Hiperlexia e autismo: qual é a relação entre essas condições?

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A hiperlexia é uma condição que faz com que a pessoa desenvolva uma habilidade de leitura excepcional em uma idade precoce, mas ao mesmo tempo não possui habilidades linguísticas.

Sendo assim, a criança apresenta um fascínio intenso por letras ou números e uma capacidade avançada de leitura.

Frequentemente, começam a ler muito jovens, às vezes, já aos dois anos e sem instrução de leitura. Essa habilidade indica que algumas crianças têm uma capacidade de decodificação de palavras maior do que o restante da população. Isso significa que os níveis de compreensão também excedem aos de uma criança típica de sua idade.

As crianças que têm hiperlexia possuem uma excelente memória visual e auditiva, e elas tendem a lembrar do que veem e ouvem com pouco esforço. Porém, essa memória excepcional não ajuda na fala ou na compreensão da linguagem.

E embora as crianças hiperléxicas tenham habilidades avançadas de leitura, elas geralmente têm um vocabulário limitado e dificuldade para se comunicar.

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Saiba mais: Diagnóstico precoce do autismo

Hiperlexia e autismo

A hiperlexia pode estar presente no autismo e ser um dos primeiros sinais do transtorno que os pais notam. Mas pode ser difícil para os pais e professores reconhecerem a diferença entre um leitor precoce de uma criança hiperléxica.  É importante ressaltar que a leitura precoce sozinha não é um sinal de hiperlexia.

As crianças que têm hiperlexia têm baixa compreensão de leitura, o que geralmente não corresponde à sua capacidade de reconhecer palavras.

Eles também geralmente apresentam problemas com a fala, muitas vezes não conseguem juntar palavras para expressar suas ideias ou entender o que os outros falam.

Alguns pesquisadores acreditam que a hiperlexia faz com que a criança consiga ler, mas elas não compreendem o que está escrito, não interpretam e não identificam o uso social das palavras.  

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Além disso, elas também têm dificuldades de se relacionar com outras crianças da mesma idade por terem uma limitação na linguagem. As crianças hiperléxicas gostam muito de jogos e televisão por causa do estímulo visual.

Veja, a seguir, alguns sintomas da hiperlexia:

  • consegue ler precocemente as palavras muito acima da média do que seria esperado na idade de uma criança;
  • pode parecer talentosa em algumas áreas e extremamente deficiente em outras;
  • dificuldade significativa na compreensão da linguagem verbal;
  • dificuldade em socializar e interagir com as pessoas;
  • medos específicos ou incomuns;
  • fixação com letras ou números:
  • repetição de uma palavra ou frase (ecolalia);
  • memorização de frases sem entender o significado;
  • necessidade intensa de manter rotinas ou rituais;
  • dificuldade em processar o que foi dito;
  • ótima memória.

Como lidar com uma criança hiperléxica

É bastante comum que a hiperlexia seja confundida com crianças superdotadas e muitos pais demoram para buscar ajuda especializada.

Ter o diagnóstico correto da hiperlexia é muito importante para que a criança receba uma intervenção precoce para melhorar suas habilidades sociais e de linguagem. Embora os sintomas tendam a diminuir com o tempo, o estilo de aprendizagem característico dos hiperléxicos permanece até a idade adulta.

Para diagnosticar a condição é realizada uma avaliação que incluirá a observação de habilidades de decodificação, conhecimento de palavras e de vocabulário, a capacidade de responder perguntas, as questões de compreensão de leitura e outras habilidades de linguagem e de processamento sensorial.

Após o diagnóstico, é importante que os pais procurem uma equipe multidisciplinar para que a criança ganhe qualidade de vida e se desenvolva tanto na escola quanto nas relações pessoais.

O papel do fonoaudiólogo é fundamental para que a linguagem oral seja desenvolvida de forma lúdica. As crianças com hiperlexia costumam gostar de dispositivos eletrônicos e por isso a tecnologia pode ser usada para atrair e contribuir para trabalhar os pontos que precisam ser desenvolvidos.

Por isso, os pais e cuidadores devem ficar atentos aos sinais e sintomas atípicos da idade, verificar se a criança está se isolando, possui atraso de fala ou alterações na comunicação.

Em seguida, deve buscar ajuda de profissionais das áreas de fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional para trabalhar o desenvolvimento da linguagem e a interação social da criança.

Saiba mais em: Sinais do Autismo – Conheça 14 sinais que são comuns em crianças com autismo

Leia também: Como estimular a fala e a comunicação em crianças com autismo

Referências:

– Reading skills in hyperlexia: a developmental perspective. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10349355

– Cognitive and language correlates of hyperemia: evidence from children with autism spectrum disorders. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s11145-008-9154-6

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Dra. Fabiele Russo

Neurocientista, especialista em Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Pesquisadora na área do TEA há mais de 10 anos. Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) com Doutorado “sanduíche” no exterior pelo Departamento de Pediatria da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD). Realizou 4 Pós-doutorados pela USP. É cofundadora da NeuroConecta e também, coautora do livro: Autismo ao longo da vida.