Conheça mais as estratégias de intervenção naturalistas

As estratégias de intervenção naturalistas são métodos usados para melhorar a socialização e a comunicação das pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

De acordo com a National Professional Development Center on Autism Spectrum Disorders, “a intervenção naturalística é usada nas rotinas diárias ao longo do dia para desenvolver habilidades na área de comunicação (verbal e não verbal) e desenvolvimento social“.

O ensino naturalístico surgiu como um método complementar e é usado na análise do comportamento aplicada (ABA). E oferece às crianças e jovens com autismo a oportunidade de aprender comportamentos socialmente apropriados, dentro do contexto dos ambientes sociais em que se encontram todos os dias como escola e casa.

Como funciona?

As intervenções naturalistas estão associadas aos princípios da ciência ABA, mas se concentra mais nas experiências únicas de cada criança. É uma abordagem muito personalizada, em que as atividades e rotinas diárias reais da criança ditam como e onde o terapeuta trabalha com essa criança. 

As sessões são estruturadas em torno de um comportamento-alvo, como revezar ou comunicar sentimentos. Os terapeutas permanecem flexíveis quando se trata do que pode ser interessante para a criança naquele momento ou o que pode estar motivando seu comportamento. 

A função do terapeuta é ajudar a criança a comunicar o seu desejo, usar os brinquedos e as atividades que a criança já selecionou como reforço, tornando as habilidades funcionais ao ambiente.

É importante que ocorra clareza, precisão na comunicação e na forma como o ensino é ministrado e avaliado.

Os objetivos devem ser individualizados. As metas não são baseadas na idade da criança ou em um padrão nacional. Em vez disso, foca-se no desenvolvimento da criança. É preciso realizar um controle constante do progresso para mudar a intervenção e as técnicas, sempre que necessário.

Quais são os tipos?

São práticas baseadas em evidências identificadas e cada uma tem um objetivo específico. A seguir, veja detalhes de algumas:

– Ensino Incidental

Ajuda a treinar as habilidades de fazer pedidos e atenção compartilhada. Cria oportunidades de aprendizagem e inicia a criança na interação com o adulto.

Aumenta a motivação da criança para falar e é frequentemente usado com crianças que já possuem algumas habilidades de linguagem.

– Treinamento de respostas pivô

É um método de intervenção comportamental que aproveita a motivação da criança com autismo para que ela se comunique. Tem uma abordagem mais ampla, observando as coisas que são “fundamentais” para o comportamento da criança: o que motiva seu comportamento, como respondem à interação social, como gerenciam seus próprios sentimentos e comportamentos. 

Foca na causa dos comportamentos e não apenas os próprios comportamentos individuais. Sendo assim, causa mudanças nos comportamentos inadequados como agressão ou automutilação.

Ele se concentra no desenvolvimento do desejo de interagir, na regulação do próprio comportamento da criança, no desenvolvimento da iniciação das interações e na resposta a uma variedade de incentivos.

– Paradigma da linguagem natural

Indicado para jovens não verbais. O terapeuta e a criança ficam frente a frente e são oferecidas opções de brinquedos, jogos ou atividades. A criança pode escolher um item.

O terapeuta coordena a brincadeira e estimula o jovem a falar as palavras que identificam e descrevem o item selecionado. A criança brinca com o objeto e depois ele é retirado. 

O terapeuta então pede que a criança repita a palavra e o item é devolvido. Trata-se de um sistema clássico de recompensa que dá à criança um motivo real para tentar se comunicar.

Participação dos pais

Os pais podem praticar com seus filhos, já que as intervenções podem ser aplicadas em um ambiente confortável e divertido. 

No entanto, é fundamental ter o apoio de um especialista em ABA para aprender como praticar as intervenções com as técnicas apropriadas.

Referências:

https://www.appliedbehavioranalysisedu.org/how-is-naturalistic-teaching-used-in-aba/

https://blogs.missouristate.edu/access/2017/10/20/using-naturalistic-strategies-for-teaching-students-with-autism/

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O-impacto-do-excesso-de-telas-no-desenvolvimento-das-crianças

O impacto do excesso de telas no desenvolvimento das crianças

Você já reparou quanto tempo seu filho ou filha passa no celular, tablets ou assistindo TV? E com a pandemia, as crianças também passaram a gastar mais tempo no computador.

É fato que o uso desse tipo de tecnologia traz muita praticidade para o dia a dia, mas em excesso pode fazer mal para a saúde das crianças.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), por exemplo, recomenda que crianças menores de 2 anos não tenham contato algum com telas, nem mesmo televisores.

Depois dessa faixa etária, a TV pode ser liberada, mas no máximo durante uma hora por dia. E apenas com 8 anos as crianças poderiam usar celular. Mas, a maioria das crianças atualmente passa o dia acessando celulares ou vendo TV.

Estar em frente às telas a todo instante pode atrapalhar o desenvolvimento das habilidades de linguagem e até sociais da criança.

Um dos motivos é que ficar diante de telas, muitas vezes, equivale a consumir conteúdo passivamente, perdendo oportunidades valiosas e de praticar outras habilidades importantes, como manter contato com a natureza e com os objetos físicos.

Perigos do excesso de telas para a saúde

Excesso de telas no desenvolvimento cerebral

Pesquisas apontam que a superexposição a eletrônicos, no caso de crianças muito pequenas, pode causar déficit de atenção, atrasos cognitivos, distúrbios de aprendizado, aumento de impulsividade e diminuição da habilidade de regulação própria das emoções.

Chamada de distração passiva, as crianças acabam consumindo joguinhos e vídeos nas telas, algo prejudicial e frontalmente diferente de brincar ativamente, um direito universal e temporal de todas as crianças em fase do desenvolvimento cerebral e mental.

Excesso de telas e Obesidade

As crianças que ficam muito tempo no celular ou tablet são mais sedentárias e brincam menos. Com isso, queimam menos calorias e engordam mais.

Problemas para dormir

As crianças que usam muitos aparelhos eletrônicos podem dormir menos para jogar ou ver vídeos. Além disso, a luz dos aparelhos pode despertar e fazer com que a criança perca o sono. Isso pode afetar o crescimento e o humor.

Problemas emocionais

O uso excessivo de tecnologia causa distúrbios emocionais como ansiedade, depressão e até agressividade.

Outros problemas

Pode gerar dependência digital, transtornos de alimentação e de imagem corporal, cyberbullying, aumenta o risco de abusos sexuais e pedofilia, problemas visuais, miopia e síndrome visual do computador, problemas auditivos e de postura.

O que os pais podem fazer?

Os pais e responsáveis precisam redobrar a atenção e ficar de olho quanto tempo os pequenos estão conectados. Vale a pena estabelecer regras como não usar os aparelhos durante as refeições e desligar os aparelhos entre uma e duas horas antes de dormir.

Além disso, devem estimular as crianças e jovens a praticarem outras atividades que não necessitem de tecnologia. Pode ser a leitura de um livro, pinturas, música, jogos ou ter contato com a natureza.

Tente evitar que crianças usem televisão, computadores ou celulares em seus próprios quartos, principalmente sem a mediação da família ou de adultos.

Combine o tempo que a criança vai ficar vendo TV ou no celular. Crianças podem ter dificuldade para entender a passagem do tempo, então cabe aos pais limitar esse período. E seja firme! Não mude de ideia para que os limites fiquem claros.

Crie um tempo de dever de casa sem distrações, onde os telefones celulares são guardados. Considere refeições “sem telefone” ou horários para a família durante o dia para promover a comunicação.

Para a segurança, faça verificações aleatórias de mensagens de texto e outros conteúdos do telefone. 

Fale abertamente com seu filho ou filha sobre os riscos do uso do telefone celular para a saúde.

Fique sempre atento a conversas com desconhecidos online. E por fim, dê o exemplo! Sempre que possível fique longe de telas e passe mais tempo com a família.

Referências:

SBP – https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/sbp-atualiza-recomendacoes-sobre-saude-de-criancas-e-adolescentes-na-era-digital/

https://www.webmd.com/mental-health/news/20170503/are-smartphones-helping-or-harming-kids-mental-health

https://www.nationwidechildrens.org/family-resources-education/700childrens/2018/10/children-and-cell-phones

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O que são escalas de avaliação?

Você já ouviu falar das escalas de avaliação? Elas são usadas para ajudar no diagnóstico do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Podem ser definidas como ferramentas de triagem que são capazes de detectar os comportamentos atípicos de crianças precocemente.

As escalas de avaliação são baseadas em estudos clínicos sólidos, ou seja, foram testadas e seguem as metodologias científicas. Isso significa que são instrumentos seguros para identificar os sinais de autismo.

Vale destacar que a avaliação e o diagnóstico de pessoas com suspeita de autismo devem ser amplos e, sempre que possível, realizados por diferentes profissionais. Isso é necessário porque o TEA afeta diversas áreas e abrange a atuação profissional de especialistas da área da saúde e educação.

A seguir, veja detalhes de algumas escalas de avaliação e sua importância para o diagnóstico do autismo.

ADI-R

A sigla significaAutism Diagnostic Interview-Revised, ou seja, Entrevista Diagnóstica para o Autismo Revisada, em tradução livre. É uma entrevista diagnóstica aplicada no principal cuidador da criança com suspeita de autismo.

Fornece uma avaliação ao longo da vida dos comportamentos das crianças a partir dos 5 anos até o início da idade adulta e com idade mental a partir dos 2 anos de idade. Leva cerca de uma hora e meia para ser concluída.

Avalia a qualidade da interação social recíproca, como é a comunicação e a linguagem e os comportamentos repetitivos, limitados e estereotipados.

A entrevista conta com perguntas introdutórias; questões sobre comunicação, sobre desenvolvimento social e o brincar e é feita uma investigação sobre comportamentos repetitivos e restritos.

CARS

A sigla significa Childhood Autism Rating Scale, ou seja, Escala de Avaliação do Autismo na Infância. É uma escala de avaliação que conta com 15 itens que contribuem com o diagnóstico e identificação de crianças com autismo.

Por meio dela, é possível diferenciar o grau de comprometimento do autismo entre leve, moderado e severo. Pode ser realizada em qualquer criança com mais de 2 anos de idade.

A escala avalia o comportamento em 14 habilidades: interação com as pessoas, imitação, resposta emocional, uso do corpo e de objetos, adaptação à mudança, reação a estímulos visuais e auditivos, a resposta e uso da gustação, olfato e tato; medo ou nervosismo, comunicação verbal e não verbal, nível de atividade e a coerência da resposta intelectual e impressões gerais.

A pontuação atribuída a cada domínio varia de 1 (dentro dos limites da normalidade) a 4 (sintomas autísticos graves).

ADOS-2

A sigla significa Autism Diagnostic Observation Schedule, ou seja, Protocolo de Observação para Diagnóstico de Autismo, e é uma escala de observação.

É uma entrevista estruturada e completa, além de uma observação que avalia objetivamente a habilidade social, de comunicação e o comportamento de pessoas com TEA, desde crianças até adultos.

A avaliação do ADOS usa situações sociais planejadas para ter respostas e interações interpessoais. Utilizam-se termos padronizados, materiais, atividades, introduções de atividades e sequências hierárquicas de atividades sociais.

O ADOS é dividido em quatro módulos: usado para crianças com fala limitada; para quem sabe falar, mas não é verbalmente fluente; com crianças verbalmente fluentes e adolescentes e adultos verbalmente fluentes. 

Os comportamentos são classificados em quatro domínios: interação social recíproca; comunicação/linguagem; comportamentos estereotipados/restritivos e humor e comportamentos anormais não específicos.

Cada módulo leva cerca de 40 minutos para ser concluído. Os comportamentos recebem uma pontuação entre zero e três: zero indica um comportamento normal, enquanto três indica que há uma disfunção comportamental.

ADI-R

O ADI-R  vem do inglês Autism Diagnostic Interview-Revised e em tradução livre significa Entrevista para Diagnóstico do Autismo Revisada.

Sendo assim, é uma escala de entrevista que é realizada com os pais ou responsáveis pela pessoa com suspeita de autismo. Ela mede os comportamentos nas áreas de interação social, comunicação e linguagem e padrões de comportamentos. 

A entrevista visa descobrir toda a história do desenvolvimento da pessoa e pode ser realizada em um consultório, em casa ou em outro ambiente.

O especialista faz perguntas para identificar comportamentos. Após a conclusão da entrevista, ocorre uma avaliação que pontua de 0 a 9 de acordo com cada pergunta realizada e os especialistas conseguem assim definir se a pessoa está dentro do Espectro do Autismo.

Referências:

https://www.appliedbehavioranalysisprograms.com/faq/what-is-the-autism-diagnostic-observation-schedule/

https://psychiatry.weill.cornell.edu/education-training/adi-r

https://www.verywellhealth.com/adi-r-test-use-in-autism-diagnosis-260241

https://www.carautismroadmap.org/childhood-autism-rating-scale

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Como ajudar o autista desenvolver as atividades de vida diária (AVDs)

Alguns autistas precisam aprender a desenvolver algumas habilidades importantes para o dia a dia. Conseguir realizar as atividades de vida diária (AVDs) é fundamental para aumentar a independência em casa, na escola e na sociedade. 

Os pais e responsáveis devem desde cedo introduzir e estimular que o autista aprendam essas habilidades e tenham ferramentas para aumentar a sua autoestima, ser autônomo e mais feliz.

Para que isso seja possível, são usadas estratégias adequadas para favorecer a autonomia e a independência, retirando a sobrecarga do cuidador, elevando a autoestima e abrindo a possibilidade para novos aprendizados.

Sempre é necessário avaliar as dificuldades, adaptar e preparar o ambiente, estruturar a atividade e inseri-la na rotina do autista.

Quais são as atividades de vida diária?

São atividades básicas do dia a dia e também mais complexas que visam à independência do autista.

Os pais devem reconhecer que ensinar essas atividades aos filhos com autismo é tão importante quanto promover o desenvolvimento das habilidades de comunicação e cognitivas. 

Essas habilidades são aprendidas com o tempo, começando em casa bem cedo e desenvolvendo-se ainda mais durante a adolescência e a idade adulta.

Entre essas atividades podemos destacar:

  • Autocuidado: conseguir trocar de roupa, tomar banho, escovar os dentes, preparar as refeições etc;
  • Administração de dinheiro e finanças: é fundamental ensinar a administrar seu próprio dinheiro, a usar uma conta bancária, cartões de crédito e fazer um planejamento financeiro para garantir sua independência financeira como adulto. 
  • Saúde e segurança: o autista precisa entender em quem podem confiar, quais são os riscos que corre com estranhos e saber se comunicar para pedir ajuda;
  • Plano de carreira e emprego: é importante que o autista seja estimulado a estudar e ter um emprego.
  • Relacionamento com as pessoas: estimular a interação social e a comunicação do autista desde cedo contribui para melhorar os seus relacionamentos.
  • Conseguir pegar transporte público: saber como, onde e quando usar o transporte público certamente aumentará a independência e dará mais segurança.
  • Atividades de lazer e diversão: é importante encorajar atividades úteis quando a criança está com tempo livre, como fazer exercícios, ler ou tocar um instrumento musical.
  • Organização: como organizar o tempo e definir um cronograma. Ensinar como planejar o dever de casa, por exemplo.  

Como ensinar essas habilidades para o autista

Como cada autista é diferente, é importante que o treinamento dessas habilidades respeite as dificuldades e limitações individuais. Há casos em que a pessoa autista precisa de suporte 24h e não vai conseguir viver sozinho e ser independente – é o caso dos autistas do nível 3 ou severo.

Há diversas habilidades para a vida que precisam ser aprendidas, que devem ser ensinadas e praticadas em casa, na escola e na sociedade. A maioria das pessoas com autismo se beneficia de uma instrução clara e prática. 

No entanto, é fundamental buscar ajuda especializada de profissionais que treinem a criança ou jovem com autismo para realizar atividades do dia a dia.

Procure a ajuda de um Terapeuta Ocupacional (TO) que é o profissional capacitado para ajudar nas AVDs.  Outros profissionais que são especialistas na ciência ABA também ajudam o autista a desenvolver habilidades para realizar as atividades do dia a dia e se tornar mais independente.

Como ajudar?

Veja abaixo algumas dicas que podem ajudar o autista a desenvolver suas habilidades de atividades diárias.

  • Garantir que eles entendam a necessidade da atividade.
  •  Escolher uma meta apropriada que se adapte a idade e habilidades do autista. Evite colocar mais de um objetivo para atingir de uma só vez e comece devagar.
  • Dividir as tarefas em rotinas simples como se fosse um passo a passo.
  • Ensinar cada passo da atividade e encorajar a criança ou jovem diariamente. Mostrar visualmente o que fazer.
  • Dê tempo e deixe a criança ou jovem praticar a atividade várias vezes.
  • Apoiar a conclusão da tarefa, comemorar e recompensar a criança quando os objetivos são alcançados.

Referências:

https://www.autismspeaks.org/life-skills-and-autism

https://online.regiscollege.edu/blog/11-tips-for-teaching-activities-of-daily-living/

https://researchautism.org/daily-living-skills

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Atenção-compartilhada-e-autismo

Meltdown, Shutdown e Burnout: saiba a diferença

Não é novidade que os autistas, muitas vezes, podem se sentir sobrecarregados emocionalmente, sensorialmente e até socialmente.  Por conta disso, podem ocorrer as crises sensoriais, ou seja, a pessoa autista pode receber uma sobrecarga de entradas sensoriais por meio do tato, olfato, paladar, audição e visão e não conseguir processar as informações da forma adequada.

Também há a sobrecarga social que acontece quando o autista é exposto a uma situação onde precisa socializar, interagir e usar habilidades sociais para se comunicar.

E a sobrecarga emocional ocorre quando eles precisam se identificar, lidar e processar as emoções. Tudo isso pode ser muito complexo e difícil para a pessoa autista.

Como sabemos cada pessoa autista reage de uma forma ao ser estimulada. E, às vezes, elas podem se expressar por meio de crises. As crises podem variar na intensidade e causa e também recebem nomenclaturas diferentes.

É muito importante conhecer o tipo de crise que o autista enfrenta e também o que a desencadeia para poder ajudá-lo. Além disso, facilita encontrar estratégias para evitar que as crises se repitam ou amenizá-las para causar menos sofrimento.

Abaixo, veja detalhes de algumas crises para saber como ajudar o autista.  

Meltdown

São crises de explosão emocional ou perda do controle emocional temporária. As manifestações variam: podem surgir gritos ou agitação em excesso e estereotipias. E, em casos mais graves, pode levar à agressividade.

Por conta disso, o autista pode se morder, se beliscar, bater a cabeça na parede e ser agressivo com as pessoas mais próximas.

Na maioria das vezes, eles estão ligados a algum tipo de frustração, estresse emocional, mudança de rotina ou hiperestimulação.

Durante a crise, a criança não tem controle de suas ações. Para ajudar, os pais e cuidadores podem minimizar as sensações do lugar onde a criança esteja e evitar que a criança se machuque.

Shutdown

O termo vem da informática e significa “desligar o sistema”. Isso significa que a pessoa com autismo pode ficar parcialmente ou completamente desligada ou distante, não respondendo a qualquer forma de comunicação.

Geralmente, ficam com o “olhar vazio” e com a respiração mais rápida ou lenta. Também é comum que queiram ficar isoladas, deitem no chão e fiquem paralisadas.

Trata-se de comportamentos involuntários e diferentemente do meltdown, as emoções ficam internalizadas. Ambas causam muito sofrimento e precisam de atenção.

Burnout

Pode ser definido como um esgotamento físico e mental que ocorre em longo prazo. Há também diminuição do interesse de atividades que antes davam prazer. A pessoa com autismo também perde o interesse em a habilidade de lidar com situações estressantes.

O autista com Burnout pode ter mais dificuldade de controlar suas emoções e ser propensos a explosões de tristeza ou raiva. Também é comum apresentarem ansiedade intensa, depressão e até comportamento suicida.

Acredita-se que ocorra devido ao esforço do autista a imitar o comportamento neurotípico, ao se esforçar constantemente a ter contato com as pessoas e devido ao estresse associado à mudança.

Como prevenir essas crises?

Os pais e responsáveis podem evitar atividades ou situações que possam levar a essas crises sensoriais e perceber os sinais de alerta. Conhecer seu filho ou filha autista é fundamental para entender o que desencadeia essas manifestações.

Os sinais comuns de alerta em crianças com autismo envolvem ansiedade ou confusão. Podem parecer mais preocupados, inquietos ou instáveis.

Em situações estressantes, ele/ela pode sinalizar que não está confortável e pedir para ir para casa.

Durante uma crise, é importante que os pais mantenham a calma e façam de tudo para que a criança ou jovem autista fique segura.

O ideal é ir para um lugar tranquilo, longe da estimulação que pode ter causado a sobrecarga até que a crise termine. 

Sempre que for sair, se organize, planeje e saiba quais são os mecanismos que ajudam a criança a enfrentar situações estressantes. Pode ser necessário levar brinquedos ou objetos para acalmá-los.

Não há fórmulas prontas, já que cada autista é único e os comportamentos podem variar. Converse sempre com os especialistas que estão acompanhando a criança e busque orientações para saber o que pode ser feito em situações como essas.

Referências:

https://www.autism.org.uk/advice-and-guidance/topics/behaviour/meltdowns/all-audiences

https://autismwestmidlands.org.uk/wp-content/uploads/2017/11/Meltdown_shutdown.pdf

https://community.autism.org.uk/f/adults-on-the-autistic-spectrum/9389/managing-shutdowns

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Cerca de 30-40% das pessoas com autismo apresentam Epilepsia

A epilepsia é uma alteração do funcionamento do córtex do cérebro. Sabe-se que ocorre quando os neurônios disparam um monte de descargas elétricas que resultam em perda de consciência súbita e movimentos involuntários.

A doença afeta 1% da população em geral, o que significa que um em cada 100 brasileiros tem epilepsia. E essa condição pode se manifestar igualmente entre homens e mulheres, desde a infância até a idade avançada.

A epilepsia consiste em crises que podem ser convulsivas ou não, que podem durar de segundos a minutos. Portanto a crise epiléptica pode ter manifestação motora (convulsão) ou pode ter apenas uma crise de ausência sem manifestação motora (sem convulsão).

Epilepsia e autismo

A epilepsia é uma comorbidade bastante comum em pessoas com o autismo, ou seja, as duas condições aparecem ao mesmo tempo na mesma pessoa. Aproximadamente 30-40% das pessoas com autismo apresentam epilepsia também. Quanto mais grave o autismo maior o risco para epilepsia.

As crises de epilepsia estão associadas a riscos de acidentes, traumas, crises prolongadas e morte súbita. Também é comum que a pessoa apresente depressão e ansiedade.

Qual é a relação com o autismo?

Ambas as condições compreendem um transtorno que tem conexão com o cérebro. Estudos destacam que diversas mutações genéticas estão relacionadas com autismo e epilepsia. Sabe-se que há uma disfunção nas sinapses, que são as conexões entre os neurônios. Por isso, há um funcionamento inadequado do cérebro. 

Algumas das alterações cerebrais associadas ao autismo também causam essas convulsões.

Todos os tipos de convulsões foram observados em pessoas com autismo. Estima-se que quase um terço das pessoas com autismo pode apresentar epilepsia.

Muitas pesquisas estão sendo realizadas no momento sobre o assunto para entender melhor qual é a ligação entre as duas condições. As crianças e adultos com as duas condições costumam ter os sintomas de autismo mais severos, são hiperativos e possuem um quociente de inteligência (QI) mais baixo em comparação com aqueles que não têm epilepsia.

Sinais de epilepsia

Os sintomas e sinais da epilepsia dependem da região cerebral onde a crise epiléptica começa e, por isso, eles são variados. Veja alguns abaixo:

  • Mudança de olhar;
  • Movimentos involuntários como membros rígidos;
  • Confusão sem causa aparente;
  • Dores de cabeça severas;
  • Sonolência e perturbações do sono;
  • Estiramento nos músculos;
  • Irritabilidade ou agressividade.

Algumas situações podem facilitar o aparecimento das crises epilépticas. Entre elas, estão o estresse, a falta de sono e o uso de alguns tipos de medicamentos.

Diagnóstico

O diagnóstico de epilepsia em quem tem autismo pode ser bastante desafiador. Isso porque as pessoas com autismo têm dificuldade em reconhecer e comunicar seus sintomas.

Além disso, diagnosticar epilepsia em pessoas autistas é complicado porque os movimentos estereotipados comuns ao autismo podem ser confundidos com ataques epilépticos. E as pessoas autistas podem ter dificuldade em tolerar testes de epilepsia.

Vários estudos sugerem que crianças com autismo e deficiência intelectual têm maior probabilidade de ter epilepsia do que outras crianças autistas.

Se você suspeita que seu filho esteja apresentando sinais de Epilepsia procure o mais rápido possível um neurologista pediátrico.

Provavelmente, o neurologista solicitará um eletroencefalograma, que é um exame não invasivo que envolve a colocação de eletrodos na cabeça de um indivíduo para monitorar a atividade no cérebro. 

Como é o tratamento

A epilepsia é geralmente tratada com medicamentos antiepilépticos que diminuem a gravidade e a frequência das convulsões em crianças. 

Indivíduos com autismo e epilepsia que não recebem o tratamento adequado correm maior risco de desenvolver problemas de saúde geral e, em circunstâncias extremas, de morte prematura. 

Em comparação com aquelas sem convulsões, as crianças com autismo e convulsões também são mais propensas a ter dificuldades para dormir e problemas de comportamento.  Por isso, é muito importante realizar acompanhamento constante com especialistas e fazer as interveções necessárias.

Referências:

https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/j.1528-1167.2005.57504.x

https://www.spectrumnews.org/news/the-link-between-epilepsy-and-autism-explained

https://www.epilepsy.com/article/2017/3/epilepsy-and-autism-there-relationship

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Conheça os tipos de ecolalias

Você já reparou que algumas crianças repetem tudo o que ouvem como um eco e/ou usam palavras aleatórias fora de contexto? Esse comportamento é chamado de ecolalia e é um distúrbio de desenvolvimento da fala e da linguagem.

A ecolalia é um dos sintomas mais comuns entre as características da linguagem no autismo. E nesses casos, podem ser descritas como estereotipias verbais, já que ocorre uma repetição em eco da fala.

Os autistas com ecolalia podem não serem capazes de se comunicar com eficácia porque lutam para expressar seus próprios pensamentos.

No entanto, a ecolalia acontece como uma ferramenta para que o autista se acalme. Sendo assim, é uma forma de autoestimulação e tem o mesmo objetivo das estereotipias, que é quando eles se balançam ou batem as mãos. 

A ecolalia também pode ser usada como uma saída sensorial. Dessa forma, a criança autista repete as palavras para se acalmar quando se sente ansiosa ou precisa lidar com os desafios sensoriais. 

Tipos de ecolalia

Há alguns tipos de ecolalia. Veja detalhes abaixo.

Ecolalia imediata: ocorre quando as crianças repetem as palavras logo depois de ouvi-las. Pode ocorrer, por exemplo, quando a mãe pergunta se a criança quer brincar e em vez de responder que sim, a criança repete: quer brincar!

Ecolalia tardia: acontece quando eles repetem palavras mais tarde e por causa desse atraso as frases são usadas fora de contexto. Pode acontecer, por exemplo, quando a criança assiste um desenho e depois de algumas horas repete algumas frases do que assistiu.

Ecolalia mitigada: ocorre em situações em que podem ser feitas modificações da emissão ecoada, seja imediata ou tardia, para se comunicar.

Por que isso acontece?

Alguns estudos apontam que a ecolalia imediata sugere a intenção de se comunicar da criança. Por isso, essa repetição trata-se de uma forma dela se comunicar com o outro ou manter o diálogo.

Geralmente, as crianças repetem trechos da linguagem sem entender o que elas significam. Depois, começam a modificar esses trechos, misturam e combinam palavras e frases que usaram. A partir do momento que começam a entender mais a linguagem, algumas crianças usam frases mais curtas ou apenas uma ou duas palavras para se expressar.

É comum também que a ecolalia seja usada ocasionalmente, especialmente quando a criança está cansada, confusa ou frustrada. 

A ecolalia pode ser considerada apenas uma característica comum das dificuldades de linguagem no TEA. Mas, vale a pena compreender a pessoa que fala e se isso não atrapalha o desenvolvimento da comunicação, além de prejudicar a sua interação com outras pessoas.

Diagnóstico e tratamento

A ecolalia costuma ser diagnosticada por meio da análise de um profissional especialista em fala e autismo. Ele observa seus comportamentos e se há repetição de fala. 

O tratamento é realizado como diversos profissionais como fonoaudiólogos, pediatras, neuropediatras, terapeutas ocupacionais e psicólogos. E o tipo de intervenção deve ocorrer seguindo a individualidade da criança, ou seja, respeitando as suas limitações e dificuldades.

São indicados terapias como a Análise do Comportamento Aplicada, conhecida pela sigla ABA, TEACHH e PECS (Picture Exchange Communication System).

E assim são realizados exercícios específicos para que ocorra o desenvolvimento da comunicação do autista. A criança autista consegue assim ter mais autonomia e independência para se comunicar.

Nesse processo, é fundamental a participação dos pais e responsáveis. Isso porque conseguem avaliar a evolução da criança e também praticar os exercícios em casa para continuar o tratamento.

Referências:

https://www.verywellhealth.com/why-does-my-child-with-autism-repeat-words-and-phrases-260144

https://link.springer.com/article/10.1007/s40489-015-0067-4

https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S151618462015000802072&script=sci_arttext&tlng=en

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Imitação no autismo: como as brincadeiras podem ser úteis no aprendizado?

A imitação envolve a capacidade de uma criança de copiar as ações de adultos e colegas. Com isso, elas aprendem a realizar ações com objetos, a fazer gestos e movimentos corporais como bater palmas ou acenar e também a se comunicar.

As crianças com desenvolvimento típico aprendem a imitar na infância. É bastante comum que o bebê interaja com a mãe imitando sons, ações e expressões faciais. No entanto, crianças que estão no espectro costumam ter grande dificuldade em imitar. E isso pode afetar outras áreas de desenvolvimento. 

A importância da imitação para o desenvolvimento

A imitação é essencial para o processo de aprendizagem de todas as crianças. Também permite a socialização, além de aprender a linguagem e certos comportamentos e funções.

Crianças com autismo podem adquirir novos comportamentos imitando seus pais. Quando as imitações se tornam constantes, a linguagem e as habilidades motoras serão permanentes. Além disso, é mais fácil para as crianças que aprendem por imitação descobrir o mundo.

Imitação e atividades lúdicas

Não há melhor forma de aprender do que por meio de brincadeiras. Os pais e cuidadores podem ajudar nesse processo. Mas, vale a pena buscar ajuda especializada, como terapeutas na ciência ABA que podem instruir melhor quais atividades são eficientes para treinar a habilidade de imitação da criança autista.

Veja, a seguir, algumas atividades lúdicas e brincadeiras que incentivam a imitação nos autistas:

– Música

As crianças gostam bastante de músicas e isso pode ser benéfico para que elas pratiquem a imitação. Escolha músicas que façam parte do dia a dia e que tenham repetições. Sugestões: “Meu pintinho amarelinho”, “Dança da imitação”, “Seu Lobato tinha um sítio”, “Lá em casa”, “Quem fez esse barulhinho?”.

 – Imitar os animais

Não economize nas músicas com bichinhos e incentive a criança a imitar os sons e até os movimentos dos bichos nas músicas. Explique os movimentos e peça que ela repita. Se for possível, mostre alguma animação ou desenho com os bichinhos.

– Estátua

Brincar de Estátua é muito divertido para crianças pequenas. Coloque a música, dance com a criança e ao pausar a música explique que todo mundo precisa virar estátua, ou seja, ficar parado. Coloque a música novamente e continue dançando.

– Dança das cadeiras

Quando os pequenos começarem a andar, já é possível brincar de dança das cadeiras. Explique como funciona a brincadeira e peça para que ele/ela imite os adultos. No início, pode ser apenas colocar as cadeiras para todos, é só sentar-se quando a música parar. Depois, o desafio pode aumentar e pode ser colocada uma cadeira a menos para que a criança se sinta estimulada a correr e garantir seu lugar.

– Objetos iguais

Tenha objetos iguais como carrinhos ou tambores. Puxe ou empurre o carrinho e peça para a criança fazer o mesmo. Bata no tambor e peça para ela bater também.

– Crie ações com os personagens preferidos

É importante que a criança se sinta estimulada e nada melhor que incluir nas brincadeiras os personagens prediletos. Coloque a Peppa, o Superman e a Turma da Mônica para brincar, pular, na água, voar e peça para que a criança repita a ação.

– Jogar bola

Fique de frente um para o outro e brinque de jogar a bola no chão. Essa atividade simples estimula a criança a imitar um comportamento.

– Imite a criança

Já foi comprovado que imitar as ações da criança pode ser bastante efetivo. Por isso, seja um espelho da criança. Se ela pular, pule também. Siga os passos dela em tudo o que fizer. Isso vai ajudá-la a se conectar mais com você e repetir um comportamento.

– Tintas, massinhas, bloquinhos de montar, fantoches

Tudo pode ser usado para estimular a imitação. Use a criatividade e saiba identificar o que seu filho ou filha mais gosta para brincar. Arranje sempre um tempo para brincar, mostrar o que está fazendo, explicar como funcionam as regras e pedir para que ela repita o que você fez.

Lembre-se: deve ser um momento descontraído e a criança não deve ser obrigada a brincar ou fazer imitações. Sempre que ele/ela estiver cansado (a) pare e retome no dia seguinte.

Qual brincadeira você costuma realizar com seu filho? Conte para gente a sua experiência com a imitação!

Referências:

https://depts.washington.edu/isei/iyc/21.2_Ingersoll.pdf

https://otsimo.com/en/importance-imitation-skills-autism

https://www.mayinstitute.org/news/acl/asd-and-dd-child-focused/what-is-imitation-and-why-is-it-important

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Automutilação: como extinguir esse comportamento?

A automutilação (ou autolesão) acontece quando alguém se machuca intencionalmente. Na maioria das vezes, é uma forma de enfrentar ou expressar um sofrimento emocional.

É comum que as pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) realizem a automutilação devido à ansiedade, estresse ou ao sentir dificuldade em comunicar seus sentimentos.

Estima-se que 30% das pessoas que estão no espectro pratiquem algum comportamento de automutilação. A intensidade pode variar de leve a grave, mas nunca com a intenção de se machucar ou desejar suicídio.

Pode ser um comportamento repetitivo e, em alguns casos, a pessoa autista realiza cortes na própria pele, bate em si mesma, bate a cabeça na parede, causa queimaduras em braços, pernas e abdômen. Também podem dar tapas, se morder, beliscar ou coçar a pele.

Outras causas

A automutilação também pode ser uma forma de estimulação sensorial. Um indivíduo com autismo pode se machucar como uma forma de aumentar ou diminuir seu nível de excitação. 

Em muitos casos, a automutilação serve como meio de comunicação. A criança autista pode tentar transmitir um sentimento ou ideia com aquele comportamento que talvez não consiga expressar em palavras. 

Sendo assim, a automutilação surge como uma necessidade urgente de expressar dor, medo, desprazer ou ansiedade.

Sinais e gatilhos

As características que se apresentam como fatores de risco para comportamentos de automutilação em crianças autistas podem incluir:

  • Agressividade;
  • Hiperatividade;
  • Ansiedade;
  • Problemas de sono e distúrbios de humor.

Alguns gatilhos podem contribuir com a ansiedade e automutilação em autistas. Os pais devem se atentar se o autista demonstrar que está se sentindo rejeitado, isolado, intimidado, com problemas na escola ou trabalho e também dificuldade de se adaptar.

E alguns sinais indicam que o autista está se automutilando. Entre elas, destacam-se cortes inexplicáveis, marcas de mordidas ou queimaduras, manchas pelo corpo, evitam expor o corpo mesmo no calor, ficam mais isolados, expressam sentimentos de fracasso e culpa.

O que pode ser feito

Para lidar com esses comportamentos, os pais e cuidadores devem primeiro compreender o que causa o problema. O ideal é buscar ajuda assim que perceber esse comportamento.

A intervenção precoce e o tratamento dos motivos que levam à automutilação são fundamentais para ajudar a controlar e prevenir que volte a acontecer no futuro.

Os pais e cuidadores ​​podem manter um diário e anotar as crises de automutilação para rastrear as ocorrências e o que estava ocorrendo no momento. Isso ajuda a perceber detalhes e identificar gatilhos.

Pode ser bastante perturbador perceber que seu filho ou filha com autismo está se automutilando. Mas, depois do susto inicial, é importante buscar ajuda.  

O tratamento para automutilação geralmente envolve terapias comportamentais e, em alguns casos, o uso de medicamentos. Para extinguir esse comportamento leva tempo. Por isso, o acompanhamento psicológico (e psiquiátrico) e o apoio dos pais faz toda a diferença neste processo.

A terapia comportamental pode ajudar as crianças a substituir os antigos padrões de automutilação por novas habilidades e estratégias. 

Ao recompensar comportamentos positivos e ensinar novas habilidades de comunicação e enfrentamento, a terapia comportamental ajuda algumas crianças a cessarem o comportamento autolesivo. 

Outras ações que podem ajudar

  • Previna os comportamentos mudando o ambiente, aumentando ou diminuindo a estimulação e reorganizando horários e rotinas.
  • Reforce os comportamentos positivos  ao mesmo tempo em que introduz novas habilidades ou atividades de “substituição” que podem ser usadas no lugar das ações de automutilação.
  • Elimine o reforço  dos comportamentos de autoagressão, ignorando-os. 
  • Use a ciência ABA e a terapia ocupacional  para aprender novas habilidades de enfrentamento, técnicas de comunicação e maneiras de controlar as emoções que levam a automutilação.
  • Aumente a autoestima de seu filho ou filha,  incentivando a independência e ajudando-o a adquirir novas habilidades.

A boa notícia é que todos esses problemas são tratáveis.  Ao melhorar as habilidades e ensinar mecanismos de enfrentamento saudáveis, a criança pode aprender a ter suas necessidades atendidas de maneira saudável.

Referências:

https://www.autism.org/causes-and-interventions-for-self-injury-in-autism

https://www.autismparentingmagazine.com/autism-self-harm

https://www.autism.org.uk/advice-and-guidance/topics/mental-health/self-harm

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Como ajudar no desenvolvimento da fala em pessoas com autismo

Alguns autistas podem falar bem e normalmente (autismo verbal) e outros não conseguem falar ou falam muito pouco (autismo não verbal). Para se ter uma ideia, estima-se que aproximadamente 40% das crianças com TEA não falam e apresentam autismo não verbal.

Vale destacar que a fala é o que permite a transmissão de sons, palavras e frases. Há autistas que não conseguem se expressar ou sequenciar os sons da fala (apraxia). Mas, conseguem compreender e até se comunicar. Outros autistas são completamente não verbais, mas encontram uma forma de se expressar com ajuda da tecnologia, por exemplo.

A importância da fala e marcos do desenvolvimento

O atraso da fala pode acarretar consequências para o processo de aprendizado, assim como para as interações sociais.  Os pais devem ficar atentos aos marcos para o desenvolvimento da fala. Por isso, se o bebê não está balbuciando, é preciso investigar.

Vale reforçar que o progresso da fala acontece por etapas. As crianças começam a balbuciar com poucos meses e no primeiro ano de vida, já falam algumas palavras simples como mamá e papá. E perto dos 18 meses, o vocabulário infantil aumenta e já é possível entender algumas palavras. Aos quatro ou cinco anos, espera-se que a fala já tenha se desenvolvido por completo.

Alguns sinais de alerta:

  • Não balbuciam ou não emitem som a partir do terceiro mês;
  • Aos oito meses, não fala nenhuma vogal ou consoante;
  • Com 16 meses não fala nenhuma palavra;
  • Aos dois anos não combina duas palavras.

O que pode ser feito para desenvolver a fala

É importante que os pais e cuidadores procurem uma intervenção terapêutica para melhorar a comunicação e a fala da criança. Quanto mais cedo a criança receber suporte especializado, melhor será para o seu desenvolvimento e ampliação de habilidades.

As intervenções e terapias individualizadas podem ajudar a diminuir o isolamento social e contribuir com qualquer dificuldade de comunicação dos autistas.

Vale destacar que as famílias, os professores e as pessoas próximas do autista não verbal também podem ajudar no desenvolvimento da linguagem com brincadeiras e interagindo com a criança, sempre estimulando a sua fala.

Algumas ações que são efetivas incluem:

Jogos e interações

As crianças aprendem brincando, e isso inclui o aprendizado da linguagem. Tente diversos jogos para descobrir quais agradam mais seu filho ou filha. O ideal é buscar atividades lúdicas que promovam a interação social. 

Imitação

Imitar os sons e brincadeiras que seu filho (a) faz pode encorajar sua vocalização e interação. Estimule o seu filho a imitar o que você fala também.

Concentre-se na comunicação não verbal

Gestos e contato visual podem construir uma base para a linguagem e a fala.  Use seu corpo e sua voz para se comunicar.

Dar espaço para seu filho falar

É importante dar oportunidade para a criança responder e se comunicar no seu próprio tempo.Ao fazer uma pergunta ou perceber que seu filho deseja algo, pare e preste atenção a qualquer som ou movimento corporal que ele fizer.

Use a tecnologia

Alguns dispositivos e aplicativos com imagens podem ajudar o autista a se comunicar, indicar o que quer ou está pensando. Com o tempo, ele ou ela pode se sentir estimulado a falar.

Terapia de fala

A terapia da fala e da linguagem ajuda os autistas a desenvolverem a linguagem, a fala e a comunicação verbal, não verbal. O objetivo é ajudar a pessoa a se comunicar de uma maneira mais funcional. Geralmente, começa com uma avaliação realizada por um fonoaudiólogo que determina os desafios de comunicação da pessoa. Em seguida, determina as metas para a terapia.

Entre as habilidades que a terapia de fala desenvolve podemos citar:

  • Fortalecimento dos músculos da boca, mandíbula e pescoço;
  • Realizar sons de fala mais claros;
  • Combinar emoções com a expressão facial adequada;
  • Compreender a linguagem corporal;
  • Responder perguntas;
  • Modular o tom de voz.

Você conhece algum autista que teve dificuldade de fala? Conta para a gente a sua história!

Referências:

https://www.webmd.com/brain/autism/benefits-speech-therapy-autism

https://iancommunity.org/cs/articles/speech_and_language_problems

https://www.autismspeaks.org/speech-therapy-autism

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