Vencendo mitos sobre o autismo: conhecimento como arma para desconstruir inverdades

Quando se fala em Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), é possível observar que há um grande desconhecimento da sociedade em geral sobre o transtorno.

A consciência sobre o TEA tem sido aperfeiçoada, o que é muito positivo. Mas ainda há muito a ser vencido para vencer determinados “pré” conceitos que criam barreiras à evolução daqueles que estão no espectro.

A falta de conhecimento sobre o assunto, somada à propagação de inverdades sobre a condição, geram mitos que podem dificultar a compreensão, o apoio, o cuidado e acolhimento necessário para quem está no espectro. Uma barreira para que o indivíduo com TEA possa desenvolver habilidades que o possibilitem viver em comunidade, sem se sentir isolados, com qualidade de vida, independência e autonomia.

Para contribuir com a disseminação de informações que quebrem os mitos e propaguem verdades sobre o TEA, a NeuroConecta preparou um especial com cinco dos principais mitos que ainda permeiam o imaginário popular distanciando as pessoas da realidade que é vivenciar o TEA.

Nós, da NeuroConecta acreditamos que conhecimento é a maior e melhor ferramenta que há para desconstruir inverdades e vencer mitos que ainda permeiam o universo do TEA. Acompanhem.

É MITO QUE….

1) O autismo seja causado pelo comportamento da mãe

Na década de 70/80 havia a teoria “da mãe geladeira”, que dizia que a frieza das mães altamente intelectualizadas, com vida profissional ativa, distantes de seus filhos, levaria ao autismo. Esta teoria, que por anos a fio assombrou as famílias, sobretudo fazendo recair uma culpa nos pais, demonstrou-se falsa. Os estudos apontam que as causas têm se mostrado precoces, ainda na formação do sistema nervoso central dos bebês e que nada tem a ver com a criação da criança.

2) O autismo seja causado por vacinas

Outra teoria que caiu por terra refere-se à imunização. Esse é um assunto um tanto quanto polêmico, sobretudo em países como Estados Unidos. Havia este conceito equivocado de que vacinar a criança poderia desencadear o autismo. O que acontecia é que a idade em que se começa a reconhecer sinais do autismo está em torno de 2 a 3 anos de idade, mesmo período em que está ativo o calendário de vacinação das crianças.

Há um mito de que vacinas, especialmente a tríplice viral (contra sarampo, rubéola e caxumba), seja fator de risco para o espectro. A segurança das vacinas tem sido repetidamente testada em grandes grupos de pessoas. Estudos de alta qualidade envolvendo centenas de milhares de pessoas mostraram consistentemente que as vacinas não causam autismo. Portanto, até hoje não há evidências científicas que demonstrem relação entre imunização e autismo.

3) Glúten e caseína causam autismo

O glúten é uma proteína presente naturalmente em muitos cereais, como o trigo, o centeio e a cevada. Ele deve ser excluído da dieta de pessoas celíacas ou com algum tipo de alergia. Não existe evidências científicas que confirme a associação entre glúten e autismo ou que confirme que a dieta sem glúten traz algum beneficio para as pessoas com autismo

4) Pessoas no espectro não gostam de fazer amigos

Crianças e adultos no espectro, em sua grande maioria, tendem a se socializar. Portanto, não é uma verdade absoluta que não gostem de fazer amigos. Essa não é uma característica “rígida” de quem apresenta o distúrbio. A questão é que pode haver limitantes que dificultam o processo de interação social, os quais devem ser trabalhados por meio de terapias, como a Análise de Comportamento Aplicada (ABA).

O processo de conexão com as pessoas ao redor pode gerar ansiedade, mas, quando estimulado, respeitando as limitações da criança/adulto, pode ser exitoso e trazer benefícios à vida em sociedade. Fato é que o desejo de se conectar existe. Cabe à família, aos professores e aos terapeutas ajudar nesse caminho de interação social.

5) Toda pessoa com autismo tem inteligência acima da média

Esse é um dos fortes mitos que há sobre as características de um indivíduo no TEA. Na verdade, há pessoas que desenvolvem alguma habilidade cognitiva de maneira mais acentuada que outra. Pode ser exponencialmente bom em lidar com números, em aprender uma nova língua. Entretanto, isso não é comum.

Muitas crianças no espectro compartilham alguns pontos fortes, como ser aprendizes visuais ou ter uma boa memória visual. Esses pontos fortes podem ser usados em favor do desenvolvimento da criança.

Lembrem-se que crianças no espectro do autismo não experimentam o mundo da mesma forma. Portanto, devem ser estimuladas com base em suas especificidades.

6) Somente pessoas do sexo masculino podem ter autismo

Por muito tempo convencionou-se associar a condição do TEA às pessoas do sexo masculino. O autismo não escolhe gênero ou qualquer preditivo como cor ou raça, por exemplo. A verdade é que todos podem estar sujeitos a apresentar o distúrbio.

Esse “achismo” de que meninas estariam “isentas” de desenvolver o espectro pode ser derivado do fato de que, até alguns anos atrás, a prevalência de estudos voltados para compreender o espectro eram prevalentemente centrados em homens, o que pode ter facilitado o diagnóstico nesse grupo.

Essa realidade vem mudando. Pesquisadores têm observado que o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) pode, na verdade, estar sendo subdiagnosticado em pessoas do sexo feminino e haver mais mulheres no espectro do que se imagina.

No universo do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) as estimativas apontam para uma maior prevalência de casos em pessoas do sexo masculino do que feminino, sendo 1 menina para cada 4 meninos.

Mas, por que é tão difícil diagnosticar o distúrbio no sexo femino? Convidamos à leitura da matéria “Autismo em meninas: porque é tão difícil diagnosticar”

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Referências

Autism myths and causes. Autistica.org. Disponível em https://www.autistica.org.uk/what-is-autism/autism-myths-and-causes Acessado em 8 de agosto de 2018.

Myths + misconceptions about autism. Autism Awareness Australia. Disponível em http://www.autismawareness.com.au/could-it-be-autism/myths Acessado em 8 de agosto de 2018.

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Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH)

O Transtorno  do Déficit de Atenção com Hiperatividade, mais conhecido pela sigla TDAH é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e pode acompanhar a pessoa por toda a sua vida.

A criança ou adulto com TDAH apresentam sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade.

O TDAH é um transtorno bastante comum. Os levantamentos populacionais estimam que o TDAH atinja cerca de 5% das crianças, e 2,5% dos adultos em todo o mundo.

De acordo com o  DSM-5, que é o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o TDAH é mais frequente no sexo masculino do que no feminino na população em geral.

O TDAH costuma ser identificado com mais frequência durante os anos do ensino fundamental, com a desatenção ficando mais saliente e prejudicial. Na pré-escola, a principal manifestação é a hiperatividade.

Já na adolescência, sinais de hiperatividade, por exemplo correr e subir nas coisas, são menos comuns, podendo limitar-se a sensação interna de nervosismo, inquietude ou impaciência. O transtorno fica relativamente estável nos anos iniciais da adolescência, mas alguns indivíduos têm piora no curso, com o desenvolvimento de comportamentos antissociais.

Na maioria das pessoas com TDAH, sintomas de hiperatividade motora ficam menos claros na adolescência e na vida adulta, embora persistam dificuldades com planejamento, inquietude, desatenção e impulsividade. Uma proporção substancial de crianças com TDAH permanece relativamente prejudicada até a vida adulta.

Na vida adulta, além da desatenção e da inquietude, a impulsividade pode permanecer problemática, mesmo quando ocorreu redução da hiperatividade.

E como é feito o diagnóstico do TDAH?

Geralmente, os pais ou professores suspeitam do transtorno e procuram ajuda de um pediatra ou neuropediatra. E avaliando os sintomas e o histórico da criança, chega-se a um diagnóstico.

Não é preciso realizar um exame de ressonância ou qualquer outro de imagem. Durante a conversa com o médico, os pais vão relatando o que está acontecendo. O médico vai seguir os critérios do DSM5 para fechar o diagnóstico.

Critérios diagnósticos do DSM-5

De acordo com o DSM-5 os critérios diagnósticos do TDAH são os seguintes:

A) Para receber esse diagnóstico,  a pessoa  precisa apresentar um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interfira  no seu funcionamento e desenvolvimento, conforme caracterizado por (1) e/ou (2):

1. Desatenção: Seis (ou mais) dos seguintes sintomas persistem por pelo menos seis meses em um grau que é inconsistente com o nível do desenvolvimento e têm impacto negativo diretamente nas atividades sociais e acadêmicas/profissionais:

Nota: Para adolescentes mais velhos e adultos (17 anos ou mais), pelo menos cinco sintomas são necessários.

a. Frequentemente não presta atenção em detalhes ou comete erros por descuido em tarefas escolares, no trabalho ou durante outras atividades (p. ex., negligencia ou deixa passar detalhes, o trabalho é impreciso).

b. Frequentemente tem dificuldade de manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas (p.ex., dificuldade de manter o foco durante aulas, dificuldade de manter o foco em conversas ou leituras prolongadas).

c. Frequentemente parece não escutar quando alguém lhe dirige a palavra diretamente (p.ex., parece estar com a cabeça longe, mesmo na ausência de qualquer distração óbvia).

d. Frequentemente não segue instruções até o fim e não consegue terminar trabalhos escolares, tarefas ou deveres no local de trabalho (p. ex., começa as tarefas, mas rapidamente perde o foco e facilmente perde o rumo).

e. Frequentemente tem dificuldade para organizar tarefas e atividades (p. ex., dificuldade em gerenciar tarefas sequenciais; dificuldade em manter materiais e objetos pessoais em ordem; trabalho desorganizado e desleixado; mau gerenciamento do tempo; dificuldade em cumprir prazos).

f. Frequentemente evita, não gosta ou reluta em se envolver em tarefas que exijam esforço mental prolongado (p. ex., trabalhos escolares ou lições de casa; para adolescentes mais velhos e adultos, preparo de relatórios, preenchimento de formulários, revisão de trabalhos longos).

g. Frequentemente perde coisas necessárias para tarefas ou atividades (p. ex., materiais escolares, lápis, livros, instrumentos, carteiras, chaves, documentos, óculos, celular).

h. Com frequência é facilmente distraído por estímulos externos (para adolescentes mais velhos e adultos, pode incluir pensamentos não relacionados).

i. Com frequência é esquecido em relação a atividades cotidianas (p. ex., realizar tarefas, obrigações; para adolescentes mais velhos e adultos, retornar ligações, pagar contas, manter horários agendados).

2. Hiperatividade e impulsividade: Seis (ou mais) dos seguintes sintomas persistem por pelo menos seis meses em um grau que é inconsistente com o nível do desenvolvimento e têm impacto negativo diretamente nas atividades sociais e acadêmicas/profissionais:

Nota: Para adolescentes mais velhos e adultos (17 anos ou mais), pelo menos cinco sintomas são necessários.

a. Frequentemente remexe ou batuca as mãos ou os pés ou se contorce na cadeira.

b. Frequentemente levanta da cadeira em situações em que se espera que permaneça sentado (p. ex., sai do seu lugar em sala de aula, no escritório ou em outro local de trabalho ou em outras situações que exijam que se permaneça em um mesmo lugar).

c. Frequentemente corre ou sobe nas coisas em situações em que isso é inapropriado. (Nota: Em adolescentes ou adultos, pode se limitar a sensações de inquietude.)

d. Com frequência é incapaz de brincar ou se envolver em atividades de lazer calmamente.

e. Com frequência “não para”, agindo como se estivesse “com o motor ligado” (p. ex., não consegue ou se sente desconfortável em ficar parado por muito tempo, como em restaurantes, reuniões; outros podem ver o indivíduo como inquieto ou difícil de acompanhar).

f. Frequentemente fala demais.

g. Frequentemente deixa escapar uma resposta antes que a pergunta tenha sido concluída (p. ex., termina frases dos outros, não consegue aguardar a vez de falar).

h. Frequentemente tem dificuldade para esperar a sua vez (p. ex., aguardar em uma fila).

i. Frequentemente interrompe ou se intromete (p. ex., mete-se nas conversas, jogos ou atividades; pode começar a usar as coisas de outras pessoas sem pedir ou receber permissão; para adolescentes e adultos, pode intrometer-se em ou assumir o controle sobre o que outros estão fazendo).

B. Vários sintomas de desatenção ou hiperatividade-impulsividade estavam presentes antes dos 12 anos de idade.

C. Vários sintomas de desatenção ou hiperatividade-impulsividade estão presentes em dois ou mais ambientes (p. ex., em casa, na escola, no trabalho; com amigos ou parentes; em outras atividades).

D. Há evidências claras de que os sintomas interferem no funcionamento social, acadêmico ou profissional ou de que reduzem sua qualidade.

E. Os sintomas não ocorrem exclusivamente durante o curso de esquizofrenia ou outro transtorno psicótico e não são mais bem explicados por outro transtorno mental (p. ex., transtorno do humor, transtorno de ansiedade, transtorno dissociativo, transtorno da personalidade, intoxicação ou abstinência de substância

Ao fechar o diagnóstico é necessário determinar o subtipo do TDAH

Apresentação combinada: Se tanto o Critério A1 (desatenção) quanto o Critério A2 (hiperatividade-impulsividade) são preenchidos nos últimos 6 meses.

Apresentação predominantemente desatenta: Se o Critério A1 (desatenção) é preenchido, mas o Critério A2 (hiperatividade-impulsividade) não é preenchido nos últimos 6 meses.

Apresentação predominantemente hiperativa/impulsiva: Se o Critério A2 (hiperatividade- impulsividade) é preenchido, e o Critério A1 (desatenção) não é preenchido nos últimos 6 meses.

É importante Especificar se é um caso de remissão parcial: Quando todos os critérios foram preenchidos no passado, nem todos os critérios foram preenchidos nos últimos 6 meses, e os sintomas ainda resultam em prejuízo no funcionamento social, acadêmico ou profissional.

É importante especificar a gravidade atual do TDAH

Leve: Poucos sintomas, se algum, estão presentes além daqueles necessários para fazer o diagnóstico, e os sintomas resultam em não mais do que pequenos prejuízos no funcionamento social ou profissional.

Moderada: Sintomas ou prejuízo funcional entre “leve” e “grave” estão presentes.

Grave: Muitos sintomas além daqueles necessários para fazer o diagnóstico estão presentes, ou vários sintomas particularmente graves estão presentes, ou os sintomas podem resultar em prejuízo acentuado no funcionamento social ou profissional.

Causas e fatores de risco

Diversos estudos científicos são realizados no mundo todo para encontrar uma causa do transtorno. Já sabe-se que quem tem o TDAH possui alterações na região frontal do córtex e as suas conexões com o resto do cérebro. A região frontal está ligada a capacidade de prestar atenção, a memória, ao autocontrole, a organização e o planejamento.

Há também a questão da hereditariedade e a predisposição genética ao TDAH. A prevalência do transtorno entre os parentes das crianças afetadas é cerca de 2 a 10 vezes mais frequente do que na população em geral. Pesquisas mostraram  que 60% das crianças com TDAH tinham um dos pais com o transtorno e que a probabilidade da criança ter o TDAH aumentava em até oito vezes, nesses casos.

E também são estudados os casos de fatores ambientais. Substâncias ingeridas na gravidez ou mulheres que apresentaram problemas no parto, baixo peso ao nascer, são fatores que podem aumentar o risco de TDAH. 

E como que é a intervenção no TDAH?

O tratamento precoce é fundamental para melhorar a qualidade de vida de quem tem o TDAH. Ele costuma ser multidisciplinar, ou  seja, conta com o apoio de diversos especialistas como médicos neuropediatras ou psiquiatras, psicólogos, fonoaudiólogos, profissionais da área pedagógica.

A psicoterapia é muito importante e indicada. TCC – Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC).

Alguns medicamentos podem ser indicados para controlar os sintomas como a impulsividade e a desatenção.

Além disso, os medicamentos favorecem aspectos importantes  na interação social, o desenvolvimento pedagógico e o desempenho em funções profissionais.

Os pais também precisam receber orientações para lidar com uma criança com TDAH. Elas precisam ser valorizadas, elogiadas e ter a autoestima preservada.

Outra questão muito importante são as intervenções escolares. Por causa da TDAH, a criança pode ter mais dificuldade de desempenho, não conseguir se concentrar e não ter o rendimento adequado. A escola e os pais precisam ajudar as crianças a lidarem com as suas limitações e enfrentar o desafio de frequentar uma escola para aprender.

É importante manter o diálogo com os diretores e professores e saber quais são as estratégias de aprendizado que estão sendo usadas na sala de aula e se estão sendo eficientes para aquela criança com TDAH.

As crianças com TDAH que não recebem um atendimento e suporte adequados podem apresentar baixa autoestima, baixo desempenho escolar e até mesmo sofrerem bullying na escola. Já os adultos podem ter depressão, dificuldades para manter um emprego, são menos responsáveis e são mais propensos a compulsões e obesidades.

Para  os pais, é importante procurar o máximo de informações possíveis sobre o TDAH e fazer contato com outros pais para dividir experiências. É necessário ter certeza de que o tratamento está sendo feito por  profissionais que realmente entendem do assunto.

Vale lembrar que seu filho ou filha com TDAH está tentando corresponder às  expectativas esperadas, mas às vezes não consegue. Por isso, é importante ter paciência e persistência para não desanimar diante dos possíveis obstáculos.

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Estereotipias no Transtorno do Espectro do Autismo

Definidas como movimentos, comportamentos e/ou atividades desencadeadas de maneira involuntária e repetitiva, as estereotipias são comuns no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Se você tem convívio com alguém no espectro, possivelmente tenha presenciado alguns comportamentos que caracterizam as estereotipais.

Movimentos realizados sem um motivo aparente, tais como o girar e bater de mãos, acenar, balançar cabeça, tronco e membros, abrir e fechar de boca; saltar, correr, pular, olhar objetos fixamente, cruzar pernas e bater pés, entre outros.

As denominadas estereotipias podem envolver um ou todos os sentidos. Geralmente incluem ações que duram segundos, minutos, às vezes horas.

Cada criança com autismo tem o seu próprio repertório de estereotipias, que podem evoluir com o tempo e, nem sempre, são consideradas nocivas ao autista.

Podem estar ligadas a momentos de estresse, ansiedade, fadiga, convívio social e outros estímulos ambientais.

Por isso, esses comportamentos podem ser considerados “auto-estimuladores”, pois costumam proporcionar ao autista uma excitação sensorial de forma a acalmar ou até mesmo gerar uma sensação de satisfação interna.

A estereotipia pode ajudar a aliviar a tensão de um ambiente excessivamente estimulante, pois ajuda a desfocar dos estímulos externos e se concentrar em si.

Quando os episódios de estereotipia passam a interferir nos processos de desenvolvimento e aprendizagem, afetando a capacidade de comunicação e socialização, uma intervenção terapêutica pode ser recomendada.

Identificar quando as repetições se tornam barreiras à realização das atividades diárias é o primeiro passo para melhorar a condição da criança, reduzindo ou eliminando os comportamentos estereotipados e reabilitando-a por meio da introdução de tratamentos, que incluem desde a Análise do comportamento aplicada (ABA) até medicamentos.

Estereotipias x Estereótipo: compreendendo as diferenças

É muito comum que os termos “estereotipia” e “estereótipo”, quando associados ao universo do autismo, se confundam.

Como observado, estereotipia é uma característica associada ao TEA. Já quando empregamos o termo “estereótipo”, refere-se a estigmatizar a pessoa com TEA.

O desconhecimento da população em geral sobre o espectro, bem como a maneira que ele é retratado na ficção, como em novelas e alguns filmes, pode contribuir ainda mais para uma representação equivocada do universo do TEA, rotulando o autista e restringindo sua capacidade individual.

Cada pessoa no espectro, seja ela criança ou adulto, tem características próprias e potenciais igualmente diferenciados que, quando desenvolvidos, permitem ao autista alcançar independência e autonomia em suas atividades diárias, bem como conviver em sociedade.

Conhecer para compreender, acolher e desenvolver. Em se tratando do TEA, o conhecimento é uma das mais potentes armas que há para cuidar de quem está no espectro, reduzindo assim os desafios característicos do distúrbio e possibilitando ao autista uma melhor condição de vida, sem rótulos, sem estereótipos que possam limitar seu potencial enquanto ser humano.

Referências:

Carcani-Rathwell, I., Rabe-Hasketh, S. and Santosh, P. J. (2006), Repetitive and stereotyped behaviours in pervasive developmental disorders. Journal of Child Psychology and Psychiatry, 47: 573–581. doi:10.1111/j.1469-7610.2005.01565.x. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16712634

Draaisma D. Stereotypes of autism. Philosophical Transactions of the Royal Society B: Biological Sciences. 2009;364(1522):1475-1480. doi:10.1098/rstb.2008.0324. Disponível em < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2677582/#!po=42.5676>

Ghanizadeh A. Clinical Approach to Motor Stereotypies in Autistic Children. Iranian Journal of Pediatrics. 2010;20(2):149-159. Disponível em < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3446025/>

GOLDMAN, S., WANG, C., SALGADO, M. W., GREENE, P. E., KIM, M. and RAPIN, I. (2009), Motor stereotypies in children with autism and other developmental disorders. Developmental Medicine & Child Neurology, 51: 30–38. doi:10.1111/j.1469-8749.2008.03178.x. Disponível em < http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1469-8749.2008.03178.x/full>

Megan A. Hattier, Johnny L. Matson, Katherine Macmillan & Lindsey Williams. Stereotyped behaviours in children with autism spectrum disorders and atypical development as measured by the BPI-01. Developmental Neurorehabilitation Vol. 16, Iss. 5, 2013. Disponível em < http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.3109/17518423.2012.727107?journalCode=ipdr20>

Stephen M. Edelson, Ph.D. Self-Stimulatory Behavior. Autism Research Institute. Disponível em https://www.autism.com/symptoms_self-stim Watt N, Wetherby AM, Barber A, Morgan L. Repetitive and Stereotyped Behaviors in Children with Autism Spectrum Disorders in the Second Year of Life. Journal of autism and developmental disorders. 2008;38(8):1518-1533. doi:10.1007/s10803-007-0532-8. Disponível em < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2637365/>

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É possível sair do espectro do autismo?

Hoje vamos falar sobre um assunto bastante polêmico: É possível sair do espectro do autismo?

Há muita discussão sobre esse assunto e alguns pesquisadores discordam sobre isso enquanto outros grupos de pesquisadores e médicos acreditam que sim é possível sair do espectro em alguns casos (Cerca de 3% a 5% das crianças evoluem tanto que conseguem “sair do espectro”).

Estar dentro do espectro do autismo geralmente se refere ao conjunto específico de dificuldades comportamentais e de desenvolvimento. Receber um diagnóstico de TEA significa que as habilidades de comunicação e sociais são afetadas de alguma forma.

Primeiramente, é preciso deixar claro que o Transtorno do Espectro do Autismo não tem cura, pois ele não é considerado uma doença. Mas há casos de pessoas com TEA que após terem o diagnóstico correto e uma intervenção adequada diminuem muito os sintomas de autismo e levam uma vida normal, claro que com algumas limitações que podem ser trabalhadas ao longo da vida.

É muito importante esclarecer que o TEA é uma condição crônica, ou seja, quem tem o Transtorno provavelmente se manterá nele por toda sua vida. O autismo é um transtorno de neurodesenvolvimento que vem desde a formação da criança durante a gestação.

O que não quer dizer necessariamente que a pessoa com autismo vai conviver com os mesmos sintomas para sempre.  Há vários estudos científicos que mostram que as intervenções terapêuticas precoces reduzem ou até mesmo suprem as deficiências e limitações do espectro.

Por isso, quem tem o TEA ao ser estimulado corretamente e ter o apoio terapêutico adequado para sua condição pode deixar algumas características limitantes para trás. O que não quer dizer que ele tenha deixado de ser autista. Mas, os sintomas do autismo não vão mais prejudicar sua vida acadêmica, interação social e os relacionamentos, pois se tornam mais brandos.

Vou dar alguns exemplos para ficar mais claro. Com a intervenção precoce e acompanhamento profissional, as pessoas com autismo são estimuladas a realizar atividades do dia a dia. Logo, poderão diminuir as estereotipias, conviver em ambientes com ruídos e luzes que antes não conseguiam, podem passar a realizar sua higiene pessoal sem auxílio, por exemplo.

E quem ver de fora, pessoas que não sabem do histórico ou não convivem, podem não perceber que a pessoa é autista. Pois com o desenvolvimento do indivíduo, os sintomas vão ficando praticamente imperceptíveis.

Há alguns testes de diagnóstico padrão que são realizados nas pessoas com autismo para avaliar o nível dos sintomas e se ocorreu evolução. É importante que os autistas tenham esse acompanhamento constante com profissionais para que possa assim avaliar os resultados das intervenções terapêuticas.

Esses testes envolvem a análise do comportamento das crianças para identificar as características do espectro e há uma pontuação que avalia se a pessoa está ou não dentro do espectro do autismo e qual o grau do autismo.

Esses testes medem comportamentos com determinados números e somam no final. A partir dessa soma eles dizem se a criança atinge uma determinada pontuação. Se sim, ela atinge, então ela esta dentro do espectro e se não atinge está fora.

Se a pessoa que antes atingiu esta pontuação mas ela apresentou uma boa trajetória de desenvolvimento devido as intervenções terapêuticas e agora está fora desta pontuação ela é considerada “fora do espectro”. Mas isso não significa que está pessoa não carrega outras dificuldades e que não precise de apoio em algum momento da vida. Isso não significa que pessoa deixou de ser autista.

A pessoa com autismo pode evoluir muito, conseguir interagir, se comunicar e seguir com a sua rotina diária sem as limitações do espectro. Mas, o que queremos esclarecer é a importância da informação correta.

Os pais devem tomar muito cuidado com as falsas esperanças, pois ninguém deixa de ser autista. Após o diagnóstico e tratamento, há a evolução, mas o histórico do Transtorno do Espectro do Autismo ainda permanece e podem persistir algumas dificuldades que precisarão ser trabalhadas.

Por isso procure sempre se informar com os especialistas e busque as informações confiáveis.

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Tratamento medicamentoso para o TEA

No artigo de hoje vamos falar sobre o tratamento medicamentosopara as comorbidades em pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

É importante reforçar que não há um medicamento para tratar o autismo em si e sim para tratar as comorbidades ou condições associadas. Portanto, quem apresenta essas comorbidades pode precisar de medicamentos para controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

É muito comum para quem tem autismo apresentar algumas comorbidades, que são aquelas doenças ou condições que aparecem juntamente com o TEA.

Além disso, os medicamentos, quando são necessários, visam melhorar a qualidade de vida da pessoa com autismo e também de quem está à sua volta.

Portanto, os medicamentos mais comuns são antidepressivos, antipsicóticos, estimulantes, estabilizadores de humor e ansiolíticos. 

Vamos citar algumas condições/comorbidades em que o uso de medicamentos pode ser necessário.

Transtorno Bipolar

O Transtorno Bipolar causa alterações de humor que vão de depressão a episódios de obsessão. Há pessoas com o TEA que também apresentam bipolaridade. Por isso, a pessoa pode apresentar felicidade extrema e otimismo, autoestima inflada, distúrbios do sono e distração. 

Mas, em outros momentos, apresentam depressão, perda de interesse em atividades normais, mudanças no apetite, perda ou ganho de peso, cansaço e perda de energia, sono intenso e falta de concentração. Nesses casos, são indicados medicamentos antipsicóticos e para problemas de humor assim como remédios antidepressivos.

Depressão

A depressão pode ser comum em pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo, principalmente naquelas que têm um autismo leve e sentem dificuldades de interações sociais.

Por isso, apresentam humor alterado, tristeza profunda, falta de sono e apetite, irritabilidade e perda de motivação.

Assim, o tratamento pode combinar antidepressivos com terapia. Há uma grande variedade de antidepressivos disponíveis no mercado e apenas um médico pode indicar qual é o melhor para cada caso.

Ansiedade

Quem tem autismo também pode sofrer com o transtorno de ansiedade. Então, os sintomas variam de tensão, hiperatividade, preocupação em excesso, hiperatividade, dificuldade para dormir e medo. Para não comprometer a qualidade de vida do autista a medicação pode ser indicada. O médico pode receitar antidepressivos, ansiolíticos e antipsicóticos para aliviar os sintomas.

Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)

Também conhecido pela sigla TDAH é umas das principais comorbidades associadas ao TEA. Os sintomas variam de dificuldade em pensar antes de agir, ficar sentadas e concentradas.

Com isso, o tratamento do TDAH além de terapêutico é psicofarmacológico, feito com medicamentos prescritos pelo médico.

TOC

Os autistas também podem ter o Transtorno Obsessivo Compulsivo, conhecido pela sigla TOC.

Os sintomas são os pensamentos obsessivos e a pessoa se comporta de maneira repetitiva e compulsiva para lidar com esses pensamentos. O TOC pode ser tratado com terapia e medicamentos que ajudam a controlar os sintomas.

Epilepsias

Estima-se que cerca de um terço das pessoas com TEA pode apresentar epilepsia. Essa condição de saúde causa convulsões repetidas. São mais comuns em crianças menores de cinco anos e em adolescentes. Por isso, o tratamento medicamentoso deve ser indicado para controlar os sintomas e cessar as convulsões.

Distúrbios do sono

É bastante comum que as pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo tenham algum problema para dormir. Algumas têm insônia, dormem pouco ou acordam frequentemente.

Esses distúrbios do sono podem estar ligados à ansiedade e a hipersensibilidade sensorial dos autistas. Alguns medicamentos podem ser indicados para que a pessoa consiga se acalmar, relaxar e dormir com mais facilidade.

É importante destacar que os medicamentos só podem ser indicados por um médico. Somente um especialista consegue determinar a dosagem correta e a duração do tratamento.

Os pais devem seguir a risca as orientações médicas e nunca interromper o tratamento por conta própria ou automedicar a criança, jovem ou adulto autista. Pois, essa atitude pode comprometer a saúde do seu filho e até mesmo piorar a situação. Sempre busque orientação profissional.

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Apraxia e Autismo: compreenda a relação entre as condições e o impacto na capacidade de fala

A capacidade de comunicação verbal é um dos aspectos que merece atenção entre as crianças que estão no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). A dificuldade de falar na infância é extremamente comum e pode ser uma limitação característica do espectro. Entretanto, pode ser sinal da chamada apraxia da fala, uma condição que pode impactar no desenvolvimento de linguagem verbal e social de crianças autistas.

Considerada uma desordem neurológica da fala (pediátrica – ou seja, na infância), a apraxia pode ocorrer como resultado de comprometimento neurológico conhecido, em associação com distúrbios neurocomportamentais complexos, como é o caso do TEA, conforme esclarece a Associação Americana de Fonoaudiologia.

A apraxia consiste em limitações para realizar atividades como coordenar o uso da língua, lábios, boca e mandíbula para produzir sons de fala claros e consistentes, algumas das características da chamada apraxia da fala.

Vamos compreender melhor esse mecanismo. Quando queremos dizer algo, aquilo que desejamos expressar “nasce” em nosso cérebro para então ser concretizado em forma de palavras e verbalizado por nossa boca. Pois bem. Nossa mente dará sinal aos músculos da boca para emitirmos o som das palavras e emitirmos nossas mensagens. No caso da apraxia de fala, há uma espécie de falha no envio das mensagens do cérebro à boca de maneira eficaz, mesmo que não haja comprometimento na musculatura oral.

Sinais, diagnóstico e terapêutica

Entre os sinais mais comuns que podem indicar apraxia da fala, podemos citar*:

  • Pausas longas entre os sons das palavras proferidas
  • Nem sempre diz uma palavra da mesma maneira
  • Dificuldade (motora oral) para comer
  • Compreende melhor o que ouve do que sua capacidade de falar
  • Tem mais dificuldade em dizer palavras mais longas do que as mais curtas.
  • Parece ter mais problemas para falar quando está nervoso.
  • Difícil ser compreendido quando fala
  • Costuma errar consoantes e vogais ao proferir sílabas e palavras.
  • Dificuldade em repetir sequencias de palavras ou sílabas. Isso ocorre porque a criança não consegue mudar o som das palavras de sílaba para sílaba.

(Fonte: American Speech-Language-Hearing Association, com adaptações*)

O diagnóstico de apraxia em quem apresenta o espectro é mais complicado, pois seus sinais se assemelham às condições ligadas às limitações de linguagem comuns ao TEA.

Por isso, é preciso haver uma avaliação de um fonoaudiólogo que compreenda as especificidades do universo do TEA e possa analisar de maneira segura para que, se preciso, tenha início a intervenção terapêutica adequada com base nas necessidades de comunicação de cada caso.

Durante a análise, o fonoaudiólogo também avaliará a capacidade dos movimentos musculares da boca da criança, ou seja, como ela costuma mexer a mandíbula, lábios e língua.

O tratamento de apraxia pode ser longo e demanda constância. Além do profissional, familiares, cuidadores e educadores – no caso de crianças em idade escolar, devem contribuir com o processo terapêutico por meio da realização de atividades que estimulem a criança a aperfeiçoar sua capacidade de dizer sons, palavras e frases com clareza.

O fonoaudiólogo poderá contribuir no processo de aprendizagem de como movimentar a boca, mandíbula e língua para pronunciar corretamente as palavras. Não se trata de fazer exercícios para fortalecer a musculatura oral, visto que a apraxia não se trata de uma limitação física, mas sim, uma desordem neurológica da fala.

Entre as condutas indicadas que podem contribuir com a melhora da capacidade de fala e, consequentemente com o desenvolvimento, é a Análise de Comportamento Aplicada.

Conexão Apraxia da Fala e Autismo

A apraxia da fala é considerada uma comorbidade comum no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Um estudo apontou que aproximadamente 65% das crianças no espectro podem apresentar a apraxia e 36,8% das crianças com diagnóstico inicial de apraxia também tinham autismo. O que pode indicar a correlação que há entre as condições.

Como conclusão da análise, os pesquisadores ressaltaram a importância de monitorar todas as crianças diagnosticadas com apraxia quanto a sinais de autismo e vice e versa (todas as crianças diagnosticadas com autismo por sinais de apraxia). Segundo eles isso ajudará a identificar as crianças o mais cedo possível e permitir o acesso a serviços adequados às suas necessidades. [Esse estudo foi publicado em 2015 no Journal of Pediatrics Developmental & Behavioralpor pesquisadores da Faculdade de Medicina da Pensilvânia e ganhou repercussão nas comunidades internacionais que repercutem o tema “autismo”

Referências

American Speech-Language-Hearing Association (ASHA) Childhood apraxia of speech. 2007a. [Position Statement]. Disponível em  https://www.asha.org/public/speech/disorders/Childhood-Apraxia-of-Speech/#signs

Shriberg LD, Paul R, Black LM, van Santen JP. The Hypothesis of Apraxia of Speech in Children with Autism Spectrum Disorder. Journal of autism and developmental disorders. 2011;41(4):405-426. doi:10.1007/s10803-010-1117-5. Disponível em <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28141716>

Tierney, Cheryl MD, MPH*; Mayes, Susan PhD†; Lohs, Sally R.‡; Black, Amanda‡; Gisin, Eugenia‡; Veglia, Megan‡. How Valid Is the Checklist for Autism Spectrum Disorder When a Child Has Apraxia of Speech? Journal of Developmental & Behavioral Pediatrics: October 2015 – Volume 36 – Issue 8 – p 569–574. doi: 10.1097/DBP.0000000000000189. Disponível em <https://journals.lww.com/jrnldbp/Citation/2015/10000/How_Valid_Is_the_Checklist_for_Autism_Spectrum.3.aspx>

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Uso de células-tronco no tratamento do autismo

A terapia com células-tronco promete ser uma forma de tratamento para várias doenças e transtornos e em alguns casos já é uma realidade, principalmente na medicina regenerativa.

O tratamento tem o objetivo de substituir as células danificadas do corpo usando células saudáveis. Essas células conseguem realizar a auto-renovação, ou seja, dar origem a outras células-tronco iguais a ela e também se diferenciar em diversos tecidos.

As células-tronco são usadas em modelos científicos para a compreensão do autismo e nos testes de medicamentos. Mas, em relação ao tratamento do autismo, o uso das células-tronco ainda é bastante controverso. 

 Há pesquisas que relacionam a terapia com células-tronco para tratar o autismo e melhorar a qualidade de vida dessas pessoas enquanto outras não mostram nenhuma melhora e citam a importância da realização de mais estudos e testes clínicos.

É importante destacar que esse tipo de terapia ainda está nos estágios iniciais e muitas outras pesquisas ainda são necessárias.

É fundamental que os pais e especialistas da área fiquem bastante atentos para separar as informações confiáveis de falsas promessas.

É importante ressaltar que:

  • Não tem evidências de que esse tipo de tratamento pode ser eficaz para quem tem autismo;
  • Não há provas de que sejam totalmente seguras para as crianças autistas;
  • Não sabemos como essas células-tronco agem no cérebro;
  • Não está claro o mecanismo pelo qual essas células poderiam ser benéficas para quem tem autismo.
  • Não existem terapias com células-tronco aprovadas para o tratamento do autismo. Todas estão em fase experimental e precisamos aguardar os testes clínicos serem finalizados para termos uma conclusão;

Um estudo científico foi publicado no The Journal of Pediatrics. Segundo o estudo o uso de células-tronco de cordão umbilical não se mostrou eficiente no tratamento do TEA. Esse estudo é fruto de um ensaio clínico.

Lembrando que há muitos anos, pessoas com autismo são tratadas por métodos considerados  pioneiros, sem qualquer tipo de comprovação médica. Por isso, é importante redobrar a atenção e buscar ajuda especializada e capacitada para lidar com o Transtorno.

Fica aqui o nosso alerta! Não acreditem em falsas promessas e não arrisque a qualidade de vida do seu filho com terapias invasivas que não foram comprovadas cientificamente. Isso pode ser perigoso

Vamos seguir com as intervenções terapêuticas que tem comprovação, como por exemplo a Analise do Comportamento Aplicada, a ABA. Modelo Denver de intervenção precoce, Intervenção Fonoaudiólogica, Terapia Ocupacional, Fisioterapía entre outras.

Sempre busque pelo desenvolvimento de habilidades, independência, autonomia e qualidade de vida do seu filho.

Referências

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32444220/

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