Entenda o termo “autismo de alto funcionamento”

O autismo de alto funcionamento é um termo informal usado para caracterizar pessoas com autismo consideradas com “funcionalidade” em realizar atividades do dia a dia, interagir, realizar atividades como ler, escrever, falar ou tomar decisões.

É importante ressaltar que em 2013 no DSM-5, a Associação Americana de Psiquiatria agrupou todos os transtornos relacionados ao autismo em um único diagnóstico, o Transtorno do Espectro Autista, conhecido como TEA. O autismo de alto funcionamento conhecido também como Transtorno de Asperger agora faz parte do TEA de Nível 1 ou grau leve. Agora tudo é TEA!

A pessoa com esse grau de autismo pode ter alguns sintomas perceptíveis, como disfunção sensorial e ansiedade, mas como apresentam sinais leves muitas vezes o autismo desses indivíduos pode passar despercebido pelas outras pessoas. É provável que  muitos autistas altamente funcionais não recebam um diagnóstico correto e muitas vezes são consideradas pessoas estranhas ou excêntricas.

Algumas características desse quadro são: sintomas mais leves, quociente de inteligência (QI) na média ou mais elevado, além de mais habilidades visuais e espaciais. Além disso, podem apresentar raciocínio verbal inferior à média, problemas de aprendizagem social e comportamentos repetitivos.

Geralmente, essas pessoas desejam estar envolvidas no convívio social, mas sentem dificuldades. Muitos não conseguem entender as emoções dos outros. Encontram dificuldade em entender as expressões faciais ou a linguagem corporal. E alguns optam pelo isolamento. Também sentem dificuldades para se ajustar a novas experiências ou rotinas.  Alguns se saem muito bem na escola, enquanto outros ficam sobrecarregados e não conseguem se concentrar nas atividades. Também é bastante comum que as crianças fiquem propensos a birras ou crises quando está excessivamente cansada ou estimulada.

É importante destacar que independentemente do diagnóstico é fundamental buscar terapias, apoio e abordagens educacionais. Essa é a melhor forma das pessoas com TEA desenvolverem suas habilidades e melhorar a interação social Assim, serão adultos mais seguros, confiantes e com menores índices de comorbidades como distúrbios psiquiátricos.

Veja algumas características desse grupo de pessoas:

Sensibilidade emocional

Pessoas com esse grau de autismo podem realizar suas atividades do dia a dia, mas sentem dificuldades para controlar suas emoções.  Podem sentir bastante irritabilidade e dificuldade de concentração.

Fixação em alguns assuntos

Podem se tornar “obsessivos” com algumas atividades. Por exemplo: discutir sobre o mesmo assunto; escutar a mesma música várias vezes; ler o mesmo livro diversas vezes e alinhar objetos ou brinquedos. Possuem comportamentos repetitivos ou persistentes.

Vocabulário

Costumam se esforçar para aprender a falar e conversar com outras pessoas. As crianças podem começar a falar muito antes do normal e ter um vocabulário impressionante.

Dificuldades de socialização

Podem ter problemas em interagir com as pessoas. Por isso, tendem a ter um círculo social limitado, dificuldades em dividir brinquedos ou trabalhar em grupo.  Podem ser considerados tímidos ou muito quietos. Muitas vezes evitam o contato físico e visual.

Dificuldades sensoriais

Muitas pessoas com autismo podem apresentar problemas sensoriais (Hipo ou Hipersensibilidade). Os autistas podem achar barulhos, gostos, cheiros, roupas e o toque insuportáveis e isso pode causar um sofrimento emocional. Por isso é muito importante procurar ajuda especializada para trabalhar essas questões sensoriais e todas as outras dificuldades que a pessoa possa apresentar.

Referências:

https://www.webmd.com/brain/autism/high-functioning-autism

https://www.healthline.com/health/high-functioning-autism

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Atenção compartilhada e autismo

Você já ouviu falar de atenção compartilhada? Ela acontece quando duas pessoas focam em um mesmo objeto ou dão atenção para uma mesma conversa, por exemplo.

Essa atenção pode ocorrer por meio do olhar, gestos ou quando alguém aponta ou indica algo, além de palavras.

A atenção compartilhada contribui com a comunicação e a aprendizagem. No entanto, vale destacar que alguns autistas podem ter dificuldades para conseguir se comunicar dessa forma.

Os pais e cuidadores podem perceber logo no início essa dificuldade. Quando crianças, os autistas podem ter comportamentos atípicos e não conseguir focar em um jogo ou solicitar um brinquedo.

Geralmente, também não conseguem esticar o braço para ir ao colo ou dar atenção a um livro.

Isso porque para ter essa atenção compartilhada é preciso ocorrer uma interação social, contato visual e o compartilhamento de emoções e experiências.

E como sabemos as pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo necessitam de ajuda para desenvolver essas habilidades.

Por que é importante?

Os especialistas em desenvolvimento dividem a atenção compartilhada em três níveis que vão ficando cada vez mais complexos conforme os bebês crescem. Por meio da atenção compartilhada a criança consegue desenvolver suas habilidades cognitivas e de interação com o mundo.

– Atenção Compartilhada Focada: ocorre entre os três e seis meses. Nessa fase, tanto o adulto quanto a criança olham para o mesmo objeto, mas sem executar uma interação.

– Atenção Compartilhada Diádica: pais e cuidadores e seus filhos passam a usar gestos, expressões faciais e palavras enquanto se concentram em um objeto. Essa atitude é importante para o desenvolvimento da imitação facial e as primeiras interações.

– Atenção Compartilhada Triádica: nessa fase, a criança já tem habilidades cognitivas e linguísticas. Assim, tanto os pais quanto o filho interagem com o objeto e sabem que estão envolvidos na interação e conseguem se comunicar.

Como saber que meu filho não consegue compartilhar sua atenção?

Por meio das atitudes e comportamentos é possível perceber. Veja abaixo alguns sinais que podem indicar a dificuldade para ter uma atenção compartilhada:

  • Não entendem a função do contato visual e não olham para as pessoas;
  • Não compartilham o interesse com os colegas e pais;
  • Não se interessa por brinquedos e não mostram para os pais quando está brincando;
  • Não acompanham com o olhar os movimentos de um carro ou de pessoas;
  • Não faz desenhos ou mostra os rabiscos;
  • Não busca atenção dos pais e familiares.

O que pode ser feito para melhorar a atenção compartilhada?  

É importante buscar uma intervenção precoce como a ciência ABA para que ele/ela aprenda essa habilidade.

As crianças precisam entender a função do contato visual e sejam incentivados a olhar para as pessoas. 

Algumas brincadeiras e diversos brinquedos podem contribuir para desenvolver a atenção compartilhada.

Vale incentivar a criança a desviar a atenção do que está brincando para o que você tem nas mãos, por exemplo.

É importante usar um tom de voz animado, gestos e expressões faciais para ajudar a estabelecer uma atenção compartilhada.

Inclua a atenção compartilhada no dia a dia  durante tarefas como escovar os dentes ou na hora do banho e das refeições.

Também é importante sempre que o autista demonstrar interesse por um objeto que os pais e as pessoas próximas imitem o interesse dele. Se ele for envolvido na atividade, poderá repetir em breve.

Não se esqueça de elogiar a pessoa com autismo ao responder as tentativas de atenção compartilhada. Isso vai incentivá-lo bastante a entender que está realizando um comportamento adequado.

Referências:

https://growingearlyminds.org.au/tips/joint-attention/

https://www.spectrumnews.org/news/clinical-research-joint-attention-can-predict-autism-outcome/

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Como trabalhar a interação social no autismo?

Muitas crianças e adultos autistas apresentam dificuldades na interação social e precisam de ajuda para aprender a agir em diferentes tipos de situações sociais. Eles podem até mesmo ter o desejo de interagir com os outros, mas podem não saber como agir, fazer amigos ou conviver em sociedade. Por isso, quem tem o Transtorno do Espectro do Autismo pode não se comunicar verbalmente ou ter dificuldades na comunicação não verbal (gestos e expressões faciais). Alguns também não têm interesse em realizar atividades com outras pessoas.

Para as pessoas neurotípicas as habilidades sociais, ou seja, as regras, os costumes e as ações que guiam nossas interações com outras pessoas e o mundo ao nosso redor, são tarefas simples e que se aprende rapidamente. Já o desenvolvimento de habilidades sociais para pessoas com autismo pode ser mais complexo e necessitar de profissionais e familiares para que elas possam aprender e conviver em sociedade. Lembrando que a criança com autismo necessitará de estímulos e ser ensinada a agir em situações que exigem a interação social.

Veja, a seguir, algumas características que as pessoas com TEA podem ter que envolvem a dificuldade de interação social:

  • dificuldade em fazer contato visual com outras pessoas;
  • não responde quando é chamado pelo nome;
  • tem dificuldade para entender outras pessoas, como expressões faciais ou linguagem corporal;
  • não estão cientes das convenções sociais ou comportamento social apropriado;
  • são indiferentes ou não gostam de contato físico e afetivo;
  • não gostam de compartilhar objetos como brinquedos;
  • podem expressar as emoções em momentos inadequados, como rir na hora e no lugar errados;
  • prefere atividades solitárias e não tentam fazer amigos.

O que pode ser feito para melhorar a interação social?

O primeiro passo é buscar ajuda especializada para entender melhor a situação e encontrar profissionais que possam indicar as melhores ações e atividades para cada pessoa com TEA. Ter uma orientação e acompanhamento é fundamental para melhorar a qualidade de vida das pessoas com autismo. As crianças precisam enxergar a interação de uma forma positiva e não como algo estressante ou que cause ansiedade. Há algumas estratégias baseadas em pesquisas que podem ajudar nesse processo.

É importante praticar novas habilidades sociais com o autista em vários lugares e também com pessoas diferentes. Para isso, é necessário escolher o momento ideal. Evite tentar em situações estressantes ou que ele esteja distraído, por exemplo.

O diálogo é fundamental! Por isso, os pais e cuidadores devem expor as situações do dia a dia e incentivar as pessoas com TEA a buscar soluções. Ao passear, é recomendado tirar fotos dos momentos e depois conversar sobre aquela atividade, deixar que ele ou ela fale o que sentiu e fazer associações positivas ao sair de casa.

Outra dica é fazer imitações de expressões faciais (triste, feliz, assustado, bravo) e explicar o que cada uma significa. Se quiser, coloque a criança em frente ao espelho e peça para que ela faça imite e entenda as semelhanças e identifique o que quer dizer. A criança com TEA também deve ser incentivada a expressar seus sentimentos e descrever o que sente, quais foram os motivos para se sentir assim.

Estimule as pessoas mais próximas a falar com a pessoa com TEA. É importante incluir o autista nas conversas, falar com ele, perguntar como ele está (mesmo que ele não responda). Pois, é uma forma de ele perceber que as pessoas ao redor se importam e vão interagir com ele.

Os livros de histórias com desenhos e imagens podem ser um aliado nesse processo. Peça para a criança com TEA interpretar e explicar o que entendeu, se ele não responder verbalmente, complete as frases explicando e situando o que está acontecendo.

A criança com TEA precisa brincar também e aprender como funcionam as regras. Explore brincadeiras nas quais as crianças precisam esperar sua vez. Jogos com bola, amarelinha e jogo da memória são excelentes opções.

Os pais devem fazer com que as pessoas com TEA conheçam novos lugares, vejam pessoas, passem por experiências que coloquem o aprendizado das habilidades sociais na prática. Considere atividades que a criança goste e as que não tolera, pois ela deve ser respeitada nas suas limitações e dificuldades.

É muito importante acreditar que seu filho autista é capaz de aprender essas habilidades. Se você não acredita que há potencial para mudança, seus esforços para ensinar novas habilidades podem não ser eficazes. Estimular a pessoa com TEA a interagir socialmente e participar de brincadeiras ajuda a melhorar a autoestima, as habilidades cognitivas, a controlar as emoções e estimular a motivação. Por isso, não desista diante das dificuldades e procure ajuda sempre que for necessário.

Referências:

https://www.autismspectrum.org.au/learning-module/social-interaction

https://www.autism.org.uk/about/communication/social-children.aspx

https://www.psychologytoday.com/us/blog/socioemotional-success/201706/helping-your-child-autism-improve-social-skills

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Plano-de-Ensino-Individualizado-(PEI)-saiba-a-importância

Plano de Ensino Individualizado (PEI): saiba a importância

Você já ouviu falar do Plano de Ensino Individualizado (PEI)? Ele é considerado uma ferramenta que contribui para melhorar o processo de ensino e aprendizagem de pessoas que possuem algum tipo de limitação ou dificuldades para aprender. Por isso, é um recurso pedagógico voltado para as necessidades individuais do aluno.

Mas, para o PEI ser efetivo é necessário que seja elaborado de forma colaborativa com professores, coordenadores pedagógicos, pais e profissionais de educação que fazem o acompanhamento da criança na escola. O aluno também pode opinar sobre o processo de aprendizagem.

O professor precisa observar quais as necessidades educacionais do aluno, avaliar as áreas de conhecimento em que ele tem mais facilidade ou dificuldade para adequar o espaço físico e o currículo escolar ao estudante. É importante definir o que é primordial ensinar, ou seja, encontrar os conteúdos e as habilidades necessárias que precisam ser aprimoradas para cada período do aluno.

A forma de ensinar também é fundamental. O professor e os responsáveis pela educação da criança precisam focar em formas de ensino acessíveis e as aulas devem ser claras e objetivas. É importante ter estratégias de ensino, assim como métodos e materiais adequados para que o aluno possa compreender e melhorar as suas habilidades. O ambiente escolar também deve ser adaptado e adequado para que o aluno possa participar. Em outras palavras, o PEI é uma proposta de organização curricular que direciona a forma pedagógica do professor, para que ele possa desenvolver os potenciais dos alunos. Para isso, é possível seguir algumas etapas.

– Conhecer o aluno: é importante que o professor e responsáveis pela educação da criança ou jovem com limitações saibam quais são as habilidades e as necessidades de cada aluno – sua história, seus gostos pessoais e conhecimentos já adquiridos, além de saber o que sente mais dificuldade e ainda precisa aprender. É preciso observar e identificar o desempenho do aluno de acordo com sua comunicação oral, leitura e escrita, raciocínio lógico-matemático e conhecimentos em informática e tecnologia. O aluno pode participar ativamente dessa avaliação. É importante saber quais são seus assuntos prediletos, o que é mais difícil ou mais fácil para ele na escola.

– Criar metas e objetivos: é necessário ter metas de curto, médio e longo prazo e avaliar a evolução e desenvolvimento da criança. De acordo com o perfil de cada aluno é importante avaliar o que cada estudante precisa aprender.

– Manter um cronograma: ao traçar metas, é preciso definir como elas serão cumpridas e qual será o prazo para isso.

– Avaliação: para saber a evolução é necessário avaliar as metas alcançadas com frequência. Esses objetivos serão usados ​​para determinar se o seu filho mudou, estagnou ou atingiu um objetivo específico. Dessa forma, o progresso do ensino pode ser avaliado a cada ano ou até mesmo semestralmente. Sempre que for preciso, os profissionais devem alterar o programa de ensino e a escola precisa dar suporte e ter uma estrutura adequada. Os materiais e recursos pedagógicos precisam estar de acordo com as necessidades específicas de cada criança.

Como o PEI funciona para quem tem autismo?

O PEI pode contribuir para o progresso educacional de uma criança e adolescente com o Transtorno do Espectro do Autismo. Com o PEI, é possível criar um plano que ajude a pessoa com TEA a se desenvolver de várias maneiras – tanto as questões acadêmicas, as sociais quanto as comportamentais. Um PEI que é apropriado para uma criança com autismo pode não dar certo para outra.

Dessa forma, a criança aprenderá novas habilidades que serão úteis para o dia a dia e para sua formação acadêmica, como adição ou subtração. Também desenvolverá habilidades como interagir com os colegas durante as atividades em grupo. E poderá adquirir novos mecanismos de defesa, como saber pedir ajuda e ter comportamentos considerados socialmente aceitáveis (deixar de gritar ou ser menos agressivo, por exemplo). E a criança também aprende a trabalhar suas habilidades motoras como a escrita.

Com o tempo, e dependendo do grau de autismo, algumas crianças podem assumir maior responsabilidade e participar mais ativamente no seu plano de ensino e contribuir para atingir seu potencial educacional. Os pais devem participar ativamente da educação de seus filhos com TEA e dizer quais são as suas principais preocupações sobre sua educação, os pontos fortes, necessidades e interesses da criança e deixar claro o que não funcionou até agora. É importante que a criança receba uma educação apropriada e se beneficie dela para a vida toda.

Referências:

https://www.autismspeaks.org/sites/default/files/2018-08/IEP%20Guide.pdf

https://www.webmd.com/brain/autism/individualized-education-programs-ieps-for-autism#1

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Como funciona a avaliação neuropsicológica no autismo

A avaliação neuropsicológica tem o objetivo de averiguar quais as funções cognitivas estão preservadas e as que estão comprometidas. Por isso, o profissional realiza testes padronizados para ter uma avaliação completa das funções cognitivas da pessoa.

Em autistas, a avaliação neuropsicológica precisa ser planejada de acordo com a necessidade da criança ou adolescente com TEA.  

Dessa forma, ocorrem diversos testes que avaliam as habilidades cognitivas do autista — como funciona a sua atenção, sua percepção visual e auditiva, a memória, a linguagem, o humor e o nível de inteligência mensurado pelo QI (Quociente Intelectual).

Tem o objetivo de investigar e descrever as funções cognitivas e os comportamentos da criança. Considerando-se o desenvolvimento esperado para a sua faixa etária e de acordo com o funcionamento cerebral.

Após esses testes, os profissionais dão um relatório neuropsicológico, que descreve o desempenho cognitivo do autista e mostra  os resultados obtidos.

Isso ajuda a entender como funciona o cérebro do autista e quais são as suas dificuldades.

Deve comunicar as informações de forma clara sobre as necessidades da criança e destacar  como melhor atender a essas necessidadestanto para os pais, os educadores, médicos e a sociedade de forma geral.

Depois da avaliação neuropsicológica, é possível identificar quais tipos de intervenções são indicadas para cada pessoa.

Ela determina quais são os problemas de desenvolvimento, estabelece um diagnóstico, orienta o tratamento e o planejamento educacional.

Também  mede o progresso e demonstra se há a necessidade de uma educação especial.

Como funciona

É muito importante buscar um neuropsicólogo qualificado. Ao fazer uma avaliação, é preciso levar em conta  a história da criança e aspectos relevantes da família — como foi a gravidez, o nascimento e o desenvolvimento desde a infância. Também precisa saber o que motivou a família a chegar até lá.

Devem ser avaliadas o impacto emocional da criança e da família, a história educacional, incluindo os apoios ou intervenções realizadas. 

Em seguida, observam-se os comportamentos da criança. O avaliador pode falar com os pais, professores e pessoas próximas. E depois são realizados testes de raciocínio e linguagem.

Realiza-se um mapeamento de todas as funções cerebrais das pessoas, além dos aspectos emocionais e da personalidade.

Funções neuropsicológicas avaliadas:

  • Funções visuais;
  • Atenção;
  • Organização, planejamento e flexibilidade mental;
  • Funções visuoespaciais, visuo-construtivas e visuo-motoras,
  • Linguagem (receptiva e expressiva);
  • Processos de Memória (verbais e visuais);
  • Nível intelectual (global e específicos), além dos aspectos comportamentais, sociais e emocionais.

As pontuações dos testes são interpretadas no contexto de outras informações. Alguns déficits não podem ser quantificados.

As habilidades sociais, por exemplo, são avaliadas, na maioria das vezes, por meio da observação de comportamentos.

Vale destacar que as crianças que são encaminhadas para uma avaliação já podem ter um diagnóstico  de autismo ou ainda estão buscando respostas por seus comportamentos e limitações.

Quais são os benefícios?

Após a avaliação neuropsicológica é possível desenvolver um currículo adaptado, para que a criança possa aprender de forma mais eficiente.

A criança ou adolescente passa a estudar de acordo com as suas dificuldades e limitações.

Além disso, é possível compreender se criança autista não está absorvendo os conteúdos em sala de aula.

E quais são suas dificuldades — falta de atenção, dificuldade em memorizar, diminuição da percepção visual e/ou auditiva e se há um quociente intelectual deficitário.

Dessa forma, a avaliação neuropsicológica pode contribuir com um diagnóstico de autismo e no planejamento de estratégias e condutas terapêuticas e educacionais. Tudo isso ajuda no desenvolvimento da criança ou adolescente e aumenta a qualidade de vida dessas pessoas.  

Referências

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5789214/
https://www.aane.org/guidelines-neuropsychological-evaluations-children-teens/

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Como diagnosticar o autismo nos primeiros anos de vida?

Os primeiros anos da vida de uma criança é repleto de novidade e é uma fase marcada pelo desenvolvimento infantil. Geralmente, nesse período, ocorrem os sorrisos, as palavras, os primeiros passos e diversas habilidades novas. Mas e se o bebê não tiver esses comportamentos? Não quer dizer que ele tenha o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), mas é importante se atentar aos sinais e buscar ajuda de um especialista, caso a dúvida permaneça, pois somente ele saberá como diagnosticar o autismo.

O TEA costuma ser identificado pelos especialistas quando a criança tem entre 1 ano e meio e 3 anos. Porém, especialistas destacam que os próprios pais são capazes de detectar os primeiros sinais do autismo a partir dos 8 meses.

Um estudo canadense publicado no International Journal of Developmental Neuroscience, com mais de 200 participantes, foi o primeiro a identificar comportamentos específicos em bebês de até 12 meses, e que puderam prever, se uma criança desenvolverá autismo. O diagnóstico precoce pode realmente fazer a diferença na melhora de habilidades das pessoas com TEA.

Cabe aos pais, monitorar o desenvolvimento dos filhos. Embora atrasos no desenvolvimento não apontem automaticamente para o autismo, eles podem indicar um risco maior para o TEA.

É importante ressaltar que algumas crianças com autismo podem se desenvolver normalmente na primeira infância. Mas é comum que percam as habilidades de forma progressiva. Com a lei n. 13.438/2007, foi estabelecido no Brasil que os pediatras usem protocolos padronizados, como a Escala M-chat, que é um questionário que ajuda a rastrear precocemente os sinais de autismo entre crianças de 18 a 24 meses.

Abaixo, listamos alguns sinais que os pais devem se atentar e podem indicar autismo em crianças pequenas.

– Não sorriem: seu filho sorri para você? Com seis meses, é comum que o bebê consiga retribuir um sorriso ou mostrar que está feliz.

– Não reage quando é chamado: os bebês tendem a atender quando são chamados pelos nomes e olham para a pessoa que o chamou.

– Falta de contato visual: crianças com TEA não costumam ter esse comportamento. Geralmente, fazem contato visual limitado e não seguem os objetos com os olhos.  A falta grave de contato visual enquanto o bebê cresce pode ser um indicador precoce de autismo, pois essa é uma forma de comunicação e compreensão da criança. Um estudo publicado na revista Nature descobriu que os bebês que desenvolveram o Transtorno do Espectro do Autismo apresentaram reduções ​​no contato visual entre 2 e 6 meses de idade.

– Não imita o comportamento de outros: os bebês com autismo geralmente não imitam os movimentos de outros. Por isso, não retribuem os sorrisos, batem palmas ou dão “tchauzinho”.

– Não interagem: os bebês geralmente respondem ao que olham e aos sons que estão à sua volta. A falta de resposta de um bebê ao mundo que o rodeia pode indicar autismo.

– Não busca atenção: o desinteresse em procurar a atenção ou em criar vínculo com um ente querido é um sinal de que o bebê pode ter dificuldade em se relacionar com os outros.

– Comportamentos repetitivos: é importante se atentar se a criança tem comportamentos repetitivos, exibe movimentos corporais incomuns, como girar as mãos, se fica sentado ou tem posturas incomuns. Eles podem ser obsessivos com esses comportamentos.

– Não balbuciam: antes de os bebês começarem a falar, eles começam a balbuciar, experimentando sons parecidos com vogais por volta dos 6 meses de idade. Quem tem autismo não costuma mostram sinais de balbuciar até os 9 meses ou mais.

– Fixação em objetos incomuns: a criança com TEA pode desenvolver fixações em objetos incomuns como ventiladores, partes de brinquedos (mas não o brinquedo), pisos ou teto.

– Eles não apontam nem gesticulam: quando as crianças são pequenas, elas tendem a apontar para objetos ou fazer outros gestos com as mãos para indicar interesse em algo. Uma criança com TEA geralmente não aponta para os objetos que chama sua atenção ou não demonstra interesse em objetos que os pais mostram.

– Aceitam o colo de qualquer pessoa: os bebês costumam estranhar quem não faz parte da rotina familiar e choram com pessoas estranhas. Quem tem autismo não demonstra esse desconforto.

Referências:

American Psychiatric Association. (2014). DSM-V: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15731570

http://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/download?doi=10.1.1.324.8853&rep=rep1&type=pdf

https://www.nature.com/news/brain-scans-spot-early-signs-of-autism-in-high-risk-babies-1.21484

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Autismo e genética: entenda o modelo do copo

Diversas pesquisas mostram que o surgimento do autismo tem uma forte questão hereditária.

E o modelo genético que explica muito bem o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) foi chamado de “modelo de copo” que apresenta os impactos das variantes genéticas e ambientais com maior ou menor risco associado ao TEA.

Ele é representado simbolicamente por círculos coloridos de tamanhos diferentes. E a borda do copo representa o limite.

Há uma comparação entre a genética da mãe, do pai e as variantes ambientais. As pessoas que ultrapassam esse limite estão dentro do espectro.

No modelo de copo, os meninos e homens são representados por copos de tamanho menor em relação ao sexo feminino.

Pesquisas apontam que mulheres autistas precisam ter um número maior de variantes genéticas para desenvolver o transtorno.

Isso mostra que as mulheres são mais resistentes a mutações genéticas que causam o autismo. É como se o copo da mulher fosse maior.

Por isso, é mais comum homens autistas do que mulheres — a prevalência é de quatro meninos para uma menina.

Pesquisas em todo o mundo

Hoje, sabe-se que o TEA pode ocorrer devido alguma falha no processo do desenvolvimento cerebral causado por defeitos nos genes que controlam o crescimento do cérebro. E eles também regulam a forma como os neurônios se comunicam (sinapses).

Esses estudos são importantes porque geram descobertas importantes sobre as origens biológicas do TEA. O autismo é um transtorno que afeta a estrutura e a função dos neurônios no cérebro.

Pesquisas mostram que os neurônios de pessoas com autismo são mais curtos e possuem menos ramificações. Por conta disso, apresentam dificuldades de linguagem, comunicação e socialização.

Se os genes ligados ao autismo forem encontrados, será possível contribuir com o processo de diagnóstico precoce. E também definir quais terapias podem ser mais eficientes, de acordo com cada caso.

Outra pergunta muito comum quando o assunto é a causa do TEA é quanto a hereditariedade.

O gatilho do autismo é a genética, na maioria dos casos é hereditário, e em outras vezes é causado por mutações novas no embrião e não significa que foi passado pelos pais.

O autismo geralmente ocorre devido a interrupção do desenvolvimento normal do cérebro no início do desenvolvimento fetal, causada por defeitos nos genes que controlam o crescimento do cérebro e que regulam como os neurônios se comunicam.

Atualmente, há também estudos que visam encontrar formas de alterar a atividade desses genes farmacologicamente, com o intuito de gerar novos medicamentos.

Medicina personalizada

Outra vantagem de saber as variantes genéticas do autismo é no futuro poder desfrutar da medicina personalizada ou de precisão.

É uma adaptação do tratamento médico de acordo com as características individuais de cada paciente segundo a sua genética.

Com isso, os médicos podem selecionar uma terapia mais adequada, de acordo com o perfil molecular da pessoa.

E o mapeamento genético poderá ser uma ferramenta importante  para aumentar os estudos, os diagnósticos e as terapias voltadas para pessoas com autismo. Isso será benéfico tanto para os autistas quanto para  suas famílias.

Referências:

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25038753/

https://www.revistaautismo.com.br/artigos/autismo-x-genetica/https://www.genome.gov/Genetic-Disorders/Autism

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O papel do psicopedagogo no autismo

O psicopedagogo busca compreender como a aprendizagem ocorre para cada indivíduo e as dificuldades que a pessoa encontra nesse processo.

Sendo assim, sua atuação é bastante abrangente e o profissional lida com questões psicológicas, pedagógicas, afetivas e cognitivas.

Por isso, ele acompanha a criança ou adolescente com TEA e avalia como está sua aprendizagem, investiga os seus comportamentos e até mesmo elabora estratégias para realizar intervenções sempre que necessário.

Cabe ao psicopedagogo, impulsionar e facilitar o desenvolvimento cognitivo da pessoa com TEA. Ele consegue por meio de diversas técnicas contribuir para que o autista entenda melhor as regras sociais e melhorar a sua convivência com as pessoas da sociedade. Ele também atua na orientação dos familiares quanto as suas posturas e também com os profissionais envolvidos diretamente com o aluno autista.

O profissional reforça a ideia de que a aprendizagem é um processo de construção. Por isso, avalia todos os comportamentos, como curiosidades, ações e interações do indivíduo com autismo para elaborar um plano de aprendizagem. É importante e necessário que o psicopedagogo aborde cada caso individualmente, respeitando as particularidades e individualidade do autista. Essa é a melhor forma para que as intervenções pedagógicas sejam eficazes e o autista consiga se desenvolver, compreender e assimilar a interação com outras pessoas.

Seu papel nas escolas

O profissional de psicopedagogia acompanha e orienta o processo de aprendizagem respeitando as habilidades de cada aluno.  E também orienta os profissionais que estão envolvidos na educação dos autistas.  Por isso, dá instruções sobre como os professores podem contribuir e facilitar o aprendizado do aluno autista. Ele comparece em reuniões escolares, por exemplo, e conversa com os professores para entender as dificuldades e problemas comportamentais apresentados dentro da sala de aula.

Também cabe a ele direcionar uma rotina diária para oferecer uma previsibilidade de acontecimentos permitindo que a criança entenda o que está acontecendo a sua volta e tenha mais tranquilidade, menos angústia, ansiedade e frustração.

Por isso, ele organiza as atividades que serão desenvolvidas e planeja o que será feito em casa e até mesmo dentro da sala.

O psicopedagogo ajuda a reforçar positivamente os comportamentos adequados e ensina a criança com TEA o que deve ser feito em determinada situação.

Para isso, repete e ensina quantas vezes forem necessárias com paciência e respeito às dificuldades encontradas pelo autista.

O profissional também fica responsável de averiguar se criança com TEA está sendo incluída na escola, se suas necessidades estão sendo atendidas, se o ambiente escolar é o ideal e se os professores são qualificados e pacientes e também se o material didático é eficiente para os indivíduos com autismo.

O psicopedagogo trabalhará sobre os problemas já existentes com a intenção de minimizá-los. Por isso, elaborará um plano de intervenção, com o objetivo de eliminar os conflitos ou problemas de aprendizagens apresentados. Provavelmente, esse trabalho será realizado em conjunto com a instituição de ensino e os pais dos alunos.

A oportunidade de ser acompanhado por um psicopedagogo é importante já que ajuda a criança a ser estimulada, a desenvolver as suas potencialidades e a ser mais sociável.

E esses avanços podem ser realizados de forma lúdica para que ocorra o desenvolvimento da aprendizagem e melhora no rendimento escolar. Esse profissional faz a intermediação entre os professores e aluno visando manter um vínculo prazeroso e saudável.

Algumas escolas possuem psicopedagogos disponíveis que fazem o acompanhamento dos alunos e podem ajudar as crianças com autismo.

Há também a possibilidade de contratar uma consultoria de um pedagogo para que ele acompanhe o indivíduo com autismo de forma individual e pontual.

O psicopedagogo também pode trabalhar com a Análise de Comportamento Aplicada (ABA) para melhorar os comportamentos das pessoas autistas no ambiente escolar.

Referências:

Manejo comportamental de crianças com Transtorno do Espectro do Autismo em condição de inclusão escolar. Disponível em:<https://especialdeadamantina.files.wordpress.com/2014/09/tgd_manejo- comportamental.pdf.

Autismo: intervenções psicoeducacionais: http://www.scielo.br/pdf/rbp/v28s1/a07v28s1.pdf

 

 

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Esquizofrenia-e-autismo-qual-é-a-relação

Esquizofrenia e autismo: qual é a relação?

Você sabia que inicialmente, o autismo era enquadrado como uma forma de esquizofrenia? Obviamente, este conceito já foi refutado. No entanto, de acordo com pesquisas, a esquizofrenia é cerca de três vezes mais comum em indivíduos com autismo. 

A esquizofrenia pode ser considerada um transtorno psiquiátrico crônico. Por isso, as pessoas com esse transtorno apresentam distorções da realidade, podendo ter delírios ou alucinações.

Estima-se que atinja cerca de 1% da população mundial. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), são 20 milhões de pessoas atingidas por essa doença mental.

Ela pode ocorrer tanto em homens quanto mulheres de todas as faixas etárias. Em homens, é comum que os sintomas apareçam no final da adolescência. Já as mulheres podem surgir os sintomas na fase adulta, perto dos 20 ou 30 anos. 

As causas da esquizofrenia não são conhecidas. Porém, pesquisadores supõem que a genética, as mudanças químicas do cérebro e do meio ambiente contribuem com o desenvolvimento desse distúrbio.

Além disso, alguns fatores de risco aumentam as chances do surgimento da Esquizofrenia. São eles:

  • ter histórico familiar de esquizofrenia;
  • complicações durante a gravidez e o parto –desnutrição ou exposição a toxinas ou vírus que afetam o desenvolvimento cerebral;
  • consumo de drogas psicoativas ou psicotrópicas durante a adolescência e juventude que mexem com o funcionamento cerebral.

Quais são os sintomas?

Inicialmente, a pessoa pode se isolar dos amigos e familiares, apresentar dificuldade de foco e concentração, problemas de sono, se irritar facilmente e ter um baixo desempenho acadêmico.

Com o passar do tempo, surgem sintomas mais característicos da esquizofrenia e que são divididos em produtivos ou negativos.

Veja detalhes abaixo:

Sintomas produtivos

  • Alucinações – a pessoa vê e vive experiências que parecem reais, mas são criadas por sua mente. Por isso, escutam vozes, enxergam pessoas que não estão lá, por exemplo.
  • Delírios – ilusões sobre algo, apesar das evidências ou  fatos em contrário.
  • Transtornos do pensamento – processam as informações de forma diferente.
  • Distúrbios do movimento – realiza movimentos corporais ou posturas estranhas.

Sintomas negativos

Envolvem as emoções e comportamentos. Entre eles, estão:

  • pensamento desorganizado;
  • dificuldade em controlar impulsos;
  • respostas emocionais atípicas;
  • falta de emoção ou expressões faciais;
  • perda de interesse pela vida;
  • isolamento social;
  • dificuldade para realizar as atividades do dia a dia.

Tipos esquizofrenia

Há quatro tipos de esquizofrenia: a paranoide, em que há alucinações e delírios; a hebefrênica – em que hápensamentos e discursos desconexos; a catatônica, onde a pessoa tem mais alterações posturais e resistência ao tentarem mudar a sua posição do indivíduo e a simples quando não há  delírios ou alucinações mas há perda de  afetividade e da capacidade de interagir com pessoas.

Diagnóstico e tratamento

É muito importante receber um diagnóstico precoce para ter mais qualidade de vida. Não há exames de imagem ou clínicos que identifiquem a esquizofrenia. Geralmente, o diagnóstico é realizado por um psiquiatra após análise dos sintomas e entrevistas com familiares.

A esquizofrenia não tem cura, mas existem tratamentos que conseguem controlar e reduzir os sintomas.

Geralmente, indicam-se alguns medicamentos e terapia para quem sofre com esquizofrenia.

Em casos mais graves e períodos de crise, a hospitalização pode ser necessária para garantir a segurança da pessoa e também ter a certeza que está se alimentando e realizando a higiene de forma adequada.

Se a esquizofrenia não for tratada, pode trazer problemas emocionais e afetar bastante a família da pessoa. Além disso, quem tem esquizofrenia pode ter depressão, ansiedade, pensar mais em suicídio, ter mais conflitos familiares e ate mesmo ser mais agressivo.

Sabe-se que pessoas com esquizofrenia têm de duas a três vezes mais probabilidade de morrer precocemente do que a população em geral. 

Além disso, frequentemente elas enfrentam um estigma, há discriminação e a violação dos direitos humanos de pessoas com esquizofrenia.

Referências

https://www.psychiatrictimes.com/view/autism-and-schizophrenia

https://www.spectrumnews.org/features/deep-dive/social-ties-autism-schizophrenia/

https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/schizophrenia

https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/schizophrenia/symptoms-causes/syc-20354443

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Saiba mais sobre o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)

Você já ouviu falar sobre o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)? Ele é um transtorno neurobiológico de causas genéticas que costuma aparecer na infância e acompanhar a pessoa por toda a vida.

Entre os sintomas, destacam-se: desatenção, hiperatividade, inquietude e impulsividade. O diagnóstico geralmente ocorre quando a criança tem entre 6 e 12 anos ou logo após ingressar na escola.

Estima-se que o TDAH atinja cerca de 3 a 5% das crianças em todo o mundo.

De acordo com o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 5ª Ed. 2013), o TDAH é mais comum no sexo masculino do que no feminino.

E há três graus de TDAH: leve, em que a rotina da pessoa não é afetada; moderada, quando os sintomas começam a atrapalhar as atividades; e grave quando há vários sintomas que causam problemas na rotina profissional e escolar.

Principais sintomas

Para ter um diagnóstico, o médico avaliará os sintomas que a criança apresentou nos últimos meses. O DSM-5 definiu alguns critérios para que ocorra um diagnóstico correto do TDAH. Os sintomas variam de acordo com o tipo de TDAH – hiperativo, desatento ou ambos.

Para ser diagnosticado com TDAH, é importante que a criança ou adulto tenha um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade que altere o seu desenvolvimento, aprendizagem e rotina diária. Veja alguns sinais:

– incapacidade de reconhecer as necessidades e desejos de outras pessoas. Por isso, acabam fazendo interrupções frequentes e sentem dificuldade para esperar a sua vez;

– uma criança com TDAH pode ter problemas para manter suas emoções sob controle. Podem sentir raiva em momentos inapropriados, por exemplo;

– pode mostrar interesse em muitas atividades diferentes, mas não consegue terminá-las;

– a falta de foco pode ser constante. Uma criança com TDAH apresenta dificuldade em prestar atenção, mesmo quando alguém está falando diretamente com ela;

– tendem a evitar tarefas que exigem esforço mental prolongado. Sendo assim, não conseguem prestar atenção na aula ou fazer o dever de casa;

– cometem mais erros por desatenção ou dificuldade na hora do planejamento. Mas isso não quer dizer que sejam preguiçosos ou falta inteligência;

– uma criança com TDAH também pode ser mais introspectiva, sonhar acordada e ignorar o que está acontecendo ao seu redor;

– é comum serem esquecidas nas atividades diárias. Eles podem esquecer de fazer as tarefas e também perder objetos como brinquedos por desatenção;

–  sentem dificuldades para ficar parados, agem sem pensar e possuem pouca noção de perigo. Por isso, levantam da cadeira em sala de aula a todo momento, por exemplo;

– não escutam quando lhe dirigem a palavra;

– não conseguem brincar calmamente;

– costumam falar demais e interrompem com frequência;

– na adolescência podem ter baixa autoestima, serem mais agressivos e abusar de álcool e drogas;

– os adultos sem tratamento tendem a ter problemas no ambiente de trabalho e nas relações amorosas – não conseguem ser organizados, são impulsivos e sentem dificuldade para respeitar hierarquia.

Como conviver com TDAH

Não há cura para o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, pois não é uma doença. Entretanto, há tratamento e mudanças na rotina e comportamentos de familiares que podem ajudar os pais e as crianças a conviverem com o TDAH.  Após o diagnóstico, os pais devem aceitar o fato de que as crianças com TDAH têm cérebros que funcionam de maneiras diferentes e podem ter comportamentos impulsivos.  É comum que o especialista indique uma combinação de medicamentos, além de orientar pais e professores a lidar melhor com o transtorno. Em alguns casos, indica-se a terapia comportamental.

TEA e TDAH

Podem ocorrer uma confusão entre os sintomas de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Isso porque as crianças, em ambos os casos, podem ter problemas para manter o foco, ser impulsivas, ter dificuldade em se comunicar e se relacionar.

Mas são transtornos distintos. Quem possui TEA, sente dificuldades para se desenvolver, nas habilidades de linguagem e interações sociais e a capacidade de aprender. É comum que quem possua autismo também tenha o TDAH.

O diagnóstico correto e precoce é a melhor forma de evitar que as crianças tenham o tratamento adequado para se desenvolver plenamente, de acordo com suas limitações e particularidades.

Referências:

American Psychiatric Association (2003). Transtorno de déficit de atenção e de comportamento disruptivo. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. (4ª ed).

https://www.autism.org.uk/adhd

https://add.org

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