Aprendizagem escolar dos autistas (Ensino Fundamental e Ensino Médio): como vencer desafios

A aprendizagem escolar é uma das etapas que podem integrar o processo de desenvolvimento da pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Por meio do acesso ao ambiente de ensino é esperado que a pessoa no espectro possa aperfeiçoar sua capacidade de integração social, ampliar sua percepção de mundo, além de ter acesso ao conhecimento por meio das aulas regulares do ensino fundamental e médio.

No Brasil, a legislação indica que a pessoa com TEA deve ter acesso à rede regular de ensino. É o que está expresso no artigo 3º da Lei Nº 12.764, de 27 de dezembro de 2012, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista – “São direitos da pessoa com espectro autista: IV – o acesso à educação e ensino profissionalizante”. E, ainda consta no mesmo documento o seguinte parágrafo: “Em casos de comprovada necessidade, a pessoa com transtorno do espectro autista incluída nas classes comuns de ensino regular, nos termos do inciso IV do art. 2º, terá direito a acompanhante especializado”.

É importante que pais e familiares, bem como a pessoa no espectro, tenham acesso à esta informação, para que tenham mais argumentos para lutar por seus direitos.

A escola é uma das ferramentas que podem possibilitar ao autista se preparar para a vida com mais independência e adquirir competências que o possibilitem ser elegível a uma oportunidade no mercado de trabalho.

Atualmente, no País, embora haja uma normativa que prevê a inclusão de quem tem TEA no sistema educacional, ainda pode se observar despreparo das instituições de ensino e seus profissionais em integrar e desenvolver os alunos no espectro por meio de uma educação especial – que os possibilite evoluir dentro do programa de ensino que lhes é proposto.

Espera-se que a educação inclusiva seja experimentada na prática e, com isso, haja a inclusão do aluno com TEA tanto no que cabe a assimilar o conteúdo que lhe é apresentado, quanto no que diz respeito à perspectiva de se socializar com os demais alunos, sem se deparar com barreiras de preconceito e exclusão, desenvolvendo assim suas habilidades de convívio, o que pode ser um desafio para o autista.

Estudantes com autismo apresentam diferenças entre si no que cabe à sua capacidade de interação social e muitas vezes têm dificuldade em estabelecer relacionamentos.

Estes desafios que têm com a comunicação social não devem ser vistas como falta de interesse ou de vontade, mas sim como um fator a ser desenvolvido com suporte pedagógico.

Da mesma forma deve ser conduzido o comportamento sensorial. Portanto, é indicado que a escola se adapte para receber o aluno com autismo e atende-lo em suas necessidades, oferecendo profissionais especializados, que possam promover esta integração e sejam facilitadores do acesso ao ensino.

O processo de inclusão no ensino regular requer atenção não apenas dos professores, psicopedagogos e demais membros da escola, mas também da família e do grupo de profissionais que acompanham o autista.

Juntos, poderão encontrar os mecanismos que possibilitarão auxiliar o autista a alcançar êxito no desenvolvimento cognitivo e interpessoal no ambiente escolar.

O aproveitamento escolar da criança com TEA está condicionado aos recursos que os professores irão lançar mão para despertar seu envolvimento com as atividades de ensino a ele apresentadas.

O educador precisa ter ciência de que o processo de aprendizagem com esta criança demandará tempo, constância e recursos didáticos que prendam a atenção do autista, visto que o déficit de atenção é uma das fragilidades decorrentes do distúrbio.

É possível lançar mão de atividades lúdicas, como brincadeiras e jogos que possibilitem interação social – uma das partes mais afetadas em quem tem TEA – e estímulos de raciocínio e motores.

Seja no ensino público ou privado, o importante é que a pessoa com autismo esteja integrada no meio ao qual foi lhe proposta inserção.

Outro aspecto é que se o conceito de “inclusão” não pode se limitar ao fato de inserir o autista na sala de aula e colocá-lo em todas as atividades propostas, mas sim o ambiente bem como as ações devem ser adaptadas às necessidades individuais destes estudantes com TEA.

As escolas precisam ter o cuidado de não correr o risco de uma generalização no trato com o autista, pois os alunos com autismo podem ser tão diferentes uns dos outros quanto qualquer outro aluno. Pontos como investir em capacitação de pessoal e melhorar as condições de ensino para os alunos com TEA também são fundamentais para alcançar um bom desempenho deste grupo de estudantes.

De acordo com levantamentos feitos pela Autism Cooperative Research Centre Australian Autism Educational Needs Analysis (ASD-ENA) – a chamada conexão escolar pode ser o instrumento que atua em prol da aceitação, respeito e apoio entre alunos num ambiente escolar.

Segundo a instituição australiana, a conexão da escola é tão importante para os alunos no espectro do autismo como para os demais (neurotípicos).

Recomendações

As principais recomendações apresentadas pela ASD-ENA centram-se em uma série de questões, que incluem:

  • O uso da tecnologia para apoiar as necessidades acadêmicas e de aprendizado dos estudantes
  • Apoio às necessidades da função executiva dos alunos (por exemplo, planejamento, organização, habilidades de gerenciamento de tempo) para poder fornecer apoio individualizado dentro e fora da sala de aula quando necessário
  • Suporte adicional quando a escrita manual for necessária para completar uma tarefa.
  • Atenção e suporte à criança quando exposta aos estímulos sensoriais presentes no ambiente (ruídos, luzes, odor e etc.)

Um dos métodos baseados em evidências científicas que podem ser utilizados pelas escolas é a Análise de Comportamento Aplicada (ABA). Esta pode ser uma ferramenta importante não só a gerenciar os desafios sociais e sensoriais do ambiente escolar, mas também o estresse e a ansiedade que eles podem experimentar neste espaço de ensino. Confira informações sobre este conceito aqui no site.

Você sabia?

De acordo com o Censo Escolar estima-se que mais de 698 mil estudantes especiais estavam matriculados em classes comuns em 2014. Entre este grupo estão incluídas pessoas com TEA.

Leia também:

Conheça opções terapêuticas para o TEA

Referências:

Da redação. Autismo e escola: os desafios e a necessidade da inclusão. Centro de Referências em Educação Integral. Disponível em <http://educacaointegral.org.br/reportagens/autismo-escola-os-desafios-necessidade-da-inclusao/> Acessado em 26 de outubro de 2017.

Governo do Brasil. Dados do Censo Escolar indicam aumento de matrícula de alunos com deficiência. Disponível em http://www.brasil.gov.br/educacao/2015/03/dados-do-censo-escolar-indicam-aumento-de-matriculas-de-alunos-com-deficiencia Acessado em 27 de outubro de 2017.

Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Brasil. Governo Federal. Disponível em http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2012/lei-12764-27-dezembro-2012-774838-publicacaooriginal-138466-pl.html Acessado em 24 de outubro de 2017.

Ministry of Education Teaching Students with Autism. A Resource Guide for Schools. British Columbia. Disponível em https://www2.gov.bc.ca/assets/gov/education/kindergarten-to-grade/-12/teach/teaching-tools/inclusive/autism.pdf Acessado em 26 de outubro de 2017.

Saggers, B. School connectedness for students on the autism spectrum

Teacher Magazine. Disponível em https://www.teachermagazine.com.au/articles/school-connectedness-for-students-on-the-autism-spectrum Acessado em 27 de outubro de 2017.

Saggers, Beth, Klug, David, Harper-Hill, Keely, Ashburner, Jill, Costley, Debra, Clark, Trevor, Bruck, Susan, Trembath, David, Webster, Amanda A., & Carrington, Suzanne (2016) Australian Autism Educational Needs Analysis – What are the needs of schools, parents and students on the autism spectrum? Cooperative Research Centre for Living with Autism, Brisbane, QLD. Disponível em < https://www.autismcrc.com.au/sites/default/files/inline-files/Educational%20needs%20analysis%20-%20Final%20report.pdf> Acessado em 27 de outubro de 2017

Supporting students with autism in the classroom: what teachers need to know. The Conversation. Disponível em http://theconversation.com/supporting-students-with-autism-in-the-classroom-what-teachers-need-to-know-64814 Acessado em 25 de outubro de 2017.

Read More

Disortografia, Conheça mais detalhes sobre esse desafio no autismo

É bastante comum que algumas crianças apresentem dificuldades para ler, escrever ou aprender na escola. Mas, em alguns casos pode ser um Transtorno Específico de Aprendizagem, ou seja, quando o cérebro funciona de uma forma diferente, já que não recebe, processa, analisa ou armazena as informações de forma adequada.

É o caso da disortografia. Você já ouviu falar sobre isso?

A disortografia é uma dificuldade de aprendizagem que interfere na capacidade do indivíduo de soletrar ou escrever corretamente. A palavra significa dis” (desvio) + “ortho” (correto) + “graphos” (escrita).

Sendo assim, a pessoa sente uma dificuldade na estruturação, organização e produção de textos escritos. Geralmente também apresentam um vocabulário pobre e muitos erros ortográficos.

A disortografia pode acontecer de forma isolada ou vir acompanhando a dislexia, comprometendo assim a leitura e escrita. Geralmente,  possuem o sistema fonológico deficiente, ocasionando alterações na conversão letra-som.

Quais são as principais características da disortografia?

Há vários sinais que apontam que a pessoa tem disortografia. Veja alguns abaixo:

  • Omissões de letras/sílabas;
  • Adições de letras indevidas;
  • Inversões de letras/sílabas;
  • Substituições de letras com sons e formas semelhantes;
  • Aplicação incorreta das regras gramaticais.

Além disso, é comum que os textos de quem tem disortografia apresente pouca ou nenhuma pontuação. Também sentem dificuldade em escrever um texto com uma sequência lógica e bem estruturado.

Muitos acabam perdendo a vontade de escrever ou ficam ansiosos e com medo de errar. Eles não conseguem entender por que não acertam e isso pode afetar a autoestima.

Reconhecendo esse transtorno de aprendizagem

É bastante comum que os professores identifiquem esse transtorno de aprendizagem. Mas é importante que a criança ou jovem com disortografia seja avaliada por especialistas como neuropediatra, psicopedagogo e psicólogos. Os pais e cuidadores também precisam estar atentos a esses sinais para buscar ajuda especializada.

Ocorre uma avaliação da ortografia de acordo com nível ortográfico que a criança se encontra. Assim, observa-se  os tipos de erros ortográficos e sua frequência de ocorrência na escrita. Geralmente, avalia-se os trabalhos escolares e os profissionais podem conversar também com os professores.

O que pode ser feito para lidar com quem tem disortografia?

Após o diagnóstico, algumas atitudes podem facilitar o aprendizado de jovens e crianças com disortografia. Os pais e professores precisam ter paciência e mostrar para a criança que ela consegue aprender como as outras.

Deve-se estimular a memória visual da criança por meio de quadros com letras do alfabeto, números, famílias silábicas. E o professor  e a escola precisa ajustar o estilo de aprendizagem e oferecer ajustes de material didático, se for necessário.

É importante valorizar o conteúdo sobre a forma. Essa é uma maneira de a criança se sentir valorizada e ter a impressão de que está errando menos. Se a escrita for  muito comprometida, o ideal é utilizar provas orais como recursos extras. E os erros ortográficos não devem ser apontados com grande destaque com caneta vermelha, por exemplo.

Os professores precisam entender que crianças com disortografia apresentam necessidade de tempo maior para realizar as tarefas escritas. Por isso, necessitam de mais tempo para essa tarefa em sala de aula.

Com o tempo e intervenções corretas, é bastante comum que a criança ou jovem com disortografia melhore o seu desempenho na escola e consiga escrever. Mas para chegar a esse objetivo é preciso que ela conviva em um ambiente educacional acolhedor e estimulante, além de ter apoio dos pais para conseguir se desenvolver, aprender e ter qualidade de vida.

Referências:

http://www.scielo.br/pdf/rcefac/v12n3/196-09

https://study.com/academy/lesson/what-is-dysorthographia-symptoms-treatment.html

https://www.psychiatry.org/patients-families/specific-learning-disorder/what-is-specific-learning-disorder

https://www.asha.org/public/speech/disorders/Learning-Disabilities/

Read More

Graus de Autismo – importante saber

Compreender como classificar os diferentes graus de autismo pode ser um tanto quanto complexo no Brasil. Portanto, nós vamos esclarecer esta questão para você.

Em linhas gerais, o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) pode ser classificado conforme o grau de dependência e/ou necessidade de suporte, podendo ser considerado: autismo leve (nível 1), moderado (nível 2) ou severo (nível 3).

No Brasil, dois manuais de diagnóstico têm sido adotados: o DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), que está em sua quinta edição, e o CID (Classificação Internacional de Doenças), na 10ª edição  (Nos EUA já está em sua 11ª edição). Ambos consideram o autismo como um Transtorno do Desenvolvimento.

Enquanto o primeiro (DSM) incorporou todos os tipos de autismos sob a mesma classificação – “Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)”-, o segundo segue especificando cada uma das suas subcategorias: autismo infantil; o autismo atípico; a síndrome de Rett*; a síndrome de Asperger; o transtorno desintegrativo da infância; e o transtorno geral do desenvolvimento não especificado.

O DSM-5  – publicação oficial da Associação Americana de Psiquiatria que define transtornos psiquiátricos e de desenvolvimento, de maio de 2013 -, define o autismo como uma única “desordem do espectro”, sendo considerado um conjunto de critérios que descrevem os sintomas que podem impactar nas áreas de comunicação social, comportamento, flexibilidade e sensibilidade sensorial.

Antes de 2013 o autismo era subcategorizado conforme apresentado no CID-10. Veremos mais sobre isso a seguir.

Assim, conforme estabelece DSM-5, “Transtorno do espectro do autismo (TEA)” pode ser medido com base na sua gravidade. Não há subtipos de diagnóstico (por exemplo, transtorno de Asperger); O marcador de “gravidade” é baseado no grau de comprometimento do distúrbio.

Com base nesta análise deve ser possível avaliar as habilidades de cada pessoa com TEA, o que envolve a especificação de problemas de deficiência intelectual e linguagem. A maioria dos indivíduos com TEA têm deficiências mentais de leve a moderada, com deficiência linguística associada.

Vamos compreender melhor o que estabelecem cada um destes níveis – que podemos definir como Grau Severo (nível 3); Grau moderado (nível 2) e Grau Leve (nível 1):

Nível 3: severo (necessitam de maior suporte/apoio)

Diz respeito àqueles que apresentam um déficit considerado grave nas habilidades de comunicação verbais e não verbais. Ou seja, não conseguem se comunicar sem contar com suporte. Com isso apresentam dificuldade nas interações sociais e tem cognição reduzida. Também possuem um perfil inflexível de comportamento, tendo dificuldade de lidar com mudanças. Tendem ao isolamento social, se não estimulados.

Nível 2: moderado (necessitam de suporte)

Semelhante às características descritas no nível 3, mas com menor intensidade no que cabe aos transtornos de comunicação e deficiência de linguagem.

Nível 1: leve (necessita de pouco suporte)

Com suporte, pode ter dificuldade para se comunicar, mas não é um limitante para interações sociais. Problemas de organização e planejamento impedem a independência.

É importante saber que, embora estejam estabelecidos desta forma (níveis 1, 2 e 3), ainda não está bem claro de fato o que e sob quais circunstâncias pode ser compreendido o significado de “suporte”. Por exemplo: algumas pessoas com TEA desenvolvem bem em casa, mas precisam de ajuda na escola (onde as demandas são específicas e intensas). Outras pessoas o contrário.

Por isso instituições ligadas ao TEA e a própria Associação Americana de Psiquiatria (APA) estão analisando se deverá haver mudanças na revisão do DSM e, conforme for, a versão DSM-5.1 pode ser revista e apresentar mais clareza quanto aos níveis de classificação ativos atualmente.

Conversar com seu médico ou especialista de confiança é fundamental para esclarecer dúvidas quanto aos graus de autismo e as razões pelas quais um indivíduo com TEA pode ser enquadrado em um determinado nível.

Entenda a classificação CID-10:

O sistema de saúde brasileiro utiliza como base para categorizar doenças a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, mais conhecida pela sigla CID, que está em sua 10ª edição (CID-10).

Em relação ao TEA, o capítulo V (F80 a 89) da CID-10 trata dos transtornos mentais e comportamentais, sendo categorizados da seguinte forma

  • o autismo infantil (F84-0);
  • o autismo atípico (F84-1);
  • a síndrome de Rett* (F84-2);
  • a síndrome de Asperger (F84-5);
  • o transtorno desintegrativo da infância (F84-3); e
  • o transtorno geral do desenvolvimento não especificado (F84-9).

Vamos compreender cada um deles.

Síndrome de Asperger –  a deficiência encontra-se nas interações sociais e no uso funcional da linguagem.

Transtorno autístico –  transtorno autístico, às vezes conhecido como “autismo clássico”. Pode se manifestar como atrasos significativos na linguagem, desafios sociais e de comunicação e comportamentos incomuns. Pode haver dificuldades de aprendizagem e inteligência abaixo da média também.

Transtorno geral desenvolvimento não especificado – os indivíduos recebem esse diagnóstico se tiverem algumas, mas não todas, as características do autismo clássico. O seu nível de funcionalidade é geralmente moderado a alto.

Transtorno desintegrativo da infância – geralmente afeta crianças pequenas e pré-escolares. Eles perdem habilidades linguísticas e sociais e tipicamente têm níveis de funcionalidade moderados ou baixos.

Síndrome de Rett* – Indivíduos com esse transtorno são geralmente mulheres e podem ter níveis de funcionalidade moderados ou baixos. A doença se desenvolve à medida que a criança envelhece. A Síndrome de Rett caiu anteriormente sob o espectro de TEA, mas agora está confirmada que a causa de Rett é genética e, portanto, não é mais enquadrada como TEA.

De acordo com as “Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo” – “é necessário deixar claro que, embora a síndrome de Rett esteja entre os transtornos globais do desenvolvimento (conforme estabelecido na CID-10), ela não deve ser considerada como parte dos transtornos do espectro do autismo, uma vez que tem características singulares dos pontos de vista clínico, genético e comportamental.

_________________________________________________________

Sobre o autismo

O autismo é caracterizado por uma desordem cerebral que impacta no desenvolvimento da pessoa, podendo interferir na forma como ela percebe o mundo ao redor e interage com os outros, ocasionando desafios sociais, de comunicação (verbal ou não) e comportamentais. Trata-se de uma condição crônica, de uma deficiência neurológica, e não de uma doença.

Devido à variedade de sintomas e sua complexidade, esta condição é agora denominada  “Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)”, conforme expresso na quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V) da Associação Americana de Psiquiatria. O material apresenta termos para classificação e diagnóstico na área da saúde mental. Leia mais em “O que é autismo”

Referências:

[1] Rudy, LJ. Making Sense of the 3 Levels of Autism. What Are the Levels of Support Now Included in an Autism Diagnosis?. Very Well. Disponível em <

https://www.verywell.com/what-are-the-three-levels-of-autism-260233> Acessado em 18 de setembro de 2017,

[2] Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA) / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – Brasília : Ministério da Saúde, 2014. Disponível em <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_atencao_reabilitacao_pessoa_autismo.pdf> Acessado em 16 de setembro de 2017.

[3] Critérios de diagnóstico DSM-5 . Autism Speaks. Disponível em <https://www.autismspeaks.org/what-autism/diagnosis/dsm-5-diagnostic-criteria> Acessado em 17 de setembro de 2017.

[4] Weitlauf AS, Gotham KO, Vehorn AC, Warren ZE. Brief Report: DSM-5 “Levels of Support:” A Comment on Discrepant Conceptualizations of Severity in ASD. Journal of autism and developmental disorders. 2014;44(2):471-476. doi:10.1007/s10803-013-1882-z. Disponível em <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3989992/> Acessado em 18 de setembro de 2017.

Outras fontes de pesquisa:

Lord C, Jones RM. Re-thinking the classification of autism spectrum disorders. Journal of child psychology and psychiatry, and allied disciplines. 2012;53(5):490-509. doi:10.1111/j.1469-7610.2012.02547.x. Disponível em <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3446247/> Acessado em 17 de setembro de 2017.

Miller-Wilson K. What Is Considered Mild Autism? Love to know. Disponível em <http://autism.lovetoknow.com/Considered_Mild_Autism > Acessado em 18 de setembro de 2017.

Read More

Deficiência intelectual: uma comorbidade comum no autismo

No artigo de hoje vamos falar sobre o autismo e a deficiência intelectual, que também é conhecida pela sigla DI. Mas vamos lá. Você sabe o que é deficiência intelectual? Essa condição antigamente era conhecida como retardo mental e trata-se de um funcionamento intelectual abaixo da média. Sendo assim, a pessoa com DI apresenta um quociente de inteligência, o QI, abaixo de 70.

Por isso, a pessoa com deficiência intelectual apresenta dificuldades para raciocinar, resolver problemas, planejar, refletir e também aprender. Além disso, é comum apresentar problemas para se comunicar e interagir socialmente. As pessoas com DI podem ser mais ingênuas e não compreender adequadamente algumas situações do dia a dia. Além disso, elas sentem dificuldade de compreender ideias abstratas, como metáforas, as vezes não tem noção de tempo e de valores monetários por exemplo.

A deficiência intelectual aparece desde os primeiros anos da criança.

Sendo assim, ela apresenta um nível de comportamento ou cognitivo muito abaixo para a idade cronológica. Por exemplo, uma criança de oito anos pode apresentar um perfil de comportamento de uma criança 4 ou 5 anos. Eles demoram mais para aprender e sentem dificuldade de se adaptar aos mais variados ambientes. Por isso, costumam ser crianças mais dependentes que precisam frequentemente de um adulto.

A deficiência intelectual pode variar de leve a profunda. As causas da DI ainda não foram totalmente esclarecidas, mas em geral ocorre devido a uma alteração no desempenho cerebral provocada por diferentes fatores: genéticos, distúrbios na gestação, problemas no parto ou após o nascimento.

Mas o que tem a ver com o autismo? É importante destacar que tanto a deficiência intelectual quanto o Transtorno do Espectro do Autismo são transtornos de desenvolvimento. E eles podem se manifestar juntos. Então a DI pode ser uma comorbidade associada ao autismo. Mas isso não quer dizer que todo autista tenha deficiência intelectual. É frequente que as pessoas tenham essa visão estereotipada de que o autismo equivale a deficiência intelectual. Mas essa crença é falsa.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC), cerca de 40% das pessoas com o TEA possuem a deficiência intelectual. Sabe-se também que a deficiência afeta de 1 a 3 % da população autista e chega a atingir uma em cada cinquenta crianças em idade escolar.

O desenvolvimento de habilidades de pessoas com deficiência intelectual geralmente é lento. Já uma pessoa com o TEA sem DI pode aprender e progredir rapidamente e facilmente, mas ainda apresenta dificuldades de comunicação e nas interações sociais e comportamento.

Uma criança que esteja no espectro do autismo e tenha uma deficiência intelectual concomitante provavelmente aprenderá de forma diferente e precisará de apoio individual. Mas isso não quer dizer que não conseguirá aprender ou se desenvolver.

A deficiência intelectual em autistas impõem desafios na capacidade de um indivíduo aprender, adquirir e aplicar intelectualmente habilidades, mas não significa incapacidade de aprender.

É importante que o autista que tem deficiência intelectual tenha um acompanhamento multidisciplinar para conseguir se desenvolver de forma plena. Por isso, a pessoa pode passar por intervenções bem variadas que estimulam suas habilidades e a socialização. É muito importante que a crianças que tenham as duas condições sejam acompanhadas por psicólogos, fonoaudiólogos, neuropediatras e pedagogos para ter mais qualidade de vida.

Read More

Autismo na vida adulta: o que é preciso saber

“Como será a vida do meu filho quando ele atingir a idade adulta?”

A preocupação com o futuro é uma das questões recorrentes que povoam os pensamentos de pais que têm filhos com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Afinal, como será o futuro de uma criança com autismo? Isso pode depender de variáveis como grau de acometimento do distúrbio e das habilidades desenvolvidas neste indivíduo. Em linhas gerais este horizonte é positivo e pode ser promissor.

Quando um indivíduo tem o espectro autista identificado ainda nos primeiros anos de vida uma série de ações são introduzidas no processo de desenvolvimento infantil para que sejam estimuladas e aperfeiçoadas habilidades que possibilitem extrair ao máximo seu potencial intelectual, psicológico e cognitivo. Há estudos que apresentam evidências de que os principais sintomas do autismo diminuem em algum grau na adolescência e na idade adulta, com melhorias nas habilidades de comunicação.

Com isso, a expectativa é de que tanto na adolescência quanto na fase adulta o autista possa levar uma vida com dignidade e, em sua maioria, com autonomia e independência para realizar suas atividades com segurança.

A perspectiva é que o adulto com TEA tenha competências que o possibilitem cuidar de si – desde a higiene ao preparo de suas refeições; bem como transitar pela cidade de ônibus ou metrô, além de ingressar numa faculdade e estudar, conseguir um emprego, morar sozinho, constituir família, conquistar autonomia financeira e pessoal e tudo o mais que deseje e esteja ao seu alcance.

Embora o cenário possa ser positivo, há uma série de desafios a serem vencidos. A começar pelo acompanhamento da saúde do autista que passará por uma transição da assistência de um pediatra para um médico de adultos. Este profissional deverá manter os cuidados e tratar de possíveis deficiências de comunicação e sensoriais, para que o quadro do agora adulto com TEA possa se manter em evolução.

Os adultos com autismo são mais suscetíveis a quadros de ansiedade e têm maior risco de desenvolver diabetes, distúrbios gastrointestinais, epilepsia, distúrbios do sono, problemas de colesterol, pressão alta e obesidade.

Outro aspecto que pode representar uma barreira refere-se ao enfrentamento de uma questão que não cabe ao autista, mas impacta diretamente em sua vida: o preconceito. Ainda há na sociedade dificuldade de integrar o indivíduo com TEA em situações como no trabalho e numa sala de aula. Um ambiente hostil e, até mesmo, sujeito à bullying, pode ser um obstáculo. Comportamentos de pessoas que possam agredir de alguma forma o autista devem ser desencorajados e combatidos para que ele possa executar suas tarefas da melhor maneira possível. Pessoas com autismo possuem determinadas habilidades específicas nas quais são realmente talentosos. Esta característica do TEA podem tornar o autista um excelentes candidato a uma vaga de emprego por exemplo.

TEA na vida adulta: impactos de um diagnóstico tardio

Há casos ainda de pessoas que obtém o diagnóstico de TEA apenas quando adultos. Estes podem passar anos com a sensação de que algo não se encaixa em suas vidas até se descobrirem com o espectro. O perfil deste grupo costuma ser daqueles que têm um grau leve do espectro, não apresentam deficiência intelectual ou déficit de linguagem. Costumam ter as características do espectro (desafios e/ou restrições sensoriais ao toque, sons, luzes, texturas, sabores) vistas como timidez, ingenuidade, como antissociais, ríspidas.

O diagnóstico tardio pode ser um alívio, mas ao mesmo tempo pode causar impacto e transformar o olhar que a pessoa tem sobre si. Após tomarem conhecimento de que tem o distúrbio, poderão receber o suporte pós-diagnóstico para desenvolverem aspectos comportamentais e sensoriais que sejam necessários, se o forem. Relatos de pessoas com TEA que descobriram o espectro já na fase adulta remetem a este conflito interior, em que é preciso redescobrir a si e ao mundo ao seu redor. Terapia ocupacional e atividades de integração social podem auxiliar neste período de reconhecimento e adequações.

Leia também em NeuroConecta:

Quais direitos da pessoa com autismo?

Autismo e mercado de trabalho: identificando competências

Conheça as opções terapêuticas para TEA

Como preparar a criança autista para viver em sociedade

Referências:

Autism diagnosis for adults. The Autistic Society. Disponível em <http://www.autism.org.uk/about/diagnosis/adults.aspx> Acessado em 9 de outubro de 2017.

Dunne, S. Autism as an adult: ‘On the many days I spend alone I forget how to talk’. The Guardian. 16 september 2015. Disponível em <https://www.theguardian.com/social-care-network/social-life-blog/2015/sep/16/autism-as-an-adult-on-the-many-days-i-spend-alone-i-forget-how-to-talk> Acessado em 10 de outubro de 2017.

Henninger NA, Taylor JL. Outcomes in Adults with Autism Spectrum Disorders: A Historical Perspective. Autism : the international journal of research and practice. 2013;17(1):103-116. doi:10.1177/1362361312441266. Disponível em <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3769945/> Acessado em 10 de outubro de 2017.

Sarris, M. Leaving the pediatrician: charting the medical transition of youth with autism. Interactive Autism Network (IAN) at Kennedy Krieger Institute. June 19, 2014

Disponível em <https://iancommunity.org/ssc/medical-transition-youth-autism> Acessado em 10 de outubro de 2017.

Seltzer MM, Shattuck P, Abbeduto L, et al. Trajectory of development in adolescents and adults with autism. Ment Retard Dev Disabil Res Rev. 2004;10:234–47. in Volkmar FR, Wolf JM. When children with autism become adults. World Psychiatry. 2013;12(1):79-80. doi:10.1002/wps.20020. Disponível em <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3619174/ > Acessado em 10 de outubro de 2017.

Volkmar FR, Wolf JM. When children with autism become adults. World Psychiatry. 2013;12(1):79-80. doi:10.1002/wps.20020. Disponível em <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3619174/> Acessado em 10 de outubro de 2017.

Read More

Saiba mais sobre a Carteira especial de identidade para autistas

Criada por lei no início de Janeiro de 2020, a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea) visa garantir prioridade de atendimento em serviços públicos e privados, em especial nas áreas de saúde, educação e assistência social. O serviço ainda está em processo de aplicação no país.

De acordo com a lei 13.977/2020,  essa Carteira de Identificação será emitida gratuitamente pelos órgãos estaduais, distritais e municipais. A Lei é chamada de Romeo Mion, nome inspirado no filho do apresentador Marcos Mion, que tem diagnóstico de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

O texto altera a Lei Berenice Piana (12.764, 2012), que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Acredita-se que dessa forma, será possível ter uma ideia de quantas pessoas possuem autismo no Brasil.

O documento, que terá validade de cinco anos devendo ser mantidos atualizados os dados cadastrais do identificado e deverá ser liberado sem qualquer custo, por meio de requerimento.

E o objetivo é facilitar a identificação das pessoas autistas para que tenham assegurados seus direitos, inclusive o atendimento preferencial. Isso porque em determinados casos o autismo não é fácil ser identificado por quem não tenha um contato direto com o autista.

Com a Carteira de Identidade será possível acelerar os atendimentos, diminuindo a burocracia bem como o acesso às instituições administrativas públicas e privadas evitando o constrangimento e demora no atendimento e o desgaste psicológico. Como constará o endereço, a carteira também irá ajudar a localização de familiares, caso um autista se perca.

Para solicitá-la, é necessário requerimento, acompanhado de relatório médico, com indicação do código da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID). Também precisam apresentar foto 3×4,  RG, CPF e comprovante de residência.   Ela é válida para todo o território brasileiro.

Algumas características da Carteira

– Ela leva o símbolo do autismo (a fita com quebra-cabeça);

– Contém o CID e a explicação do transtorno;

– Informa o nome do responsável e tem o endereço;

– No verso contém a descrição da lei e informa os direitos que ela assegura.

Leis semelhantes em vigor

Alguns estados brasileiros já tinham leis locais que previam a emissão da carteira de identidade com informações adicionais para quem tem alguma deficiência ou transtorno, como é o caso do autismo.

O Ceará, por exemplo, emite carteiras de identidades com a inclusão do símbolo que identifica o autismo de forma gratuita. O estado de Goiás criou a Carteira de Identificação do Autista (CIA) em 2017 com características semelhantes da carteira nacional.

Já no Rio de Janeiro, o Detran é responsável pela emissão desse documento e contem ícones informando a condição do seu portador. Há um crachá que informa o CID e se há a utilização de medicamentos e um telefone de contato. E em São Paulo, alguns municípios tiveram iniciativas semelhantes.

A ideia é que a Carteira Nacional seja adotada por todos os municípios, mas os documentos semelhantes continuarão a serem aceitos.

O que você achou da Carteira de Identidade? Já adquiriu a sua?

Referências

https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/lei-romeo-mion-autismo-e-saude-os-direitos-da-pessoa-com-tea/

https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2020-01/carteira-nacional-do-autista-e-lei-mas-sua-implantacao-e-lenta

https://www.camara.leg.br/noticias/630372-lei-que-cria-carteira-de-identificacao-da-pessoa-autista-e-sancionada/

Read More

Educação no autismo: o aprendizado como ferramenta

Desenvolver a pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) por meio do aprendizado é um dos recursos importantes para estimular habilidades sociais e cognitivas.

Crianças com o espectro do autismo não experimentam o mundo da mesma forma que os demais. No processo educacional não é diferente.

Quanto mais precocemente eles são introduzidos neste universo do conhecimento, melhor será seu desempenho. Ensinar permite-lhes viver uma vida mais independente e sociável à medida que se tornam adultos. Para isso, é preciso expandir os muros da residência familiar e ingressar em escolas.

Crianças aprendem melhor quando são expostas a vários estilos de aprendizagem e métodos de ensino. Estudos têm demonstrado que identificar estes meios como o autista compreende melhor, aperfeiçoam o seu desempenho em todas as áreas e podem os tornar profissionais preparados inclusive para o mercado de trabalho.

Entre os tipos de aprendizagem – segundo o Centro Nacional de Informações e Recursos sobre o Autismo dos Estados Unidos podemos citar:

Recurso Visual no aprendizado

O visual que consiste no uso da visão. Crianças neste caso se conectam com livros, vídeos, gráficos, cores e outras imagens.  Quando adultas costumam procurar como opções de carreiras aquelas ligadas às artes, arquitetura, entre outras.

Recurso Auditivo no aprendizado

Neste caso a compreensão é facilitada por meio de recursos que utilizam da fala, de sons de música. Elas não necessitam muitas vezes do recurso visual, por isso, costumam parecer alheias na sala de aula, sem contato com os olhos, mas estão totalmente atentas às falas. Vão muito bem em atividades de interpretação de personagens, por exemplos. Como profissões, podem se encaixar bem como juízes, advogados, músicos entre outros.

Tátil ou sinestésico

Neste caso, ver e tocar é sinônimo de aprender. Exemplos dessas estratégias incluem jogos eletrônicos. Para um aprendiz cinético tátil, ver e tocar é aprender. Este tipo de pessoa pode se escultor, mecânico e, até mesmo, brilhantes cirurgiões.

Às vezes, é mais difícil avaliar o verdadeiro estilo de aprendizagem de uma criança. Neste caso, é melhor apresentar todas as áreas de métodos de aprendizagem dentro de um plano de aula.

É importante que uma criança seja observada na sala de aula e nos demais ambientes de ensino para descobrir como ela recebe melhor as informações. Estudos apontam que ao compreender isso, os comportamentos negativos podem ser evitados na sala de aula.

A determinação de uma abordagem educacional apropriada para os alunos com autismo deve ser baseada numa avaliação de especialistas, pais e responsáveis. Afinal, sua maneira de ver o mundo difere das demais crianças. E isso não deve ser um fator limitante para seu desenvolvimento.

No Brasil, embora haja instituições capacitadas, ainda é deficitária a oferta qualificada de ensino para crianças com autismo.

Algumas estratégias podem ser aplicadas. Se o seu filho é ansioso, procure levá-lo antes do início das aulas à escola, para que ele se familiarize com o ambiente aos poucos.

Conversar com professores e orientadores e compartilhar recursos que você utiliza com seu filho para facilitar a assimilação de palavras e imagens podem ajudar.

Referências:
Centro Nacional de Informações e Recursos sobre o Autismo dos Estados Unidos

 

Read More

Moradias assistidas e autismo

As moradias assistidas ou residências inclusivas são espaços que servem de residências para algumas pessoas. 

Não são clínicas nem locais de tratamento, são residências adaptadas às necessidades individuais de pessoas com deficiências, com problemas de saúde, dependência química e também para autistas. Elas surgiram como uma alternativa mais humanizada ao modelo de internação em grandes instituições ou hospitais.

Frequentemente ouvimos os pais de autistas preocupados com o futuro dos filhos com o Transtorno do Espectro do Autismo. Sabemos que mesmo com todos os esforços e terapias realizados na infância para desenvolver habilidades que possibilitem ter independência e autonomia nas demais etapas da vida, alguns autistas precisam de apoio na fase adulta e infelizmente os pais não serão eternos.

Pessoas com autismo com grau moderado ou severo precisam de suporte para as tarefas do dia a dia como limpar uma casa, cozinhar ou realizar a higiene pessoal. Mas quando não possuem algum familiar que possa acolher e cuidar é necessário pensar em alternativas como a moradia assistida.

Elas podem ser uma opção para que os autistas tenham dignidade e qualidade de vida.  Esses locais contam com equipe multidisciplinar capacitada e disponível para prestar um atendimento personalizado e qualificado.

Há casos também de pessoas com autismo leve que desejam ser mais independentes e morar sozinhos. Mas ainda necessitam de ajuda parcial nas atividades domésticas e também acompanhamento psicológico e terapêutico.

Existem algumas moradias assistidas no Brasil, mas ainda não são suficientes para atender a demanda. Muitas delas foram criadas por pais de crianças com algum tipo de deficiência.

Reforçando que o direito à moradia e residência protegida é previsto em Lei (Art. 3º, Inciso IV – Lei 12.764/2012). E há vários modelos de moradia assistida que variam de acordo com o grau de dependência do autismo ou outra deficiência.

Elas podem ser casas individuais, que são locais em que a pessoa recebe ajuda para determinadas ações com profissionais que visitam semanalmente e trabalham em pontos específicos; apartamentos individuais assistidos por profissionais e familiares; casas compartilhadas, em que jovens moram juntos e recebem apoio de terapeutas e cuidadores.

Há unidades individuais ou que contam com até uma dezena de moradores, agrupados por faixa etária, tipo e grau de limitação ou ainda sem critérios específicos. Algumas possuem equipes permanentes de assistência e outras apenas garantem serviços básicos e que contam com monitores que as visitam periodicamente.

Ao escolher a moradia assistida, é preciso observar alguns pontos. O adulto ou jovem autista consegue realizar suas atividades de forma independente? É capaz de preparar a própria comida e cuidar da higiene?

Há moradias assistidas públicas e privadas disponíveis no Brasil. É importante que os pais e cuidadores visitem o local para checar se é seguro, se oferece atividades voltadas para o convívio social, saúde física e mental.

É fundamental que o autista more em um local que o ajude com suas limitações, problemas de comunicação e linguagem, dificuldades motoras e cognitivas.

As moradias assistidas devem ser bem localizadas, em um bairro residencial e de fácil acesso aos serviços necessários para o bem-estar dos autistas.

A equipe de cuidadores precisa estimular a pessoa com o TEA a ser independente para realizar suas tarefas do dia a dia.

É preciso ter em mente que o propósito das moradias assistidas é construir a ideia e o sentimento de lar, evitando o processo de institucionalização, ou seja, o autista precisa se sentir acolhido.

É fundamental que o morador veja como um local onde conseguirá exercer sua cidadania e sua independência como a sua própria casa. O propósito é oferecer uma moradia digna e humana.

Read More

Problemas gastrointestinais são comuns em pessoas com TEA

Você sabia que os problemas gastrointestinais são frequentes em  pessoas com autismo?

Sabe-se que os distúrbios gastrointestinais estão entre as condições médicas mais comuns associadas ao autismo. É comum que apareçam constipações (prisões de ventre), diarreias e refluxos gastrointestinais, entre outras condições.

Esses problemas intestinais podem afetar pessoas com autismo de qualquer idade. Há diversas pesquisas relacionadas ao tema, mas as razões para isso acontecer ainda não estão totalmente claras. Estima-se que  as crianças com autismo têm mais de 3,5 vezes chances de sofrer com esses problemas do que as neurotípicas.

O que se sabe também é que quem tem TEA possui um desequilíbrio nas bactérias do intestino. Alguns estudos mostram que a microbiota intestinal de um autista é diferente, há uma alteração do equilíbrio da microbiota caracterizada pela perda de massa bacteriana benéfica.

Pesquisadores também revelaram que a atividade gastrointestinal de algumas crianças com autismo difere das outras porque suas células intestinais mostram anormalidades na forma como decompõem e transportam os carboidratos.

Além disso, seus intestinos abrigam grandes quantidades de algumas bactérias digestivas. Lembrando que as bactérias desempenham um papel importante na digestão e os níveis anormais podem causar problemas digestivos e inflamação intestinal.

Quais são os problemas mais comuns?

Constipação: conhecida também como prisão de ventre, ocorre quando a pessoa fica longos períodos sem evacuar. Por isso, causa grande desconforto e é uma condição séria. Em alguns casos, pode durar duas semanas ou mais.

As causas da constipação podem incluir uma dieta restrita que fornece poucas fibras insuficientes, o uso de medicamentos e problemas sensoriais ou comportamentais que interferem no uso do banheiro. Além disso, alguns autistas podem apresentar um trato intestinal mais lento, o que dificulta a evacuação regular. O tratamento pode incluir medicamentos e intervenções  comportamentais.

Diarreias: ocorre um aumento do número de evacuações que podem também perder sua consistência e se tornar mais aguadas. As causas podem variar – infecções, doenças inflamatórias intestinais, alergias alimentares, entre outras. E o tratamento muda conforme a causa, mas geralmente resolve-se com medicação.

Refluxo gastroesofágico: esse problema acontece quando há o retorno involuntário e repetitivo do conteúdo do estômago para o esôfago. Geralmente, causa desconforto e sensação de azia. O tratamento costuma ser o uso de medicamentos que diminuem a produção de ácido pelo estômago e favorecem o esvaziamento gástrico.

O que  pode ser feito para lidar com os problemas gastrointestinais

Além da dor e desconforto, esses problemas intestinais podem causar alterações no comportamento dos autistas. Por isso, é muito importante que os pais busquem ajuda profissional.

Alguns autistas não verbais podem ter dificuldade para demonstrar o que estão sentindo. E isso pode dificultar o diagnóstico. É importante ficar atento se a criança sente dor abdominal ou mudou de comportamento.

Cada caso deve ser avaliado individualmente para chegar a um tratamento adequado. Na maioria das vezes, as medicações podem aliviar os sintomas. A recomendação é buscar um acompanhamento médico e nutricional para mudar a dieta se necessário. E o uso de prebióticos e probióticos também tem sido recomendado para diminuir o mal-estar causado por esses problemas gastrointestinais.

Mas, fazer mudanças na dieta pode ser difícil quando uma criança autista tem problemas gastrointestinais e seletividade alimentar, por exemplo. Os nutricionistas e os médicos responsáveis devem indicar uma dieta que forneça a ingestão adequada de todos os nutrientes. O planejamento e a preparação de refeições nutritivas devem envolver toda a família.

Referências

https://www.autismspeaks.ca/about-autism/treatment/treatments-for-associated-medical-conditions/gi-disorders/

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5683266/

https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fpsyt.2019.00194/full

Read More

Síndromes relacionadas ao autismo

O autismo é uma condição de saúde de origem multifatorial, ou seja, é resultado de fatores genéticos, hereditários ou não e fatores ambientais.

Mas uma porcentagem, cerca de 20% dos casos, é conhecida como “autismo sindrômico” e ocorre quando há uma relação entre o autismo e síndromes genéticas.

Ocorre devido a doenças monogênicas, ou seja, causada por causa de mutações que ocorrem no DNA de um único gene, as mais comuns são, a síndrome do X frágil e a esclerose tuberosa.

Além disso, há outras doenças monogênicas que possuem uma frequência alta de sintomas de TEA, porém são menos prevalentes na população geral. Nessa lista incluem Síndrome de Angelman, Síndrome de Rett,  Síndrome do CDKL5, Síndrome de Phelan McDermid e Síndrome de Timothy, entre outras condições menos comuns.

Por isso, sabe-se que o autismo tende a ocorrer com maior frequência em pessoas que têm uma dessas condições genéticas como as citadas anteriormente. Dessa forma, compreender o componente genético de cada caso pode trazer informações sobre prognóstico, conduta médica personalizada e aconselhamento genético para os familiares que pretendem ter mais filhos.

Vamos descrever um pouquinho algumas síndromes relacionadas ao TEA:

Síndrome do X Frágil

É causada por mutações no gene FMR1. É uma condição genética e hereditária que faz com que as crianças apresentem atrasos no desenvolvimento da fala e da linguagem. A maioria tem deficiência intelectual que varia de leve a moderada. Alguns apresentam ansiedade em excesso e comportamento hiperativo. Estima-se que um terço dos indivíduos com Síndrome do X Frágil também tenham características do Transtorno do Espectro do Autismo.

Esclerose tuberosa

É uma doença hereditária rara que ocorre devido a mutações nos genes TSC1 e TSC2 . A pessoa com esclerose tuberosa apresenta epilepsia, deficiência intelectual, e anormalidades na pele, que são os adenomas sebáceos. O autismo é muito comum em pacientes com esclerose tuberosa. Aproximadamente 60% de pacientes com esclerose tuberosa são autistas.

Síndrome de Angelman

É uma síndrome genética causada por alterações  no gene chamado UBE3A. Essa síndrome afeta principalmente o sistema nervoso. Por isso, as pessoas com essa Síndrome possuem atrasos no desenvolvimento, deficiência intelectual, comprometimento da fala e linguagem e problemas com movimento e equilíbrio. Alguns podem ter crises recorrentes de epilepsia. Além desses sintomas, os pacientes também  podem apresentar hiperatividade, esteriotipias e impulsividade, fenótipos relacionados ao TEA.

Síndrome de Rett

É uma síndrome que afeta desenvolvimento neurológico, considerada relativamente rara e afeta mais as meninas.  A prevalência  é de aproximadamente uma a cada 10 mil pessoas do sexo feminino e ocorre devido a mutações no gene MECP2, localizado no cromossomo X. Os pacientes apresentam  hipotonia, Perda das habilidades motoras finas, alterações nos processos de comunicação e socialização, movimentos estereotipados das mãos, podem apresentar distúrbio do sono entre outros quadros clínicos. A Síndrome de Rett foi excluída do espectro autista do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais [DSM] da Associação Americana de Psiquiatria em 2013 por considerar uma Síndrome única e distinta do autismo.

CDKL5

É uma síndrome bastante rara, causada por mutação no gene CDKL5. Antes ela era incluída como uma forma atípica da síndrome de RTT. Os pacientes afetados por CDKL5 apresentam características clínicas relacionadas a síndrome de Rett, incluindo comprometimento motor, deficiência intelectual, déficits visuais, epilepsia e autismo. Mas, devido às crises convulsivas não encontradas em paciente com mutação no gene Mecp2, a CDKL5 foi considerada uma síndrome distinta, e não mais uma variante da síndrome de Rett.

Phelan McDermid

Pacientes com a síndrome de Phelan McDermid apresentam mutação do tipo deleção no gene SHANK3. É um transtorno do neurodesenvolvimento e os indivíduos afetados manifestam características do autismo (em torno de 80%), deficiência intelectual, fala atrasada ou ausente e hipotonia. Estudos mostraram que quanto maior a deleção no gene SHANK3, mais aparentes são as características dismórficas e os prejuízos relacionados ao autismo.

Síndrome de Timothy

É uma síndrome rara causada por mutações no gene Cav1.2. Os indivíduos apresentam características de autismo, diferentes problemas cardíacos, sindactilia (que é a união entre dois ou mais dedos das mãos ou dos pés), características faciais dismórficas, imunodeficiência e disfunção neurológica. A síndrome de Timothy compartilha algumas das características do autismo, como déficits em habilidades de comunicação e socialização e no desenvolvimento de linguagem e fala. Deficiência intelectual e convulsões, outras características comuns em pessoas com autismo.

Essas são as principais síndromes relacionadas ao autismo, mas o autismo é mais frequente em outras síndromes também como por exemplo pacientes com Síndrome de Down tem maiores chances de apresentar autismo. É importante salientar que o acompanhamento médico é a única maneira de indicar a existência dessa relação de patologias associadas. Os pais e cuidadores devem ficar atentos aos sinais e buscar ajuda especializada para ter o tratamento adequado e realizar intervenções terapêuticas para diminuir os sintomas e melhorar a qualidade de vida dessas pessoas.

Read More