Intervenção Precoce no Autismo: Promovendo o Desenvolvimento Infantil

A intervenção precoce no autismo desempenha um papel fundamental na melhoria da qualidade de vida das crianças diagnosticadas, ajudando a promover o desenvolvimento infantil e a minimizar os impactos do transtorno.

Portanto, neste artigo, exploraremos a importância da intervenção precoce no autismo e como ela pode ser benéfica para crianças e suas famílias.

O que é Intervenção Precoce no Autismo?

A intervenção precoce no autismo refere-se a um conjunto de abordagens terapêuticas e educacionais que são aplicadas a crianças com autismo desde os primeiros anos de vida. 

Por isso, o objetivo principal é identificar e abordar precocemente os desafios associados ao autismo, proporcionando um ambiente de apoio que promova o desenvolvimento infantil saudável.

Isso geralmente envolve uma equipe multidisciplinar de profissionais, incluindo médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, equipe pedagógica, educadores especializados, entre outros especialistas.

Por que a Intervenção Precoce é importante?

A intervenção precoce desempenha um papel vital, pois visa maximizar o potencial de desenvolvimento das crianças e minimizar os efeitos negativos associados ao transtorno.

Estudos demonstraram que iniciar a terapia antes dos 3 anos de idade pode levar a melhores resultados a longo prazo, com um impacto significativo no desenvolvimento da linguagem, habilidades sociais e comportamento adaptativo.

O cérebro das crianças está em constante desenvolvimento nos primeiros anos de vida.

Assim, a intervenção precoce aproveita essa plasticidade cerebral para ajudar a criança a adquirir habilidades fundamentais.

Muitas crianças com autismo enfrentam desafios na interação social e comunicação. Intervenções precoces focadas nessas áreas podem fazer uma diferença significativa, melhorando a qualidade de vida da criança.

A intervenção precoce vai ajudar a reduzir comportamentos desafiadores, como birras e agressões, melhorando a convivência familiar e social.

Além disso, a intervenção precoce pode ajudar a melhorar a independência funcional, permitindo que os indivíduos com autismo participem ativamente em ambientes sociais, acadêmicos e profissionais. 

Portanto, reconhecer os sinais precoces do autismo e iniciar intervenções apropriadas são fundamentais para garantir uma qualidade de vida melhor e promover a inclusão na sociedade.

Abordagens eficazes na Intervenção Precoce

Existem várias abordagens eficazes na intervenção precoce no autismo. Alguns exemplos incluem:

Intervenção Comportamental através da ABA (Análise do Comportamento Aplicada)

Esta abordagem comportamental é altamente estruturada e baseia-se na aplicação de princípios de reforço.

A ABA enfatiza a análise minuciosa do comportamento e a implementação de estratégias personalizadas para promover habilidades sociais e de comunicação, reduzir comportamentos indesejados, entre outras habilidades trabalhadas.

Leia também: Por que escolher intervenções baseadas na ABA para autistas?

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Terapia de fala e linguagem

Adaptada para crianças com autismo ajuda a desenvolver habilidades de comunicação, desde o desenvolvimento da fala até a compreensão da linguagem verbal e não verbal.

Por isso, essa abordagem é crucial para melhorar a interação social, a expressão de pensamentos e a compreensão de conceitos abstratos.

Comunicação Alternativa e Aumentativa (CAA)

Para autistas que têm dificuldades significativas na comunicação verbal, a CAA oferece sistemas de comunicação alternativos, como símbolos gráficos, dispositivos eletrônicos ou aplicativos de comunicação, para facilitar a expressão de pensamentos, necessidades e desejos.

Integração Sensorial

Muitos autistas experimentam desafios sensoriais que afetam sua capacidade de interagir e se adaptar a diferentes ambientes.

A terapia de integração sensorial visa ajudar os indivíduos a processar e responder adequadamente a estímulos sensoriais, facilitando assim a participação em atividades diárias e promovendo a regulação emocional.

Intervenção motora

A intervenção motora visa melhorar a capacidade de movimento e a funcionalidade física, promovendo assim a independência e a qualidade de vida.

TEACCH 

O TEACCH (Tratamento e Educação de Crianças Autistas e com Déficits Relacionados à Comunicação) é um modelo que se concentra em oferecer suporte individualizado para melhorar as habilidades de organização, comunicação e independência.

Assim, utilizando estratégias visuais e estruturas de aprendizado claras, o TEACCH busca facilitar a compreensão e a participação ativa das pessoas com autismo em ambientes educacionais e sociais.

O Papel dos Pais na Intervenção Precoce

Os pais desempenham um papel fundamental na intervenção precoce no autismo.

Eles são os principais defensores e cuidadores de seus filhos, e sua participação ativa no processo terapêutico é essencial. 

Portanto, os pais podem ser treinados e aprender estratégias para apoiar o desenvolvimento de seus filhos em casa e na comunidade, criando um ambiente rico em estímulos positivos.

Sobre o Autismo

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é uma condição neurológica complexa que afeta o desenvolvimento da comunicação, interação social e comportamento. Aliás, o TEA atinge milhões de pessoas em todo o mundo. 

Os últimos dados de prevalência do CDC (Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos) trazem que o TEA atinge 1 para cada 36 crianças em idade escolar. Portanto, afeta quase 3% da população nos EUA.

As causas do TEA são multifatoriais e poligênica. Isso significa que tem vários fatores envolvidos, sendo eles genéticos e ambientais.

Atualmente sabemos que alterações em mais de 1000 genes já foram relacionadas ao autismo.

Conclusão

A intervenção precoce desempenha um papel crucial no tratamento do autismo, permitindo que as crianças alcancem seu potencial máximo de desenvolvimento e melhorem sua qualidade de vida.

Por isso, quanto mais cedo a intervenção começa, maiores são as chances de progresso e adaptação bem-sucedida.

Ao reconhecer os sinais precoces, envolver-se em terapias e programas educacionais especializados e promover a participação da família, podemos criar um ambiente de apoio e compreensão para indivíduos com autismo. 

Além disso, a conscientização sobre a importância da intervenção precoce e a implementação de estratégias eficazes são fundamentais para promover a inclusão e o bem-estar desses indivíduos em nossa sociedade.

Portanto, se você suspeita que seu filho possa estar no espectro autista, não hesite em buscar avaliação e intervenção precoce para proporcionar o melhor começo possível para sua jornada de vida.

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Sinais do autismo

Sinais e sintomas do autismo

Hoje vamos falar sobre um assunto bastante importante e necessário: os sinais e sintomas do autismo. Você sabe identificar quais são eles?

Muita gente pergunta como é possível saber se uma pessoa é ou não autista avaliando alguns comportamentos. Ou se há características semelhantes entre os autistas para ter um diagnóstico correto.

Sim, é bastante comum que as pessoas com o autismo apresentem alguns sinais e sintomas que evidenciem o autismo, mas a intensidade dos sinais e sintomas pode variar ou ser diferente para cada um. E também é importante destacar que esses sinais podem surgir desde o nascimento e serem sutis ou mais óbvios e até mesmo aparecer com o passar do tempo.

Então vamos lá! Vamos destacar alguns sinais e sintomas que os pais devem prestar atenção e procurar ajuda especializada para assim fechar o diagnóstico se for o caso.

Leia também: O que é o autismo (TEA)?

Alguns sinais e sintomas do autismo são:

  • Dificuldade em fazer contato visual
  • Dificuldades em imitar
  • Dificuldades na habilidade de atenção compartilhada
  • Não lidam bem com mudanças na rotina
  • Dificuldade de interação com outras pessoas
  • Atrasos na fala e linguagem
  • Movimentos repetitivos 
  • Hipo ou Hipersensibilidade
  • Podem apresentar Hiperatividade ou Passividade
  • Apego incomum a objetos
  • Pouco tolerantes a frustrações 

– Dificuldade em fazer contato visual

Logo cedo, os pais podem perceber que as crianças não olham nos olhos nem mesmo quando são chamadas pelo nome. É bastante comum que algumas pessoas com autismo não façam contato visual, pois se sentem desconfortáveis ou porque essa é uma situação difícil para eles. Mas lembre-se que essa característica não pode determinar um diagnóstico de TEA, já que nem todos com autismo apresentam essa dificuldade. E também há crianças que são bastante tímidas ou tem uma personalidade mais introspectiva. Por isso, vale o alerta. 

-Dificuldades em imitar

Os bebês começam a imitar atitudes e comportamentos simples por volta dos seis a oito meses de vida.

A criança neurotípica tem a capacidade de  copiar as ações de adultos e colegas. Crianças que estão no espectro costumam ter grande dificuldade em imitar. Isso pode comprometer o seu desenvolvimento.

Com um ano de idade eles já imitam movimentos simples como bater palmas, mostrar a língua de volta e repetir movimentos. A criança também tem a habilidade de repetir as vocalizações do adulto.

– Dificuldades na habilidade de atenção compartilhada

A atenção compartilhada acontece quando duas pessoas focam em um mesmo objeto ou dão atenção para uma mesma conversa, por exemplo. Essa atenção pode ocorrer por meio do olhar, gestos ou quando alguém aponta ou indica algo, além de palavras.

– Não lidam bem com mudanças na rotina

Um dos primeiros sinais de autismo pode ser o apego a rituais e a rotina. Isso é importante para pessoas com o transtorno, pois dá previsibilidade e controle. Por isso, é comum por exemplo que a pessoa dentro do espectro goste de comer sempre no mesmo prato e que fique ansioso se isso não acontecer. Ter uma rotina é uma forma da pessoa com autismo pensar que tem controle sobre o ambiente e de que não vão surgir novas situações que causem ansiedade e medo. Não há como negar que a necessidade de rotina pode se tornar inconveniente em alguns momentos. 

Pessoas com TEA em muitos casos precisam de rituais para conseguir sair de casa, por exemplo. Sentem dificuldade para experimentar alimentos ou bebidas novas, não gostam de conhecer pessoas novas ou lugares diferentes. Então é muito importante ficar atento a esse sinal, principalmente se estiver atrapalhando ou limitando o desenvolvimento da criança.

– Dificuldade de interação com outras pessoas

Para quem tem autismo é bastante difícil interagir com outras crianças e até mesmo com pessoas mais próximas. Elas não conseguem se socializar. O autismo afeta como a criança percebe e processa as informações sensoriais. Por isso, sentem dificuldade de se relacionar com outras pessoas e de participar da vida cotidiana da família, da escola, do trabalho e da vida social. É comum que as crianças com autismo prefiram brincar sozinhos, por exemplo, e não gostem de lugares com muitas pessoas. 

–Atrasos na fala e linguagem

Um dos sinais do autismo é o atraso na fala. Muitas crianças não conseguem se expressar verbalmente ou falar corretamente. Por isso, crianças com autismo podem repetir com frequência o que ouvem fazendo ecolalias, ficar balbuciando palavras ou sentir dificuldade para completar as frases de forma correta. É importante checar com uma fonoaudióloga, pois algumas crianças podem demorar a falar e isso pode não ter nada a ver com autismo. 

–Movimentos repetitivos 

Outro sinal muito importante do autismo é a realização de movimentos repetitivos. Muitas crianças realizam movimentos com o corpo como balançar as mãos, bater os pés, girar objetos ou o próprio corpo e até fazer sons repetidos. 

Esses movimentos são chamados de estereotipias e são motivos para os pais procurarem ajuda profissional. Os autistas realizam esses movimentos para se organizar mentalmente, para se concentrar e até mesmo controlar a ansiedade, para se autorregular.

Os pais não devem repreender as crianças que apresentam esses comportamentos, pois é uma forma de auxiliar o cérebro com o excesso de estímulos que o autista recebe. Mas se a estereotipia estiver afetando ou prejudicando a pessoa de alguma forma ai sim esse comportamento deve ser trabalhado.

Saiba mais em: Entendendo a ecolalia no autismo

–Hipo ou Hipersensibilidade

Muitas pessoas com o espectro do autismo têm dificuldade em processar informações sensoriais do dia a dia. Pessoas autistas são mais sensíveis aos sons, cheiros, sabores e toque. Muitas crianças com autismo são também hipersensíveis, ou seja, apresentam o Transtorno do Processamento Sensorial. Sendo assim, sua percepção das sensações não está regulada da forma adequada. 

Como você pode imaginar isso afeta diretamente a rotina, pois eles ficam ansiosos e desconfortáveis com algumas situações. Não suportam barulhos, tocar alguns tecidos, não conseguem comer alguns alimentos por causa da cor ou textura, por exemplo. Também podem ser indiferentes a dor e a temperaturas, cheirar ou tocar objetos excessivamente ou ter fascinação por luzes ou movimentos. A pessoa com TEA pode precisar de ajuda profissional paratrabalhar essas questões sensoriais e assim responder mais adequadamente as sensações e estímulos recebidos pelo ambiente.

–Hiperatividade ou Passividade

Pessoas com o TEA podem apresentar comportamentos como hiperatividade, ou seja, são inquietos, não concluem uma atividade e têm muita energia. E também podem ser mais apáticos, não interagem com as pessoas ou não fazem contato visual.

Os pais costumam perceber esses sinais logo na primeira infância e buscam ajuda para controlar esses comportamentos mais impulsivos ou a falta de interesse que podem atrapalhar o desenvolvimento infantil e escolar. Em muitos casos pode ter o TDAH como comorbidade.

–Apego incomum a objetos

Pessoas com TEA podem apresentar interesses fixos ou ter apego a determinados objetos que não são brinquedos. Dessa forma, sempre carregam com eles algum objeto considerado importante. Podem ser caixas de papelão, pedras, barbantes, tampinhas de garrafa, entre outros. E se alguém mexer com esses objetos, eles podem ficar ansiosos ou nervosos de forma excessiva. É preciso entender que esses objetos têm um significado para essas pessoas e respeitar esse comportamento. 

–Pouco tolerantes a frustrações 

Pessoas com TEA podem se frustrar com mais frequência e ter comportamentos intensos como as famosas “birras”. Lembrando que é importante saber diferenciar birras de crises sensoriais.

Essas pessoas sentem dificuldades em lidar ou entender as regras. Também não entendem a necessidade de esperar em algumas ocasiões. Surgem episódios de choros intensos e que podem ser acompanhados de agressividade com as pessoas ao redor ou com eles mesmos. Essas questões devem ser trabalhadas na terapia comportamental. Sempre indico a terapia ABA (Análise do Comportamento Aplicada).

Espero que esse artigo tenha te ajudado a compreender um pouco mais sobre alguns dos sinais que podem estar relacionados ao Transtorno do Espectro do Autismo. Lembrando que cada pessoa é única e pode apresentar sinais diferentes. Mas a pessoa deve ser avaliada por um especialista e a intervenções devem ser realizadas por uma equipe preparada para que assim a pessoa tenha mais qualidade de vida.

Referências

https://autismsciencefoundation.org/what-is-autism/autism-diagnosis/

https://www.autismspeaks.org/signs-autism

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Como é realizado o diagnóstico do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)?

Neste artigo vamos discutir um assunto muito importante: Como é feito o diagnóstico do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)?

Ainda é bastante comum que os pais de filhos autistas comentem que demoraram a ter um diagnóstico correto.  Essa situação é bastante preocupante, pois a identificação dos sinais do TEA em sua fase inicial é fundamental para iniciar uma intervenção precoce e assim melhorar a qualidade de vida dos autistas.

Com o diagnóstico do transtorno é possível ampliar a perspectiva de desenvolver as capacidades da pessoa com autismo. Tanto as questões cognitivas, como as questões sociais e as de linguagem também.

Quanto antes a pessoa com TEA receber o diagnóstico e iniciar as intervenções, melhor. Com as intervenções, a pessoa conseguirá ser cada vez mais independente e ter autonomia para realizar as suas atividades diárias.

Saiba mais em: O que é autismo?

Diagnóstico do autismo

O diagnóstico do TEA é clínico e é baseado nas evidências científicas destacadas pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Sociedade Norte-Americana de Psiquiatria, conhecido também como DSM-5, pois está na sua quinta edição.

Sendo assim, O DSM-5 é o ponto de partida para identificar se uma pessoa está ou não dentro do espectro.

Os critérios que estão descritos no DSM-5 são:

A) Déficits persistentes na comunicação social e na interação social em múltiplos contextos, conforme manifestado por TODOS os seguintes aspectos, atualmente ou por história prévia (os exemplos são apenas ilustrativos, e não exaustivos):

1) Déficit na reciprocidade socioemocional
2) Déficit na comunicação não verbal
3) Dificuldade em desenvolver, manter e compreender relacionamentos

B. Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, conforme manifestado por pelo menos dois dos seguintes, atualmente ou por história prévia (os exemplos são apenas ilustrativos, e não exaustivos):

1) Movimentos motores, uso de objetos ou fala estereotipados ou repetitivos (p. ex., estereotipias motoras simples, alinhar brinquedos ou girar objetos, ecolalia, frases idiossincráticas).
2) Insistência nas mesmas coisas, adesão inflexível a rotinas ou padrões ritualizados de comportamento verbal ou não verbal (p. ex., sofrimento extremo em relação a pequenas mudanças, dificuldades com transições, padrões rígidos de pensamento, rituais de saudação, necessidade de fazer o mesmo caminho ou ingerir os mesmos alimentos diariamente).
3) Interesses fixos e altamente restritos que são anormais em intensidade ou foco (p. ex., forte apego a ou preocupação com objetos incomuns, interesses excessivamente circunscritos ou perseverativos).
4) Hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais ou interesse incomum por aspectos sensoriais do ambiente (p. ex., indiferença aparente a dor/temperatura, reação contrária a sons ou texturas

C: Os sintomas devem estar presentes precocemente no período do desenvolvimento (mas podem não se tornar plenamente manifestos até que as demandas sociais excedam as capacidades limitadas ou podem ser mascarados por estratégias aprendidas mais tarde na vida).

D: Os sintomas causam prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo no presente.

E: Sinais não são mais bem explicadas por transtorno do desenvolvimento intelectual ou por outros transtornos.

Como é o processo diagnóstico do autismo?

Para chegar a um diagnóstico de autismo, o médico especialista, normalmente o neuropediatra ou o psiquiatra infantil realiza uma entrevista com os pais e observa a criança para avaliar os comportamentos.

Além do médico especialista é importante ter uma equipe multidisciplinar para auxiliar neste diagnóstico. Essa equipe normalmente é formada por psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, assistente social e o psicopedagogo entre outros profissionais.

Em alguns casos é solicitado testes genéticos ou exames específicos para identificar problemas de saúde relacionados com o autismo e para descartar outras síndromes. Mas não há exames de imagem ou de laboratório que confirmem o TEA. O diagnóstico é clinico!

Esse diagnóstico costuma ocorrer quando a criança tem cerca de 2-3 anos de idade, mas é possível diagnosticar mais cedo pois alguns sinais já são perceptíveis.

Alguns sinais do autismo:

A criança pode demorar um pouco mais para se desenvolver e interagir com o meio externo. Então se demorar a falar, andar e responder as pessoas podem ser alguns indícios do autismo.

Além disso, os pais são os primeiros a notar que seu filho está mostrando comportamentos incomuns, como não fazer contato visual, não responder ao seu nome quando chamado,  brincar com brinquedos de formas incomuns e repetitivas. Por isso, é importante buscar ajuda especializada para ter certeza se é ou não autismo.

Esses sinais devem estar presentes logo na infância, mas também podem ser percebidos e aparecer aos poucos. Infelizmente, há casos de pessoas que demoram anos para ter um diagnóstico correto e só vão descobrir que estão dentro do espectro do autismo na vida adulta. Passam a vida inteira com dificuldades de socialização, comunicação atípica e não conseguindo se encaixar nos padrões da sociedade e muitas vezes sofrendo com tudo isso.

Por isso, cabe esse alerta para os pais e familiares: acompanhe de perto a evolução da criança e preste atenção em suas atitudes. Quanto antes o Transtorno for reconhecido, maiores são as perspectivas no desenvolvimento da pessoa.

Saiba mais em: Sinais do Autismo – Conheça 14 sinais que são comuns em crianças com autismo

Algumas ferramentas para o diagnóstico do autismo

Vamos falar agora sobre algumas ferramentas usadas para o diagnóstico do autismo.

É importante destacar novamente que o diagnóstico do autismo é clínico, não há um exame que possa detectar se a pessoa é ou não autista.

Por isso, os especialistas se baseiam na observação dos indicadores de desenvolvimento, nos comportamentos, nas habilidades emocionais, sociais e cognitivas, além do histórico da pessoa.

Ao longo dos anos, foram criadas ferramentas para sistematizar a forma de diagnóstico do TEA.

Lembrando que o diagnóstico e rastreio de autismo somente deve ser realizado por profissionais treinados e capacitados para isso.

Vamos detalhar algumas dessas ferramentas:

ADOS-2 e ADI-R

São escalas de avaliação diagnósticas que ajudam a identificar se a pessoa é autista. O ADOS-2, por exemplo, é uma escala de observação e o ADI-R é uma escala de entrevista. Essas duas escalas devem ser aplicadas por profissionais capacitados nessas avaliações.

Ambas conseguem mostrar o grau do autismo e se as intervenções realizadas pelos especialistas estão sendo eficientes e há evolução no quadro.

Com o ADOS-2 é realizada uma avaliação da comunicação e da interação social em pessoas com suspeitas de autismo ou atrasos de desenvolvimento.  

O ADOS-2 possui módulos específicos e cada um deles é apropriado para crianças e adultos de diferentes níveis de desenvolvimento e linguagem, podendo ser verbal e não verbal.

O primeiro módulo inclui cenários que envolvem brincadeiras, rotinas e comemorações. Já o segundo módulo envolve conversas, demonstrações de tarefas, descrições de figuras, brincadeiras e leitura de livros. 

O terceiro módulo utiliza algumas das atividades do segundo módulo, mas também incluem desenhos animados, relatórios de conversas, análise emocional, desafios sociais e criação de histórias.

O último e quarto módulo é voltado para adolescentes e adultos verbalmente fluentes e inclui discussões de histórias, trabalho, escola, livros, amizade, solidão, relacionamentos e planos futuros.

Os comportamentos dos indivíduos são codificados usando um sistema de classificação de zero a três pontos. O zero indica comportamento típico.

O ADI-R  vem do inglês Autism Diagnostic Interview-Revised e em tradução livre significa Entrevista para Diagnóstico do Autismo Revisada.

Sendo assim, é uma escala de entrevista que é realizada com os pais ou responsáveis pela pessoa com suspeita de autismo. Ela mede os comportamentos nas áreas de interação social, comunicação e linguagem e padrões de comportamentos. 

A entrevista visa descobrir toda a história do desenvolvimento da pessoa e pode ser realizada em um consultório, em casa ou em outro ambiente.

O especialista faz perguntas para identificar comportamentos. Após a conclusão da entrevista, ocorre uma avaliação que pontua de 0 a 9 de acordo com cada pergunta realizada e os especialistas conseguem assim definir se a pessoa está dentro do Espectro do Autismo.

CARS

O CARS, sigla do inglês Childhood Autism Rating Scale  ou Escala de Classificação do Autismo na Infância, em português.

É uma escala de classificação do comportamento com o objetivo de rastrear o autismo. Foi projetada para ajudar a diferenciar crianças com autismo daquelas com outros atrasos no desenvolvimento, como deficiência intelectual.

O CARS avalia e classifica as pessoas de acordo com alguns critérios. Por isso, os especialistas avaliam como é o relacionamento com as pessoas, se há adaptação de mudanças, resposta visual, questões relacionadas ao medo e também à comunicação verbal.

GARS

O Gilliam Autism Rating Scale, ou a sigla GARSé uma ferramenta de triagem para diagnosticar o Transtorno do espectro do autismo em indivíduos entre 3 e 22 anos de idade. Foi projetada para ajudar a diferenciar aqueles com autismo das pessoas com transtornos comportamentais.

Avaliam-se os itens que descrevem os comportamentos característicos de pessoas com TEA: comportamentos restritivos, repetitivos, interação social, comunicação social, respostas emocionais, habilidades cognitivas e comunicação verbal. Por isso, o especialista consegue avaliar e saber a gravidade do TEA.

DSM-5

O Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5.ª edição ou DSM-5 e foi elaborado pela Associação Americana de Psiquiatria e ajuda no diagnóstico de transtornos mentais.

O DSM-5 classifica como autista pessoas com déficits em comunicação e interação sociais persistentes, padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades.

De acordo com o DSM-5, O TEA pode ser medido com base na sua gravidade: nível 1 – são pessoas que necessitam de pouco suporte; nível 2 ou moderado, que necessitam de apoio, mas com menor intensidade do que o nível 3, que o nível severo, quando a pessoa necessita de maior apoio por ter um déficit considerado grave nas habilidades de comunicação verbais e não verbais.

Avalia-se também se há déficit intelectual, de linguagem, alguma condição médica ou genética conhecida, outras desordens do neurodesenvolvimento, mental ou comportamental e catatonia, ou seja, a incapacidade de se mover normalmente.

Saiba mais: Por que escolher intervenções baseadas na ABA para autistas?

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