Já falamos algumas vezes sobre a importância de identificarmos os sinais do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) em sua fase inicial.  Quanto mais cedo ocorrer o diagnóstico, mais rapidamente o autista começará as intervenções precoces.

Com isso, conseguirá desenvolver as habilidades cognitivas, sociais e de linguagem. Dessa forma, o autista terá mais qualidade de vida, independência e autonomia para realizar as atividades diárias.

O diagnóstico do TEA ainda pode ser considerado essencialmente clínico, baseado em evidências científicas, em conformidade com os critérios estabelecidos por DSM–V (Manual de Diagnóstico e Estatístico da Sociedade Norte-Americana de Psiquiatria) e pelo CID-10 (Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde – OMS).

Os sinais do autismo geralmente se manifestam antes dos três anos de idade, mas há casos que já podem ser identificados por volta dos 18 meses de vida da criança.

A seguir, veja os 10 principais sinais de autismo.

  1. Pouco contato visual

A criança não olha quando é chamada pelo nome ou não sustenta o olhar. Sabe-se que essa dificuldade ocorre devido a uma resposta a uma sensação de desconforto quando expostas a muitos estímulos sociais.

Muitos não conseguem se concentrar na fala e nos olhos das pessoas ao mesmo tempo. E também não entendem que o olhar fornece informações em uma interação.

  1. Dificuldade de interação

Muitas crianças e adultos autistas apresentam dificuldades na interação social e precisam de ajuda para aprender a agir em diferentes tipos de situações sociais.

É comum que o autista tenha dificuldade de entender outras pessoas, como expressões faciais ou linguagem corporal. Além de não gostarem tanto de contato físico e afetivo. Também não gostam de compartilhar objetos e preferem brincar sozinhos. Por conta disso, sentem mais dificuldade de fazer amigos.

  1. Não imitam

Os bebês começam a imitar atitudes e comportamentos por volta dos seis a oito meses de vida.

A imitação envolve a capacidade de uma criança de copiar as ações de adultos e colegas. Com isso, elas aprendem a realizar ações com objetos, a fazer gestos e movimentos corporais como bater palmas ou acenar e também a se comunicar.

Crianças que estão no espectro costumam ter grande dificuldade em imitar. Isso pode comprometer o seu desenvolvimento.

  1. Não atender quando são chamadas

A criança com autismo normalmente não responde quando é chamado pelo nome. É importante destacar que com cerca de um ano, o bebê neurotípico (não autista) consegue reagir ao ser chamado.

Sendo assim, reconhece seu nome e que as pessoas estão falando com ele, ou seja, responde a esse estímulo. Isso normalmente não acontece com crianças com autismo.

Geralmente, elas não esboçam reações e é como se não tivessem ouvindo seus pais chamando ou interagindo com elas.  Podem também fixar o olhar em algum objeto incomum.

  1. Dificuldade em atenção compartilhada

A atenção compartilhada acontece quando duas pessoas focam em um mesmo objeto ou dão atenção para uma mesma conversa, por exemplo. Essa atenção pode ocorrer por meio do olhar, gestos ou quando alguém aponta ou indica algo, além de palavras.

A atenção compartilhada contribui com a comunicação e a aprendizagem. No entanto, vale destacar que alguns autistas podem ter dificuldades para conseguir se comunicar dessa forma. Assim, eles não demonstram interesse em brincadeiras coletivas e parecem não entender as brincadeiras.

  1. Atraso na fala

A criança acima de dois anos que não fala palavras ou frases deve receber maior atenção.  Alguns autistas apresentam problemas de fala ou atraso de linguagem.

É importante que os pais e os responsáveis fiquem atentos aos marcos de desenvolvimento da fala. Se achar que a criança está demorando muito para balbuciar ou falar as primeiras palavras, vale a pena conversar com um pediatra.

  1. Não usam a comunicação não verbal

A criança, geralmente, não usa as mãos para indicar algo que quer. Algumas pessoas com autismo não verbal desenvolvem a capacidade de usar algumas palavras de maneira significativa, mas são incapazes de continuar qualquer tipo de conversa.

Eles podem se comunicar por meio da linguagem escrita, por gestos, cartões ou por meio da tecnologia com aplicativos ou eletrônicos.

  1. Comportamentos sensoriais incomuns

Estudos mostram que as habilidades sensoriais dos autistas podem ser ineficientes. Eles podem, por exemplo, ter uma sensibilidade maior aos estímulos do ambiente ou ainda uma sensibilidade muito menor.

Quando há hipersensibilidade, a pessoa percebe os estímulos do ambiente com mais facilidade. Por isso, acham as luzes e as cores muito brilhantes, os sons ficam bem intensos, os odores se tornam muito fortes e as sensações táteis são interpretadas de modo profundo.

Já quem tem hipossensibilidade precisa de bastante excitação ou esforço para sentir o estímulo. Nesses casos, a pessoa costuma ser agitada, faz mais bagunça, tem pouca resposta à dor ou gosta de muito barulho, por exemplo.

Os autistas muitas vezes sentem muitas dificuldades para lidar com as diversas sensações do ambiente.  É muito comum pessoas com autismo apresentarem essas questões sensoriais e se sentirem incomodadas com sons, luzes, texturas, movimentos, toques e sabores. E isso pode levar a crises.

  1. Não brincar de ‘faz de conta’

A criança autista não costuma criar suas próprias histórias, não participa das brincadeiras dos colegas nem utiliza brinquedos para simbolizar personagens.

Nesses casos, costumam ser mais solitárias e brincam com partes de brinquedos, como um botão, por exemplo.

  1. Movimentos estereotipados

Os autistas podem realizar movimentos, comportamentos e/ou atividades desencadeadas de maneira involuntária e repetitiva.

Com isso, podem chacoalhar as mãos, balançar-se para frente e para trás, correr de um lado para outro, pular ou girar sem motivos aparentes.

Os movimentos podem se intensificar em momentos de felicidade, tristeza ou ansiedade.

 

Referências

https://autismsciencefoundation.org/what-is-autism/autism-diagnosis/

https://www.autismspeaks.org/signs-autism

Neurocientista que estuda o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) há quase 10 anos, Fabiele Russo é Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) com Doutorado no exterior pelo Departamento de Pediatria da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD) e Pós-doutorado pela USP. Possui ampla experiência na área do autismo.