Plasticidade cerebral e Poda neural: compreenda a conexão com o TEA

Como funciona o cérebro de uma pessoa no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)? Essa é uma pergunta que vem sendo alvo de inúmeras pesquisas em todo o mundo.

Os cientistas têm procurado compreender os mecanismos que possam estar ligados à essa “desordem neurológica” que caracteriza a condição de autismo, gerando desafios sociais, de comunicação (verbal ou não) e comportamentais.

No primeiro ano de vida de um ser humano o cérebro forma os circuitos neurais. Portanto, essa “rede”, que se assemelha a uma teia de aranha, é repleta de ligações entre os neurônios – as chamadas sinapses -, sendo a responsável por conduzir a informação que transita entre o cérebro, sistema nervoso central e organismo.

Nesse período do desenvolvimento infantil, a criança possui o dobro de sinapses que um adulto. Isso ocorre porque o cérebro lança circuitos para inúmeras atividades, já que não conhece o estilo de vida que levaremos. Como uma espécie de reserva extra.

Com o tempo, na medida em que o indivíduo recebe estímulos de aprendizagem e desenvolvimento, o cérebro passa a reconhecer quais conexões têm sido utilizadas com maior frequência e reforça esses circuitos na forma de memória.

Sobre a poda neural

Os recursos que não são utilizados vão sendo desativados. A essa exclusão, dá-se o nome de “poda neural”, um processo que ocorre dentro do cérebro, que resulta na redução do número total de neurônios e sinapses.

Esse “corte” acontece inúmeras vezes ao longo da vida, sendo mais intenso próximo aos 3 anos de idade e na adolescência, o que é benéfico para o bom funcionamento do cérebro.

Ao passo que algumas conexões vão sendo desligadas, outros neurônios vão surgindo. Isso acontece devido a plasticidade cerebral (ou neuroplasticidade), que pode ser definida como a capacidade adaptativa que o cérebro possui de se regenerar ao longo da vida, estabelecendo novas sinapses. A neuroplasticidade se trata disso.

A ideia de que o cérebro está em constante mutação, adequando-se conforme a aprendizagem, o comportamento, meio ambiente e aos processos neurais. Algumas décadas atrás, as pessoas acreditavam que, uma vez que o cérebro foi formado, era isso. Nada mais acontecia. Hoje já é sabido que esse é um processo contínuo.

É como se fosse um arbusto ou uma árvore frutífera, por exemplo. Para que cresçam fortes é preciso que sejam podados de tempos em tempos, regenerando folhas, galhos e frutos.

Mas, o que isso tem a ver com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)?

Acredita-se que nesse processo de regeneração e poda pode haver alguma falha, responsável pelo surgimento de transtornos de aprendizagem e neuronais, como o autismo. Essa dita “conectividade anormal” pode fornecer uma justificativa para a dificuldade em assimilar novas habilidades, como falar e andar, por exemplo.

Em 2014 um importante estudo realizado por neurocientistas no Centro Médico da Universidade de Columbia – que foi publicado na revista científica Neuron, trouxe à luz uma nova perspectiva quanto ao funcionamento do cérebro de um autista.

A pesquisa demonstrou que as crianças com TEA possuíam um excesso de sinapses – as conexões entre as células cerebrais, o que segundo o artigo ocorreria devido a uma ineficiência no processo de poda neural durante o processo de desenvolvimento cerebral. Portanto, devido a esse fato poderiam ocorrer os déficits neurológicos comuns no autismo.

Com base nesse achado, os cientistas relataram que pode ser possível futuramente haver um tratamento que restaure e normalize a atividade da poda sináptica, podendo controlar ou reduzir os comportamentos típicos de quem está no espectro.

Novos horizontes

No final de 2017 mais um estudo liderado por brasileiros demonstrou um importante avanço na busca por expandir conhecimento no universo do TEA.

Dessa vez os pesquisadores foram além da análise da atividade dos neurônios. Eles verificaram que outro importante grupo de células do cérebro chamadas “astrócitos” possui papel fundamental no funcionamento do sistema neuronal, sendo peça-chave para compreender o mecanismo do espectro e, assim, contribuir com o aperfeiçoamento do tratamento para o distúrbio, de maneira personalizada.

“Estas células são responsáveis por sustentar e nutrir os neurônios e estão envolvidos em diversas atividades cerebrais.

Além disso, eles regulam a concentração de diversas substâncias do sistema neuronal, tendo assim potencial para interferir nas funções cerebrais de quem tem o espectro autista”, esclarece a autora principal, a neurocientista Fabiele Russo, que também é a idealizadora do portal NeuroConecta.

Com isso percebeu-se que não deve se focar apenas em testar drogas direcionadas para tratar neurônios, mas também para os astrócitos. Leia a reportagem completa aqui no site

Leia também: https://neuroconecta.com.br/minicerebros-para-o-estudo-do-transtorno-do-espectro-do-autismo/

Referências:

Berger JM, Rohn TT, Oxford JT. Autism as the Early Closure of a Neuroplastic Critical Period Normally Seen in Adolescence. Biological systems, open access.2013;1:10.4172/2329-6577.1000118. doi:10.4172/2329-6577.1000118.Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3864123/Acessado em 21 de janeiro de 2018.

Columbia University Medical Center. Children with Autism Have Extra Synapses in Brain. Newsroom CUMC. Disponível em http://newsroom.cumc.columbia.edu/blog/2014/08/21/children-autism-extra-synapses-brain/Acessado em 21 de janeiro de 2018.

DrDonna. Why Synaptic Pruning is Good. Learning Science. Disponível em https://www.gemmlearning.com/blog/learning_science/why-synaptic-pruning-is-good/Acessado em 22 de janeiro de 2018.

Tang, Guomei et al. Loss of mTOR-Dependent Macroautophagy Causes Autistic-like Synaptic Pruning Deficits. Neuron, Volume 83 , Issue 5 , 1131 – 1143. Disponível em < http://www.cell.com/neuron/fulltext/S0896-6273(14)00651-5> Acessado em 21 de janeiro de 2018.

Russo FB et al. Modeling the Interplay Between Neurons and Astrocytes in Autism Using Human Induced Pluripotent Stem Cells. Biol Psychiatry. 2017 Oct 3. pii: S0006-3223(17)32009-7. doi: 10.1016/j.biopsych.2017.09.021. Acessado em 21 de janeiro de 2018.

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Autismo é genético?

Neste artigo vamos falar sobre a questão da genética no autismo. Até a década de 1980, autismo era considerado um distúrbio adquirido por influência do ambiente. Hoje, os pesquisadores comprovaram que a genética desempenha um papel muito importante nas causas do autismo.

Saiba mais em: O que é autismo?

Mas o que é genética?

Mas vamos lá: você sabe o que significa o termo genética?

A genética é responsável por estudar os genes individuais de uma pessoa.

O código genético presente no DNA do ser humano é responsável por fornecer instruções para a construção das proteínas que compõem o organismo todo e direcionar seu crescimento e função. Os genes são as unidades do material genético responsável pela produção de importantes ferramentas para o organismo.

E atualmente sabemos que as mutações genéticas realmente estão ligadas ao surgimento do TEA. Sabe-se que quando genético, o TEA geralmente ocorre devido a alguma falha no processo do desenvolvimento cerebral, ainda no início do desenvolvimento fetal.

Isso é causado por defeitos nos genes que controlam o crescimento do cérebro e que regulam a forma como os neurônios se comunicam entre si.

Sobre o autismo

O autismo é um transtorno que afeta a estrutura e a função dos neurônios no cérebro. Alguns pesquisadores observaram que os neurônios dos autistas são mais curtos e possuem menos ramificações e a área mais afetada é o córtex cerebral que é a camada mais externa do nosso cérebro.

Por isso, as pessoas com TEA sentem dificuldades de linguagem, comunicação e socialização.

Uma única alteração genética é suficiente para causar o TEA, mas na maioria dos casos, o autismo não ocorre apenas devido a alterações em um único gene.

O que se sabe é que envolvem distúrbios moleculares complexos em múltiplos genes importantes.  Muitas dessas mutações genéticas têm a ver com a sinapse, o espaço pelo qual o estímulo é transmitido de um neurônio para outro.

Por meio das sinapses que os neurônios se comunicam para coordenar movimentos, percepções sensoriais, aprendizados e memórias. As sinapses são estruturas que se modificam de acordo com o uso, tornando-se mais ou menos sensíveis aos estímulos e essa plasticidade é a base essencial do aprendizado e da memória.

Hereditariedade

Uma questão muito importante sobre esse assunto é que há uma confusão entre hereditariedade e genética. O autismo pode surgir devido à genética, mas nem sempre é hereditário. Ou seja, o fato de ser genético não quer dizer que o autismo é passado pelos pais em todos os casos.

O que devemos ter em mente é que a causa do TEA é uma condição multifatorial com combinação de variantes genéticas raras e comuns, que podem ou não ser herdadas.

Apesar dos estudos científicos evidenciarem que no autismo a questão genética é a principal causa do TEA, o diagnóstico do Transtorno é baseado em exame clínico, realizado por neuropediatras, psiquiatras ou outros especialistas. 

Mesmo as pesquisas sendo bastante promissoras e muito tem sido descoberto e compreendido sobre o autismo nos últimos anos, ainda não se determinou exatamente o que causa o autismo.

Um estudo publicado em 2019 pelo JAMA Psychiatry confirmou que 97% a 99% dos casos de autismo têm causa genética, sendo 81% hereditário e cerca de 1 à 3% deve ter origem ambiental.

Atualmente há mais de 1.000 genes relacionados ao autismo.  O tema é bastante complexo, mas saber que o autismo está ligado a questões genéticas aumentam as chances de realizar um diagnóstico precoce e melhorar a forma como são realizadas as condutas terapêuticas para cada autista, de acordo com suas necessidades.

E como sabemos, quanto antes o TEA for descoberto, melhores serão as perspectivas de que a pessoa se desenvolva, aumente a autonomia e conquiste a sua independência.

Saiba mais em: Sinais do Autismo – Conheça 14 sinais que são comuns em crianças com autismo

Referências:

https://gene.sfari.org/

Autism Speaks.org

https://jamanetwork.com/journals/jamapsychiatry/article-abstract/2737582

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Desenvolvendo habilidades com Musicoterapia

Musicoterapia é internacionalmente reconhecida como uma atividade clínica e regulamentada na área da saúde. Essa terapia consiste na utilização da música no contexto clínico, educacional e social e tem como objetivo auxiliar no tratamento ou prevenção de problemas de saúde mental.

Na musicoterapia, o paciente vivencia a música de forma ativa através de diversas atividades de acordo com as suas necessidades clínicas, habilidades e potenciais.

A música é composta por melodia, harmonia e ritmo de uma maneira organizada e está presente em todas as culturas conhecidas. A música vem sendo utilizada em vários contextos, desde para o entretenimento, até para acalmar crianças agitadas, liberar emoções, expressar consciência social, dentre outras funções.

Essa abordagem terapêutica vem ganhando popularidade como uma estratégia de intervenção para crianças com transtornos do desenvolvimento, incluindo o autismo, já que essa terapia ajuda na melhora da qualidade de vida desses indivíduos.

O Transtorno do Espectro do Autismo, também conhecido como TEA, atinge aproximadamente 1-2% da população, afetando substancialmente a capacidade da criança em adquirir habilidades sociais.

A aplicação de intervenções eficazes para facilitar e desenvolver as habilidades sociais é essencial devido ao impacto que essas habilidades podem ter, ao longo da vida, sobre a independência e o funcionamento desses indivíduos.

Estudos mostram que a musicoterapia é uma prática eficaz, com efeitos profundos sobre a melhoria dessas habilidades em crianças com autismo.

Benefícios que a musicoterapia pode promover para os indivíduos com autismo

  • Promover o bem estar e satisfação emocional;
  • Diminuir o estresse;
  • Ajudar a expressar sentimentos;
  • Auxiliar na comunicação;
  • Auxiliar na melhora da memória;
  • Ajudar na criatividade;
  • Ajudar na socialização e interação;
  • Diminuir a hiperatividade;
  • Trabalhar as necessidades cognitivas.

As sessões de musicoterapia devem ser conduzidas por um musicoterapeuta qualificado, podendo ser individuais ou em grupo, mas o tratamento deve ser sempre individualizado de acordo com as necessidades de cada um.

Referências:

LaGasse AB. Social outcomes in children with autism spectrum disorder: a review of music therapy outcomes. Patient Relat Outcome Meas. 2017 Feb 20;8:23-32. doi: 10.2147/PROM.S106267.

Brown LS. The Influence of Music on Facial Emotion Recognition in Children with Autism Spectrum Disorderand Neurotypical Children. J Music Ther. 2017 Mar 1;54(1):55-79. doi: 10.1093/jmt/thw017.

Ghasemtabar SN, Hosseini M, Fayyaz I, Arab S, Naghashian H, Poudineh Z. Music therapy: An effective approach in improving social skills of children with autism. Adv Biomed Res. 2015 Jul 27;4:157. doi: 10.4103/2277-9175.161584.

 

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Inclusão escolar e material adaptado

Neste artigo vamos falar sobre a inclusão escolar e a importância dos materiais adaptados nesse processo.

Um dos desafios dos pais e familiares de pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é contribuir com o processo de inclusão escolar que ainda está engatinhando aqui no Brasil.

Mas, vamos lá…você sabe o que significa inclusão escolar?

A inclusão é fazer com que o aluno se envolva nas atividades dentro da sala de aula e tenha uma experiência de qualidade.  Além de desenvolver suas habilidades, participar da rotina da escola, aprender e brincar com outras crianças.

O aluno necessita fazer parte da turma, interagir com os colegas e professores, compreender o conteúdo das aulas e se desenvolver de acordo com suas limitações e particularidades.

Inclusão não apenas ter o aluno dentro da escola!

Inclusão não é deixar o aluno isolado no canto da sala e dizer que ele está dentro da sala de aula e por isso está incluído. Não!!! Inclusão é fazer com que o aluno participe das atividades com toda a turma.

Para isso ser possível é importante que ocorra uma grande parceria entre os pais, a escola e os profissionais envolvidos na educação dessa criança.

Um fator importante nesse processo é a utilização de materiais didáticos adaptados. Isso é necessário porque muitos autistas sentem dificuldade de aprender da forma tradicional, outros conseguem acompanhar a turma, mas muitos não.

Ter esse apoio pedagógico é muito importante no  processo de aprendizagem. É importante destacar que a adaptação de materiais didáticos deve ser feita de acordo com o repertório comportamental da criança e deve atender a necessidade individual.

A adaptação dos conteúdos didáticos mantém a integridade do conteúdo no currículo, mas pode apresentá-lo em um formato diferente ou alterar o ambiente no qual o aluno aprende com base nas suas necessidades e limitações individuais.

Mas você deve estar se perguntando como deve ser esse material didático adaptado? Não há uma fórmula exata, uma vez que cada criança com o TEA é única, mas o ideal é que as tarefas complexas sejam fragmentadas em etapas e que as atividades sejam mais lúdicas.

O material didático precisa ser atraente e adequado para cada criança. Ele precisa ser objetivo, os enunciados devem ser menores e é necessário evitar longos textos que exijam uma interpretação complexa.

Também é indicado que ele contenha menos exercícios por página, pois uma página lotada de informações pode distrair a criança com autismo e tirar o foco do objetivo da atividade.

Se for possível, o conteúdo deve ter temas de interesse da criança nas atividades. Essa é uma forma para que ela seja estimulada e tenha vontade de fazer determinada atividade. Também é preciso evitar questões com duplo sentido. As metáforas e figuras de linguagem devem ser excluídas, pois elas são um desafio para crianças autistas.

Para que tudo isso seja eficaz, os pais precisam encontrar uma instituição de ensino que ofereça recursos de apoio, profissionais capacitados e que respeite o ritmo da aprendizagem da criança.

Também poderá ser necessário modificar as instruções das atividades, alterar o formato das aulas, explorar novos ambientes e usar estratégias de ensino diferenciadas. E para saber se todas essas estratégias estão funcionando é fundamental observar com regularidade o avanço do aluno e se as dificuldades persistem.

Escolher uma boa escola que atenda todos esses requisitos pode ser bastante difícil, mas é fundamental para que essa inclusão ocorra. Opte pela escola que queira incluir seu filho e sua família, além de valorizar e respeitar a pessoa com o transtorno, suas habilidades e suas diferenças.

É extremamente importante manter uma relação baseada em cooperação e apoio mútuo. Mas, vale destacar que a escola não pode se recusar a matricular o aluno com TEA. Se isso ocorrer, ela está cometendo um crime.

O aluno autista tem o direito de aprender, desenvolver suas potencialidades e participar em igualdade de condições com outros alunos.

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Educação física e seu papel no autismo

A educação física é mais uma ferramenta que pode auxiliar no desenvolvimento de habilidades na criança com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), em especial, no que cabe às aptidões sociais e motoras.

Ela contribui com a melhora do condicionamento físico e saúde de seus praticantes. Inclusive, essa é uma das disciplinas que integra a grade curricular de grande parte das escolas de ensino do País.

Assim como o organismo é nutrido pela alimentação, o corpo (músculos e etc.) é fortalecido por meio de atividades, como fazer algum esporte, dançar, correr, nadar, andar.

No caso de crianças com TEA, exercícios podem contribuir para vencer as fragilidades que apresentam no equilíbrio, coordenação, flexibilidade e planejamento motor. A ausência de atividade física na rotina do autista pode impactar na sua autonomia para realizar tarefas como caminhar, virar-se, vestir uma roupa.

Como benefícios ainda é possível citar melhora na resistência, força, flexibilidade, manutenção e perda de peso. Já no aspecto comportamental, pode se observar redução de movimentos estereotipados do autista, bem como diminuição de comportamentos agressivos.

Da mesma maneira que o profissional de qualquer outra disciplina escolar educativa deve se empenhar em ser um facilitador para que a criança no espectro possa acompanhar/assimilar os ensinamentos que lhe são propostas, o educador físico deve atuar no campo da saúde física, instruindo e acompanhando o autista, de maneira inclusiva. (confiram também a reportagem “Aprendizagem escolar dos autistas – ensino fundamental e ensino médio: como vencer desafios”)

O educador físico é o profissional qualificado que poderá oferecer o suporte necessário para que haja o melhor aproveitamento possível de cada atividade.

O educador (dentro ou fora do ambiente escolar) poderá auxiliar na escolha e frequência ideal do exercício que melhor se enquadra no perfil do autista, levando em conta suas aptidões e limitações e fornecer orientação física ou verbal para conduzir o treinamento. Inclusive, alguns estudos brasileiros conceituam como atividade física ou esportiva inclusiva aquela que leva em conta essas especificidades do TEA.

Lembre-se: praticar exercícios regularmente, desde a infância – seja ela da criança que está no espectro ou não (neurotípica), contribui para alcançar saúde e qualidade de vida, reduzindo o risco de doenças como obesidade, hipertensão, diabetes e depressão, entre outras.

Leia também:

Educação no Autismo: aprendizado como ferramenta

Referências:

Sports, Exercise, and the Benefits of Physical Activity for Individuals with Autism. Autism Speaks. February 19, 2009. Disponível em https://www.autismspeaks.org/science/science-news/sports-exercise-and-benefits-physical-activity-individuals-autism Acessado em 22 de dezembro de 2017.

Lang R, Koegel LK, Ashbaugh K, Regester A, Ence W, Smith W. Physical exercise and individuals with autism spectrum disorders: A systematic review. Research in Autism Spectrum Disorders. 2010;4:565-576. Disponível em < http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1750946710000073> Acessado em 21 de dezembro de 2017.

AGUIAR, João Serapião; DUARTE, Édison. Educação Inclusiva: um estudo na área da Educação Física. Rev. Bras. Ed. Esp. Marília, Mai/Ago de 2005, v.11, n.2, p.223-240. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbee/v11n2/v11n2a5.pdf  Acesso em 21 de dezembro de 2017.

RODRIGUES, D. A educação física perante a educação inclusiva: reflexões conceptuais e metodológicas. Boletim da Sociedade Portuguesa de Educação. Disponível em http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/RevEducFis/article/view/3649/2515  Acessado em 21 de dezembro de 2017.

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Transtorno do Processamento Sensorial -TPS- no autismo

Transtorno do Processamento Sensorial (TPS) no autismo

No artigo de hoje vamos falar um pouquinho sobre o Transtorno do Processamento Sensorial (TPS) no autismo. Você já ouviu falar sobre o TPS? Muitas crianças, jovens e adultos com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) podem apresentar também o TPS.

Estudos mostram que as habilidades sensoriais dos autistas podem ser ineficientes. Sabe-se que os estímulos sensoriais não são registrados adequadamente e também não são modulados de forma correta pelo cérebro, pelo Sistema Nervoso Central (SNC) da pessoa.

A pessoa com TPS pode apresentar por exemplo uma sensibilidade maior aos estímulos do ambiente ou ainda uma sensibilidade muito menor, que chamamos de hipersensibilidade e hipossensibilidade.

Quando há hipersensibilidade, a pessoa percebe os estímulos do ambiente com mais facilidade. Por isso, acham as luzes e as cores muito brilhantes, os sons ficam bem intensos, os odores se tornam muito fortes e as sensações táteis são interpretadas de modo profundo.

Já quem tem hipossensibilidade precisa de bastante excitação ou esforço para sentir o estímulo. Nesses casos, a pessoa costuma ser agitada, faz mais bagunça, tem pouca resposta à dor ou gosta de muito barulho, por exemplo.

Essas alterações sensoriais podem ser visuais, por exemplo, a pessoa tem dificuldades de diferenciar tamanhos, formatos e cores de objetos, calcula errado uma distancia e tem uma noção espacial pobre o que faz com que essa pessoa caia com frequência ou esbarre muito nas coisas ao redor.

Essas alterações sensoriais também podem ser auditivas (por exemplo a pessoa não suporta ambientes com muito barulho e fica tapando os ouvidos), podem ser olfativas, vestibular (que está relacionado com a sensação de movimento principalmente da cabeça. Por exemplo se a criança é hipossensivel na questão vestibular ela normalmente vai ficar pulando, rodando e girando ao redor do corpo), também podem ser gustativas e tátil (em relação ao toque e temperatura). Então todas essas questões sensoriais podem se apresentar de diferentes formas e intensidades.

Os autistas muitas vezes sentem muitas dificuldades para lidar com as diversas sensações do ambiente.  É muito comum pessoas com autismo apresentarem essas questões sensoriais e se sentir incomodados com sons, luzes, texturas, movimentos, toques e sabores. E isso pode levar a crises.

Tudo aquilo que causa uma experiência sensorial pode impactar no comportamento da pessoa com autismo. Por isso que é importante sabermos diferenciar birras de crises.

Aparentemente, o comportamento pode parecer semelhante, mas há algumas diferenças.

A birra é intencional e é usada como estratégia. A criança faz birra para chamar a atenção e pode acontecer por causa de uma frustração. A birra diminui depois de ser ignorada,  acaba após a criança receber o que quer. A birra deve desaparecer depois que a criança cresce.

Já a crise não é intencional e não é realizada como uma estratégia.  É uma forma de controlar as emoções. Não tem idade para acontecer. Ela serve para o autista se expressar, mostrar que algo não está agradando, não quer dizer que ele quer chamar atenção. Pode acontecerdevido a um estímulo sensorial. A crise passa depois de um desgaste emocional. Pode apresentar sintomas antes das crises, como balançar o corpo.

Normalmente as crises ocorrem por questões de problemas de processamento sensorial.

Essas dificuldades sensoriais são consideradas uma característica do TEA e até mesmo são usadas como um dos critérios para o diagnóstico do autismo.

No DSM-5, dentro de Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades o DSM fala sobre a possível presença de Hiper ou Hiporreatividade a estímulos sensoriais ou interesse incomum por aspectos sensoriais do ambiente.

O DSM cita como exemplo o seguinte: indiferença aparente a dor/temperatura, reação a sons ou texturas específicas, cheirar ou tocar objetos de forma excessiva, fascinação visual por luzes ou movimento.

Obviamente, esses problemas de integração sensorial podem comprometer bastante a qualidade de vida do autista e o seu desenvolvimento.

Muitas crianças com TPS por exemplo não conseguem brincar direito. Elas podem parecer desajeitadas em atividades que envolvam movimentos ou não conseguem segurar objetos. Tudo isso pode causar muito mal-estar para a criança e fazer com que ela não consiga interagir com os seus coleguinhas. Ela acaba tendo uma resposta emocional negativa a essas sensações que a incomodam.

Sinais do TPS no autismo

Cada criança é única, mas elas podem apresentar alguns comportamentos parecidos que indicam o TPS:

  • Algumas podem escolher sempre os mesmos brinquedos ou mudar de uma atividade a outra com frequência, não concluindo essas atividades.
  • Podem ser desajeitadas e esbarrar em tudo que encontram. É comum também ter dificuldades de pegar uma bola ao ser jogada, não antecipando o movimento.
  • Alguns podem apresentar dificuldades na alimentação. A alimentação costuma ser mais seletiva, escolhem alimentos com base na mesma textura ou consistência.
  • Com vestuário, as etiquetas nas roupas incomodam ou a textura do tecido pode incomodar.
  • Podem apresentar dificuldades com higiene pessoal. Por exemplo podem ficar incomodadas ao cortar as unhas e os cabelos. Atividades simples como escovar os dentes parece muito sofrido.
  • Podem se sentir desconfortáveis ao andar de carro ou com barulho de eletrodomésticos. Outro comportamento que pode ser observado é que não gostam de se sujar. Alguns também podem cheirar objetos. É comum que evitem lugares com barulho ou luzes em excesso ou que comece a balançar o corpo para controlar o ambiente externo. Para se autorregular.
  • Também é comum ficar incomodado com um simples carinho, reagindo agressivamente ou parecer ansioso com o toque. Muitos evitam o toque e estão sempre distantes das pessoas. Essas crianças podem se recusar a andar descalços, chorar quando tomam banho ou querer passar muito tempo no chuveiro.

Bom, então se você observar sinais como os que eu acabei de citar aqui você deve procurar um Terapeuta Ocupacional (TO) especialista em integração sensorial que é o principal profissional que trabalha com TPS para realizar o diagnóstico e intervenção.

O TO vai fazer uma Avaliação de Processamento Sensorial. Uma avaliação padronizada com testes fundamentados e comprovados por pesquisas científicas. Por meio dessa avaliação vai ser possível direcionar o melhor tratamento e dar mais orientações para a família e a escola.

Conhecer o perfil sensorial da criança é muito importante, pois há associação direta entre o comportamento apresentado e a maneira como uma sensação é recebida do meio ambiente.

É muito importante que o autista passe por essa avaliação e comece a realizar a terapia de integração sensorial para ganhar qualidade de vida. E sempre importante dizer que os terapeutas precisam do apoio dos pais, dos  familiares para que o tratamento seja efetivo.  A família precisa participar das terapia.

Na terapia de integração sensorial os terapeutas usam ferramentas e realizam atividades que estão presentes no cotidiano da pessoa. Geralmente, eles propõem intervenções que favorecem a recepção, o processamento e a resposta adaptativa ao meio pela integração de informações sensoriais.

A terapia de integração sensorial trabalha em várias frentes, mas fornece principalmente condições para que a criança explore o ambiente. Também promove o aumento da habilidade em manter a atenção. Ela melhora a coordenação e os movimentos para que a criança tenha sucesso nas atividades. Além disso, contribui com a autoestima e  melhora nos aspectos sociais do autista.

A terapia vai ajudar a criança com dificuldade de integração sensorial a administrar suas sensibilidades e desejos.

As técnicas de terapia de integração sensorial são simples e, em alguns casos, podem ser feitas em casa. Tais alternativas procuram trazer mais conforto a quem tem dificuldade em processar informações sensoriais. Auxiliando aqueles que tem excesso, ou falta de sensibilidade em algum dos sentidos.

Exemplos de algumas técnicas

– Toque de texturas – se a criança sente um incômodo ao tocar em determinadas texturas, o terapeuta estimula esse contato aos poucos com brincadeiras ou brinquedos como massinha de modelar. Depois que ela se acostumar com a sensação, será possível avançar para outros objetos com texturas similares.

– Tocar o corpo – é importante ter a capacidade de reconhecer o espaço que o próprio corpo ocupa no ambiente. O terapeuta pode ajudar a criança com brincadeiras a reconhecer partes do corpo com espelhos, por exemplo.

– Balanço e gira-gira – para estimular o aparelho vestibular, as crianças podem brincar em balanços ou girar o corpo para regular a noção de gravidade do corpo. Os movimentos vão ajudar a controlar o equilíbrio corporal.

– Tapete sensorial  – para quem tem pouca sensibilidade tátil pode ser uma boa ideia brincar com um tapete retangular repletos de diferentes texturas. Dessa forma, a pessoa compreende melhor o tato e estimula o cérebro para se adaptar. Ela pode segurar outros objetos e perceber seu formato.

–  Estímulo com pressão – algumas pessoas são hipossensíveis e sentem-se mais confortáveis quando estão fisicamente pressionadas. Aqui pode ser usado um cobertor pesado ou um colchão fino em cima do corpo, por exemplo. É preciso muito cuidado para a criança não  se machuque.

O terapeuta trabalha de forma individual com a criança com o TEA, de acordo com a sua dificuldade sensorial. É comum que aquelas que sentem dificuldades com texturas realizem brincadeiras com diferentes materiais como massinhas, água, papel, cola, adesivo e areia, por exemplo.

Quem é muito sensível ao toque pode passar pela dessensibilização. Ao realizar atividades que o incomodam como por exemplo escovar os dentes. Há também um dispositivo que simula a sensação física de um abraço, limitando o espaço e pressionando o corpo para gerar uma sensação de bem-estar e tranquilidade. Ele é conhecido como a máquina do abraço.

Os autistas que possuem sensibilidade a odores ou sons podem entrar em contato com brinquedos com fragrâncias ou musicais, por exemplo. O terapeuta pode experimentar diferentes tons de voz e diversos odores, avaliando sempre a reação do autista e mudando a estratégia sensorial sempre que necessário.

E no dia a dia, os pais e familiares são orientados a seguir algumas atitudes que melhoram o bem-estar e qualidade de vida dos autistas. Por exemplo, para quem sofre com a sensibilidade visual, os pais podem ser aconselhados a modificar o ambiente ou reduzir a iluminação da casa. Já quando o problema é com os sons, criam-se maneiras de reduzir os barulhos externos.

Em relação aos cheiros, pode se reduzir os perfumes, e quem apresenta dificuldade em relação ao toque, respeitam-se a suas preferências como texturas de alimentos e também explicam a importância de não tocar na pessoa sem sua permissão para que ela se sinta confortável.

Lembrando que é muito importante buscar ajuda especializada, encontrar profissionais capacitados para desenvolver a terapia de integração sensorial e melhorar a qualidade de vida dos autistas.

A longo prazo, a terapia de integração sensorial diminui a necessidade para adaptações e ajuda as pessoas a terem uma rotina normal, sem grandes limitações.

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Hora de dormir: conheça a relação entre qualidade do sono e TEA

Estima-se que até 80% das pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) podem apresentar distúrbios do sono em algum momento de suas vidas. O distúrbio do sono pode ser caracterizado por dificuldade em adormecer, agitação e insônia.

Como você se sente quando se aproxima do horário de dormir? Para aqueles que convivem com o  autismo, seja o próprio autista, seja seu familiar ou cuidador, esse pode ser um momento que gera ansiedade e tensão.

Uma noite mal dormida pode impactar não apenas aquele que está no espectro, mas também os que convivem com ele. A privação do sono pode representar impactos severos na saúde física e mental. Desde a infância, dormir contribui para o desenvolvimento da criança – tanto físico, quanto de habilidades ligadas à cognição e aprendizagem. Além disso, enquanto dormirmos o nosso organismo realiza funções vitais como reparo muscular, a consolidação da memória e a liberação de hormônios que regulam o crescimento e o apetite.

Em quem tem TEA dormir mal pode ainda agravar as fragilidades características do espectro, interferindo em aspectos como humor e comportamento, interação social, aproveitamento acadêmico e em outras atividades, até mesmo as terapêuticas, presentes na rotina do autista.

Mas o que pode causar distúrbio do sono?

– Acordar diversas vezes durante à noite e/ou ter dificuldade para pegar no sono novamente depois

– Dormir demais

– Ansiedade e estresse decorrente de circunstâncias sociais – que podem gerar insônia

– Déficit de habilidade social – o que dificulta a conexão do autista com as demais pessoas da casa durante os rituais para dormir (como colocar um pijama, reduzir ou apagar a luz, silenciar o ambiente, se deitar etc.)

– Comprometimento na produção de melatonina – hormônio responsável por regular o sono

– Sensibilidade sensorial a sons, luzes e etc. (ou ausência deles)

– Realizar atividades que podem estimular demais nos momentos que precedem o sono

– Efeitos colaterais decorrentes de medicação

– Distúrbios neurológicos como epilepsia, síndrome das pernas inquietas e problemas gastrointestinais também podem causar interferência.

Há estudos que indicam como uma das causas o fato de que quem tem TEA poder apresentar alterações nos genes que regulam o ciclo circadiano, uma espécie de “relógio” em nosso organismo que dá o ritmo das 24 horas (dia/noite), nas quais geralmente uma pessoa dorme aproximadamente 8 horas (quando adulta) e até 16 horas em média (quando bebê/criança).

Como melhorar a qualidade do sono dos autistas?

Estudos sugerem que medidas como estabelecer rotinas para dormir é o principal suporte no gerenciamento do sono de qualidade do autista.

Procure estabelecer uma espécie de “ritual” para a hora de dormir. Isso irá ajudar a criança a se acalmar e ter uma noite de sono proveitosa.

Tomar um banho, reduzir a luz e os sons do ambiente, realizar alguma atividade da qual o autista se sinta confortável (mas que não o estimule e deixe agitado), como contar uma história, podem ser boas estratégias.

É indicado evitar alimentos pesados ou oferecer bebidas que contenham cafeína. Caso necessário, introduzir como opção terapêutica associada o uso de medicamentos pode ser bem-vindo.

Essas ações podem contribuir para melhorar a qualidade de vida das crianças com TEA e também de sua família.

Referências:

Devnani PA, Hegde AU. Autism and sleep disorders. Journal of Pediatric Neurosciences. 2015;10(4):304-307. doi:10.4103/1817-1745.174438. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4770638/ Acessado em 11 de janeiro de 2018.

Sleep and Autism. The National Autism Society. Disponível em http://www.autism.org.uk/about/health/sleep.aspx Acessado em 11 de janeiro de 2018.

weide awake: Why children with autism struggle with sleep. Spectrum News. Disponível em https://spectrumnews.org/features/deep-dive/wide-awake-why-children-with-autism-struggle-with-sleep/ Acessado em 11 de janeiro de 2018.

Yang, Zhiliang et al. Circadian-relevant genes are highly polymorphic in autism spectrum disorder patients. Brain and Development , Volume 38 , Issue 1 , 91 – 99. Disponível em <http://www.brainanddevelopment.com/article/S0387-7604(15)00075-3/fulltext> Acessado em 11 de janeiro de 2018.

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Cães de serviço para autistas

Cães de serviço para autistas

Como a relação “humano-animal” pode contribuir para o desenvolvimento da pessoa com TEA

Dizem que o cão é o melhor amigo do homem. Mas, será que esta relação pode beneficiar uma pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)? A resposta é sim. Vamos compreender de que forma este convívio pode contribuir para o desenvolvimento da criança com TEA.

Assim como há cães treinados para auxiliar pessoas com deficiência visual a alcançarem autonomia na realização de suas tarefas (os cães guias), cachorros têm sido preparados para dar assistência ao autista. Estes são chamados de “cães de serviço para autistas”.

Eles recebem treinamento e certificação para ajudar a pessoa com TEA a desempenhar funções que possam ser consideradas um desafio como interagir com outras pessoas em locais públicos, como um restaurante, escola e outros. Estes cachorros devem usar uma “capa” que os identifica e permite que acessem sem restrição os lugares em que o autista vá.

Por meio do estabelecimento de uma conexão “humano-animal” é possível   contribuir com o desenvolvimento das habilidades sociais, de comunicação (verbal ou não) e comportamentais do autista. De acordo com o Autism Speaks, um cão do serviço do autismo, por exemplo, pode acompanhar uma criança e contribuir com a diminuição da ansiedade durante visitas médicas ou dentárias, atividades escolares, compras e viagens.

Alguns cães do serviço do autismo são treinados para reconhecer e interromper suavemente os comportamentos auto-prejudiciais ou ajudar a cessar um colapso emocional. Por exemplo, pode responder a sinais de ansiedade ou agitação com uma ação calmante, como encostar-se na criança (ou adulto) ou pousar suavemente sobre o colo, sentar-se ou deitar-se.

No Brasil um dos primeiros “cães de serviço para crianças com autismo” foram entregues a duas crianças com autismo e uma com distrofia muscular em janeiro de 2017, graças a uma parceria de uma marca de ração e com a empresa espanhola, que atua no desenvolvimento de cães de assistência há mais de 20 anos, estando presente em mais de 10 países no mundo, entre eles o Brasil.

Cães de estimação e Autismo

Além dos cães com habilidades categorizadas como “de serviço”, ter um cachorro ou outro animal de estimação em casa, por si só, pode ser benéfico. Reconhecido como sinônimo de lealdade, companheirismo, amizade e amor, o cachorro pode transformar a vida de uma pessoa com TEA – que observa, se relaciona e sente o mundo ao redor de maneira diferente.

Segundo o Autism Speaks, um animal bem treinado pode ser uma influência calmante para quem possui autismo. Um cão afetuoso fornece um amor incondicional e amizade.

Possuir um cão de estimação reduz o estresse e melhora significativamente a convivência em famílias que têm uma criança com TEA, conforme apontou um estudo recente (2016) desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Lincoln, no Reino Unido, publicado no American Journal of Veterinary Behavior.

Entre os benefícios apontados desta convivência estão a melhora no comportamento da criança, maior interação social, segurança, possibilidade de acesso a locais públicos, incluindo restaurantes e, até mesmo, na qualidade do sono. Há ainda pontos positivos como andar com o cão, que possibilita a prática de exercícios. E, aprender a cuidar de um cachorro ensinará responsabilidade e habilidades práticas.

Como disse o escritor norte-americano Thom Jones, “cães têm uma forma de encontrar as pessoas que deles necessitam, preenchendo um vazio que nem sequer elas sabem que tem”.

Referências

Carlisle, Gretchen K. Pet Dog Ownership Decisions for Parents of Children With Autism Spectrum Disorder. Journal of Pediatric Nursing: Nursing Care of Children and Families , Volume 29 , Issue 2 , 114 – 123. Disponível em <http://www.pediatricnursing.org/article/S0882-5963(13)00293-5/fulltext> Acessado em 3 de setembro de 2017.

 Grandgeorge M, Tordjman S, Lazartigues A, Lemonnier E, Deleau M, Hausberger M. Does Pet Arrival Trigger Prosocial Behaviors in Individuals with Autism? Plos One. Published: August 1, 2012. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0041739 Disponível em: <http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0041739> Acessado em 3 de setembro de 2017.

Hall, Sophie S. et al. The long-term benefits of dog ownership in families with children with autism. Journal of Veterinary Behavior: Clinical Applications and Research , Volume 13 , 46 – 54. Disponível em <http://www.journalvetbehavior.com/article/S1558-7878(16)30034-X/abstract> Acessado em 3 de setembro de 2017.

Service dog or therapy dog: Which is best for a child with autism? Autism Speaks. Disponível em <https://www.autismspeaks.org/blog/2016/07/15/service-dog-or-therapy-dog-which-best-child-autism> Acessado em 3 de setembro de 2017.

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O papel do fonoaudiólogo no TEA

Neste artigos vamos falar um pouco sobre o papel do fonoaudiólogo em casos de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Características do TEA

É importante destacar que uma das características do TEA é o comprometimento da linguagem, seja ela oral ou escrita e também na comunicação verbal e não verbal. Essas características são consideradas os primeiros sinais para detectar se a criança está dentro do espectro do autismo.

Os fonoaudiólogos são terapeutas especializados no tratamento de problemas de linguagem e distúrbios da fala.  Ele desempenha um papel importante na inclusão e reabilitação dos indivíduos com autismo.

Após uma avaliação, o especialista trabalhará as habilidades sociais e de comunicação de cada individuo, o que possibilitará identificar as dificuldades que serão estimuladas durante o processo terapêutico.

Uma vez que o autismo é diagnosticado, os fonoaudiólogos avaliam as melhores formas de contribuir com a comunicação e a qualidade de vida da pessoa. Ao longo da terapia, o fonoaudiólogo também trabalha em estreita colaboração com a família, a escola e outros profissionais.

O fonoaudiólogo atua no desenvolvimento da criança com autismo contribuindo para reduzir os impactos do TEA na audição e fala, além de ampliar a independência cognitiva e funcional do autista, o que facilita a sua interação social. O objetivo é ajudar a pessoa a se comunicar de maneiras mais úteis e funcionais.

Os desafios relacionados à comunicação e à fala variam de pessoa para pessoa com o TEA. Alguns indivíduos no espectro do autismo não são capazes de falar. Outros gostam de conversar, mas têm dificuldade em manter uma conversa ou entender linguagem corporal e expressões faciais quando conversam com outras pessoas.

Desenvolvimento de habilidades

Vamos destacar alguns exemplos das habilidades que a fonoaudiologia pode trabalhar com as pessoas com o TEA:

  • Fortalecer os músculos da boca, mandíbula e pescoço;
  • Treinar os sons para deixar a fala mais clara;
  • Combinar as emoções com a expressão facial correta;
  • Compreender a linguagem corporal;
  • Ensinar a conversar e a responder as perguntas;
  • Combinar uma imagem com o seu significado.
  • Contribuir com o tom de voz.

O especialista deve ser consultado logo que surgir atrasos ou dificuldade de comunicação na criança. Assim que for detectado o déficit de linguagem já é possível introduzir ações para desenvolver as habilidades da pessoa com o TEA.

Com a atuação do fonoaudiólogo, a criança passará a entender e a usar as palavras. Sendo assim, conseguirá fazer perguntar e responder, conseguirá pedir ajuda e saber quando e como começar uma conversa.

O fonoaudiólogo pode também contribuir com o aprendizado do autista. Ele consegue trabalhar a leitura e escrita da criança e o ajuda a ler e a escrever.

Além disso, há uma técnica chamada Comunicação Ampliada e Alternativa (CAA) que inclui todas as formas de interlocução que podem ser usadas para expressar pensamentos, necessidades, desejos e ideias.

O fonoaudiólogo pode trabalhar a linguagem corporal do autista e ensinar a criança a reconhecer alguns sinais corporais que podem ser bastante sutis. Pode também ajudar o autista a desenvolver as habilidades de conversação, saber quando perguntar, quando dar bom dia, por exemplo.

A terapia fonoaudiológica pode acontecer em casa, na escola ou em um consultório. O autista pode fazer essa terapia sozinho ou em pequenos grupos. O fonoaudiólogo desenvolverá atividades lúdicas e dirigidas sempre enfocando o uso da linguagem no contexto correto. 

Importância da equipe multidisciplinar

Pelo fato do TEA ser um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta as pessoas de diferentes formas na área da sociabilização, comunicação e comportamento, o fonoaudiólogo deve preferencialmente atuar em conjunto com uma equipe multidisciplinar que reúna especialistas como pediatras, neurologistas, terapeutas ocupacionais, entre outros.

É sempre importante lembrar a necessidade de buscar um especialista credenciado e capacitado para atender as necessidades de uma pessoa com o TEA.

Esse profissional será um parceiro no desenvolvimento das habilidades do autista.

Busque indicações de profissionais com pediatras ou médicos de confiança para encontrar um fonoaudiólogo capacitado para atuar diretamente com seu filho.  

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Transtorno de Aprendizagem não verbal (TANV)

Ainda pouco conhecido, o Transtorno de Aprendizagem não verbal (TANV) é uma alteração específica no funcionamento cerebral. Afeta o raciocínio matemático, a cognição visual e espacial, a coordenação motora, a percepção sensorial e as habilidades sociais.

É um transtorno específico de aprendizagem, considerado raro, atinge 1% das crianças e dos adolescentes.

Quem possui TANV apresenta um bom desenvolvimento da linguagem e vocabulário e, algumas vezes, desenvolve a leitura precoce. As causas do Transtorno ainda não foram esclarecidas, mas sabe-se que ocorre devido a uma alteração no hemisfério direito do cérebro.

As pessoas com TANV têm capacidade intelectual dentro ou acima da média, boa memória e podem demorar para receber um diagnóstico correto.

Uma questão importante é  que o TANV pode ser confundido com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) ou até mesmo com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Afeta as meninas com a mesma frequência que os meninos e tende a ocorrer com mais frequência quando há outros casos na famílias, como a maioria dos outros transtornos de aprendizagem.

Características do TANV

Há algumas áreas que as pessoas com esse Transtorno apresentam dificuldade. Muitos não entendem as imagens visuais.   A maioria das crianças com o Transtorno tem dificuldade em entender a linguagem corporal. Por isso, pode afetar também as interações sociais. 

O TANV afeta a matemática em geral, a capacidade de organização e a integração de informações visuais e motora. Sendo assim, essas pessoas podem ter dificuldade de realizar  movimentos mais complexos e são considerados “desastrados”.

Nota-se dificuldade na percepção do outro, na aceitação do novo e na mudança de rotina. Mas, essas pessoas podem ter ótimos recursos verbais e de memória. Alguns são leitores fluentes e dominam um extenso vocabulário.

Alguns sinais do problema

– Problemas de organização espaço-visual, ou seja, não distinguem rapidamente as diferenças entre formas, tamanhos, quantidades e comprimentos.

– Apresentam dificuldade em calcular distâncias.

 – Dificuldade de equilíbrio, ou seja, dificulta andar de bicicleta, amarrar cadarços e atividades esportivas.

–  Dificuldades em se ajustar a situações novas e complexas.

– Apresentam dificuldades em entender sarcasmo, humor e metáforas.

– Déficits aritméticos e na compreensão de leitura.

Como ele é identificado e as intervenções indicadas

O diagnóstico do TANV surge após uma avaliação que deve ser realizada por uma equipe de profissionais. São realizados diversos testes neuropsicológicos com o objetivo de compreender como funciona o, desempenho escolar, as habilidades motoras, o processamento visual-espacial, aritmética e o funcionamento psicossocial.

Observa-se também comportamentos, históricos genéticos, da gestação, acadêmico e as características de relacionamentos sociais. Ele avaliará o desenvolvimento da fala e da linguagem do paciente, QI verbal, QI de desempenho e desenvolvimento motor.

As crianças com TANV podem apresentar bons resultados em testes acadêmicos, como de leitura e de subtração, e mesmo assim ter dificuldades em usar esse conhecimento para a realização de tarefas mais complexas. Por isso, os pais podem demorar para procurar ajuda.

Dentre as possíveis intervenções que podem ser benéficas para essas pessoas está a terapia ocupacional, que tende a ajudar as crianças a melhorar suas habilidades motoras finas e sociais.

Algumas crianças e jovens podem precisar de ajuda de psicólogos para lidar com questão de autoestima e ansiedade. É importante que a escola e os professores sejam comunicados sobre a condição do aluno com TANV para que possam ser realizadas ações pedagógicas para melhorar o aprendizado desses alunos.

Referências

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862016000300013

https://www.psychologytoday.com/intl/conditions/nonverbal-learning-disorder

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