Saiba mais sobre a diferença entre estereotipias e tiques

Quem convive com uma pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) já deve ter ouvido falar sobre as estereotipias.

As estereotipias podem ser definidas como movimentos, comportamentos e/ou atividades desencadeadas de maneira repetitiva e são consideradas comuns no TEA.

Entre os movimentos realizados podemos citar girar e bater de mãos, acenar, balançar a cabeça, tronco e membros, abrir e fechar a boca, saltar, correr, pular, olhar objetos fixamente, cruzar pernas e bater pés, entre outros.

Elas podem envolver um ou todos os sentidos. Geralmente, incluem ações que duram segundos, minutos e, às vezes, horas.

Uma dúvida bastante comum é qual a diferença entre as estereotipias e tiques.

Um tique é um movimento motor ou vocalização súbito, rápido, recorrente e não rítmico (p. ex., piscar os olhos, pigarrear). Está dentro dos transtornos motores no DSM-5.

Os tiques ocorrem sem que a pessoa perceba. Surgem abalos ou sons corporais inesperados e de difícil controle. São comuns na infância, mas também podem se iniciar na fase adulta.

Como diferenciar movimentos estereotipados de tiques?

 Os tiques costumam estar associados aos quadros de Transtornos de Ansiedade, TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) e Síndrome de Tourette.

Além disso, as estereotipias começam precocemente antes dos três anos de idade; já os tiques surgem mais tarde, após os cinco anos.

E os movimentos estereotipados seguem um padrão fixo, ou seja, são sempre os mesmos. Geralmente, são mais frequentes na parte superior do corpo, no entanto, podem atingir as inferiores e o resto do corpo.

Enquanto os tiques predominam mais na cabeça e nas extremidades superiores como braços e tronco.

As estereotipias são suprimidas com distração, o que não ocorre com os tiques.

As estereotipias são mais duradouras do que tiques e não estão associadas com o nível alterado de consciência.

Geralmente, as estereotipias são agradáveis para a pessoa, o que não ocorre com compulsões ou tiques.

 

Estereotipias e autismo

Cada criança com o TEA pode apresentar formas distintas de estereotipias e nem sempre significa que elas são prejudiciais.

Esses comportamentos estão ligados a situações de estresse, ansiedade, felicidade, fadiga ou estímulos externos.

São consideradas atitudes que causam ao autista uma excitação sensorial para acalmar ou dar uma sensação de satisfação interna.

A estereotipia ajuda a aliviar a tensão de um ambiente estimulante e contribui para tirar o foco e aumentar a concentração.

Mas, é importante destacar que uma intervenção terapêutica pode ser recomendada quando esses episódios de estereotipias começam a interferir no desenvolvimento, comunicação e aprendizado do autista.

Os especialistas podem indicar tratamentos específicos como os baseados na  Análise do Comportamento Aplicada (ABA), entre outros.

Vale destacar que, mesmo sendo algo benéfico para os autistas, as estereotipias ainda causam muito estranhamento e dificultam o convívio social.

É comum que as crianças e adolescentes com TEA sejam alvos de piadas e até sofram bullying por causa destes movimentos.

Além disso, é comum que as estereotipias chamem a atenção dos pais e faz com que as famílias busquem médicos ou especialistas em busca de um diagnóstico.

Principais movimentos estereotipados

Entre os tipos de movimentos repetitivos mais comuns, podemos citar:

  • Balançar o corpo para frente e para trás;
  • Balançar as mãos (“flapping”);
  • Bater os pés no chão ou em algum objeto próximo;
  • Girar objetos ou girar em volta do próprio corpo;
  • Cruzar e descruzar as pernas várias vezes;
  • Fazer sons repetitivos ou repetir sílabas sem parar;
  • Estalar os dedos;
  • Roer unhas sem parar;
  • Correr sem destino;
  • Andar pelas pontas dos pés.

Quando a estereotipia traz algum prejuízo para o desenvolvimento da criança é necessário buscar ajuda profissional para diminuir a intensidade, a frequência  e extinguir esse comportamento.

Referências:

https://childmind.org/article/autism-and-stimming/#:~:text=The%20DSM%2D5%20includes%20stimming,current%20functioning.%E2%80%9D%20That%20is%20the

https://www.healthline.com/health/autism/stimming

https://www.nhs.uk/conditions/tics/

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Conheça algumas técnicas de ensino em ABA

Já falamos muito sobre como a Terapia ABA é comprovadamente eficiente para aumentar os comportamentos positivos e para ensinar novas habilidades para os autistas. Dessa forma a ABA ajuda a pessoa autistas se desenvolver e com isso ter mais autonomia e independência.

 Mas, você sabia que existem diferentes técnicas de ensino em ABA? Todas visam que a criança ou jovem com TEA reduza comportamentos inadequados, amplie a sua capacidade cognitiva, motora e de linguagem.

A terapia pode ser mais estruturada ou ser mais lúdica e aplicada por meio de brincadeiras.  A seguir, veja detalhes das principais técnicas de ensino em ABA.

Motivação

A ABA trabalha com a motivação da criança por meio dos reforçadores, ou seja, estímulos para que os comportamentos positivos voltem a acontecer.

O reforço deve ser individual, ou seja, precisa agradar a criança ou jovem. Por isso, há diversos tipos de reforçadores.

Entre os tipos de reforçadores usados podemos citar: brinquedos, cócegas, alimentos, passeios, elogios, abraços, jogos, desenhos.

Hierarquia em dicas

Trata-se de retirar gradualmente as dicas dadas às crianças para que elas realizem atividades.

O intuito é fazer com que a criança não erre e continue motivada. Essa ajuda pode ser apenas verbal, física ou gestual.

O objetivo é dar uma ajuda mais intrusiva (física total) e ir descendo no nível de ajuda até a dica menos intrusiva (dica em pausa).

O terapeuta pode fazer o movimento total pela criança, como se a criança estivesse fazendo o movimento. Ou oferecer menos pressão e ajuda, gesticular com a boca e até mesmo apontar um cartão ou ação como ajuda.

O terapeuta ajuda falando a resposta de forma total ou parcial. E dar dicas por pausas, ou seja , esperar a resposta da criança.

Modelagem

É uma técnica que visa modificar um comportamento de forma gradual, com treino de aproximações sucessivas.

Sendo assim, somente as variações das respostas são reforçadas, de modo contínuo ou intermitente, até chegar ao comportamento final desejado.

Juntamente com a hierarquia de dicas ensina comportamentos complexos de forma gradual para que a criança evolua. É um procedimento planejado que evita erros e mantém a criança motivada.

Esta técnica ABA permite que as crianças aprendam comportamentos apropriados observando os outros.

A modelagem de vídeo mostra à criança como se comportar e concluir uma atividade. Ele foi projetado para melhorar as habilidades sociais e de comunicação.

A criança assiste ao vídeo pelo menos uma vez para ver os comportamentos em ação. Em seguida, os analistas do comportamento aplicado recriam a cena e pedem às crianças que mostrem o que aprenderam.

Ensino de tentativas discretas

É uma técnica em que as habilidades são divididas em elementos pequenos e “discretos” (ou distintos). O terapeuta apresenta cada elemento da habilidade para a criança, um de cada vez.

A criança receberá um reforço positivo após cada resposta correta ao elemento discreto que está sendo ensinado.

Generalização

Consiste em ajudar o indivíduo a aplicar um comportamento aprendido na terapia para o dia a dia.

Os autistas podem ter dificuldade de repetir o comportamento que aprendeu e praticar na sua rotina.

A generalização aumenta o repertório comportamental do autista, já que mostra que a pessoa pode manter as habilidades ensinadas diretamente e ainda mostrar habilidades que não foram ensinadas em um ambiente novo.

Qual técnica usada em ABA é melhor?

Os terapeutas especialistas em ABA desenvolvem estratégias concretas para alcançar seus objetivos definidos.  Por isso, cada técnica tem um objetivo específico e de acordo com a necessidade do autista.

É comum que sejam usadas várias técnicas ao mesmo tempo para evitar a estagnação e o tédio da criança. Por isso, é fundamental ter o apoio de especialistas capacitados que possam avaliar a pessoa e definir qual é a melhor estratégia.

As técnicas se esforçam para substituir comportamentos inadequados por outros mais positivos e apropriados. Melhorar a concentração, a motivação, a fala e as interações sociais da criança também são importantes e trabalhadas de forma individual.

Tudo isso para garantir que o autista seja mais independente e consiga realizar as suas atividades de forma autônoma.

E você, conhecia as técnicas de ensino usadas na terapia ABA?

Referências:

https://www.appliedbehavioranalysisprograms.com/lists/5-techniques-used-in-applied-behavior-analysis/

https://www.autismspeaks.org/applied-behavior-analysis

https://hiddentalentsaba.com/aba-therapy-techniques/

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Autismo severo em adultos

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é classificado em três níveis, sendo nível 1 (conhecido como “leve”),  nível 2 (conhecido como “moderado”) e nível 3 (conhecido como “severo”). E essa classificação ocorre conforme o grau de dependência e/ou necessidade de suporte. No caso do autismo severo, é bastante comum que a pessoa necessite de supervisão e apoio por toda a vida.

Os autistas de nível 1 e 2 têm mais habilidades em se comunicar e interagir com outras pessoas. No entanto, os autistas de nível severo são geralmente não-verbais, com bastante dificuldade para exercer atividades diárias. Por isso, são muito dependentes do cuidado de outra pessoa.

Para os pais e responsáveis pode ser um desafio cuidar de uma pessoa com autismo severo até a fase adulta. Quando eles se tornam adultos, podem ter mudanças comportamentais como agressividade e dificuldade ampla de comunicação.

Nesse nível, os comportamentos restritivos e repetitivos interferem na capacidade de funcionamento do indivíduo. Mudar o foco de uma atividade para outra pode apresentar grande dificuldade e causar um sofrimento significativo.

Principais sintomas

Alguns sintomas comuns em pessoa com autismo severo:

  • Normalmente são não verbais;
  • É comum apresentar Deficiência Intelectual;
  • Evitam ou limitam a interação com outras pessoas;
  • Tem dificuldade em fazer amizades;
  • Enfrentam extrema dificuldade em mudar suas atividades diárias ou rotina;
  • Seguem padrões comportamentais repetitivos, como manipular objetos, a ponto de afetar sua capacidade de funcionamento;
  • Experimentam um alto nível de angústia se uma situação exige que alterem seu foco ou tarefa

Importância da intervenção e acompanhamento

O grande desafio das famílias é entender as especificidades do autismo. E que trata-se de uma condição do neurodesenvolvimento. Por isso, afeta a comunicação, aprendizado e sua adaptação à rotina.

O autista severo depende de outras pessoas para ajudá-lo a enfrentar a vida diária, mas a medicação quando indicada e as terapias adequadas podem contribuir com alguns dos desafios.

Além disso, em alguns casos, podem apresentar outras condições de saúde como deficiência intelectual ou epilepsia.

Portanto, precisa ter um acompanhamento frequente por profissionais capacitados. Estes profissionais deverão manter os cuidados e tratar de possíveis deficiências de comunicação e sensoriais, além de questões de saúde e comportamentais.

Uma pessoa com autismo de nível 3 provavelmente também precisará de um cuidador que possa cuidar dela por tempo integral e ajudá-la nas tarefas do cotidiano.

Vale destacar que a terapia ABA poderá ser eficaz em adultos com autismo severo. A ciência usa diversas ferramentas e técnicas que podem apoiar e melhorar a comunicação dessas pessoas.

O intuito é melhorar suas habilidades de fala ou limitações, além de dar suporte aos pais e responsáveis. Esses métodos ajudam o indivíduo a ter mais independência e a interagir socialmente.

A importância do planejamento e moradias assistidas

Pessoas com autismo com grau severo precisam de suporte para as tarefas do dia a dia como limpar uma casa, cozinhar ou realizar a higiene pessoal. Mas quando não possuem algum familiar que possa acolher e cuidar é necessário pensar em alternativas como a moradia assistida.

Elas podem ser uma opção para que os autistas tenham dignidade e qualidade de vida.  Esses locais contam com equipe multidisciplinar capacitada e disponível para prestar um atendimento personalizado e qualificado.

Muitas dessas instituições que existem hoje no Brasil foram instituídas por pais de crianças com algum distúrbio neurodegenerativo ou do neurodesenvolvimento, como o TEA.

Esses locais foram criados devido a preocupação em fornecer um local seguro e acolhedor para seus filhos quando crescessem e eles não pudessem mais estar presente.

Referências

https://www.elemy.com/studio/autism/levels

https://www.verywellhealth.com/what-is-severe-autism-260044

https://www.verywellhealth.com/what-are-the-three-levels-of-autism-260233

https://www.sarahdooleycenter.org/news/the-difference-between-moderate-to-severe-autism/

https://www.medicalnewstoday.com/articles/325106

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Como a função executiva influencia o aprendizado?

A função executiva é um conjunto de habilidades cognitivas necessárias para o autocontrole e o gerenciamento de comportamentos. Essas habilidades incluem memória de trabalho e flexibilidade mental.

Essas funções permitem que as pessoas sigam instruções, se concentrem, controlem as emoções e alcancem objetivos.

As funções executivas desempenham um papel importante em muitas áreas diferentes da vida.

Entre as ações estão: analisar informações, se concentrar, fazer planos, acompanhar comportamentos, prestar atenção, ter foco, gerenciar o tempo, manter a organização e lembrar detalhes importantes.

O termo é uma metáfora que vem do mundo dos negócios, sugerindo que as funções executivas organizam nossas vidas, afeta a forma como planejamos e executamos os planos.

As funções executivas podem ser divididas em habilidades organizacionais e regulatórias.

A organização inclui a coleta de informações e sua estruturação para avaliação.

Já a regulação envolve a avaliação das informações disponíveis e como respondemos ao meio ambiente.

Como afeta o aprendizado

A perda desse  controle administrativo afeta a capacidade de organizar e regular vários tipos de informações. Muitas vezes, causa mudanças comportamentais e dificuldades de aprendizagem.

Abaixo, estão alguns sinais de que a função executiva não está funcionando adequadamente e atrapalhando o aprendizado:

  • Dificuldade em planejar e concluir projetos;
  • Problemas para entender quanto tempo um projeto levará para ser concluído;
  • Esforço para contar uma história na sequência certa com detalhes importantes e detalhes;
  • Problemas para comunicar detalhes de maneira organizada e sequencial;
  • Dificuldade para iniciar atividades ou tarefas ou gerar ideias de forma independente;
  • Dificuldade em reter informações, como lembrar um número de telefone ao discar;
  • Dificuldade de planejamento e iniciar a ação;
  • Incapacidade de realizar várias tarefas ao mesmo tempo;
  • Incapacidade de aprender com as consequências de ações anteriores;
  • Dificuldade com conceitos abstratos.

Vale destacar que não há uma avaliação única que identifique todas as diferentes características do funcionamento executivo.

Por isso, o diagnóstico de problemas no funcionamento executivo provavelmente envolverá vários testes e avaliações.

Problemas na função executiva

Como uma orquestra, cada uma das funções executivas trabalha em conjunto em várias combinações. Quando uma área é prejudicada, afeta as outras.

Se uma pessoa apresenta déficits em uma dessas funções executivas essenciais, isso afetará sua aprendizagem.

Quando há problemas com essas habilidades, as pessoas podem ter dificuldades em diferentes áreas da vida, incluindo escola, trabalho e relacionamentos.

Deficiências nas funções executivas podem ter um grande impacto na capacidade de realizar tarefas como planejamento, priorização, organização, atenção e lembrança de detalhes e controle de reações emocionais.

Quando pode ocorrer

É bastante comum que as pessoas com autismo apresentam dificuldade com o funcionamento executivo. Eles  podem ter problemas com planejamento, organização, sequenciamento de informações e emoções autorreguladoras.

Algumas pesquisas apontam que até 80% das pessoas com autismo sofrem de distúrbio das funções executivas, o que dificulta o gerenciamento do tempo e a conclusão de tarefas.

Além disso, os déficits de função executiva podem ocorrer como resultado de uma variedade de condições neurológicas, incluindo lesão cerebral traumática, doenças neurodegenerativas, incluindo demência frontotemporal, doença cerebrovascular.

Pessoas com transtornos psiquiátricos e de desenvolvimento, incluindo transtorno obsessivo-compulsivo, síndrome de Tourette, depressão, esquizofrenia, transtorno de déficit de atenção também entram na lista.

Referências:

https://www.autismspeaks.org/executive-functioning

https://autismawarenesscentre.com/executive-function-what-is-it-and-how-do-we-support-it-in-those-with-autism-part-i/

 

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Você sabe a diferença entre autismo e TDAH?

Infelizmente ainda é comum que ocorra uma confusão entre os sintomas de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

São transtornos distintos mas que podem se manifestar no mesmo individuo. É comum que quem tem autismo também tenha o TDAH como condição associada.

O diagnóstico correto e precoce é essencial para que as crianças tenham o tratamento adequado e se desenvolvam plenamente, de acordo com suas limitações e particularidades.

A seguir, veja detalhes sobre esses dois transtornos e as características em comum e diferenças entre eles:

Saiba mais sobre o TDAH

É um transtorno neurobiológico de causas genéticas que costuma aparecer na infância e acompanhar a pessoa por toda a vida. Entre os sintomas, destacam-se: desatenção, hiperatividade, inquietude e impulsividade.

O diagnóstico geralmente ocorre quando a criança tem entre 6 e 12 anos ou logo após ingressar na escola. Estima-se que o TDAH atinja cerca de 3 a 5% das crianças em todo o mundo.

Há ainda três graus de TDAH: leve, em que a rotina da pessoa não é afetada; moderada, quando os sintomas começam a atrapalhar as atividades; e grave quando há vários sintomas que causam problemas na rotina profissional e escolar.

Os sintomas variam de acordo com o tipo de TDAH: hiperativo, desatento ou ambos. Para confirmar o diagnóstico, é importante que a criança ou adulto tenha um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade que altere o seu desenvolvimento, aprendizagem e rotina diária.

Na maioria das vezes, há dificuldades para reconhecer as necessidades e desejos de outras pessoas. Também apresentam problemas para manter suas emoções sob controle. A falta de foco pode ser constante. Costumam ser desatentos ou têm dificuldade para se planejar.

O diagnóstico do TDAH é difícil, pois muitas vezes ele é confundido com os problemas na educação, ansiedade ou dislexia. O TDAH é o transtorno mais comum em crianças e adolescentes, surge na infância, mas pode acompanhar a pessoa até a fase adulta.

Os pais devem aceitar o fato de que as crianças com TDAH têm cérebros que funcionam de maneiras diferentes e podem ter comportamentos impulsivos. Podem ser indicados medicamentos e terapia comportamental.

Vale destacar que não há cura para o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, pois não é uma doença. Entretanto, há tratamento e mudanças na rotina e comportamentos de familiares que podem ajudar os pais e as crianças a conviverem com o TDAH.

 

Veja detalhes sobre o autismo

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é uma condição relacionada ao desenvolvimento do cérebro que afeta a forma como uma pessoa percebe o mundo e se socializa.

Dessa forma, elas podem ter  dificuldades de interação social, comunicação e comportamento. Porém, muitas pessoas com autismo conseguem realizar todas as suas atividades diárias, enquanto outros podem necessitar de ajuda.

Os sinais costumam se manifestar antes dos três anos de idade, sendo possível fazer o diagnóstico por volta dos 18 meses de vida da criança ou até mesmo antes dependendo do caso.

Quanto mais cedo ocorrer o diagnóstico, mais rapidamente o autista começará as intervenções precoces. Com isso, conseguirá desenvolver as habilidades cognitivas, sociais e de linguagem. Dessa forma, o autista terá mais qualidade de vida, independência e autonomia para realizar as atividades diárias.

O diagnóstico do TEA ainda pode ser considerado essencialmente clínico, ou seja, não há exames para detectar o autismo.

Entre os sinais do autismo podemos citar: não imitam, dificuldade para fazer contato visual e interagir, muitas vezes apresentam atraso na fala, dificuldades com a comunicação não verbal e apresentam movimentos repetitivos e  estereotipados.

 

Características em comum entre TDAH e TEA

 São transtornos do neurodesenvolvimento que se manifestam na infância;

  • Afetam o comportamento e a socialização;
  • Pessoas com TDAH e TEA podem apresentar problemas sensoriais.

 Algumas diferenças entre TDAH e TEA

  • Pessoas com TDAH não apresentam dificuldades com linguagem, já as pessoas autistas sim;
  • Pessoas com TDAH não tem dificuldades com comunicação verbal e não verbal;
  • Pessoas com TEA tem dificuldades para compreender expressões faciais, piadas, sarcasmos e gestos. As pessoas com TDAH não apresentam dificuldades nessas habilidades;
  • Pessoas com TDAH conseguem interagir socialmente

 

Comorbidade: quando há o diagnóstico duplo

É comum que quem tenha autismo apresente comorbidades, ou seja, duas ou mais condições clínicas presentes na mesma pessoa e ao mesmo tempo. Sendo assim, têm condições de saúde que se associam a outras e por isso estão frequentemente juntas clinicamente.

Entre as comorbidades mais frequentes está o TDAH. O primeiro passo é confirmar o diagnóstico e buscar terapias que ajudem a criança ou jovem a ter mais qualidade de vida. Pode ser necessário procurar um especialista em transtorno de comportamento infantil.

Estima-se que 14% das crianças com TDAH também tenham TEA e até 70-80% das pessoas com TEA apresentam o TDAH também.

Tanto o TDAH quanto o TEA são condições para a vida toda que podem ser gerenciadas com tratamentos adequados.

Referências:

American Psychiatric Association (2003). Transtorno de déficit de atenção e de comportamento disruptivo. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. (4ª ed).

https://www.autism.org.uk/adhd

https://autismsciencefoundation.org/what-is-autism/autism-diagnosis/

https://www.autismspeaks.org/signs-autism

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Saiba mais detalhes sobre a Esclerose Tuberosa

Você já ouviu falar da esclerose tuberosa? Trata-se de uma síndrome genética considerada rara que causa tumores benignos em algumas partes do corpo.

Geralmente, é detectada na infância, mas em algumas pessoas os sintomas são tão leves que o diagnóstico ocorre apenas na fase adulta. Aproximadamente um milhão de pessoas foram diagnosticadas com a condição em todo o mundo.

A esclerose tuberosa é causada mutações nos genes TSC1 ou TSC2. Pessoas com esclerose tuberosa têm até 50% de chance de transmitir a doença para seus filhos. A gravidade da condição pode variar de leve a grave.

O nome esclerose tuberosa vem de tubérculos, já que os nódulos que surgem no cérebro são semelhantes às batatas. Atinge todos os grupos étnicos e afeta tanto os homens quanto as mulheres.

É uma síndrome frequentemente associada ao Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Cerca de 60% das pessoas com esclerose tuberosa também apresentam TEA.

O prognóstico para indivíduos com a condição varia bastante de acordo com a gravidade dos sintomas. Aqueles com sintomas leves apresentam uma expectativa de vida normal. Já os indivíduos gravemente afetados, podem sofrer de retardo mental grave e epilepsia persistente.

Quais são os sintomas?

Surgem tumores não cancerosos (benignos) em partes do corpo como cérebro, olhos, rins, coração, pulmões e pele, principalmente. Além disso, podem surgir:

  • Manchas na pele e protuberâncias avermelhadas sob ou ao redor das unhas;
  • Convulsões devido ao crescimento do cérebro;
  • Deficiências cognitivas que podem estar associadas a atrasos no desenvolvimento, deficiência intelectual ou dificuldades de aprendizagem;
  • Podem ter transtorno do espectro do autismo ou transtorno de déficit de atenção / hiperatividade (TDAH);
  • Problemas comportamentais como automutilação ou agressão;
  • Problemas renais, cardíacos e pulmonares;
  • Anormalidades oculares.

 

Diagnóstico e tratamento

Dependendo dos sinais e sintomas, o indivíduo é avaliado por vários especialistas como neurologistas, cardiologistas, oftalmologistas e dermatologistas para ter um diagnóstico correto.

Devem ser solicitados diversos exames físicos e testes genéticos para diagnosticar a esclerose tuberosa e identificar problemas relacionados.

A primeira pista pode ser a presença de convulsões ou atraso no desenvolvimento. Em outros casos, o primeiro sinal pode ser manchas brancas na pele ou tumor cardíaco.

O diagnóstico da doença é baseado em um exame clínico cuidadoso em combinação com tomografia computadorizada ou ressonância magnética do cérebro: que pode mostrar nódulos no cérebro ou uma ultrassonografia do coração, fígado e rins, que pode mostrar tumores nesses órgãos.

Embora não haja cura para a esclerose tuberosa, o tratamento pode ajudar a controlar sintomas específicos.

Entre as terapias que podem ser indicadas, estão:

  • Medicamentos anticonvulsivantes ou para controlar arritmias cardíacas, problemas de comportamento ou outros sinais e sintomas;
  • Cirurgias são recomendadas quando o tumor afeta a capacidade de  funcionamento de um órgão específico  como o rim ou o coração;
  • Terapias diversas como terapia ocupacional ou acompanhamento com fonoaudiólogo para melhorar a qualidade de vida dos indivíduos e suas habilidades para gerenciar as tarefas e atividades diárias;
  • Terapia psicológica ou acompanhamento psiquiátrico podem ser indicados para que a criança ou jovem com a condição se adapte da melhor maneira e conviva bem com o transtorno.

 

Possíveis complicações

A esclerose tuberosa é uma condição para a vida toda e requer monitoramento e acompanhamentos constantes.

Dependendo de onde os tumores não cancerosos (tumores benignos) se desenvolvem e de seu tamanho, eles podem causar complicações graves ou com risco de vida em pessoas com esclerose tuberosa.

Aqui estão alguns exemplos de complicações:

  • Excesso de fluido cerebral. Um tipo de crescimento do cérebro pode bloquear o fluxo do fluido espinhal dentro do órgão. Essa condição é chamada de hidrocefalia;
  • Complicações cardíacas como crescimentos no coração e alterações no ritmo cardíaco;
  • Problemas renais devido ao crescimento do órgão. Pode ocorrer falência renal e ser fatal;
  • Insuficiência pulmonar. O crescimento nos pulmões pode causar colapso do pulmão, o que interfere na função pulmonar;
  • Aumenta o risco de câncer.  A esclerose tuberosa está associada a um risco aumentado de desenvolver tumores malignos nos rins e no cérebro;

 

Referências:

https://www.nhs.uk/conditions/tuberous-sclerosis/

https://www.ninds.nih.gov/Disorders/Patient-Caregiver-Education/Fact-Sheets/Tuberous-Sclerosis-Fact-Sheet

 

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Quando é preciso realizar uma avaliação neuropsicológica?

A avaliação neuropsicológica tem o objetivo de mensurar e descrever o desempenho cognitivo. Ela avalia as suspeitas de alterações cognitivas que podem ocorrer devido às desordens neurológicas ou outros transtornos.

Essa avaliação é realizada por meio de testes neuropsicológicos padronizados. Geralmente, é feita por um neuropsicólogo, que avalia o funcionamento cognitivo, checa as habilidades e dificuldades específicas do indivíduo.

Em quais casos, se indica uma avaliação neuropsicológica?

A avaliação neuropsicológica é solicitada quando há suspeita de alguma desordem neurológica como demências, acidentes vasculares cerebrais (AVC), traumatismos cerebrais ou outras condições como Transtorno do Espectro do Autismo, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade e deficiências de aprendizagens.

Além disso, faz um diagnóstico diferencial entre uma síndrome psicológica e uma neurológica. Consegue também verificar a recuperação cognitiva ou evolução de uma desordem neurológica.

Pode ser indicada quando a pessoa tem problemas para se concentrar ou tomar decisões. Na avaliação neuropsicológica o especialista avalia também:

  • a capacidade de pensar, compreender, aprender e lembrar;
  • a memória;
  • a função motora;
  • a habilidade verbal;
  • a capacidade de resolver problemas;
  • habilidades de leitura;
  • uso da linguagem e compreensão do que os outros dizem;
  • habilidades visuoespaciais;
  • humor e personalidade.

Como é realizada

O neuropsicólogo conversa com a pessoa ou familiar para entender o histórico médico para entender mais sobre o funcionamento cognitivo (mental).

São realizados testes que podem envolver escrever ou desenhar, resolver quebra-cabeças ou responder a perguntas.

A pessoa também preenche questionários sobre o seu humor e sintomas psicológicos. Depois, o neuropsicólogo escreve um relatório com os resultados e inclui as recomendações para melhorar a cognição e pode encaminhar para outros profissionais.

A duração da avaliação varia, podendo levar de uma a oito horas, dependendo do quadro e dificuldades da pessoa.

Para realizar o diagnóstico do autismo

Se uma criança está enfrentando dificuldades e os pais ou educadores suspeitam que ela tenha o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), uma avaliação neuropsicológica com certeza ajudará nesse processo.

A avaliação neuropsicológica pode contribuir para o diagnóstico correto do autismo. Normalmente, é realizada com base na observação, histórico e nas queixas do paciente e dos pais.

A avaliação da inteligência é fundamental para qualquer avaliação neuropsicológica. Mas, a análise do perfil cognitivo é muito mais importante do que a medição do quociente de inteligência (QI). Por isso, avaliam-se as funções cognitivas individuais da pessoa.

Quando envolvem crianças e adolescentes, geralmente a avaliação neuropsicológica é feita com a presença dos pais. Inicialmente são coletados os dados do paciente – e as perguntas abrangem desde o nascimento até os dias atuais.

Em seguida, os especialistas aplicam testes e usam ferramentas de diagnóstico para compreender as funções cognitivas, como funciona a memória, a atenção, o planejamento, entre outros fatores.

É comum também que o neuropsicólogo converse com outros profissionais que convivem com a criança como professores e pediatras para entender melhor como ela se comporta.

As pontuações dos testes são interpretadas no contexto de outras informações. Alguns déficits não podem ser quantificados. As habilidades sociais, por exemplo, são avaliadas em grande parte por meio da observação de comportamentos.

Após a conclusão da avaliação, os pais são orientados e os profissionais indicam as medidas e terapêuticas adequadas para cada caso.

Referências:

https://my.clevelandclinic.org/health/diagnostics/4893-neuropsychological-testing–assessment

https://www.aane.org/guidelines-neuropsychological-evaluations-children-teens/

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Quais são os tipos de Ensino em ABA?

A Análise de Comportamento Aplicada (ABA) trata-se de uma ciência comprovada que possibilita compreender as ações e habilidades no espectro autista. E também como elas podem ser influenciadas pelo meio ambiente.

Esta forma de intervenção, que já existe há mais de 50 anos, pode contribuir com uma melhora nas interações sociais, aprendizagem de novas competências e manter comportamentos positivos.

A ABA é uma ciência que estuda as leis que regem a interação do indivíduo com o ambiente e após uma análise dos comportamentos é possível traçar um plano de ação para modificá-los.

A maioria das pessoas acredita que a terapia ABA envolve uma série de exercícios repetitivos, resultando em uma forma específica de resposta e comportamentos rígidos. Porém, as técnicas aplicadas nem ABA são planejadas para cada autista de forma individualizada.

Os especialistas em ABA ensinam estratégias para tornar naturais as habilidades aprendidas em contextos terapêuticos.

As técnicas de ensino em ABA visam uma variedade de habilidades, incluindo resposta generalizada e comportamento criativo. Assim, um programa de qualidade ensinará as crianças a responder de maneira natural e criativa.

A seguir, veja detalhes de alguns tipos de técnicas de ensino da ciência ABA.

Ensino em ambiente natural

O ensino em ambiente natural é um método instrucional usado na terapia ABA que envolve trabalhar em um ambiente que a criança já está acostumada em sua vida cotidiana ou um ambiente que a criança prefere.

Ao usar este método, o terapeuta ensina habilidades por meio de brincadeiras. Por isso, requer que o terapeuta esteja muito ciente dos objetivos que seu aluno tem em seu repertório.

O ensino em ambiente natural ocorre quando há uma interação proposital com o ambiente para apoiar as habilidades que estão sendo treinadas.

Pesquisas indicam que o uso de ensino em ambiente natural aumenta a probabilidade de os alunos generalizarem suas habilidades ou usarem essas habilidades também fora da terapia.

Tentativa discreta

O Treinamento por Tentativa Discreta é uma prática baseada em evidências. Ela envolve fracionar as habilidades em suas partes mais básicas e ensiná-las às crianças, como se fosse um passo a passo.

As crianças recebem recompensas por todas as suas realizações, o que incentiva a aprender. É baseada na ciência ABA (Análise do Comportamento Aplicada).

Geralmente, é usado em crianças com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) com idade que varia de 2 a 6 anos, mas pode ser eficaz em pessoas de qualquer idade.

Pesquisas mostram que a tentativa discreta apresenta efeitos positivos no comportamento de crianças autistas. É ainda mais eficaz quando combinada com outras práticas baseadas na ABA.

Entre as ações, estão:

  • Treinar habilidades de fala e linguagem e habilidades necessárias da vida cotidiana como ensina a vestir, usar utensílios e seguir instruções ou regras;
  • Treinar habilidades de escrita;
  • Ensinar os pais a lidar com o comportamento dos filhos;
  • Esse tipo de intervenção foca na base de aprendizagem sem erros;

O local deve ser um ambiente sem distrações e as instruções devem ser claras, concisas e objetivas. O reforço deve ser imediato logo após cada resposta correta.

Ensino Incidental

O ensino incidental é geralmente usado com crianças de 2 a 9 anos para melhorar a linguagem e outras habilidades de comunicação em crianças autistas. Também visa ajudar as crianças a transferir habilidades de uma situação para outra e incentivá-las a iniciar conversas.

Foi a primeira técnica de ensino naturalista e oferece uma alternativa às técnicas tradicionais, que ensinam as habilidades em ambientes muito controlados.

O ensino incidental é baseado na ideia de que, se uma habilidade for recompensada, a criança a usará com mais frequência. Ele depende dos interesses naturais da criança como base para o aprendizado.

Pesquisas mostram que essa abordagem tem efeitos positivos no comportamento de crianças autistas.

Referências:

https://www.appliedbehavioranalysisprograms.com/lists/5-techniques-used-in-applied-behavior-analysis/

https://raisingchildren.net.au/autism/therapies-guide/incidental-teaching

https://www.special-learning.com/article/incidental_teaching

https://www.autismspeaks.org/applied-behavior-analysis

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Cuidado com a fake news: veja o que não trata o autismo

Se você tem um filho ou filha com Transtorno do Espectro do Autismo, provavelmente já ouviu alguma dica de tratamento milagroso que “cura” o Autismo. Primeiramente, vale a pena reforçar que o autismo não é uma doença, ou seja, não pode ser curado. E o que melhora as habilidades e qualidade de vida dos autistas são intervenções precoces e práticas baseadas em evidências.

Mas, o que não faltam são notícias falsas sobre o assunto que podem até mesmo colocar a saúde das crianças em risco. É muito importante que os pais e responsáveis fiquem atentos e tirem dúvidas com os profissionais  especialistas na área e sigam suas orientações.

Ao receber um diagnóstico de autismo, os pais podem ser influenciados a usar produtos inadequados como solução de um problema real. Muitos encontram informações falsas e buscam apoio em outros pais que, do mesmo modo, passam pela mesma situação.

Em conclusão, por falta de conhecimento, desespero ou medo, os pais podem cair nessas ciladas, se iludirem e complicar a saúde dos seus filhos.

Vale a pena reforçar que nenhum relato pessoal, mesmo de pessoas muito próximas, deve se comparar a estudos científicos  que levam anos para serem comprovados. É importante acreditar na ciência e nas pesquisas de instituições reconhecidas e que são realizadas em todo o mundo.

A seguir, veja detalhes de algumas fake news de tratamentos do autismo.

MMS

A sigla vem do inglês Mineral Miracle Solution (Solução Mineral Milagrosa “cura”) e é uma substância vendida como medicamento que possui uma composição parecida com a água sanitária.

Infelizmente, essa substância se tornou popular entre os familiares de pessoas com autismo. Alguns pais e cuidadores acreditam que as crianças poderiam ser curadas ao ingerir o MMS.

É importante esclarecer que não há comprovação científica dos benefícios do MMS para o autismo ou qualquer outra condição de saúde. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) até mesmo proibiu a venda do produto.

O falso medicamento é dado para as crianças via oral ou retal e podem fazer muito mal para o organismo. Alguns especialistas relatam que o uso contínuo deixa a pessoa debilitada, provoca picos de anemia e até morte.

Câmara hiperbárica

A técnica envolve respirar oxigênio em uma câmara pressurizada e com a intenção de melhorar os sintomas do autismo. É um recurso bastante caro, e não há nenhuma comprovação científica.

 

Quelação

Usa medicamentos pesados com a intenção de remover metais tóxicos. Supostamente, os metais seriam os responsáveis pelo autismo. Eles podem ser encontrados em várias formas: sprays, supositórios, cápsulas, gotas e banhos de argila.

Obviamente, não há comprovação científica sobre o assunto. Além disso, a quelação de minerais pode provocar problemas renais, hepáticos e até levar a uma parada cardíaca. É muito perigoso!

 

Ômega 3

Algumas pessoas acreditam que o suplemento ômega 3 poderia amenizar os sintomas de autismo.

No caso do ômega 3 supõe-se que ele contribui com o funcionamento do cérebro e reduz o déficit de linguagem em autistas. No entanto, não há nenhuma comprovação científica sobre os seus benefícios para os autistas.

Pelo contrário, diversos estudos apontam que a suplementação com ômega 3 não causou qualquer melhoria de sintomas em autistas como agressividade e hiperatividade, mesmo após seis meses de uso.

Além disso, os cientistas não encontraram evidências de que o ômega 3 melhore a interação social, a comunicação e os comportamentos estereotipados.

Intervenções na dieta

Há ainda a lenda de que realizar mudanças na alimentação pode curar o autismo. Muitas pessoas apostam em intervenções na dieta como excluir o glúten (presente nos cereais) ou a caseína (proteína do leite).

Algumas pessoas apresentam algum tipo de alergia a esses itens e não podem consumir os alimentos derivados. Mas, não existem evidências científicas que associam o glúten e a caseína ao autismo. Nem é possível afirmar que a dieta do autista deve ser alterada. Somente em casos de alergias ou intolerância.

É sempre importante fazer o acompanhamento com nutricionistas especialistas para que a pessoa tenha uma boa alimentação e mais saúde.

Dicas para evitar cair em golpes de tratamentos milagrosos

  • Desconfie de produtos que afirmam tratar uma ampla gama de doenças;
  • Os testemunhos pessoais não substituem as evidências científicas;
  • Poucas condições podem ser tratadas rapidamente. Portanto, desconfie de qualquer terapia alegada como uma “solução rápida”.
  • As chamadas “curas milagrosas”, que alegam ter ingredientes secretos, são provavelmente uma farsa.
  • Pode ser feito por qualquer pessoa sem qualificações.
  • Essas terapias “milagrosas” normalmente custam muito dinheiro e não são acessíveis.

Referências:

https://www.fda.gov/consumers/consumer-updates/be-aware-potentially-dangerous-products-and-therapies-claim-treat-autism

https://www.healthline.com/health-news/parents-warned-about-bleach-therapy-for-autism#4

https://www.nhs.uk/conditions/autism/autism-and-everyday-life/fake-and-harmful-treatments/

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Conheça algumas intervenções baseadas em evidências científicas para o autismo

Você já ouviu falar em intervenções baseadas em evidências para o autismo?

Resumidamente, trata-se de práticas ou procedimentos de instrução com resultados comprovados cientificamente, além de serem seguros.

Como já falamos algumas vezes, os autistas desenvolvem mais suas habilidades sociais e de comunicação quando são iniciados em intervenções precoces.

Essas estratégias podem ser aplicadas ao longo da vida e auxiliam nos comportamentos, na parte cognitiva e motora.

Além de contribuir com a preparação para a vida escolar, acadêmica, profissional e saúde mental do autista.

Abaixo, veja detalhes de 8 intervenções baseadas em evidências para o autismo.

Reforçamento

Muito usada na terapia ABA, trata-se de dar um estímulo para reforçar um comportamento adequado.

O reforço positivo leva em conta os gostos pessoais do autista. O reforço pode ser um elogio, um brinquedo, um abraço, um passeio, por exemplo. Mas deve ser apresentado logo após a execução do comportamento esperado.

 

PECS

Do inglês “Picture Exchange Communication System” (Sistema de Comunicação por Troca de Figuras), a intervenção utiliza recursos visuais como ferramenta para quem tem o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) poder se comunicar.

Seja para fazer um pedido, compartilhar um sentimento ou pensamento ou o que se deseje expressar, por meio do uso de imagens simples é possível estabelecer um diálogo estabelecido por uma criança ou adulto no espectro.

 

Extinção

Tem o objetivo de identificar a causa de um comportamento com a intenção de eliminá-lo, se ele não for adequado. É o caso de birras, gritos, choros, entre outros.

Para ser eficaz, é importante identificar o reforço que está mantendo aquele comportamento para retirá-lo.

Em seguida, é possível substituir um comportamento inadequado por um adequado, ensinando novas habilidades.

 

Integração sensorial

Pessoas com TEA podem ter dificuldades sensoriais que limitam suas habilidades no trabalho, família e lazer.

A prática de integração sensorial ajuda a criança com autismo a receber informações sensoriais que  organizam o sistema nervoso central. Com isso, melhora a resposta aos estímulos sensoriais.

Modelação

A modelagem em vídeo ou vídeo modelação trata-se de demonstrações gravadas em vídeo indicando uma habilidade ou comportamento para a criança ou jovem com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Pessoas com TEA costumam responder melhor a estímulos visuais. Ao assistir ao vídeo, elas entendem melhor como funcionam as habilidades ou comportamentos e passam a repeti-los.

Treino de habilidades sociais

Normalmente, os autistas não entendem como agir em determinadas situações sociais. Com o treino de habilidades sociais, o autista aprende as regras de jogos, como funciona uma conversa, a gerenciar suas emoções.

Aprendem também a fazer contato visual, a entender os sentimentos alheios, além de ter autocontrole e como resolver problemas, por exemplo.

Treinamento parental

Tem o intuito de sistematizar o repertório comportamental emitido pelos pais quanto ao manejo do comportamento dos filhos.

Dessa forma, são realizadas diversas orientações aos pais voltados ao comportamento, comunicação ou para fatores específicos relacionados ao sono, alimentação ou rotinas do autista.

 

Musicoterapia

Essa intervenção baseada em evidências científicas usa a música e seus componentes (melodia, harmonia e ritmo) para atender às necessidades físicas, emocionais, cognitivas e sociais dos autistas. Usa-se a música no contexto clínico, educacional e social.

Oferece caminhos de comunicação que podem ser úteis para aqueles que têm dificuldade em se expressar em palavras.

Os musicoterapeutas avaliam o bem-estar emocional, a saúde física, o funcionamento social, as habilidades de comunicação e as habilidades cognitivas por meio de respostas musicais.

 

Profissional capacitado e participação dos pais

Vale destacar que as intervenções baseadas em evidências devem ser realizadas por profissionais capacitados, especialistas em comportamento e principalmente em autismo.

As intervenções devem ser individualizadas, respeitando o autista. A família, responsáveis e professores também precisam acompanhar constantemente a evolução do autista. Muitas vezes, eles precisam realizar exercícios em casa ou na instituição de ensino.

E você, já conhecia essas intervenções baseadas em evidências? Não deixe de comentar!

Referências:

https://www.autismsociety-nc.org/treatment/

https://vcuautismcenter.org/resources/EBP.cfm

https://researchautism.org/use-of-evidence-based-practices/

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