É possível mudar o nível de suporte do autismo?

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento que traz prejuízos na comunicação e interação social e no comportamento do individuo.

O TEA pode se apresentar em diferentes níveis de necessidade de suporte, descritos pelo DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria) como nível 1, nível 2 e nível 3 de suporte.

Acontece que, devido ao autismo ser um espectro, é possível sim que a pessoa transite por esses diferentes níveis, ou seja, a pessoa pode mudar o seu nível de suporte ao longo da vida.

Primeiramente, vamos esclarecer os níveis do autismo de acordo com o DSM-5:

Nível 1: é o autismo conhecido como “leve” e requer de pouco suporte. A pessoa enfrenta alguns desafios sociais como dificuldade para iniciar conversas com outras pessoas ou responder. Com isso, pode ser difícil fazer amigos, especialmente sem o apoio de especialistas.

Dessa forma, o autista sente necessidade de seguir padrões comportamentais rígidos, são mais apegados na rotina e não gostam de mudanças.

Nível 2: é o nível “moderado” do autismo, a pessoa precisa de mais suporte do que quem está com autismo nível 1. Assim, não conseguem manter uma conversa, falam pouco, sentem dificuldade com a comunicação não verbal como reconhecer expressões faciais. Sofrem muito com as mudanças.

Nível 3: é o nível “severo” e a pessoa precisa de mais apoio do que todos os outros níveis. Apresentam dificuldades severas na comunicação verbal e não verbal. São muitos limitados para interagir com outras pessoas.  

Além disso, apresentam muitos comportamentos repetitivos e restritivos que interferem diretamente na vida dele e das pessoas em sua volta. São dependentes dos pais e cuidadores para realizar as atividades básicas do dia a dia, como trocar de roupa ou comer.

É possível migrar de nível?

Com as intervenções baseadas na ciência ABA e outras intervenções baseadas em evidências, é possível ampliar a capacidade cognitiva, motora, de linguagem e de interação social do autista.

O autista no nível 3 normalmente precisa aperfeiçoar suas habilidades básicas, como olhar, ouvir e imitar, e as mais complexas como fazer um pedido e interagir.

O objetivo das intervenções é permitir que os indivíduos sejam bem-sucedidos e menos dependentes.

Com todas as intervenções é possível migrar do nível 3 para o nível 2 ou do nível 2 para o nível 1, por exemplo. Esse é o objetivo das intervenções, desenvolver habilidades e consequentemente mais autonomia e independência da pessoa com autismo.

A criança ou jovem com autismo no nível 1 se não for estimulada desde cedo, poderá aumentar as suas limitações sociais e seguir para o nível 2, precisando assim de mais de suporte. Isso é mais raro, mas pode acontecer também.

Vale destacar que é fundamental buscar por uma equipe multidisciplinar especializada no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e que utilizam intervenções baseadas em evidências.

Saiba mais em: Autismo: é possível sair do espectro?

A importância da intervenção precoce

Agora que falamos sobre os níveis do autismo podemos explicar como a intervenção precoce pode ajudar quem tem TEA a evoluir, se desenvolver e ter mais qualidade de vida.

A intervenção precoce é fundamental para o sucesso na comunicação, socialização, coordenação motora e outros aspectos do crescimento das crianças com autismo.

Diversas pesquisas demonstraram que a aprendizagem e desenvolvimento da criança ocorrem mais rapidamente na idade pré-escolar.

Por isso, a intervenção precoce ajuda as crianças com autismo a se desenvolver e aprender e não regredir os comportamentos.

Para ter sucesso, a intervenção precoce precisa ser individualizada, ou seja, ser elaborada de acordo com a necessidade de cada pessoa.

Cada um responde de maneira às intervenções e não há um modelo de programa único que seja adequado para todos.

O papel da família e pessoas próximas

Independentemente do grau do autismo, a pessoa com TEA precisa da compreensão e apoio dos familiares.

Muitas vezes, são necessárias muitas intervenções e terapias. Se for uma criança em idade escolar, ainda é necessário ajudá-la a interagir e encontrar formas para que ela consiga aprender respeitando o seu ritmo.

Geralmente, os pais e cuidadores precisam reforçar os comportamentos em casa. Por isso o treinamento e capacitação dos pais é tão imporantante. Além disso, é preciso paciência, amor e perseverança para que o autista evolua e consiga interagir e aumentar suas habilidades sociais.

Já no caso de adultos, é preciso compreender suas limitações sociais e ajudá-lo nas relações interpessoais como relacionamentos e trabalho.

O caminho pode ser longo, mas com as intervenções corretas e muita dedicação, o autista terá uma melhora significativa em sua independência e qualidade de vida.

Leia também: Importância do diagnóstico precoce

Referências

http://www.autismsupportnetwork.com/news/what-aba-now-really-autism-33299272

https://www.medicalnewstoday.com/articles/325106

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Síndrome de Down e Autismo

Você sabia que é bastante comum que pessoas com Síndrome de Down (SD) também estejam dentro do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)?

Mas, infelizmente muitas vezes esse duplo diagnóstico demora a acontecer. Com isso, as crianças com Síndrome de Down que também apresentam o TEA acabam não recebendo as intervenções mais adequadas. Por isso, é muito importante ficarmos atentos aos sinais do TEA para que esse diagnóstico aconteça.

Entenda o que é a Síndrome de Down

A Síndrome de Down é uma condição causada por uma alteração genética onde a pessoa apresenta um cromossomo a mais no corpo. O genoma humano é composto por 46 cromossomos, que vêm em 23 pares. 23 cromossomos vem do pai e 23 da mãe. As pessoas com Síndrome de Down têm 47 cromossomos, pois possuem três cópias do cromossomo 21 em vez de duas.

Até por conta disso, o Dia Internacional da Síndrome de Down ocorre no dia 21 de março, ou seja, 21/03 (21 – por causa do cromossomo 21 e 3 – por causa da trissomia).

Dessa forma, essa alteração nos cromossomos, que é chamada de trissomia do cromossomo 21 faz com que quem tem SD possua características físicas peculiares e na maioria das vezes algum grau de Deficiência Intelectual (DI).

A SD é a causa genética mais frequente de Deficiência intelectual. Geralmente a pessoa com SD apresenta uma DI de moderada a severa.

Outras características importantes são a hipotonia, que é a diminuição do tônus muscular e maior propensão ao desenvolvimento de algumas doenças como cardiopatias e problemas respiratórios.

Prevalência e diagnóstico da Síndrome de Down

No Brasil, estima-se que uma em cada 700 crianças nasça com essa condição genética. Atualmente, felizmente a expectativa de vida das pessoas com SD aumentou, e eles podem chegar a terceira idade com muito mais qualidade de vida.

Geralmente, a Síndrome de Down é detectada ainda na gestação durante o pré-natal, mas também há testes genéticos que podem diagnosticar a condição logo após o nascimento.

É possível realizar um diagnóstico pré-natal utilizando exames clínicos como amniocentese, que é uma pulsão onde retira uma amostra do líquido amniótico entre as semanas 14 e 18 de gestação ou a biópsia do vilo corial, que é a coleta de um fragmento da placenta. Ambos os exames diagnosticam a SD e outras cromossopatias, ou seja, alterações cromossômicas.

Sabe-se que o risco aumenta quando a mãe tem mais de 40 anos, mas as causas da Síndrome ainda não foram totalmente esclarecidas.

Síndrome de Down e Autismo

Bom, vamos falar um pouco agora da relação com o autismo?

Os estudos na literatura mostram que entre 12% e 39% dos indivíduos com Síndrome de Down também tem diagnóstico de TEA. Ainda não sabemos qual é a prevalência exata mas podemos perceber que o número é alto, ou seja, é bastante comum a pessoa com SD apresentar TEA também.

Infelizmente nem todos os profissionais e familiares estão cientes que a pessoa pode ter esse duplo diagnóstico de Síndrome de Down e autismo.

Por isso, os pais podem encontrar dificuldades para ter esse duplo diagnóstico, uma vez que o diagnóstico do autismo é clínico, ou seja, por meio de observação dos sintomas e comportamentos.

Não existe um biomarcador para autismo, ou então uma alteração genética conhecida para fazer um diagnóstico genético, assim como acontece com a SD. Por isso é sempre importante buscar por médicos especialistas e uma equipe multidisciplinar que atuam na área do TEA.

Ter o duplo diagnóstico é muito importante pois os pais passam a entender melhor seus filhos e a buscar por intervenções adequadas e baseadas em evidências para ambas condições. Assim, a pessoas com Down e autismo poderá receber um acompanhamento adequado, precoce e terá mais qualidade de vida.

Os pais podem ficar sem saber o que fazer após receber esse diagnóstico duplo. Podem precisar de ajuda, já que provavelmente não estavam minimamente preparados para lidar com essas duas condições.

Por isso, é extremamente importante que os pais recebam suporte e apoio psicológico. A melhor forma de acolher estas famílias é oferecendo apoio e munindo-as de informações a respeito do Transtorno do Espectro do Autismo e da Síndrome de Down para que elas tenham um melhor direcionamento dos próximos passos que devem seguir para o melhor desenvolvimento dos seus filhos.

Saiba mais em: O que o TEA?

Sinais do TEA em pessoas com SD

As pessoas com esse duplo diagnóstico podem ter um perfil específico e apresentar alguns sinais como:

  • Atraso no desenvolvimento da fala (da linguagem);
  • Pouco ou nenhum contato visual;
  • Crianças com SD geralmente não tem problemas de intenção comunicativa, já no TEA sim;
  • Presença de Ecolalias: crianças com SD geralmente não apresentam ecolalias. Se apresentar pode ser um sinal de TEA.
  • Déficit na atenção compartilhada: os autistas normalmente falham nessa habilidade, já as crianças com SD normalmente não tem essa falha. Então se tiver é um sinal de que essa criança tem autismo também.
  • Dificuldade de interação social;
  • Comportamentos motores repetitivos que não são comuns em pessoas com SD;
  • Brincar de maneira incomum com brinquedos ou outros objetos;
  • Resposta sensorial incomum, pessoas autistas geralmente apresentam dificuldades sensoriais, o que não é comum em pessoas com SD;
  • Dificuldade com mudanças na rotina;
  • Desinteresse em brincar com os outros.

Além disso, em alguns casos, crianças com as duas condições podem ter comportamentos como se machucar ou agredir outras pessoas. Eles podem ter dificuldades para alcançar marcos do desenvolvimento e ter problemas com a alimentação, para dormir e dificuldades de ir ao banheiro ou realizar a higiene pessoal. 

Outras comorbidades associadas

Quem tem Down também é mais propenso a ter outras condições médicas e comportamentais, incluindo problemas cardíacos, gastrointestinais, problemas de visão e audição, além de chances maiores de desenvolverem diabetes e alterações da tireoide. Por isso, é extremamente importante olhar a pessoa de forma integrativa, pois muitas vezes essas comorbidades trazem mais prejuízos para o indivíduo do que a própria condição genética.

Intervenção

Os pais devem contar com uma equipe de profissionais da área da saúde como Psicólogos, Fonoaudiólogos, Fisioterapias, Terapeuta Ocupacional (TO), Médicos (Pediatras, neuropediatras e Psiquiatras), psicopedagogos, nutricionistas, entre outros que ajudarão as crianças com Down e autismo a melhorar sua capacidade de fala, motoras, de realizar as atividades diárias e aprender de forma mais efetiva.

Lembrando que é fundamental que na infância esses indivíduos sejam estimulados  para lidar melhor com suas limitações e ampliar e melhorar suas habilidades. Por isso, a intervenção precoce é essencial.

O preconceito ainda existe, principalmente para pessoas com SD porque elas apresentam características físicas da síndrome. Mas, é importante que a família garanta que essas pessoas tenham preservados os seus direitos e as suas necessidades sejam atendidas.

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Senado aprova laudo permanente para diagnóstico de autismo

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou no dia 28/02/2024 o Projeto de Lei 3749/2020, de autoria do senador Romário (PL-RJ). Essa decisão confere caráter permanente aos laudos médicos que atestam o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), marcando uma mudança crucial na jornada pela compreensão e apoio aos indivíduos com autismo.

O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento e é uma condição permanente. Por isso, uma vez diagnosticado não há necessidade de renovação do laudo diagnóstico.

Saiba mais: O que o TEA?

O relator, senador Flávio Arns (Podemos-PR), conduziu a votação enfatizando a importância de eliminar a sobrecarga enfrentada por pais e responsáveis ao renovarem periodicamente os laudos. Sua única emenda, aprovada por unanimidade, visa redigir de maneira precisa a ementa do projeto, garantindo uma legislação sólida e eficaz.

Arns destacou que a renovação periódica dos laudos médicos é um processo desgastante para os autistas e seus familiares. Esta iniciativa não apenas alivia essa carga emocional, mas também preserva o respeito à dignidade das pessoas com TEA.

A proposta, agora enviada à Câmara dos Deputados para análise, promete impactar positivamente as famílias e é acompanhada de perto por representantes de operadoras de planos de saúde. O PL 3749/2020, uma emenda crucial à Lei Berenice Piana, reconhece o caráter permanente do autismo, proporcionando uma vitória para a inclusão social e um passo além na garantia dos direitos da pessoa com autismo.

Entenda o PL 3749/2020 sobre autismo

Na essência do Projeto de Lei 3749/20, Romário destaca a importância vital da inclusão social promovida pela Lei Berenice Piana (Lei 12.764, de 2012), mas destaca que ela não atingiu plenamente o respeito à singularidade e dignidade das pessoas com autismo. O senador argumenta com eloquência sobre a necessidade de reconhecer o caráter perene do autismo, uma condição intrínseca e imutável. Romário destaca a necessidade de um diagnóstico permanente, abolindo a exigência injustificável de obter novos laudos.

Esta medida, além de simplificar o caminho para as famílias, ressoa como um eco em prol da dignidade e compreensão contínua para aqueles que vivem com autismo. Este é um passo notável em direção a uma sociedade mais inclusiva e sensível às necessidades das pessoas com TEA.

Fonte: Agência Senado Federal

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Saiba mais sobre os lobos cerebrais e suas funções

Você sabia que o cérebro é um órgão bastante complexo e controla todas as funções do corpo? Ele interpreta as informações do mundo exterior e também é responsável pela inteligência, criatividade, emoção e memória.

O cérebro é dividido nos hemisférios direito e esquerdo. A camada mais externa do cérebro é chamada de córtex cerebral que é dividido em 5 lobos (frontal, parietal, temporal, occipital e ínsula).

Os lobos cerebrais desempenham diversas funções. Portanto, cada um desempenha funções muito específicas. Mas, é importante entender que cada lobo do cérebro não funciona sozinho. 

Vamos detalhar as funções de cada lobo cerebral. Os lobos cerebrais são:

  • Frontal
  • Parietal
  • Temporal
  • Occipital
  • Ínsula

Frontal

Estão localizados diretamente atrás da testa. Ficam responsáveis pelos movimentos voluntários do corpo, a linguagem e o gerenciamento das habilidades cognitivas.

Portanto, os lobos frontais são considerados o centro de controle comportamental e emocional e responsável pela personalidade. 

Quem sofre algum dano nos lobos frontais podem ter problemas como paralisias, perda de movimentos corporais, incapacidade de se expressar, perda de flexibilidade. Além de ter dificuldade para se concentrar em uma tarefa, em resolver problemas, apresentar mudanças na personalidade e de comportamentos.

Parietal

Estão localizados atrás do lobo frontal e são responsáveis pela integração das informações sensoriais. Isso inclui toque, temperatura, pressão e dor.

Além disso, os lobos parietais também desempenham um papel na capacidade da pessoa de avaliar o tamanho, a forma e a distância. Além disso, ajudam na interpretação dos símbolos. 

Temporal

Ficam atrás das orelhas e são o segundo maior lobo. Contribuem com o processamento de informações auditivas e a codificação da memória. Além disso, desempenham um papel importante no processamento de afeto, linguagem e percepção visual.

O dominante (geralmente o lado esquerdo) está envolvido na compreensão da linguagem, no aprendizado e na lembrança de informações verbais. 

O lobo não dominante está envolvido no aprendizado e na lembrança de informações não verbais como a música.

Danos nos lobos causam dificuldade em compreender palavras, o que vemos e ouvimos, em aprender e reter novas informações e em reconhecer rostos.

Occipital

Situam-se na parte posterior da cabeça e desempenham um papel central no processamento visual primário. São responsáveis pela interpretação das cores, pelo reconhecimento facial, pela percepção de profundidade, pelo processamento visuoespacial. Além de possibilitar a percepção visual, os lobos occipitais também facilitam o processamento e a interpretação das informações visuais.

Danos na região podem dificultar a localizar objetos, identificar cores, causar alucinações, incapacidade de reconhecer palavras, dificuldades para ler e escrever.

Ínsula

Este lobo não é facilmente identificável externamente, mas pode ser visualizado quando o lobo temporal é deslocado.

A ínsula está envolvida no processamento e integração de uma variedade de informações, como sensações gustativas, viscerais, de dor e vestibulares. Estudos apontam que a ínsula está ligada a desejos e vícios. 

Além disso, desempenha um papel importante em uma ampla gama de transtornos psiquiátricos, como esquizofrenia, pânico, estresse pós-traumático e transtornos obsessivo-compulsivos (TOC).

Alterações nos lobos frontais no autismo

O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento. Mas, você já parou para pensar como funciona o cérebro de uma pessoa no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)?

Os cientistas de todo o mundo têm procurado compreender os mecanismos que possam estar ligados a essa “desordem neurológica” que compromete a interação e comunicação social e os comportamentos da pessoa.

Sabe-se que a condição ocorra devido a alterações cerebrais e a forma como os neurônios se conectam. Alterações no córtex temporal podem causar prejuízo na percepção de informações importantes para a interação social, por exemplo.

Além disso, pesquisas apontam que, em alguns grupos estudados, crianças com TEA possuem um excesso de sinapses – as conexões entre as células cerebrais, o que ocorre devido a uma ineficiência no processo de poda neural durante o processo de desenvolvimento cerebral. Devido a esse fato poderiam ocorrer déficits neurológicos comuns no autismo.

Há também pesquisas sobre o lobo frontal que indicam que alterações nessa região cerebral podem explicar os comportamentos característicos do autismo.  Pesquisas apontam que o dano no lobo frontal está associado ao comprometimento de funções como planejamento, organização e autorregulação, embora o funcionamento intelectual geral permaneça intacto.

Muitas pesquisas continuam em andamento sobre o funcionamento cerebral dos autistas. Isso é importante para que se descubram as causas do autismo, ampliem-se os diagnósticos para que as pessoas com TEA comecem a fazer a intervenção precoce o quanto antes. Além de ampliar os tipos de tratamentos que aumentarão a qualidade de vida dessas pessoas.

Leia também: Minicérebros utilizados no estudo do Transtorno do Espectro do Autismo

Referências:

http://www.alasbimnjournal.net/contenidos/frontal-and-temporal-lobe-dysfunction-in-autism-and-other-related-disorders-adhd-and-ocd-80

https://www.spectrumnews.org/news/brain-structure-changes-in-autism-explained/

https://www.scielo.br/pdf/prc/v14n2/7855.pdf

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Entendendo a ecolalia no autismo

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é caracterizado por prejuízos na comunicação e interação social e no comportamento. Entre os diversos aspectos da linguagem no autismo, a ecolalia é muito comum.

A ecolalia é um distúrbio de linguagem que faz com que a criança repita tudo o que ouve como um eco ou usam palavras aleatórias fora de contexto.

Elas também podem ser descritas como estereotipias verbais. A definição mais utilizada é “uma repetição em eco da fala” que foi descrita em 1943.

Saiba mais em: O que o TEA?

Cabe ressaltar que a ecolalia, na verdade, faz parte normal do desenvolvimento infantil. E à medida que as crianças aprendem a falar, imitam os sons que ouvem.

No entanto, à medida que as crianças crescem, elas começam a utilizar a linguagem de maneira mais sofisticada para expressar desejos, necessidades e ideias e não fazem mais o uso das ecolalias (por volta dos 2 anos de idade a criança já deve começar a diminuir as ecolalias). Mas, em crianças com autismo é comum que a ecolalia persista após os 3 anos de idade e isso é um sinal de alerta para o TEA, principalmente quando a ecolalia é usada fora do contexto.

A ecolalia é um dos sintomas mais comuns entre as características da linguagem no autismo. 

Algumas crianças e também adultos imitam os sons da fala sem entender o significado por trás desses sons. A ecolalia pode surgir como uma resposta à sobrecarga sensorial, onde a repetição de palavras ou frases oferece uma forma de lidar com desafios sensoriais.

Em alguns casos a ecolalia pode não ter nenhum significado de comunicação e ocorrer como uma ferramenta para que o autista se acalme. Neste caso, ela é considerada uma forma de auto-estimulação da mesma forma que ocorre com outras estereotipias.

Tipos de Ecolalia

A ecolalia pode ser imediata, mediata (conhecida como tardia) ou mitigada.

Na ecolalia imediata a criança repete as palavras logo depois de ouvi-las. Ou seja, a criança repete imediatamente após ouvir algo, como se estivesse ecoando as palavras.

Na ecolalia tardia a repetição ocorre após um intervalo de tempo significativo. A pessoa pode armazenar uma expressão ou frase na memória e repeti-la em outro momento, muitas vezes fora de contexto.

Já a ecolalia mitigada caracteriza-se por situação em que podem ser feitas modificações da emissão ecoada, seja imediata ou tardia, para fins comunicativos funcionais. Portanto, a ecolalia mitigada é uma variação em que o indivíduo repete ou modifica palavras e frases ouvidas, incorporando-as em sua própria comunicação.

É importante compreender que a ecolalia, quando funcional, desempenha um papel valioso na comunicação para indivíduos autistas.

Compreendendo melhor a ecolalia

Vários estudos indicam que a ecolalia imediata sugere a intenção comunicativa da criança. Por isso, acredita-se que é uma forma dela se comunicar com o outro ou manter o diálogo.

Pesquisadores que estudam a ecolalia observaram padrões na maneira como ela progride em crianças com TEA. Geralmente, as crianças repetem trechos da linguagem sem entender o que elas significam. Depois começam a modificar esses trechos, misturam e recombinam palavras e frases que usaram. A partir do momento que começam a entender mais a linguagem, algumas crianças usam frases mais curtas ou apenas uma ou duas palavras para se expressar.

Dessa forma, a linguagem se torna mais espontânea e flexível. É comum também que a ecolalia seja usada ocasionalmente, especialmente quando a criança está cansada, confusa ou frustrada. 

Diversos pesquisadores consideram a ecolalia apenas como uma característica comum das dificuldades de linguagem no TEA. Porém, é importante buscar compreender a pessoa que fala e se isso não atrapalha o desenvolvimento da comunicação, além de prejudicar na reciprocidade e o contato com outras pessoas.

Um profissional consegue diagnosticar a ecolalia conversando com a pessoa e observando os seus comportamentos e se há repetição de fala.  A ecolalia tem uma função e temos que descobrir qual é e ajudar a moldar a linguagem para que ela seja flexível e funcional. 

Independentemente da utilidade da ecolalia para a pessoa com autismo, o hábito pode interferir na interação social e no aprendizado. Portanto, a maioria dos pesquisadores se concentra em ajudar a pessoa a mudar para uma forma mais funcional de linguagem. Além disso, sabe-se que a pessoa com autismo tem maior probabilidade de usar a ecolalia quando não conseguiu aprender uma resposta apropriada à pergunta.

Portanto, os profissionais e cuidadores devem observar atentamente a ecolalia para compreender seu propósito. Identificar se é uma resposta a estímulos específicos ou uma tentativa de comunicação é crucial.

Tratamento

O tratamento costuma ser multidisciplinar com a atuação de fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e psicólogos. E a intervenção deve se pautar na individualidade da criança. Portanto, o objetivo é fazer com que a criança autista ganhe autonomia e independência para conseguir se comunicar. Os especialistas devem realizar intervenções baseadas em evidências.

Pontos importantes:

Identificar as funções da Ecolalia: Identificar padrões e contextos em que a ecolalia ocorre pode fornecer insights valiosos sobre suas funções comunicativas. Determinar se a ecolalia está servindo como uma forma de autoestimulação, expressão de necessidades ou outra função. Isso pode orientar o desenvolvimento de estratégias específicas.

Incentivar a comunicação funcional: é essencial promover formas alternativas de expressão e comunicação para reduzir a dependência da ecolalia como principal meio de interação e desenvolver uma comunicação funcional.

Contextualizar e Respeitar: Reconhecer que a ecolalia muitas vezes desempenha uma função importante na vida do indivíduo, seja imediata, tardia ou mitigada, e abordá-la com respeito e empatia.

Além disso, é muito importante a participação dos pais e cuidadores que também devem receber orientação dos profissionais para estimular a comunicação funcional, generalizar as habilidades desenvolvidas e contribuir para a evolução da criança no dia a dia e nos contextos naturais.

Referências

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19838574/

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/3215891/

https://www.verywellhealth.com/why-does-my-child-with-autism-repeat-words-and-phrases-260144

https://link.springer.com/article/10.1007/s40489-015-0067-4

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Conheça-os-10-principais-sinais-de-autismo

Conheça os 10 principais sinais de autismo

Já falamos algumas vezes sobre a importância de identificarmos os sinais do Autismo (Transtorno do Espectro do Autismo -TEA) precocemente.

Portanto, quanto mais cedo ocorrer o diagnóstico, mais rapidamente o autista começará as intervenções precoces. Com isso, conseguirá desenvolver as habilidades cognitivas, sociais e de linguagem. Dessa forma, o autista terá mais qualidade de vida, independência e autonomia para realizar as atividades diárias.

O diagnóstico do TEA é considerado essencialmente clínico, baseado em evidências científicas, em conformidade com os critérios estabelecidos por DSM–V (Manual de Diagnóstico e Estatístico da Sociedade Norte-Americana de Psiquiatria) e pela CID-11 (Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde – OMS).

Os sinais do autismo geralmente se manifestam antes dos três anos de idade, mas há casos que já podem ser identificados antes mesmo dos 18 meses de vida da criança.

Os 10 sinais e sintomas comuns em crianças com autismo são:

  • Pouco contato visual
  • Dificuldade de interação
  • Não imitam
  • Não atendem quando são chamadas
  • Dificuldade em atenção compartilhada
  • Atraso na fala
  • Dificuldades na comunicação não verbal
  • Comportamentos sensoriais incomuns
  • Não brincar de “faz de conta”
  • Movimentos estereotipados

1. Pouco contato visual

A criança não olha quando é chamada pelo nome ou não sustenta o olhar. Sabe-se que essa dificuldade ocorre devido a uma resposta a uma sensação de desconforto quando expostas a muitos estímulos sociais.

Muitos não conseguem se concentrar na fala e nos olhos das pessoas ao mesmo tempo. E também não entendem que o olhar fornece informações em uma interação.

2. Dificuldade de interação

As crianças e adultos autistas apresentam dificuldades na interação social e precisam de ajuda para aprender a agir em diferentes tipos de situações sociais.

Além disso, é comum que o autista tenha dificuldade de entender as outras pessoas, entender as expressões faciais e linguagem corporal. Muitas vezes podem não gostam tanto de contato físico, apresentam dificuldades em compartilhar atenção e por isso preferem brincar sozinhos. Por conta disso, sentem mais dificuldade de fazer amigos e se relacionar.

3. Não imitam

Os bebês começam a imitar atitudes e comportamentos por volta dos seis a oito meses de vida.

A imitação envolve a capacidade de uma criança de copiar as ações de adultos e colegas. Por isso, elas aprendem a realizar ações com objetos, a fazer gestos e movimentos corporais como bater palmas ou acenar e também a se comunicar.

Crianças que estão no espectro costumam ter grande dificuldade em imitar. Isso pode comprometer o seu desenvolvimento.

4. Não atender quando são chamadas

A criança com autismo normalmente não responde quando é chamado pelo nome e por isso muitas vezes os pais pensam em surdez no primeiro momento. É importante destacar que o bebê neurotípico (não autista) consegue reagir ao ser chamado pelo nome por volta dos 6-9 meses de idade.

Sendo assim, reconhece seu nome e que as pessoas estão falando com ele, ou seja, responde a esse estímulo. Isso normalmente não acontece com crianças com autismo.

Geralmente, elas não esboçam reações e é como se não tivessem ouvindo seus pais chamando ou interagindo com elas.  Podem também fixar o olhar em algum objeto incomum.

5. Dificuldade na atenção compartilhada

A atenção compartilhada acontece quando duas pessoas focam em um mesmo objeto ou dão atenção para uma mesma situação, por exemplo. Essa atenção pode ocorrer por meio do olhar, gestos ou quando alguém aponta ou indica algo, além de palavras.

A atenção compartilhada contribui com a comunicação e a aprendizagem. No entanto, vale destacar que geralmente os autistas apresentam dificuldades para conseguir se comunicar dessa forma. Por isso, geralmente eles não demonstram interesse em brincadeiras coletivas.

6. Atraso na fala

A criança acima de dois anos que não fala palavras ou frases deve receber maior atenção.  Alguns autistas apresentam atrasos no desenvolvimento da fala e outras dificuldades de linguagem.

Por isso, é importante que os pais e os responsáveis fiquem atentos aos marcos de desenvolvimento da fala. Se achar que a criança está demorando muito para balbuciar ou falar as primeiras palavras, vale a pena conversar com o pediatra e procurar ajuda de um fonoaudiólogo especialista.

Leia também: Entendendo a ecolalia no autismo

7. Dificuldades na comunicação não verbal

A pessoa com autismo geralmente tem dificuldades para entender linguagem não verbal como por exemplo gestos, expressões faciais, metáforas, ironias, entre outras.

8. Comportamentos sensoriais incomuns

Estudos mostram que as habilidades sensoriais dos autistas podem ser ineficientes. Eles podem, por exemplo, ter uma sensibilidade maior aos estímulos do ambiente ou ainda uma sensibilidade muito menor.

Quando há hipersensibilidade, a pessoa percebe os estímulos do ambiente com mais facilidade. Por isso, acham as luzes e as cores muito brilhantes, os sons ficam bem intensos, os odores se tornam muito fortes e as sensações táteis são interpretadas de modo profundo.

Já quem tem hipossensibilidade precisa de bastante excitação ou esforço para sentir o estímulo. Nesses casos, a pessoa costuma ser agitada, faz mais bagunça, tem pouca resposta à dor ou gosta de muito barulho, por exemplo.

Por isso, os autistas muitas vezes sentem muitas dificuldades para lidar com as diversas sensações do ambiente.  

Portanto, é muito comum pessoas com autismo apresentarem essas questões sensoriais e isso pode levar a crises.

9. Não brincar de “faz de conta”

A criança autista não costuma criar suas próprias histórias, geralmente apresenta dificuldades para participar das brincadeiras dos colegas e para utilizar brinquedos para simbolizar personagens.

Nesses casos, costumam ser mais solitárias e brincam com partes de brinquedos ou outros objetos sem dar função.

10. Movimentos estereotipados

Os autistas geralmente apresentam movimentos, comportamentos e/ou atividades desencadeadas de maneira involuntária e repetitiva.

Portanto, podem chacoalhar as mãos, balançar-se para frente e para trás, correr de um lado para outro, pular ou girar sem motivos aparentes. Os movimentos podem se intensificar em momentos de felicidade, tristeza ou ansiedade, já que a estereotipia é uma forma que a pessoa encontra para ajudar na autorregulação.

Procure ajuda especializada!

Se percer qualque atraso no desenvolvimento do seu filho e notar alguns sinais destacados neste artigo converse com o pediatra e procure ajuda especializada.

Portanto, quanto antes observar os sinais e realizar o diagnóstico melhor será para o desenvolvimento do pequeno. Além disso, busque sempre por intervenções baseadas em evidências científicas, como as baseadas na ABA (Análise do Comportamento Aplicada).

Saiba mais: O que é o autismo (TEA)?

Leia também: Por que escolher intervenções baseadas na ABA para autistas?

Referências

https://autismsciencefoundation.org/what-is-autism/autism-diagnosis/

https://www.autismspeaks.org/signs-autism

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Entenda o autismo não verbal

Além das dificuldades na interação social e no comportamento, os atrasos no desenvolvimento da fala são indicadores que levam muitos pais e profissionais a suspeitarem do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

É frequente a utilização do termo “não verbal” para descrever crianças que ainda não desenvolveram a capacidade de falar, mas isso não está totalmente correto.

Na verdade, essa pessoa é “não falante” o que NÃO significa necessariamente que ela seja “não verbal”.

A comunicação verbal vai além da fala. Comunicação verbal significa que a pessoa se comunica através de verbos. Portanto, a ausência da fala não significa, obrigatoriamente, uma incapacidade de se comunicar através de verbos.

Vamos entender melhor? Veja abaixo mais detalhes sobre o que significa Não Verbal e Não Falante.

Não verbal

É alguém que se comunica através de gestos, expressões faciais, movimentos corporais ou outros meios adaptativos. Essa pessoa não utiliza verbos para se comunicar, nem por meio da fala e nem por meio da escrita. Ou seja, essa pessoa é não verbal.

Não falante 

É alguém que NÃO se comunica através da fala, mas pode empregar outras formas de linguagem verbal para se expressar como por exemplo a escrita e a digitação.

Ou seja, essa pessoa é não falante, mas é verbal, pois ela utiliza verbos para se comunicar, mesmo que seja de outra forma diferente da fala propriamente dita. Ficou claro agora?

Então…

É errado dizer que toda pessoa que não desenvolveu a fala é “não verbal”. Uma pessoa não falante pode sim ser verbal se ela utilizar verbos para se comunicar através de outros meios diferentes da fala.

Estima-se que cerca de 30% das pessoas com TEA não conseguem utilizar a fala para se comunicar ou utilizam um número restrito de palavras.

Portanto, elas podem se comunicar por meio da linguagem escrita, por gestos, cartões ou por meio da tecnologia com aplicativos ou eletrônicos. Por isso a implementação da Comunicação Aumentativa Alternativa (CAA) é tão importante. Nós precisamos e devemos oferecer recursos para dar voz para essas pessoas. Afinal o mais importante é a pessoa conseguir se comunicar, não importa a maneira!

Fala, linguagem e comunicação

Para entender mais sobre o assunto é importante distinguir os termos fala, linguagem e comunicação. Vamos lá?

A fala é a comunicação oral através da transmissão de sons. Para que ela ocorra a pessoa deve utilizar os órgãos fonoarticulatórios como: a boca, os lábios, a língua, o palato mole, o palato duro e os dentes.

A linguagem inclui todo o sistema de comunicação, podendo ser verbal ou não verbal. Resumindo, a fala é a nossa capacidade de nos comunicar oralmente, e a linguagem é a capacidade global de comunicação.

A comunicação é o processo de transmitir informações, ideias, sentimentos, pensamentos de uma pessoa para outra. Portanto a comunicação pode ser realizada através da fala e da linguagem.

O que pode ser feito para melhorar a comunicação do autista não verbal

É importante que os pais procurem uma intervenção terapêutica para desenvolver e melhorar as habilidades de comunicação da criança autista.

As famílias, professores e pessoas próximas podem ajudar no desenvolvimento da comunicação. É importante que as crianças autistas sejam estimuladas a interagir com outras pessoas e brinquem, pratiquem atividades lúdicas. Gestos e contato visual podem ajudar bastante no desenvolvimento da comunicação. Ele precisa se sentir à vontade para se expressar no seu próprio tempo, sem pressões desnecessárias.

A tecnologia também pode ser usada a favor da comunicação. Há diversos dispositivos e aplicativos com imagens que podem contribuir para que a criança autista não verbal se comunique e até mesmo se divirta.

Lembrando que os terapeutas capacitados são os mais indicados para mostrar quais são as estratégias para incentivar o desenvolvimento da comunicação. Por isso, é fundamental buscar ajuda profissional para realizar as intervenções necessárias.

Referências

https://www.cdc.gov/ncbddd/autism/signs.html

https://www.autismspeaks.org/expert-opinion/seven-ways-help-your-child-nonverbal-autism-speak

https://www.verywellhealth.com/what-is-nonverbal-autism-260032

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