Autismo e a depressão: veja detalhes do diagnóstico e tratamento

Patrocinado

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão será um dos transtornos mentais mais incapacitantes em todo o mundo até 2020.

Estima-se que ela possa atingir mais de 320 milhões de pessoas. Os sintomas variam bastante, mas é comum que indivíduos deprimidos sintam uma tristeza profunda, desânimo, desinteresse, humor alterado, falta de apetite e até pensamentos suicidas.

Um estudo divulgou que quase 20% dos jovens com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) foram diagnosticados com depressão. E estima-se que quase metade dos adultos com autismo terá um quadro depressão durante algum momento da vida.

Isso ocorre, de acordo com os pesquisadores, devido a  fatores biológicos, psicológicos e sociais. Além do fato de o autismo e a depressão compartilharem vulnerabilidades genéticas comuns.

Leia também: Comorbidades comuns no TEA

Patrocinado

Estudos sugerem que irmãos de crianças com autismo também costumam ter depressão, mas com menos frequência.

Com isso, sabe-se que fatores familiares compartilhados, como os genes e o ambiente doméstico, contribuem para a surgimento do transtorno mental. Porém, autistas têm 2,5 vezes mais chances de ter um diagnóstico de depressão do que seus irmãos sem o Transtorno.

Sabe-se também que a depressão é mais comum em indivíduos com autismo que possuem mais inteligência.

Assim, os pesquisadores acreditam que aquelas pessoas com autismo e com o quociente de inteligência (QI) acima da média sejam mais conscientes das dificuldades sociais associadas ao seu diagnóstico de autismo, o que aumenta a chance do surgimento da depressão.

Dificuldade de identificar a depressão

Um desafio encontrado pelos especialistas na hora do diagnóstico da depressão é que muitas das características são semelhantes aos sintomas e comportamentos do autismo, tais como: retraimento social, distúrbios do sono e contato visual reduzido.

Contudo, é importante ressaltar que a depressão em pessoas com autismo pode apresentar-se de forma distinta, com o aumento da agressividade e/ou dos comportamentos repetitivos.

Todas as pessoas com depressão podem ter dificuldade em compartilhar seus pensamentos e sentimentos. 

Mas, quem tem autismo geralmente não consegue rotular seus sentimentos, comunicar os sintomas ou preocupações sobre seu estado mental e falta de ânimo. Por isso, o diagnóstico pode ser mais difícil.

Médicos e pesquisadores afirmam que é importante examinar mudanças no comportamento, como sono e hábitos alimentares, irritabilidade ou níveis de agitação. 

Uma questão importante levantada pelos especialistas e que causa depressão é o bullying frequente. Um outro estudo descobriu que crianças com autismo eram vítimas de bullying cerca de três vezes mais do que as demais.

Nesses casos, acredita-se que ser intimidado por toda a sua vida prejudica a saúde emocional de algumas pessoas com autismo.

Diagnóstico tardio de TEA

Outra informação relevante apontada pelos pesquisadores é o fato de que algumas pessoas com TEA só tiveram o diagnóstico após um quadro de depressão.

Sabe-se que indivíduos que tiveram um diagnóstico tardio de TEA, muitas vezes, sofrem pelo isolamento social e bullying nas escolas e até na sociedade.

Na maioria das vezes, eles não entendem o que está acontecendo, mas sabem que são diferentes ou tratados de outra forma.

A importância do tratamento

A depressão pode ter consequências devastadoras na qualidade de vida da pessoa com autismo, pois aumenta o risco de pensamentos e comportamentos suicidas.

Uma pesquisa realizada com 791 crianças com TEA – sendo entre elas 186 crianças com desenvolvimento típico e 35 crianças não autistas com depressão diagnosticada — mostrou que pensamentos suicidas foram 28 vezes mais frequentes em aqueles com TEA.

Após o diagnóstico, é fundamental que ocorra um tratamento adequado e multidisciplinar, pois a depressão pode reduzir ainda mais a interação social e aumentar a apatia em pessoas com TEA.

Os tratamentos para a depressão variam bastante – pode ser indicado terapia adaptada com psicólogos especializados e em alguns casos o uso de medicação específica indicada por um psiquiatra.

Saiba mais em: Tratamento medicamentoso

Referências:

– OMS: https://www.who.int/mental_health/management/depression/wfmh_paper_depression_wmhd_2012.pdf

– Association Between Autism Spectrum Disorders With or Without Intellectual Disability and Depression in Young Adulthood, disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2698632

Characterization of Depression in Children with Autism Spectrum Disorders, disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3154372/ 

Differences in the Prevalence, Severity and Symptom Profiles of Depression in Boys and Adolescents with an Autism Spectrum Disorder versus Normally Developing Controls, disponível em: https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/1034912X.2014.998179?scroll=top&needAccess=true&journalCode=cijd20

WhatsApp
Facebook
Pinterest
Telegram
Twitter
Patrocinado

Você irá ler neste artigo

Quem leu gostou do artigo!!!
Quem leu gostou do artigo!!!
Dra. Fabiele Russo

Dra. Fabiele Russo

Neurocientista especialista em Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP). Cofundadora da NeuroConecta.