Como a escalada do comer pode ajudar na seletividade alimentar

Muitas pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) apresentam algum tipo de seletividade alimentar ou recusa alimentar persistente. Isso dificulta que se alimentem adequadamente. Para isso, existem algumas estratégias como a escalada do comer ou escalada para o alimento.

Por meio da escalada do comer criam-se experiências sensoriais positivas com os alimentos.

Para exemplificar, uma criança dentro da escalada, realizará como se fosse um passo a passo, se aproximando e aceitando de forma gradativa os alimentos.

Vale destacar que as crianças com TEA podem apresentar comportamentos restritivos, seletivos e ritualísticos que afetam diretamente seus hábitos alimentares resultando em desinteresse e recusa para alimentação.

Além disso, a alimentação pode ser negativamente afetada pela sensibilidade sensorial a texturas, gostos, cheiros e temperaturas dos alimentos especialmente em crianças com autismo.

Passos da escalada do comer

É importante seguir um passo a passo para que a criança com autismo vá se adaptando às mudanças e consiga se alimentar melhor. A seguir, veja os passos da escalada do comer.

Tolerar

A criança fica próxima do alimento sem se sentir incomodada ou com algum desconforto. Pode apenas visualizar, deixar o alimento perto ou no prato. Sendo assim, ela passa a tolerar os alimentos.

Interagir

A criança sente interesse pelo alimento e começa a interagir, pode ser como uma brincadeira. Aceita tocar mesmo que seja com o garfo.

Cheirar

A criança se aproxima mais do alimento e sente o seu cheiro, mesmo sem tocar.

Tocar

A criança pega o alimento com as mãos, segura, manuseia de forma natural.

Provar

Coloca na boca e se familiariza com as características do alimento, ou seja, sabor, textura e temperatura. Pode mastigar e cuspir, passar a língua, morder.

Comer

Finalmente, a criança aceita o alimento, mastiga e engole. Em seguida, ele passa a fazer parte da sua dieta.

Como os pais e cuidadores podem ajudar?

Permitir as brincadeiras com os alimentos é fundamental para que a criança passe a tolerar o item escolhido.

Os pais e cuidadores devem criar um ambiente tranquilo, leve e divertido para as refeições. A criança precisa ser respeitada o tempo todo, não pode ser forçada a nada.

É importante manter a calma, nunca ameaçar a criança a se alimentar e ela precisa se sentir livre para tocar, conhecer, brincar e cheirar o alimento. Lembre-se que a sujeira faz parte do processo.

Diga sempre para a criança que ela pode experimentar, no entanto, não é obrigada a engolir, caso não goste do sabor ou textura.

Veja abaixo algumas outras dicas que podem ser úteis nesse processo:

  • Manter a rotina: estabelecer horários para a criança comer faz com que ela entenda a necessidade de se alimentar. Vale a pena incentivar que ela participe ativamente da refeição, ou seja, prepare os alimentos e ajude a organizar a mesa.
  • Evite lanches e guloseimas fora de hora: isso evita que a criança perca a fome e se alimente adequadamente.
  • Varie bastante: sempre que possível coloque diversos alimentos à mesa para que ela possa se servir. Varie sempre nas texturas, cores e sabores.
  • Incentive a autonomia: faça com que a criança se sirva durante as refeições e escolha o que quer comer.
  • Leveza durante as refeições: conversem sobre assuntos variados durante as refeições e brinquem com a criança.
  • Comemore as conquistas: todos os alimentos novos que a criança experimentar e aceitar devem ser comemorados. Continue oferecendo novos alimentos e a recompense com um brinquedo ou brincadeiras.
  • Evite eletrônicos: as refeições devem ser momentos descontraídos e focados na alimentação. Evite usar celular e ver televisão enquanto a criança se alimenta para não distraí-la.

Saiba mais em: Sinais do Autismo – Conheça 14 sinais que são comuns em crianças com autismo

Leia também: Como estimular o aprendizado por meio de brincadeiras?

Referências:

https://www.verywellhealth.com/how-to-help-children-with-texture-aversions-to-food-1323972

https://raisingchildren.net.au/autism/health-daily-care/daily-care/eating-habits-asd

https://www.spectrumnews.org/opinion/eating-aversion

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Modelo Denver de Intervenção Precoce

O Modelo Denver de Intervenção Precoce trata-se de uma intervenção comportamental, sendo uma abordagem terapêutica com resultados comprovados em crianças autistas com idade de até 5 anos.

Assim, esses modelo de intervenção precoce utiliza princípios da Análise do Comportamento Aplicada (ABA, sigla em inglês). Em 2012, foi considerado uma das melhores descobertas médicas pela revista Times.

Então, no modelo Denver os estímulos são feitos através das brincadeiras seguindo a liderança e motivação das crianças. Por meio de brincadeiras, as crianças são encorajadas e estimuladas a melhorar suas habilidades.

Sendo assim, os pais e terapeutas usam atividades lúdicas para reforçar os comportamentos positivos.

Como funciona o Modelo Denver de Intervenção Precoce

O Modelo Denver ajuda a estabelecer comportamentos focados no relacionamento nas crianças desde cedo, o que contribuirá na sua integração a grupos sociais.

Portanto, pesquisas comprovaram que o Modelo Denver melhora a atividade cerebral relacionada às habilidades sociais e de comunicação dos autistas.

Além disso, ajuda a estabelecer comportamentos focados no relacionamento nas crianças desde cedo, o que melhora sua integração social.

Destaca-se por ser uma intervenção baseada no relacionamento e envolve os pais e familiares da pessoa com  autismo.

Então, por meio de suas atividades cotidianas, as crianças autistas conseguem se conectar, se comunicar e a aprender.

Para trabalhar a interação social são utilizados diferentes tipos de jogos e atividades.

São utilizados brinquedos apropriados à idade da criança. Há também brincadeiras sociais com o objetivo de promover a interação social. E podem ser usadas atividades como pintar, desenhar e brincar.

Afinal, essas atividades ajudam a promover a interação social e aumentam a motivação da criança para criar novos contatos sociais e melhoram a capacidade de aprendizagem.

Portanto, o objetivo é promover a importância das recompensas sociais e, consequentemente, melhorar a atenção e motivação da criança.

Como Utilizar 

Pode ser usado em diferentes contextos, incluindo a casa da criança, uma clínica ou até mesmo na escola. O modelo utiliza estratégias naturalistas.

Por isso, o envolvimento dos pais e pessoas próximas é fundamental. Dessa forma, os terapeutas explicam as estratégias que devem ser praticadas no ambiente familiar.

Por isso, é muito importante encontrar especialistas no Modelo Denver para aplicar a técnica de forma adequada e segura.

Principais características do Modelo Denver

• Interação parental profunda.

• Lições de linguagem e comunicação baseadas em um relacionamento

afetivo e positivo.

– Foco no afeto positivo e na dinâmica interpessoal.

– Estratégias baseadas na ABA.

– Atividades que reforçam o envolvimento compartilhado.

– Uma sensibilidade maior aos objetivos normais de desenvolvimento infantil.

Portanto , o Modelo Denver pode ser aplicado por:

– Psicólogos;

– Terapeutas ocupacionais;

– Fonoaudiólogos;

– Acompanhantes Terapêuticos (ATs);

– Pediatras;

– Entre outros profissionais.

Para ser eficaz, procure ajuda de um profissional capacitado e habilitado para aplicar o método.

Por isso, os profissionais que trabalham com o Modelo Denver devem seguir algumas etapas do check list para assim, avaliar o desenvolvimento da criança, saber quais habilidades foram adquiridas e quais faltam ser aprimoradas.

As principais habilidades avaliadas inicialmente são: comunicação receptiva, comunicação expressiva, competência social, habilidades motoras, habilidades de imitações, cognição, comportamentos e independência.

Geralmente, após alguns meses, são realizadas novas avaliações, pois é necessário identificar o que foi possível evoluir e traçar novos objetivos se for necessário.

Saiba um pouco mais

O Modelo Denver de Intervenção Precoce foi desenvolvido e aperfeiçoado após muitos anos de estudos e pesquisas no Centro de Excelência em Autismo, na Califórnia (EUA).

Certamente, o diferencial do modelo é usar estratégias de ensino naturalistas, em que a criança aprende brincando a desenvolver ferramentas necessárias para explorar o mundo e se relacionar com as pessoas.

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Viagens e autismo: como lidar com mudanças na rotina?

As férias envolvem muitas mudanças na rotina que podem acarretar alguns desafios para quem tem o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Todo mundo precisa de uma pausa na correria do dia a dia e no final do ano é bastante comum que as famílias planejem viagens para relaxar.

Mas para quem convive com pessoas com autismo essa mudança na rotina pode ser mais complicada.

Principalmente porque as pessoas com autismo tendem a ter problemas com mudanças de rotina.

Além disso, é bastante comum que eles sintam dificuldades para lidar com o tempo, especialmente crianças. A espera costuma ser difícil para eles, pois não conseguem ser pacientes e tendem a ficar ansiosos.

E pessoas com autismo costumam ter problemas para interagir com outras pessoas. Por isso, encontrar outras crianças que não fazem parte da rotina familiar pode ser assustador para quem possui TEA. 

E é importante lembrar que o autista geralmente possui dificuldades sensoriais. Aeroportos, rodoviárias e hotéis podem ser muito barulhentos e as multidões causam desconfortos.

Mas, não é impossível que uma pessoa com autismo consiga fazer viagens e aproveitar as férias. Viajar ajuda a ampliar os horizontes e aumentar as experiências.

Por isso, planejamento é a palavra-chave para quem está disposto a enfrentar esse desafio.

Listamos, a seguir, algumas dicas que podem facilitar esse processo.

Escolha o lugar certo

É fundamental escolher um lugar acolhedor, sem ruídos. Converse com a administração e explique que você precisa de um lugar tranquilo e se achar que não será atendido, procure outro lugar. Pergunte sobre as instalações e como elas atendem às necessidades especiais.

Evite estimular a ansiedade do autista

Cuidado ao iniciar a contagem regressiva cedo demais. As crianças com autismo são propensas à ansiedade e antecipar o evento pode ser estressante.

Explique a situação para o autista

Conte para a criança o que vai acontecer, antecipação traz conforto para o autista. Os pais podem mostrar aos seus filhos fotos ou filmes do local ou pesquisar na internet juntos. Ensine seu filho o que esperar antes de partir para o destino escolhido.

Prepare-se

Escolha um horário com antecedência, levando em consideração qualquer comportamento repetitivo ou rotinas que a pessoa tenha estabelecido. Esteja preparado para atrasos ou mudanças no trajeto da viagem e o desconforto que isso pode causar para quem tem autismo.

Estabeleça uma rotina

Embora as viagens precisem de alguma flexibilidade na programação, considere se há alguma necessidade na rotina diária do seu filho que pode ser mantida durante a viagem. 

Por isso, pense na rotina diária e nos itens que ele gosta ou que precisa e não se esqueça de fazer o possível para que ele se sinta confortável.

Durante a viagem

Traga brinquedos, jogos e objetos de conforto para a criança. Leve tudo o que puder para fazer a sua viagem mais confortável, como fones de ouvido para ouvir música, livros ou brinquedos e travesseiros.

Na hora do embarque

Se for viajar de avião ou ônibus, esperar nas filas pode ser muito difícil para as crianças autistas.

Para evitar isso, solicite o embarque prioritário. Isso elimina a espera na fila e também garante que você esteja acomodado no avião antes que uma multidão de pessoas comece a entrar nos corredores estreitos.

Você também pode optar por um voo que sai à noite para que seu filho(a) adormeça mais rápido e tenha mais conforto.

Se for a primeira vez de avião

Use recursos visuais como fotos para mostrar a criança autista como é um avião, a tripulação e o aeroporto. Familiarize-o com o que ele pode encontrar de diferente como pessoas e equipamentos que ele poderá encontrar no dia. 

Um exemplo é mostrar uma foto de um comissário de bordo e informar de que aquela pessoa uniformizada como a da foto estará ajudando a família em todas as suas necessidades.

Segurança em primeiro lugar

Se for para um local desconhecido, pense em colocar na pessoa com autismo alguma forma de identificação como pulseira. É preciso checar a questão da sensibilidade sensorial e ver se o autista permite esse tipo de objeto.

Aproveite o momento!

As férias são momentos divertidos com a família e amigos. Tente não se estressar com o que você não pode controlar. Não se esqueça de aproveitar e tirar muitas fotos dessas situações. Aproveite as suas férias como um tempo para desfrutar com a família e os amigos e para estmular a interação social do seu filho.

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