por profissionais especializados.

Read More

Autismo e mercado de trabalho: identificando competências

Ingressar no mercado de trabalho é um processo natural na vida do ser humano. Com a pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) não é diferente, afinal, ele é parte da população e está sujeito a ter acesso às mesmas oportunidades que os demais.

O acesso do autista a um emprego está integrado ao desenvolvimento cognitivo, social e de sua independência. Ele deve preconizar um emprego em que possa desempenhar em sua rotina atividades ligadas às suas competências e aptidões. Isso o fará alcançar o melhor rendimento de suas ações, além de contribuir com o progresso de seu empregador.

Como observado em Educação no autismo: o aprendizado como ferramenta (https://neuroconecta.com.br/educacao-no-auti…-como-ferramenta/) há autistas que apresentam aptidão frente aos estímulos visuais, auditivos ou táticos e sinestésicos. Com base nestes indicadores de aprendizagem é possível avaliar em qual função ele pode se enquadrar.

A The National Autistic Society desenvolveu uma cartilha “Find Job” (Encontrar emprego – na tradução livre) que traz informações valiosas para o empregador e para a pessoa com o espectro do autismo. Inclusive há conselhos para os autistas sobre como interagir socialmente, por meio da identificação de sinais verbais e não verbais de determinadas situações.

Para proporcionar um ambiente de trabalho adequado ao autista, há cuidados que podem ser empreendidos pelas empresas, tais como proporcionar um espaço com pouco barulho, estabelecer rotinas estruturadas e designar uma pessoa para que o autista possa tirar dúvidas e estabelecer uma relação de troca de experiências, com autonomia para desempenhar suas tarefas enquanto colaborador.

Merece destacar que as pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo são eficientes em atividades ligadas à sua área de interesse e tem facilidade de concentração e para realizar atividades repetitivas, conforme dados do Escritório de Estatísticas do Trabalho nos Estados Unidos.  

Embora qualificados, a Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de 80% dos adultos com espectro do autismo não possuam emprego. No Brasil ainda não há um rastreamento sobre o cenário de empregabilidade do autista. Segundo dados de 2016 estimados na Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho, há 9,3 milhões de pessoas com deficiência (PCD) que se encaixam na Lei de Cotas, para 827 mil vagas abertas. É neste grupo de PCDs que está inserido o TEA.

Há no Brasil empresas que têm buscado contratar pessoas com o espectro do autismo e buscado se adequar às necessidades destes colaboradores, o que mostra haver um reconhecimento às competências destes profissionais, que superam qualquer limitação.

Curiosidade: Um exemplo do potencial da pessoa com espectro do autismo é retratado no filme “Temple Grandin” (HBO Films – 2010) – que conta a história da jovem autista e sua luta para levar uma vida normal. Ela chega à universidade, incentivada por um professor, e usa suas aptidões – que são sua sensibilidade e habilidade com os animais – para criar uma técnica que revolucionou a indústria agropecuária dos Estados Unidos.

 

Read More
Epilepsia

Epilepsia e Autismo: há relação?

Qual pode ser a relação que existe entre o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e a epilepsia?

Se você tem alguém na família no espectro ou tem interesse em saber informações sobre o transtorno, já deve ter ouvido falar nesse assunto que, mesmo para a ciência, ainda é considerado complexo. Vamos agora compreender de que maneira essas condições podem estar integradas, conforme já apontado em diversos estudos.

Um ponto em comum que se pode citar é que ambas condições – TEA e epilepsia – compreendem um transtorno que tem conexão com o cérebro. A epilepsia – que significa “transtorno convulsivo” por ser marcada por crises convulsivas ou convulsões recorrentes – é o quarto transtorno neurológico mais comum e afeta pessoas de todas as idades. Trata-se de uma doença crônica, cuja marca registrada é a ocorrência de convulsões não provocadas – ou seja, sem uma causa aparente, como uma queda, baixa de açúcar no sangue e outros. Uma pessoa é diagnosticada com epilepsia se já teve duas convulsões neste perfil. As convulsões na epilepsia podem estar relacionadas a uma lesão cerebral ou a uma tendência familiar, mas muitas vezes a causa é completamente desconhecida.

Quando falamos em Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é preciso compreender que também trata-se de um distúrbio neurológico, multifatorial, que pode ter suas causas ligadas à aspectos genéticos, hereditários ou não e, até mesmo, à fatores ambientais. Esta condição pode ocasionar desafios sociais, de comunicação (verbal ou não) e comportamentais.

Desde que foi utilizado pela primeira vez o termo “autismo” – o que ocorreu próximo do ano 1908, houve uma grande evolução na ciência e nas ferramentas que a medicina pode lançar mão para diagnosticar e tratar este indivíduo, possibilitando o desenvolvimento de habilidades para que ele alcance o máximo de seu potencial intelectual, psicológico e cognitivo, podendo assim levar uma vida digna e, em sua maioria, com autonomia e independência para realizar suas atividades ao longo da vida.

Por que a epilepsia pode estar associada com o TEA?

O estudo “Fisiopatologia da epilepsia em distúrbios do espectro autista” que como são condições extremamente heterogêneas, isso torna improvável que um único mecanismo comum explique a predisposição de convulsões em ambos os distúrbios. Pesquisas genéticas recentes apontam para numerosas e diversas mutações genéticas que têm autismo e epilepsia como sequelas. Uma das possíveis explicações apontada pelos pesquisadores neste artigo indica que tanto a epilepsia quanto o autismo envolvem uma sincronia anormal de sistemas no cérebro ligados às sinapses (conexões entre os neurônios).

Embora seja possível que a epilepsia possa causar autismo, e vice e versa, a visão científica atual é que existem mecanismos neurológicos compartilhados que contribuem tanto para o TEA quanto para a epilepsia, conforme aponta a Epilepsy Foundation.

A convulsão, característica da epilepsia, pode ser considerada a complicação neurológica mais comum em quem tem TEA. Estima-se que quase um terço das pessoas com TEA pode apresentar epilepsia. É considerada mais frequente em crianças menores de 5 anos de idade e adolescentes.

Entre os fatores de risco para a epilepsia no TEA é possível citar o retardo mental, comprometimento motor e a idade que se deu o início das convulsões.

Outro aspecto é que algumas das alterações cerebrais do desenvolvimento associadas ao autismo também contribuam para convulsões. O diagnóstico de epilepsia em quem tem TEA pode ser desafiador, visto que pessoas com autismo têm dificuldade em reconhecer e comunicar seus sintomas.

Entre os sinais importantes a se notar, destacam-se:

  • Mudança no olhar inexplicada
  • Estiramento dos músculos
  • Movimentos involuntários de membros do corpo
  • Também pode haver algum distúrbio do sono, irritabilidade e agressividade sem explicação e regressão do desenvolvimento alcançado

O que pode ser feito? 

A epilepsia associada ao TEA possui o mesmo modelo de gerenciamento de convulsões em geral. Entre os aspectos indicados pela Epilepsy Foundation temos:

  • Avaliação médica com imagem cerebral e EEG (eletroencefalograma)
  • Medicamentos antiepilépticos para tratamento
  • A terapia adjuvante não farmacológica pode ser considerada se os medicamentos não alcançarem a resposta desejada (por exemplo, dieta cetogênica, estimulo do nervo vago)
  • Tome medidas de segurança para evitar engasgos e sufocamento. Procure manter distantes objetos grandes para evitar lesões.

Caso seu filho (a) tenha autismo, lembre-se: nem todas as crianças terão epilepsia. O importante é compreender o assunto e sempre conversar com o médico e a equipe de profissionais – preferencialmente também com um neurologista pediátrico – que o acompanham para se sentir seguro para que, se for necessário, lidar com a situação.

Referências

Autism and Epilepsy Resources. Autism Speaks. Disponível em <https://www.autismspeaks.org/family-services/epilepsy> Acessado em 10 de novembro de 2017.

Danielsson S., Gillberg I. C., Billstedt E., Gillberg, C. and Olsson, I. (2005), Epilepsy in Young Adults with Autism: A Prospective Population-based Follow-up Study of 120 Individuals Diagnosed in Childhood. Epilepsia, 46: 918–923. doi:10.1111/j.1528-1167.2005.57504.x. Disponível em <

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1528-1167.2005.57504.x/abstract;jsessionid=74F6F0CF6EE88511123E8379F7CC383C.f02t03> Acessado em 10 de novembro de 2017.

Epilepsy and Autism: Is There a Relationship? Epilepsy Foundation.

Disponível em <https://www.epilepsy.com/article/2017/3/epilepsy-and-autism-there-relationship> Acessado em 9 de novembro de 2017.

Kuczynski E. Detecção precoce de epilepsia lato sensu: importância diagnóstica e prognóstica nos Transtorno do Espectro do Autismo. Associação Brasileira de Psiquiatria. Disponível em http://www.abp.org.br/rdp16/03/RDP_3_201605.pdf Acessado em 9 de novembro de 2017.

Stafstrom CE, Hagerman PJ, Pessah IN. Pathophysiology of Epilepsy in Autism Spectrum Disorders. In: Noebels JL, Avoli M, Rogawski MA, et al., editors. Jasper’s Basic Mechanisms of the Epilepsies [Internet]. 4th edition. Bethesda (MD): National Center for Biotechnology Information (US); 2012. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK98169/ Acessado em 9 de novembro de 2017.

Read More

Discalculia: um Transtorno Especifico de Aprendizagem

A discalculia é um Transtorno especifico de aprendizagem relacionado a matemática e a dificuldades persistentes para lidar com números.

Esse transtorno afeta a habilidade da pessoa de realizar cálculos matemáticos, entender conceitos numéricos e até dificuldades na identificação visual e auditiva dos números.

De acordo com o DSM-5, que é o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais para fechar o diagnóstico de Discalculia a pessoa precisa preencher 4 critérios diagnósticos.

Conheça os critérios diagnósticos

O primeiro é de que as dificuldades precisam ser evidentes e interferir na vida da pessoa. Dificuldades persistentes por exemplo em cálculos aritméticos e raciocínio matemático;

O segundo critério é que o desempenho do indivíduo nas habilidades acadêmicas afetadas deve estar bem abaixo da média para a idade.

Um terceiro critério é que as dificuldades de aprendizagem estejam prontamente aparentes nos primeiros anos escolares, na maior parte dos indivíduos. Entretanto, em outros, essas dificuldades de aprendizagem podem se manifestar mais para frente nos anos escolares mais tardios, período em que as demandas de aprendizagem aumentam e excedem as capacidades individuais limitadas, mas na maioria dos casos essas dificuldades surgem nos primeiros anos escolares.

O quarto critério é que essas dificuldades de aprendizagem devem ser consideradas “específicas”. Elas não são atribuíveis a deficiências intelectuais; a atraso global do desenvolvimento; a deficiências auditivas ou visuais; ou a problemas neurológicos ou motores

A discalculia assim como outros transtornos específicos de aprendizagem pode ser classificada pelo grau de acordo com a intensidade como leve, moderada ou grave. Esse transtorno afeta cerca de 3 a 6% da população mundial.

A pessoa com discalculia pode apresentar dificuldade ou incapacidade de pensar, refletir, avaliar ou raciocinar sobre tudo que envolva números ou conceitos matemáticos.

Elas apresentam dificuldades para entender o significado dos números, o que eles representam, quais as funções deles e a importância da matemática para o nosso dia a dia. É comum que quem tenha discalculia apresente dificuldade para memorizar os números e fazer contas por exemplo.

Além disso as pessoas com Discalculia podem apresentar:

  • Dificuldade na leitura e escrita dos símbolos
  • Dificuldade para estimar quantidades
  • Dificuldades em lidar com dinheiro
  • Dificuldade para contar de trás pra frente
  • Lentidão para fazer cálculos
  • Dificuldade para calcular o tempo e com noção de tempo.
  • E podem apresentar também ansiedade relacionada à matemática ou qualquer outra atividade que envolva números;

É importante destacar que esse transtorno de aprendizagem é causado por uma má formação neurológica e não é uma deficiência mental ou é causado por má escolarização e não tem nada a ver com os níveis de QI da pessoa.

A pessoa com Discalculia não tem deficiência intelectual. A Discalculia é um transtorno que afeta essa área especifica que esta relacionada com números. A pessoa aprende normalmente as outras coisas e as outras matérias.

Geralmente o diagnóstico ocorre entre 8 e 9 anos de idade, mas é possível observar essa dificuldade mais cedo. Os sinais podem ser percebidos mais cedo, mas é no ambiente escolar que a criança vai apresentar mais dificuldade, pois não consegue realizar as atividades rotineiras da escola e pode sofrer bastante com isso se não ocorrer um diagnóstico adequado.

A Discalculia pode ser detectada pelos professores ao verem que a criança não atinge os objetivos propostos para a faixa etária e nível de escolaridade. Mas somente uma equipe multidisciplinar poderá fazer o diagnóstico.

Geralmente, o diagnóstico é realizado por meio de testes elaborados por psicólogos, psicopedagogos e neuropsicólogos. O objetivo é descartar a presença de outros transtornos, como Depressão ou Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

O tratamento deve ser feito em conjunto pelos pais, familiares e professores e consiste em ajudar a criança a desenvolver estratégias que permitam contornar o seu problema. Devem ocorrer intervenções pedagógicas que ajudarão a criança a melhorar o seu desenvolvimento escolar de forma global.  O aluno também deverá receber suporte psicológico para saber lidar com a autoestima, insegurança e medo de novas situações.

Geralmente, o tratamento ocorre com a adoção de estratégias para melhorar o desenvolvimento matemático da criança. Por isso, pode-se usar papel quadriculado para organizar as ideias e investir em exemplos concretos e visuais para explicar os problemas, além de repetição de exercícios.

É muito importante tentar identificar áreas onde a criança tem maior facilidade, tentando depois incluí-las na aprendizagem de números e cálculos. Por exemplo, se ela gosta de desenhar, pode pedir que a criança desenhe 2 frutas, depois solicite 4 frutas e, por fim, tentar contar quantas frutas foram desenhadas no total.

Algumas ideias que devem servir de guia para todas as tarefas são:

  • Usar objetos para ensinar cálculos de somar ou subtrair
  • Tornar a aprendizagem um processo divertido
  • Começar num nível onde a criança se sinta confortável e lentamente avançar para processos mais complexos
  • Ensinar com calmar e ajudar a criança a praticar
  • Reduzir a necessidade para memorizar

Esse transtorno de aprendizagem não pode ser ignorado. Ter conhecimentos em matemática é muito importante para o nosso dia a dia. Os pais, professores e toda equipe multidisciplinar têm um papel fundamental na vida dessas crianças para auxiliá-las no processo de aprendizagem e também para que ela aprenda a lidar melhor com esse transtorno que é a Discalculia.

Read More