Você sabe a diferença entre autismo e TDAH?

Infelizmente ainda é comum que ocorra uma confusão entre os sintomas de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

São transtornos distintos mas que podem se manifestar no mesmo individuo. É comum que quem tem autismo também tenha o TDAH como condição associada.

O diagnóstico correto e precoce é essencial para que as crianças tenham o tratamento adequado e se desenvolvam plenamente, de acordo com suas limitações e particularidades.

A seguir, veja detalhes sobre esses dois transtornos e as características em comum e diferenças entre eles:

Saiba mais sobre o TDAH

É um transtorno neurobiológico de causas genéticas que costuma aparecer na infância e acompanhar a pessoa por toda a vida. Entre os sintomas, destacam-se: desatenção, hiperatividade, inquietude e impulsividade.

O diagnóstico geralmente ocorre quando a criança tem entre 6 e 12 anos ou logo após ingressar na escola. Estima-se que o TDAH atinja cerca de 3 a 5% das crianças em todo o mundo.

Há ainda três graus de TDAH: leve, em que a rotina da pessoa não é afetada; moderada, quando os sintomas começam a atrapalhar as atividades; e grave quando há vários sintomas que causam problemas na rotina profissional e escolar.

Os sintomas variam de acordo com o tipo de TDAH: hiperativo, desatento ou ambos. Para confirmar o diagnóstico, é importante que a criança ou adulto tenha um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade que altere o seu desenvolvimento, aprendizagem e rotina diária.

Na maioria das vezes, há dificuldades para reconhecer as necessidades e desejos de outras pessoas. Também apresentam problemas para manter suas emoções sob controle. A falta de foco pode ser constante. Costumam ser desatentos ou têm dificuldade para se planejar.

O diagnóstico do TDAH é difícil, pois muitas vezes ele é confundido com os problemas na educação, ansiedade ou dislexia. O TDAH é o transtorno mais comum em crianças e adolescentes, surge na infância, mas pode acompanhar a pessoa até a fase adulta.

Os pais devem aceitar o fato de que as crianças com TDAH têm cérebros que funcionam de maneiras diferentes e podem ter comportamentos impulsivos. Podem ser indicados medicamentos e terapia comportamental.

Vale destacar que não há cura para o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, pois não é uma doença. Entretanto, há tratamento e mudanças na rotina e comportamentos de familiares que podem ajudar os pais e as crianças a conviverem com o TDAH.

 

Veja detalhes sobre o autismo

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é uma condição relacionada ao desenvolvimento do cérebro que afeta a forma como uma pessoa percebe o mundo e se socializa.

Dessa forma, elas podem ter  dificuldades de interação social, comunicação e comportamento. Porém, muitas pessoas com autismo conseguem realizar todas as suas atividades diárias, enquanto outros podem necessitar de ajuda.

Os sinais costumam se manifestar antes dos três anos de idade, sendo possível fazer o diagnóstico por volta dos 18 meses de vida da criança ou até mesmo antes dependendo do caso.

Quanto mais cedo ocorrer o diagnóstico, mais rapidamente o autista começará as intervenções precoces. Com isso, conseguirá desenvolver as habilidades cognitivas, sociais e de linguagem. Dessa forma, o autista terá mais qualidade de vida, independência e autonomia para realizar as atividades diárias.

O diagnóstico do TEA ainda pode ser considerado essencialmente clínico, ou seja, não há exames para detectar o autismo.

Entre os sinais do autismo podemos citar: não imitam, dificuldade para fazer contato visual e interagir, muitas vezes apresentam atraso na fala, dificuldades com a comunicação não verbal e apresentam movimentos repetitivos e  estereotipados.

 

Características em comum entre TDAH e TEA

 São transtornos do neurodesenvolvimento que se manifestam na infância;

  • Afetam o comportamento e a socialização;
  • Pessoas com TDAH e TEA podem apresentar problemas sensoriais.

 Algumas diferenças entre TDAH e TEA

  • Pessoas com TDAH não apresentam dificuldades com linguagem, já as pessoas autistas sim;
  • Pessoas com TDAH não tem dificuldades com comunicação verbal e não verbal;
  • Pessoas com TEA tem dificuldades para compreender expressões faciais, piadas, sarcasmos e gestos. As pessoas com TDAH não apresentam dificuldades nessas habilidades;
  • Pessoas com TDAH conseguem interagir socialmente

 

Comorbidade: quando há o diagnóstico duplo

É comum que quem tenha autismo apresente comorbidades, ou seja, duas ou mais condições clínicas presentes na mesma pessoa e ao mesmo tempo. Sendo assim, têm condições de saúde que se associam a outras e por isso estão frequentemente juntas clinicamente.

Entre as comorbidades mais frequentes está o TDAH. O primeiro passo é confirmar o diagnóstico e buscar terapias que ajudem a criança ou jovem a ter mais qualidade de vida. Pode ser necessário procurar um especialista em transtorno de comportamento infantil.

Estima-se que 14% das crianças com TDAH também tenham TEA e até 70-80% das pessoas com TEA apresentam o TDAH também.

Tanto o TDAH quanto o TEA são condições para a vida toda que podem ser gerenciadas com tratamentos adequados.

Referências:

American Psychiatric Association (2003). Transtorno de déficit de atenção e de comportamento disruptivo. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. (4ª ed).

https://www.autism.org.uk/adhd

https://autismsciencefoundation.org/what-is-autism/autism-diagnosis/

https://www.autismspeaks.org/signs-autism

Read More

Saiba mais detalhes sobre a Esclerose Tuberosa

Você já ouviu falar da esclerose tuberosa? Trata-se de uma síndrome genética considerada rara que causa tumores benignos em algumas partes do corpo.

Geralmente, é detectada na infância, mas em algumas pessoas os sintomas são tão leves que o diagnóstico ocorre apenas na fase adulta. Aproximadamente um milhão de pessoas foram diagnosticadas com a condição em todo o mundo.

A esclerose tuberosa é causada mutações nos genes TSC1 ou TSC2. Pessoas com esclerose tuberosa têm até 50% de chance de transmitir a doença para seus filhos. A gravidade da condição pode variar de leve a grave.

O nome esclerose tuberosa vem de tubérculos, já que os nódulos que surgem no cérebro são semelhantes às batatas. Atinge todos os grupos étnicos e afeta tanto os homens quanto as mulheres.

É uma síndrome frequentemente associada ao Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Cerca de 60% das pessoas com esclerose tuberosa também apresentam TEA.

O prognóstico para indivíduos com a condição varia bastante de acordo com a gravidade dos sintomas. Aqueles com sintomas leves apresentam uma expectativa de vida normal. Já os indivíduos gravemente afetados, podem sofrer de retardo mental grave e epilepsia persistente.

Quais são os sintomas?

Surgem tumores não cancerosos (benignos) em partes do corpo como cérebro, olhos, rins, coração, pulmões e pele, principalmente. Além disso, podem surgir:

  • Manchas na pele e protuberâncias avermelhadas sob ou ao redor das unhas;
  • Convulsões devido ao crescimento do cérebro;
  • Deficiências cognitivas que podem estar associadas a atrasos no desenvolvimento, deficiência intelectual ou dificuldades de aprendizagem;
  • Podem ter transtorno do espectro do autismo ou transtorno de déficit de atenção / hiperatividade (TDAH);
  • Problemas comportamentais como automutilação ou agressão;
  • Problemas renais, cardíacos e pulmonares;
  • Anormalidades oculares.

 

Diagnóstico e tratamento

Dependendo dos sinais e sintomas, o indivíduo é avaliado por vários especialistas como neurologistas, cardiologistas, oftalmologistas e dermatologistas para ter um diagnóstico correto.

Devem ser solicitados diversos exames físicos e testes genéticos para diagnosticar a esclerose tuberosa e identificar problemas relacionados.

A primeira pista pode ser a presença de convulsões ou atraso no desenvolvimento. Em outros casos, o primeiro sinal pode ser manchas brancas na pele ou tumor cardíaco.

O diagnóstico da doença é baseado em um exame clínico cuidadoso em combinação com tomografia computadorizada ou ressonância magnética do cérebro: que pode mostrar nódulos no cérebro ou uma ultrassonografia do coração, fígado e rins, que pode mostrar tumores nesses órgãos.

Embora não haja cura para a esclerose tuberosa, o tratamento pode ajudar a controlar sintomas específicos.

Entre as terapias que podem ser indicadas, estão:

  • Medicamentos anticonvulsivantes ou para controlar arritmias cardíacas, problemas de comportamento ou outros sinais e sintomas;
  • Cirurgias são recomendadas quando o tumor afeta a capacidade de  funcionamento de um órgão específico  como o rim ou o coração;
  • Terapias diversas como terapia ocupacional ou acompanhamento com fonoaudiólogo para melhorar a qualidade de vida dos indivíduos e suas habilidades para gerenciar as tarefas e atividades diárias;
  • Terapia psicológica ou acompanhamento psiquiátrico podem ser indicados para que a criança ou jovem com a condição se adapte da melhor maneira e conviva bem com o transtorno.

 

Possíveis complicações

A esclerose tuberosa é uma condição para a vida toda e requer monitoramento e acompanhamentos constantes.

Dependendo de onde os tumores não cancerosos (tumores benignos) se desenvolvem e de seu tamanho, eles podem causar complicações graves ou com risco de vida em pessoas com esclerose tuberosa.

Aqui estão alguns exemplos de complicações:

  • Excesso de fluido cerebral. Um tipo de crescimento do cérebro pode bloquear o fluxo do fluido espinhal dentro do órgão. Essa condição é chamada de hidrocefalia;
  • Complicações cardíacas como crescimentos no coração e alterações no ritmo cardíaco;
  • Problemas renais devido ao crescimento do órgão. Pode ocorrer falência renal e ser fatal;
  • Insuficiência pulmonar. O crescimento nos pulmões pode causar colapso do pulmão, o que interfere na função pulmonar;
  • Aumenta o risco de câncer.  A esclerose tuberosa está associada a um risco aumentado de desenvolver tumores malignos nos rins e no cérebro;

 

Referências:

https://www.nhs.uk/conditions/tuberous-sclerosis/

https://www.ninds.nih.gov/Disorders/Patient-Caregiver-Education/Fact-Sheets/Tuberous-Sclerosis-Fact-Sheet

 

Read More

Quando é preciso realizar uma avaliação neuropsicológica?

A avaliação neuropsicológica tem o objetivo de mensurar e descrever o desempenho cognitivo. Ela avalia as suspeitas de alterações cognitivas que podem ocorrer devido às desordens neurológicas ou outros transtornos.

Essa avaliação é realizada por meio de testes neuropsicológicos padronizados. Geralmente, é feita por um neuropsicólogo, que avalia o funcionamento cognitivo, checa as habilidades e dificuldades específicas do indivíduo.

Em quais casos, se indica uma avaliação neuropsicológica?

A avaliação neuropsicológica é solicitada quando há suspeita de alguma desordem neurológica como demências, acidentes vasculares cerebrais (AVC), traumatismos cerebrais ou outras condições como Transtorno do Espectro do Autismo, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade e deficiências de aprendizagens.

Além disso, faz um diagnóstico diferencial entre uma síndrome psicológica e uma neurológica. Consegue também verificar a recuperação cognitiva ou evolução de uma desordem neurológica.

Pode ser indicada quando a pessoa tem problemas para se concentrar ou tomar decisões. Na avaliação neuropsicológica o especialista avalia também:

  • a capacidade de pensar, compreender, aprender e lembrar;
  • a memória;
  • a função motora;
  • a habilidade verbal;
  • a capacidade de resolver problemas;
  • habilidades de leitura;
  • uso da linguagem e compreensão do que os outros dizem;
  • habilidades visuoespaciais;
  • humor e personalidade.

Como é realizada

O neuropsicólogo conversa com a pessoa ou familiar para entender o histórico médico para entender mais sobre o funcionamento cognitivo (mental).

São realizados testes que podem envolver escrever ou desenhar, resolver quebra-cabeças ou responder a perguntas.

A pessoa também preenche questionários sobre o seu humor e sintomas psicológicos. Depois, o neuropsicólogo escreve um relatório com os resultados e inclui as recomendações para melhorar a cognição e pode encaminhar para outros profissionais.

A duração da avaliação varia, podendo levar de uma a oito horas, dependendo do quadro e dificuldades da pessoa.

Para realizar o diagnóstico do autismo

Se uma criança está enfrentando dificuldades e os pais ou educadores suspeitam que ela tenha o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), uma avaliação neuropsicológica com certeza ajudará nesse processo.

A avaliação neuropsicológica pode contribuir para o diagnóstico correto do autismo. Normalmente, é realizada com base na observação, histórico e nas queixas do paciente e dos pais.

A avaliação da inteligência é fundamental para qualquer avaliação neuropsicológica. Mas, a análise do perfil cognitivo é muito mais importante do que a medição do quociente de inteligência (QI). Por isso, avaliam-se as funções cognitivas individuais da pessoa.

Quando envolvem crianças e adolescentes, geralmente a avaliação neuropsicológica é feita com a presença dos pais. Inicialmente são coletados os dados do paciente – e as perguntas abrangem desde o nascimento até os dias atuais.

Em seguida, os especialistas aplicam testes e usam ferramentas de diagnóstico para compreender as funções cognitivas, como funciona a memória, a atenção, o planejamento, entre outros fatores.

É comum também que o neuropsicólogo converse com outros profissionais que convivem com a criança como professores e pediatras para entender melhor como ela se comporta.

As pontuações dos testes são interpretadas no contexto de outras informações. Alguns déficits não podem ser quantificados. As habilidades sociais, por exemplo, são avaliadas em grande parte por meio da observação de comportamentos.

Após a conclusão da avaliação, os pais são orientados e os profissionais indicam as medidas e terapêuticas adequadas para cada caso.

Referências:

https://my.clevelandclinic.org/health/diagnostics/4893-neuropsychological-testing–assessment

https://www.aane.org/guidelines-neuropsychological-evaluations-children-teens/

Read More

Quais são os tipos de Ensino em ABA?

A Análise de Comportamento Aplicada (ABA) trata-se de uma ciência comprovada que possibilita compreender as ações e habilidades no espectro autista. E também como elas podem ser influenciadas pelo meio ambiente.

Esta forma de intervenção, que já existe há mais de 50 anos, pode contribuir com uma melhora nas interações sociais, aprendizagem de novas competências e manter comportamentos positivos.

A ABA é uma ciência que estuda as leis que regem a interação do indivíduo com o ambiente e após uma análise dos comportamentos é possível traçar um plano de ação para modificá-los.

A maioria das pessoas acredita que a terapia ABA envolve uma série de exercícios repetitivos, resultando em uma forma específica de resposta e comportamentos rígidos. Porém, as técnicas aplicadas nem ABA são planejadas para cada autista de forma individualizada.

Os especialistas em ABA ensinam estratégias para tornar naturais as habilidades aprendidas em contextos terapêuticos.

As técnicas de ensino em ABA visam uma variedade de habilidades, incluindo resposta generalizada e comportamento criativo. Assim, um programa de qualidade ensinará as crianças a responder de maneira natural e criativa.

A seguir, veja detalhes de alguns tipos de técnicas de ensino da ciência ABA.

Ensino em ambiente natural

O ensino em ambiente natural é um método instrucional usado na terapia ABA que envolve trabalhar em um ambiente que a criança já está acostumada em sua vida cotidiana ou um ambiente que a criança prefere.

Ao usar este método, o terapeuta ensina habilidades por meio de brincadeiras. Por isso, requer que o terapeuta esteja muito ciente dos objetivos que seu aluno tem em seu repertório.

O ensino em ambiente natural ocorre quando há uma interação proposital com o ambiente para apoiar as habilidades que estão sendo treinadas.

Pesquisas indicam que o uso de ensino em ambiente natural aumenta a probabilidade de os alunos generalizarem suas habilidades ou usarem essas habilidades também fora da terapia.

Tentativa discreta

O Treinamento por Tentativa Discreta é uma prática baseada em evidências. Ela envolve fracionar as habilidades em suas partes mais básicas e ensiná-las às crianças, como se fosse um passo a passo.

As crianças recebem recompensas por todas as suas realizações, o que incentiva a aprender. É baseada na ciência ABA (Análise do Comportamento Aplicada).

Geralmente, é usado em crianças com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) com idade que varia de 2 a 6 anos, mas pode ser eficaz em pessoas de qualquer idade.

Pesquisas mostram que a tentativa discreta apresenta efeitos positivos no comportamento de crianças autistas. É ainda mais eficaz quando combinada com outras práticas baseadas na ABA.

Entre as ações, estão:

  • Treinar habilidades de fala e linguagem e habilidades necessárias da vida cotidiana como ensina a vestir, usar utensílios e seguir instruções ou regras;
  • Treinar habilidades de escrita;
  • Ensinar os pais a lidar com o comportamento dos filhos;
  • Esse tipo de intervenção foca na base de aprendizagem sem erros;

O local deve ser um ambiente sem distrações e as instruções devem ser claras, concisas e objetivas. O reforço deve ser imediato logo após cada resposta correta.

Ensino Incidental

O ensino incidental é geralmente usado com crianças de 2 a 9 anos para melhorar a linguagem e outras habilidades de comunicação em crianças autistas. Também visa ajudar as crianças a transferir habilidades de uma situação para outra e incentivá-las a iniciar conversas.

Foi a primeira técnica de ensino naturalista e oferece uma alternativa às técnicas tradicionais, que ensinam as habilidades em ambientes muito controlados.

O ensino incidental é baseado na ideia de que, se uma habilidade for recompensada, a criança a usará com mais frequência. Ele depende dos interesses naturais da criança como base para o aprendizado.

Pesquisas mostram que essa abordagem tem efeitos positivos no comportamento de crianças autistas.

Referências:

https://www.appliedbehavioranalysisprograms.com/lists/5-techniques-used-in-applied-behavior-analysis/

https://raisingchildren.net.au/autism/therapies-guide/incidental-teaching

https://www.special-learning.com/article/incidental_teaching

https://www.autismspeaks.org/applied-behavior-analysis

Read More

Cuidado com a fake news: veja o que não trata o autismo

Se você tem um filho ou filha com Transtorno do Espectro do Autismo, provavelmente já ouviu alguma dica de tratamento milagroso que “cura” o Autismo. Primeiramente, vale a pena reforçar que o autismo não é uma doença, ou seja, não pode ser curado. E o que melhora as habilidades e qualidade de vida dos autistas são intervenções precoces e práticas baseadas em evidências.

Mas, o que não faltam são notícias falsas sobre o assunto que podem até mesmo colocar a saúde das crianças em risco. É muito importante que os pais e responsáveis fiquem atentos e tirem dúvidas com os profissionais  especialistas na área e sigam suas orientações.

Ao receber um diagnóstico de autismo, os pais podem ser influenciados a usar produtos inadequados como solução de um problema real. Muitos encontram informações falsas e buscam apoio em outros pais que, do mesmo modo, passam pela mesma situação.

Em conclusão, por falta de conhecimento, desespero ou medo, os pais podem cair nessas ciladas, se iludirem e complicar a saúde dos seus filhos.

Vale a pena reforçar que nenhum relato pessoal, mesmo de pessoas muito próximas, deve se comparar a estudos científicos  que levam anos para serem comprovados. É importante acreditar na ciência e nas pesquisas de instituições reconhecidas e que são realizadas em todo o mundo.

A seguir, veja detalhes de algumas fake news de tratamentos do autismo.

MMS

A sigla vem do inglês Mineral Miracle Solution (Solução Mineral Milagrosa “cura”) e é uma substância vendida como medicamento que possui uma composição parecida com a água sanitária.

Infelizmente, essa substância se tornou popular entre os familiares de pessoas com autismo. Alguns pais e cuidadores acreditam que as crianças poderiam ser curadas ao ingerir o MMS.

É importante esclarecer que não há comprovação científica dos benefícios do MMS para o autismo ou qualquer outra condição de saúde. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) até mesmo proibiu a venda do produto.

O falso medicamento é dado para as crianças via oral ou retal e podem fazer muito mal para o organismo. Alguns especialistas relatam que o uso contínuo deixa a pessoa debilitada, provoca picos de anemia e até morte.

Câmara hiperbárica

A técnica envolve respirar oxigênio em uma câmara pressurizada e com a intenção de melhorar os sintomas do autismo. É um recurso bastante caro, e não há nenhuma comprovação científica.

 

Quelação

Usa medicamentos pesados com a intenção de remover metais tóxicos. Supostamente, os metais seriam os responsáveis pelo autismo. Eles podem ser encontrados em várias formas: sprays, supositórios, cápsulas, gotas e banhos de argila.

Obviamente, não há comprovação científica sobre o assunto. Além disso, a quelação de minerais pode provocar problemas renais, hepáticos e até levar a uma parada cardíaca. É muito perigoso!

 

Ômega 3

Algumas pessoas acreditam que o suplemento ômega 3 poderia amenizar os sintomas de autismo.

No caso do ômega 3 supõe-se que ele contribui com o funcionamento do cérebro e reduz o déficit de linguagem em autistas. No entanto, não há nenhuma comprovação científica sobre os seus benefícios para os autistas.

Pelo contrário, diversos estudos apontam que a suplementação com ômega 3 não causou qualquer melhoria de sintomas em autistas como agressividade e hiperatividade, mesmo após seis meses de uso.

Além disso, os cientistas não encontraram evidências de que o ômega 3 melhore a interação social, a comunicação e os comportamentos estereotipados.

Intervenções na dieta

Há ainda a lenda de que realizar mudanças na alimentação pode curar o autismo. Muitas pessoas apostam em intervenções na dieta como excluir o glúten (presente nos cereais) ou a caseína (proteína do leite).

Algumas pessoas apresentam algum tipo de alergia a esses itens e não podem consumir os alimentos derivados. Mas, não existem evidências científicas que associam o glúten e a caseína ao autismo. Nem é possível afirmar que a dieta do autista deve ser alterada. Somente em casos de alergias ou intolerância.

É sempre importante fazer o acompanhamento com nutricionistas especialistas para que a pessoa tenha uma boa alimentação e mais saúde.

Dicas para evitar cair em golpes de tratamentos milagrosos

  • Desconfie de produtos que afirmam tratar uma ampla gama de doenças;
  • Os testemunhos pessoais não substituem as evidências científicas;
  • Poucas condições podem ser tratadas rapidamente. Portanto, desconfie de qualquer terapia alegada como uma “solução rápida”.
  • As chamadas “curas milagrosas”, que alegam ter ingredientes secretos, são provavelmente uma farsa.
  • Pode ser feito por qualquer pessoa sem qualificações.
  • Essas terapias “milagrosas” normalmente custam muito dinheiro e não são acessíveis.

Referências:

https://www.fda.gov/consumers/consumer-updates/be-aware-potentially-dangerous-products-and-therapies-claim-treat-autism

https://www.healthline.com/health-news/parents-warned-about-bleach-therapy-for-autism#4

https://www.nhs.uk/conditions/autism/autism-and-everyday-life/fake-and-harmful-treatments/

Read More

Conheça algumas intervenções baseadas em evidências científicas para o autismo

Você já ouviu falar em intervenções baseadas em evidências para o autismo?

Resumidamente, trata-se de práticas ou procedimentos de instrução com resultados comprovados cientificamente, além de serem seguros.

Como já falamos algumas vezes, os autistas desenvolvem mais suas habilidades sociais e de comunicação quando são iniciados em intervenções precoces.

Essas estratégias podem ser aplicadas ao longo da vida e auxiliam nos comportamentos, na parte cognitiva e motora.

Além de contribuir com a preparação para a vida escolar, acadêmica, profissional e saúde mental do autista.

Abaixo, veja detalhes de 8 intervenções baseadas em evidências para o autismo.

Reforçamento

Muito usada na terapia ABA, trata-se de dar um estímulo para reforçar um comportamento adequado.

O reforço positivo leva em conta os gostos pessoais do autista. O reforço pode ser um elogio, um brinquedo, um abraço, um passeio, por exemplo. Mas deve ser apresentado logo após a execução do comportamento esperado.

 

PECS

Do inglês “Picture Exchange Communication System” (Sistema de Comunicação por Troca de Figuras), a intervenção utiliza recursos visuais como ferramenta para quem tem o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) poder se comunicar.

Seja para fazer um pedido, compartilhar um sentimento ou pensamento ou o que se deseje expressar, por meio do uso de imagens simples é possível estabelecer um diálogo estabelecido por uma criança ou adulto no espectro.

 

Extinção

Tem o objetivo de identificar a causa de um comportamento com a intenção de eliminá-lo, se ele não for adequado. É o caso de birras, gritos, choros, entre outros.

Para ser eficaz, é importante identificar o reforço que está mantendo aquele comportamento para retirá-lo.

Em seguida, é possível substituir um comportamento inadequado por um adequado, ensinando novas habilidades.

 

Integração sensorial

Pessoas com TEA podem ter dificuldades sensoriais que limitam suas habilidades no trabalho, família e lazer.

A prática de integração sensorial ajuda a criança com autismo a receber informações sensoriais que  organizam o sistema nervoso central. Com isso, melhora a resposta aos estímulos sensoriais.

Modelação

A modelagem em vídeo ou vídeo modelação trata-se de demonstrações gravadas em vídeo indicando uma habilidade ou comportamento para a criança ou jovem com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Pessoas com TEA costumam responder melhor a estímulos visuais. Ao assistir ao vídeo, elas entendem melhor como funcionam as habilidades ou comportamentos e passam a repeti-los.

Treino de habilidades sociais

Normalmente, os autistas não entendem como agir em determinadas situações sociais. Com o treino de habilidades sociais, o autista aprende as regras de jogos, como funciona uma conversa, a gerenciar suas emoções.

Aprendem também a fazer contato visual, a entender os sentimentos alheios, além de ter autocontrole e como resolver problemas, por exemplo.

Treinamento parental

Tem o intuito de sistematizar o repertório comportamental emitido pelos pais quanto ao manejo do comportamento dos filhos.

Dessa forma, são realizadas diversas orientações aos pais voltados ao comportamento, comunicação ou para fatores específicos relacionados ao sono, alimentação ou rotinas do autista.

 

Musicoterapia

Essa intervenção baseada em evidências científicas usa a música e seus componentes (melodia, harmonia e ritmo) para atender às necessidades físicas, emocionais, cognitivas e sociais dos autistas. Usa-se a música no contexto clínico, educacional e social.

Oferece caminhos de comunicação que podem ser úteis para aqueles que têm dificuldade em se expressar em palavras.

Os musicoterapeutas avaliam o bem-estar emocional, a saúde física, o funcionamento social, as habilidades de comunicação e as habilidades cognitivas por meio de respostas musicais.

 

Profissional capacitado e participação dos pais

Vale destacar que as intervenções baseadas em evidências devem ser realizadas por profissionais capacitados, especialistas em comportamento e principalmente em autismo.

As intervenções devem ser individualizadas, respeitando o autista. A família, responsáveis e professores também precisam acompanhar constantemente a evolução do autista. Muitas vezes, eles precisam realizar exercícios em casa ou na instituição de ensino.

E você, já conhecia essas intervenções baseadas em evidências? Não deixe de comentar!

Referências:

https://www.autismsociety-nc.org/treatment/

https://vcuautismcenter.org/resources/EBP.cfm

https://researchautism.org/use-of-evidence-based-practices/

Read More

Como estimular a socialização das crianças com autismo?

Muitas crianças autistas sentem dificuldades na interação social. Nesses casos, precisam de ajuda para aprender a agir em diferentes tipos de situações sociais.

É comum que muitos sintam o desejo de interagir com os outros, mas podem não saber como agir, fazer amigos ou conviver em sociedade.

Algumas crianças também não têm interesse em realizar atividades com outras pessoas e podem preferir brincar sozinhas.

Algumas estratégias podem ser eficazes para estimular a socialização das crianças. Vale destacar que é fundamental buscar ajuda especializada para receber as orientações adequadas.

Muitas dessas habilidades podem ser treinadas por especialistas na ciência ABA – Análise do Comportamento Aplicada, terapeutas ocupacionais, entre outros profissionais.

Por que isso acontece?

O desenvolvimento de habilidades sociais para pessoas com autismo pode ser mais complexo e necessita de profissionais e familiares para que elas possam aprender e conviver em sociedade.

Lembrando que a criança com autismo necessita de estímulos e ser ensinada a agir em situações que exigem a interação social.

Algumas características comuns em pessoas autistas podem dificultar a socialização. Entre elas podemos citar:

  • Dificuldade em fazer contato visual com outras pessoas;
  • Não responder quando é chamado pelo nome;
  • Dificuldade em entender expressões faciais ou linguagem corporal;
  • Não gostam de compartilhar brinquedos;
  • Expressam as emoções em momentos inadequados, como rir na hora e no lugar errados;
  • Preferem atividades solitárias e não tentam fazer amigos.

O que pode ser feito?

O primeiro passo é buscar ajuda especializada para entender melhor a situação e encontrar profissionais que possam indicar as melhores ações e atividades para cada pessoa com TEA.

Ter uma orientação e acompanhamento é fundamental para melhorar a qualidade de vida das pessoas com autismo. As crianças precisam enxergar a interação de uma forma positiva e não como algo estressante ou que cause ansiedade. Há algumas estratégias que podem ajudar nesse processo.

Abaixo, veja algumas técnicas que podem ser eficazes para ajudar na socialização das crianças com autismo.

Fotos

Por meio de imagens e fotos, as crianças podem ser estimuladas a reconhecer emoções. Dessa forma, entende o que significa uma pessoa “feliz” ou “triste” e o que causa tais sentimentos.

É importante usar imagens ou fotos para mostrar diferentes expressões faciais e linguagem corporal e diferentes contextos.

Atividades em grupo

Vale a pena tentar realizar atividades em grupo em pessoas com autismo (ou neurotípicas). Com isso, ele ou ela pratica atividades sociais como cumprimentos e ações do dia a dia.

Tecnologia

Vídeos, desenhos e jogos ensinam bastante sobre a linguagem corporal e a comunicação.

Histórias

Por meio da leitura de histórias apresentam-se os conceitos e regras sociais.

Encenar

Os pais e cuidadores podem encenar ou fingir determinada situação social para explicar para o autista como agir.

Vale a pena ensinar como agir em um mercado, loja ou na escola.

Modelação

A modelagem em vídeo ou vídeo modelação é considerada uma prática baseada em evidências para pessoas autistas. Isso porque alguns respondem melhor a estímulos visuais.

São demonstrações gravadas em vídeo indicando uma habilidade ou comportamento para o jovem com autismo.

Eles assistem ao vídeo e conseguem entender melhor como funcionam as habilidades ou comportamentos e passam a repeti-los.

Treinamento de habilidades sociais

 Outra forma de ajudar o autista na socialização é investir no treinamento de habilidades sociais para promover o desenvolvimento comportamental de forma adequada.

Consiste em tratamentos comportamentais de intervenção precoce, com o intuito de promover o desenvolvimento comportamental de forma adequada.

Os especialistas também ensinam novas habilidades e como deve ser o  comportamento em uma determinada situação. Nesses casos, busque ajuda especializada.

Na escola

As crianças autistas podem ser estimuladas no ambiente escolar a realizar brincadeiras e tarefas em grupo. Isso estimula a comunicação e a interação do pequeno.

É uma forma também de entender as regras sociais e a importância de respeitar as diferenças.

Referências

https://www.autismspectrum.org.au/learning-module/social-interaction

https://www.autism.org.uk/about/communication/social-children.aspx

https://www.psychologytoday.com/us/blog/socioemotional-success/201706/helping-your-child-autism-improve-social-skills

Read More

Saiba mais sobre os transtornos motores da fala

Um dos momentos mais esperados dos pais é ouvir as primeiras palavras de seus filhos. No entanto, em alguns casos, a criança pode apresentar algum tipo de transtorno motor da fala.

Isso significa que a criança se esforça e tem dificuldade para produzir a fala devido a problemas de planejamento motor ou no tônus ​​muscular.

Ela pode querer formar palavras, mas é incapaz disso. Assim, demonstram uma fala arrastada ou difícil de entender. A fala se torna ainda mais difícil de entender à medida que as frases ficam mais longas.

Por conta disso, a comunicação se torna pouco eficiente, já que dificulta a compreensão das palavras. Essa situação pode comprometer outras habilidades da criança, tais como a leitura e a escrita.

A capacidade de comunicação verbal merece atenção entre as crianças que estão no espectro do autismo. A dificuldade de falar na infância é extremamente comum e pode ser uma limitação característica do autismo.

Os transtornos motores da fala podem impactar no desenvolvimento de linguagem verbal e social de crianças autistas. Com isso, a autonomia e independência do autista podem ficar comprometidas se ele não tiver ajuda profissional para desenvolver a fala e a sua comunicação.

A seguir, veja os principais transtornos motores da fala e os sintomas de cada um.

Disartria da fala

A disartria acontece quando a criança não consegue coordenar ou controlar os músculos usados ​​para a produção da fala em seu rosto, boca ou sistema respiratório.

Pessoas com disartria têm dificuldade em controlar os músculos usados ​​para fazer sons. Com isso, pode ser difícil para os outros entenderem o que ela está falando.

A disartria, frequentemente chamada de fala arrastada, é definida como fala lenta, imprecisa e distorcida. Basicamente, acontece devido à incapacidade de controlar ou coordenar o músculo usado durante a fala.

Os sintomas podem variar de leves a graves. Os sintomas típicos incluem:

  • Fala arrastada e lenta;
  • Ritmo de fala anormal e variado;
  • Falam baixo ou sussurrando;
  • Dificuldade em mudar o volume da fala;
  • Qualidade vocal nasal, tensa ou rouca;
  • Dificuldade em controlar seus músculos faciais;
  • Dificuldade em mastigar, engolir ou controlar a língua;
  • Saliva em excesso.

Apraxia da fala

É a incapacidade de fazer um movimento voluntário, como falar, apesar de ser capaz de demonstrar função muscular normal.

É considerada uma desordem neurológica da fala e ocorre como resultado de comprometimento neurológico, em associação com distúrbios neurocomportamentais complexos, como é o caso do autismo.

Surgem assim limitações para realizar atividades como coordenar o uso da língua, lábios, boca e mandíbula para produzir sons de fala claros e consistentes.

Entre os sinais mais comuns que podem indicar apraxia da fala, podemos citar:

  • Pausas longas entre os sons das palavras proferidas;
  • Nem sempre diz uma palavra da mesma maneira;
  • Dificuldade (motora oral) para comer;
  • Compreende melhor o que ouve do que sua capacidade de falar;
  • Tem mais dificuldade em dizer palavras mais longas do que as mais curtas;
  • Apresenta mais problemas para falar quando está nervoso;
  • Difícil de ser compreendido quando fala;
  • Costuma errar consoantes e vogais ao proferir sílabas e palavras;
  • Dificuldade em repetir sequências de palavras ou sílabas.

Quando procurar ajuda?     

Os pais e responsáveis devem ficar atentos aos marcos de desenvolvimento da infância. Quando notar que a criança está demorando muito para falar ou quando a fala não consegue ser compreendida, é fundamental buscar ajuda de um fonoaudiólogo.

O diagnóstico em quem apresenta autismo pode ser mais complicado, pois seus sinais se assemelham às condições ligadas às limitações de linguagem comuns no autismo. .

Por isso, é fundamental que o fonoaudiólogo compreenda as especificidades do autismo para realizar o diagnóstico correto e começar a intervenção terapêutica adequada, de acordo com as necessidades de comunicação de cada indivíduo.

Na avaliação, o fonoaudiólogo deverá avaliar a capacidade dos movimentos musculares da boca da criança, ou seja, como ela costuma mexer a mandíbula, lábios e língua.

Por meio das intervenções, o especialista ajudará a criança a melhorar suas habilidades de comunicação.

O objetivo é ajudar a melhorar o movimento da língua e dos lábios, fortalecer os músculos da fala, além de diminuir a velocidade com que a criança fala. Também pode ajudar a melhorar a respiração, a articulação da fala e praticar habilidades de comunicação em grupo.

Referências:

https://www.asha.org/public/speech/disorders/Childhood-Apraxia-of-Speech/#signs

https://www.mwuclinics.com/illinois/services/specialty/speech-language/motor-speech-disorders

https://www.asha.org/public/speech/disorders/dysarthria/

Read More

ABA estruturado ou ABA naturalista: saiba as principais diferenças

A Análise do Comportamento Aplicada (Applied Behavior Analysis – ABA) é uma das principais intervenções usadas para desenvolver as habilidades de uma pessoa com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

A ABA tem comprovação científica e melhora comportamentos socialmente importantes.  Por isso, a ABA permite que quem está no espectro tenha suas habilidades aperfeiçoadas. Além disso, ajuda no controle das limitações e contribui para que o autista consiga se desenvolver e ser mais independente.

Resumidamente, a ABA atua com procedimentos e intervenções destinados a aumentar comportamentos positivos e ensinar novas habilidades. Assim, o autista consegue integrar a novos ambientes e reduzir comportamentos prejudiciais como é o caso da autoagressão.

Mas, você sabia que existem diferentes abordagens de ABA? A terapia pode ser mais estruturada ou ser mais lúdica e aplicada por meio de brincadeiras.  A seguir, veja detalhes e principais diferenças do ABA estruturado e o ABA naturalista.

Como funciona o ABA Estruturado

Assim como o próprio nome já diz, o ABA estruturado segue uma estrutura com começo, meio e fim da atividade proposta e envolve diversas oportunidades de aprendizado.

A ABA estruturada é focada nas habilidades que o aluno tem de desenvolver. Logo no início da sessão, sabem-se quais são os objetivos que serão trabalhados e os materiais que devem ser usados.

Dessa forma, o terapeuta controla o ambiente, as habilidades a serem estimuladas e como as atividades serão aplicadas.

O objetivo é aumentar o aprendizado e minimizar as distrações. O ensino estruturado pode ser realizado ou não em uma mesa, de forma individual ou em grupo.

Saiba mais sobre o ABA naturalista

Já a ABA naturalista pode ser considerada o oposto do Estruturado, uma vez que não há um controle da sessão. A terapia ocorre de acordo com a motivação da criança ou jovem autista.

Ele é chamado de naturalista já que o autista tem controle da situação e geralmente envolve uma atividade que é reforçadora para ela.

Nesses casos, a intervenção pode ser aplicada em todas as rotinas ou atividades diárias para melhorar as habilidades de um indivíduo com autismo ou diminuir comportamentos inadequados. O terapeuta costuma observar a criança em suas rotinas e atividades diárias típicas.

Em seguida, anota as rotinas ou atividades específicas com as quais a criança tem dificuldade. Em seguida, ele avalia as habilidades que a criança pode se beneficiar ao aprender ou quais problemas comportamentais específicos a criança está apresentando.

Dessa forma, a criança aprende novas habilidades no contexto das atividades comuns da vida diária. Como acontece com qualquer intervenção de análise do comportamento aplicada, o reforço positivo é um componente necessário.

Na intervenção naturalística, o reforço positivo deve ser incluído no contexto da atividade em foco. Um item ou atividade preferida da criança deve fazer parte da intervenção.

Dessa forma, pode ser usado para aumentar as habilidades sociais, de linguagem e de comunicação, a solicitar, a praticar a atenção conjunta e diminuir comportamentos prejudiciais.

Qual é melhor: Estruturado ou Naturalista?

Não existe melhor ou pior técnica usada em ABA. O intuito é contribuir com uma melhora nas interações sociais, aprender novas competências e manter comportamentos positivos.

Em linhas gerais, a ABA é cientificamente comprovada, existindo há mais de 50 anos.

Cada autista é único e a ciência ABA pode contribuir para ajudá-lo a se desenvolver e ser independente. A frequência e a intensidade de terapêuticas com ABA são definidas com base no perfil de cada pessoa.

O grau de autismo também é levado em conta, bem como as características individuais.

Independentemente de ser o ABA estruturado ou naturalista, é fundamental buscar a avaliação de um profissional capacitado.

Assim, o terapeuta poderá decidir o que será mais funcional para o autista e começará a trabalhar as limitações e habilidades.

Referências:

https://raisingchildren.net.au/autism/therapies-guide/abahttps://www.autismspeaks.org/applied-behavior-

analysishttps://www.psychologytoday.com/us/therapy-types/applied-behavior-analysis

Read More

Treinamento parental: uma prática baseada em evidências

Crianças com transtorno do espectro do autismo costumam ter problemas comportamentais, dificuldades na comunicação, dificuldades para ter uma alimentação saudável e distúrbios do sono.

Essas situações podem aumentar o estresse parental e a carga familiar. Por conta disso, o papel de pais e cuidadores para contribuir com o desenvolvimento e qualidade de vida do autista é fundamental.

Você já ouviu falar de treinamento parental? Trata-se de uma prática baseada em evidências que tem o intuito de sistematizar o repertório comportamental emitido pelos pais quanto ao manejo do comportamento dos filhos.

Dessa forma, são realizadas diversas orientações aos pais voltados ao comportamento, comunicação ou para fatores específicos relacionados ao sono, alimentação ou rotinas do autista.

Como é realizado o treinamento parental?

Inicialmente, é realizada uma avaliação com os pais para definir qual é a melhor estratégia em cada caso.

Em seguida, o profissional modela a estratégia junto à criança ou jovem. E os pais e cuidadores devem observar e ouvir detalhes sobre a estratégia.

Depois, eles podem aplicar a estratégia e sentir as dificuldades de se colocar nesse papel. Logo em seguida, recebe um retorno sobre como foi seu desempenho ou o que precisa melhorar.

Os pais devem ser incluídos nas intervenções e treinados para que ampliem as possibilidades de desenvolvimento de diversas habilidades.

O que pode ser trabalhado no treinamento parental:

  • Receber exemplos de como treinar a estratégia para o desenvolvimento das diferentes habilidades dentro de casa;
  • Explicar como as atividades podem ser aplicadas no contexto familiar e social;
  • Melhorar as habilidades sociais, de conversação e linguagem espontânea;
  • Melhorar as habilidades de atenção compartilhada e lúdicas;
  • Ajudar a diminuir os problemas com alimentação e rotina;
  • Diminuir os comportamentos inadequados ou agressivos.

Etapas do treinamento parental

Para concluir formalmente a intervenção implementada pelos pais, há várias etapas envolvidas. O que inclui:

  1. Determinar as necessidades da família;
  2. Seleção de metas;
  3. Desenvolver o plano de intervenção;
  4. Pais em treinamento;
  5. Implementando a intervenção;
  6. Monitoramento de progresso.

Vale destacar que para ser eficaz, é importante individualizar a intervenção. Isso pode ser feito por meio da avaliação das habilidades da criança, observações e entrevistas.

O treinamento parental é eficiente?

Sim. Há diversos estudos que comprovam a sua eficácia. O treinamento parental (Parent Implemented Interventions) visa estimular crianças pequenas a melhorar suas habilidades sociais, cognitivas, acadêmicas, adaptativas e de comunicação.

E também é eficaz na melhora no comportamento, na atenção compartilhada, no brincar e em habilidades pré-escolares.

Os pais aprendem a interagir, estimular e incentivar o desenvolvimento das habilidades de seus filhos em diversos momentos de atividades do dia a dia.

O envolvimento dos pais potencializa as habilidades da criança e do jovem com TEA. Além disso, melhora a relação familiar, ajuda no estímulo e a interagir em diferentes contextos.

Os pais podem ajudar seus filhos a ter mais oportunidades de aprendizado do que em qualquer ambiente de tratamento.

O treinamento parental pode ajudar os pais a lidar com os sintomas de autismo em seus filhos, comportamentos inadequados que estão sendo exibidos.

E contribui também com o desenvolvimento de habilidades adequadas e funcionais para melhorar a qualidade de vida de seus filhos.

Vale destacar que é fundamental buscar ajuda especializada para realizar o treinamento parental. Geralmente, especialistas na ciência ABA conseguem desenvolver a intervenção.

Referências

https://bmcpsychiatry.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12888-020-02973-7

https://www.abaparenttraining.com/home/2019/3/7/aba-parent-training-tips-for-quality-applied-behavior-analysis-parent-training

Read More