O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta a forma em que a pessoa percebe o mundo e interage com as pessoas e com o que está ao seu redor.

Ele pode aparecer em níveis diferentes e, algumas vezes, a pessoa autista pode migrar de um grau para o outro.

Primeiramente, vamos esclarecer os níveis do autismo.

Nível 1: é o autismo leve e requer pouco suporte. A pessoa enfrenta alguns desafios sociais como dificuldade para iniciar conversas com outras pessoas ou responder. Com isso, pode ser difícil fazer amigos, especialmente sem o apoio de especialistas.

Dessa forma, o autista sente necessidade de seguir padrões comportamentais rígidos, são mais apegados na rotina e não gostam de mudanças.

Nível 2: é o nível moderado do autismo, a pessoa precisa de mais suporte do que quem está com autismo nível 1. Assim, não conseguem manter uma conversa, falam pouco, sentem dificuldade com a comunicação não verbal como reconhecer expressões faciais. Sofrem muito com as mudanças.

Nível 3: é o nível mais severo e a pessoa precisa de mais apoio do que todos os outros níveis. Apresentam dificuldade severa na comunicação verbal e não verbal. São muitos limitados para interagir com outras pessoas.  

Apresentam comportamentos repetitivos e restritivos que interferem diretamente na vida dele e das pessoas em sua volta. São mais dependentes dos pais e cuidadores para realizar as atividades do dia a dia, como trocar de roupa ou comer.

É possível migrar de grau?

Com  a ciência ABA e outras intervenções baseadas em evidências, é possível ampliar a capacidade cognitiva, motora, de linguagem e de integração social do autista.

O autista no nível 3 normalmente precisa aperfeiçoar suas habilidades básicas, como olhar, ouvir e imitar, ou complexas como ler, conversar e interagir.

O objetivo das intervenções é permitir que os indivíduos sejam bem-sucedidos e menos dependentes.

Com todas as intervenções é possível migrar do nível 3 para o nível 2 ou do nível 2 para o nível 1, por exemplo. Esse é o objetivo das intervenções, desenvolver habilidades e consequentemente mais autonomia e independência da pessoa com autismo.

A criança ou jovem com autismo no nível 1 se não for estimulada desde cedo, poderá aumentar as suas limitações sociais e seguir para o nível 2, precisando assim de mais de suporte. Isso é mais raro, mas pode acontecer também.

Vale destacar que é fundamental buscar por uma equipe multidisciplinar especializada no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

A importância da intervenção precoce

Agora que falamos sobre os níveis do autismo podemos explicar como a intervenção precoce pode ajudar quem tem TEA a evoluir, se desenvolver e ter mais qualidade de vida.

A intervenção precoce é fundamental para o sucesso na comunicação, socialização, coordenação motora e outros aspectos do crescimento das crianças com autismo.

Diversas pesquisas demonstraram que a aprendizagem e desenvolvimento da criança ocorrem mais rapidamente na idade pré-escolar.

Por isso, a intervenção precoce ajuda as crianças com autismo a se desenvolver e aprender e não regredir os comportamentos.

Para ter sucesso, a intervenção precoce precisa ser individualizada, ou seja, ser elaborada de acordo com a necessidade de cada pessoa.

Cada um responde de maneira às intervenções e não há um modelo de programa único que seja adequado para todos.

O papel da família e pessoas próximas

Independentemente do grau do autismo, a pessoa com TEA precisa da compreensão e apoio dos familiares.

Muitas vezes, são necessárias muitas intervenções e terapias. Se for uma criança em idade escolar, ainda é necessário ajudá-la a interagir e encontrar formas para que ela consiga aprender respeitando o seu ritmo.

Geralmente, os pais e cuidadores precisam reforçar os comportamentos em casa. Por isso o treinamento e capacitação dos pais é tão imporantante. Além disso, é preciso paciência, amor e perseverança para que o autista evolua e consiga interagir e aumentar suas habilidades sociais.

Já no caso de adultos, é preciso compreender suas limitações sociais e ajudá-lo nas relações interpessoais como relacionamentos e trabalho.

O caminho pode ser longo, mas com respeito e dedicação, o autista conseguirá aumentar a sua qualidade de vida.

Referências

http://www.autismsupportnetwork.com/news/what-aba-now-really-autism-33299272

https://www.medicalnewstoday.com/articles/325106

Neurocientista que estuda o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) há quase 10 anos, Fabiele Russo é Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) com Doutorado no exterior pelo Departamento de Pediatria da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD) e Pós-doutorado pela USP. Possui ampla experiência na área do autismo.