Musicoterapia no autismo: uma intervenção baseada em evidências

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A musicoterapia é uma intervenção baseada em evidências científicas que usa a música e seus componentes (melodia, harmonia e ritmo) para atender às necessidades físicas, emocionais, cognitivas e sociais dos indivíduos. 

Portanto, depois de avaliar os pontos fortes e as necessidades de cada um, o musicoterapeuta qualificado estabelece o tratamento adequado usando técnicas específicas — o que inclui cantar, tocar instrumentos e ouvir música.

A musicoterapia também oferece caminhos de comunicação que podem ser úteis para aqueles que têm dificuldade em se expressar em palavras. 

Essa terapia consiste na utilização da música no contexto clínico, educacional e social e tem como objetivo auxiliar no tratamento ou prevenção de problemas de saúde mental.

Os musicoterapeutas avaliam o bem-estar emocional, a saúde física, o funcionamento social, as habilidades de comunicação e as habilidades cognitivas por meio de respostas musicais.

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Esses profissionais trabalham em hospitais, ambulatórios, centros de tratamento, lares de idosos, escolas e consultórios particulares.

Várias abordagens terapêuticas têm sido exploradas para desenvolvimento e melhora da qualidade de vida das pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Entre essas abordagens, a musicoterapia emergiu como uma intervenção promissora, demonstrando resultados significativos e impactantes.

Neste artigo, mergulharemos nas raízes da musicoterapia no contexto do autismo, descrevendo seus benefícios, suas bases científicas e evidências de eficácia.

Benefícios para autistas

Essa abordagem terapêutica vem ganhando cada vez mais reconhecimento como uma estratégia de intervenção para crianças com transtornos do desenvolvimento, incluindo o autismo. Isso porque a musicoterapia ajuda na melhora da qualidade de vida desses indivíduos.

Sabe-se que quem está no espectro apresenta dificuldades nas habilidades sociais. Estudos mostram que a musicoterapia é uma ferramenta eficaz, com efeitos profundos sobre a melhoria dessas habilidades em crianças com autismo.

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Entre os benefícios que a musicoterapia pode promover para os indivíduos com autismo estão: diminuição do estresse, expressar melhor os sentimentos e se comunicar melhor.

Dessa forma, melhora os comportamentos sociais, aumenta o foco e a atenção, contribui com a comunicação (vocalizações, verbalizações, gestos e vocabulário), reduz a ansiedade e melhora a consciência corporal e a coordenação.

Além de ajudar no bem-estar e satisfação emocional, na memória, na criatividade e na socialização e interação. Além disso, a musicoterapia também ajuda a diminuir a hiperatividade e a trabalhar as habilidades cognitivas.

Como funciona?

As sessões de musicoterapia devem ser conduzidas por um musicoterapeuta qualificado. Elas podem ser individuais ou em grupo, mas o tratamento deve ser sempre individualizado de acordo com as necessidades de cada um.

No caso de pessoas com autismo, o especialista da área desenvolve a intervenção terapêutica de acordo com as necessidades clínicas, habilidades e potenciais do autista.

Uma vez que os musicoterapeutas atendem a uma ampla variedade de pessoas com diferentes tipos de necessidades, não existe uma sessão comum e geral. Por isso, as sessões são elaboradas e as músicas selecionadas com base no plano de tratamento individual de cada pessoa. 

As crianças ou jovens com autismo passam a compartilhar instrumentos, música e brincadeiras, além de aprender a ouvir e cantar nas sessões de musicoterapia.

Os estímulos sensoriais abrangem o processamento auditivo, reconhecimento e discriminação de sons.

Já em relação aos estímulos motores, há a manipulação dos instrumentos musicais e da movimentação do corpo.

E a estimulação cognitiva é incentivada por meio das experiências musicais que melhoram a atenção, a concentração e a memória.

Vale destacar que a musicoterapia é uma técnica e por isso exige profissionais qualificados que façam pesquisa e treinamento clínico para usar a música e seus elementos como som, melodia, ritmo para facilitar o processo terapêutico.

Por isso, é fundamental buscar por um musicoterapeuta habilitado, de preferência com formação em música e na área da saúde.

Evidências Científicas da Eficácia da Musicoterapia no Autismo

A musicoterapia tem ganhado destaque como uma intervenção promissora para indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), apoiada por uma crescente base de evidências científicas. Diversos estudos têm investigado os efeitos da musicoterapia em crianças e adultos com TEA, revelando resultados encorajadores. Por exemplo, pesquisas demonstraram melhorias significativas nas habilidades de comunicação, interação social e comportamento em indivíduos submetidos a sessões regulares de musicoterapia.

Além disso, as evidências também sugerem que a musicoterapia pode influenciar positivamente aspectos emocionais e cognitivos de pessoas com TEA. Por meio da música, indivíduos com autismo podem experimentar uma redução no estresse e ansiedade, bem como um aumento na atenção e foco. Esses benefícios são especialmente significativos, pois contribuem para uma melhoria geral na qualidade de vida desses indivíduos e suas famílias.

Um aspecto importante a ser destacado é a variedade de abordagens dentro da musicoterapia, permitindo uma personalização dos tratamentos de acordo com as necessidades específicas de cada pessoa com TEA. Seja por meio da improvisação musical, criação de playlists personalizadas ou participação em grupos musicais, a musicoterapia oferece uma gama de opções terapêuticas que podem ser adaptadas para atender às preferências e habilidades de cada indivíduo.

Leia também: Como estimular o aprendizado através do brincar

Referências

https://www.musictherapy.org/about/musictherapy/

https://www.verywellmind.com/benefits-of-music-therapy-89829

https://raisingchildren.net.au/autism/therapies-guide/music-therapy

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Dra. Fabiele Russo

Neurocientista, especialista em Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Pesquisadora na área do TEA há mais de 10 anos. Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) com Doutorado “sanduíche” no exterior pelo Departamento de Pediatria da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD). Realizou 4 Pós-doutorados pela USP. É cofundadora da NeuroConecta e também, coautora do livro: Autismo ao longo da vida.