Saiba mais sobre a Síndrome de Rett

Você já ouviu falar da Síndrome de Rett?

Ela é definida como uma desordem do desenvolvimento neurológico, é considerada relativamente rara e afeta mais meninas. Sua incidência global é de aproximadamente uma a cada 10 mil pessoas.

A criança com a Síndrome de Rett não apresenta sintomas nos primeiros seis meses de vida. Dessa forma, com o tempo, essas pessoas desenvolvem dificuldades para realizar alguns movimentos, na coordenação e na comunicação e também apresentam dificuldades para usar as mãos, andar e se comunicar.

De acordo com a Associação Brasileira de Síndrome de Rett (Abrete), estima-se que a cada cinco horas vem ao mundo uma menina com a Síndrome.

A síndrome ocorre devido a mutações no gene MECP2 (do inglês, methyl-CpG-binding protein 2), localizado no cromossomo X. É como se desligassem determinados genes durante o desenvolvimento neuronal da criança, causando prejuízos ao desenvolvimento do sistema nervoso central.

A Síndrome de Rett foi citada pela primeira vez no final da década de 1950, mas apenas em 1983 a desordem foi reconhecida e documentada no periódico Annals of Neurology.  

Passando a partir desse momento a ser diagnosticada nos EUA. No Brasil, os primeiros casos foram publicados em 1986.

Relação com o Transtorno do Espectro do Autismo

Por muitos anos, a Síndrome de Rett foi diagnosticada de forma equivocada como autismo, paralisia cerebral ou com outro problema de desenvolvimento.

Isso porque muitos médicos ou especialistas da área da saúde não tinham informações clínicas e terapêuticas sobre o problema.

Entretanto, a Síndrome de Rett foi excluída do espectro autista do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais [DSM] da Associação Americana de Psiquiatria em 2013.

Com isso a Organização Mundial de Saúde (OMS) também retirou a Síndrome de Rett do espectro autista por considerar uma Síndrome única e distinta do autismo.

Porém, o autismo costuma aparecer com maior frequência em pessoas que têm outras condições genéticas, como nas pessoas com Síndrome de Down, Síndrome de Rett, Esclerose Tuberosa, Síndrome de Angelman e Síndrome do X-Frágil.

O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento complexo envolvendo a dificuldade de comunicação e socialização e um repertório limitado de comportamentos e interesses.

Além disso, o tempo de vida da criança com autismo é semelhante à população geral e pessoas com TEA podem ter bastante qualidade de vida. 

Muitas pessoas com a Síndrome de Rett podem viver até os 60 anos com muitas complicações. Estima-se que 70% das pessoas com a Síndrome consigam chegar até os 35 anos devido a mortes súbitas (geralmente após um quadro de pneumonia).

Outra característica das pessoas com TEA é que as crianças tendem a preferir objetos às pessoas.

Já quem possui a  Síndrome de Rett gosta de se relacionar e de atenção das pessoas, enquanto  crianças com o autismo tendem a rejeitar o contato físico.

Importância do diagnóstico correto

A gravidez de bebês com Síndrome de Rett costuma ocorrer de forma normal, assim, sem problemas gestacionais.

É muito importante que a criança com Síndrome de Rett receba um diagnóstico correto logo no início da manifestação dos sintomas para assim receber o tratamento adequado.

Para isso, é necessária a observação dos sinais que surgem nas crianças. Os testes genéticos confirmam o diagnóstico por meio da análise de DNA.

Veja os principais sintomas de acordo com os estágios

1. Os sintomas costumam ser sutis nos primeiros meses. Entre seis e 18 meses de idade, os bebês com a Síndrome de Rett fazem menos contato visual, perdem o interesse em brinquedos, demoram a sentar ou engatinhar.

2. Quando a criança está perto dos quatro anos, começa a perder a capacidade de falar e usar as mãos. Realiza assim movimentos repetitivos e involuntários.

Podem segurar a respiração, gritar ou chorar compulsivamente sem motivo. Sentem dificuldades para se mexer.

3. As dificuldades de movimento continuam, mas apresentam melhoras no comportamento – choram menos e ficam menos irritadas. Podem ter um aumento do contato visual e usar as mãos para se comunicar.

4. Possuem mobilidade reduzida, fraqueza muscular e escoliose (curvatura anormal da coluna vertebral). Nesse estágio, a criança diminui a capacidade de comunicação e de movimentação das mãos. Aumenta o risco de morte súbita.

Além disso, é comum o surgimento de outros sintomas que diferem a Síndrome de Rett do Transtorno do Espectro Autista:

– Retardo do crescimento – é comum que o crescimento do cérebro dos bebês com síndrome de Rett diminua após o nascimento.

– Convulsões – pessoas com a Síndrome de Rett apresentam episódios de convulsão em algum momento da vida. Por isso, podem ocorrer espasmos musculares e até mesmo crises de epilepsia.

– Arritmias – as crianças com a Síndrome de Rett podem ter um batimento cardíaco irregular que deve ser acompanhado por especialistas para assim, evitar complicações.

– Problemas de respiratórios – podem apresentar respiração muito rápida (hiperventilação), expiração forçada de ar, apneia (obstrução do fluxo de ar para os pulmões), entre outros.

Convivendo com a Síndrome

Ainda não há um tratamento específico para as manifestações dos sintomas da Síndrome de Rett.

Mas, assim como ocorre com quem tem TEA, há intervenções terapêuticas que podem ajudar esses pacientes a terem mais qualidade de vida. Para isso, é importante que as crianças sejam acompanhadas por especialistas desde cedo.

Portanto, um tratamento multidisciplinar com clínico geral, pediatra, fisioterapeuta, neurologista, nutricionista, terapeuta ocupacional, fonoaudióloga, podem ser indicadas de acordo com os sintomas apresentados e dificuldades encontradas pela criança ou adulto que tenha a Síndrome de Rett.

Leia também: https://blog.neuroconecta.com.br/comorbidades-comuns-no-autismo/

Referências:

http://www.abrete.org.br

https://www.webmd.com/brain/autism/rett-syndrome#1

https://www.rettsyndrome.org

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Inclusão escolar: um direito das pessoas com TEA

Quando se trata de educação, todos os pais têm esperanças, sonhos e planos para os filhos. Um dos desafios dos pais e cuidadores de pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é saber como contribuir com o processo de inclusão escolar.

É importante que ocorra uma parceria entre pais, escola e profissionais envolvidos na educação da criança no ambiente escolar.

Mas, a inclusão escolar vai muito além de fazer com que a pessoa com TEA esteja em uma sala de aula. Muitas crianças e adolescentes com TEA apresentam dificuldades na interação e na comunicação com outras pessoas, comportamentos repetitivos e pouco interesse em realizar atividades próprias da idade.

A inclusão escolar é fazer com que o aluno se envolva nas atividades e tenha uma experiência de qualidade.

Além de desenvolver suas habilidades, participar da rotina da escola, aprender e brincar com outras crianças.

O aluno necessita fazer parte da turma, interagir com os colegas e professores, compreender o conteúdo das aulas e se desenvolver de acordo com suas limitações e particularidades.

Como escolher a escola?

No Brasil, desde 2012, há a lei n. 12.764 que determina que pessoas com autismo devam frequentar escolas regulares e também têm o direito de ter um acompanhamento, se necessário.

Mesmo com isso estabelecido na legislação, os pais podem encontrar dificuldades para encontrar uma escola com disponibilidade e capacidade para lidar com as limitações de um aluno com autismo e que realmente façam uma inclusão escolar adequada.

Escolher uma boa escola pode ser difícil, uma vez que depende muito das necessidades individuais da criança.

Para que essa inclusão ocorra, a escola e a grade curricular devem ser adaptadas de acordo com o aluno com TEA.

É importante ter o apoio da direção da escola, pois a criança precisará de alguns recursos, profissionais e apoio especializado para atender às suas necessidades.

Os pais devem examinar as diferentes opções de escolas disponíveis com bastante antecedência. A maioria das escolas tem sites e é possível marcar uma visita para saber se a estrutura é adequada.

Observe a sala de aula, assim como os outros alunos e o professor com quem seu filho passará parte do tempo.

Não deixe de se encontrar com o diretor ou responsável pela escola, que juntamente com os demais educadores, garantirão a participação das famílias e dos estudantes no processo de aprendizado.

Busque estabelecer espaços de diálogo que viabilizem a participação ativa de todos os envolvidos – professores comuns, professores do atendimento educacional especializado (AEE), coordenador pedagógico, diretor, auxiliares de limpeza, merendeiros, entre outros.

Essa é a melhor forma de atingir os objetivos de aprendizagem e garantir a inclusão e a convivência com outros alunos.

Os professores e responsáveis pela educação devem identificar os interesses e as necessidades do aluno.

Com um profissional do atendimento educacional especializado nas escolas é possível identificar o que está atrapalhando ou impedindo a aprendizagem.

Escolha aquela escola que queira incluir seu filho e sua família, além de valorizar e respeitar a pessoa com o Transtorno, suas habilidades e suas diferenças.

Há a necessidade de manter uma relação baseada em cooperação e apoio mútuo.

Lembrando que a escola não pode se recusar a matricular o aluno com TEA e se a instituição dificultar seu acesso ao ambiente escolar está cometendo um crime.

LBI

De acordo com a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), o acesso à escola para crianças e adolescentes não pode ser negado em qualquer circunstância, tanto da rede pública quanto particular. E também não pode ser cobrado nenhum valor adicional nas mensalidades devido ao Transtorno.

Caso encontre dificuldades a ter direito a uma educação inclusiva, é possível entrar em contato com a Secretaria de Educação do município e até o Ministério Público para exigir os direitos do estudante.

Conseguir desenvolver suas potencialidades, participar em igualdade de condições com outros alunos é um direito da pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo.

Referências:

https://www.verywellhealth.com/educational-options-for-children-with-autism-260393

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Transtorno bipolar na infância e autismo

Pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) podem apresentar transtornos psiquiátricos associados, conhecidos como comorbidades.

Há casos de crianças que manifestam até mais de um deles. Entre eles, destaca-se o Transtorno Bipolar, conhecido como bipolaridade.

O que é o Transtorno Bipolar?

O Transtorno Bipolar ou Transtorno Afetivo Bipolar é uma condição que causaalterações de humor que vão da depressão a episódios de obsessão (maníacos). Esses ciclos podem permanecer por dias, semanas ou até meses.

Há pessoas com TEA que também apresentam bipolaridade. Além disso, é bastante frequente que as crianças com autismo sejam diagnosticadas com bipolaridade. Por isso, é importante reconhecer os sinais e os sintomas de cada um.

Como acontece com outros transtornos psiquiátricos, estudos sugerem que o Transtorno Bipolar pode ser relativamente comum entre crianças e adultos com autismo. Alguns estudos descobriram que até 27% das pessoas com autismo também apresentam sintomas de Transtorno Bipolar. Por outro lado, sua prevalência na população geral é de cerca de 4%.

Sabe-se que o Transtorno Bipolar pode estar ligado à genética. Pesquisadores identificaram alguns dos genes que podem estar relacionados ao transtorno bipolar e vários deles também podem estar ligados ao autismo. Entretanto, ainda precisam ser realizados estudos para entender a relação entre o autismo e o transtorno bipolar.

Então, os sintomas do transtorno bipolar se enquadram em duas categorias: maníacos e depressivos. Os sinais de um episódio maníaco incluem: felicidade extrema e otimismo, aumento de energia e agitação, autoestima inflada, distúrbios do sono e distração excessiva.

Já os sintomas de um episódio depressivo mostram quadros de depressão, perda de interesse em atividades normais, mudanças no apetite, perda ou ganho de peso, cansaço e perda de energia, sono intenso e falta de concentração.

Como reconhecer uma criança com autismo e transtorno bipolar?

Os sintomas incluem fala rápida e praticamente ininterrupta, irritabilidade, euforia, depressão, estimulação constante, diminuição abrupta do sono e aumento da impulsividade. Veja detalhes:

Autoestima bastante inflada

Quando uma criança não pode falar ou tem um distúrbio de comunicação, pode ser difícil identificar esse sintoma. Mas, a criança pode parecer excessivamente feliz ou rir inadequadamente ou até mesmo de forma histérica. Ela pode mostrar irritabilidade em vez de bom humor e o comportamento pode se tornar mais agressivo. As “birras” podem aumentar.

Alterações no sono

Muitas crianças com autismo podem ter problemas para dormir. Mas, os pais devem se atentar se ele está dormindo de forma excessiva e não quer mais sair da cama.

Falar mais do que o habitual

Muitas crianças e adultos com autismo e transtorno bipolar apresentam um aumento na fala e vocalizações.

Distração

A atenção é facilmente atraída para estímulos externos que não são importantes. Quem tem autismo e bipolaridade fica mais distraído do que o habitual.

Excessos

A criança pode dormir excessivamente, se autoestimular em excesso, comer compulsivamente, ir ao banheiro com mais frequência ou se envolver em qualquer outro comportamento prazeroso com mais frequência e intensidade.

O que fazer ?

É importante que os pais conversem com o médico para realizar uma avaliação logo que desconfiarem de uma comorbidade (duas condições ao mesmo tempo).

Geralmente, um psiquiatra fará o diagnóstico por meio de análise dos sintomas apresentados na criança, olhando atentamente quando se iniciaram e quanto tempo durou.

O tratamento geralmente envolve medicação, mas existem intervenções comportamentais e alternativas que também são eficazes e devem ser discutidas pelos pais e especialistas.

Referências:


– https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2590592/
– https://www.healthline.com/health/bipolar-and-autism

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Autismo

Entenda por que autismo não é doença

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o autismo não é uma doença e sendo assim, também não tem cura.

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é uma condição relacionada ao desenvolvimento do cérebro que afeta a forma como uma pessoa percebe o mundo e se socializa.

Dessa forma, elas podem ter  dificuldades de interação social e comunicação. Porém, muitas pessoas com autismo conseguem realizar todas as suas atividades diárias, enquanto outros podem necessitar de ajuda.

Entenda as diferenças entre doença, síndrome e transtorno

No campo da saúde, os termos “doença”, “síndrome” e “transtorno” são frequentemente usados, porém muitas vezes podem gerar confusão. Compreender as nuances entre esses conceitos é fundamental para uma compreensão mais clara das condições médicas e psicológicas.

Você já parou para pensar a respeito desses termos?

Inicialmente, pode parecer que estamos falando sobre alguns sinônimos. Mas, os significados são diferentes.  Veja a seguir:

O que é doença?

Doença significa, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ausência de saúde – que é o estado de completo bem-estar físico, mental e social. Sendo assim, ocorre quando o organismo apresenta sintomas específicos que alteram suas funções.

A palavra doença vem do latim dolentia que significa “sentir ou causar dor, afligir-se, amargurar-se”. Alguns exemplos: câncer, dengue, febre amarela, malária, entre outras.

O que é síndrome?

Uma síndrome é um conjunto de sinais e sintomas que ocorrem juntos e que, quando identificados em conjunto, apontam para uma condição ou doença específica.

Uma síndrome pode não ter uma causa única identificável, e seus sintomas podem variar em gravidade e apresentação. Exemplos comuns incluem a Síndrome de Down e a Síndrome do Intestino Irritável.

O que é transtorno?

Um transtorno é uma condição de saúde mental que causa sofrimento significativo e compromete o funcionamento diário de uma pessoa. Os transtornos podem afetar o humor, o comportamento, o pensamento e a interação social.

Portanto, eles geralmente são diagnosticados com base em critérios específicos estabelecidos em manuais de diagnóstico, como o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) e na CID 11.

Exemplos incluem Transtorno de Ansiedade Generalizada e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH),  o Transtorno Obsessivo Compulsivo e o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Por que o autismo não é doença e sim um transtorno?

De acordo com o último Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), o Transtorno do Espectro do Autismo “é definido pela presença de déficits persistentes na comunicação social e na interação social em múltiplos contextos, atualmente ou por história prévia”.

Além disso, apresentam padrões restritos e repetitivos de comportamento. Por isso, apresentam comportamentos sensoriais incomuns, interesses restritos, fixos e intensos.  No dia a dia, essas mudanças e situações novas geram medo, ansiedade, irritabilidade e podem causar crises e choros.

Dessa forma, o autismo não se encaixa na definição de doença, mas é considerado um transtorno que pode ser melhorado e tratado para que a pessoa possa se adequar ao convívio social e às atividades gerais. Os sintomas podem aparecer ainda nos primeiros anos de vida da criança.

Segundo estudiosos da Universidade de Miami (EUA), o primeiro sinal pode ser reconhecido pela comunicação não verbal. Nesse caso, pela forma como o bebê olha para os objetos e solicita o que deseja. O choro sem interrupção, apatia exacerbada, se incomodar com o toque também são sinais que devem ser notados pelos pais ou médicos.

As causas do autismo ainda não são totalmente conhecidas, porém, segundo a Associação Médica Americana, as probabilidades de uma criança ter autismo devido à herança genética são de mais de 50%. 

O autismo atinge 80 milhões de pessoas no mundo, ou seja, 1% da população mundial. A maioria é do sexo masculino – cerca de quatro meninos para uma menina.

Saiba mais sobre o autismo em meninas

Para melhorar a qualidade de vida e a interação social, as terapias indicadas promovem o acompanhamento do comportamento e visam aprimorar a comunicação.

E quanto antes ocorrer uma intervenção com especialistas, maiores serão os progressos nas relações afetivas e atividades diárias das pessoas que vivem com o autismo.

Referências:

https://www.who.int/about/who-we-are/

DSM-V, American Psychiatric Association – Manual de Diagnóstico e Estatístico de Distúrbios Mentais 5ªed. Edit. Artes Médicas

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Amizade como ferramenta no desenvolvimento da criança no TEA

A amizade, por definição, consiste em um “sentimento de afeição, estima, ternura etc. que une assim uma pessoa a outra”[1].

Portanto, trata-se de um vínculo que independe de idade, condição física e/ou social, sexo, cor, credo. Pode ser um laço construído entre indivíduos de uma mesma família ou entre pessoas de outros núcleos sociais dos quais fazemos parte, como uma escola ou trabalho.

Dia do Amigo

Por isso, nesse Dia do Amigo, nós da NeuroConecta queremos encorajar vocês a estimularem oportunidades para que as crianças, no espectro ou não, possam estabelecer vínculos entre elas.

Certamente, ter um amigo na infância pode contribuir com o senso de pertencimento, de inclusão, um dos fatores essenciais para o desenvolvimento sobretudo emocional da criança que está no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Além de ser um elo afetivo, o vínculo social pode contribuir com o desenvolvimento de uma criança no TEA.

Por isso, é importante compreender que essa conexão pode (e deve) ser estimulada não apenas entre aquelas que apresentam o distúrbio, mas também junto àquelas neurotípicas, que estejam fora do espectro.

O que os estudos dizem

Aliás, um estudo[2] demonstrou que crianças autistas e neurotípicas, quando estimuladas a estabelecerem vínculos sociais entre elas, eram mais receptivas umas com as outras, sendo aptas a construírem brincadeiras conjuntas e conviverem positivamente, em harmonia.

Contudo, esse “elo” de amizade começa no relacionamento da criança com sua mãe e pai. Pesquisas[3] indicam que há ligação entre a qualidade do apego entre pais-filhos e a amizade da criança com os pares; ou seja, crianças que se sentem seguras por meio do vínculo parental são capazes de formar amizades mais harmoniosas.

Além disso, para vencer determinadas limitações sociais que possam ser características do TEA, há dinâmicas de grupo de habilidades sociais[4], que integram crianças, sendo estas conduzidas por um terapeuta habilitado.

Afinal, o objetivo do grupo é ensinar as crianças a conviverem, a aprendem a se comunicar, estabelece novas amizades, controlarem suas emoções e começarem a prestar atenção nos sentimentos das pessoas que as cercam.

Portanto, uma das dicas para contribuir com o desenvolvimento social da criança no espectro é começar cedo a estimular o convívio social.

As crianças podem aprender muito umas com as outras. Inclusive, a vencer limitações.

“Ter um amigo é um tesouro sem preço” (Antoine de Saint-Exupéry, autor do clássico livro infanto-juvenil “O Pequeno Príncipe”).

Referências  

[1] Amizade. Definição via Dicionário Michaellis. Consulta online disponível em < http://michaelis.uol.com.br/busca?id=9QYO> Acessado em 20 de julho de 2018.

[2] Bauminger N, Solomon M, Aviezer A, Heung K, Brown J, Rogers SJ. Friendship in High-functioning Children with Autism Spectrum Disorder: Mixed and Non-mixed Dyads. Journal of autism and developmental disorders. 2008;38(7):1211-1229. doi:10.1007/s10803-007-0501-2. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5538879/ Acessado em 20 de julho de 2018.

[3] Berlin LJ, Dodge KA. Relations among relationships. Child abuse & neglect. 2004;28(11):1127-1132. doi:10.1016/j.chiabu.2004.07.002. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2764315/ Acessado em 20 de julho de 2018.

[4] How a social skills group can benefit your child. Stepping Stones. Disponível em https://www.steppingstonesca.com/single-post/2017/04/27/How-a-social-skills-group-can-benefit-your-child Acessado em 20 de julho de 2018.

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OMS lança nova CID. Transtorno do Espectro do Autismo integra as alterações

Lançado em 18 de junho pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a 11ª edição da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID), incluiu novas condições de saúde em seu catálogo.

Aliás, uma delas é o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Assim como o Manual de Diagnóstico e Estatísticas dos Transtornos Mentais (DSM), a CID11 uniu o TEA em um único diagnóstico.

O que mudou?

Com isso, agora o espectro do autismo está incluído como um dos transtornos do neurodesenvolvimento, recebendo seu próprio código: “6A02”, que contempla ainda subclassificações.

Sendo elas:

6A02.0 Transtorno do espectro do autismo SEM transtorno do desenvolvimento intelectual (DI) e com comprometimento leve ou ausente da linguagem funcional

6A02.1 Transtorno do espectro do autismo COM transtorno do desenvolvimento intelectual (DI) e com comprometimento leve ou ausente da linguagem funcional

6A02.2 Transtorno do espectro do autismo SEM transtorno do desenvolvimento intelectual (DI) e com linguagem funcional prejudicada

6A02.3 Transtorno do espectro do autismo COM transtorno do desenvolvimento intelectual (DI) e com linguagem funcional prejudicada

6A02.5 Transtorno do espectro do autismo COM desordem do desenvolvimento intelectual (DI) e com ausência de linguagem funcional

6A02.Y Outro transtorno do espectro do autismo especificado

6A02.Z Transtorno do espectro do autismo, não especificado

Como era na CID 10?

Anteriormente, na CID10, o autismo era classificado como Transtorno Global do Desenvolvimento. Havia várias categorias utilizadas para pessoas dentro do espectro e agora o conceito de TEA apareceu no manual”, esclarece Dra Fabiele Russo, pesquisadora e idealizadora do portal NeuroConecta.

Contudo, com essa nova categorização será possível estabelecer diagnóstico mais adequado às especificidades do transtorno, contribuindo com o desenvolvimento de habilidades e melhora do manejo terapêutico daqueles que estão no espectro.

Além disso, por meio da CID é possível ter acesso a um panorama do número de pessoas no mundo apresentam o TEA.

Portanto, o novo manual será apresentado em maio de 2019, durante a Assembleia Mundial da Saúde e deve entrar em vigor nos EUA em 1º de janeiro de 2022. O catálogo não era atualizado desde 1990.

Com cerca de 55 mil códigos únicos para lesões, doenças e causas de morte, o documento é a base para identificar tendências e estatísticas de saúde em todo o mundo.

Contudo, a CID-11 está em desenvolvimento há mais de uma década e oferece melhorias significativas em relação às versões anteriores.

Enfim, pela primeira vez, é completamente eletrônica e possui um formato que facilita seu uso”, esclareceu o chefe da agência da Organização das Nações Unidas (ONU), Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Leia mais em OMS lança nova classificação internacional de doenças

Com informações de NeuroConecta e ONU Brasil

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Autismo: é possível sair do espectro?

Você já se perguntou se é possível deixar de ter o diagnóstico de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)?

Caso você esteja no espectro ou conheça alguém que tenha o diagnóstico, possivelmente quando refletiu sobre o futuro, já se indagou ou questionou aos médicos sobre as perspectivas ligadas ao transtorno. Afinal, essa é uma condição vitalícia?

Quando falamos no espectro autista, é preciso compreender que trata-se de uma condição crônica, de uma deficiência neurológica, e não de uma doença.

O TEA é um transtorno que impacta no desenvolvimento do cérebro da pessoa, gerando desafios sociais, de comunicação (verbal ou não) e comportamentais.

Bom, se partirmos do pressuposto de que é “crônico”, logo, significa que quem tem TEA estará no espectro para sempre? Sim, pois faz parte do neurodesenvolvimento da pessoa.

Mas isso não significa que a pessoa terá que conviver para o resto da vida com todas as dificuldades que o TEA pode trazer.

Ficou confuso? Então, vamos esclarecer…

Quem está dentro do espectro do autismo se manterá nele por toda a vida, mas não necessariamente terá de conviver com os principais sintomas que levaram ao diagnóstico.

O que isso quer dizer?

Nos últimos anos estudos tem apontado para o fato de que com as intervenções terapêuticas, principalmente com as precoces, é possível reduzir ou até suprimir totalmente muitas das deficiências decorrentes do espectro.

Fato é que características consideradas limitantes, como por exemplo, não conseguir se comunicar de maneira funcional, não conseguir interagir mais com as outras pessoas,  não conseguir tolerar os estímulos sensoriais (por exemplo, luzes e ruídos), apresentar estereotipias que trazem prejuízos, entre outros, podem se extinguir no decorrer do desenvolvimento do indivíduo, até que fiquem clinicamente imperceptíveis.

Esse é o objeto das intervenções, mas mesmo vencendo todas essas barreiras não significa que a pessoa deixou de ser autista.

Importância do Diagnóstico Precoce

Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental para que haja condições de estimular as habilidades ainda na infância por meio de intervenções multidisciplinares, que envolvem suporte clínico e psicológico.

Uma das ferramentas que contribuem com o manejo do espectro e seus sintomas em prol da evolução de quem esteja no espectro são as intervenções baseadas na Análise do Comportamento Aplicada (ABA).

Intervenções baseadas na ABA

Trata-se de intervenções cientificamente comprovadas que possibilitas compreender as ações e habilidades das pessoas no espectro e como elas podem ser influenciadas pelo meio ambiente. Visam  contribuir com uma melhora nas interações sociais, aprender novas competências e manter comportamentos positivos.

A ABA tem como objetivo atuar em prol do desenvolvimento do autista – desde a infância à idade adulta – com o uso de técnicas que possibilitem ampliar a capacidade cognitiva, motora, de linguagem e de integração social, procurando reduzir por meio de práticas de repetição e esforço comportamentos negativos que possam causar danos ou interferir no processo de aprendizagem.

As intervenções baseadas na ABA podem auxiliar no aperfeiçoamento de habilidades básicas, como olhar, ouvir e imitar, ou complexas, como  conversar e interagir com o outro.

Em 1987, o psicólogo da Universidade da Califórnia em Los Angeles, Ole Ivar Lovaas, relatou que metade das crianças pequenas que foram tratadas por pelo menos 40 horas por semana com ABA, demonstraram comportamentos semelhantes aos de crianças neurotípicas (fora do espectro).

De lá para cá a perspectiva com aplicabilidade de ABA como uma alternativa para desenvolver habilidades tem se demonstrado promissora.

Leia também:

Saiba mais sobre ABA e seus benefícios

Conheça alternativas terapêuticas para TEA

Referências:

Zeliadt, Nicholette. Some children may truly outgrow autismo. Spectrum News. Disponível em https://www.spectrumnews.org/news/children-may-truly-outgrow-autism/#refsAcessado em 30 de maio de 2018.

Suh J1,2, Orinstein A3,4, Barton M3, Chen CM3, Eigsti IM3, Ramirez-Esparza N3, Fein D3. Ratings of Broader Autism Phenotype and Personality Traits in Optimal Outcomes from Autism Spectrum Disorder. J Autism Dev Disord. 2016 Nov;46(11):3505-3518. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27538964

Deborah K. Anderson  Jessie W. Liang  Catherine Lord. Predicting young adult outcome among more and less cognitively able individuals with autism spectrum disorders. The Journal of Child Psychology and Psychiatry. Disponível em https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/jcpp.12178

Zeliadt, Nicholette. Some children may truly outgrow autismo. Spectrum News. Disponível em https://www.spectrumnews.org/news/children-may-truly-outgrow-autism/

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Asperger na vida adulta: como diagnosticar?

Você já ouviu falar no chamado “Transtorno de Asperger”? Até alguns anos atrás, era considerado um subgrupo do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Na última revisão do DSM (quinta edição), o Transtorno de Asperger passou a ser considerado uma forma branda do autismo e agora faz parte do TEA de Nível 1, sem a presença de prejuízos intelectuais ou verbais.

Mas, o que caracteriza Asperger?

Em 1944, o psiquiatra austríaco Hans Asperger publica estudo em que as crianças com autismo apresentavam limitações, mas com certa desenvoltura cognitiva e inteligência.

É dele que vem o nome “Transtorno de Asperger”  que antes era chamada de Síndrome de Asperger– considerada uma condição relacionada ao autismo, porém mais leve.

Pessoas com Transtorno de Asperger costumam apresentar inteligência média ou acima da média.

Eles não têm as dificuldades de aprendizagem que muitas pessoas autistas têm, mas podem ter dificuldades de aprendizagem específicas.

Eles têm menos problemas com a fala, mas a deficiência encontra-se nas interações sociais e no uso funcional da linguagem.

Como diagnosticar?

Para identificar Asperger é preciso um conjunto de medidas, que incluem análise de dados coletados por meio de questionários – bem como anamnese e entrevista clínica.

Após a constatação do transtorno pode ser iniciado o acompanhamento com a equipe multidisciplinar para melhorar a qualidade de vida do adulto, por meio da redução de suas limitações, bem como aprendizagem de como lidar com cada uma delas.

A Universidade de Cambridge, por meio de seu Centro de Pesquisa do Autismo (ARC) – um dos pioneiras no estudo de TEA, para avaliar a gravidade dos sintomas do espectro do autismo em crianças, mas pode ser aplicado em adultos, passou a desenvolver novos métodos para o diagnóstico tardio de Asperger na vida adulta.

Esses métodos incluem instrumentos de triagem, como o Autism Spectrum Quotient (AQ) e o Empathy Quotient (EQ); e um cronograma de entrevista para o diagnóstico em si, chamado de Adult Asperger Assessment (AAA).

Todos esses métodos foram publicados e estão disponíveis gratuitamente no site www.autismresearchcentre.com – estão em inglês – é possível usar o recurso de tradução automática disponível no navegador do Google.

Verdade é que diagnosticar o autismo (em termos de espectro) por anos foi considerado desafiador, sobretudo em adultos.

Isso se deve pois, primeiro, os indicadores de autismo podem melhorar com o tempo, à medida que as pessoas aprendem novas habilidades ou modificam as limitações sensoriais características do espectro.

Apesar de um aumento recente na conscientização sobre o autismo, os indivíduos nascidos com o transtorno entre as décadas de 1940 e 1980 podem ter vivido suas vidas com múltiplos problemas, seja decorrente da ausência ou erro no diagnóstico para os então subtipos do que atualmente compreendemos como “TEA”.

Diagnóstico tardio

De acordo com pesquisadores de Cambridge o diagnóstico tardio impactou por anos a vida de muitas pessoas, que tiveram seu desenvolvimento infantil e sua convivência social (como na escola) prejudicados, pela ausência da compreensão do distúrbio, o que possibilitaria haver um suporte no que cabe ao aperfeiçoamento das limitações.

Por isso, a detecção precoce da condição é fundamental para melhorar a qualidade de vida daquele que está no espectro, por meio de um despertar de consciência em relação ao distúrbio, permitindo que sejam trabalhadas as limitações.

Leia também: É possível sair do espectro?

Referências:

Asperger syndrome. What is Asperger syndrome? The National Autistic Society. Disponível em http://www.autism.org.uk/about/what-is/asperger.aspx Acessado em 10 de maio de 2018.

Murphy CM, Wilson CE, Robertson DM, et al. Autism spectrum disorder in adults: diagnosis, management, and health services development. Neuropsychiatric Disease and Treatment. 2016;12:1669-1686. doi:10.2147/NDT.S65455. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4940003/ Acessado em 11 de maio de 2018.

Trevor Powell, DClinPsych and Louise Acker, BSc. Adults’ Experience of an Asperger Syndrome Diagnosis: Analysis of Its Emotional Meaning and Effect on Participants’ Lives. Sage Journal. Vol 31, Issue 1, pp. 72 – 80. First Published May 29, 2015. Disponível em < http://journals.sagepub.com/doi/full/10.1177/1088357615588516> Acessado em 10 de maio de 2018.

Very late diagnosis of Asperger Syndrome. Interative Autism Network. Disponível em https://iancommunity.org/cs/articles/very_late_diagnosis_of_asperger_syndrome Acessado em 11 de maio de 2018.

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Prevalência do autismo aumenta para 1 criança a cada 59 nos EUA

A prevalência do autismo aumentou para 1 criança a cada 59 nos EUA, de acordo com os dados do CDC.

Pesquisadores da Escola Bloomberg de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins (Maryland, EUA) publicaram um novo relatório dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA.

Eles observaram que a prevalência de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) aumentou, sendo de 1 para cada 59 crianças.

Portanto, isso marca um aumento de 15% em relação ao último levantamento, emitido há dois anos.

Esse número é considerado o maior indicador já rastreado desde que o CDC começou a avaliar os dados referentes ao distúrbio, no ano 2000.

Ademais, esse foi o sexto relatório emitido desde então.

Embora os indicadores apontem para um aumento no número de casos, os pesquisadores não sabem quanto desse crescimento pode ser atribuído de fato a existência de novos casos diagnosticados.

O que contribui para o aumento da prevalência?

O que os cientistas acreditam é que existem outros fatores que podem estar contribuindo para o aumento da prevalência do autismo.

Esses fatores são: maior conscientização quanto a existência do espectro, melhora na triagem, nos serviços de diagnóstico, no tratamento e serviços de intervenção, melhor documentação dos comportamentos de TEA e mudanças nos critérios para identificar o distúrbio precocemente.

Todavia, para este novo relatório, o CDC coletou dados em 11 locais de monitoramento regionais que fazem parte da chamada Rede de Monitoramento de Incapacidades do Autismo e Desenvolvimento (ADDM).

Estes locais estão nos seguintes estados: Arizona, Arkansas, Colorado, Geórgia, Maryland, Minnesota, Missouri, Nova Jersey, Carolina do Norte, Tennessee e Wisconsin.

Além dos dados que revelaram o aumento de casos, foi observado ainda que há uma prevalência do autismo 20% a 30% maior entre crianças brancas em comparação com crianças negras.

A prevalência do Autismo é maior em meninos

Além disso, algumas tendências permanecem semelhantes ao relatório que antecede a esse, como a maior probabilidade de os meninos serem diagnosticados com TEA. (Leia: “Autismo em meninas: por que é mais difícil diagnosticar“)..

Os meninos tinham quatro vezes mais chances de serem identificados com TEA do que meninas. No relatório atual, a taxa é 1 em 38 entre os meninos (ou 2,7 por cento) e 1 em 152 entre as meninas (ou 0,7 por cento).

As causas do autismo não são completamente compreendidas; estudos mostram que tanto o ambiente quanto a genética podem desempenhar um papel. 

O CDC recomenda que os pais acompanhem o desenvolvimento infantil e ajam rapidamente para que seus filhos sejam examinados se tiverem alguma preocupação.

No Brasil ainda não há novos estudos que demonstrem se houve crescimento no número de casos de TEA.

Conforme publicado em NeuroConecta, no artigo “O que é autismo”, “Estima-se que o autismo atinge 1-2% da população mundial conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Destes, 2-4 milhões estão no Brasil segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).”

Referências

Baio J, Wiggins L, Christensen DL, et al. Prevalence of Autism Spectrum Disorder Among Children Aged 8 Years — Autism and Developmental Disabilities Monitoring Network, 11 Sites, United States, 2014. MMWR Surveill Summ 2018;67(No. SS-6):1–23. DOI: http://dx.doi.org/10.15585/mmwr.ss6706a1.Disponível em https://www.cdc.gov/mmwr/volumes/67/ss/ss6706a1.htm  Acessado em 27 de abril de 2018.

EurekAlert. Researchers say racial and ethnic disparities are narrowing. Johns Hopkins PR.  Disponível em https://eurekalert.org/pub_releases/2018-04/jhub-uar042618.php Acessado em 27/04/2018.

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Neuroplasticidade e o cérebro no TEA

A chamada “neuroplasticidade” pode ser definida como a capacidade que o cérebro possui de se reorganizar, e então, de modificar sua estrutura em resposta aos estímulos que recebe do meio ambiente externo.

Portanto esse “treinamento” possibilita a evolução do potencial neuronal, ou seja, o desempenho dos neurônios responsáveis por atuar em atividades como linguagem, motoras e sociais.

O que significa neuroplasticidade?

Neuroplasticidade significa que o cérebro humano pode ser considerado altamente plástico!

Aliás, para quem está no Transtorno do Espectro Autista (TEA) a neuroplasticidade significa a possibilidade desenvolver e aperfeiçoar as habilidades do autista por meio das experiências as quais o autista vai sendo submetido, em amplos sentidos, sobretudo sensoriais: audição, paladar, tato, olfato e visão.

Importância da intervenção precoce na neuroplasticidade

Contudo, para “ativar” o potencial que a neuroplasticidade pode ter sobre a condição de quem está no TEA, é importante principalmente empreender ações de aprendizagem que estimulem os neurônios de maneira a contribuir com a melhora nos processos de reabilitação.

Por isso o diagnóstico e intervenção precoce é considerada fundamental, pois pode melhorar significativamente a capacidade da criança de desenvolver habilidades sociais, de comunicação e de autocuidado. I

Certamente iniciar o tratamento o mais cedo possível pode maximizar o potencial de aprendizado da criança e reduzir os desafios comportamentais ao longo da vida.

Portanto, quanto mais cedo são introduzidas novas práticas e rotinas terapêuticas capazes de estimular o funcionamento do cérebro, mais os neurônios podem ser treinados a superar as limitações decorrentes do transtorno.

Leia também: Plasticidade cerebral e poda neural: compreenda a conexão com o TEA

Assim, na medida em que a neurociência evolui – campo de estudo dedicado à compreender o mecanismo do cérebro humano – mais surgem avanços que possibilitam a compreensão da neuroplasticidade no TEA.

Acompanhe as notícias em nosso site e fique por dentro dos avanços científicos sobre Autismo!

Referências:

Raun K. Kaufman. Neuroplasticity. (Can your child’s brain change?). Disponível em http://blog.autismtreatmentcenter.org/2017/01/neuroplasticity-can-your-childs-brain-change.html Acessado em 31 de março de 2018.

Jeffrey A. Kleim and Theresa A. Jones. Principles of Experience-Dependent Neural Plasticity: Implications for Rehabilitation After Brain Damage. Journal of Speech, Language, and Hearing Research, February 2008, Vol. 51, S225-S239. doi:10.1044/1092-4388(2008/018). History: Received February 27, 2006; Accepted February 7, 2007. Disponível em <https://jslhr.pubs.asha.org/article.aspx?articleid=1773394> Acessado em 28 de março de 2018.

Neuroplasticity and young children with autism. A tutorial.Anatomy & Physiology: Current Research. Disponível em https://www.omicsonline.org/open-access/neuroplasticity-and-young-children-with-autism-a-tutorial-2161-0940-1000209.php?aid=69619#3Acessado em 28 de março de 2018.

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