Puberdade em adolescentes com TEA

A puberdade é uma fase muito importante e é o período de transição da fase infantil para a adolescência. E assim como ocorre com todas as pessoas, os autistas também vão passar por ela. Porém, pode ser que alguns precisem de suporte extra e orientações dos pais e cuidadores.

A puberdade normalmente começa entre 10-11 anos para meninas e entre 11-13 anos para meninos. Mas, é importante que desde cedo a criança autista seja acompanhada por profissionais que poderão auxiliar nesse processo de mudança.

Cabe aos pais, ter paciência para explicar as regras sociais de uma forma mais simples e nos mínimos detalhes para que o autista entenda como deve se comportar na sociedade.

A informação também deve ser passada de forma calma, clara e em um tom positivo. A criança ou jovem não deve ser sobrecarregada com as informações.

As crianças e os jovens autistas precisam aprender a diferença entre público e privado. E também como se comportar em cada ambiente, quais conversas são apropriadas, os hábitos de higiene e assuntos sobre sua sexualidade.

Mudanças corporais

O corpo de todas as pessoas muda durante a puberdade. Nos meninos há alterações na voz e crescimento do pênis. Já nas meninas, os seios crescem e a menstruação começa. E em ambos os sexos, a puberdade traz o crescimento de pelos, além da acne. 

Essas mudanças podem ser difíceis para qualquer pessoa. Mas para as crianças que estão no espectro do autismo essas mudanças corporais são bastante complexas.

Isso porque as pessoas com autismo geralmente não gostam de mudanças. Alguns pré-adolescentes e adolescentes têm dificuldade com a ideia de que seus corpos estão mudando.

É importante informar a seu filho com antecedência sobre as mudanças que ocorrerão quando ele atingir a puberdade.

O diálogo é fundamental e é preciso explicar situações práticas do dia a dia como ensinar sua filha a usar produtos de higiene feminina como absorventes ou que os meninos não devem se masturbar em público. 

Sexualidade

Durante a puberdade, a maioria das pessoas começa a ter desejo sexual. Mas para os autistas esses sentimentos podem ser confusos e causar ansiedade.

Os garotos também começam a se masturbar e podem não saber quando e onde é apropriado praticar. Pode ser útil comparar a masturbação com outras atividades que ele realiza sozinho em particular, como tomar banho ou ir ao banheiro.

Cabe aos pais discutir esse assunto com seu filho ou buscar ajuda especializada para iniciar a conversa.

É fundamental esclarecer que o sexo e a sexualidade são partes saudáveis ​​da vida. E as crianças e jovens com autismo devem se sentir à vontade para procurar os pais para ter informações sobre a sexualidade e seus sentimentos.

Outra questão é explicar sobre a segurança e os limites do corpo. A criança e jovem autista precisam entender a diferença entre “toque bom” e “toque ruim”.

Essa é uma maneira de ensinar onde e quando o corpo pode ser tocado, sempre com sua autorização. É uma forma de proteger a criança e jovem dos abusos sexuais e ensinar a respeitar seus corpos. É importante ensinar o contexto de um relacionamento sexual com uma linguagem adequada.

Relacionamentos amorosos

Geralmente, a paixão e os primeiros relacionamentos acontecem durante a puberdade. Os autistas, na maioria das vezes, desejam ter um relacionamento romântico e manter intimidade com outras pessoas.

No entanto, eles podem encontrar dificuldades de se relacionar e até mesmo enfrentar preconceitos. Isso porque há dificuldade de identificar seus sentimentos, de se comunicar e de reconhecer a linguagem corporal.

Mas, eles precisam entender desde cedo que podem (e devem) se envolver com outras pessoas e que essa interação é importante para seu desenvolvimento e que a troca e os relacionamentos amorosos serão fundamentais para seu amadurecimento.

Referências:

https://www.autismspeaks.org/expert-opinion/autism-teens-helping-your-child-through-puberty

https://autismawarenesscentre.com/teach-sexuality-person-asd

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Conheça a Síndrome do X Frágil

A Síndrome do X Frágil (ou Síndrome de Martin-Bell e que também é conhecido pelas siglas FXS ou SXF) é uma condição genética e hereditária que causa alguns problemas de desenvolvimento ou comportamentos, dificuldades de aprendizagem e comprometimento cognitivo. Essas pessoas também apresentam características físicas em comum e peculiares.

Geralmente, os homens são mais afetados por essa Síndrome: estima-se que aconteça aproximadamente em 1 a cada 4 mil homens e 1 em cada 8 mil mulheres. Depois da Síndrome de Down, a Síndrome do X Frágil é a síndrome genética que mais atinge crianças.

As crianças com a Síndrome do X Frágil apresentam atrasos no desenvolvimento da fala e da linguagem. A maioria tem deficiência intelectual que varia de leve a moderada. Alguns apresentam ansiedade em excesso e comportamento hiperativo. Estima-se que um terço dos indivíduos com Síndrome do X Frágil também tenham características do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). É bastante comum que pessoas com a Síndrome do X Frágil sejam diagnosticadas com Autismo, TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade), Síndrome de Asperger, entre outras condições.

Causas

A Síndrome do X Frágil é causada por mutações no gene FMR1, que é responsável pela produção da proteína FMRP (Fragile X Mental Retardation). Esta proteína regula a produção de outras que são responsáveis pelo desenvolvimento conexões entre as células nervosas conhecidas como sinapses. Geralmente, a perda dessa proteína prejudica as funções do sistema nervoso, o que ocasiona os sintomas da Síndrome do X Frágil.

Por ser uma desordem ligada ao cromossomo X, que é de caráter dominante, se um dos pais for portador da pré-mutação, já é o suficiente para que a criança receba uma cópia do gene defeituoso e manifeste a Síndrome.

Sintomas

As pessoas com a Síndrome podem apresentar uma combinação dos seguintes sintomas quando crianças e ao longo da vida:

  • atrasos no desenvolvimento, como levar mais tempo do que o normal para sentar, andar ou falar em comparação com outras crianças da mesma idade;
  • engasgar com facilidade;
  • dificuldade em aprender novas habilidades;
  • impulsividade;
  • dificuldades de atenção;
  • não fazer contato visual com outras pessoas, não gostar de ser tocado e dificuldade para entender a linguagem corporal;
  • hiperatividade;
  • morder as mãos (a ponto de causar ferimentos);
  • convulsões;
  • depressão ou baixa autoestima;
  • imitar as pessoas;
  • dificuldade para dormir;
  • a partir da adolescência, os homens podem ter macro-orquidia, ou seja, um aumento anormal dos testículos;
  • mulheres podem apresentar infertilidade.

Algumas pessoas têm características físicas peculiares, tais como:

  • uma testa grande com uma mandíbula proeminente;
  • um rosto alongado;
  • orelhas salientes e de abano;
  • articulações flexíveis;
  • pé chato.

Diagnóstico e tratamento

Para ter o diagnóstico correto, é preciso realizar uma avaliação clínica para identificar os sinais da Síndrome. Também pode ser solicitado análise de DNA por meio de amostras de sangue (testes genéticos). O diagnóstico pode ser realizado durante o primeiro trimestre da gestação através de testes genéticos que analisam o DNA e verificam se os fetos são portadores de mutação completa do gene FRM1.

O tratamento é realizado por uma equipe de profissionais, tais como pediatras, neurologistas, psiquiatras, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais. Não há cura para a Síndrome, pois ela não é uma doença, mas há formas de desenvolver as potencialidades da criança nos ambientes em que ela convive.

Há alguns medicamentos que podem ser prescritos para melhorar a qualidade de vida das pessoas com a Síndrome. Entre eles, destacam-se os antidepressivos, os estabilizantes do humor e os que aliviam os sintomas. Acompanhamentos pedagógicos e psicológicos favorecem o desempenho escolar.

Quanto antes for realizado o diagnóstico, a resposta ao tratamento funciona de forma mais eficaz. Estima-se que entre 80% e 90% das pessoas com X Frágil ainda não foram diagnosticadas.

Referências:

https://www.webmd.com/children/what-is-fragile-x-syndrome#1

https://fragilex.org.au/what-is-fragile-x/

https://www.genome.gov/19518828/learning-about-fragile-x-syndrome/

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Saiba mais sobre o Transtorno Dissociativo de Identidade

O Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI) é uma condição considerada rara e trata-se da presença de duas ou mais identidades na mesma pessoa, ou seja, apresenta múltiplas personalidades.

Essa mudança de identidade costuma aparecer em circunstâncias específicas, geralmente desencadeadas por estresse emocional. Normalmente, ocorre após um grande trauma sofrido pela pessoa ainda na infância. É o caso de abusos sexuais, físicos ou psíquicos.

Depois desses abusos, as crianças desenvolvem outras personalidades com o objetivo de se defender dessa situação traumática. É como se fosse uma estratégia de autodefesa para suportar os momentos de dor e angústia.

Sabe-se que quem tem deficiência intelectual ou um transtorno de personalidade, como borderline, também é mais vulnerável a desenvolver a condição, pois costuma ter uma resiliência menor.

O Transtorno pode se manifestar em qualquer idade. Estima-se que cerca de 2% das pessoas sofrem de transtornos dissociativos no mundo.

Sintomas do TDI

A pessoa apresenta várias personalidades que costumam assumir o controle de seu comportamento. Elas frequentemente experimentam uma perda de memória do que aconteceu enquanto outra personalidade estava no controle.

Cada personalidade tem um conjunto distinto de características, história pessoal e maneira de se relacionar com o mundo. Assim, podem ter nomes, gêneros e preferências diferentes dos da personalidade central do indivíduo.

O impacto dos sintomas de TDI na qualidade de vida de uma pessoa pode variar bastante, de acordo com número de alterações que ela tem, sua situação social e se há outras condições de saúde.

Outros sintomas que uma pessoa com TDI incluem:

  • Incapacidade de recordar memórias de infância e história pessoal;
  • Sentimentos de desapego ou desconexão;
  • Flashbacks ou o retorno repentino de memórias previamente esquecidas;
  • Alucinações;
  • Falta de conhecimento sobre eventos recentes;
  • Pensamentos de automutilação ou suicídio;
  • Convulsões;
  • Estresse agudo, ansiedade, angústia e depressão.

Como é realizado o diagnóstico?

Viver com TDI pode ser frustrante e assustador. Muitas pessoas não recebem o diagnóstico correto até que se tornem adultas, o que aumenta ainda mais o sofrimento.

Tanto adultos quanto crianças são diagnosticados por meio dos critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª Edição (DSM-5). São eles:

  • A presença de duas ou mais identidades ou personalidades distintas, cada uma com seu próprio padrão de interpretação e relacionamento com o meio ambiente;
  • Essas personalidades perturbam a identidade, comportamento, consciência, memória, percepção, cognição ou sentidos da pessoa;
  • A amnésia que limita o quanto uma pessoa pode se lembrar sobre eventos traumáticos e fatos do dia a dia;
  • Os sintomas não ocorrem devido ao uso de nenhuma substância, como álcool ou medicamentos;
  • Apresentam sintomas que causam sofrimento significativo nos ambientes de trabalho e sociais;
  • Sentimentos de desapego (dissociação).

Formas de tratamento

O tratamento para o transtorno dissociativo de identidade geralmente envolve psicoterapia e medicamentos para controlar os sintomas de ansiedade e depressão.

A terapia comportamental ajuda a pessoa a processar memórias traumáticas, a melhorar o relacionamento com os outros e a desenvolver habilidades para enfrentar a situação.

Vale destacar que o objetivo da terapia é ajudar todas as personalidades a viver e trabalhar juntas de forma harmoniosa. E também fazer com que a pessoa consiga identificar o que faz com que as personalidades mudem para que ela se sinta preparada.

Não existe um medicamento específico para tratar esse Transtorno, mas os antidepressivos e os ansiolíticos podem ser usados ​​para tratar os sintomas que costumam surgir com a condição como depressão e ansiedade. 

Isso porque ocorre um estigma social em torno dessas pessoas, que muitas vezes se sentem sozinhas, culpadas e deprimidas.

Pessoas com TDI têm mais chances de tentar suicídio e automutilação. Por isso, o diagnóstico correto e o tratamento imediato são fundamentais e podem salvar vidas.

Referências:

https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/dissociative-disorders/symptoms-causes/syc-20355215

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2719457/

https://www.nhs.uk/conditions/dissociative-disorders/

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Como-desenvolver-a-teoria-da-mente-Veja-dicas-de-atividades

Como desenvolver a teoria da mente? Dicas de atividades

A teoria da mente é a habilidade de atribuir estados mentais – crenças, intenções, desejos a si próprio e aos outros. É compreender que os outros possuem crenças, desejos e intenções que são distintas das nossas. Resumidamente, é como alguém pensa e reage aos pensamentos de outras pessoas.

A teoria da mente é muito importante para o desenvolvimento infantil. Crianças muito pequenas muitas vezes, não conseguem pensar sobre os estados mentais dos outros.

No entanto, para interagir com outras pessoas, é necessário ser capaz de compreender seus estados mentais e pensar sobre como isso pode influenciar suas ações.

Estágios da teoria da mente

  • Entender que as razões pelas quais as pessoas podem querer algo podem ser diferentes de uma pessoa para outra.
  • Compreender que as pessoas podem ter crenças diferentes sobre a mesma situação.
  • Entender que as pessoas podem não compreender ou ter o conhecimento de que algo é verdadeiro.
  • Compreender que as pessoas podem ter falsas crenças sobre o mundo.
  • Entender que as pessoas podem ter emoções ocultas ou que podem agir de uma maneira enquanto se sentem de outra forma.

As pessoas diagnosticadas com autismo podem ter problemas para interpretar a teoria da mente. Isso porque sentem mais dificuldades de entender os sentimentos e pensamentos alheios, interpretar expressões faciais, entender as regras sociais e expressar suas próprias emoções.

Atividades que contribuem com a teoria da mente

A maneira como os pais e cuidadores conversam e brincam com seus filhos pode ajudá-los a compreender os pensamentos e sentimentos dos outros e também a ter mais empatia.

Veja abaixo sete atividades para ajudar a criança a desenvolver a Teoria da Mente.

1. Fantoches ou bonecos: brincar de simulação ajuda a criança a encenar conversas e vivenciar diferentes cenários. É possível encenar discussões, conversas, negociações e expressar sentimentos. Ajuda na compreensão de que as pessoas podem ter pensamentos, sentimentos e crenças diferentes dos nossos.

2. Leitura de livros: a criança pode ser estimulada a falar o que acha dos personagens da história e o que vai acontecer a seguir. É uma forma de ela ter empatia, se colocar no lugar do outro e explorar finais alternativos para a história ou diferentes cenários.

3. Histórias de faz de conta: invente histórias cheias de surpresas, piadas, inferências e conflitos. Também é interessante contar piadas ou usar metáforas para explicar que podemos dizer coisas em que não acreditamos necessariamente ou que não são necessariamente verdadeiras.

4. Explicar comportamentos do dia a dia: é importante falar sobre as emoções e pensamentos de outras pessoas e explicar as razões pelas quais alguém se comporta de determinada forma. E também como suas ações podem afetar os sentimentos das pessoas ao seu redor.

É necessário usar uma linguagem acessível e dar exemplos do dia a dia da criança. Exemplos: quando ela tira o brinquedo de uma criança sem pedir permissão ou se agride um coleguinha durante uma brincadeira. Mostrar que as pessoas ficam chateadas e se magoam com essas atitudes.

Cada vez que você interage e conversa com seu filho, você tem a oportunidade de colocar em palavras o que você está pensando e sentindo.

5. Esconde-esconde: se você tiver um espaço para jogar, considere adicionar essa brincadeira que permite mais movimento. É uma oportunidade de a criança ser estimulada a procurar pelo outro, disputar espaço e superar seus limites.

6. Vídeos e desenhos: coloque os vídeos ou desenhos prediletos para a criança assistir e pause por alguns momentos. Converse com a criança e pergunte o que ela acha que vai acontecer e o que as pessoas estão olhando ou pensando.

7. Observe os gostos de seu filho: para se conectar, as crianças precisam prestar atenção nas outras pessoas. Isso não pode acontecer se o pai ou a mãe estiver falando ou brincando com algo que seu filho não está interessado ou em que não está atento. Por isso, é necessário observar os interesses da criança.

Imagine o que seu filho está querendo, pensando ou sentindo, e fale algo sobre isso, como “Entendi, você quer ver TV”, “Não se preocupe. Você já vai brincar no quintal”.

Referências:

https://www.simplypsychology.org/theory-of-mind.html

https://www.verywellmind.com/theory-of-mind-4176826

https://blog.medel.com/develop-childs-theory-of-mind-skills

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Transtornos Específicos de Aprendizagem: Características e sinais

Transtornos Específicos de Aprendizagem: Características e sinais

Muitas crianças ou jovens apresentam dificuldades para ler, escrever ou realizar outras tarefas relacionadas à aprendizagem em algum momento do período escolar. Essa dificuldade pode ser uma simples dificuldade que a pessoa tem naquele momento, mas também pode ser um Transtorno de Aprendizagem, ou seja, o cérebro da pessoa não recebe, não processa, analisa ou armazena informações de forma adequada.

Mas antes de entrar nos Transtornos de Aprendizagem é importante a gente diferenciar o transtorno de aprendizagem da dificuldade de aprendizagem.

A dificuldade de aprendizagem é uma condição passageira que acontece em um determinado momento da vida da criança por algum motivo externo, alguma influência externa que dificulta o processo de aprendizagem. Por exemplo, questões emocionais, problemas familiares, alimentação inadequada, ambiente desfavorável entre outras.

O transtorno de aprendizagem é uma condição neurológica que afeta a aprendizagem e o processamento de informações. Diferente da dificuldade de aprendizagem, o transtorno de aprendizagem é uma condição permanente.

Bom, então agora que diferenciamos dificuldade de aprendizagem de transtorno de aprendizagem vamos falar sobre os Transtornos de Aprendizagem. São transtornos específicos de aprendizagem. Por que ? Porque ele afeta habilidades especificas. A pessoa aprende todo o resto, ela não tem nenhuma deficiência intelectual, uma questão cognitiva. NÃO. A pessoa apresenta uma dificuldade em uma questão pontual. Especifica. E por isso é chamado de Transtorno especifico de aprendizagem ok?

De acordo com o DSM-5, que é o Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais, esses transtornos de aprendizagem  podem ser classificados como leves, moderados ou graves.

Se o diagnóstico demorar a acontecer ou não ocorrer, a pessoa pode ser prejudicada. É comum que tenham baixa autoestima, baixo rendimento escolar, depressão, dificuldades para se relacionar ou até mesmo já na fase adulta dificuldades em manter um emprego.

É muito importante que os sintomas sejam reconhecidos pelos pais e profissionais da saúde e educação para que o diagnóstico ocorra o quanto antes.

Então agora vamos falar sobre os Transtornos Específicos de Aprendizagem.

O transtorno mais comum é Transtorno de leitura, conhecido como Dislexia: 

A dislexia considerada um transtorno especifico de aprendizagem de origem neurobiológica. Ela geralmente afeta o desempenho escolar da criança.

Mas não tem nenhuma alteração sensorial ou cognitiva envolvida que justifique as dificuldades apresentadas.

Pessoas disléxicas tem dificuldade na leitura, no reconhecimento de palavras e tem problemas de decodificação. Então é um transtorno que afeta habilidades básicas de leitura e linguagem.

Quando estão em idade escolar, crianças com dislexia geralmente tem seu desempenho na aprendizagem comprometido devido às limitações decorrentes deste transtorno e Por isso que geralmente o diagnóstico acontece nos primeiros anos de escola.

Entre os sintomas também podemos observar:

atraso do desenvolvimento da fala, lentidão na aprendizagem, dificuldade de concentração, palavras são escritas de forma estranha, dificuldade de soletrar, erro de pronuncia, troca de letras por conta de sons ou grafias parecidas,  dificuldade de ler em voz alta, a leitura oral é devagar e incorreta, vocabulário reduzido, problemas na hora de compreender um texto. Entre outras dificuldades envolvendo linguagem oral, escrita e leitura…

A dislexia é o transtorno de aprendizagem de maior incidência. Atinge entre 5 e 17% da população mundial.

Vamos falar um pouquinho sobre os sinas da dislexia.

Alguns sinais no período Pré-escolar:

  • Dispersão;
  • Pouco desenvolvimento da atenção;
  • Atraso do desenvolvimento da fala e da linguagem
  • Dificuldade de aprender canções e rimas;
  • Dificuldade com quebra-cabeças;
  • Problemas no desenvolvimento da coordenação motora;

Alguns sinais na Idade Escolar:

  • Desatenção e dispersão;
  • Dificuldade em copiar de livros e da lousa;
  • Vocabulário pobre, com sentenças curtas ou longas e vagas;
  • Confusão para nomear entre esquerda e direita;
  • Dificuldade na aquisição da leitura e da escrita;
  • Dificuldade na coordenação grossa e fina. No caso da grossa seria por exemplo dificuldade de dançar. E No caso da fina dificuldade de fazer letras, desenhos, pinturas entre outras.
  • Dificuldade de organização temporal e espacial.

O diagnóstico da dislexia é realizado através de consultas com entrevistas para saber as queixas e os sintomas da pessoa. Uma Avaliação Multidisciplinar com Psicóloga/Neuropsicóloga,  Fonoaudióloga/Psicopedagoga e neuropediatra.  É importante realizar Exames de Processamento Auditivo e Audiometria também para descarta outros diagnósticos.

O tratamento é multidisciplinar e visa ajudar a pessoa disléxica a superar, na medida do possível, o comprometimento que tem. Muitas crianças com dislexia podem ter excelentes resultados na escola com tutores né, um Professor de apoio e com adaptação e programas de educação especializados.

Discalculia  ou Transtorno de matemática

Ocorre quando a pessoa encontra dificuldades com números e na compreensão dos exercícios de matemática. Esse transtorno afeta a habilidade da criança de realizar cálculos matemáticos, entender conceitos numéricos e até dificuldades na identificação visual e auditiva de números.

Etimologicamente, discalculia deriva de “dis” (desvio) + “calculare” (calcular, contar), ou seja, é “um distúrbio de aprendizagem que interfere nas competências de matemática.

Pode gerar muito sofrimento e atrapalha a rotina do dia a dia. A pessoa com discalculia tem dificuldade de contar, sente dificuldade em lidar com o dinheiro, não entende as horas, não consegue estimar medidas, apresenta dificuldade na leitura dos números….

Outros sintomas que podem se apresentar na discalculia:

  • Senso numérico fraco;
  • Dificuldade para estimar quantidades;
  • Dificuldade para contar de trás pra frente;
  • Dificuldade para guardar números na memória;
  • Ansiedade relacionada à matemática e qualquer outra atividade que envolva números;
  • Lentidão para fazer cálculos;
  • Dificuldade para calcular o tempo.

Estima-se que entre 3% e 6% da população mundial apresente discalculia.

O diagnóstico é realizado através de avaliação multidisciplinar com o envolvimento de especialistas nas áreas de psicopedagogia, neuropsicologia e neuropediatria.  A pessoa tem nível intelectual integro, não apresenta deficiência intelectual e ela precisar ter tido acesso a aprendizagem.

Em relação ao tratamento, não existem medicações para discalculia. O tratamento é baseado em adaptação curricular e suporte psicopedagógico. A escola precisa fazer modificações no conteúdo, para facilitar a aprendizagem da matemática.

Disgrafia

A Disgrafia deriva dos conceitos “dis” (desvio) + “grafia” (escrita), ou seja, é um transtorno que afeta a qualidade da escrita, no que se refere ao seu traçado ou à grafia.

Então a criança apresenta dificuldade com a ortografia e caligrafia. Muitas vezes as pessoas acham que aquela criança tem apenas a letra feia, mas na verdade ela tem disgrafia.

Alguns sinais da disgrafia são:

  • Letras muito largas, muito pequenas, ou com tamanho inconsistente;
  • Uso incorreto de letras maiúsculas e minúsculas;
  • Letras sobrepostas;
  • Espaçamento inconsistente entre letras;
  • Alinhamento incorreto;
  • Falta de fluência na escrita
  • Inclinação inconsistente;
  • Apresentam uma desorganização para escrever
  • Ritmo da Escrita muito lento ou muito rápido

Para ajudar um aluno com disgrafia – assim como com qualquer outro transtorno de aprendizagem – o professor precisa estabelecer uma boa relação com a criança e fazê-lá perceber que a sua presença é importante para a apoia-la quando mais precisa e o professor deve tentar:

reduzir o impacto que a escrita tem na aprendizagem ou na expressão do conhecimento, ou seja, adaptar as atividades

Adaptação seria, por exemplo fazer exercício oral com esse aluno, preparar exercício de múltipla escolha.

intervir, fornecer instruções e oportunidades para melhorar a caligrafia.

Disortografia:

A disortografia é uma dificuldade centrada na estruturação, organização e produção de textos escritos.  A criança não consegue escrever as palavras de forma correta.

Etimologicamente, disortografia deriva dos conceitos “dis” (desvio) + “orto” (correto) + “grafia” (escrita), ou seja, é uma dificuldade manifestada por “um conjunto de erros da escrita que afetam a palavra, mas não o traçado ou a grafia né. Uma criança com disortografia não é necessariamente digráfica.

Uma criança com disortografia demonstra, geralmente, falta de vontade para escrever. Escreve textos reduzidos, com uma organização pobre e pontuação inadequada. Os textos apresentam muitos erros gramaticais também.

A intervenção junto de alunos com disortografia não deve obedecer a um único modelo em concreto, mas sim a uma variedade de técnicas que tenham em conta não apenas a correção dos erros ortográficos, mas também a percepção auditiva, visual e espaciotemporal para ajudar na organização.

Transtorno de Aprendizagem não verbal (TANV)

O TANV é um transtorno no qual a criança apresenta prejuízos na cognição viso espacial, coordenação motora, percepção sensorial, nas habilidades sociais e na comunicação não verbal. Muitas pessoas não conhecem o TANV e muitas vezes pode ser confundindo com autismo.

A criança com TANV pode apresentar disfunções nas seguintes áreas:

  • Deficiências de percepção tátil e visual
  • Alterações psicomotoras e dificuldades de distinção entre direita e esquerda e de orientação viso espacial
  • Problemas de equilíbrio
  • Dificuldades no entendimento de metáforas
  • Há dificuldades na memória visual e tátil
  • Dificuldades em relação à comunicação não verbal (interpretação de gestos, expressões faciais, mensagens implícitas), problemas de percepção e interação no contexto social, com dificuldades de adaptação a novos ambientes.
  • Não consegue dar sinais visuais, não conseguem expressar o que estão sentindo. E eles não percebem o nosso tom de voz e expressão facial.

Em relação ao tratamento, o  mais indicado é que a intervenção seja realizada por uma equipe interdisciplinar, englobando os aspectos psicológicos, pedagógicos e fonoaudiológicos. A TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental) é indicada, ou mesmo outras terapias que permitam o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento e de habilidades sociais.

Agora vamos falar um pouco sobre outras duas condições que NÃO são consideradas Transtornos de Aprendizagem mas que impactam negativamente e atrapalham o processo do aprendizado:

Transtorno do Processamento Auditivo Central

O transtorno do processamento auditivo NÃO é um tipo de transtorno de aprendizagem, mas o aluno pode apresentar uma dificuldade de aprendizagem por conta deste transtorno.

Ele é conhecido também como Disfunção Auditiva Central e afeta as vias centrais da audição. Ele atinge as áreas do cérebro relacionadas às habilidades auditivas e dificulta a interpretação das informações sonoras. Então, a pessoa não é surda, ela ouve, mas ela tem dificuldade em interpretar a mensagem recebida.

Então o aluno com esse transtorno muitas vezes ele parecer não ouvir, sente cansaço nas aulas, pode ser mais distraído e o professor pode ter que repetir várias vezes as lições,  ele Fala muito “Hã?”, “O que?”, ou “Não entendi!”? Demora para escutar e/ou compreender o que foi dito e claro isso pode impactar diretamente na aprendizagem.

O transtorno do processamento auditivo pode ser provocado por múltiplas causas. As mais comuns são os problemas origem genética, lesões cerebrais ou traumatismo craniano, além da presença de outros distúrbios neurológicos ou por envelhecimento natural do cérebro.

Após percebidos os sinais do transtorno do processamento auditivo central, é fundamental procurar um otorrinolaringologista. Normalmente, uma equipe multidisciplinar, composta, em geral, por neurologistas, otorrinolaringologistas, audiologistas e fonoaudiólogos deve analisar o caso, fazer os exames necessários para fechar o diagnóstico e fazer o planejamento terapêutico.

Algumas estratégias para ajudar na comunicação com os alunos com transtorno do processamento auditivo central e no processo de aprendizagem:

  • Melhorar a acústica da sala de aula;
  • A posição da criança em sala de aula deve ser sempre perto do professor, preferencialmente na frente do professor;
  • O professor deve articular bem as palavras e aumentar a voz, sem gritar;
  • Na explicação de uma matéria falar com frases curtas, sempre devagar e com palavras de fácil entendimento;
  • Se possível dar como apoio ao aluno uma associação visual para aquela determinada explicação;
  • Se possível ter ajuda individual;
  • Uso de recurso visual simultâneo a mensagem auditiva pode ajudar na memorização;
  • Lista do vocabulário chave: escrever na lousa palavras-chave do novo material e das instruções; 
  • Monitorar a compreensão e o progresso da criança sempre pedindo para que ele repita o que lhe foi pedido ou proposto, ou fazendo perguntas relativas à matéria estudada, assim é possível avaliar sua compreensão.

Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH):

O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento bastante comum. A pessoa apresenta desatenção, hiperatividade e impulsividade. o TDAH geralmente surge na infância e acompanha a pessoa por toda a vida.

O diagnóstico geralmente ocorre quando a criança tem entre 6 e 12 anos ou logo após ingressar na escola. Estima-se que o TDAH atinja cerca de 3 a 5% das crianças em todo o mundo.

O desempenho na escola pode ser inferior ao de outras crianças, mas não devido a sua capacidade intelectual, e sim ao seu comportamento hiperativo e desatento e por isso não é o Transtorno de Aprendizagem. Mas afeta o processo de aprendizagem.

E como é feito o diagnóstico do TDAH? Geralmente, os pais ou professores suspeitam do transtorno e procuram ajuda de um pediatra. E avaliando os sintomas e o histórico da criança, chega-se a um diagnóstico.

O tratamento precoce é fundamental para melhorar a qualidade de vida de quem tem o TDAH. Ele costuma ser multidisciplinar, ou  seja, conta com o apoio de diversos especialistas como psicólogos, pediatras, psiquiatras, neurologistas, fonoaudiólogos e profissionais da área pedagógica. Alguns medicamentos podem ser indicados para controlar os sintomas.

Os pais também precisam receber orientações para lidar com uma criança com TDAH. Elas precisam ser valorizadas, elogiadas e ter a autoestima preservada.

Recapitulando, como é o tratamento dos transtornos de aprendizagem?

Cada um tem uma abordagem terapêutica distinta, mas geralmente ocorrem intervenções de diversos profissionais. Em alguns casos, pode ser necessário a presença de um psicopedagogo, psicólogos, fonoaudiólogos e o tratamento com medicamentos para melhorar os sintomas que estão atrapalhando a qualidade de vida dessas pessoas.

Se você tem dúvidas ou acredita que você ou algum membro da família pode apresentar sinais que indicam algum Transtorno de Aprendizagem, converse com seu médico. Busque se informar.

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Como o Transtorno Opositor Desafiador afeta o desenvolvimento do autista

O Transtorno Opositor Desafiador (TOD) é uma condição bastante comum na infância e pode ser uma comorbidade associada ao autismo. Sendo assim, as duas condições podem aparecer ao mesmo tempo na pessoa.

O TOD afeta muito o comportamento da criança ou do adolescente com autismo e isso pode comprometer o seu desenvolvimento.

É comum que as pessoas com TOD fiquem mais irritadas, apresentem padrões persistentes de comportamentos negativistas, sejam mais desobedientes e desafiem as regras e os pais com frequência.

Tanto o TOD quanto o autismo podem causar comportamentos inadequados em relação a si mesmos ou às outras pessoas. É possível que as crianças diagnosticadas com qualquer um dos transtornos (ou ambos) sintam dificuldade para se adaptar aos ambientes e fazer amizades.

Por isso, quando ambos os transtornos se manifestam, a interação social da criança torna-se ainda mais difícil.

Causas do TOD

Não há uma causa conhecida para o TOD. Os especialistas acreditam que pode ser uma combinação de fatores hereditários e ambientais. Conviver em um ambiente familiar conturbado e ambíguo pode contribuir para o surgimento do Transtorno.

Há casos em que existe uma disposição ou temperamento natural de uma criança por questões genéticas e também problemas com os pais que podem envolver falta de supervisão, pouca ou muita disciplina ou negligência.

Quais são os sintomas?

Os sintomas de TOD costumam surgir quando a criança tem entre 6 a 8 anos de idade. A criança adota uma postura de teimosia frequente, além de hostilidade e lado desafiador. Esses comportamentos podem comprometer as intervenções precoces como ABA, por exemplo.

É muito importante realizar um diagnóstico o quanto antes para começar as intervenções precoces. Ações para controlar os sintomas são fundamentais para aumentar a qualidade de vida da pessoa com TOD e autismo e melhorar seu comportamento. Além de prevenir que o quadro evolua para um Transtorno de Conduta.

Uma criança autista e opositora, por exemplo, pode demorar a receber o diagnóstico de ambos os transtornos. E assim, leva mais tempo para começar as terapêuticas adequadas que o ajudam a desenvolver suas habilidades sociais.

Alguns sinais incluem:

  • Teimosia exagerada;
  • Resistência a cumprir com as regras e combinados;
  • A criança incomoda e perturba as pessoas de forma proposital;
  • São hostis e irritados;
  • São desobedientes;
  • Podem agredir verbalmente familiares;
  • Responsabiliza os outros por seus erros ou mau comportamento;
  • É comum que se aborreça sem motivos;
  • Apresentam surtos de raiva e tendência vingativa.

O que pode ser feito?

Após a confirmação do duplo diagnóstico, é importante que os pais e cuidadores sigam as instruções dos especialistas consultados como neurologista ou psiquiatra infantil. Esses profissionais estão preparados para perceber os sintomas e indicar o melhor tratamento.

O tratamento pode incluir psicoterapia para melhorar as habilidades de resolução de problemas, de comunicação e controle de impulso. Também poderá ser prescrita alguma medicaçãopara regular as emoções da criança ou jovem.

Consequências sem intervenções adequadas

As crianças e adolescentes com transtorno desafiador de oposição e também com autismo podem ter problemas familiares, nos relacionamentos e na escola, caso não recebam um tratamento/apoio adequado.

Sabe-se que as crianças com TOD e autismo podem ter dificuldade em fazer e manter os amigos e os relacionamentos de forma geral. Além disso, pode afetar o seu desempenho escolar e aprendizagem.

Em alguns casos, o diagnóstico de TOD pode se agravar até desenvolver um transtorno de conduta, que é um quadro mais grave de transtorno de comportamento.

Nesses casos, apresentam comportamentos ainda mais agressivos, violam as leis e podem ser cruéis ou violentos com os animais e as pessoas, por exemplo.

Referências:

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28713321/

https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/oppositional-defiant-disorder/symptoms-causes/syc-20375831

https://childmind.org/article/what-is-odd-oppositional-defiant-disorder/

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Como contribuir com o aprendizado de leitura e escrita no autismo

Saber ler e escrever pode ser bastante difícil para as crianças. Mas, esse aprendizado é fundamental para qualquer pessoa, pois além de ser útil para o dia a dia, é fundamental para autonomia, independência e até autoestima.

No caso de pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) elas enfrentam desafios específicos em relação ao processo de aprendizagem. Já falamos que é bastante comum que as crianças com autismo apresentem dificuldades em aprender de formas tradicionais. Isso ocorre simplesmente porque seus cérebros processam as informações de maneira diferente do que o de crianças neurotípicas. E quanto antes a criança for estimulada, mais fácil será sua aprendizagem.

A escrita é um desafio para muitos estudantes autistas porque envolve coordenação, força muscular, planejamento motor, habilidades de linguagem, organização e questões sensoriais.  Por isso, podem apresentar uma caligrafia ilegível, não conseguem segurar o lápis ou a caneta e sentem dificuldade para começar a escrever.

No caso da leitura, algumas crianças com TEA não conseguem prestar atenção ou focar em algo por muito tempo, o que dificulta o aprendizado. E também há a questão dos autistas terem dificuldade em assimilar e memorizar sequências, como longas frases, números ou instruções em várias etapas. Tudo isso se torna um desafio para a compreensão de textos.

Sejam quais forem as características da criança com autismo, há técnicas que podem ajudar no aprendizado, na leitura e escrita. É possível realizar estímulos simples e estabelecer conexões com a rotina da criança para envolvê-la no processo de aprendizado. Quando se trata de ensinar crianças com autismo, a abordagem tradicional pode não funcionar – muitas delas são mais visuais, algumas dependem de sons para aprender, enquanto outras requerem técnicas de aprendizagem multissensoriais.

Uma das situações  mais importantes que você pode fazer para ajudar uma criança autista a ler é promover o interesse na leitura. Cabe aos pais e cuidadores, incentivarem desde cedo as crianças a se interessar por livros e leitura. Sempre que possível leia uma história para a criança com TEA  e pergunte se ela gostou e entendeu o tema proposto.

Apoiar o desenvolvimento de habilidades das pessoas com TEA requer estrutura e paciência, mas o mais importante nesse processo é ter o  reconhecimento de o quanto ela evoluiu. Veja, a seguir, algumas dicas.

– Foque no interesse da criança: é comum que as crianças autistas mostrem interesse por alguma área específica. Por isso, invista em livros temáticos como brinquedos, animais, super-heróis, entre outros.

– Proporcione um bom ambiente de estudo: algumas crianças com TEA podem ser mais sensíveis aos lugares, sons, luz e até imagens. Por isso, as crianças precisam de um local adequado para estudar, sem distrações, onde possam se sentir relaxadas e confortáveis.

– Um passo de cada vez: é importante que a aprendizagem seja mais simples para os alunos no espectro. Por isso, as orientações devem ser diretas e curtas. O aprendizado deve ser realizado em várias etapas simples, sendo assim dê tempo e espaço para que a pessoa com TEA processe cada etapa.

– Estar presente e acompanhar o desempenho escolar: os pais precisam se atentar se os filhos com TEA estão recebendo o melhor apoio dos professores e instituições de ensino. Por isso, precisam ficar de olho na metodologia utilizada, se a criança está integrada com os alunos e se suas limitações e dificuldades estão sendo atendidas. Sempre que possível participe das reuniões e converse com os responsáveis pela educação da criança com TEA. O aprendizado das crianças com TEA depende de profissionais capacitados e que podem ser de diferentes áreas como psicopedagogos, fonoaudiólogos, neuropediatras, professores, entre outros.

– Conhecer as técnicas: é importante saber quais são os métodos utilizados pelas instituições de ensino no processo de aprendizagem. A metodologia fônica, por exemplo, é um método que se mostra bastante eficaz. Consiste em focar no som das letras e não apenas no nome. Por isso, também são trabalhadas a sonorização das letras. Essa técnica costuma funcionar porque a criança passa a assimilar o som de maneira mais eficiente.

Você conhece alguém com TEA que teve dificuldade para aprender a ler e a escrever? Conte a sua história para gente!

Referências:

https://www.time4learning.com/homeschooling/special-needs/autism/writing-strategies.html

https://www.iidc.indiana.edu/pages/Teaching-Tips-for-Children-and-Adults-with-Autism

https://www.autism.org.uk/services/nas-schools/helen-allison/learning/reading%20schemes%20and%20how%20we%20teach%20students%20to%20read.aspx

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Como trabalhar a coordenação motora em sala de aula

A maioria dos autistas apresenta algum tipo de  dificuldade motora que pode atrapalhar o seu desenvolvimento e a sua independência. Estima-se que aproximadamente 80% das crianças com autismo apresentem problemas deste tipo.

Vale destacar que a coordenação motora é a capacidade de coordenar os movimentos da interação entre cérebro e as articulações e músculos.

No entanto, sabe-se que as habilidades motoras ajudam as crianças a aprender comportamentos sociais e de comunicação básicos.

A coordenação pode envolver os movimentos finos, responsáveis por atividades como escrita e desenho e os grandes movimentos como andar e pular.  

É muito importante que as crianças autistas desde cedo desenvolvam essas habilidades para não interferir no seu comportamento social e de comunicação.

Além das intervenções precoces, as atividades em sala de aula podem ajudar a trabalhar a coordenação motora do autista.

Atividades que estimulam a coordenação motora

Os pais e educadores têm papel importante no incentivo das capacidades dos pequenos. E algumas atividades que são realizadas dentro da sala de aula e também em casa melhoram a coordenação motora.

É importante promover brincadeiras simples, como desenhar com tinta guache, mexer com massinhas de modelar, encaixar objetos em plataformas que ajudam a desenvolver habilidades motoras finas. Elas devem ser aplicadas por etapas e sempre das mais fáceis às mais difíceis.

Já as habilidades grossas podem ser estimuladas por meio de ações como marchar, saltar em um trampolim, jogar bola, dançar, andar de triciclos e bicicletas.

Veja, abaixo, algumas atividades simples que ajudam a trabalhar a coordenação motora dos pequenos.

  1. Brincadeiras de obstáculos: essas atividades trabalham o desenvolvimento da coordenação motora ampla. Em uma área aberta, como pátio da escola, é possível colocar objetos que sirvam como obstáculos no caminho das crianças. Assim, elas vão desviar, pular ou empurrar. Podem ser usadas caixas de papelão ou brinquedos.
  2. Pinçar objetos: ajuda a desenvolver a coordenação fina. As crianças podem pegar diferentes objetos espalhados pelo chão ou em uma mesa e colocar dentro de um recipiente.
  3. Colagens e recortes: atividades simples como cortar e colar são bastante simples de fazer e desenvolvem a coordenação motora fina das crianças. Vale a pena investir em diferentes objetos, com cores e texturas distintas para estimular os sentidos e a criatividade. Também podem ser usados jornais e revistas para formar frases e palavras. O ato de segurar uma tesoura corretamente é um ótimo exercício para desenvolver a coordenação.
  4. Blocos de Construção: brinquedos como tijolinhos de construção estimulam a criatividade, a cooperação e a coordenação das crianças. Contribui também em aumentar as noções de equilíbrio e peso.
  5. Ligue os pontos: alguns desenhos e figuras podem ajudar nesse processo. Depois de preencher a forma, a criança ainda pode depois pintar com lápis, tinta ou canetinha.
  6. Jogo das varetas: o objetivo é pegar o maior número de varetas sem fazer as demais se mexerem. É preciso se concentrar e ter habilidade de coordenação motora fina.
  7. Miçangas no barbante: desenvolve a coordenação motora fina e a criatividade. Use pulseiras de diversos tamanhos, diversas cores e espessuras.
  8. Outras atividades: brincadeiras com fantoches e pinturas, colagens com bolinhas de papel, cirandas, cantigas de roda, danças folclóricas, blocos de montar, quebra-cabeça, entre outros.

Vale destacar que essas atividades são simples e podem fazer parte do cotidiano escolar. Mas é fundamental que a escola tenha um planejamento pedagógico adequado para promover o desenvolvimento pleno do aluno.

O planejamento pedagógico deve considerar as características individuais de cada aluno. E alterar as atividades, de acordo com as principais necessidades motoras das crianças.

As crianças com TEA também podem ser excessivamente sensíveis a algumas texturas, sons, gostos e cheiros. Por isso, é comum que os materiais possam ter que passar por uma adaptação ou buscar outras atividades.

É fundamental que as atividades sejam realizadas de forma lúdica, sem forçar a criança. Os pais devem participar e também estimulá-los em casa.

Referências:

https://autism.lovetoknow.com/Motor_Skills_in_Autistic_Children

http://www.skillsforaction.com/autism-spectrum-disorders

https://www.scholastic.com/teachers/articles/teaching-content/teaching-students-autism-spectrum-disorder/

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TDAH-e-autismo-qual-é-a-relação

TDAH e autismo: qual é a relação?

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição neurobiológica caracterizada por desatenção, hiperatividade e impulsividade. Por isso, as pessoas com TDAH costumam ser inquietas, sentem dificuldade para se concentrar e podem agir por impulso. O transtorno pode acometer a pessoa durante toda a vida.

Os sintomas são percebidos logo na infância e a maioria dos diagnósticos ocorre entre as crianças de 6 a 12 anos. Algumas pessoas com TDAH também apresentam distúrbios de sono e ansiedade.

Afeta de 3% a 5% das crianças em idade escolar e sua prevalência é maior entre os meninos.

Pesquisas indicam como as causas do TDAH uma predisposição genética e alterações nos neurotransmissores (dopamina e noradrenalina) que estabelecem as conexões entre os neurônios. Fatores ambientais como por exemplo muito baixo peso ao nascer (menos de 1.500 gramas) confere um risco 2 a 3 vezes maior para TDAH.

Diagnóstico do TDAH

O diagnóstico do TDAH é realizado a partir de uma classificação da Associação Americana de Psiquiatria. São avaliados 18 sintomas, sendo nove de desatenção e outros nove de hiperatividade e impulsividade.

Para ser considerado TDAH, a criança precisa apresentar no mínimo seis sintomas de desatenção e/ou de hiperatividade e impulsividade.

Já, se o diagnóstico ocorrer na idade adulta, é necessário ter pelo menos, cinco sintomas de desatenção e/ou cinco de hiperatividade e impulsividade.

Autismo e TDAH estão relacionados?

De acordo com pesquisas, há uma relação genética entre o autismo e o TDAH. Sabe-se que os genes associados ao Transtorno também aumentam o risco para outros transtornos, como esquizofrenia, autismo e depressão. Mais pesquisas ainda são necessárias para entender melhor a conexão entre TDAH e TEA.

Estima-se que 14% das crianças com TDAH também tenham TEA e até 80% das pessoas com TEA apresentam o TDAH também. É bastante comum que ocorra uma confusão entre os sinais e sintomas de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Já que as crianças, em ambos os casos, podem ter problemas para manter o foco, ser impulsivas, ter dificuldade em se comunicar e se relacionar. Algumas vezes, pode aparecer simultaneamente na mesma pessoa (comorbidade).

Mas, basicamente, o autista possui dificuldade de interagir por ter uma maneira diferente de entender o mundo, já quem tem TDAH costuma ser descrito como um indivíduo que vive com a cabeça nas nuvens (distraído em excesso), o que também prejudica as suas relações sociais.

Tanto o TDAH quanto o TEA são condições para a vida toda que podem ser gerenciadas com tratamentos adequados. 

O primeiro passo é confirmar o diagnóstico e buscar terapias que ajudem a criança ou jovem a ter mais qualidade de vida. Pode ser necessário procurar um especialista em transtorno de comportamento infantil.

Geralmente, os especialistas indicam medicamentos e terapia comportamental para lidar com os sintomas.

Vale destacar que tanto o diagnóstico do TEA quanto do TDAH não é confirmado por exames laboratoriais ou de imagem. O diagnóstico é clínico, ou seja, realizado após uma consulta por especialistas com auxílio de questionários padronizados.

E ambos os transtornos necessitam de um tratamento multiprofissional — acompanhado por diferentes profissionais, como médicos e psicólogos, por exemplo.

Não há cura para esses transtornos, uma vez que não são doenças. Os pais e cuidadores precisam entender que o cérebro das crianças com TEA ou TDAH funciona de uma forma diferente.

Abaixo, confira os sintomas dos Transtornos.

Sintomas de TDAH

  • Se distraem facilmente.
  • Pulam de uma tarefa para outra ou ficam entediados rapidamente com as tarefas.
  • Dificuldade de focar, concentrar e estreitar a atenção para uma tarefa.
  • Falam sem parar.
  • Hiperatividade.
  • Dificuldade em ficar parado.
  • Interrompem mais as conversas.
  • Não prestam atenção em detalhes ou cometem mais erros por descuido.
  • Dificuldade para organizar atividades e cumprir prazos.

Sinais de TEA

  • Não responde a estímulos comuns.
  • Falha na atenção compartilhada
  • Normalmente fazem pouco ou nenhum contato visual.
  • Dificuldade na interação social e na comunicação.
  • Presença de comportamentos restritos e repetitivos.

Referências:

https://www.healthline.com/health/adhd/autism-and-adhd#adhd-with-autism

https://www.webmd.com/add-adhd/childhood-adhd/adhd-or-autism

https://www.medicalnewstoday.com/articles/325618

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Como-os-pais-podem-ajudar-no-desenvolvimento-da-criança-com-autismo

Como os pais podem ajudar no desenvolvimento do autista

Geralmente, são os pais e cuidadores que notam os primeiros sinais de autismo nas crianças. Nesse momento, cabe a eles procurar ajuda especializada para obter um diagnóstico e começar uma intervenção precoce para melhorar as habilidades sociais do autista.

Os pais que recebem um diagnóstico de autismo podem ficar com medo ou preocupados com o que vem pela frente. Esses sentimentos são bastante comuns, mas depois do impacto inicial é importante que os pais saibam que são fundamentais para que possam contribuir com o desenvolvimento das crianças e jovens com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Saiba o que os pais e cuidadores podem fazer para contribuir com o desenvolvimento dos autistas.

Procurar ajuda especializada

Assim que achar suspeitar que a criança não esteja se desenvolvendo adequadamente, busque um especialista para ter um diagnóstico.

Quanto mais cedo às crianças com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) recebem ajuda, maior será sua chance de responder às terapêuticas. 

A intervenção precoce é a maneira mais eficaz de acelerar o desenvolvimento de seu filho autista e reduzir os sintomas de autismo ao longo da vida.

Aprender sobre o autismo

Após a confirmação do diagnóstico, é importante obter informações corretas sobre o transtorno do espectro do autismo. Por isso, se informe com os especialistas sobre as intervenções precoces, quais são as terapias mais indicadas, escolas adequadas e como a família pode ajudar.

 Não tenha medo de fazer perguntas e participar de todas as decisões das intervenções e tratamentos indicados.

Conheça seu filho

Cada autista é único. Por isso, descubra o que desencadeia os comportamentos inadequados, o que o incomoda, o que provoca uma resposta positiva. 

Não foque em como seu filho autista é diferente de outras crianças, mas se esforce para aceitar a situação e celebrar suas conquistas.

Evite comparações desnecessárias. O autista precisa ser amado, respeitado e aceito pelos pais e familiares de forma incondicional. Isso será fundamental para que ele se desenvolva.

Seguir uma rotina

Os autistas precisam de horários, rotina e uma programação bem definida. Estabeleça horários para refeições, terapia, escola e hora de dormir. 

Tente reduzir as interrupções nessa rotina. Se houver uma mudança de horário que não dê para evitar, prepare seu filho ou filha com antecedência.

Recompensar o bom comportamento

O reforço positivo pode ajudar crianças com autismo a terem comportamentos mais apropriados. Por isso, os pais devem elogiar as crianças e jovens com autismo quando estes aprenderem uma nova habilidade e recompensá-lo pelo bom comportamento, como dar brinquedos ou comidas prediletas.

Buscar e investir em diversas terapias

Os tratamentos comuns para o autismo incluem terapia comportamental, fonoaudiologia, terapia ocupacional e ABA. A criança e o jovem com autismo podem precisar de um tratamento multidisciplinar e contar com diversos especialistas.

É importante averiguar o que cada autista necessita, qual é a prioridade no momento e sempre arranjar tempo para se divertir.

E aqui o papel dos pais é fundamental, uma vez que são eles que acompanham nas consultas e dão continuidade às técnicas em casa.

Estimular as interações sociais

Os autistas podem apresentar dificuldades ou não saber como interagir com outras pessoas. Os pais podem praticar novas habilidades sociais com o autista em vários lugares e também com pessoas diferentes. É importante que o autista realize passeios, converse sobre o que gosta ou não.

A criança com TEA também deve ser incentivada a expressar seus sentimentos e descrever o que sente, quais foram os motivos para se sentir assim.

Outra dica é estimular as pessoas mais próximas como familiares a falar com a pessoa com TEA. O autista precisa se sentir integrado, perceber que as pessoas ao redor se importam e vão interagir com ele.

Ter tempo, paciência e amor

Ser pai e mãe de uma criança ou jovem com autismo pode ser ainda mais desafiador do que criar uma neurotípica. Exige mais energia, tempo, paciência e dedicação. Quem se sentir sobrecarregado, sem energia, desanimado e triste, deve buscar ajuda especializada como psicólogos para cuidar de si e de sua saúde mental.

É importante que os pais saibam que não estão sozinhos nessa jornada, por isso, converse com outros pais de autistas, divida as angústias e conquistas. Todos têm a ganhar.

Referências:

https://www.autism-society.org/living-with-autism/autism-and-your-family

https://link.springer.com/article/10.1007/s40474-014-0037-z

https://childmind.org/guide/parents-guide-to-autism

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