Conheça os principais Transtornos de Aprendizagem

Muitas crianças têm dificuldades para ler, escrever ou realizar outras tarefas relacionadas à aprendizagem em algum momento do período escolar.

Os pais e professores precisam ficar atentos se eles não possuem algum Transtorno Específico de Aprendizagem.

Nesses casos, a criança (ou jovem) é afetada pelo fato de o cérebro não receber, processar, analisar ou armazenar informações de forma adequada. Geralmente, essas crianças apresentam vários sinais que variam de pessoa para pessoa, mas não vão embora ou melhoram com o tempo.

De acordo com o DSM-5 (Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais – 5ª Edição), esses transtornos podem ser classificados como leves, moderados ou graves, gerais ou específicos, de curta ou longa duração. Quem possui algum tipo de Transtorno de Aprendizagem sente uma dificuldade pontual e específica, que está ligada a uma disfunção neurológica, sendo assim, o cérebro funciona de uma forma diferente.

Na maioria das vezes, esses transtornos de aprendizagem começam na idade escolar, embora possa não ser reconhecido até mais tarde, já na fase adulta. Envolvem  problemas contínuos que podem afetar a leitura, a escrita e os cálculos  matemáticos. Se não diagnosticado adequadamente, a pessoa com algum tipo de Transtorno de Aprendizagem pode ter problemas durante toda a vida, como baixa autoestima, baixo rendimento escolar, depressão, abandonar a escola e dificuldades para encontrar ou manter um emprego na fase adulta.  

O DSM-5 destaca que o Transtorno de Aprendizagem pode estar relacionado a fatores genéticos e ambientais e afeta a capacidade do cérebro de assimilar as informações tanto verbais (escrita ou falada) quanto não verbais (por gestos, tom de voz, postura corporal etc.). De acordo com a American Psychiatric Association, entre 5 a 15% das crianças em idade escolar (e cerca de 4% dos adultos) sofrem de transtornos específicos de aprendizagem.

Veja, a seguir, os principais tipos de Transtornos de Aprendizagem:

Dislexia

Caracteriza-se pela dificuldade de leitura e escrita. Entre os sintomas destacam-se a lentidão na aprendizagem, dificuldade de concentração, palavras escritas de forma estranha, dificuldade de soletrar, troca de letras por sons ou grafias parecidas, dificuldade em ler em voz alta e compreender. De acordo com a Associação Brasileira de Dislexia, cerca de 17% da população mundial possui esse Transtorno de Aprendizagem. O diagnóstico é realizado com ajuda de uma equipe multidisciplinar e o tratamento visa superar as dificuldades da criança e desenvolver suas habilidades para que consiga aprender de forma efetiva.

Discalculia

A dificuldade com números e compreensão dos exercícios de matemática podem ser um Transtorno de Aprendizagem. Chamado de discalculia, esse transtorno afeta a habilidade da criança de realizar cálculos matemáticos. Sendo assim, podem ter dificuldades de entender conceitos numéricos e problemas na hora de aprender operações matemáticas. Entre os sintomas, destacam-se a dificuldades na identificação visual e auditiva de números, dificuldade para contar, não compreender ou confundir os sinais matemáticos, problemas de lateralidade, trocar a ordem dos números quando copia da lousa, dificuldade de entender as horas e moedas e de estimar medidas. Estima-se que entre 3% a 6% da população mundial apresente discalculia.

Disortografia

É um distúrbio de linguagem que afeta principalmente a escrita, sendo assim, as pessoas que sofrem com esse transtorno não conseguem escrever as palavras de forma correta. Um texto escrito por uma pessoa com disortografia será cheio de erros gramaticais, que são cometidos repetidamente e isso não tem a ver com as habilidades intelectuais. Um dos erros mais comuns é o esquecimento de algumas letras em uma palavra. Como eles não dominam a escrita ou a ortografia, as pessoas com disortografia têm problemas para ler um texto. Dependendo da gravidade dos sintomas, eles podem se tornar incapazes de entender as palavras.

Disgrafia

É uma dificuldade específica de aprendizagem que afeta a habilidade de escrever. A disgrafia pode aparecer como uma dificuldade com a ortografia, caligrafia e problemas para colocar pensamentos no papel. A pessoa sente dificuldades em converter os sons da linguagem em forma escrita. Por isso, pode escrever as letras ao contrário, ter dificuldade em lembrar como as letras são formadas ou quando usar letras maiúsculas ou minúsculas. Também sente dificuldade em formar frases, usar a pontuação correta, a letra fica deformada, com espaçamento irregular, inversões e rotações das letras, podem fazer letras sobrepostas  e com espaçamento inconsistente entre as palavras.

Agora vamos descrever outras 2 condições que NÃO são consideradas Transtornos de Aprendizagem mas que impactam negativamente e atrapalham o processo de aprendizado:

Transtorno do Processamento Auditivo Central

É conhecido também como Disfunção Auditiva Central e afeta as vias centrais da audição. Sendo assim, atinge as áreas do cérebro relacionadas às habilidades auditivas e dificulta a detecção e a interpretação das informações sonoras. Dessa forma, a pessoa ouvirá, porém terá dificuldades em interpretar a mensagem recebida. Entre os sintomas destacam-se a dificuldade de memorização em atividades diárias, não conseguir ler e escrever, fadiga nas aulas, demorar a compreender o que foi falado, falta de atenção ou distração em excesso, necessidade de que a pessoa repita as frases, agitação e dificuldade para executar tarefas solicitadas.

Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividadea

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) não é um transtorno de aprendizagem mas afeta o processo de aprendizagem da criança. Entre os sintomas, destacam-se desatenção, hiperatividade e impulsividade. Costuma surgir na infância e pode acompanhar a pessoa por toda a vida. O desempenho na escola pode ser inferior ao de outras crianças, mas não devido a sua capacidade intelectual, e sim ao seu comportamento hiperativo e desatento.

Referências:

http://www.dyscalculia.org/

https://www.nhs.uk/conditions/dyslexia/

https://tdah.org.br/

https://www.psychiatry.org/patients-families/specific-learning-disorder/what-is-specific-learning-disorder

https://www.asha.org/public/speech/disorders/Learning-Disabilities/

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Sexualidade no autismo: o que é importante saber para quebrar preconceitos e tabus

As pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) também se desenvolvem sexualmente como qualquer outro indivíduo.

Por isso, é importante ajudar seu filho ou filha autista a compreender desde cedo os seus sentimentos e a se comportar de maneira adequada em relação a sexualidade, principalmente em público. E também a se proteger de abusos sexuais.

Cabe aos pais e responsáveis dar e explicações claras sobre sexo, sexualidade e como funcionam os relacionamentos. Mas ainda há muitos tabus, preconceitos e medos relacionados ao assunto.

O primeiro passo é saber que a sexualidade é mais do que apenas sexo. O autista, assim como qualquer outra pessoa também pode se sentir atraído e ter afeto pelos outros.

Muitos adolescentes com o TEA podem ter dificuldade para entender os sentimentos de intimidade, atração e afeto – em si mesmos e nos outros. Além de ter problemas para expressar seus sentimentos. Por conta disso, alguns podem ter atitudes inapropriadas.

Veja, a seguir, alguns pontos importantes sobre a sexualidade em autistas.

– Relacionamento amoroso: os autistas, na maioria das vezes, desejam ter um relacionamento romântico e manter intimidade com outras pessoas. Não há nada que impeça quem está no espectro se apaixonar ou manter um compromisso.

Mas, obviamente, as pessoas com TEA podem encontrar dificuldades de se relacionar e até mesmo enfrentar preconceitos. Algumas características do autismo que podem atrapalhar essa questão:

– dificuldade de se relacionar;

– pensamento mais rígido;

– dificuldade de identificar seus sentimentos;

– dificuldade para se comunicar;

– dificuldade de reconhecer a linguagem corporal.

Além disso, algumas pessoas com autismo, sentem dificuldade de  desenvolver uma conexão emocional profunda e duradoura com um parceiro.

– Relações sexuais: é importante ensinar o contexto de um relacionamento sexual.  É necessário explicar com uma linguagem adequada e buscar ajuda profissional se não souber como conduzir a conversa.

Também é preciso falar sobre doenças sexualmente transmissíveis, risco de gravidez e abuso sexual.

– Masturbação: o ato de se masturbar é algo natural para um jovem na puberdade. Porém, os pais e os cuidadores devem reforçar que é algo bastante íntimo, pessoal e não deve ser praticado em lugares públicos.

Pode ser útil comparar a masturbação com outras atividades que ele realiza sozinho em particular, como tomar banho ou ir ao banheiro.

Além disso, precisa ficar claro o que é lugar público e privado. Explique claramente que um lugar privado é onde outras pessoas não podem ver o que está sendo feito.

Se for necessário, prepare uma lista de lugares privado, como por exemplo o seu próprio quarto, o banheiro da sua casa e mostre imagens dos locais para facilitar o entendimento. 

– Mudanças no corpo: na puberdade ocorrem grandes mudanças nos organismo dos jovens. Nessa fase, podem surgir dúvidas sobre como cuidar do corpo.

As pessoas com autismo geralmente não gostam de mudanças. Alguns pré-adolescentes e adolescentes têm dificuldade com a ideia de que seus corpos estão mudando.

Por este motivo, é importante informar a seu filho com antecedência sobre as mudanças que ocorrerão quando ele atingir a puberdade.

As meninas podem ter dificuldade para entender como funciona a menstruarão, por exemplo.  Já os meninos podem ficar confusos em relação a ereção.

Algumas dicas importantes na hora de conversar com seu filho ou filha com TEA sobre sexualidade:

– É importante esclarecer que o sexo e a sexualidade são partes saudáveis ​​da vida;

– As crianças e jovens com TEA devem se sentir à vontade de procurar os pais para ter informações sobre a sexualidade e seus sentimentos;

– Explique sempre em um nível que as crianças e jovens possam entender;

– Use nomes corretos para as partes do corpo;

– Explique sobre segurança e limites do corpo — Isso inclui saber a diferença entre “toque bom” e “toque ruim”. Essa é uma forma de ensinar onde e quando seu corpo pode ser tocado — e sempre com sua autorização. É uma forma de proteger e respeitar seus corpos;

– Se mostre disponível para conversar sobre o assunto e esclarecer as dúvidas;

– Busque ajuda especializada se sentir receio ou não souber como orientar o jovem com TEA sobre sua sexualidade.

Referências

https://raisingchildren.net.au/autism/development/sexual-development/sexuality-teens-with-asd

https://autismawarenesscentre.com/teach-sexuality-person-asd/
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Educação inclusiva e Educação especial: qual é a diferença?

É bastante comum que os pais e cuidadores de autistas fiquem em dúvida na hora de matricular uma criança com autismo. Neste momento, é importante conhecer as melhores opções para a criança ou adolescente com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Afinal, a educação inclusiva e a educação especial são iguais?

Veja abaixo detalhes de cada uma.

O que é Educação Especial?

Segundo a lei de diretrizes e bases da educação nacional, a educação especial é “a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação” .

Dessa forma, a educação especial tem basicamente os mesmos objetivos da educação em geral, mas o atendimento deve ser feito de acordo com as limitações individuais do aluno.

Ela utiliza ferramentas didáticas especificar para contribuir com o aprendizado, segundo as dificuldades apresentadas pelo aluno, sejam físicas ou cognitivas.

Mas, a educação especial não visa cumprir um papel de integrador da criança com a sociedade.

Geralmente, são instituições de ensino regulares ou ambientes especializados em uma determinada deficiência — é o caso de escolas para pessoas surdas, deficientes visuais ou intelectual. Também há instituições voltadas aos transtornos globais de desenvolvimento ou com superdotação.

Esse sistema de ensino prega que as necessidades dessas crianças não podem ser supridas nas escolas regulares.

Geralmente, dividem as necessidades especiais aqueles que precisam de apoio e cuidados para realizar todas as atividades  pessoais e acompanhamento 24h; os que conseguem seguir regras e realizar hábitos de higiene, mas precisam de supervisão; e os com habilidades de adaptação pessoal e social e que conseguem realizar atividades simples.

Outras escolas de educação especial atendem crianças superdotadas, ou seja, que possuem uma inteligência acima da média e assim necessitam de estímulos diferentes. 

As escolas de educação especial precisam ter professores especializados, tecnologias de acessibilidade e recursos pedagógicos para atender a essas necessidades especiais.

O que é Educação Inclusiva? 

A educação inclusiva pode ser definida como um sistema educacional híbrido, ou seja,  alia a educação regular com a educação especial.

Assim  as crianças ou jovens com algum tipo de deficiência ou transtorno frequentam o ambiente escolar convivendo com outros alunos.

Dessa forma, a educação inclusiva caracteriza-se pela Educação Especial dentro da escola regular. E o objetivo é transformar a escola em um espaço para todos.

Especialistas destacam que ela favorece a diversidade, pois pressupõe que todos os alunos podem ter necessidades especiais em algum momento de sua vida escolar e o convívio pode ser benéfico para todos.

A educação inclusiva visa educar todas as crianças em um mesmo contexto escolar. Isso não quer dizer que estão negando as dificuldades e limitações  dos estudantes.

Mas, com estratégias adequadas e profissionais capacitados, o objetivo é capacitar o aluno independentemente da sua condição física e mental e ajudá-lo a se desenvolver e conviver com outras crianças.

De acordo com o Plano Nacional de Educação, essa modalidade de ensino perpassa todos os segmentos da escolarização (da Educação Infantil ao ensino superior); realiza o atendimento educacional especializado (AEE); disponibiliza os serviços e recursos próprios do AEE e orienta os alunos e seus professores quanto à sua utilização nasturmas comuns do ensino regular.

Mas, para ser efetivo para os alunos com necessidades especiais, é importante ter um projeto pedagógico inclusivo, além de ter recursos e tecnologias e ter profissionais capacitados.

Além disso, é necessário fazer adaptações nos materiais didáticos e métodos de ensino, de acordo com as limitações do aluno.

A Educação Inclusiva reforça que todas as crianças podem aprender. E respeita as diferenças dos indivíduos. Mas é um processo que está em evolução constante.

Qual é a escola mais indicada para meu filho (a) autista?

Como há diferentes graus de autismo – que variam de leve a grave, a necessidade ou apoio da pessoa com TEA  também varia.

A criança ou jovem com TEA precisa ter apoio para aprender e aperfeiçoar sua capacidade de integração social e ampliar sua percepção de mundo. A escola ideal é aquela que reforça o processo de inclusão e conta com professores, psicopedagogos e profissionais capacitados para acompanhar o desenvolvimento do autista.

Vale ressaltar que a  legislação brasileira garante o direito das pessoas com autismo de frequentar escolas regulares e também de terem o direito de ter um acompanhamento, se necessário.

A Educação Inclusiva deve ir além de apenas inserir o autista na sala de aula. É preciso inclui-lo nas atividades propostas e no ambiente como um todo. Por isso, é preciso que ocorra uma adaptação as suas necessidades e o apoio constante por parte dos pais e educadores.

Referências

https://novaescola.org.br/conteudo/57/legislacao-inclusao-autismo

https://educacaointegral.org.br/reportagens/autismo-escola-os-desafios-necessidade-da-inclusao/

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm#:~:text=LEI%20N%C2%BA%209.394%2C%20DE%2020%20DE%20DEZEMBRO%20DE%201996&text=Estabelece%20as%20diretrizes%20e%20bases%20da%20educa%C3%A7%C3%A3o%20nacional.

https://porvir.org/educacao-inclusiva-e-educacao-para-todos/

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Autismo: da adolescência para a vida adulta

Para pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), qualquer tipo de mudança pode ser um desafio e por isso a adolescência representa uma fase complicada.

A transição da adolescência para a vida adulta é um momento crucial na vida dos jovens. É uma fase de mudanças, novos conhecimentos, mais responsabilidades e bastantes incertezas.

Os pais e cuidadores desde o diagnóstico precisam enfrentar diversas barreiras para garantir a qualidade de vida e direitos dos filhos com TEA.

Nesse momento de transição para a vida adulta, o papel deles continua sendo fundamental para ajudá-los nesse processo de autodescoberta, planejamento e independência. Na adolescência, os jovens com autismo passam a ter que lidar com questões importantes como sexualidade, autoestima, ansiedade e muitas expectativas.

A pessoa com autismo moderado ou leve pode sentir dificuldades para tomar decisões ou não conseguir entender o que está acontecendo e até perceber que há algo diferente com ela. Por isso, é importante que o adolescente tenha um acompanhamento de especialistas para lidar melhor com essas questões e evitar qualquer tipo de sofrimento ou até mesmo depressão.

Independência na adolescência 

O planejamento desde cedo é importante para dar ao jovem com TEA o apoio necessário, fortalecer suas habilidades e diminuir suas limitações.

Um bom plano de transição incluirá metas de longos e curtos prazos e identificará o que será necessário para melhorar sua qualidade de vida. Precisa ser bastante específico para os interesses, habilidades e desejos do seu filho. Comece pensando como você deseja que a vida dele esteja daqui a 5 anos, 10 anos ou 20 anos. Planejar é o primeiro passo para colocar em prática as atividades e os sonhos.

Como acontece com qualquer adolescente, jovens com TEA possuem interesses específicos e atividades que proporcionam maior satisfação.

Os pais devem incentivá-lo a continuar com as atividades que o motivam. E perceber também o que ele não consegue tolerar ou fica incomodado.

Para isso, as experiências anteriores, sejam boas ou ruins, são excelentes fontes de informações relevantes para o processo de planejamento da transição.

Além disso, desde cedo, a pessoa com TEA deve reconhecer a diferença entre um estranho, amigo ou membro da família e também quais são os tipos de interações apropriadas para lidar com esses diferentes tipos de pessoas, para conseguir conviver bem em sociedade e não se prejudicar ou colocar sua vida em risco.

Faz parte do desenvolvimento da pessoa com TEA aprender a entender os sinais e se as situações em que está passando são adequadas ou se está sendo negligenciado por alguém.

Desenvolvimento de habilidades na adolescência 

O desenvolvimento das habilidades da pessoa com TEA varia muito de acordo com os estímulos que ela recebe do ambiente em que vive.

Na adolescência, os pais devem se atentar para as mudanças de comportamentos e conseguir ter uma comunicação efetiva, além de investir em acompanhamentos profissionais para que ele se desenvolva continuamente, tanto na escola quanto na vida em sociedade.

Os pais também devem incentivar os filhos a serem independentes e desenvolverem habilidades consideradas essenciais para a vida adulta.

Lembrando que essas habilidades não aparecem de forma automática para indivíduos com TEA e eles precisam ser ensinados e ter motivação para mudar um comportamento e atingir as metas.

Um adolescente com TEA pode ter dificuldade com atividades simples do dia a dia. Por exemplo, pode precisar de ajuda para tomar banho, cozinhar, limpar e lidar com dinheiro, o que pode prejudicá-lo na vida adulta.

Os pais podem ajudar dando às crianças tarefas simples de fazer desde cedo. Uma criança pequena pode aprender a colocar suas roupas sujas em um cesto, por exemplo. Com o tempo, ele aprende a separar roupas claras e escuras em duas pilhas.

Em seguida, a criança com TEA pode colocar as roupas na máquina de lavar e também aprender a importância dessa atividade para sua vida adulta. Na hora do banho, os pais devem ensiná-lo a importância do autocuidado e deixar que ele, aos poucos, consiga fazer essa atividade.

O jovem com TEA precisa saber quais são seus talentos e interesses, além de manter a autoestima elevada e ter consciência das suas dificuldades.

Muitos possuem sonhos, metas e querem entrar para o mercado de trabalho e até mesmo ter uma profissão. Para isso, precisam trabalhar desde cedo os seus potenciais e desafios que vão enfrentar na vida. A escola tem um papel importante nesse momento assim como os pais.

A ajuda multidisciplinar contribui para que o jovem conquiste a sua independência e chegue à vida adulta preparado para lidar com os desafios.

Referências:

Duncan, A.W. & Bishop, S.L. (2013) Understanding the gap between cognitive abilities and daily living skills in adolescents with autism spectrum disorders with average intelligence.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3619174/

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Saiba mais sobre o Transtorno Bipolar

Hoje vamos falar um sobre uma condição bastante comum em pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo que é o Transtorno Bipolar.

Provavelmente, você já escutou  alguém sendo chamado de bipolar quando estão se referindo a uma pessoa que muda de humor ou opinião rapidamente e de forma repentina.  

Mas, o Transtorno Bipolar vai muito além dessa característica e é um assunto bastante sério que pode afetar até 30% das pessoas com autismo, de acordo com diversas pesquisas. E estima-se que esse Transtorno Bipolar atinja cerca de 1-2% da população.

Por ser bastante comum em pessoas com autismo é importante reconhecer os sinais e os sintomas de cada Transtorno para que ocorra o diagnóstico e a pessoa com autismo e bipolaridade possa ter mais qualidade de vida. Mas por que isso acontece?

Algumas pesquisas mostram que alguns dos genes relacionados ao Transtorno Bipolar podem estar ligados ao surgimento do Transtorno do Espectro do Autismo. Mas, ainda precisam ser realizados mais estudos para entender a relação entre esses Transtornos.

Além disso, sabe-se que os transtornos bipolares estão associados a algumas alterações funcionais do cérebro como ocorre com quem tem autismo. As causas da bipolaridade variam bastante, mas os cientistas já sabem que  há componentes genéticos e ambientais.

Em alguns casos há alterações cerebrais associadas a um desequilíbrio de substâncias intracelulares envolvidas na regulação de neurotransmissores como dopamina, noradrenalina e serotonina ou alterações súbitas na estrutura ou na função de áreas cerebrais que participam da regulação do humor.

O Transtorno Bipolar causa alterações no comportamento e leva uma pessoa a oscilar bastante entre momentos de felicidade (euforia) e depressão repentinamente. São as chamadas “oscilações de humor”  e isso significa que a pessoa alterna entre a mania, que é um estado eufórico para um estado depressivo.

A intensidade do quadro pode ser leve, moderada ou grave. É bastante comum que a pessoa manifeste estados de humor variados no mesmo dia ou em curtos espaços de tempo.

Tipos de Transtorno Bipolar

Há tipos de transtorno bipolar, os mais comuns são o tipo 1 e 2. A principal diferença entre os esses dois tipos de transtornos bipolares é a gravidade dos episódios maníacos causados ​​por cada tipo.

Uma pessoa com bipolar 1 experimentará um episódio maníaco completo,  já quem tem o tipo 2 terá apenas um episódio hipomaníaco, ou seja, com menos intensidade.

Na fase maníaca, a pessoa apresenta aumento de energia, um humor eufórico e mania de grandeza. Os sinais de um episódio maníaco incluem felicidade extrema e otimismo, muita energia e agitação, autoestima inflada, distúrbios do sono e uma distração excessiva. Em geral, a mudança do comportamento é súbita e sem motivo aparente.

Eles têm pouco controle do temperamento e também podem ter compulsão por comida ou fazer uso de bebidas alcoólicas em excesso. É comum que fiquem hiperativos, agitados e falem muito. Essa fase maníaca pode durar dias e até meses.

Geralmente, a mudança do comportamento na euforia é súbita, mas a pessoa não percebe a sua alteração ou a atribui a algum fator do momento. O senso crítico e a capacidade de avaliação objetiva das situações ficam prejudicados ou ausentes, com explosões de raiva e fúria.

Também é comum que eles vivenciem um estado de mania mais leve e que traz menos prejuízo. Nesses episódios que são chamados de hipomaníacos ocorrem um aumento de energia, porém a pessoa se dispersa e perde mais tempo com detalhes.

Há também o transtorno ciclotímico, ou seja, oscilações crônicas do humor, que podem ocorrer até no mesmo dia. Por isso, a pessoa alterna sintomas de hipomania e de depressão leve. Nesses casos, esses comportamentos são confundidos com um temperamento instável ou irresponsável.

Já quando entram no episódio depressivo há uma alteração brusca de comportamento. Por isso, ficam bastante deprimidos, sem energia, falta iniciativa, perdem o prazer nas atividades, há alteração do sono e apetite e não conseguem se concentrar. Nessa fase, a pessoa fica muito para baixo, sente-se inútil, com baixa autoestima e apresenta pensamentos suicidas com frequência.

Em alguns casos, as duas fases ocorrem ao mesmo tempo. E aí os sintomas maníacos e depressivos podem ocorrer juntos ou rapidamente um após o outro. Essa situação recebe o nome de estado misto.

Sintomas do Transtorno Bipolar

Então vamos destacar os sintomas resumidamente de cada fase.

Na fase maníaca sentem-se excessivamente feliz, tem menos sono, falam muito rápido, muitas vezes com pensamentos acelerados, são extremamente inquietos ou impulsivos, distraídos em excesso, muito confiantes e envolvem-se em comportamentos de risco, como fazer sexo sem proteção ou gastam muito dinheiro.

Como a mania, a depressão também pode causar outros sintomas, como sentir-se triste ou sem esperança por longos períodos de tempo, se isolam de amigos e familiares, perdem o interesse em atividades, há mudança significativa no apetite, estão sempre com fadiga severa ou falta de energia.

Há também problemas com memória, concentração e para tomar decisões e podem pensar em suicídio com bastante frequência. Além disso, eles podem abusar do álcool, drogas ou de outras substâncias, o que piora ainda mais os sintomas.

Como podemos perceber, a bipolaridade causa muito sofrimento. Mas, apesar de começar a se manifestar na infância, adolescência ou início da idade adulta, o diagnóstico pode demorar para chegar e a pessoa fica sem o tratamento adequado por anos.

Sobre o diagnóstico do Transtorno Bipolar

O diagnóstico do transtorno bipolar é complexo, assim como o de outros problemas psiquiátricos, uma vez que  não conta com exames precisos, de sangue ou de imagem, que revelem biomarcadores que confirmem a bipolaridade. Os especialistas se valem de sinais clínicos e da evolução do paciente ao longo do tempo para fechar o quadro. Por isso, ter um especialista em bipolaridade nesse processo é fundamental.

O diagnóstico pode ser realizado com uma análise psicológica, observação de comportamentos e alterações de humor. Após o primeiro episódio, há um risco de aproximadamente 90% de a pessoa ter outro episódio em algum momento de sua vida. 

O transtorno bipolar inicia, em sua maioria, perto dos 15 aos 19 anos, apresentando um episódio depressivo como quadro inicial, mas as crianças também pode apresentar bipolaridade.

É extremamente importante que os pais conversem com os pediatras ou médicos para realizar uma avaliação assim que desconfiarem de uma comorbidade, ou seja, quando há o autismo e o transtorno bipolar na mesma pessoa.

O tratamento é realizado com medicação e intervenções comportamentais. Vale destacar, que não tem cura, pois não é uma doença, mas o Transtorno Bipolar pode ser controlado com os medicamentos adequados que estabilizam o humor.   Também pode ser necessárias as mudanças no estilo de vida, como parar de usar cafeína, álcool e outras drogas, por exemplo e aumentar os hábitos saudáveis de alimentação,  sono e redução dos níveis de estresse.

Quanto mais rapidamente o transtorno for diagnosticado, menos irá interferir na vida da pessoa.

Se você está desconfiado que algum ente querido com autismo também tem o transtorno bipolar, não deixe de procurar ajuda o quanto antes. O objetivo do tratamento é estabilizar o humor e evitar grandes variações de temperamento.

Os sintomas do transtorno bipolar podem ser difíceis de identificar em crianças e adolescentes.  O tratamento adequado e realizar um acompanhamento com profissionais são fundamentais para que a pessoa com bipolaridade ganhe qualidade de vida e consiga realizar suas atividades.

Um dado bastante importante é que 50% das pessoas com Transtorno Bipolar tentam o suicídio pelo menos uma vez na vida e 15% realmente se suicidam.

Estima-se que atualmente, as pessoas levam em média dez anos para serem diagnosticados com transtorno bipolar. O desconhecimento e o preconceito sobre esse transtorno do humor são os principais motivos que levam a essa demora.

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Como realizar o processo de desfralde em pessoas com TEA?

O processo de desfralde em muitas crianças – e até mesmo adolescentes ou adultos –  com autismo pode levar mais tempo. Isso pode acontecer devido a diversas razões.

Entre elas, é o fato de as pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) terem um atraso no desenvolvimento e por isso aprendem mais lentamente novas habilidades.

Além disso, os autistas têm grande dificuldade em quebrar rotinas estabelecidas há muito tempo, sendo assim, não querem realizar o processo de desfralde e ficam ansiosos com mudanças.

Outros fatores que contribuem para essa dificuldade no processo de desfralde são os desafios de comunicação e a ansiedade que as crianças com autismo desenvolvem ao redor do banheiro.

Elas podem ter dificuldade para entender um adulto perguntando se elas querem ir ao banheiro ou simplesmente não conseguem sinalizar que precisam realizar suas necessidades fisiológicas. E muitos não têm controle muscular ou esfincteriano, o que dificulta o movimento de sentar ou “segurar” o xixi ou o cocô. Além da falta de consciência sensorial, ou seja, não percebe se a bexiga está cheia ou a fralda está úmida.

É importante ressaltar que não existe uma regra a ser seguida quanto à idade ideal para ocorrer o processo de desfralde das crianças com TEA. Isso porque cada criança tem um comportamento, reage de forma distinta e tem o seu próprio tempo para se desenvolver.

A boa notícia é que  há várias estratégias que ajudam as crianças com autismo a superar seus desafios de treinamento no banheiro.

O segredo para ter sucesso nesse processo de desfralde é ter muita dedicação e amor.

Algumas dicas para o processo de desfralde

– Comece a observar as mudanças de comportamento no seu filho. Há crianças que mudam de semblante na hora que sentem vontade de fazer xixi ou cocô. A partir disso, é possível identificar qual é o momento para agir.

– Identifique qual é a maior dificuldade que ele sente. Pode ser que ache o vaso sanitário gelado ou sinta medo por que o banheiro é diferente dos outros cômodos da casa. Por isso, torne esse lugar bastante agradável para ele. Se ele gosta de desenhos animados ou personagens, cole nas paredes. Coloque as músicas prediletas e deixe alguns brinquedos disponíveis para estimular o acesso ao banheiro.

– Crie a rotina de ir ao banheiro com a criança em períodos determinados. Pode ser de uma em uma hora ou em períodos mais alternados. É preciso ganhar a confiança da pessoa com TEA e estabelecer um ritual.

– Quando se trata de comunicação: menos é mais! Use uma linguagem simples  e direta para ajudar seu filho a entender o que ele precisa fazer.  Faça uma atividade relaxante antes de levá-lo ao banheiro para que ele fique mais tranquilo antes de começa a rotina de ir ao banheiro.

–  Nunca levante a voz ou ameace a criança. O objetivo é incentivar e ensinar. Se ele se sentir amedrontado pode atrapalhar seu desempenho e limitar seu aprendizado.

– Facilite esse aprendizado usando as roupas apropriadas para essa fase, ou seja, mais fáceis de serem tiradas; use um adaptador para vaso e banquinho ou escadinha para que ele possa subir ou descer facilmente e também apoiar os pés enquanto está sentado.

– Não se preocupe com “acidentes” no percurso. Quando o seu filho urinar ou defecar fora do lugar apropriado, minimize a discussão e não dê broncas para não reforçar o comportamento. Limpe o local e converse com ele falando que espera que ele use o banheiro da próxima vez.

– Recompense os comportamentos desejados. Identifique algumas atividades, brinquedos ou guloseimas que motivarão seu filho. Quando ele usar o banheiro, entregue essa recompensa e comemore.

– Procure padrões de comportamento quando o seu filho não conseguir usar o banheiro. Se for necessário, anote o que aconteceu. Você pode começar a perceber o que faz com que ele faça xixi fora do lugar, por exemplo. E consegue também descobrir quais são os horários em que ele parece estar mais propenso a fazer suas necessidades.

– Incentive o seu filho a se comunicar. É importante ajudar crianças com habilidades verbais limitadas a sinalizar sua necessidade de usar o banheiro. Considere incentivá-lo a usar com algum suporte visual, como uma foto de um vaso sanitário para que ele possa apontar e expressar sua vontade de ir ao banheiro.

E você, já passou por essa situação? Conte para gente como foi essa experiência durante o processo de desfralde e as dificuldades que enfrentou!

Referências:
https://www.autism.org.uk/about/health/toilet-training.aspx

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Transtorno da Comunicação Social (Pragmática) x autismo: saiba a diferença

Você já ouviu falar sobre o Transtorno da Comunicação Social (Pragmática)? Essa condição foi adicionada na última edição do DSM-5 (Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais elaborado pela Associação Americana de Psiquiatria).

As crianças com esse tipo de transtorno têm dificuldades para se comunicar, mesmo conseguindo falar. E não reconhecem o uso da linguagem em seu próprio contexto e podem ter problemas nos relacionamentos.

Essas dificuldades aparecem logo nos primeiros anos, mesmo que não sejam diagnosticadas durante a infância ou a adolescência. Muitos apresentam atrasos na fala ou linguagem e pouca vontade em falar ou interagir.

Para que uma criança receba um diagnóstico do Transtorno da Comunicação Social é preciso avaliar os seguintes sintomas ou sinais:

– Dificuldades para aprender regras básicas de conversação – não consegue iniciar uma conversa, permanecer conversando ou responde algo que não tem nada a ver com o assunto;

– Não se adapta aos diferentes contextos;

– Dificuldade para entender piadas, sarcasmos e duplo sentido;

– Não compreendem as regras sociais e a linguagem não-verbal, como expressões faciais;

– Incapacidade de se comunicar efetivamente com a família, amigos na escola ou em outros ambientes.

Como ter o diagnóstico correto

O Transtorno da Comunicação Social foi anteriormente considerado parte do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), mas seus sintomas agora merecem um diagnóstico independente. Uma das principais diferenças entre os Transtornos é que as crianças com autismo têm dificuldades de comunicação, mas também apresentam comportamentos repetitivos. Muitos profissionais diagnosticaram erroneamente crianças com o Transtorno da Comunicação Social e confundiram com o autismo.

Por isso, é importante avaliar os seguintes comportamentos de pessoas com TEA para descartar o diagnóstico:

–      Movimentos corporais repetidos, como balançar, bater, pular, girar;

–      Fixação obsessiva em rotinas e rituais;

–      Repetição excessiva de sons, sílabas, palavras e / ou frases;

–      Sensibilidade sensorial extrema;

–      Dificuldade para lidar com qualquer interrupção na rotina.

Se seu filho foi diagnosticado com autismo, mas não apresenta os comportamentos restritivos, repetitivos, ele deve ser reavaliado para ter um diagnóstico correto. Você pode descobrir que ele tem o Transtorno da Comunicação Social.

Um diagnóstico correto permitirá ajudar a criança com Transtorno de Comunicação Social a aprender habilidades de comunicação importantes para ter sucesso na escola, em casa e na vida social. Eles também podem ficar para trás no desenvolvimento de leitura e escrita.  Além disso, essas crianças costumam ter problemas comportamentais, como hiperatividade. É importante buscar um bom profissional para fazer uma avaliação, como um fonoaudiólogo que entenda como diagnosticar e tratar esse transtorno.

O que deve ser avaliado

A Associação Americana de Fonoaudiologia recomenda a avaliação das crianças com Transtorno de Comunicação Social em diferentes contextos. É importante observar a criança na sala de aula e em casa, além de realizar testes individuais para avaliar as habilidades de linguagem e comunicação.

Por isso, é necessário observar se a criança responde a outras pessoas, fala sobre seus sentimentos e emoções, usa gestos e movimentos da mão para se expressar, consegue ajustar o discurso de acordo com a situação ou ambiente. E também se consegue fazer comentários de acordo com o assunto da conversa. Os pais também devem se atentar se a criança consegue fazer amigos.

O tratamento deve ser específico para a pessoa com o Transtorno da Comunicação Social com foco em melhorias funcionais nas habilidades de comunicação. Sendo assim, deve enfrentar os pontos fracos relacionados à a forma de se expressar, realizar atividades que envolvam interações sociais para construir novas habilidades e estratégias e incentivar a independência.

Como agir em casa para ajudar uma pessoa com o Transtorno

Inicialmente, pode ser difícil receber o diagnóstico e ter um filho com o Transtorno de Comunicação Social. Mas há maneiras de ajudá-lo a ampliar as suas habilidades em casa. Os pais podem fazer uma leitura interativa, por exemplo. Quando estiver lendo, peça  para que ele pense sobre o que está acontecendo na história e faça perguntas para ver se ele compreendeu.  E ao falar com seu  com a criança, não se esqueça de fazer contato visual. Discuta também sobre a maneira educada de pedir ou conversar com as pessoas. E lembre-se de elogiá-lo toda vez que ele conseguir atingir algum objetivo.

Referências:

– http://www.childmind.org/en/health/disorder-guide/social-communication-disorder

– https://www.verywellhealth.com/what-is-social-communication-disorder-260230

– http://www.asha.org/public/speech/development/Pragmatics/

– https://www.understood.org/en/learning-attention-issues/child-learning-disabilities/communication-disorders/understanding-social-communication-disorder

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Diferenças entre Birras e Crises

Hoje vamos falar sobre a diferença entre as birras infantis e as crises que acontecem com as pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Inicialmente, esses dois comportamentos, as birras e as crises, parecem ser iguais, mas existem algumas diferenças pontuais.

Quem nunca presenciou uma criança fazendo birra em um local público como shoppings e restaurantes? Esse comportamento é bastante comum e costuma acontecer quando a criança está descontente ou frustrada com alguma situação.

Vamos citar aqui algumas características da birra:

  • É uma atitude é intencional
  • É usada como estratégia, já que a criança está querendo algo que lhe foi negado e se sente frustrada.
  • Outra característica da birra é que se a criança ganhar atenção, ela continua com o comportamento. Ela entende que está recebendo atenção por isso. É bem provável que ela irá repetir o comportamento depois em outro momento para conseguir atingir o mesmo objetivo.
  • Se ignorada normalmente a birra  diminui. Mas isso não significa que temos que ignorar o comportamento, pois precisamos tomar cuidado para uma birra não virar uma crise. Isso pode acontecer. O ideal é conversar com a criança, mostrar pra ela que ela apresentando aquele comportamento não vai funcionar, mas não é ideal ignorar, abandonar a criança sozinha por exemplo.

Esse comportamento de Birra é mais frequente em crianças pequenas com idade entre 2 e 5 anos.

O ataque de birra começa muito antes dos berros e do choro. Geralmente começa com uma manha, um pedido que não pode ser realizado, ou por conta do sono e cansaço.

É preciso ter em mente que o cérebro de uma criança na primeira infância ainda não se desenvolveu por inteiro, além dela não dominar completamente a linguagem verbal.

Por isso, elas não conseguem ainda lidar com as frustrações surgidas em sua vida. E o papel dos pais é ensinar e mostrar que as frustrações acontecerão sim e a criança precisa aprender a lidar com isso.

Se você já se perguntou por que seu filho faz birra, saiba que não está sozinha. As pesquisas revelam que cerca de 20% das crianças apresentam algum tipo de birra pelo menos uma vez por dia. E de 50 a 80% têm birras pelo menos uma vez por semana.

Mas, os pais devem ficar atentos se essas birras não indicam algum transtorno de neurodesenvolvimento, assim como ocorre com quem tem o Transtorno do Espectro do Autismo. Muitas vezes o que a criança está apresentando é uma crise e não birra. Então é importante sabermos diferenciar birras de crises.

Muitas crianças, jovens e adultos também, com o Transtorno do Espectro do Autismo podem apresentar crises devidos a questões sensoriais, já que muitos autistas apresentam também o Transtorno de Processamento sensorial (TPS).

As habilidades sensoriais dos autistas podem ser ineficientes. Sabe-se que os estímulos sensoriais não são registrados adequadamente e também não são modulados de forma correta pelo cérebro da pessoa. A pessoa pode apresentar uma hipossensibilidade ou hipersensibilidade.

Essas alterações sensoriais podem ser visuais, podem ser auditivas (por exemplo a criança não suporte ambientes com muito barulho e fica tapando os ouvidos), olfativas, vestibular (que está relacionado com a sensação de movimento principalmente da cabeça por exemplo se a criança é hipossensivel na questão vestibular ela normalmente vai pular, ficar rodando, girar ao redor do corpo), pode ser gustativas, tátil, em relação ao toque, temperatura. Então todas essas questões sensoriais podem se apresentar de diferentes formas e intensidades.

A crise do autista é conhecida também como colapso. Algumas características das crises:

  • Não é intencional ou realizada como uma estratégia para chamar a atenção.
  • Ela é uma resposta de um limite que o autista chegou. Ou seja, o autista esta se expressando, mostrando que algo não está agradando, não quer dizer que ele quer aparecer ou chamar a atenção, diferente das birras.
  • Pode acontecerdevido a um estímulo sensorial
  • A crise passa depois de um desgaste emocional.
  • Pode apresentar sintomas antes das crises, como balançar o corpo por exemplo.

Crianças com autismo podem ser sensíveis à estimulação sensorial. Conviver em um ambiente ou situação com muito ruídos, cores, luzes e atividades ao seu redor pode ser muito estressante. Eles podem se sentir sobrecarregados e em pânico. E atualmente há muita sobrecarga de informação, o que também pode causar essas crises nos autistas. Isso porque muitas informações chegam muito rapidamente e os autistas precisam de mais tempo para processá-las.

Além disso, para uma criança não-verbal ou com habilidades verbais limitadas, a frustração de não conseguir se comunicar pode provocar raiva ou um colapso. As mudanças na rotina também são um dos fatores dessas crises, uma vez que a necessidade de previsibilidade é alta para crianças e adultos com autismo. As mudanças repentinas podem criar pânico, estresse e colapsos.

Por isso, quando um autista está em uma crise é porque ele está tentando reestabelecer o equilíbrio, estabilizando as suas emoções. E nem todos os colapsos são parecidos. Há uma variedade de comportamentos que pode ocorrer.

Alguns podem chorar, xingar, gritar, jogar coisas, bater em si mesmos ou nos outros, fugir das pessoas ou morder. As crises podem durar de minutos a horas.

As birras desaparecem lentamente quando a criança cresce, mas as crises podem nunca desaparecer. 

O que pode ser feito para ajudar um autista que está passando por uma crise ou então para evitar que elas aconteçam?

É importante destacar que a crise costuma passar depois de um desgaste emocional. Mas, os pais podem tentar acalmar a criança ou adulto e afastá-las daquilo que gerou a crise. Tentar também propor atividades que ela goste de fazer.

É preciso também dar um tempo para que o autista se recupere daquela informação ou sobrecarga sensorial. Também é importante que os pais reconheçam os gatilhos das crises, para evitar um novo episódio.

Se for possível é interessante conversar com a criança, compreender o que ela sente para encontrar uma solução junto com uma equipe de profissionais. O autista precisa se sentir acolhido, reconfortado e estar em um ambiente tranquilo. 

Vale também anotar cada vez que a criança tem uma crise para ajudar a entender as razões daquele comportamento.

É importante perceber o que a chateou e quais são os sinais de estresse que ela deu. Depois fica mais fácil para compartilhar as suas percepções com a Terapeuta Ocupacional e a equipe multiprofissional que acompanha a criança. Essa é a melhor forma de encontrar os recursos para administrar um colapso.

Então você pode fazer uma tabela de comportamento, e anotar o antecedente, que é o que aconteceu antes da crise, o que ela estava fazendo, o que desencadeou a crise? Dessa forma você conseguirá muitas vezes prever crises e evita-las.

Os sintomas antes da crise podem incluir balançar o corpo, ansiedade, pedir para sair daquele local, querer sair correndo do lugar, falta de ar, insegurança, sudorese, entre outros.

Lembrando que uma pequena mudança na rotina pode desencadear crises em pessoas autistas. Por isso, é importante ter uma rotina e horários definidos para que o autista se sinta seguro e no controle de seu ambiente. 

Outra questão importante é garantir a segurança do autista durante a crise. É comum que ele se machuque ou machuque as pessoas que estão próximas de forma involuntária.

Por isso, é necessário ter uma estratégia para esses momentos e não entrar em desespero, perder a calma ou gritar, pois isso pode piorar a situação.

Podem se necessárias algumas mudanças no ambiente em que o autista passa a maior parte do tempo para evitar os gatilhos. Por isso, é melhor evitar os ruídos altos, luzes, temperaturas elevadas e fazer o que for possível para deixar o local calmo e agradável.

É importante também que durante uma crise, a criança ou adolescente possa ter privacidade e não ser exposta. Os pais devem conversar com os professores e diretores da escola para comunicar a possibilidade de crises durante as aulas e instruir o que deve ser feito.

Agora, se você está presenciando uma birra ou uma crise, tenha empatia por aquela pessoa. Ou seja, se coloque no lugar do outro e veja a situação sem julgamentos.

Tanto para os pais quanto para os autistas, aquela situação é bastante difícil e eles merecem ser respeitados e se sentirem acolhidos pela sociedade.

Para os pais de autistas, vale destacar que uma criança ou jovem com autismo não pode controlar seus colapsos, por isso não deve ser punida por esse comportamento. A punição ou castigo pode fazer com que isso piore a situação e eles sintam vergonha, ansiedade, medo e ressentimento. Então não deve ter punição.

Compreender todo esse processo é essencial para que diminuam os episódios e a intensidade das crises e, mais uma vez, contribuir para uma melhor qualidade de vida.

Pode levar algum tempo para identificar o que funciona melhor para cada pessoa, não há uma fórmula para todos, mas é importante não desanimar e buscar ajuda profissional para garantir o bem-estar da pessoa com o TEA.

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Vencendo mitos sobre o autismo: conhecimento como arma para desconstruir inverdades

Quando se fala em Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), é possível observar que há um grande desconhecimento da sociedade em geral sobre o transtorno.

A consciência sobre o TEA tem sido aperfeiçoada, o que é muito positivo. Mas ainda há muito a ser vencido para vencer determinados “pré” conceitos que criam barreiras à evolução daqueles que estão no espectro.

A falta de conhecimento sobre o assunto, somada à propagação de inverdades sobre a condição, geram mitos que podem dificultar a compreensão, o apoio, o cuidado e acolhimento necessário para quem está no espectro. Uma barreira para que o indivíduo com TEA possa desenvolver habilidades que o possibilitem viver em comunidade, sem se sentir isolados, com qualidade de vida, independência e autonomia.

Para contribuir com a disseminação de informações que quebrem os mitos e propaguem verdades sobre o TEA, a NeuroConecta preparou um especial com cinco dos principais mitos que ainda permeiam o imaginário popular distanciando as pessoas da realidade que é vivenciar o TEA.

Nós, da NeuroConecta acreditamos que conhecimento é a maior e melhor ferramenta que há para desconstruir inverdades e vencer mitos que ainda permeiam o universo do TEA. Acompanhem.

É MITO QUE….

1) O autismo seja causado pelo comportamento da mãe

Na década de 70/80 havia a teoria “da mãe geladeira”, que dizia que a frieza das mães altamente intelectualizadas, com vida profissional ativa, distantes de seus filhos, levaria ao autismo. Esta teoria, que por anos a fio assombrou as famílias, sobretudo fazendo recair uma culpa nos pais, demonstrou-se falsa. Os estudos apontam que as causas têm se mostrado precoces, ainda na formação do sistema nervoso central dos bebês e que nada tem a ver com a criação da criança.

2) O autismo seja causado por vacinas

Outra teoria que caiu por terra refere-se à imunização. Esse é um assunto um tanto quanto polêmico, sobretudo em países como Estados Unidos. Havia este conceito equivocado de que vacinar a criança poderia desencadear o autismo. O que acontecia é que a idade em que se começa a reconhecer sinais do autismo está em torno de 2 a 3 anos de idade, mesmo período em que está ativo o calendário de vacinação das crianças.

Há um mito de que vacinas, especialmente a tríplice viral (contra sarampo, rubéola e caxumba), seja fator de risco para o espectro. A segurança das vacinas tem sido repetidamente testada em grandes grupos de pessoas. Estudos de alta qualidade envolvendo centenas de milhares de pessoas mostraram consistentemente que as vacinas não causam autismo. Portanto, até hoje não há evidências científicas que demonstrem relação entre imunização e autismo.

3) Glúten e caseína causam autismo

O glúten é uma proteína presente naturalmente em muitos cereais, como o trigo, o centeio e a cevada. Ele deve ser excluído da dieta de pessoas celíacas ou com algum tipo de alergia. Não existe evidências científicas que confirme a associação entre glúten e autismo ou que confirme que a dieta sem glúten traz algum beneficio para as pessoas com autismo

4) Pessoas no espectro não gostam de fazer amigos

Crianças e adultos no espectro, em sua grande maioria, tendem a se socializar. Portanto, não é uma verdade absoluta que não gostem de fazer amigos. Essa não é uma característica “rígida” de quem apresenta o distúrbio. A questão é que pode haver limitantes que dificultam o processo de interação social, os quais devem ser trabalhados por meio de terapias, como a Análise de Comportamento Aplicada (ABA).

O processo de conexão com as pessoas ao redor pode gerar ansiedade, mas, quando estimulado, respeitando as limitações da criança/adulto, pode ser exitoso e trazer benefícios à vida em sociedade. Fato é que o desejo de se conectar existe. Cabe à família, aos professores e aos terapeutas ajudar nesse caminho de interação social.

5) Toda pessoa com autismo tem inteligência acima da média

Esse é um dos fortes mitos que há sobre as características de um indivíduo no TEA. Na verdade, há pessoas que desenvolvem alguma habilidade cognitiva de maneira mais acentuada que outra. Pode ser exponencialmente bom em lidar com números, em aprender uma nova língua. Entretanto, isso não é comum.

Muitas crianças no espectro compartilham alguns pontos fortes, como ser aprendizes visuais ou ter uma boa memória visual. Esses pontos fortes podem ser usados em favor do desenvolvimento da criança.

Lembrem-se que crianças no espectro do autismo não experimentam o mundo da mesma forma. Portanto, devem ser estimuladas com base em suas especificidades.

6) Somente pessoas do sexo masculino podem ter autismo

Por muito tempo convencionou-se associar a condição do TEA às pessoas do sexo masculino. O autismo não escolhe gênero ou qualquer preditivo como cor ou raça, por exemplo. A verdade é que todos podem estar sujeitos a apresentar o distúrbio.

Esse “achismo” de que meninas estariam “isentas” de desenvolver o espectro pode ser derivado do fato de que, até alguns anos atrás, a prevalência de estudos voltados para compreender o espectro eram prevalentemente centrados em homens, o que pode ter facilitado o diagnóstico nesse grupo.

Essa realidade vem mudando. Pesquisadores têm observado que o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) pode, na verdade, estar sendo subdiagnosticado em pessoas do sexo feminino e haver mais mulheres no espectro do que se imagina.

No universo do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) as estimativas apontam para uma maior prevalência de casos em pessoas do sexo masculino do que feminino, sendo 1 menina para cada 4 meninos.

Mas, por que é tão difícil diagnosticar o distúrbio no sexo femino? Convidamos à leitura da matéria “Autismo em meninas: porque é tão difícil diagnosticar”

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Referências

Autism myths and causes. Autistica.org. Disponível em https://www.autistica.org.uk/what-is-autism/autism-myths-and-causes Acessado em 8 de agosto de 2018.

Myths + misconceptions about autism. Autism Awareness Australia. Disponível em http://www.autismawareness.com.au/could-it-be-autism/myths Acessado em 8 de agosto de 2018.

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Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH)

O Transtorno  do Déficit de Atenção com Hiperatividade, mais conhecido pela sigla TDAH é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e pode acompanhar a pessoa por toda a sua vida.

A criança ou adulto com TDAH apresentam sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade.

O TDAH é um transtorno bastante comum. Os levantamentos populacionais estimam que o TDAH atinja cerca de 5% das crianças, e 2,5% dos adultos em todo o mundo.

De acordo com o  DSM-5, que é o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o TDAH é mais frequente no sexo masculino do que no feminino na população em geral.

O TDAH costuma ser identificado com mais frequência durante os anos do ensino fundamental, com a desatenção ficando mais saliente e prejudicial. Na pré-escola, a principal manifestação é a hiperatividade.

Já na adolescência, sinais de hiperatividade, por exemplo correr e subir nas coisas, são menos comuns, podendo limitar-se a sensação interna de nervosismo, inquietude ou impaciência. O transtorno fica relativamente estável nos anos iniciais da adolescência, mas alguns indivíduos têm piora no curso, com o desenvolvimento de comportamentos antissociais.

Na maioria das pessoas com TDAH, sintomas de hiperatividade motora ficam menos claros na adolescência e na vida adulta, embora persistam dificuldades com planejamento, inquietude, desatenção e impulsividade. Uma proporção substancial de crianças com TDAH permanece relativamente prejudicada até a vida adulta.

Na vida adulta, além da desatenção e da inquietude, a impulsividade pode permanecer problemática, mesmo quando ocorreu redução da hiperatividade.

E como é feito o diagnóstico do TDAH?

Geralmente, os pais ou professores suspeitam do transtorno e procuram ajuda de um pediatra ou neuropediatra. E avaliando os sintomas e o histórico da criança, chega-se a um diagnóstico.

Não é preciso realizar um exame de ressonância ou qualquer outro de imagem. Durante a conversa com o médico, os pais vão relatando o que está acontecendo. O médico vai seguir os critérios do DSM5 para fechar o diagnóstico.

Critérios diagnósticos do DSM-5

De acordo com o DSM-5 os critérios diagnósticos do TDAH são os seguintes:

A) Para receber esse diagnóstico,  a pessoa  precisa apresentar um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interfira  no seu funcionamento e desenvolvimento, conforme caracterizado por (1) e/ou (2):

1. Desatenção: Seis (ou mais) dos seguintes sintomas persistem por pelo menos seis meses em um grau que é inconsistente com o nível do desenvolvimento e têm impacto negativo diretamente nas atividades sociais e acadêmicas/profissionais:

Nota: Para adolescentes mais velhos e adultos (17 anos ou mais), pelo menos cinco sintomas são necessários.

a. Frequentemente não presta atenção em detalhes ou comete erros por descuido em tarefas escolares, no trabalho ou durante outras atividades (p. ex., negligencia ou deixa passar detalhes, o trabalho é impreciso).

b. Frequentemente tem dificuldade de manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas (p.ex., dificuldade de manter o foco durante aulas, dificuldade de manter o foco em conversas ou leituras prolongadas).

c. Frequentemente parece não escutar quando alguém lhe dirige a palavra diretamente (p.ex., parece estar com a cabeça longe, mesmo na ausência de qualquer distração óbvia).

d. Frequentemente não segue instruções até o fim e não consegue terminar trabalhos escolares, tarefas ou deveres no local de trabalho (p. ex., começa as tarefas, mas rapidamente perde o foco e facilmente perde o rumo).

e. Frequentemente tem dificuldade para organizar tarefas e atividades (p. ex., dificuldade em gerenciar tarefas sequenciais; dificuldade em manter materiais e objetos pessoais em ordem; trabalho desorganizado e desleixado; mau gerenciamento do tempo; dificuldade em cumprir prazos).

f. Frequentemente evita, não gosta ou reluta em se envolver em tarefas que exijam esforço mental prolongado (p. ex., trabalhos escolares ou lições de casa; para adolescentes mais velhos e adultos, preparo de relatórios, preenchimento de formulários, revisão de trabalhos longos).

g. Frequentemente perde coisas necessárias para tarefas ou atividades (p. ex., materiais escolares, lápis, livros, instrumentos, carteiras, chaves, documentos, óculos, celular).

h. Com frequência é facilmente distraído por estímulos externos (para adolescentes mais velhos e adultos, pode incluir pensamentos não relacionados).

i. Com frequência é esquecido em relação a atividades cotidianas (p. ex., realizar tarefas, obrigações; para adolescentes mais velhos e adultos, retornar ligações, pagar contas, manter horários agendados).

2. Hiperatividade e impulsividade: Seis (ou mais) dos seguintes sintomas persistem por pelo menos seis meses em um grau que é inconsistente com o nível do desenvolvimento e têm impacto negativo diretamente nas atividades sociais e acadêmicas/profissionais:

Nota: Para adolescentes mais velhos e adultos (17 anos ou mais), pelo menos cinco sintomas são necessários.

a. Frequentemente remexe ou batuca as mãos ou os pés ou se contorce na cadeira.

b. Frequentemente levanta da cadeira em situações em que se espera que permaneça sentado (p. ex., sai do seu lugar em sala de aula, no escritório ou em outro local de trabalho ou em outras situações que exijam que se permaneça em um mesmo lugar).

c. Frequentemente corre ou sobe nas coisas em situações em que isso é inapropriado. (Nota: Em adolescentes ou adultos, pode se limitar a sensações de inquietude.)

d. Com frequência é incapaz de brincar ou se envolver em atividades de lazer calmamente.

e. Com frequência “não para”, agindo como se estivesse “com o motor ligado” (p. ex., não consegue ou se sente desconfortável em ficar parado por muito tempo, como em restaurantes, reuniões; outros podem ver o indivíduo como inquieto ou difícil de acompanhar).

f. Frequentemente fala demais.

g. Frequentemente deixa escapar uma resposta antes que a pergunta tenha sido concluída (p. ex., termina frases dos outros, não consegue aguardar a vez de falar).

h. Frequentemente tem dificuldade para esperar a sua vez (p. ex., aguardar em uma fila).

i. Frequentemente interrompe ou se intromete (p. ex., mete-se nas conversas, jogos ou atividades; pode começar a usar as coisas de outras pessoas sem pedir ou receber permissão; para adolescentes e adultos, pode intrometer-se em ou assumir o controle sobre o que outros estão fazendo).

B. Vários sintomas de desatenção ou hiperatividade-impulsividade estavam presentes antes dos 12 anos de idade.

C. Vários sintomas de desatenção ou hiperatividade-impulsividade estão presentes em dois ou mais ambientes (p. ex., em casa, na escola, no trabalho; com amigos ou parentes; em outras atividades).

D. Há evidências claras de que os sintomas interferem no funcionamento social, acadêmico ou profissional ou de que reduzem sua qualidade.

E. Os sintomas não ocorrem exclusivamente durante o curso de esquizofrenia ou outro transtorno psicótico e não são mais bem explicados por outro transtorno mental (p. ex., transtorno do humor, transtorno de ansiedade, transtorno dissociativo, transtorno da personalidade, intoxicação ou abstinência de substância

Ao fechar o diagnóstico é necessário determinar o subtipo do TDAH

Apresentação combinada: Se tanto o Critério A1 (desatenção) quanto o Critério A2 (hiperatividade-impulsividade) são preenchidos nos últimos 6 meses.

Apresentação predominantemente desatenta: Se o Critério A1 (desatenção) é preenchido, mas o Critério A2 (hiperatividade-impulsividade) não é preenchido nos últimos 6 meses.

Apresentação predominantemente hiperativa/impulsiva: Se o Critério A2 (hiperatividade- impulsividade) é preenchido, e o Critério A1 (desatenção) não é preenchido nos últimos 6 meses.

É importante Especificar se é um caso de remissão parcial: Quando todos os critérios foram preenchidos no passado, nem todos os critérios foram preenchidos nos últimos 6 meses, e os sintomas ainda resultam em prejuízo no funcionamento social, acadêmico ou profissional.

É importante especificar a gravidade atual do TDAH

Leve: Poucos sintomas, se algum, estão presentes além daqueles necessários para fazer o diagnóstico, e os sintomas resultam em não mais do que pequenos prejuízos no funcionamento social ou profissional.

Moderada: Sintomas ou prejuízo funcional entre “leve” e “grave” estão presentes.

Grave: Muitos sintomas além daqueles necessários para fazer o diagnóstico estão presentes, ou vários sintomas particularmente graves estão presentes, ou os sintomas podem resultar em prejuízo acentuado no funcionamento social ou profissional.

Causas e fatores de risco

Diversos estudos científicos são realizados no mundo todo para encontrar uma causa do transtorno. Já sabe-se que quem tem o TDAH possui alterações na região frontal do córtex e as suas conexões com o resto do cérebro. A região frontal está ligada a capacidade de prestar atenção, a memória, ao autocontrole, a organização e o planejamento.

Há também a questão da hereditariedade e a predisposição genética ao TDAH. A prevalência do transtorno entre os parentes das crianças afetadas é cerca de 2 a 10 vezes mais frequente do que na população em geral. Pesquisas mostraram  que 60% das crianças com TDAH tinham um dos pais com o transtorno e que a probabilidade da criança ter o TDAH aumentava em até oito vezes, nesses casos.

E também são estudados os casos de fatores ambientais. Substâncias ingeridas na gravidez ou mulheres que apresentaram problemas no parto, baixo peso ao nascer, são fatores que podem aumentar o risco de TDAH. 

E como que é a intervenção no TDAH?

O tratamento precoce é fundamental para melhorar a qualidade de vida de quem tem o TDAH. Ele costuma ser multidisciplinar, ou  seja, conta com o apoio de diversos especialistas como médicos neuropediatras ou psiquiatras, psicólogos, fonoaudiólogos, profissionais da área pedagógica.

A psicoterapia é muito importante e indicada. TCC – Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC).

Alguns medicamentos podem ser indicados para controlar os sintomas como a impulsividade e a desatenção.

Além disso, os medicamentos favorecem aspectos importantes  na interação social, o desenvolvimento pedagógico e o desempenho em funções profissionais.

Os pais também precisam receber orientações para lidar com uma criança com TDAH. Elas precisam ser valorizadas, elogiadas e ter a autoestima preservada.

Outra questão muito importante são as intervenções escolares. Por causa da TDAH, a criança pode ter mais dificuldade de desempenho, não conseguir se concentrar e não ter o rendimento adequado. A escola e os pais precisam ajudar as crianças a lidarem com as suas limitações e enfrentar o desafio de frequentar uma escola para aprender.

É importante manter o diálogo com os diretores e professores e saber quais são as estratégias de aprendizado que estão sendo usadas na sala de aula e se estão sendo eficientes para aquela criança com TDAH.

As crianças com TDAH que não recebem um atendimento e suporte adequados podem apresentar baixa autoestima, baixo desempenho escolar e até mesmo sofrerem bullying na escola. Já os adultos podem ter depressão, dificuldades para manter um emprego, são menos responsáveis e são mais propensos a compulsões e obesidades.

Para  os pais, é importante procurar o máximo de informações possíveis sobre o TDAH e fazer contato com outros pais para dividir experiências. É necessário ter certeza de que o tratamento está sendo feito por  profissionais que realmente entendem do assunto.

Vale lembrar que seu filho ou filha com TDAH está tentando corresponder às  expectativas esperadas, mas às vezes não consegue. Por isso, é importante ter paciência e persistência para não desanimar diante dos possíveis obstáculos.

Leia também:

https://neuroconecta.com.br/saiba-mais-sobre-o-transtorno-do-deficit-de-atencao-e-hiperatividade-tdah/

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