Moradia assistida para autistas

A moradia assistiva para autistas busca integrar aspectos arquitetônicos, sensoriais e terapêuticos, oferecendo um espaço seguro e adaptado para atender às características individuais dos residentes.

“Como ficará meu filho quando eu não puder mais cuidar dele?” “O que será dele na vida adulta? Ou mesmo idoso?”

Mesmo que os esforços durante o período da infância das crianças no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) sejam voltados para desenvolver habilidades que possibilitem ter independência, autonomia e saúde nas demais etapas – como na vida adulta e idade avançada, essas são reflexões frequentes entre a grande maioria (se não a totalidade) dos pais e/ou responsáveis.

Ainda pouco se fala sobre o espectro do ponto de vista do indivíduo na vida adulta, uma fase tão importante e vital como qualquer outra.

É mais comum realmente observar conteúdos voltados à esclarecer aspectos ligados à criança. Portanto, pensar sobre o futuro é fundamental para que ele seja alcançado pelo autista com dignidade e qualidade de vida.

Conforme a condição da pessoa, na vida adulta ela poderá inclusive morar sozinha por opção, casar-se, ter filhos, constituir família e ter seu próprio lar.

Já nos casos considerados moderados e severos, em que o autista requer suporte para cuidar de si ou realizar tarefas cotidianas (como manter a casa em ordem, por exemplo), e não quer ou não pode contar com a família, é possível contar com alternativas como a “moradia assistida”.

O que é a moradia assistida?

Trata-se de um espaço – que pode ser dedicado às pessoas com uma ou mais deficiências intelectuais, cognitivas, físicas que necessitam de assistência para morar sozinhas ou mesmo desejam isso. (nota: na legislação brasileira o espectro do autismo é enquadrado como “deficiência”).

Na moradia, além de receber auxílio necessário para cada especificidade, há também a perspectiva de estabelecer convívio social, o que pode ser positivo.

Muitas dessas instituições que existem hoje no Brasil, inclusive, foram instituídas por pais de crianças com algum distúrbio neurodegenerativo ou do neurodesenvolvimento, como o TEA. Motivados pela preocupação em fornecer um local seguro e acolhedor para seus filhos quando crescessem, que pudesse lhes dar não apenas assistência física, mas também, emocional, eles criaram as moradias.

Atualmente é possível encontrar moradias assistidas públicas e privadas. É preciso levar em conta alguns aspectos antes de fazer a melhor opção.

Procure visitar o local. Verifique aspectos ligados à segurança, limpeza, convívio social, contato com as pessoas, com a natureza. Se há espaços e programação de atividades voltadas para a saúde física, mental e, também, que promovam o relacionamento familiar, quando houver.

Observe também como a instituição costuma manejar as limitações sensoriais ou outras deficiências de comunicação e  linguagem, motoras ou cognitivas. Certifique-se de que se trata de um espaço em que seu ente querido poderá de fato ser bem recebido e tratado ao longo da vida.

Idealmente, se for possível, leve-o com você. Deixe-o participar da escolha. É comum cada dia mais o próprio adulto no espectro optar por uma moradia assistida e fazer sua escolha, com base em sua vontade, que deve ser respeitada.

Referências:

Autism Speaks. Housing and Residential Supports. Disponível em < https://www.autismspeaks.org/family-services/housing/position-statement> Acessado em 28 de fevereiro de 2018.

Center for Autism Research. The Children’s Hospital of Philadelphia. Where to live? The options for adults with ASD. Disponível em < https://www.carautismroadmap.org/where-to-live-the-options-for-adults-with-asd/> Acessado em 28 de fevereiro de 2018.

Network autism. Housing with support: the options for autistic adults. Disponível em http://network.autism.org.uk/knowledge/policy-guidance/housing-support-options-autistic-adults Acessado em 28 de fevereiro de 2018.

Paula Ferreira e Clarissa Pains. O Globo. 25/09/2017. Moradias assistidas dão autonomia a adultos com deficiência. Disponível em http://blogs.oglobo.globo.com/to-dentro/post/moradias-assistidas-dao-autonomia-adultos-com-deficiencia.html Acessado em 28 de fevereiro de 2018.

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Inclusão escolar: o ensino como ferramenta de desenvolvimento de habilidades sociais

Meu filho vai começar a frequentar a escola. E agora? Como será o processo de inclusão escolar?

Esse é um receio que grande parte dos pais sente quando é chegado o período de introdução no sistema de ensino. Entre os questionamentos estão: “será que ele irá se adaptar? Será que fará amigos? Irá aprender?” – entre tantas outras perguntas que permeiam esse novo universo de possibilidades que se abrirá para as crianças em idade escolar.

Mas, como será com meu filho, que está no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)? A expectativa é que a criança seja acolhida da mesma maneira pela escola.

As crianças com TEA estão cada vez mais incluídas nas salas de aula de educação geral. Esse tem sido inclusive considerado um reforço no processo de inclusão social do autista.

Estudos demonstram que introduzir as crianças com TEA e permitir que elas compartilhem de atividades com colegas ainda na primeira infância pode ser uma intervenção preventiva chave para estimular o desenvolvimento das habilidades sociais que eles estabelecerão ao longo da vida.

Esse processo de inclusão escolar começa no acesso à escola e se estende à sua permanência e aprendizagem na instituição.

Uma das estratégias para facilitar a adaptação escolar da criança cabe à instituição de ensino. Investir na capacitação do corpo docente, bem como dos demais colaboradores da instituição, é fundamental para que estejam preparados para receber o aluno com TEA e sejam verdadeiros facilitadores da inserção da criança nesse novo ambiente.

Há medidas que podem auxiliar como contar com professores de reforço para que seja melhor aproveitado o conteúdo apresentado em sala.

Mais do que o autista se adaptar ao novo meio, a escola deve se preparar para receber o aluno. Para tanto, traçar um plano de ensino de forma a respeitar a capacidade de cada criança, com base em suas capacidades e fragilidades, bem como estabelecer estratégias de aprendizagem diversificadas.

Além disso, promover a integração com os colegas de sala de maneira a possibilitar a criação de vínculo e proximidade com as demais crianças é fundamental no processo de adaptação do autista. Respeitando as limitações sociais e sensoriais da criança, procure promover atividades que ajudem nesse processo de aproximação.

Conheça os direitos da inclusão escolar

Há leis que garantem àqueles que estão no TEA ou apresentam algum outro tipo de deficiência o direito ao ingresso na escola – seja ela pública ou privada. Primeiramente, é importante compreender que “a pessoa com transtorno do espectro do autismo é considerada com deficiência para todos os efeitos legais” – conforme estabelece em seu parágrafo 2º do artigo 1 a Lei nº. 12.764/2012 – que Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista;

Um dos direitos é que, em caso de necessidade, o aluno com TEA poderá ter acesso a um profissional de apoio escolar, como um professor de apoio, para auxiliar no processo de aprendizagem em sala – conforme expresso na referida Lei nº 12.764/2012.

A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), esclarece que a “pessoa que exerce atividades de alimentação, higiene e locomoção do estudante com deficiência e atua em todas as atividades escolares nas quais se fizer necessária, em todos os níveis e modalidades de ensino, em instituições públicas e privadas, excluídas as técnicas ou os procedimentos identificados com profissões legalmente estabelecidas;” (acesse a íntegra aqui)

Já a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência prevê, entre outras coisas, que:

“a) As pessoas com deficiência não sejam excluídas do sistema educacional geral sob alegação de deficiência e que as crianças com deficiência não sejam excluídas do ensino primário gratuito e compulsório ou do ensino secundário, sob alegação de deficiência;

  1. b) As pessoas com deficiência possam ter acesso ao ensino primário inclusivo, de qualidade e gratuito, e ao ensino secundário, em igualdade de condições com as demais pessoas na comunidade em que vivem;
  2. c) Adaptações razoáveis de acordo com as necessidades individuais sejam providenciadas;
  3. d) As pessoas com deficiência recebam o apoio necessário, no âmbito do sistema educacional geral, com vistas a facilitar sua efetiva educação;
  4. e) Medidas de apoio individualizadas e efetivas sejam adotadas em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social, de acordo com a meta de inclusão plena.” – acesse a íntegra a Convenção aqui

 

Outro importante documento que vale à pena ser lido é “Política nacional de educação especial na perspectiva da educação inclusiva”, do Ministério da Educação/Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão”. Nele há indicativos que esclarecem a perspectiva de se haver acompanhamento especializado durante o processo de aprendizagem escolar.

Convidamos à leitura de mais reportagens em nosso site sobre o tema que irão complementar as informações:

Educação no autismo: o aprendizado como ferramenta

Aprendizagem escolar dos autistas (ensino fundamental e médio): como vencer desafios

Atividades pedagógicas para trabalhar em sala de aula

Referências:

Bethany McCabe. The Learning Styles of Children with Autism Spectrum Disorder. Autism Now. Disponível em http://autismnow.org/blog/the-learning-styles-of-children-with-autism-spectrum-disorder/ Acessado em 15 de fevereiro de 2018.

Rotheram-Fuller E, Kasari C, Chamberlain B, Locke J. Social Involvement of Children with Autism Spectrum Disorders in Elementary School Classrooms. Journal of child psychology and psychiatry, and allied disciplines. 2010;51(11):1227-1234. doi:10.1111/j.1469-7610.2010.02289.x. Disponível em <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2970745/> Acessado em 14 de fevereiro de 2018.

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Distúrbio do sono no autismo

Hoje vamos falar sobre os distúrbios do sono que acompanham muitas vezes as pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Você conhece alguém com autismo e tenha problemas para ter uma noite tranquila de sono? Pois é, esse problema é mais comum do se imagina.

Estima-se que cerca de 80% das crianças com autismo apresente algum distúrbio do sono. Por isso, elas podem ter dificuldade para dormir, agitação antes de ir para a cama e em alguns casos insônia. Acredita-se que em algum momento de sua vida o autista poderá apresentar algum desses quadros.

Crianças com autismo são duas a três vezes mais propensas a ter insônia do que as crianças neurotípicas.

Alguns problemas comuns na hora de dormir são:

  • Apresentam resistência no momento de ir para cama. Sendo assim, se recusam a deitar ou a colocar o pijama, escovar os dentes antes de dormir, por exemplo;
  • Sofrem com a apneia do sono, que é quando o indivíduo literalmente para de respirar durante o sono por alguns segundos;
  • Sentem dificuldade em acordar de manhã e acabam ficando com sonolência durante o dia, pois muito não tem um sono de qualidade. Isso geralmente ocorre porque acordam várias vezes durante a noite.

Mas você deve estar se perguntando a razão para os distúrbios do sono ser mais comuns nos autistas?

Há pesquisas que mostram que uma das causas para essa dificuldade é o fato de que quem tem o TEA pode apresentar alterações nos genes que regulam o ciclo circadiano. Ele funciona como uma espécie de “relógio” em nosso organismo.

Sendo assim, o autista pode acordar diversas vezes durante à noite e ter dificuldade para pegar no sono novamente. Alguns podem dormir demais ou ter insônia.

Também há uma teoria que afirma que crianças com autismo têm anormalidades cerebrais que afetam sua capacidade de regular o sono. 

Crianças com autismo tendem a ter níveis desregulados de triptofano, que é um aminoácido envolvido na produção de melatonina.

Mutações genéticas pode afetar a produção da melatonina. A melatonina é o hormônio responsável pela regulação do sono. 

Além disso, os autistas podem ter dificuldades para interpretar corretamente as ações de seus irmãos, pais ou outros membros da família quando estão se preparando para dormir. Por isso, eles não percebem que já está na hora de dormir.

Outro fator que aumenta a dificuldade para dormir é a sensibilidade aumentada dos autistas. Por isso, sentem dificuldades de se acalmar e são propensos a serem mais atingidos por estímulos externos, como televisão, celulares e dispositivos eletrônicos.

Sabe-se que as crianças com autismo que dormem melhor à noite tendem a ter menos problemas comportamentais e interagem melhor socialmente. Uma noite mal dormida pode impactar na saúde física e mental.

Isso ocorre porque o sono é importante para o nosso organismo, uma vez que é nesse momento que ocorre o reparo muscular, a consolidação da memória e a liberação de hormônios que regulam o crescimento e o apetite.

Mas o que fazer para melhorar a qualidade do sono dos autistas?  Especialistas sugerem que é importante estabelecer uma rotina, como se fosse um “ritual” para que a criança se acalme e tenha uma boa noite de sono. 

Repita as mesmas atividades na mesma ordem todas as noites como escovar os dentes ou ler uma história para dormir. Faça com que a pessoa com autismo durma e acorde na mesma hora todos os dias, independentemente de ser um dia da semana ou um final de semana.

É importante também evitar os estímulos externos, como televisão, sons e luzes. Limite o tempo de televisão algumas horas antes de dormir, pois pode estimular a criança. Em vez disso, concentre a atenção do seu filho em atividades silenciosas como desenhar, criar quebra-cabeças ou ler.

A alimentação leve também contribui para melhorar os distúrbios de sono.

As crianças com autismo são mais propensas a ter problemas gastrointestinais, alergias ou sensibilidades alimentares que podem atrapalhar o sono. Diminua a ingestão de líquidos antes de dormir para evitar que ela tenha vontade de fazer mais xixi e acordar por isso. 

É importante também que a criança pratique atividade física para gastar energia e depois repor com uma boa noite de sono.

Em alguns casos, pode ser necessário o uso de medicamentos prescritos pelo médico para controlar a ansiedade ou muitas vezes o uso de melatonina pode ser prescrito também para ajudar a pessoa com o TEA a dormir melhor.

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Marcos do desenvolvimento infantil: a importância da intervenção precoce

Desde que nasce, o ser humano passa por estágios de crescimento físico e de aquisição de novas habilidades, como aprender a sorrir, a engatinhar, a levar objetos à boca ou segurá-los com as mãos, bem como acenar e bater palmas, caminhar e tantas outras aptidões.

Essas fases são consideradas “marcos do desenvolvimento infantil” e podem variar de criança para criança.

Como o Transtorno do Espectro Autista (TEA) consiste em um distúrbio neurológico complexo, ele pode impactar na capacidade de comunicação, interação social, comportamental e motora, interferindo no processo evolutivo da criança.

Estudos demonstram ser possível diagnosticar sinais que indicam o espectro antes mesmo dos 18 meses de vida.

Esse diagnóstico na primeira infância é essencial para uma intervenção precoce, considerada fundamental para melhorar os resultados evolutivos gerais das crianças no espectro possibilitando mais qualidade de vida e autonomia nas tarefas diárias, desde brincar, se vestir, até estudar, cuidar de si e da casa, entre outros.

A detecção do TEA em fase inicial favorece também os familiares, no sentido de permitir que eles possam aprender meios de contribuir com o aperfeiçoamento físico, mental e emocional da criança, reduzindo as fragilidades características do distúrbio.

O acompanhamento de uma equipe de assistência multiprofissional, bem como suporte de instituições de apoio à criança no espectro são bem-vindas nesse processo de desenvolvimento infantil.

São consideradas como melhores práticas para intervenções em crianças menores de 3 anos com suspeita ou confirmação de TEA devem incluir uma combinação de abordagens comportamentais, como a Análise de Comportamento Aplicada (ABA) e de desenvolvimento e começar o mais cedo possível.

Para haver êxito na intervenção precoce é preciso haver o envolvimento não apenas da criança no espectro, mas de seus familiares, cuidadores e especialistas que a acompanham.

Sinais do autismo

Fique atento a determinados sinais como o momento de começar a falar, andar, interagir com o meio externo. Procure observar a evolução da criança e se ela tem demonstrado atraso significativo em algum dos aspectos que envolvem a cognição, habilidade motora, de linguagem (verbal ou não), bem como a realização de movimentos repetitivos e estereotipados constantemente.

Por exemplo:

  • Se um bebê se fixa em objetos ou não responde às pessoas quando chamado pelo nome, constantemente, pode estar exibindo sinais precoces de uma desordem do espectro do autismo
  • Dificuldade para interações sociais – como, por exemplo, estabelecer contato visual
  • Repetição de ações ou palavras (isso quando já desenvolveram a fala)

Esses são aspectos do desenvolvimento infantil que podem ser indícios a serem acompanhados pelos pais e responsáveis pelo bebê.

Converse com seu médico e diga o que tem percebido. Lembre-se que o diagnóstico depende de múltiplos fatores, portanto, é fundamental haver uma análise adequada.

Quanto mais cedo identificado, mais fácil será de entender o que esperar do seu filho e como apoiá-lo na medida em que ele aprende e cresce.

Reconhecendo os marcos típicos no desenvolvimento infantil como facilitador na identificação de possíveis sinais de TEA (foram considerados marcadores até os 3 anos de idade de crianças neurotípicas)

Expressar um sorriso, virar de bruços, rolar na cama, sentar, engatinhar, falar, andar. Essas são algumas das habilidades que vão sendo adquiridas pelos bebês na medida em que os meses vão passando.

Essas mudanças evolutivas são os chamados “saltos” ou “marcos” de desenvolvimento. São momentos em que as crianças adquirirem novas habilidades que geralmente se enquadram em categorias como capacidades cognitivas, motoras, sociais, emocionais, de linguagem e comunicação.

Marcos de linguagem

3 meses: gritos e choro

6 meses: costuma repetir sons de consoantes (“ba-ba-ba”)

1 ano – reconhece o próprio nome e fala pelo menos uma palavra

18 meses – fala pelo menos 15 palavras

2 anos – acena, gesticula, faz sons de animais, entende o “não” e começa a formar frases unindo duas palavras.

3 anos – conhece e fala uma média de 450 palavras. Capaz de compor frases curtas. Identifica partes do corpo e cores. Usa palavras no plural.

Marcos de desenvolvimento social

3 meses – Sorri, mostra prazer em interagir

6 meses – começa a rir, joga jogos simples, segura objetos, demonstra vontade de interagir com os pais e pessoas ao redor

1 ano – emoções passam ser demonstradas, como a chamada e ansiedade na separação dos pais ou cuidador. Também passam a compreender determinados objetos como sendo “seus” (sentimento de posse).

2 anos – Imitam comportamentos dos adultos, demonstram frustração, orgulho, carinho e outras emoções

3 anos – compreendem o gênero, interagem com outras crianças

Marcos motores

4 meses – conseguem apoiar a cabeça para cima. Começam a ficar mais firmes. Empurram com os pés e pernas.

6 meses – rolam de um lado para outro. Começam a sentar com ajuda. Algumas crianças começam a engatinhar entre 6 e 8-9 meses.

1 ano – sentam sozinhos. Começam a ficar em é com apoio

18 meses – andam, bebem e comem com mais autonomia

2-3 anos – Aprendem a correr, subir e descer as escadas com ajuda, chutar uma bola, copiar linhas e círculos ao desenhar

Lembrem-se que esses marcos são parâmetros que podem variar de criança para criança. Caso haja algum atraso, converse com seu médico.

Fonte: Marcos de desenvolvimento – conteúdo adaptado de “Autism Developmental Stages”

Intervenção precoce e Plasticidade Neural

A intervenção precoce possibilita que o indivíduo com TEA tenha a perspectiva de ainda na infância, nos primeiros anos de vida, conseguir superar as limitações características do espectro e se desenvolver melhor.

Como pode ser observado no artigo “Plasticidade cerebral e poda neural: compreenda a conexão com o TEA”, publicado em NeuroConecta, nos primeiros anos de vida, o bebê possui o dobro de sinapses cerebrais se comparado a um adulto.

Isso significa que há mais neurônios “dispostos” a aprender coisas novas, como engatinhar, andar, falar, se socializar – por exemplo. Com a intervenção precoce, são lançados estímulos com os quais o cérebro passa a reconhecer as conexões que têm sido utilizadas com maior frequência e reforça esses circuitos na forma de memória. Esse mecanismo é responsável por facilitar à criança levar esse registro de determinada atividade na medida em que se desenvolve, reduzindo suas limitações.

Referências:

Autism Spectrum Disorder Foundation. Early Intervention Makes a Huge Difference for Autistic Children. Disponível em http://myasdf.org/site/media-center/articles/early-intervention-makes-a-huge-difference-for-autistic-children/ Acessado em 9 de março de 2018.

Hieneman M., Gonzalez V, Chan P.. What is ABA therapy now, really?. Autism Support Network. Disponível em <http://www.autismsupportnetwork.com/news/what-aba-now-really-autism-33299272> Acessado em 18 de outubro de 2017.

Smith VK1, Dillenbeck A. Developing and implementing early intervention plans for children with autism spectrum disorders. Semin Speech Lang. 2006 Feb;27(1):10-20. Disponível em < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16440241> Acessado em 8 de março de 2018.

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Agressividade no autismo: você sabe como agir?

Quando falamos sobre comportamentos ligados ao Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), um dos que costuma gerar preocupação é a agressividade.

Embora essa não seja uma atitude exclusiva do autismo, estudos indicam que as taxas de episódios de agressão podem ser mais comuns em indivíduos no espectro, em comparação com aqueles que possuem outros transtornos.

Morder, chutar, bater, arremessar objetos ou mesmo agredir com palavras as pessoas ao redor (ou a si mesmo), podem caracterizar a manifestação de uma atitude ofensiva e de agressividade.

Seja ela verbal ou física, é preciso saber o que fazer para lidar com a circunstância, que pode ser desafiadora tanto para a autista quanto para seus pais e cuidadores.

Na vida da criança com TEA esse comportamento pode ocasionar redução da qualidade de vida, aumento do nível de estresse e menor disponibilidade de suporte educacional e social.

Por isso, é importante os pais e cuidadores reconhecerem os sinais de alerta que precedem o comportamento agressivo, para que eles possam tentar técnicas para restringi-lo ou reduzir o nível de hostilidade.

Idealmente, o médico deve avaliar o comportamento e, ainda, excluir outras condições que possam estar contribuindo um episódio agressivo, como depressão ou epilepsia. A partir daí, será possível determinar quais intervenções podem ajudar, conforme a necessidade apresentada.

Para prevenir e tratar um quadro de irritabilidade, é indicado lançar mão de ações baseadas na Análise do Comportamento Aplicada (ABA).

Outra possibilidade terapêutica de manejo é o chamado Treinamento de Comunicação Funcional (TCF), que envolve ensinar a criança com espectro a se manifestar pacífica e adequadamente, quando ela quer atenção ou algum objeto, ou até mesmo não deseja realizar determinada atividade que é proposta a ela. Por exemplo, ensinar uma criança a tocar uma foto de sua mãe para pedir sua atenção, em vez de bater ou arremessar algo para ter sua solicitação atendida.

Seja qual for a conduta, o objetivo é reforçar os comportamentos positivos e diminuir o comportamento negativo, o que pode ajudar o seu filho a aprender a agir de forma adequada em situações sociais.

Tratamentos farmacológicos também podem ser benéficos na redução de frequência e intensidade das agressões.

Conhecimento, compreensão, prevenção e acolhimento diante de uma atitude agressiva são fundamentais para que haja êxito nas intervenções comportamentais e medicamentosas.

Com esse conjunto de medidas – que deve envolver a família e a equipe multidisciplinar – há uma boa chance de que a situação possa ser evitada e/ou controlada, possibilitando que haja uma melhor qualidade de vida para seu filho e para aqueles que estiverem junto a ele como seus cuidadores.

Referências

Autism Speaks. My child is sometimes aggressive – what can help?. Disponível em https://www.autismspeaks.org/node/110031 Acessado em 03 de janeiro de 2018.

Fitzpatrick SE, Srivorakiat L, Wink LK, Pedapati EV, Erickson CA. Aggression in autism spectrum disorder: presentation and treatment options. Neuropsychiatric Disease and Treatment. 2016;12:1525-1538. doi:10.2147/NDT.S84585. Disponível em < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4922773/> Acessado em 02 de janeiro de 2018.

Hill AP, Zuckerman KE, Hagen AD, et al. Aggressive Behavior Problems in Children with Autism Spectrum Disorders: Prevalence and Correlates in a Large Clinical Sample. Research in autism spectrum disorders. 2014;8(9):1121-1133. doi:10.1016/j.rasd.2014.05.006. Disponível em < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4160737/> Acessado em 04 de janeiro de 2018.

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Intervenções terapêuticas para o autismo

Neste artigo vamos falar sobre as intervenções para o autismo. Mas, claro, temos que destacar que essas intervenções ajudam a reduzir os sintomas e dão mais qualidade de vida para as pessoas com o transtorno, mas não curam o autismo.

Pois, como já falamos o autismo não é uma doença. Por isso, o tratamento ajuda a pessoa autista a desenvolver habilidades socias e ter mais independência e autonomia.

Saiba mais sobre Transtorno do Espectro do Autismo

Cada pessoa com autismo tem necessidades diferentes, portanto, é importante encontrar as melhores opções de tratamento de forma individual. Algumas pessoas podem precisar de pouco ou nenhum tratamento, enquanto outras podem necessitar de terapias mais intensas e frequentes. Lembrando também que o autismo é uma condição para vida toda.

Após o diagnóstico do autismo, a criança antes dos três anos deve passar por intervenção precoce que inclui uma combinação de abordagens comportamentais, como a Análise de Comportamento Aplicada, conhecida também pela sigla ABA.

Sobre as intervenções ABA

Ela refere-se a uma ciência com uma série de programas destinados a desenvolver habilidades sociais, cognitivas e incentivar comportamentos positivos usando um sistema de recompensa.

Dentro da ABA há técnicas que incentivam o passo a passo do aprendizado. Pode se trabalhar individualmente ou em grupo para quea criança desenvolva habilidades de comunicação e reduza comportamentos como a autoagressão. Também é possível que o terapeuta realize mudanças ambientais na casa ou na sala de aula para ter os resultados esperados.

Como sabemos, para algumas pessoas com autismo, interagir com as outras pessoas é muito difícil. Com a ABA é possível aprender as habilidades sociais básicas, incluindo como conduzir uma conversa, entender piadas e interpretar os sinais emocionais.

Modelo Denver

Outra intervenção é o Modelo Denver de intervenção precoce que é recomendada para crianças de até 5 anos. O modelo Denver é uma terapia comportamental baseada na Analise do Comportamento. Os pais e terapeutas usam atividades lúdicas para reforçar os comportamentos positivos. Por meio de brincadeiras, as crianças são encorajadas a melhorar suas habilidades linguísticas, sociais e cognitivas. Tem como objetivo fazer a criança perceber que se relacionar é legal, e com isso melhoras as habilidades sociais dessa criança.

Mas é importante dizer que para essas terapias terem um resultado positivo é preciso ter o envolvimento da criança, de seus familiares, cuidadores e especialistas que a acompanham. Todo mundo deve estar envolvido e participar deste processo! 

A intervenção precoce possibilita que a criança tenha mais perspectivas de conseguir superar as limitações características do espectro e se desenvolver melhor.

Outras intervenções

Além disso, a criança autista pode contar com a ajuda de outros profissionais como fonoaudiólogos que ajudam a desenvolver as habilidades de comunicação e a capacidade de usar a linguagem em um ambiente social.  Eles ensinam as habilidades verbais que podem ajudar as pessoas com autismo a se comunicar melhor, ajuda o autista a melhorar a velocidade e o ritmo da fala, além de usar palavras corretamente. 

Podemos contar também com o Terapeuta ocupacional que vai trabalhar as questões sensoriais e atividades de vida diária. Ele vai ajudar a criança a entender a importância do autocuidado e desenvolver habilidades para ser mais independente, como por exemplo se vestir, uso do banheiro, cozinhar, limpar e assim se tornar mais independente.

Em alguns casos, pode ser indicada a terapia cognitivo comportamental (TCC). Dessa forma, o autista é amparado por um psicólogo que durante as sessões consegue fazer com a pessoa com TEA aprenda mais sobre seus sentimentos, pensamentos e comportamentos.

A terapia também ajuda o autista a controlar a ansiedade, a reconhecer melhor as emoções e a lidar melhor com situações sociais.

O tratamento medicamentoso é indicado em alguns casos para tratamento de comorbidades associadas ao autismo.

Há diversos tipos de medicamentos que podem controlar por exemplo a depressão, a ansiedade e a hiperatividade.

Há também medicamentos que podem ser indicados para melhorar a qualidade do sono para pessoas que apresentam distúrbios do sono.

Outros medicamentos podem ajudar os problemas de agressividade, autoflagelação e outros comportamentos inadequados. Importante ressaltar o que tratamento medicamentoso deve sempre estar associado as terapias comportamentais.

Como vocês viram, há uma variedade de abordagens terapêuticas. Sabemos que podemos contar com diversos outros profissionais como os psicopedagogos, pedagogos, educadores físico, fisioterapeutas, arteterapeuta, musicoterapeuta entre outros.

Lembrando que é importante sempre buscar ajuda especializada, fazer um acompanhamento médico e com profissionais especialistas na área e para assim descobrir e desenhar o plano de tratamento mais eficaz para cada um.

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Compartilhar: como desenvolver essa habilidade em crianças autistas

Compartilhar pode ser uma atitude difícil de desenvolver, especialmente na infância. A maioria das crianças, sejam elas autistas ou neurotípicas – precisam de prática e suporte para desenvolver essa habilidade.

Saiba mais sobre o Transtorno do Espectro do Autismo

Nos primeiros anos de vida as crianças não costumam pensar sobre o sentimento das outras. Em geral, raramente são capazes de conseguir dividir seus pertences espontaneamente, com menos de seis anos de idade.

Trata-se de um comportamento normal. Faz parte do desenvolvimento de consciência da criança o que chamamos de “posse”.

Quando pequenas elas se preocupam com seus brinquedos, suas coisas, seu “mundo”. Na medida em que crescem e começam a brincar e a conviverem entre si, passam a partilhar seus pertences naturalmente.

No caso das crianças autistas pode ser que haja maior resistência em compartilhar. A interação social é um dos limitantes característicos do transtorno.

Assim como uma criança que não esteja no espectro, o melhor a fazer é não força-la. Em vez disso, crie atitudes e um ambiente que incentive seu filho a querer ceder ao outro algum de seus brinquedos espontaneamente.

Compartilhar implica empatia. Para você, eles podem ser apenas brinquedos. Para a criança, pode ter um valor muito maior como apego, estímulo e segurança por exemplo.

Pense no seguinte: imagine você sendo obrigado a emprestar uma roupa da qual gosta muito. Você certamente não se sentiria confortável em fazer isso.

Da mesma forma é para criança. Portanto, deve se respeitar a decisão dela em não dividir. Até porque muitas vezes o objeto em questão que se deseja partilhar pode ser justamente aquele que conforta seu filho e tirá-lo de seu controle pode desencadear um desequilíbrio emocional, gerando ansiedade.

Como desenvolver essa habilidade em seu filho? A chave é ir com calma. Observe como ele costuma interagir quando está junto à outras crianças. Conheça seu comportamento.

Com base nessa análise, você poderá ensiná-lo sobre os valores que há em compartilhar. Crie oportunidades para que você possa exercitar na prática com ele essa atitude quando estiverem juntos. Procure ser o exemplo que ele precisa, dividindo com ele seus objetos e reforçando essa atitude verbalmente ou através de imagens.

O importante é seguir uma dinâmica mais próxima daquela que se conecta com mais facilidade às crianças autistas, para que seja possível de ela assimilar em seu repertório o que você está ensinando e se sentir motivada a partilhar e, assim, contribuir com o aperfeiçoamento de suas habilidades de interação social, sempre respeitando suas limitações.

Referências:

McCann Sawyer, Lori; Luiselli, James K.; Ricciardi, Joseph N.; Gower, Jennifer L.. Teaching a child with autism to share among peers in an integrated preschool classroom: acquisition, maintenance, and social validation. Disponível em http://www.freepatentsonline.com/article/Education-Treatment-Children/131753665.html Acessado em 8 de fevereiro de 2018.

Naber FBA, Bakermans-Kranenburg MJ, van IJzendoorn MH, et al. Play Behavior and Attachment in Toddlers with Autism. Journal of Autism and Developmental Disorders. 2008;38(5):857-866. doi:10.1007/s10803-007-0454-5. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2335292/ Acessado em 7 de fevereiro de 2018.

Raising Children Network. Sharing and learning to share. Disponível em http://raisingchildren.net.au/articles/sharing.html Acessado em 7 de fevereiro de 2018.

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Plasticidade cerebral e Poda neural: compreenda a conexão com o TEA

Como funciona o cérebro de uma pessoa no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)? Essa é uma pergunta que vem sendo alvo de inúmeras pesquisas em todo o mundo.

Os cientistas têm procurado compreender os mecanismos que possam estar ligados à essa “desordem neurológica” que caracteriza a condição de autismo, gerando desafios sociais, de comunicação (verbal ou não) e comportamentais.

No primeiro ano de vida de um ser humano o cérebro forma os circuitos neurais. Portanto, essa “rede”, que se assemelha a uma teia de aranha, é repleta de ligações entre os neurônios – as chamadas sinapses -, sendo a responsável por conduzir a informação que transita entre o cérebro, sistema nervoso central e organismo.

Nesse período do desenvolvimento infantil, a criança possui o dobro de sinapses que um adulto. Isso ocorre porque o cérebro lança circuitos para inúmeras atividades, já que não conhece o estilo de vida que levaremos. Como uma espécie de reserva extra.

Com o tempo, na medida em que o indivíduo recebe estímulos de aprendizagem e desenvolvimento, o cérebro passa a reconhecer quais conexões têm sido utilizadas com maior frequência e reforça esses circuitos na forma de memória.

Sobre a poda neural

Os recursos que não são utilizados vão sendo desativados. A essa exclusão, dá-se o nome de “poda neural”, um processo que ocorre dentro do cérebro, que resulta na redução do número total de neurônios e sinapses.

Esse “corte” acontece inúmeras vezes ao longo da vida, sendo mais intenso próximo aos 3 anos de idade e na adolescência, o que é benéfico para o bom funcionamento do cérebro.

Ao passo que algumas conexões vão sendo desligadas, outros neurônios vão surgindo. Isso acontece devido a plasticidade cerebral (ou neuroplasticidade), que pode ser definida como a capacidade adaptativa que o cérebro possui de se regenerar ao longo da vida, estabelecendo novas sinapses. A neuroplasticidade se trata disso.

A ideia de que o cérebro está em constante mutação, adequando-se conforme a aprendizagem, o comportamento, meio ambiente e aos processos neurais. Algumas décadas atrás, as pessoas acreditavam que, uma vez que o cérebro foi formado, era isso. Nada mais acontecia. Hoje já é sabido que esse é um processo contínuo.

É como se fosse um arbusto ou uma árvore frutífera, por exemplo. Para que cresçam fortes é preciso que sejam podados de tempos em tempos, regenerando folhas, galhos e frutos.

Mas, o que isso tem a ver com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)?

Acredita-se que nesse processo de regeneração e poda pode haver alguma falha, responsável pelo surgimento de transtornos de aprendizagem e neuronais, como o autismo. Essa dita “conectividade anormal” pode fornecer uma justificativa para a dificuldade em assimilar novas habilidades, como falar e andar, por exemplo.

Em 2014 um importante estudo realizado por neurocientistas no Centro Médico da Universidade de Columbia – que foi publicado na revista científica Neuron, trouxe à luz uma nova perspectiva quanto ao funcionamento do cérebro de um autista.

A pesquisa demonstrou que as crianças com TEA possuíam um excesso de sinapses – as conexões entre as células cerebrais, o que segundo o artigo ocorreria devido a uma ineficiência no processo de poda neural durante o processo de desenvolvimento cerebral. Portanto, devido a esse fato poderiam ocorrer os déficits neurológicos comuns no autismo.

Com base nesse achado, os cientistas relataram que pode ser possível futuramente haver um tratamento que restaure e normalize a atividade da poda sináptica, podendo controlar ou reduzir os comportamentos típicos de quem está no espectro.

Novos horizontes

No final de 2017 mais um estudo liderado por brasileiros demonstrou um importante avanço na busca por expandir conhecimento no universo do TEA.

Dessa vez os pesquisadores foram além da análise da atividade dos neurônios. Eles verificaram que outro importante grupo de células do cérebro chamadas “astrócitos” possui papel fundamental no funcionamento do sistema neuronal, sendo peça-chave para compreender o mecanismo do espectro e, assim, contribuir com o aperfeiçoamento do tratamento para o distúrbio, de maneira personalizada.

“Estas células são responsáveis por sustentar e nutrir os neurônios e estão envolvidos em diversas atividades cerebrais.

Além disso, eles regulam a concentração de diversas substâncias do sistema neuronal, tendo assim potencial para interferir nas funções cerebrais de quem tem o espectro autista”, esclarece a autora principal, a neurocientista Fabiele Russo, que também é a idealizadora do portal NeuroConecta.

Com isso percebeu-se que não deve se focar apenas em testar drogas direcionadas para tratar neurônios, mas também para os astrócitos. Leia a reportagem completa aqui no site

Leia também: https://neuroconecta.com.br/minicerebros-para-o-estudo-do-transtorno-do-espectro-do-autismo/

Referências:

Berger JM, Rohn TT, Oxford JT. Autism as the Early Closure of a Neuroplastic Critical Period Normally Seen in Adolescence. Biological systems, open access.2013;1:10.4172/2329-6577.1000118. doi:10.4172/2329-6577.1000118.Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3864123/Acessado em 21 de janeiro de 2018.

Columbia University Medical Center. Children with Autism Have Extra Synapses in Brain. Newsroom CUMC. Disponível em http://newsroom.cumc.columbia.edu/blog/2014/08/21/children-autism-extra-synapses-brain/Acessado em 21 de janeiro de 2018.

DrDonna. Why Synaptic Pruning is Good. Learning Science. Disponível em https://www.gemmlearning.com/blog/learning_science/why-synaptic-pruning-is-good/Acessado em 22 de janeiro de 2018.

Tang, Guomei et al. Loss of mTOR-Dependent Macroautophagy Causes Autistic-like Synaptic Pruning Deficits. Neuron, Volume 83 , Issue 5 , 1131 – 1143. Disponível em < http://www.cell.com/neuron/fulltext/S0896-6273(14)00651-5> Acessado em 21 de janeiro de 2018.

Russo FB et al. Modeling the Interplay Between Neurons and Astrocytes in Autism Using Human Induced Pluripotent Stem Cells. Biol Psychiatry. 2017 Oct 3. pii: S0006-3223(17)32009-7. doi: 10.1016/j.biopsych.2017.09.021. Acessado em 21 de janeiro de 2018.

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Autismo é genético?

Neste artigo vamos falar sobre a questão da genética no autismo. Até a década de 1980, autismo era considerado um distúrbio adquirido por influência do ambiente. Hoje, os pesquisadores comprovaram que a genética desempenha um papel muito importante nas causas do autismo.

Saiba mais em: O que é autismo?

Mas o que é genética?

Mas vamos lá: você sabe o que significa o termo genética?

A genética é responsável por estudar os genes individuais de uma pessoa.

O código genético presente no DNA do ser humano é responsável por fornecer instruções para a construção das proteínas que compõem o organismo todo e direcionar seu crescimento e função. Os genes são as unidades do material genético responsável pela produção de importantes ferramentas para o organismo.

E atualmente sabemos que as mutações genéticas realmente estão ligadas ao surgimento do TEA. Sabe-se que quando genético, o TEA geralmente ocorre devido a alguma falha no processo do desenvolvimento cerebral, ainda no início do desenvolvimento fetal.

Isso é causado por defeitos nos genes que controlam o crescimento do cérebro e que regulam a forma como os neurônios se comunicam entre si.

Sobre o autismo

O autismo é um transtorno que afeta a estrutura e a função dos neurônios no cérebro. Alguns pesquisadores observaram que os neurônios dos autistas são mais curtos e possuem menos ramificações e a área mais afetada é o córtex cerebral que é a camada mais externa do nosso cérebro.

Por isso, as pessoas com TEA sentem dificuldades de linguagem, comunicação e socialização.

Uma única alteração genética é suficiente para causar o TEA, mas na maioria dos casos, o autismo não ocorre apenas devido a alterações em um único gene.

O que se sabe é que envolvem distúrbios moleculares complexos em múltiplos genes importantes.  Muitas dessas mutações genéticas têm a ver com a sinapse, o espaço pelo qual o estímulo é transmitido de um neurônio para outro.

Por meio das sinapses que os neurônios se comunicam para coordenar movimentos, percepções sensoriais, aprendizados e memórias. As sinapses são estruturas que se modificam de acordo com o uso, tornando-se mais ou menos sensíveis aos estímulos e essa plasticidade é a base essencial do aprendizado e da memória.

Hereditariedade

Uma questão muito importante sobre esse assunto é que há uma confusão entre hereditariedade e genética. O autismo pode surgir devido à genética, mas nem sempre é hereditário. Ou seja, o fato de ser genético não quer dizer que o autismo é passado pelos pais em todos os casos.

O que devemos ter em mente é que a causa do TEA é uma condição multifatorial com combinação de variantes genéticas raras e comuns, que podem ou não ser herdadas.

Apesar dos estudos científicos evidenciarem que no autismo a questão genética é a principal causa do TEA, o diagnóstico do Transtorno é baseado em exame clínico, realizado por neuropediatras, psiquiatras ou outros especialistas. 

Mesmo as pesquisas sendo bastante promissoras e muito tem sido descoberto e compreendido sobre o autismo nos últimos anos, ainda não se determinou exatamente o que causa o autismo.

Um estudo publicado em 2019 pelo JAMA Psychiatry confirmou que 97% a 99% dos casos de autismo têm causa genética, sendo 81% hereditário e cerca de 1 à 3% deve ter origem ambiental.

Atualmente há mais de 1.000 genes relacionados ao autismo.  O tema é bastante complexo, mas saber que o autismo está ligado a questões genéticas aumentam as chances de realizar um diagnóstico precoce e melhorar a forma como são realizadas as condutas terapêuticas para cada autista, de acordo com suas necessidades.

E como sabemos, quanto antes o TEA for descoberto, melhores serão as perspectivas de que a pessoa se desenvolva, aumente a autonomia e conquiste a sua independência.

Saiba mais em: Sinais do Autismo – Conheça 14 sinais que são comuns em crianças com autismo

Referências:

https://gene.sfari.org/

Autism Speaks.org

https://jamanetwork.com/journals/jamapsychiatry/article-abstract/2737582

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Desenvolvendo habilidades com Musicoterapia

Musicoterapia é internacionalmente reconhecida como uma atividade clínica e regulamentada na área da saúde. Essa terapia consiste na utilização da música no contexto clínico, educacional e social e tem como objetivo auxiliar no tratamento ou prevenção de problemas de saúde mental.

Na musicoterapia, o paciente vivencia a música de forma ativa através de diversas atividades de acordo com as suas necessidades clínicas, habilidades e potenciais.

A música é composta por melodia, harmonia e ritmo de uma maneira organizada e está presente em todas as culturas conhecidas. A música vem sendo utilizada em vários contextos, desde para o entretenimento, até para acalmar crianças agitadas, liberar emoções, expressar consciência social, dentre outras funções.

Essa abordagem terapêutica vem ganhando popularidade como uma estratégia de intervenção para crianças com transtornos do desenvolvimento, incluindo o autismo, já que essa terapia ajuda na melhora da qualidade de vida desses indivíduos.

O Transtorno do Espectro do Autismo, também conhecido como TEA, atinge aproximadamente 1-2% da população, afetando substancialmente a capacidade da criança em adquirir habilidades sociais.

A aplicação de intervenções eficazes para facilitar e desenvolver as habilidades sociais é essencial devido ao impacto que essas habilidades podem ter, ao longo da vida, sobre a independência e o funcionamento desses indivíduos.

Estudos mostram que a musicoterapia é uma prática eficaz, com efeitos profundos sobre a melhoria dessas habilidades em crianças com autismo.

Benefícios que a musicoterapia pode promover para os indivíduos com autismo

  • Promover o bem estar e satisfação emocional;
  • Diminuir o estresse;
  • Ajudar a expressar sentimentos;
  • Auxiliar na comunicação;
  • Auxiliar na melhora da memória;
  • Ajudar na criatividade;
  • Ajudar na socialização e interação;
  • Diminuir a hiperatividade;
  • Trabalhar as necessidades cognitivas.

As sessões de musicoterapia devem ser conduzidas por um musicoterapeuta qualificado, podendo ser individuais ou em grupo, mas o tratamento deve ser sempre individualizado de acordo com as necessidades de cada um.

Referências:

LaGasse AB. Social outcomes in children with autism spectrum disorder: a review of music therapy outcomes. Patient Relat Outcome Meas. 2017 Feb 20;8:23-32. doi: 10.2147/PROM.S106267.

Brown LS. The Influence of Music on Facial Emotion Recognition in Children with Autism Spectrum Disorderand Neurotypical Children. J Music Ther. 2017 Mar 1;54(1):55-79. doi: 10.1093/jmt/thw017.

Ghasemtabar SN, Hosseini M, Fayyaz I, Arab S, Naghashian H, Poudineh Z. Music therapy: An effective approach in improving social skills of children with autism. Adv Biomed Res. 2015 Jul 27;4:157. doi: 10.4103/2277-9175.161584.

 

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