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Meltdown, Shutdown e Burnout: saiba a diferença

Não é novidade que os autistas, muitas vezes, podem se sentir sobrecarregados emocionalmente, sensorialmente e até socialmente.  Por conta disso, podem ocorrer as crises sensoriais, ou seja, a pessoa autista pode receber uma sobrecarga de entradas sensoriais por meio do tato, olfato, paladar, audição e visão e não conseguir processar as informações da forma adequada.

Também há a sobrecarga social que acontece quando o autista é exposto a uma situação onde precisa socializar, interagir e usar habilidades sociais para se comunicar.

E a sobrecarga emocional ocorre quando eles precisam se identificar, lidar e processar as emoções. Tudo isso pode ser muito complexo e difícil para a pessoa autista.

Como sabemos cada pessoa autista reage de uma forma ao ser estimulada. E, às vezes, elas podem se expressar por meio de crises. As crises podem variar na intensidade e causa e também recebem nomenclaturas diferentes.

É muito importante conhecer o tipo de crise que o autista enfrenta e também o que a desencadeia para poder ajudá-lo. Além disso, facilita encontrar estratégias para evitar que as crises se repitam ou amenizá-las para causar menos sofrimento.

Abaixo, veja detalhes de algumas crises para saber como ajudar o autista.  

Meltdown

São crises de explosão emocional ou perda do controle emocional temporária. As manifestações variam: podem surgir gritos ou agitação em excesso e estereotipias. E, em casos mais graves, pode levar à agressividade.

Por conta disso, o autista pode se morder, se beliscar, bater a cabeça na parede e ser agressivo com as pessoas mais próximas.

Na maioria das vezes, eles estão ligados a algum tipo de frustração, estresse emocional, mudança de rotina ou hiperestimulação.

Durante a crise, a criança não tem controle de suas ações. Para ajudar, os pais e cuidadores podem minimizar as sensações do lugar onde a criança esteja e evitar que a criança se machuque.

Shutdown

O termo vem da informática e significa “desligar o sistema”. Isso significa que a pessoa com autismo pode ficar parcialmente ou completamente desligada ou distante, não respondendo a qualquer forma de comunicação.

Geralmente, ficam com o “olhar vazio” e com a respiração mais rápida ou lenta. Também é comum que queiram ficar isoladas, deitem no chão e fiquem paralisadas.

Trata-se de comportamentos involuntários e diferentemente do meltdown, as emoções ficam internalizadas. Ambas causam muito sofrimento e precisam de atenção.

Burnout

Pode ser definido como um esgotamento físico e mental que ocorre em longo prazo. Há também diminuição do interesse de atividades que antes davam prazer. A pessoa com autismo também perde o interesse em a habilidade de lidar com situações estressantes.

O autista com Burnout pode ter mais dificuldade de controlar suas emoções e ser propensos a explosões de tristeza ou raiva. Também é comum apresentarem ansiedade intensa, depressão e até comportamento suicida.

Acredita-se que ocorra devido ao esforço do autista a imitar o comportamento neurotípico, ao se esforçar constantemente a ter contato com as pessoas e devido ao estresse associado à mudança.

Como prevenir essas crises?

Os pais e responsáveis podem evitar atividades ou situações que possam levar a essas crises sensoriais e perceber os sinais de alerta. Conhecer seu filho ou filha autista é fundamental para entender o que desencadeia essas manifestações.

Os sinais comuns de alerta em crianças com autismo envolvem ansiedade ou confusão. Podem parecer mais preocupados, inquietos ou instáveis.

Em situações estressantes, ele/ela pode sinalizar que não está confortável e pedir para ir para casa.

Durante uma crise, é importante que os pais mantenham a calma e façam de tudo para que a criança ou jovem autista fique segura.

O ideal é ir para um lugar tranquilo, longe da estimulação que pode ter causado a sobrecarga até que a crise termine. 

Sempre que for sair, se organize, planeje e saiba quais são os mecanismos que ajudam a criança a enfrentar situações estressantes. Pode ser necessário levar brinquedos ou objetos para acalmá-los.

Não há fórmulas prontas, já que cada autista é único e os comportamentos podem variar. Converse sempre com os especialistas que estão acompanhando a criança e busque orientações para saber o que pode ser feito em situações como essas.

Referências:

https://www.autism.org.uk/advice-and-guidance/topics/behaviour/meltdowns/all-audiences

https://autismwestmidlands.org.uk/wp-content/uploads/2017/11/Meltdown_shutdown.pdf

https://community.autism.org.uk/f/adults-on-the-autistic-spectrum/9389/managing-shutdowns

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Cerca de 30-40% das pessoas com autismo apresentam Epilepsia

A epilepsia é uma alteração do funcionamento do córtex do cérebro. Sabe-se que ocorre quando os neurônios disparam um monte de descargas elétricas que resultam em perda de consciência súbita e movimentos involuntários.

A doença afeta 1% da população em geral, o que significa que um em cada 100 brasileiros tem epilepsia. E essa condição pode se manifestar igualmente entre homens e mulheres, desde a infância até a idade avançada.

A epilepsia consiste em crises que podem ser convulsivas ou não, que podem durar de segundos a minutos. Portanto a crise epiléptica pode ter manifestação motora (convulsão) ou pode ter apenas uma crise de ausência sem manifestação motora (sem convulsão).

Epilepsia e autismo

A epilepsia é uma comorbidade bastante comum em pessoas com o autismo, ou seja, as duas condições aparecem ao mesmo tempo na mesma pessoa. Aproximadamente 30-40% das pessoas com autismo apresentam epilepsia também. Quanto mais grave o autismo maior o risco para epilepsia.

As crises de epilepsia estão associadas a riscos de acidentes, traumas, crises prolongadas e morte súbita. Também é comum que a pessoa apresente depressão e ansiedade.

Qual é a relação com o autismo?

Ambas as condições compreendem um transtorno que tem conexão com o cérebro. Estudos destacam que diversas mutações genéticas estão relacionadas com autismo e epilepsia. Sabe-se que há uma disfunção nas sinapses, que são as conexões entre os neurônios. Por isso, há um funcionamento inadequado do cérebro. 

Algumas das alterações cerebrais associadas ao autismo também causam essas convulsões.

Todos os tipos de convulsões foram observados em pessoas com autismo. Estima-se que quase um terço das pessoas com autismo pode apresentar epilepsia.

Muitas pesquisas estão sendo realizadas no momento sobre o assunto para entender melhor qual é a ligação entre as duas condições. As crianças e adultos com as duas condições costumam ter os sintomas de autismo mais severos, são hiperativos e possuem um quociente de inteligência (QI) mais baixo em comparação com aqueles que não têm epilepsia.

Sinais de epilepsia

Os sintomas e sinais da epilepsia dependem da região cerebral onde a crise epiléptica começa e, por isso, eles são variados. Veja alguns abaixo:

  • Mudança de olhar;
  • Movimentos involuntários como membros rígidos;
  • Confusão sem causa aparente;
  • Dores de cabeça severas;
  • Sonolência e perturbações do sono;
  • Estiramento nos músculos;
  • Irritabilidade ou agressividade.

Algumas situações podem facilitar o aparecimento das crises epilépticas. Entre elas, estão o estresse, a falta de sono e o uso de alguns tipos de medicamentos.

Diagnóstico

O diagnóstico de epilepsia em quem tem autismo pode ser bastante desafiador. Isso porque as pessoas com autismo têm dificuldade em reconhecer e comunicar seus sintomas.

Além disso, diagnosticar epilepsia em pessoas autistas é complicado porque os movimentos estereotipados comuns ao autismo podem ser confundidos com ataques epilépticos. E as pessoas autistas podem ter dificuldade em tolerar testes de epilepsia.

Vários estudos sugerem que crianças com autismo e deficiência intelectual têm maior probabilidade de ter epilepsia do que outras crianças autistas.

Se você suspeita que seu filho esteja apresentando sinais de Epilepsia procure o mais rápido possível um neurologista pediátrico.

Provavelmente, o neurologista solicitará um eletroencefalograma, que é um exame não invasivo que envolve a colocação de eletrodos na cabeça de um indivíduo para monitorar a atividade no cérebro. 

Como é o tratamento

A epilepsia é geralmente tratada com medicamentos antiepilépticos que diminuem a gravidade e a frequência das convulsões em crianças. 

Indivíduos com autismo e epilepsia que não recebem o tratamento adequado correm maior risco de desenvolver problemas de saúde geral e, em circunstâncias extremas, de morte prematura. 

Em comparação com aquelas sem convulsões, as crianças com autismo e convulsões também são mais propensas a ter dificuldades para dormir e problemas de comportamento.  Por isso, é muito importante realizar acompanhamento constante com especialistas e fazer as interveções necessárias.

Referências:

https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/j.1528-1167.2005.57504.x

https://www.spectrumnews.org/news/the-link-between-epilepsy-and-autism-explained

https://www.epilepsy.com/article/2017/3/epilepsy-and-autism-there-relationship

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Conheça os tipos de ecolalias

Você já reparou que algumas crianças repetem tudo o que ouvem como um eco e/ou usam palavras aleatórias fora de contexto? Esse comportamento é chamado de ecolalia e é um distúrbio de desenvolvimento da fala e da linguagem.

A ecolalia é um dos sintomas mais comuns entre as características da linguagem no autismo. E nesses casos, podem ser descritas como estereotipias verbais, já que ocorre uma repetição em eco da fala.

Os autistas com ecolalia podem não serem capazes de se comunicar com eficácia porque lutam para expressar seus próprios pensamentos.

No entanto, a ecolalia acontece como uma ferramenta para que o autista se acalme. Sendo assim, é uma forma de autoestimulação e tem o mesmo objetivo das estereotipias, que é quando eles se balançam ou batem as mãos. 

A ecolalia também pode ser usada como uma saída sensorial. Dessa forma, a criança autista repete as palavras para se acalmar quando se sente ansiosa ou precisa lidar com os desafios sensoriais. 

Tipos de ecolalia

Há alguns tipos de ecolalia. Veja detalhes abaixo.

Ecolalia imediata: ocorre quando as crianças repetem as palavras logo depois de ouvi-las. Pode ocorrer, por exemplo, quando a mãe pergunta se a criança quer brincar e em vez de responder que sim, a criança repete: quer brincar!

Ecolalia tardia: acontece quando eles repetem palavras mais tarde e por causa desse atraso as frases são usadas fora de contexto. Pode acontecer, por exemplo, quando a criança assiste um desenho e depois de algumas horas repete algumas frases do que assistiu.

Ecolalia mitigada: ocorre em situações em que podem ser feitas modificações da emissão ecoada, seja imediata ou tardia, para se comunicar.

Por que isso acontece?

Alguns estudos apontam que a ecolalia imediata sugere a intenção de se comunicar da criança. Por isso, essa repetição trata-se de uma forma dela se comunicar com o outro ou manter o diálogo.

Geralmente, as crianças repetem trechos da linguagem sem entender o que elas significam. Depois, começam a modificar esses trechos, misturam e combinam palavras e frases que usaram. A partir do momento que começam a entender mais a linguagem, algumas crianças usam frases mais curtas ou apenas uma ou duas palavras para se expressar.

É comum também que a ecolalia seja usada ocasionalmente, especialmente quando a criança está cansada, confusa ou frustrada. 

A ecolalia pode ser considerada apenas uma característica comum das dificuldades de linguagem no TEA. Mas, vale a pena compreender a pessoa que fala e se isso não atrapalha o desenvolvimento da comunicação, além de prejudicar a sua interação com outras pessoas.

Diagnóstico e tratamento

A ecolalia costuma ser diagnosticada por meio da análise de um profissional especialista em fala e autismo. Ele observa seus comportamentos e se há repetição de fala. 

O tratamento é realizado como diversos profissionais como fonoaudiólogos, pediatras, neuropediatras, terapeutas ocupacionais e psicólogos. E o tipo de intervenção deve ocorrer seguindo a individualidade da criança, ou seja, respeitando as suas limitações e dificuldades.

São indicados terapias como a Análise do Comportamento Aplicada, conhecida pela sigla ABA, TEACHH e PECS (Picture Exchange Communication System).

E assim são realizados exercícios específicos para que ocorra o desenvolvimento da comunicação do autista. A criança autista consegue assim ter mais autonomia e independência para se comunicar.

Nesse processo, é fundamental a participação dos pais e responsáveis. Isso porque conseguem avaliar a evolução da criança e também praticar os exercícios em casa para continuar o tratamento.

Referências:

https://www.verywellhealth.com/why-does-my-child-with-autism-repeat-words-and-phrases-260144

https://link.springer.com/article/10.1007/s40489-015-0067-4

https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S151618462015000802072&script=sci_arttext&tlng=en

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Imitação no autismo: como as brincadeiras podem ser úteis no aprendizado?

A imitação envolve a capacidade de uma criança de copiar as ações de adultos e colegas. Com isso, elas aprendem a realizar ações com objetos, a fazer gestos e movimentos corporais como bater palmas ou acenar e também a se comunicar.

As crianças com desenvolvimento típico aprendem a imitar na infância. É bastante comum que o bebê interaja com a mãe imitando sons, ações e expressões faciais. No entanto, crianças que estão no espectro costumam ter grande dificuldade em imitar. E isso pode afetar outras áreas de desenvolvimento. 

A importância da imitação para o desenvolvimento

A imitação é essencial para o processo de aprendizagem de todas as crianças. Também permite a socialização, além de aprender a linguagem e certos comportamentos e funções.

Crianças com autismo podem adquirir novos comportamentos imitando seus pais. Quando as imitações se tornam constantes, a linguagem e as habilidades motoras serão permanentes. Além disso, é mais fácil para as crianças que aprendem por imitação descobrir o mundo.

Imitação e atividades lúdicas

Não há melhor forma de aprender do que por meio de brincadeiras. Os pais e cuidadores podem ajudar nesse processo. Mas, vale a pena buscar ajuda especializada, como terapeutas na ciência ABA que podem instruir melhor quais atividades são eficientes para treinar a habilidade de imitação da criança autista.

Veja, a seguir, algumas atividades lúdicas e brincadeiras que incentivam a imitação nos autistas:

– Música

As crianças gostam bastante de músicas e isso pode ser benéfico para que elas pratiquem a imitação. Escolha músicas que façam parte do dia a dia e que tenham repetições. Sugestões: “Meu pintinho amarelinho”, “Dança da imitação”, “Seu Lobato tinha um sítio”, “Lá em casa”, “Quem fez esse barulhinho?”.

 – Imitar os animais

Não economize nas músicas com bichinhos e incentive a criança a imitar os sons e até os movimentos dos bichos nas músicas. Explique os movimentos e peça que ela repita. Se for possível, mostre alguma animação ou desenho com os bichinhos.

– Estátua

Brincar de Estátua é muito divertido para crianças pequenas. Coloque a música, dance com a criança e ao pausar a música explique que todo mundo precisa virar estátua, ou seja, ficar parado. Coloque a música novamente e continue dançando.

– Dança das cadeiras

Quando os pequenos começarem a andar, já é possível brincar de dança das cadeiras. Explique como funciona a brincadeira e peça para que ele/ela imite os adultos. No início, pode ser apenas colocar as cadeiras para todos, é só sentar-se quando a música parar. Depois, o desafio pode aumentar e pode ser colocada uma cadeira a menos para que a criança se sinta estimulada a correr e garantir seu lugar.

– Objetos iguais

Tenha objetos iguais como carrinhos ou tambores. Puxe ou empurre o carrinho e peça para a criança fazer o mesmo. Bata no tambor e peça para ela bater também.

– Crie ações com os personagens preferidos

É importante que a criança se sinta estimulada e nada melhor que incluir nas brincadeiras os personagens prediletos. Coloque a Peppa, o Superman e a Turma da Mônica para brincar, pular, na água, voar e peça para que a criança repita a ação.

– Jogar bola

Fique de frente um para o outro e brinque de jogar a bola no chão. Essa atividade simples estimula a criança a imitar um comportamento.

– Imite a criança

Já foi comprovado que imitar as ações da criança pode ser bastante efetivo. Por isso, seja um espelho da criança. Se ela pular, pule também. Siga os passos dela em tudo o que fizer. Isso vai ajudá-la a se conectar mais com você e repetir um comportamento.

– Tintas, massinhas, bloquinhos de montar, fantoches

Tudo pode ser usado para estimular a imitação. Use a criatividade e saiba identificar o que seu filho ou filha mais gosta para brincar. Arranje sempre um tempo para brincar, mostrar o que está fazendo, explicar como funcionam as regras e pedir para que ela repita o que você fez.

Lembre-se: deve ser um momento descontraído e a criança não deve ser obrigada a brincar ou fazer imitações. Sempre que ele/ela estiver cansado (a) pare e retome no dia seguinte.

Qual brincadeira você costuma realizar com seu filho? Conte para gente a sua experiência com a imitação!

Referências:

https://depts.washington.edu/isei/iyc/21.2_Ingersoll.pdf

https://otsimo.com/en/importance-imitation-skills-autism

https://www.mayinstitute.org/news/acl/asd-and-dd-child-focused/what-is-imitation-and-why-is-it-important

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Automutilação: como extinguir esse comportamento?

A automutilação (ou autolesão) acontece quando alguém se machuca intencionalmente. Na maioria das vezes, é uma forma de enfrentar ou expressar um sofrimento emocional.

É comum que as pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) realizem a automutilação devido à ansiedade, estresse ou ao sentir dificuldade em comunicar seus sentimentos.

Estima-se que 30% das pessoas que estão no espectro pratiquem algum comportamento de automutilação. A intensidade pode variar de leve a grave, mas nunca com a intenção de se machucar ou desejar suicídio.

Pode ser um comportamento repetitivo e, em alguns casos, a pessoa autista realiza cortes na própria pele, bate em si mesma, bate a cabeça na parede, causa queimaduras em braços, pernas e abdômen. Também podem dar tapas, se morder, beliscar ou coçar a pele.

Outras causas

A automutilação também pode ser uma forma de estimulação sensorial. Um indivíduo com autismo pode se machucar como uma forma de aumentar ou diminuir seu nível de excitação. 

Em muitos casos, a automutilação serve como meio de comunicação. A criança autista pode tentar transmitir um sentimento ou ideia com aquele comportamento que talvez não consiga expressar em palavras. 

Sendo assim, a automutilação surge como uma necessidade urgente de expressar dor, medo, desprazer ou ansiedade.

Sinais e gatilhos

As características que se apresentam como fatores de risco para comportamentos de automutilação em crianças autistas podem incluir:

  • Agressividade;
  • Hiperatividade;
  • Ansiedade;
  • Problemas de sono e distúrbios de humor.

Alguns gatilhos podem contribuir com a ansiedade e automutilação em autistas. Os pais devem se atentar se o autista demonstrar que está se sentindo rejeitado, isolado, intimidado, com problemas na escola ou trabalho e também dificuldade de se adaptar.

E alguns sinais indicam que o autista está se automutilando. Entre elas, destacam-se cortes inexplicáveis, marcas de mordidas ou queimaduras, manchas pelo corpo, evitam expor o corpo mesmo no calor, ficam mais isolados, expressam sentimentos de fracasso e culpa.

O que pode ser feito

Para lidar com esses comportamentos, os pais e cuidadores devem primeiro compreender o que causa o problema. O ideal é buscar ajuda assim que perceber esse comportamento.

A intervenção precoce e o tratamento dos motivos que levam à automutilação são fundamentais para ajudar a controlar e prevenir que volte a acontecer no futuro.

Os pais e cuidadores ​​podem manter um diário e anotar as crises de automutilação para rastrear as ocorrências e o que estava ocorrendo no momento. Isso ajuda a perceber detalhes e identificar gatilhos.

Pode ser bastante perturbador perceber que seu filho ou filha com autismo está se automutilando. Mas, depois do susto inicial, é importante buscar ajuda.  

O tratamento para automutilação geralmente envolve terapias comportamentais e, em alguns casos, o uso de medicamentos. Para extinguir esse comportamento leva tempo. Por isso, o acompanhamento psicológico (e psiquiátrico) e o apoio dos pais faz toda a diferença neste processo.

A terapia comportamental pode ajudar as crianças a substituir os antigos padrões de automutilação por novas habilidades e estratégias. 

Ao recompensar comportamentos positivos e ensinar novas habilidades de comunicação e enfrentamento, a terapia comportamental ajuda algumas crianças a cessarem o comportamento autolesivo. 

Outras ações que podem ajudar

  • Previna os comportamentos mudando o ambiente, aumentando ou diminuindo a estimulação e reorganizando horários e rotinas.
  • Reforce os comportamentos positivos  ao mesmo tempo em que introduz novas habilidades ou atividades de “substituição” que podem ser usadas no lugar das ações de automutilação.
  • Elimine o reforço  dos comportamentos de autoagressão, ignorando-os. 
  • Use a ciência ABA e a terapia ocupacional  para aprender novas habilidades de enfrentamento, técnicas de comunicação e maneiras de controlar as emoções que levam a automutilação.
  • Aumente a autoestima de seu filho ou filha,  incentivando a independência e ajudando-o a adquirir novas habilidades.

A boa notícia é que todos esses problemas são tratáveis.  Ao melhorar as habilidades e ensinar mecanismos de enfrentamento saudáveis, a criança pode aprender a ter suas necessidades atendidas de maneira saudável.

Referências:

https://www.autism.org/causes-and-interventions-for-self-injury-in-autism

https://www.autismparentingmagazine.com/autism-self-harm

https://www.autism.org.uk/advice-and-guidance/topics/mental-health/self-harm

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Como ajudar no desenvolvimento da fala em pessoas com autismo

Alguns autistas podem falar bem e normalmente (autismo verbal) e outros não conseguem falar ou falam muito pouco (autismo não verbal). Para se ter uma ideia, estima-se que aproximadamente 40% das crianças com TEA não falam e apresentam autismo não verbal.

Vale destacar que a fala é o que permite a transmissão de sons, palavras e frases. Há autistas que não conseguem se expressar ou sequenciar os sons da fala (apraxia). Mas, conseguem compreender e até se comunicar. Outros autistas são completamente não verbais, mas encontram uma forma de se expressar com ajuda da tecnologia, por exemplo.

A importância da fala e marcos do desenvolvimento

O atraso da fala pode acarretar consequências para o processo de aprendizado, assim como para as interações sociais.  Os pais devem ficar atentos aos marcos para o desenvolvimento da fala. Por isso, se o bebê não está balbuciando, é preciso investigar.

Vale reforçar que o progresso da fala acontece por etapas. As crianças começam a balbuciar com poucos meses e no primeiro ano de vida, já falam algumas palavras simples como mamá e papá. E perto dos 18 meses, o vocabulário infantil aumenta e já é possível entender algumas palavras. Aos quatro ou cinco anos, espera-se que a fala já tenha se desenvolvido por completo.

Alguns sinais de alerta:

  • Não balbuciam ou não emitem som a partir do terceiro mês;
  • Aos oito meses, não fala nenhuma vogal ou consoante;
  • Com 16 meses não fala nenhuma palavra;
  • Aos dois anos não combina duas palavras.

O que pode ser feito para desenvolver a fala

É importante que os pais e cuidadores procurem uma intervenção terapêutica para melhorar a comunicação e a fala da criança. Quanto mais cedo a criança receber suporte especializado, melhor será para o seu desenvolvimento e ampliação de habilidades.

As intervenções e terapias individualizadas podem ajudar a diminuir o isolamento social e contribuir com qualquer dificuldade de comunicação dos autistas.

Vale destacar que as famílias, os professores e as pessoas próximas do autista não verbal também podem ajudar no desenvolvimento da linguagem com brincadeiras e interagindo com a criança, sempre estimulando a sua fala.

Algumas ações que são efetivas incluem:

Jogos e interações

As crianças aprendem brincando, e isso inclui o aprendizado da linguagem. Tente diversos jogos para descobrir quais agradam mais seu filho ou filha. O ideal é buscar atividades lúdicas que promovam a interação social. 

Imitação

Imitar os sons e brincadeiras que seu filho (a) faz pode encorajar sua vocalização e interação. Estimule o seu filho a imitar o que você fala também.

Concentre-se na comunicação não verbal

Gestos e contato visual podem construir uma base para a linguagem e a fala.  Use seu corpo e sua voz para se comunicar.

Dar espaço para seu filho falar

É importante dar oportunidade para a criança responder e se comunicar no seu próprio tempo.Ao fazer uma pergunta ou perceber que seu filho deseja algo, pare e preste atenção a qualquer som ou movimento corporal que ele fizer.

Use a tecnologia

Alguns dispositivos e aplicativos com imagens podem ajudar o autista a se comunicar, indicar o que quer ou está pensando. Com o tempo, ele ou ela pode se sentir estimulado a falar.

Terapia de fala

A terapia da fala e da linguagem ajuda os autistas a desenvolverem a linguagem, a fala e a comunicação verbal, não verbal. O objetivo é ajudar a pessoa a se comunicar de uma maneira mais funcional. Geralmente, começa com uma avaliação realizada por um fonoaudiólogo que determina os desafios de comunicação da pessoa. Em seguida, determina as metas para a terapia.

Entre as habilidades que a terapia de fala desenvolve podemos citar:

  • Fortalecimento dos músculos da boca, mandíbula e pescoço;
  • Realizar sons de fala mais claros;
  • Combinar emoções com a expressão facial adequada;
  • Compreender a linguagem corporal;
  • Responder perguntas;
  • Modular o tom de voz.

Você conhece algum autista que teve dificuldade de fala? Conta para a gente a sua história!

Referências:

https://www.webmd.com/brain/autism/benefits-speech-therapy-autism

https://iancommunity.org/cs/articles/speech_and_language_problems

https://www.autismspeaks.org/speech-therapy-autism

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Puberdade em adolescentes com TEA

A puberdade é uma fase muito importante e é o período de transição da fase infantil para a adolescência. E assim como ocorre com todas as pessoas, os autistas também vão passar por ela. Porém, pode ser que alguns precisem de suporte extra e orientações dos pais e cuidadores.

A puberdade normalmente começa entre 10-11 anos para meninas e entre 11-13 anos para meninos. Mas, é importante que desde cedo a criança autista seja acompanhada por profissionais que poderão auxiliar nesse processo de mudança.

Cabe aos pais, ter paciência para explicar as regras sociais de uma forma mais simples e nos mínimos detalhes para que o autista entenda como deve se comportar na sociedade.

A informação também deve ser passada de forma calma, clara e em um tom positivo. A criança ou jovem não deve ser sobrecarregada com as informações.

As crianças e os jovens autistas precisam aprender a diferença entre público e privado. E também como se comportar em cada ambiente, quais conversas são apropriadas, os hábitos de higiene e assuntos sobre sua sexualidade.

Mudanças corporais

O corpo de todas as pessoas muda durante a puberdade. Nos meninos há alterações na voz e crescimento do pênis. Já nas meninas, os seios crescem e a menstruação começa. E em ambos os sexos, a puberdade traz o crescimento de pelos, além da acne. 

Essas mudanças podem ser difíceis para qualquer pessoa. Mas para as crianças que estão no espectro do autismo essas mudanças corporais são bastante complexas.

Isso porque as pessoas com autismo geralmente não gostam de mudanças. Alguns pré-adolescentes e adolescentes têm dificuldade com a ideia de que seus corpos estão mudando.

É importante informar a seu filho com antecedência sobre as mudanças que ocorrerão quando ele atingir a puberdade.

O diálogo é fundamental e é preciso explicar situações práticas do dia a dia como ensinar sua filha a usar produtos de higiene feminina como absorventes ou que os meninos não devem se masturbar em público. 

Sexualidade

Durante a puberdade, a maioria das pessoas começa a ter desejo sexual. Mas para os autistas esses sentimentos podem ser confusos e causar ansiedade.

Os garotos também começam a se masturbar e podem não saber quando e onde é apropriado praticar. Pode ser útil comparar a masturbação com outras atividades que ele realiza sozinho em particular, como tomar banho ou ir ao banheiro.

Cabe aos pais discutir esse assunto com seu filho ou buscar ajuda especializada para iniciar a conversa.

É fundamental esclarecer que o sexo e a sexualidade são partes saudáveis ​​da vida. E as crianças e jovens com autismo devem se sentir à vontade para procurar os pais para ter informações sobre a sexualidade e seus sentimentos.

Outra questão é explicar sobre a segurança e os limites do corpo. A criança e jovem autista precisam entender a diferença entre “toque bom” e “toque ruim”.

Essa é uma maneira de ensinar onde e quando o corpo pode ser tocado, sempre com sua autorização. É uma forma de proteger a criança e jovem dos abusos sexuais e ensinar a respeitar seus corpos. É importante ensinar o contexto de um relacionamento sexual com uma linguagem adequada.

Relacionamentos amorosos

Geralmente, a paixão e os primeiros relacionamentos acontecem durante a puberdade. Os autistas, na maioria das vezes, desejam ter um relacionamento romântico e manter intimidade com outras pessoas.

No entanto, eles podem encontrar dificuldades de se relacionar e até mesmo enfrentar preconceitos. Isso porque há dificuldade de identificar seus sentimentos, de se comunicar e de reconhecer a linguagem corporal.

Mas, eles precisam entender desde cedo que podem (e devem) se envolver com outras pessoas e que essa interação é importante para seu desenvolvimento e que a troca e os relacionamentos amorosos serão fundamentais para seu amadurecimento.

Referências:

https://www.autismspeaks.org/expert-opinion/autism-teens-helping-your-child-through-puberty

https://autismawarenesscentre.com/teach-sexuality-person-asd

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Conheça a Síndrome do X Frágil

A Síndrome do X Frágil (ou Síndrome de Martin-Bell e que também é conhecido pelas siglas FXS ou SXF) é uma condição genética e hereditária que causa alguns problemas de desenvolvimento ou comportamentos, dificuldades de aprendizagem e comprometimento cognitivo. Essas pessoas também apresentam características físicas em comum e peculiares.

Geralmente, os homens são mais afetados por essa Síndrome: estima-se que aconteça aproximadamente em 1 a cada 4 mil homens e 1 em cada 8 mil mulheres. Depois da Síndrome de Down, a Síndrome do X Frágil é a síndrome genética que mais atinge crianças.

As crianças com a Síndrome do X Frágil apresentam atrasos no desenvolvimento da fala e da linguagem. A maioria tem deficiência intelectual que varia de leve a moderada. Alguns apresentam ansiedade em excesso e comportamento hiperativo. Estima-se que um terço dos indivíduos com Síndrome do X Frágil também tenham características do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). É bastante comum que pessoas com a Síndrome do X Frágil sejam diagnosticadas com Autismo, TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade), Síndrome de Asperger, entre outras condições.

Causas

A Síndrome do X Frágil é causada por mutações no gene FMR1, que é responsável pela produção da proteína FMRP (Fragile X Mental Retardation). Esta proteína regula a produção de outras que são responsáveis pelo desenvolvimento conexões entre as células nervosas conhecidas como sinapses. Geralmente, a perda dessa proteína prejudica as funções do sistema nervoso, o que ocasiona os sintomas da Síndrome do X Frágil.

Por ser uma desordem ligada ao cromossomo X, que é de caráter dominante, se um dos pais for portador da pré-mutação, já é o suficiente para que a criança receba uma cópia do gene defeituoso e manifeste a Síndrome.

Sintomas

As pessoas com a Síndrome podem apresentar uma combinação dos seguintes sintomas quando crianças e ao longo da vida:

  • atrasos no desenvolvimento, como levar mais tempo do que o normal para sentar, andar ou falar em comparação com outras crianças da mesma idade;
  • engasgar com facilidade;
  • dificuldade em aprender novas habilidades;
  • impulsividade;
  • dificuldades de atenção;
  • não fazer contato visual com outras pessoas, não gostar de ser tocado e dificuldade para entender a linguagem corporal;
  • hiperatividade;
  • morder as mãos (a ponto de causar ferimentos);
  • convulsões;
  • depressão ou baixa autoestima;
  • imitar as pessoas;
  • dificuldade para dormir;
  • a partir da adolescência, os homens podem ter macro-orquidia, ou seja, um aumento anormal dos testículos;
  • mulheres podem apresentar infertilidade.

Algumas pessoas têm características físicas peculiares, tais como:

  • uma testa grande com uma mandíbula proeminente;
  • um rosto alongado;
  • orelhas salientes e de abano;
  • articulações flexíveis;
  • pé chato.

Diagnóstico e tratamento

Para ter o diagnóstico correto, é preciso realizar uma avaliação clínica para identificar os sinais da Síndrome. Também pode ser solicitado análise de DNA por meio de amostras de sangue (testes genéticos). O diagnóstico pode ser realizado durante o primeiro trimestre da gestação através de testes genéticos que analisam o DNA e verificam se os fetos são portadores de mutação completa do gene FRM1.

O tratamento é realizado por uma equipe de profissionais, tais como pediatras, neurologistas, psiquiatras, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais. Não há cura para a Síndrome, pois ela não é uma doença, mas há formas de desenvolver as potencialidades da criança nos ambientes em que ela convive.

Há alguns medicamentos que podem ser prescritos para melhorar a qualidade de vida das pessoas com a Síndrome. Entre eles, destacam-se os antidepressivos, os estabilizantes do humor e os que aliviam os sintomas. Acompanhamentos pedagógicos e psicológicos favorecem o desempenho escolar.

Quanto antes for realizado o diagnóstico, a resposta ao tratamento funciona de forma mais eficaz. Estima-se que entre 80% e 90% das pessoas com X Frágil ainda não foram diagnosticadas.

Referências:

https://www.webmd.com/children/what-is-fragile-x-syndrome#1

https://fragilex.org.au/what-is-fragile-x/

https://www.genome.gov/19518828/learning-about-fragile-x-syndrome/

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Saiba mais sobre o Transtorno Dissociativo de Identidade

O Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI) é uma condição considerada rara e trata-se da presença de duas ou mais identidades na mesma pessoa, ou seja, apresenta múltiplas personalidades.

Essa mudança de identidade costuma aparecer em circunstâncias específicas, geralmente desencadeadas por estresse emocional. Normalmente, ocorre após um grande trauma sofrido pela pessoa ainda na infância. É o caso de abusos sexuais, físicos ou psíquicos.

Depois desses abusos, as crianças desenvolvem outras personalidades com o objetivo de se defender dessa situação traumática. É como se fosse uma estratégia de autodefesa para suportar os momentos de dor e angústia.

Sabe-se que quem tem deficiência intelectual ou um transtorno de personalidade, como borderline, também é mais vulnerável a desenvolver a condição, pois costuma ter uma resiliência menor.

O Transtorno pode se manifestar em qualquer idade. Estima-se que cerca de 2% das pessoas sofrem de transtornos dissociativos no mundo.

Sintomas do TDI

A pessoa apresenta várias personalidades que costumam assumir o controle de seu comportamento. Elas frequentemente experimentam uma perda de memória do que aconteceu enquanto outra personalidade estava no controle.

Cada personalidade tem um conjunto distinto de características, história pessoal e maneira de se relacionar com o mundo. Assim, podem ter nomes, gêneros e preferências diferentes dos da personalidade central do indivíduo.

O impacto dos sintomas de TDI na qualidade de vida de uma pessoa pode variar bastante, de acordo com número de alterações que ela tem, sua situação social e se há outras condições de saúde.

Outros sintomas que uma pessoa com TDI incluem:

  • Incapacidade de recordar memórias de infância e história pessoal;
  • Sentimentos de desapego ou desconexão;
  • Flashbacks ou o retorno repentino de memórias previamente esquecidas;
  • Alucinações;
  • Falta de conhecimento sobre eventos recentes;
  • Pensamentos de automutilação ou suicídio;
  • Convulsões;
  • Estresse agudo, ansiedade, angústia e depressão.

Como é realizado o diagnóstico?

Viver com TDI pode ser frustrante e assustador. Muitas pessoas não recebem o diagnóstico correto até que se tornem adultas, o que aumenta ainda mais o sofrimento.

Tanto adultos quanto crianças são diagnosticados por meio dos critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª Edição (DSM-5). São eles:

  • A presença de duas ou mais identidades ou personalidades distintas, cada uma com seu próprio padrão de interpretação e relacionamento com o meio ambiente;
  • Essas personalidades perturbam a identidade, comportamento, consciência, memória, percepção, cognição ou sentidos da pessoa;
  • A amnésia que limita o quanto uma pessoa pode se lembrar sobre eventos traumáticos e fatos do dia a dia;
  • Os sintomas não ocorrem devido ao uso de nenhuma substância, como álcool ou medicamentos;
  • Apresentam sintomas que causam sofrimento significativo nos ambientes de trabalho e sociais;
  • Sentimentos de desapego (dissociação).

Formas de tratamento

O tratamento para o transtorno dissociativo de identidade geralmente envolve psicoterapia e medicamentos para controlar os sintomas de ansiedade e depressão.

A terapia comportamental ajuda a pessoa a processar memórias traumáticas, a melhorar o relacionamento com os outros e a desenvolver habilidades para enfrentar a situação.

Vale destacar que o objetivo da terapia é ajudar todas as personalidades a viver e trabalhar juntas de forma harmoniosa. E também fazer com que a pessoa consiga identificar o que faz com que as personalidades mudem para que ela se sinta preparada.

Não existe um medicamento específico para tratar esse Transtorno, mas os antidepressivos e os ansiolíticos podem ser usados ​​para tratar os sintomas que costumam surgir com a condição como depressão e ansiedade. 

Isso porque ocorre um estigma social em torno dessas pessoas, que muitas vezes se sentem sozinhas, culpadas e deprimidas.

Pessoas com TDI têm mais chances de tentar suicídio e automutilação. Por isso, o diagnóstico correto e o tratamento imediato são fundamentais e podem salvar vidas.

Referências:

https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/dissociative-disorders/symptoms-causes/syc-20355215

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2719457/

https://www.nhs.uk/conditions/dissociative-disorders/

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Como desenvolver a teoria da mente? Dicas de atividades

A teoria da mente é a habilidade de atribuir estados mentais – crenças, intenções, desejos a si próprio e aos outros. É compreender que os outros possuem crenças, desejos e intenções que são distintas das nossas. Resumidamente, é como alguém pensa e reage aos pensamentos de outras pessoas.

A teoria da mente é muito importante para o desenvolvimento infantil. Crianças muito pequenas muitas vezes, não conseguem pensar sobre os estados mentais dos outros.

No entanto, para interagir com outras pessoas, é necessário ser capaz de compreender seus estados mentais e pensar sobre como isso pode influenciar suas ações.

Estágios da teoria da mente

  • Entender que as razões pelas quais as pessoas podem querer algo podem ser diferentes de uma pessoa para outra.
  • Compreender que as pessoas podem ter crenças diferentes sobre a mesma situação.
  • Entender que as pessoas podem não compreender ou ter o conhecimento de que algo é verdadeiro.
  • Compreender que as pessoas podem ter falsas crenças sobre o mundo.
  • Entender que as pessoas podem ter emoções ocultas ou que podem agir de uma maneira enquanto se sentem de outra forma.

As pessoas diagnosticadas com autismo podem ter problemas para interpretar a teoria da mente. Isso porque sentem mais dificuldades de entender os sentimentos e pensamentos alheios, interpretar expressões faciais, entender as regras sociais e expressar suas próprias emoções.

Atividades que contribuem com a teoria da mente

A maneira como os pais e cuidadores conversam e brincam com seus filhos pode ajudá-los a compreender os pensamentos e sentimentos dos outros e também a ter mais empatia.

Veja abaixo sete atividades para ajudar a criança a desenvolver a Teoria da Mente.

1. Fantoches ou bonecos: brincar de simulação ajuda a criança a encenar conversas e vivenciar diferentes cenários. É possível encenar discussões, conversas, negociações e expressar sentimentos. Ajuda na compreensão de que as pessoas podem ter pensamentos, sentimentos e crenças diferentes dos nossos.

2. Leitura de livros: a criança pode ser estimulada a falar o que acha dos personagens da história e o que vai acontecer a seguir. É uma forma de ela ter empatia, se colocar no lugar do outro e explorar finais alternativos para a história ou diferentes cenários.

3. Histórias de faz de conta: invente histórias cheias de surpresas, piadas, inferências e conflitos. Também é interessante contar piadas ou usar metáforas para explicar que podemos dizer coisas em que não acreditamos necessariamente ou que não são necessariamente verdadeiras.

4. Explicar comportamentos do dia a dia: é importante falar sobre as emoções e pensamentos de outras pessoas e explicar as razões pelas quais alguém se comporta de determinada forma. E também como suas ações podem afetar os sentimentos das pessoas ao seu redor.

É necessário usar uma linguagem acessível e dar exemplos do dia a dia da criança. Exemplos: quando ela tira o brinquedo de uma criança sem pedir permissão ou se agride um coleguinha durante uma brincadeira. Mostrar que as pessoas ficam chateadas e se magoam com essas atitudes.

Cada vez que você interage e conversa com seu filho, você tem a oportunidade de colocar em palavras o que você está pensando e sentindo.

5. Esconde-esconde: se você tiver um espaço para jogar, considere adicionar essa brincadeira que permite mais movimento. É uma oportunidade de a criança ser estimulada a procurar pelo outro, disputar espaço e superar seus limites.

6. Vídeos e desenhos: coloque os vídeos ou desenhos prediletos para a criança assistir e pause por alguns momentos. Converse com a criança e pergunte o que ela acha que vai acontecer e o que as pessoas estão olhando ou pensando.

7. Observe os gostos de seu filho: para se conectar, as crianças precisam prestar atenção nas outras pessoas. Isso não pode acontecer se o pai ou a mãe estiver falando ou brincando com algo que seu filho não está interessado ou em que não está atento. Por isso, é necessário observar os interesses da criança.

Imagine o que seu filho está querendo, pensando ou sentindo, e fale algo sobre isso, como “Entendi, você quer ver TV”, “Não se preocupe. Você já vai brincar no quintal”.

Referências:

https://www.simplypsychology.org/theory-of-mind.html

https://www.verywellmind.com/theory-of-mind-4176826

https://blog.medel.com/develop-childs-theory-of-mind-skills

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