Como estimular a socialização das crianças com autismo?

Muitas crianças autistas sentem dificuldades na interação social. Nesses casos, precisam de ajuda para aprender a agir em diferentes tipos de situações sociais.

É comum que muitos sintam o desejo de interagir com os outros, mas podem não saber como agir, fazer amigos ou conviver em sociedade.

Algumas crianças também não têm interesse em realizar atividades com outras pessoas e podem preferir brincar sozinhas.

Algumas estratégias podem ser eficazes para estimular a socialização das crianças. Vale destacar que é fundamental buscar ajuda especializada para receber as orientações adequadas.

Muitas dessas habilidades podem ser treinadas por especialistas na ciência ABA – Análise do Comportamento Aplicada, terapeutas ocupacionais, entre outros profissionais.

Por que isso acontece?

O desenvolvimento de habilidades sociais para pessoas com autismo pode ser mais complexo e necessita de profissionais e familiares para que elas possam aprender e conviver em sociedade.

Lembrando que a criança com autismo necessita de estímulos e ser ensinada a agir em situações que exigem a interação social.

Algumas características comuns em pessoas autistas podem dificultar a socialização. Entre elas podemos citar:

  • Dificuldade em fazer contato visual com outras pessoas;
  • Não responder quando é chamado pelo nome;
  • Dificuldade em entender expressões faciais ou linguagem corporal;
  • Não gostam de compartilhar brinquedos;
  • Expressam as emoções em momentos inadequados, como rir na hora e no lugar errados;
  • Preferem atividades solitárias e não tentam fazer amigos.

O que pode ser feito?

O primeiro passo é buscar ajuda especializada para entender melhor a situação e encontrar profissionais que possam indicar as melhores ações e atividades para cada pessoa com TEA.

Ter uma orientação e acompanhamento é fundamental para melhorar a qualidade de vida das pessoas com autismo. As crianças precisam enxergar a interação de uma forma positiva e não como algo estressante ou que cause ansiedade. Há algumas estratégias que podem ajudar nesse processo.

Abaixo, veja algumas técnicas que podem ser eficazes para ajudar na socialização das crianças com autismo.

Fotos

Por meio de imagens e fotos, as crianças podem ser estimuladas a reconhecer emoções. Dessa forma, entende o que significa uma pessoa “feliz” ou “triste” e o que causa tais sentimentos.

É importante usar imagens ou fotos para mostrar diferentes expressões faciais e linguagem corporal e diferentes contextos.

Atividades em grupo

Vale a pena tentar realizar atividades em grupo em pessoas com autismo (ou neurotípicas). Com isso, ele ou ela pratica atividades sociais como cumprimentos e ações do dia a dia.

Tecnologia

Vídeos, desenhos e jogos ensinam bastante sobre a linguagem corporal e a comunicação.

Histórias

Por meio da leitura de histórias apresentam-se os conceitos e regras sociais.

Encenar

Os pais e cuidadores podem encenar ou fingir determinada situação social para explicar para o autista como agir.

Vale a pena ensinar como agir em um mercado, loja ou na escola.

Modelação

A modelagem em vídeo ou vídeo modelação é considerada uma prática baseada em evidências para pessoas autistas. Isso porque alguns respondem melhor a estímulos visuais.

São demonstrações gravadas em vídeo indicando uma habilidade ou comportamento para o jovem com autismo.

Eles assistem ao vídeo e conseguem entender melhor como funcionam as habilidades ou comportamentos e passam a repeti-los.

Treinamento de habilidades sociais

 Outra forma de ajudar o autista na socialização é investir no treinamento de habilidades sociais para promover o desenvolvimento comportamental de forma adequada.

Consiste em tratamentos comportamentais de intervenção precoce, com o intuito de promover o desenvolvimento comportamental de forma adequada.

Os especialistas também ensinam novas habilidades e como deve ser o  comportamento em uma determinada situação. Nesses casos, busque ajuda especializada.

Na escola

As crianças autistas podem ser estimuladas no ambiente escolar a realizar brincadeiras e tarefas em grupo. Isso estimula a comunicação e a interação do pequeno.

É uma forma também de entender as regras sociais e a importância de respeitar as diferenças.

Referências

https://www.autismspectrum.org.au/learning-module/social-interaction

https://www.autism.org.uk/about/communication/social-children.aspx

https://www.psychologytoday.com/us/blog/socioemotional-success/201706/helping-your-child-autism-improve-social-skills

Read More

Saiba mais sobre os transtornos motores da fala

Um dos momentos mais esperados dos pais é ouvir as primeiras palavras de seus filhos. No entanto, em alguns casos, a criança pode apresentar algum tipo de transtorno motor da fala.

Isso significa que a criança se esforça e tem dificuldade para produzir a fala devido a problemas de planejamento motor ou no tônus ​​muscular.

Ela pode querer formar palavras, mas é incapaz disso. Assim, demonstram uma fala arrastada ou difícil de entender. A fala se torna ainda mais difícil de entender à medida que as frases ficam mais longas.

Por conta disso, a comunicação se torna pouco eficiente, já que dificulta a compreensão das palavras. Essa situação pode comprometer outras habilidades da criança, tais como a leitura e a escrita.

A capacidade de comunicação verbal merece atenção entre as crianças que estão no espectro do autismo. A dificuldade de falar na infância é extremamente comum e pode ser uma limitação característica do autismo.

Os transtornos motores da fala podem impactar no desenvolvimento de linguagem verbal e social de crianças autistas. Com isso, a autonomia e independência do autista podem ficar comprometidas se ele não tiver ajuda profissional para desenvolver a fala e a sua comunicação.

A seguir, veja os principais transtornos motores da fala e os sintomas de cada um.

Disartria da fala

A disartria acontece quando a criança não consegue coordenar ou controlar os músculos usados ​​para a produção da fala em seu rosto, boca ou sistema respiratório.

Pessoas com disartria têm dificuldade em controlar os músculos usados ​​para fazer sons. Com isso, pode ser difícil para os outros entenderem o que ela está falando.

A disartria, frequentemente chamada de fala arrastada, é definida como fala lenta, imprecisa e distorcida. Basicamente, acontece devido à incapacidade de controlar ou coordenar o músculo usado durante a fala.

Os sintomas podem variar de leves a graves. Os sintomas típicos incluem:

  • Fala arrastada e lenta;
  • Ritmo de fala anormal e variado;
  • Falam baixo ou sussurrando;
  • Dificuldade em mudar o volume da fala;
  • Qualidade vocal nasal, tensa ou rouca;
  • Dificuldade em controlar seus músculos faciais;
  • Dificuldade em mastigar, engolir ou controlar a língua;
  • Saliva em excesso.

Apraxia da fala

É a incapacidade de fazer um movimento voluntário, como falar, apesar de ser capaz de demonstrar função muscular normal.

É considerada uma desordem neurológica da fala e ocorre como resultado de comprometimento neurológico, em associação com distúrbios neurocomportamentais complexos, como é o caso do autismo.

Surgem assim limitações para realizar atividades como coordenar o uso da língua, lábios, boca e mandíbula para produzir sons de fala claros e consistentes.

Entre os sinais mais comuns que podem indicar apraxia da fala, podemos citar:

  • Pausas longas entre os sons das palavras proferidas;
  • Nem sempre diz uma palavra da mesma maneira;
  • Dificuldade (motora oral) para comer;
  • Compreende melhor o que ouve do que sua capacidade de falar;
  • Tem mais dificuldade em dizer palavras mais longas do que as mais curtas;
  • Apresenta mais problemas para falar quando está nervoso;
  • Difícil de ser compreendido quando fala;
  • Costuma errar consoantes e vogais ao proferir sílabas e palavras;
  • Dificuldade em repetir sequências de palavras ou sílabas.

Quando procurar ajuda?     

Os pais e responsáveis devem ficar atentos aos marcos de desenvolvimento da infância. Quando notar que a criança está demorando muito para falar ou quando a fala não consegue ser compreendida, é fundamental buscar ajuda de um fonoaudiólogo.

O diagnóstico em quem apresenta autismo pode ser mais complicado, pois seus sinais se assemelham às condições ligadas às limitações de linguagem comuns no autismo. .

Por isso, é fundamental que o fonoaudiólogo compreenda as especificidades do autismo para realizar o diagnóstico correto e começar a intervenção terapêutica adequada, de acordo com as necessidades de comunicação de cada indivíduo.

Na avaliação, o fonoaudiólogo deverá avaliar a capacidade dos movimentos musculares da boca da criança, ou seja, como ela costuma mexer a mandíbula, lábios e língua.

Por meio das intervenções, o especialista ajudará a criança a melhorar suas habilidades de comunicação.

O objetivo é ajudar a melhorar o movimento da língua e dos lábios, fortalecer os músculos da fala, além de diminuir a velocidade com que a criança fala. Também pode ajudar a melhorar a respiração, a articulação da fala e praticar habilidades de comunicação em grupo.

Referências:

https://www.asha.org/public/speech/disorders/Childhood-Apraxia-of-Speech/#signs

https://www.mwuclinics.com/illinois/services/specialty/speech-language/motor-speech-disorders

https://www.asha.org/public/speech/disorders/dysarthria/

Read More

ABA estruturado ou ABA naturalista: saiba as principais diferenças

A Análise do Comportamento Aplicada (Applied Behavior Analysis – ABA) é uma das principais intervenções usadas para desenvolver as habilidades de uma pessoa com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

A ABA tem comprovação científica e melhora comportamentos socialmente importantes.  Por isso, a ABA permite que quem está no espectro tenha suas habilidades aperfeiçoadas. Além disso, ajuda no controle das limitações e contribui para que o autista consiga se desenvolver e ser mais independente.

Resumidamente, a ABA atua com procedimentos e intervenções destinados a aumentar comportamentos positivos e ensinar novas habilidades. Assim, o autista consegue integrar a novos ambientes e reduzir comportamentos prejudiciais como é o caso da autoagressão.

Mas, você sabia que existem diferentes abordagens de ABA? A terapia pode ser mais estruturada ou ser mais lúdica e aplicada por meio de brincadeiras.  A seguir, veja detalhes e principais diferenças do ABA estruturado e o ABA naturalista.

Como funciona o ABA Estruturado

Assim como o próprio nome já diz, o ABA estruturado segue uma estrutura com começo, meio e fim da atividade proposta e envolve diversas oportunidades de aprendizado.

A ABA estruturada é focada nas habilidades que o aluno tem de desenvolver. Logo no início da sessão, sabem-se quais são os objetivos que serão trabalhados e os materiais que devem ser usados.

Dessa forma, o terapeuta controla o ambiente, as habilidades a serem estimuladas e como as atividades serão aplicadas.

O objetivo é aumentar o aprendizado e minimizar as distrações. O ensino estruturado pode ser realizado ou não em uma mesa, de forma individual ou em grupo.

Saiba mais sobre o ABA naturalista

Já a ABA naturalista pode ser considerada o oposto do Estruturado, uma vez que não há um controle da sessão. A terapia ocorre de acordo com a motivação da criança ou jovem autista.

Ele é chamado de naturalista já que o autista tem controle da situação e geralmente envolve uma atividade que é reforçadora para ela.

Nesses casos, a intervenção pode ser aplicada em todas as rotinas ou atividades diárias para melhorar as habilidades de um indivíduo com autismo ou diminuir comportamentos inadequados. O terapeuta costuma observar a criança em suas rotinas e atividades diárias típicas.

Em seguida, anota as rotinas ou atividades específicas com as quais a criança tem dificuldade. Em seguida, ele avalia as habilidades que a criança pode se beneficiar ao aprender ou quais problemas comportamentais específicos a criança está apresentando.

Dessa forma, a criança aprende novas habilidades no contexto das atividades comuns da vida diária. Como acontece com qualquer intervenção de análise do comportamento aplicada, o reforço positivo é um componente necessário.

Na intervenção naturalística, o reforço positivo deve ser incluído no contexto da atividade em foco. Um item ou atividade preferida da criança deve fazer parte da intervenção.

Dessa forma, pode ser usado para aumentar as habilidades sociais, de linguagem e de comunicação, a solicitar, a praticar a atenção conjunta e diminuir comportamentos prejudiciais.

Qual é melhor: Estruturado ou Naturalista?

Não existe melhor ou pior técnica usada em ABA. O intuito é contribuir com uma melhora nas interações sociais, aprender novas competências e manter comportamentos positivos.

Em linhas gerais, a ABA é cientificamente comprovada, existindo há mais de 50 anos.

Cada autista é único e a ciência ABA pode contribuir para ajudá-lo a se desenvolver e ser independente. A frequência e a intensidade de terapêuticas com ABA são definidas com base no perfil de cada pessoa.

O grau de autismo também é levado em conta, bem como as características individuais.

Independentemente de ser o ABA estruturado ou naturalista, é fundamental buscar a avaliação de um profissional capacitado.

Assim, o terapeuta poderá decidir o que será mais funcional para o autista e começará a trabalhar as limitações e habilidades.

Referências:

https://raisingchildren.net.au/autism/therapies-guide/abahttps://www.autismspeaks.org/applied-behavior-

analysishttps://www.psychologytoday.com/us/therapy-types/applied-behavior-analysis

Read More

Treinamento parental: uma prática baseada em evidências

Crianças com transtorno do espectro do autismo costumam ter problemas comportamentais, dificuldades na comunicação, dificuldades para ter uma alimentação saudável e distúrbios do sono.

Essas situações podem aumentar o estresse parental e a carga familiar. Por conta disso, o papel de pais e cuidadores para contribuir com o desenvolvimento e qualidade de vida do autista é fundamental.

Você já ouviu falar de treinamento parental? Trata-se de uma prática baseada em evidências que tem o intuito de sistematizar o repertório comportamental emitido pelos pais quanto ao manejo do comportamento dos filhos.

Dessa forma, são realizadas diversas orientações aos pais voltados ao comportamento, comunicação ou para fatores específicos relacionados ao sono, alimentação ou rotinas do autista.

Como é realizado o treinamento parental?

Inicialmente, é realizada uma avaliação com os pais para definir qual é a melhor estratégia em cada caso.

Em seguida, o profissional modela a estratégia junto à criança ou jovem. E os pais e cuidadores devem observar e ouvir detalhes sobre a estratégia.

Depois, eles podem aplicar a estratégia e sentir as dificuldades de se colocar nesse papel. Logo em seguida, recebe um retorno sobre como foi seu desempenho ou o que precisa melhorar.

Os pais devem ser incluídos nas intervenções e treinados para que ampliem as possibilidades de desenvolvimento de diversas habilidades.

O que pode ser trabalhado no treinamento parental:

  • Receber exemplos de como treinar a estratégia para o desenvolvimento das diferentes habilidades dentro de casa;
  • Explicar como as atividades podem ser aplicadas no contexto familiar e social;
  • Melhorar as habilidades sociais, de conversação e linguagem espontânea;
  • Melhorar as habilidades de atenção compartilhada e lúdicas;
  • Ajudar a diminuir os problemas com alimentação e rotina;
  • Diminuir os comportamentos inadequados ou agressivos.

Etapas do treinamento parental

Para concluir formalmente a intervenção implementada pelos pais, há várias etapas envolvidas. O que inclui:

  1. Determinar as necessidades da família;
  2. Seleção de metas;
  3. Desenvolver o plano de intervenção;
  4. Pais em treinamento;
  5. Implementando a intervenção;
  6. Monitoramento de progresso.

Vale destacar que para ser eficaz, é importante individualizar a intervenção. Isso pode ser feito por meio da avaliação das habilidades da criança, observações e entrevistas.

O treinamento parental é eficiente?

Sim. Há diversos estudos que comprovam a sua eficácia. O treinamento parental (Parent Implemented Interventions) visa estimular crianças pequenas a melhorar suas habilidades sociais, cognitivas, acadêmicas, adaptativas e de comunicação.

E também é eficaz na melhora no comportamento, na atenção compartilhada, no brincar e em habilidades pré-escolares.

Os pais aprendem a interagir, estimular e incentivar o desenvolvimento das habilidades de seus filhos em diversos momentos de atividades do dia a dia.

O envolvimento dos pais potencializa as habilidades da criança e do jovem com TEA. Além disso, melhora a relação familiar, ajuda no estímulo e a interagir em diferentes contextos.

Os pais podem ajudar seus filhos a ter mais oportunidades de aprendizado do que em qualquer ambiente de tratamento.

O treinamento parental pode ajudar os pais a lidar com os sintomas de autismo em seus filhos, comportamentos inadequados que estão sendo exibidos.

E contribui também com o desenvolvimento de habilidades adequadas e funcionais para melhorar a qualidade de vida de seus filhos.

Vale destacar que é fundamental buscar ajuda especializada para realizar o treinamento parental. Geralmente, especialistas na ciência ABA conseguem desenvolver a intervenção.

Referências

https://bmcpsychiatry.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12888-020-02973-7

https://www.abaparenttraining.com/home/2019/3/7/aba-parent-training-tips-for-quality-applied-behavior-analysis-parent-training

Read More

Equipe pedagógica: saiba a importância para o desenvolvimento do autista

Você já parou para pensar na importância da equipe pedagógica no âmbito escolar? É muito comum pensar que a escola é formada apenas pelos professores e diretores.

No entanto, para que uma escola funcione ela precisa de uma equipe pedagógica capacitada. A equipe pedagógica é responsável pela coordenação das ações didáticas e pedagógicas que acontecem na escola.

Cabe a ela, ajudar a desempenhar da melhor maneira o processo de ensino. E também garantir que os professores estejam capacitados para atuar na escola.

A equipe pedagógica é formada por diretores, coordenadores e pedagogos e garante que o ensino ocorra adequadamente, dando suporte para professores e funcionários, além dos alunos.

Portanto, o objetivo é garantir o sucesso escolar dos alunos. Para isso, realiza planejamentos detalhados, investe na formação do corpo docente e em materiais didáticos de qualidade.

Além de coordenar ações com reformas no espaço para garantir a acessibilidade e melhorar a convivência entre os alunos.

Por que a equipe pedagógica é importante para os autistas?

Uma das principais funções da equipe pedagógica é fazer planejamentos e promover a inclusão dos alunos com autismo.

Portanto, vale destacar que a inclusão é garantir que o aluno se envolva nas atividades dentro da sala de aula e tenha uma experiência de qualidade.  Além de desenvolver suas habilidades, participar da rotina da escola, aprender e brincar com outras crianças.

O aluno necessita fazer parte da turma, interagir com os colegas e professores, compreender o conteúdo das aulas e se desenvolver de acordo com suas limitações e particularidades.

Para isso ser possível é importante que ocorra uma grande parceria entre os pais, a escola e os profissionais envolvidos na educação dessa criança.

Uma vez que o aluno com autismo tem necessidades especiais além dos acadêmicos, seu plano educacional é definido por um Programa de Educação Individualizado (PEI).

A equipe pedagógica também é responsável pela criação de materiais didáticos adaptados. Isso é necessário porque muitos autistas sentem dificuldade de aprender da forma tradicional, outros conseguem acompanhar a turma, mas muitos não.

Ter esse apoio pedagógico é muito importante no processo de aprendizagem. É importante destacar que a adaptação de materiais didáticos deve ser feita de acordo com o repertório comportamental da criança e deve atender a necessidade individual.

Os profissionais de educação devem desenvolver um conteúdo que atraia os alunos autistas e eles também devem ser estimulados a interagir e ter vontade de fazer determinada atividade.

A equipe pedagógica realiza reuniões frequentes com os professores para saber como está a evolução do aprendizado do aluno autista. Além disso, permite e viabiliza que sejam realizadas modificações no conteúdo das disciplinas, altera o formato das aulas, exploram novos ambientes e usam estratégias de ensino diferenciadas.

A escolha da escola e o papel dos pais

Os pais precisam ficar atentos na hora de escolher a escola do filho, principalmente quando ele tem um transtorno de desenvolvimento e dificuldades de interação. É preciso conhecer melhor a equipe pedagógica, o ambiente escolar e os professores.

Sabemos que escolher uma boa escola que atenda todos esses requisitos pode ser bastante difícil, mas é fundamental para que essa inclusão ocorra.

Para que o autista se desenvolva e aprenda é fundamental que ocorra uma relação baseada em cooperação e apoio mútuo entre pais e equipe pedagógica.

É importante participar das reuniões e buscar ajuda sempre que surgir alguma dúvida sobre o processo pedagógico e dificuldades do filho ou filha.

Para que tudo isso seja eficaz, os pais precisam encontrar uma instituição de ensino que ofereça recursos de apoio, profissionais capacitados e que respeite o ritmo da aprendizagem da criança.

Conhecer a equipe pedagógica e as ações realizadas é fundamental para contribuir com o ensino do autista.

Vale destacar que a escola não pode se recusar a matricular o aluno com TEA. Se isso ocorrer, ela está cometendo um crime.

O aluno autista tem o direito de aprender, desenvolver suas potencialidades e participar em igualdade de condições com outros alunos.

Os pais e cuidadores devem estabelecer espaços de diálogo que viabilizem a participação ativa de todos os envolvidos – professores comuns, professores do atendimento educacional especializado (AEE), coordenador pedagógico, diretor, auxiliares de limpeza, merendeiros, entre outros.

Essa é a melhor forma de atingir os objetivos de aprendizagem e garantir a inclusão do autista e a convivência com outros alunos.

Referências

https://www.autismspeaks.org/tool-kit-excerpt/team-approach-educating-students-autism

https://www.autismspeaks.org/teachers-and-administrators

https://www.education.vic.gov.au/school/teachers/learningneeds/Pages/eduprofessionals.aspx

Read More

Dieta e autismo: saiba mais sobre a importância da alimentação no TEA

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é uma condição neurológica e de desenvolvimento que afeta a interação e comunicação social e o comportamento.

Portanto, pessoas com TEA apresentam comportamentos repetitivos e/ou interesses restritos. E isso pode afetar os hábitos alimentares e as escolhas alimentares, o que causa problemas de saúde.

Crianças com autismo também correm o risco de muitos outros problemas nutricionais, como deficiências de nutrientes, alergias e intolerâncias alimentares.

Cuidar de uma criança com autismo pode ser desafiador e no caso da alimentação saudável não é exceção. Por isso, é importante que o autista seja acompanhado por um nutricionista desde cedo para que seja elaborado um plano alimentar nutritivo e equilibrado.

Vale destacar que a alimentação adequada é importante para o crescimento, contribui com o aprendizado, aumenta a imunidade e ajuda na prevenção de doenças.

No entanto, não existe uma dieta específica para os autistas. Ela deve ser individualizada, de acordo com as necessidades de cada um.

Pesquisas apontam que uma nutrição inadequada é mais comum entre crianças com autismo do que naquelas não afetadas pelo transtorno. Geralmente, há uma baixa ingestão de cálcio e proteína.

Os problemas alimentares crônicos também aumentam o risco da criança de ter dificuldades sociais e baixo desempenho acadêmico. Além de aumentar o risco de doenças relacionadas à dieta, como obesidade e doenças cardiovasculares na adolescência e na idade adulta.

A seguir, veja detalhes de algumas situações que podem atrapalhar a alimentação adequada do autista.

Seletividade alimentar

Pessoas com autismo podem ser mais sensíveis ao sabor, cheiro, cor e textura dos alimentos. Por conta disso, podem ter dificuldade de consumir alguns alimentos ou evitar totalmente o consumo. Isso pode comprometer a nutrição da pessoa com autismo.

Não comem adequadamente

Crianças com autismo podem ter dificuldade em se concentrar em uma tarefa por um longo período de tempo. Por isso, podem sentir dificuldade para se sentar e comer uma refeição.

Constipação

Conhecido também como prisão de ventre, os autistas podem ser afetados pelo problema ao não consumir fibras suficientes, pelo uso de alguns medicamentos e falta de atividade física.

Interações medicamentosas

Alguns medicamentos estimulantes usados no autismo podem diminuir o apetite. Isso pode reduzir a quantidade de comida que uma criança ingere, o que pode afetar o crescimento e nutrição.

Dietas funcionam para o tratamento do autismo?

Não. Não há comprovação científica que confirme a eficácia de dietas ou de suplementos alimentares para melhorar o comportamento das crianças com autismo.

No entanto, uma dieta bem elaborada contribui para aumentar o bem-estar da criança e também aumenta a nutrição do autista.

Entre as dietas especiais que são utilizadas, podemos citar as de restrição de glúten e de caseína (proteína do leite). Isso porque alguns autistas apresentam doença celíaca ou outros distúrbios gastrointestinais — e a dieta melhora os sintomas de dor abdominal e diarreia.

O que pode ser feito?

O primeiro passo é buscar ajuda especializada com um nutricionista. Os pais e responsáveis devem sempre oferecer alimentos nutritivos e variados para evitar a falta de nutrientes.

É importante evitar alimentos ultraprocessados, refrigerantes, fast food e outros produtos que possam tomar o lugar de comida que seja fonte de nutrientes essenciais como cálcio, ferro, proteína e tantos outros.

Outro ponto fundamental é levar em conta que os pais são exemplos. Por isso, é necessário consumir alimentos saudáveis e nutritivos e fazer das refeições um momento interessante para a criança.

Mais pesquisas são necessárias para mostrar qual a ligação entre os sintomas do autismo e nutrição. Se você estiver considerando começar com algum tipo de suplemento ou uma dieta especial, fale primeiro com o médico do seu filho e sempre se consulte com um nutricionista especializado.

Esses profissionais podem ajudá-lo a fazer a escolha certa e reduzir o risco de possíveis efeitos colaterais ou deficiências nutricionais. Vale destacar que há diversas fake news nas redes sociais, internet e grupos de aplicativos que espalham informações incorretas e apenas os especialistas podem indicar qual alimentação é mais adequada para o autista.

Referências:

https://www.autismspeaks.org/nutrition-and-autism

https://www.eatright.org/health/diseases-and-conditions/autism/nutrition-for-your-child-with-autism-spectrum-disorder-asd

https://www.unlockfood.ca/en/Articles/Childrens-Nutrition/Health-Conditions/Autism-and-Nutrition.aspx

Read More

Saiba mais sobre os marcos do desenvolvimento da fala

Um dos momentos mais esperados pelos pais é o desenvolvimento da fala e com isso, ouvir as primeiras palavras dos bebês.

As crianças tendem a seguir uma progressão natural para dominar as habilidades da linguagem e há alguns marcos que podem ajudar a identificar se o desenvolvimento está ocorrendo normalmente.

A seguir, veja detalhes de como a fala se desenvolve de acordo com a idade do bebê.

2 meses

– Começam a sorrir para as pessoas

– Começam a fazer sons

– Viram a cabeça em direção aos sons do ambiente

– Conseguem reconhecer as vozes

– Mudam o choro de acordo com a necessidade

4 meses

– Imita as expressões faciais

– Balbucia

– Imita sons

-Gosta de brincar com  outras pessoas

6 meses

–  Fazem sons ao brincar ou quando está sozinho

– Começam a usar a voz para expressar o que deseja

– Respondem quando são chamados

– Movem os olhos na direção dos sons

– Respondem às mudanças no tom de sua voz

– Observam que alguns brinquedos fazem sons

– Levam objetos à boca

– Respondem com pequenos sons: Ah, eh, oh e começa a emitir sons com M e B

9 meses

– Compreendem a palavra “não”,

– Emitem sons juntando várias sílabas como “mamamama” ou “babababa”

– Tentam imitar os sons que as outras pessoas fazem

12 meses

– Compreendem ordens simples como “dá” ou “tchau”

– Emitem sons parecidos com a fala

– Falam “mama”, “papa”

– Fazem exclamações como “uh-oh!”

– Tentam repetir as palavras que ouve

– Viram os olhos na direção dos sons

– Responde pedidos simples

18 meses

– Reconhecem nomes de pessoas, objetos e partes do corpo

– Seguem instruções acompanhadas de gestos

– Falam cerca de 20 palavras

– Compreendem bem as palavras

– Começam a dizer não com a cabeça

24 meses

– Conseguem dizer o seu primeiro nome

– Juntam duas ou mais palavras

– Falam frases simples e curtas

– Começam a falar sozinhos enquanto brincam

– Repetem as palavras que ouviu as outras pessoas falando

– Apontam para objetos ou imagens quando ouve os seus sons

– Seguem comandos simples e entende perguntas simples

– Falam cerca de 200 palavras

30 meses

– Usam a gramática mais desenvolvida

– Conseguem contar pequenas histórias

– Cantam musiquinhas

– Falam o seu nome e sobrenome

– Entendem verbos e instruções

– Vocabulário é composto por mais de 350 palavras

36 meses

– Usam artigos, preposições, plurais e verbos

– Conseguem conversar

– Falam cerca de 1.000 palavras diferentes

48 meses

– Conseguem ser compreendidos por estranhos

– Mantêm longos diálogos

– Contam acontecimentos

– Elaboram frases de 5 ou 6 palavras

– Falam mais de 1200 palavras

Quando procurar ajuda?

É importante que os pais e os responsáveis fiquem atentos aos marcos de desenvolvimento da fala. Se achar que a criança está demorando muito para balbuciar ou falar as primeiras palavras, vale a pena conversar com um pediatra.

Em alguns casos, pode ser necessário passar por um fonoaudiólogo para realizar uma avaliação cuidadosa para determinar que tipo de problema de linguagem ou fala a criança pode ter.

Como as crianças progridem de maneira diferente, pode ser um desafio distinguir entre um atraso e um distúrbio de fala ou linguagem.

Além disso, o atraso de linguagem pode indicar outras condições de saúde. São elas:

– Problema com a boca e a língua;

– Perda de auditiva (surdez);

– Autismo;

– Problemas neurológicos;

– Deficiência intelectual;

– Distúrbios de linguagem como afasia, ou seja, dificuldade em compreender ou falar partes da linguagem devido a uma lesão cerebral ou ao funcionamento do cérebro.

– Transtorno de processamento auditivo, ou seja, dificuldade em entender o significado dos sons que o ouvido envia ao cérebro.

Após o diagnóstico, o plano de tratamento provavelmente envolverá terapia da fala.

Se a criança tiver outras condições como autismo, o médico poderá recomendar outros tratamentos como a intervenção precoce.

Os exercícios de terapia da fala podem se concentrar na construção da familiaridade com certas palavras ou sons. Já os exercícios físicos se concentram no fortalecimento dos músculos que produzem os sons da fala.

Os distúrbios da fala podem afetar a autoestima de uma pessoa e sua qualidade de vida. No entanto, terapia da fala, exercícios respiratórios e, às vezes, medicamentos podem ajudar a melhorar a fala e reduzir os sintomas.

Leia também: O que é o autismo (TEA)?

Referências:

https://www.mayoclinic.org/healthy-lifestyle/infant-and-toddler-health/in-depth/language-development/art-20045163

https://www.cdc.gov/ncbddd/childdevelopment/language-disorders.html

Read More

Estratégias para auxiliar no processo de aprendizagem do autista

As atividades pedagógicas são fundamentais para o desenvolvimento e a socialização infantil das pessoas com TEA.

Isso porque os autistas apresentam dificuldades em áreas como da comunicação, comportamento social, motora, na interação social e na integração sensorial.

Algumas estratégias e atividades pedagógicas contribuem para que o processo de aprendizagem do autista seja eficaz e ele se torne mais sociável.

Na sala de aula, as atividades para crianças com autismo podem ajudá-las a aprender como expressar suas emoções, regular seus desafios sensoriais e interagir com outras crianças.

Lembrando que o plano de ensino e atividades voltadas para o autista devem ser individuais, uma vez que cada pessoa com o TEA é única e tem suas particularidades e limitações que devem ser respeitadas.

Embora a maioria dos educadores concorde que não existe uma receita para o ensino de nenhum aluno, há algumas diretrizes que podem ser úteis para apoiar alunos com o TEA.

Esses alunos com autismo podem ter necessidades únicas com aprendizado, habilidades sociais e comunicação.

Por isso, os professores precisarão de estratégias pedagógicas para abordar cada uma dessas áreas.

Alguns alunos com autismo sofrem com as mudanças nas rotinas e ficam desconfortáveis ​​mudando de ambiente.

Para eles lidar com essa situação causa estresse e desorientação.

Os professores podem minimizar o desconforto que os alunos sentem dando apoio, orientando os outros alunos e se manter disponível para o diálogo com a família e alunos.

Os autistas podem se sentir desconfortáveis ​​ou inseguros no ambiente educacional.

Por isso, é importante proporcionar um ambiente de aprendizagem apropriado como estratégia de ensino.

O que pode ser realizado na sala de aula

É importante usar estímulos visuais como cartões com imagens e símbolos durante as atividades.

Ou então, promover atividades sensoriais para facilitar a aprendizagem do autista.

Além disso, as atividades em grupo ajudam a ampliar a interação entre os colegas.

Uma criança com autismo pode não parecer interessada em interagir com colegas, pais e professores…

Mas é importante continuar ensinando as habilidades sociais.

Os professores devem se atentar para usar uma linguagem simples, sem metáforas, para que o aluno compreenda o conteúdo.

Outra ferramenta que pode ser aliada no aprendizado dos autistas é a tecnologia.

Usar aplicativos, softwares e outros programas virtuais são bastante eficazes, assim como:

Jogos interativos, vídeos, games e outros atrativos que contribuem para a educação das crianças autistas.

O ambiente físico de aprendizagem pode impactar crianças e jovens no espectro do autismo.

É importante reduzir o maior número possível de barreiras e preparar os alunos para um ambiente previsível e calmo.

Pode ser necessário realizar uma análise cuidadosa das necessidades individuais de aprendizagem.

E, dessa forma, entender a motivação dos alunos e realizar pausas para apoiar a criança na sala de aula.

Mesmo quando a linguagem direta é usada uma criança com TEA pode levar mais tempo para responder ou reagir imediatamente.

É importante que ele tenha tempo e o professor precisa ter paciência e explicar a atividade quantas vezes forem necessárias para que ele consiga absorver a informação.

Referências:

https://www.education.vic.gov.au/school/teachers/learningneeds/Pages/supportmaterials.aspx

https://www.iidc.indiana.edu/pages/Teaching-Tips-for-Children-and-Adults-with-Autism

Read More

Conheça mais sobre o Transtorno de Aprendizagem não verbal

Você já ouviu falar sobre o Transtorno de Aprendizagem não verbal (TANV)?

Trata-se de uma condição pouco conhecida e é uma alteração específica no funcionamento cerebral.

O TANV afeta o raciocínio matemático, a cognição visual e espacial, a coordenação motora, a percepção sensorial e as habilidades sociais.

As crianças com TANV apresentam um bom desenvolvimento da linguagem e vocabulário e, algumas vezes, desenvolvem a leitura precoce.

As causas ainda não foram esclarecidas, mas os cientistas acreditam que o TANV surja devido a uma alteração no hemisfério direito do cérebro.

Geralmente, apresentam uma capacidade intelectual dentro ou acima da média. E também costumam ter boa memória.

Ocorre tanto em meninas quanto meninos na mesma frequência. E é mais comum quando há histórico familiar com o mesmo transtorno.

O diagnóstico pode demorar a acontecer, já que pode ser confundida com autismo ou hiperatividade. Por isso, é importante ficar atento aos sinais.

Sinais e sintomas

Uma criança com o TANV pode ter problemas nos campos acadêmicos, dificuldades motoras, sociais, visuais espaciais, mas eles não precisam ter dificuldades em todas essas áreas para cumprir os critérios diagnósticos do transtorno. 

O fato de terem dificuldades de aprendizagem é um desafio para os educadores e profissionais da saúde. Apesar de se comunicar bem e não ter atraso intelectual, as crianças com TANV são descritas como desajeitadas ou descoordenadas.

Podem sentir dificuldades para andar de bicicleta, amarrar cadarços, desenhar e praticar esportes, por exemplo.

Demonstram dificuldades na memorização de tabuadas, bem como realização de operações aritméticas mais complexas.

No relacionamento interpessoal, crianças com esse transtorno podem ser vistas como ingênuas, apresentando dificuldades para compreender os aspectos implícitos na interação social e na linguagem.

Normalmente, as pessoas com transtorno de aprendizagem não verbal mostram:

  • Excelente memória para aquilo que olham;
  • Boa capacidade de leitura;
  • Excelente expressão verbal e raciocínio verbal;
  • Dificuldade para escrever;
  • Problemas espaciais, de direção, estimativa de tamanho, forma, distância;
  • Problemas para ler expressões faciais;
  • Déficits de percepção tátil, geralmente no lado esquerdo do corpo;
  • Dificuldades de coordenação;
  • Problemas com organização visual-espacial;
  • Dificuldade de adaptação a situações novas e complexas;
  • Dificuldade de interação social;
  • Dificuldade de matemática;
  • Desatenção e hiperatividade no início da infância.

Diagnóstico e intervenções indicadas

O diagnóstico do TANV ocorre após uma avaliação criteriosa que deve ser feita por diferentes especialistas.

São realizados diversos testes neuropsicológicos com o objetivo de compreender como funciona o desempenho escolar, as habilidades motoras, o processamento visual-espacial, aritmética e o funcionamento psicossocial.

Os comportamentos, históricos genéticos, da gestação, acadêmico e as características de relacionamentos sociais também são observados pelos especialistas.

Os especialistas avaliam o desenvolvimento da fala e da linguagem, QI verbal, QI de desempenho e desenvolvimento motor.

As crianças podem ser diagnosticadas com cinco anos de idade ou até menos, embora muitas vezes não se manifeste até que as dificuldades escolares apareçam.

O diagnóstico precoce é altamente recomendado porque a intervenção precoce pode ajudar no aprendizado e apoiar a autoestima da criança no processo.

Em relação ao tratamento, o mais indicado é que a intervenção seja realizada por uma equipe interdisciplinar, englobando os aspectos psicológicos, pedagógicos e fonoaudiológicos.

A TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental) é indicada, ou mesmo outras terapias que permitam o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento e de habilidades sociais.

Além disso, psicólogos ajudam nas questões emocionais como autoestima e ansiedade.

A terapia ocupacional ajuda as crianças com o Transtorno a melhorar suas habilidades motoras finas e sociais.

Referências:

https://nvld.org/non-verbal-learning-disability

https://www.additudemag.com/what-is-nonverbal-learning-disorder-symptoms-and-diagnosis

https://www.psychologytoday.com/us/conditions/nonverbal-learning-disorder

Read More

Cognição social e o autismo

A cognição social pode ser definida como a capacidade de formar representações das relações entre si e os outros. E usá-las de forma flexível, para que ocorram comportamentos apropriados de acordo com a circunstância social que a pessoa está inserida.

Portanto, a maneira como pensamos sobre os outros desempenha um papel importante em como pensamos, sentimos e interagimos com o mundo ao redor.

A cognição social ocorre devido ao processamento mental da informação, que permite estabelecer esse relacionamento interpessoal a partir do reconhecimento, da interpretação e da ação dos indivíduos em interação com outros.

Portanto, seu funcionamento requer que sistemas neurais especializados avaliem os sinais sociais do ambiente.

A cognição social engloba diferentes processos neurobiológicos que funcionam de maneira integrada.

Com isso, ela pode ser dividida em:

  • Percepção das emoções: a capacidade de reconhecer sentimentos a partir das expressões faciais e gestos;
  • Percepção social: decodificar, interpretar e compreender o contexto social que se está inserido;
  • Teoria da mente: compreensão das intenções ou crenças dos outros e de si mesmo e perceber que os indivíduos pensam e sentem de forma diferente da nossa;
  • Estilo de atribuição: conseguir identificar as causas sobre o acontecimento ou comportamento do outro.

O autismo e a cognição social

A cognição social está presente em todas as fases das pessoas e se desenvolve ainda na primeira infância. Mas, no caso de indivíduos com autismo ou algum transtorno do neurodesenvolvimento, desenvolver a cognição social pode ser mais complicado.

Quem tem autismo apresenta dificuldade de identificar as expressões faciais das emoções, ou seja, reconhecer quando uma pessoa está alegre, com medo ou triste. E também tem dificuldade de fazer contato visual. Além de terem dificuldade de sentir empatia e se colocar no lugar do outro.

Por isso, a intervenção precoce em autistas é fundamental para encontrar diferentes estratégias para lidar melhor com as dificuldades e melhorar desde cedo as relações interpessoais.

Como trabalhar a cognição social do autista?

Trabalhar a cognição social é fundamental para melhorar as relações dos autistas em diferentes contextos. Algumas intervenções precoces vão estimular habilidades sociais, ou seja, regras e/ou costumes que orientam nossas relações interpessoais.

Por isso, o autista será estimulado a olhar nos olhos, compartilhar objetos, entender o momento de falar e de escutar em uma conversa, além de aprender a gerenciar as próprias emoções e como os outros se sentem.

Há diversas estratégias que podem ser eficazes, mas, elas devem ser avaliadas de acordo com o repertório do autista.

Entre as atividades que podem ser úteis para estimular a cognição social do autista podemos citar:

  • Contar histórias: as histórias podem mostrar e incentivar a realizar os comportamentos adequados, além de estimular a criatividade.
  • Uso de situações do dia a dia: representar algumas situações do cotidiano pode ajudar o autista a entender como funcionam os diálogos e as relações.
  • Fotos e imagens: pode ser uma alternativa para que o autista reconheça emoções e a entender o que causou aquele sentimento.
  • Brincadeiras em grupo: o autista pode brincar com os colegas de classe e entender como funcionam as regras sociais – apertar a mão, olhar nos olhos, escutar, saber a hora de falar e compartilhar brinquedos.
  • Vídeos e jogos: usar a tecnologia como vídeos ou videogame para ajudar a compreender linguagem corporal e comunicação de forma geral.

Saiba mais: Neuroplasticidade cerebral

Referências

https://link.springer.com/article/10.1007/s10803-019-04001-4

https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0001691819303786

https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1002/aur.2195

Read More