Inclusão escolar: um direito das pessoas com TEA

Quando se trata de educação, todos os pais têm esperanças, sonhos e planos para os filhos. Um dos desafios dos pais e cuidadores de pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é saber como contribuir com o processo de inclusão escolar.

É importante que ocorra uma parceria entre pais, escola e profissionais envolvidos na educação da criança no ambiente escolar.

Mas, a inclusão escolar vai muito além de fazer com que a pessoa com TEA esteja em uma sala de aula. Muitas crianças e adolescentes com TEA apresentam dificuldades na interação e na comunicação com outras pessoas, comportamentos repetitivos e pouco interesse em realizar atividades próprias da idade.

A inclusão escolar é fazer com que o aluno se envolva nas atividades e tenha uma experiência de qualidade.

Além de desenvolver suas habilidades, participar da rotina da escola, aprender e brincar com outras crianças.

O aluno necessita fazer parte da turma, interagir com os colegas e professores, compreender o conteúdo das aulas e se desenvolver de acordo com suas limitações e particularidades.

Como escolher a escola?

No Brasil, desde 2012, há a lei n. 12.764 que determina que pessoas com autismo devam frequentar escolas regulares e também têm o direito de ter um acompanhamento, se necessário.

Mesmo com isso estabelecido na legislação, os pais podem encontrar dificuldades para encontrar uma escola com disponibilidade e capacidade para lidar com as limitações de um aluno com autismo e que realmente façam uma inclusão escolar adequada.

Escolher uma boa escola pode ser difícil, uma vez que depende muito das necessidades individuais da criança.

Para que essa inclusão ocorra, a escola e a grade curricular devem ser adaptadas de acordo com o aluno com TEA.

É importante ter o apoio da direção da escola, pois a criança precisará de alguns recursos, profissionais e apoio especializado para atender às suas necessidades.

Os pais devem examinar as diferentes opções de escolas disponíveis com bastante antecedência. A maioria das escolas tem sites e é possível marcar uma visita para saber se a estrutura é adequada.

Observe a sala de aula, assim como os outros alunos e o professor com quem seu filho passará parte do tempo.

Não deixe de se encontrar com o diretor ou responsável pela escola, que juntamente com os demais educadores, garantirão a participação das famílias e dos estudantes no processo de aprendizado.

Busque estabelecer espaços de diálogo que viabilizem a participação ativa de todos os envolvidos – professores comuns, professores do atendimento educacional especializado (AEE), coordenador pedagógico, diretor, auxiliares de limpeza, merendeiros, entre outros.

Essa é a melhor forma de atingir os objetivos de aprendizagem e garantir a inclusão e a convivência com outros alunos.

Os professores e responsáveis pela educação devem identificar os interesses e as necessidades do aluno.

Com um profissional do atendimento educacional especializado nas escolas é possível identificar o que está atrapalhando ou impedindo a aprendizagem.

Escolha aquela escola que queira incluir seu filho e sua família, além de valorizar e respeitar a pessoa com o Transtorno, suas habilidades e suas diferenças.

Há a necessidade de manter uma relação baseada em cooperação e apoio mútuo.

Lembrando que a escola não pode se recusar a matricular o aluno com TEA e se a instituição dificultar seu acesso ao ambiente escolar está cometendo um crime.

LBI

De acordo com a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), o acesso à escola para crianças e adolescentes não pode ser negado em qualquer circunstância, tanto da rede pública quanto particular. E também não pode ser cobrado nenhum valor adicional nas mensalidades devido ao Transtorno.

Caso encontre dificuldades a ter direito a uma educação inclusiva, é possível entrar em contato com a Secretaria de Educação do município e até o Ministério Público para exigir os direitos do estudante.

Conseguir desenvolver suas potencialidades, participar em igualdade de condições com outros alunos é um direito da pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo.

Referências:

https://www.verywellhealth.com/educational-options-for-children-with-autism-260393

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Transtorno bipolar na infância e autismo

Pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) podem apresentar transtornos psiquiátricos associados, conhecidos como comorbidades.

Há casos de crianças que manifestam até mais de um deles. Entre eles, destaca-se o Transtorno Bipolar, conhecido como bipolaridade.

O que é o Transtorno Bipolar?

O Transtorno Bipolar ou Transtorno Afetivo Bipolar é uma condição que causaalterações de humor que vão da depressão a episódios de obsessão (maníacos). Esses ciclos podem permanecer por dias, semanas ou até meses.

Há pessoas com TEA que também apresentam bipolaridade. Além disso, é bastante frequente que as crianças com autismo sejam diagnosticadas com bipolaridade. Por isso, é importante reconhecer os sinais e os sintomas de cada um.

Como acontece com outros transtornos psiquiátricos, estudos sugerem que o Transtorno Bipolar pode ser relativamente comum entre crianças e adultos com autismo. Alguns estudos descobriram que até 27% das pessoas com autismo também apresentam sintomas de Transtorno Bipolar. Por outro lado, sua prevalência na população geral é de cerca de 4%.

Sabe-se que o Transtorno Bipolar pode estar ligado à genética. Pesquisadores identificaram alguns dos genes que podem estar relacionados ao transtorno bipolar e vários deles também podem estar ligados ao autismo. Entretanto, ainda precisam ser realizados estudos para entender a relação entre o autismo e o transtorno bipolar.

Então, os sintomas do transtorno bipolar se enquadram em duas categorias: maníacos e depressivos. Os sinais de um episódio maníaco incluem: felicidade extrema e otimismo, aumento de energia e agitação, autoestima inflada, distúrbios do sono e distração excessiva.

Já os sintomas de um episódio depressivo mostram quadros de depressão, perda de interesse em atividades normais, mudanças no apetite, perda ou ganho de peso, cansaço e perda de energia, sono intenso e falta de concentração.

Como reconhecer uma criança com autismo e transtorno bipolar?

Os sintomas incluem fala rápida e praticamente ininterrupta, irritabilidade, euforia, depressão, estimulação constante, diminuição abrupta do sono e aumento da impulsividade. Veja detalhes:

Autoestima bastante inflada

Quando uma criança não pode falar ou tem um distúrbio de comunicação, pode ser difícil identificar esse sintoma. Mas, a criança pode parecer excessivamente feliz ou rir inadequadamente ou até mesmo de forma histérica. Ela pode mostrar irritabilidade em vez de bom humor e o comportamento pode se tornar mais agressivo. As “birras” podem aumentar.

Alterações no sono

Muitas crianças com autismo podem ter problemas para dormir. Mas, os pais devem se atentar se ele está dormindo de forma excessiva e não quer mais sair da cama.

Falar mais do que o habitual

Muitas crianças e adultos com autismo e transtorno bipolar apresentam um aumento na fala e vocalizações.

Distração

A atenção é facilmente atraída para estímulos externos que não são importantes. Quem tem autismo e bipolaridade fica mais distraído do que o habitual.

Excessos

A criança pode dormir excessivamente, se autoestimular em excesso, comer compulsivamente, ir ao banheiro com mais frequência ou se envolver em qualquer outro comportamento prazeroso com mais frequência e intensidade.

O que fazer ?

É importante que os pais conversem com o médico para realizar uma avaliação logo que desconfiarem de uma comorbidade (duas condições ao mesmo tempo).

Geralmente, um psiquiatra fará o diagnóstico por meio de análise dos sintomas apresentados na criança, olhando atentamente quando se iniciaram e quanto tempo durou.

O tratamento geralmente envolve medicação, mas existem intervenções comportamentais e alternativas que também são eficazes e devem ser discutidas pelos pais e especialistas.

Referências:


– https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2590592/
– https://www.healthline.com/health/bipolar-and-autism

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