Já falamos aqui em como a Análise de Comportamento Aplicada (ABA) é eficaz para melhorar os comportamentos e o desenvolvimento dos autistas.

Comprovada cientificamente, a Ciência ABA oferece técnicas que desenvolvem as habilidades  essenciais da vida diária e reduz comportamentos inadequados relacionados ao transtorno.

Mas como saber se a equipe de profissionais realmente está aplicando a ABA corretamente?

A seguir, detalhamos algumas questões importantes para você avaliar se seu filho ou filha está fazendo ABA de verdade.

 

Técnicas sem comprovação científica

A Análise de Comportamento Aplicada (ABA) é uma ciência comprovada que possibilita compreender as ações e habilidades das pessoas autistas e como elas podem ser influenciadas pelo meio ambiente.

Não podem ser aplicadas técnicas experimentais, sem comprovação científica. Esta forma de intervenção, que já existe há mais de 50 anos, pode contribuir com uma melhora nas interações sociais, aprendizagem de novas competências e manter comportamentos positivos.

 

Usam várias técnicas

Geralmente, são usadas várias técnicas ao mesmo tempo para evitar a estagnação e o tédio da criança. Por isso, é fundamental ter o apoio de especialistas capacitados que possam avaliar a pessoa e definir qual é a melhor estratégia.

As técnicas se esforçam para substituir comportamentos inadequados por outros mais positivos e apropriados. Melhorar a concentração, a motivação, a fala e as interações sociais da criança também são importantes e trabalhadas de forma individual.

 

Não mensuram os avanços e nem usam escalas

A ABA é uma ciência que estuda as leis que regem a interação do indivíduo com o ambiente e após uma análise dos comportamentos é possível traçar um plano de ação para modificá-los.

É preciso realizar uma avaliação inicial para checar as habilidades do indivíduo e nortear os pontos principais da intervenção.

Além disso, as metas devem ser avaliadas frequentemente e as escalas atualizadas.

Como a ABA é uma tecnologia de ensino individual, o especialista em ABA deve conhecer e saber usar mais de uma escala de habilidades.

Também é importante saber se a equipe produz gráficos para mensurar o aumento ou diminuição dos comportamentos-alvo e para avaliar o desenvolvimento das habilidades trabalhadas durante a intervenção.

 

Formação dos profissionais

É fundamental que os especialistas sejam capacitados em ABA. Além do curso de graduação, o profissional precisa ter realizado uma especialização em Análise do Comportamento e ter um certificado. Os aplicadores ABA devem ter um curso de capacitação ou treinamento e contar com a supervisão de um especialista.

 

Tratamento individualizado

Os pais devem ficar atentos se as técnicas propostas se adequam às necessidades específicas do seu filho ou filha.

A ABA não é um método, ou seja, não há manual específico para todos. As atividades de intervenção devem ser realizadas de forma individual.

 

Duração

É preciso se atentar para o período em que ocorrem as intervenções. Para ser efetiva,  geralmente ela precisa ser intensiva: pode ser realizada cerca de 15 a 40 horas por semana.

Sendo assim, se seu filho ou filha faz apenas uma hora por semana de ABA, desconfie!

 

Foco correto

O foco da intervenção não deve ser apenas a eliminação dos comportamentos inadequados, mas principalmente no desenvolvimento de novas habilidades.

A intervenção deve procurar identificar as razões que causam os comportamentos problemáticos. Isso porque sempre há uma razão para a criança agir de determinada maneira.

 

Trabalho em conjunto

Geralmente, as crianças com autismo passam por mais de uma intervenção ao mesmo tempo. É comum que sejam atendidos por psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, pediatras, neurologistas, entre outros.

É fundamental que os profissionais trabalhem em conjunto, troquem informações e até mesmo tenham a supervisão constante de um Analista do Comportamento.

 

Referências:

https://childmind.org/article/know-getting-good-aba/

https://www.autismspeaks.org/applied-behavior-analysis

 

Neurocientista que estuda o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) há mais de 10 anos, Fabiele Russo é Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) com Doutorado sanduíche no exterior pelo Departamento de Pediatria da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD) e Pós-doutorado pela USP. Possui ampla experiência na área do autismo.