Conheça o protocolo de avaliação VB-MAPP

O Verbal Behavior Milestones Assesment and Placement Program (VB-MAPP) é um protocolo de avaliação usado dentro da análise de comportamento aplicada – Terapia ABA, e visa identificar e avaliar as habilidades de linguagem. Em português significa “Programa de Avaliação e Colocação de Marcos do Comportamento Verbal”, na tradução livre.

O criador do protocolo sugere que a linguagem é um comportamento aprendido.  Por isso, o VB-MAPP é uma avaliação realizada com base em critérios de desenvolvimento típicos da linguagem e interação social.

O VB-MAPP costuma ser aplicado em alunos que apresentam distúrbio de desenvolvimento e possuem dificuldade na linguagem. Pode ser considerada uma ferramenta que mede pontos fortes e fracos em vários marcos do desenvolvimento, particularmente em linguagem e dificuldades em adquirir habilidades.

Além disso, fornece uma extensa lista de verificação para acompanhar o progresso da pessoa ao longo do tempo.

Há cinco componentes do VB-MAPP que fornecem um nível de base de desempenho, uma direção para a intervenção, um sistema de rastreamento e aquisição de habilidades, uma ferramenta para medidas de resultados, outros projetos de investigação da linguagem e uma estrutura para planejamento curricular.

Cada parte do VB-MAPP fornece à equipe da ABA informações importantes que serão usadas no desenvolvimento do programa de tratamento do autista. Ele é organizado por marcos que são usados para avaliar e acompanhar o progresso ao longo do tempo.

Os resultados da avaliação ajudam a priorizar as necessidades de intervenção, fornecer um feedback aos pais e outros profissionais, orientar o planejamento do currículo e acompanhar a aquisição de habilidades.

 

Níveis de avaliação

A avaliação dos marcos é dividida em três níveis de desenvolvimento (0 a 18 meses, 18 a 30 meses e 30 a 48 meses), com base na obtenção de marcos no desenvolvimento de crianças em desenvolvimento típico.

O nível 1 da avaliação inclui as habilidades precoces, o tato, a habilidade de ouvir, social, visual-perceptivo, imitação motora e comportamento vocal espontâneo.

O nível 2 da avaliação inclui avaliação contínua das habilidades expandidas de nível 1 (com exceção do comportamento vocal espontâneo), bem como uma avaliação do ouvinte respondendo por função, recurso e classe, intraverbais, rotinas de sala de aula e grupo e habilidades linguísticas.

O nível 3 expande as habilidades direcionadas no nível 2 e avalia comportamentos pré-acadêmicos em leitura, matemática e redação.

 

Avaliação de barreiras

Um dos componentes do VB-MAPP é a avaliação de barreiras. Observa-se o que pode estar prejudicando o desenvolvimento da criança e se há alguma barreira de aprendizagem.

É possível identificar todas as áreas que podem fazer com que o autista não tenha sucesso no desenvolvimento de seu repertório verbal. Nas avaliações de barreiras desenvolve-se uma lista de 0 a 4 para cada barreira e assim determina-se em qual nível a criança está.

Ao reconhecer as barreiras, o terapeuta ABA poderá criar um programa adequado para ajustar qualquer comportamento. 

São 24 barreiras identificadas, entre elas destacam-se:

  • comportamentos negativos como choramingar ou ser agressivo;
  • dificuldade para dizer o que quer;
  • erros de sintaxe;
  • imitação motora ausente ou fraca;
  • não consegue repetir;
  • habilidades perceptivas visuais ausentes ou fracas;
  • não respondeperguntas ou responde incorretamente;
  • comporta-se de maneira inadequada para a idade;
  • comportamento obsessivo-compulsivo;
  • hiperatividade;
  • dificuldade em fazer contato visual ou prestar atenção nas pessoas;
  • sensibilidade a sons e texturas.

Avaliação de transição e Task Analysis

Outro componente do VB-MAPP é a avaliação de transição. Ele ocorre quando a criança sai do ensino especial e segue para o regular. A equipe consegue definir qual será o formato educacional mais indicada para cada pessoa, considerando o ambiente e limitações individuais.

A avaliação de transição VB-MAPP possui 18 áreas de avaliação. Ela pode ajudar a identificar se uma criança está fazendo um progresso significativo e adquiriu as habilidades necessárias para aprender em um ambiente educacional.

Incluem-se na avaliação os comportamentos negativos, rotinas de sala de aula e habilidades de grupo, sociais, independência acadêmica, aprendizado no ambiente natural, adaptação em mudanças, espontaneidade e até mesmo habilidades de higiene e alimentação.

Já o Task Analysis ou análise de tarefas e rastreamento de habilidades é um componente que divide uma habilidade maior em pequenas tarefas para chegar a um objetivo.

Há uma lista de verificação de habilidades que apoiam os marcos do desenvolvimento e podem ser usadas para atividades curriculares diárias e rastreamento de habilidades. Existem aproximadamente 900 habilidades apresentadas e cada uma delas desempenha um papel importante para cada criança.

 

Referências

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4883535/

https://marksundberg.com/vb-mapp/

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Conheça os pré-requisitos para leitura e escrita

Para que as habilidades de leitura e escrita se desenvolvam, é necessário ter alguns pré-requisitos. No entanto, esse processo pode demorar um pouco mais para algumas.

Embora todas as crianças se desenvolvam em seu próprio ritmo, há habilidades de prontidão para leitura que as crianças geralmente desenvolvem com base em sua idade.

Saber disso ajuda os pais e os responsáveis a conseguirem acompanhar o desenvolvimento da criança e dar atenção extra, se for necessário.

Antes que qualquer criança possa aprender a ler e escrever é necessário que ela desenvolva algumas habilidades de pré-leitura.

Isso ajuda as crianças a decodificar palavras de forma independente e ler bem. Essas habilidades são uma parte importante da preparação da criança para a escola e seu desenvolvimento inicial da alfabetização.

Por que essas habilidades são importantes?

As atividades de pré-escrita e pré-leitura ajudam as crianças a desenvolver sua memória visual, sua capacidade de atenção e a capacidade de identificar objetos.

A pré-leitura é a etapa anterior à leitura real. Observar uma ilustração  e interpretar emoções, personagens, identificar conceitos de tempo, corporais e espaciais contribui para o desenvolvimento da capacidade de atenção das crianças.

Associar ilustrações a palavras ajuda as crianças a descobrir que tudo o que vêem pode ser escrito e lido.

Já a pré-escrita precede a escrita real. Os exercícios de pré-escrita ajudam as crianças a desenvolver suas habilidades motoras finas.

A seguir, veja detalhes dos pré-requisitos para leitura e escrita.

1.   Motivação

A criança precisa se sentir motivada para ler. É importante que os pais incentivem a leitura desde cedo. Vale a pena investir em livros infantis com bastante figuras e cores. Sempre que possível leia para seus filhos e deixe que eles escolham o que gostariam de ler.

2.  Habilidades linguísticas

A criança precisa ser capaz de descrever coisas e recontar eventos da história. É importante que a criança seja incentivada a contar histórias e a fazer perguntas sobre o que leu ou leram para ela.  Dessa forma, ela consegue compartilhar suas ideias e conhecimentos.

3.  Compreensão das letras/impressão

Para aprender a ler, as crianças devem entender como funcionam os livros ou  conceitos de impressão.

É importante que manuseiem os livros, vire as páginas na direção certa, leia da esquerda para a direita e de cima para baixo e compreenda que as palavras representam uma palavra falada e transmitem uma mensagem.

4.   Vocabulário

Nesse sentido, vocabulário significa simplesmente conhecer os nomes dos objetos, dar nome a sentimentos ou ideias.

Os pais devem ensinar sempre que possível o significado das palavras e aumentar o repertório do vocabulário aos poucos.

5.   Consciência fonêmica

A consciência fonêmica é a peça que precede a fonética. Isso significa ser capaz de entender que as palavras são compostas de sons menores e conseguir brincar com esses sons individuais,  que são chamados de fonemas.

Dessa forma, as crianças têm consciência fonêmica quando percebem que algumas palavras começam com o mesmo som; identificar o primeiro ou o último som de uma palavra; combinar os sons separados da palavra para soletrá-la e conseguir dividir uma palavra em sons separados.

6.   Conhecimento das letras

As crianças precisam entender que as letras são diferentes e têm significados distintos umas das outras. Além de terem seu próprio nome e som. Os pais devem ajudar a identificar nomes de letras e sons.

A participação de pais e cuidadores é fundamental nesse processo e é necessário ficar atento na evolução da aprendizagem dos filhos e filhas.

A alfabetização pode começar logo nos primeiros anos de vida e até mesmo em casa com brincadeiras.

7.     Habilidades motoras

Começar a escrever inclui habilidades motoras finas e coordenação olho-mão para controlar as ferramentas de escrita como canetas e lápis.

Aprender a ler e escrever são habilidades inter-relacionadas que se desenvolvem em etapas.

Além disso, a criança que aprende a ler e a escrever se abre para um novo mundo cheio de possibilidades.

Mas vale lembrar que cada criança tem seu ritmo para se desenvolver desde que dentro dos marcos do desenvolvimento. Se perceber algum atraso, busque ajuda especializada o quanto antes.

Referências:

https://abcsofliteracy.com/pre-reading-skills-successful-readers/

https://www.understood.org/articles/en/6-essential-skills-needed-for-reading-comprehension

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Saiba mais sobre os tipos de testes genéticos

Os testes genéticos identificam as mutações (alterações) ou variantes no DNA. Assim, mostra se essas alterações nos genes podem causar doenças ou outros tipos de condições de saúde.

Existem diferentes tipos de testes genéticos. Geralmente, eles são realizados por meio de uma amostra de sangue ou saliva.

Entre os motivos que levam a necessidade de um teste genético, estão:

  • Realizar o diagnóstico de uma doença/síndrome genética
  • Saber se a pessoa tem uma doença genética que ocorre em sua família antes de apresentar os sintomas;
  • Saber quais são as chances de ter um filho ou uma filha com uma doença genética ou transmitir a mutação para a criança;
  • Prevenir alguns tipos de câncer e idealizar o plano de tratamento.

O teste genético pode ser realizado no pré-natal ou após o nascimento. A escolha do teste genético é individualizada com base no histórico médico e familiar e na condição para a qual a pessoa está sendo testada.

A seguir, veja os principais tipos de testes genéticos.

Cariótipo

Os testes de cariótipo examinam de perto os cromossomos dentro das células para ver se há algo incomum.

Geralmente, são solicitados durante a gravidez para detectar se há alguma alteração genética com o bebê.

Os humanos têm 46 cromossomos. Os bebês herdam 23 de sua mãe e 23 de seu pai. Às vezes, os bebês têm um cromossomo a mais, um cromossomo ausente ou um cromossomo anormal.

Por conta disso, a criança pode nascer com diferentes síndromes. Entre elas podemos destacar: Síndrome de Down, Síndrome de Edwards e Síndrome de Patau.

O exame do cariótipo é realizado por meio da coleta de sangue. Dessa forma, algumas células são colocadas em cultivo até atingirem a etapa do ciclo celular conhecida como metáfase, onde os cromossomos são mais visíveis para identificar qualquer anormalidade.

CGH-array

Ajuda a identificar casos de deficiência intelectual, autismo e anomalias congênitas de causa desconhecida. Por isso, é realizada uma análise cromossômica por microarray.

Permite estudar todo o genoma humano de uma só vez e detecta alterações que não são vistas no cariótipo convencional.

Busca alterações que possam explicar o quadro clínico da pessoa. É realizado por meio de coleta de sangue ou saliva e busca identificar ganhos ou perdas de pedaços cromossômicos.

Sequenciamento do Exoma

É um exame que analisa todas as regiões codificadoras do genoma humano. Visa identificar variantes que possam estar relacionadas com a condição da pessoa.

Ele sequencia todas as letras do exoma, que são as regiões codificadoras do DNA, identificando as variantes e alterações.

O exoma representa apenas 1,5% do DNA total, mas é responsável por 85% das mutações patológicas. Por isso, o sequenciamento do exoma completo contribui para um diagnóstico preciso em algumas condições como doenças raras e genéticas.  Outras indicações:

  • Doenças associadas a alterações em múltiplos genes, casos em que outros testes genéticos foram negativos;
  • Doenças de difícil diagnóstico clínico, quando se suspeita de base genética;
  • Avaliação de risco hereditário de doenças graves, em casais consanguíneos.

Genoma completo

O sequenciamento do genoma completo vai analisar não apenas os éxons, mas também as regiões intergênicas. Esse teste vai analisar todo o genoma do individuo.  Isso possibilita ter acesso a muitas informações genéticas da pessoa. E é solicitado quando o sequenciamento do exoma não detectou uma mutação relevante.

É possível conhecer o risco de doenças hereditárias e também se há a possibilidade de transmissão para os descendentes. Sendo assim identifica se a pessoa pode transmitir a condição para os filhos.

A maioria dos testes analisa genes únicos e é usada para diagnosticar doenças genéticas raras, como a Síndrome do X Frágil e a Distrofia Muscular de Duchenne.

Além disso, alguns testes genéticos examinam mutações hereditárias raras de genes protetores, como BRCA1 e BRCA2, que são responsáveis por alguns cânceres hereditários de mama e ovário. Também é usado para identificar condições sobre longevidade e ancestralidade.

Além disso, determina como os medicamentos são processados e eliminados do corpo. E também os princípios ativos que reagem melhor no organismo, o que determina o melhor tratamento.

Referências

https://www.cdc.gov/genomics/gtesting/genetic_testing.htm

https://www.webmd.com/baby/what-is-a-karyotype-test#1

https://genetica.hupes.ufba.br/o-que-e-exoma

https://www.nhs.uk/conditions/genetic-and-genomic-testing/

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Entenda o que são as funções executivas e a importância para o desenvolvimento

As funções executivas podem ser definidas como o conjunto de habilidades mentais que incluem memória de trabalho, pensamento flexível e autocontrole.

Essas habilidades são usadas todos os dias para aprender, trabalhar e gerenciar a vida diária.

Problemas com funções executivas podem dificultar o foco, a seguir instruções e a lidar com as emoções.

A função executiva é um tipo de “sistema de gerenciamento do cérebro”. Isso porque as habilidades envolvidas permitem definir metas, planejar e realizar as atividades.

Estudos apontam que o desenvolvimento dessas funções exercem influências diretas na regulação emocional.

As habilidades de funcionamento executivo geralmente se desenvolvem rapidamente na primeira infância e na adolescência.

Autismo e função executiva

A função executiva refere-se à capacidade de uma pessoa de processar informações. Inclui habilidades como:

  • Organização;
  • Planejamento;
  • Prestando atenção;
  • Inibir respostas inadequadas.

Sendo assim, é comum que as pessoas com autismo apresentem dificuldade com o funcionamento executivo.

Os autistas podem ter problemas com planejamento, organização, sequenciamento de informações e emoções autorreguladoras.

As dificuldades de funcionamento executivo também podem estar associadas a um controle deficiente dos impulsos.

Algumas pesquisas apontam que até 80% das pessoas com autismo sofrem de distúrbio das funções executivas, o que dificulta o gerenciamento do tempo e a conclusão de tarefas.

Em alguns casos, tarefas simples como limpar uma casa pode ser bastante complicado para os autistas.

Detalhes da função executiva para autistas

Vale destacar que nem todas as pessoas com autismo apresentam problemas ou dificuldades em todos os aspectos da função executiva. Em alguns casos, o indivíduo pode ter a capacidade de planejar, mas não consegue seguir adiante.

Veja abaixo detalhes sobre a função executiva e os autistas:

Planejamento

Planejar é a capacidade de pensar no futuro e escolher as ações necessárias para atingir uma meta e estabelecer um plano de ação. Quem tem autismo pode ter dificuldade em planejar e organizar tarefas.

Solucionar problemas

O primeiro passo para resolver um problema é conseguir identificá-lo. Depois, é preciso formular uma estratégia para solucioná-lo.

A solução de problemas exige raciocínio, planejamento, memória de trabalho e monitoramento. Dependendo de qual dificuldade na função executiva o indivíduo enfrenta, o autista terá dificuldade para resolver problemas.

Memória

Quem está no espectro pode ter dificuldade de memorizar situações simples como lembrar qual é o dia, a ordem das etapas ao escovar os dentes, por exemplo.

Basicamente, é a dificuldade de memorizar como executar uma função ou tarefa diária.

Atenção

Geralmente, os autistas têm uma grande capacidade de foco, mas direcionar esse foco pode ser um desafio.

Alguns apresentam problemas sensoriais e não conseguem se concentrar com luzes ou barulhos no ambiente.

Raciocínio

O raciocínio é a capacidade de compreender, analisar e pensar criticamente. Em alguns casos, os autistas podem ter dificuldade de raciocinar.

Ter iniciativa

Para aqueles com dificuldades de funções executivas, é comum ter problemas para ter iniciativa. Podem ter vontade de fazer alguma atividade, mas não sabem por onde começar.

Controlar impulsos

Alguns autistas não conseguem controlar seus impulsos no dia a dia.

Flexibilidade cognitiva

É a capacidade de pensar de uma maneira diferente em busca de soluções menos óbvias. Pode ser um desafio para os autistas que precisam de estrutura e previsibilidade, já que não gostam de mudanças e são apegados à rotina.

Monitoramento

Trata-se de processo inconsciente que entra em ação quando estamos no piloto automático fazendo tarefas normais.

Para alguém com problemas de função executiva, há dificuldade de prestar atenção nas atividades básicas e podem esbarrar em coisas ou se arriscar ao caminhar em uma rua movimentada.

O que pode ser feito para superar os desafios das funções executivas

É importante que os pais fiquem atentos às dificuldades que envolvem as funções executivas.

A criança ou jovem autista deverá ter um acompanhamento de diversos especialistas que ajudarão a desenvolver essas habilidades por meio de intervenções.

No entanto, no dia a dia, os pais podem contribuir com esse aprendizado. Veja abaixo algumas dicas para melhorar a função executiva dos autistas:

  • Usar suportes visuais para ensinar organização – A criança pode ter mais facilidade com a representação visual de como realizar determinadas tarefas.
  •  Dividir as tarefas – Dar um passo a passo das atividades do dia a dia pode facilitar a conclusão das tarefas.
  •  Estimular a independência e aprendizado – Os pais costumam intervir sempre que seus filhos estão tendo problemas. Mas, é fundamental que a criança ou jovem com autismo aprenda a fazer suas atividades do dia a dia.
  • Paciência e amor – Para que o autista treine essas habilidades, ele precisa ser estimulado, mas é preciso respeitar o seu tempo. Em alguns casos, pode demorar mais do que o esperado e é fundamental ter paciência, amor e evitar passar o estresse ou expectativa frustrada para a criança.

Referências:

https://www.autismspeaks.org/executive-functioning

https://autismawarenesscentre.com/executive-function-what-is-it-and-how-do-we-support-it-in-those-with-autism-part-i/

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O envolvimento e a participação do pai no autismo

O envolvimento e a participação do pai na criação de crianças e jovens com autismo é tão fundamental quanto das mães. Infelizmente, não é isso que acontece em todos os casos. É bastante comum que apenas as mães fiquem responsáveis pelos cuidados das pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) por diferentes razões.

Sabe-se que cuidar de uma criança autista é uma tarefa árdua para alguns pais. E que o amor e o afeto do pai e da mãe afetam igualmente o comportamento da criança, a autoestima, a estabilidade emocional e a saúde mental. A presença da figura paterna beneficia as crianças e ajuda também a desenvolver suas habilidades cognitivas, sociais e emocionais à medida que essas crianças crescem.

Os pais ficam responsáveis por cuidar, compartilhar momentos de atividades e brincadeiras, assim como têm responsabilidades de garantir que a criança ou jovem com o TEA tenham todos os cuidados e recursos para se desenvolver.

Pesquisadores afirmam que os pais da criança com TEA ao se confrontarem com o diagnóstico podem experimentar um sentimento de perda da criança idealizada e vivenciar um processo de luto do filho “perdido”. Por essa razão, os pais podem encontrar uma dificuldade para estabelecer vínculos afetivos com a criança nos primeiros anos. Alguns pais podem precisar de ajuda psicológica para lidar com a situação e superar essa dificuldade.

Um “pai engajado” é definido como aquele que se comporta de forma responsável com seu filho, é emocionalmente engajado e fisicamente acessível, fornece apoio material para sustentar as necessidades da criança, está envolvido no cuidado das crianças e exerce influência nas decisões de criação dos filhos.

Desenvolvimento infantil e a participação dos pais

A relação entre pai e filho pode ser tão importante quanto o relacionamento da criança com a mãe em estágios iniciais de desenvolvimento – o envolvimento do pai está relacionado a resultados positivos em bebês, como melhora no ganho de peso em bebês prematuros e melhores taxas de amamentação. Além disso, mães e pais têm diferentes estilos de brincar e se comunicar com as crianças e desempenham papéis únicos, mas vitais no desenvolvimento infantil. Alguns exemplos:

– Os pais promovem um comportamento mais exploratório e independente por parte de seus filhos pequenos. Eles ajudam nas brincadeiras mais físicas e estimulantes do que a maioria das mães;

– Ao falar com crianças pequenas, as mães simplificam suas palavras e falam no mesmo nível da criança. Os pais falam de outra forma e desafiam a competência linguística da criança.

– Em questão de disciplina, é comum que os pais sejam mais rigorosos e exigentes, o que pode ser mais efetivo nas intervenções terapêuticas.

Participação em tratamentos e intervenções terapêuticas

Para que o autista se desenvolva e tenha menos sintomas que impactem a sua vida, algumas intervenções terapêuticas são indicadas. E para ter sucesso, elas englobam tanto a família quanto a escola. Boa parte do tratamento se estende para a própria casa do autista e nesse momento a participação dos pais é fundamental para ter resultados positivos. O afeto e a proximidade dos pais são imprescindíveis para a criança se sentir acolhida e segura.

Por isso, é fundamental que os pais estejam presentes em todos os momentos da vida do filho com o TEA. É importante participar das consultas com pediatras, psicopedagogos e reuniões escolares para apoiar as mães e também entender mais o que acontece com o filho com autismo. Ter um pai por perto ajuda à criança autista a ser mais segura, equilibrada e evoluir com os tratamentos indicados.

Referências:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5357286/

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-711X2016000100006

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Quais são os pré-requisitos para desenvolver a fala?

Apesar de ser um momento muito aguardado pelos pais, nem sempre as crianças conseguem falar ou se comunicar adequadamente. Algumas podem apresentar atrasos de fala e de linguagem.

Para que a criança consiga falar, ela precisa ter os pré-requisitos da fala. Já ouviu falar sobre isso?

Os pré-requisitos são as habilidades que preparam as crianças para falar e se comunicar como por exemplo fazer contato visual, apontar e imitar.

A seguir, veja detalhes sobre os pré-requisitos para desenvolver a fala.

Contato visual

A criança olha quando é chamada pelo nome e sustenta o olhar. Olhar no olho ajuda a criança a observar a pronúncia, expressão, sonorização do adulto observado, o que ajuda na produção da sua própria fala.

A capacidade de manter o contato visual ajudará o bebê a obter informações sobre a linguagem da boca e do rosto.

O mesmo se aplica à escuta: a criança aprende a reconhecer a voz humana e a determinar quais são as mais importantes.

Sorriso social

A criança começa a sorrir ao interagir com os pais quando eles usam os sons, ações, expressões faciais. Costuma aparecer quando a criança tem entre dois e três meses.

Isso estimula ainda mais a interação social porque é muito mais gratificante interagir quando você recebe uma resposta.

Atenção conjunta

A criança dá atenção a quem fala e desenvolve suas habilidades de comunicação.

Acontece quando duas pessoas focam em um mesmo objeto ou dão atenção para uma mesma conversa, por exemplo.

Essa atenção pode ocorrer por meio do olhar, gestos ou quando alguém aponta ou indica algo, além de palavras.

A atenção compartilhada contribui com a comunicação e a aprendizagem. Quem não tem essa habilidade não entende a função do contato visual e não olham para as pessoas.

Também apresentam dificuldades para compartilhar o interesse com os colegas e pais. Geralmente, não têm interesse por brinquedos e não buscam atenção dos pais e familiares.

Seguir instruções

A criança precisa responder de forma consistente a demanda. Por exemplo: o pai ou a mãe pede algo para criança e ela consegue fazer. Isso significa que ela compreendeu o que foi falado.

Imitação

Ajuda a criança a vocalizar as palavras. Se ela não imita respostas motoras, possivelmente não imitará as respostas vocais.

Imitar outras pessoas estimula a cooperação e também a interação social. Aos 9 meses, a criança é capaz de imitar as palmas e sons.

Por que essas habilidades são importantes?

Todos esses repertórios ajudam na aprendizagem da fala, mas também para o desenvolvimento da socialização. Além de contribuir com a autonomia e a independência das crianças com atraso de desenvolvimento.

Uma criança que apresenta dificuldade em fazer o contato visual e prestar atenção à fala de sua mãe ou pai não terá tantas oportunidades de ouvir as palavras. Isso pode ter um impacto negativo no desenvolvimento da criança de compreensão e uso da linguagem.

Da mesma forma, dificuldade com a atenção conjunta significa menos oportunidades para a criança aprender sobre o que acontece no ambiente ao seu redor.

Crianças que apresentam dificuldade no desenvolvimento dessas habilidades podem apresentar problemas de linguagem verbal e interação.

É fundamental identificar e trabalhar no desenvolvimento dessas habilidades de forma precoce para prevenir dificuldades com a linguagem verbal e o desenvolvimento e intendência da criança.

Como saber que a criança tem dificuldade no pré-requisito para fala?

Geralmente, eles não fazem contato visual ou é algo passageiro. Além disso, pode não usar sons diferentes para indicar se está feliz, triste, com fome ou cansado. Também não balbuciam ou tentam chamar a atenção.

Vale destacar que a Terapia ABA realiza o treino dos pré-requisitos da fala.  Se achar que seu filho ou filha está demorando a falar e a se comunicar, procure um especialista para uma avaliação.

Referências:

https://www.autism.org.uk/advice-and-guidance/topics/communication

https://childdevelopment.com.au/areas-of-concern/using-speech/talking-readiness-pre-language-skills/

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O-que-fazer-quando-o-aluno-tiver-uma-crise-na-sala-de-aula

O que fazer quando o aluno tiver uma crise na sala de aula?

Os momentos de crise e comportamentos explosivos ou agressivos de crianças ou jovens com autismo estão entre os problemas mais desafiadores e estressantes enfrentados por pais, cuidadores e professores.

Tais comportamentos colocam essas crianças em risco de isolamento das atividades sociais, educacionais e familiares. Muitas vezes, as crianças podem se sentir confusas com a situação e não ter ideia das consequências de seu comportamento inadequado.

Essas crises frequentes também podem limitar a capacidade de aprendizado e dificultar as interações e relacionamentos sociais. No entanto, as crises ocorrem devido a incapacidade do autista entender as demandas dos pais e professor, por terem dificuldade para se comunicar e expressar suas necessidades e desejos e também muitas vezes por conta dos problemas sensoriais que é muito comum no autismo.

Como prevenir as crises

Uma forma de evitar as crises é conhecer quais são os gatilhos que levam a este comportamento. Por isso, os pais e terapeutas devem sempre conversar com os professores, coordenadores pedagógicos e apontar o que pode provocar uma crise e o que pode ser feito em cada caso.

Raiva, medo e ansiedade também podem afetar o comportamento. Mães e pais que estão passando por um divórcio ou uma mudança de emprego, por exemplo, pode afetar o comportamento do autista. Nesses casos, é fundamental assegurar que tudo está bem e não há motivo para se preocupar.

Estar com fome, cansado, sono ou com sede pode deixar a criança mais irritada.

Durante uma crise, os adultos devem sempre manter a voz e comportamento calmos, esperar a criança se acalmar e dar apoio. Entender o que aconteceu e conversar com a criança.

Os pais e educadores devem ser vistos como pessoas que vão ajudá-los a resolver problemas. A comunicação precisa ser clara, é preciso falar que você está ali por ele/ela e que isso vai passar.

Também é importante se assegurar que a criança autista não está sentindo dor ou algum desconforto. E ela precisa ficar em um local seguro para evitar se machucar ou agredir outros colegas.

 O que fazer se a crise for na sala de aula

É importante que os professores sejam capacitados para lidar com uma crise dentro da sala de aula. E algo que faz a diferença é conhecer a criança autista. Algumas perguntas que podem ajudar:

  • A criança gosta de ser tocada ou deve-se evitar esse tipo de contato?
  • Quais são as limitações sensoriais?
  • Quais são os objetos prediletos que podem acalmá-la?
  • É importante falar ou ficar em silêncio?

Os professores precisam saber o que está acontecendo com a criança no dia a dia. Por isso, os pais devem comunicar qualquer mudança na rotina, nos medicamentos, padrões do sono e dieta. Isso contribui para que seja possível prever alguma alteração de comportamento.

Os professores precisam reconhecer a mudança de comportamento e oferecer assistência ao aluno com TEA por meio de diversas estratégias.

Como em todos os casos, a intervenção física deve ser usada apenas como último recurso (com calma, sem machucar) e somente quando o comportamento da criança representa um risco maior para sua segurança e bem-estar.

Permita que o aluno autista tenha mais tempo para processar as informações. Nesse momento, é importante ser paciente.

Muitas vezes, os indivíduos com TEA apresentam ansiedade e frustração devido às dificuldades de aprendizagem. É importante rever se os materiais didáticos precisam ser adaptados ou a forma de ensino alterada.

Outras estratégias:

  • Informar e preparar o autista para quaisquer mudanças na rotina;
  • Reconheça as emoções e perceber quando ele/ela quer se isolar;
  • Desvie a atenção da criança com objetos e brinquedos que ela gosta;
  • Ensine o aluno a se comunicar quando estiver chateado;
  • Oferecer alternativas para algo que não é possível (e que a criança quer) para fazê-la sentir que tem algum controle da situação;
  • Verifique se tem algum desconforto físico (fome, febre, frio etc.);
  • Aprenda com crises anteriores e modifique sua estratégia, conforme necessário.

Referências:

https://www.autismparentingmagazine.com/autism-meltdowns/#What_is_an_autism_meltdown

https://www.autismspeaks.org/tool-kit-excerpt/planning-crisis

https://www.iidc.indiana.edu/irca/articles/ever-had-a-crisis-kind-of-day.html

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Como aplicar a terapia ABA?

Uma das principais ferramentas para desenvolver uma pessoa no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é a terapia ABA (Análise do Comportamento Aplicada, do inglês Applied Behavior Analysis – ABA).

De crianças à adultos, a terapia ABA contribui para melhorar comportamentos socialmente importantes e, assim, permitir àquele que está no espectro ter suas habilidades aperfeiçoadas, bem como manejar suas limitações, contribuindo com seu desenvolvimento  e independência.

Existente há mais de 50 anos, a ABA é um tratamento baseado em evidências científicas que atestam sua eficácia.

Consiste em um conjunto de procedimentos e intervenções destinados a aumentar comportamentos positivos, ensinar novas habilidades, que possibilitem à criança se integrar em novos ambientes e reduzir comportamentos prejudiciais a ela, como por exemplo a autoagressão.

Suas estratégias possibilitam ampliar a capacidade cognitiva, motora, de linguagem e de integração social, procurando reduzir por meio de práticas de repetição e esforço comportamentos negativos que possam causar danos ou interferir no processo de aprendizagem podendo auxiliar no aperfeiçoamento de habilidades básicas, como olhar, ouvir e imitar, ou complexas, como ler, conversar e interagir com o outro.

Abordagens da ABA

Há várias abordagens diferentes da ABA. Desde as mais estruturadas até aquelas lúdicas, aplicadas por meio de brincadeiras. Para aplicar como profissional é preciso ser especializado (analistas de comportamento certificados).

De acordo com o Child Mind Institute, uma instituição internacional sem fins lucrativos, dedicada a transformar a vida de crianças e famílias que lutam contra problemas de saúde mental e de aprendizagem, a demanda por especialistas certificada é tão alta que muitos deles não oferecem a terapia direta e, em vez disso, consultam, ajudando as famílias a contratar profissionais qualificados que podem não ter a certificação de analista, mas são supervisionados de perto por alguém que tenha. Esses são chamados de técnicos de comportamento registrado.

Terapeutas ocupacionais,  Fonoaudiólogos, Professores, Educadores físicos, são exemplos de profissionais que atuam em equipes multidisciplinares ligadas ao TEA que podem se beneficiar de um treinamento ABA e se tornar um aplicador da terapia.

Todos podem aprender sobre a ciência ABA para trabalhar com seus filhos, alunos e/ou pacientes.

Como aplicar ABA sendo mãe, pai, familiar, cuidador ou educador?  

Uma das características mais positivas da ABA é que ela não requer o uso de equipamentos ou ferramentas caras, o que possibilita ser trabalhada não apenas por profissionais. Ela pode ser praticada em casa, com suporte dos pais e familiares, na escola, complementando as atividades desenvolvidas por analistas comportamentais (que são mais técnicas).

Na prática, há algumas medidas simples que podem ser aplicadas informalmente por aqueles que convivem com quem está no espectro, de maneira a reforçar o que é aprendido no ambiente “profissional”, com especialistas.

Estrutura/rotina: ter horários para realizar atividades como café da manhã, almoço, jantar; fazer lição/estudar; tomar banho e etc., podem proporcionar conforto e segurança para a criança no TEA.

Envolvimento familiar

Integrar todas os membros da família que convivam com o autista na terapia ABA reforçará as atitudes que vem sendo desenvolvidas.

Por exemplo, se a criança estiver trabalhando habilidades sociais, como manter contato visual durante uma conversa, àqueles com quem ela terá contato devem estar preparados para essa interação.

Uma atividade simples é estimular todos da família a desenvolverem atividades semelhantes. Como cantar músicas que contribuam com aprendizagem ou brincarem de falar as cores dos objetos para que a criança compreenda e comece a assimilar as diferentes cores.

Reforço 

O reforço, dentro do contexto “ABA”, é uma das frentes mais importantes dessa linha de tratamento.

Portanto, é preciso valorizar o esforço da criança que tem praticado o reforço positivo. Um exemplo é quando a criança está trabalhando em seu processo “ABA” o ato de “pedir permissão” para fazer algo, como pegar um brinquedo.

Assim, caso ela pratique isso com seus pais ou professor e peça determinado objeto, é preciso reforçar positivamente – com um agradecimento – como “Obrigada por pedir o boneco”.

Tente praticar ações que estimulem o olhar da criança para o interlocutor com quem ele está interagindo. Você pode usar recursos para chamar a atenção, como usar óculos.

Espaço de relaxamento: estabelecer um ambiente tranquilo, que propicie momentos de relaxamento é essencial para quem está no espectro. Ao longo do dia a criança pode ter sido submetida a diversos estímulos sensoriais, o que pode sobrecarregar o “sistema” dela, deixando-as superestimuladas. Por isso, um local silencioso, com uma atmosfera adequada, pode contribuir para relaxar e, assim, fazer a criança regular seu sistema.

Reduzir o tempo de uso de telas

Sejam crianças neurotípicas (fora do espectro) ou que estejam no espectro, a verdade é que o uso de tecnologias como celular, TV, videogame, iPad e etc., deve ser limitado para evitar uma superestimulação dos sentidos.

Referências:

ABA Therapy to promote skills in children with Autism. Behavioural Neurotherapy Clinic. Disponível em http://www.autism.net.au/Autism_ABA.htm Acessado em 28 de junho de 2018.

Bringing ABA into Your Home. Special Learning Inc. Disponível em <https://www.special-learning.com/article/Brining_ABA_into_Your_Home>

How Parents Can Practice ABA Therapy at Home. Chicago Aba Therapy. Disponível em https://www.chicagoabatherapy.com/how-parents-can-practice-aba-therapy-at-home/. Acessado em 27 de junho de 2018.

What Is Applied Behavior Analysis?. Childmind. Disponível em https://childmind.org/article/what-is-applied-behavior-analysis/ Acessado em 27 de junho de 2018.

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A importância do treinamento parental no desenvolvimento das crianças com TEA

Mesmo quando planejado, um filho ou filha muda completamente a vida dos pais. Quando a criança tem Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), os desafios são ainda maiores.

Geralmente, crianças com TEA  apresentam problemas comportamentais, dificuldades na comunicação e interação social, muitas vezes apresentam dificuldades para ter uma alimentação saudável e distúrbios do sono.

Por conta disso, os pais e responsáveis tendem a sofrer de estresse parental (burnout). No entanto, os pais e cuidadores são fundamentais para que a criança e jovem autista se desenvolva e tenha qualidade de vida. Muitas vezes, são indicadas intervenções para melhorar as habilidades sociais e o comportamento do autista.

Entre elas, podemos citar o treinamento parental. Trata-se de uma prática baseada em evidências que tem o intuito de sistematizar o repertório comportamental emitido pelos pais quanto ao manejo do comportamento dos filhos.

Basicamente, é um conjunto de orientações realizadas pelo terapeuta em sessões com os pais, responsáveis ou cuidadores.

Essas sessões podem ser focadas em comportamento, comunicação, psicoeducação ou para fatores específicos como problemas relacionados ao sono, alimentação ou rotinas individuais.

Como funciona o treinamento parental?

O primeiro passo é realizar uma entrevista com os pais e responsáveis para identificar quais são as necessidades do autista e melhores estratégias, de forma individual.

Ao aplicar a estratégia, os pais recebem um feedback sobre o seu desempenho ou o que precisa melhorar.

Muitas vezes, os pais recebem exemplos de como ajudar a desenvolver diferentes habilidades dentro de casa.

Além disso, aprendem a contribuir com a melhora das habilidades sociais, de conversação e linguagem espontânea.

Também recebem orientações para melhorar as habilidades de atenção compartilhada e a lidar melhor com os problemas com alimentação e rotina.

Além disso, treinam como agir para diminuir os comportamentos inadequados ou agressivos.

Quais são as vantagens do treinamento parental?

Os pais que realizam treinamento parental geralmente compreendem melhor as dificuldades de seus filhos, assim como limitações.

Além de entender como eles processam o mundo, dão mais apoio e tendem a ser mais gentil na educação e manejo de comportamentos.

Outro benefício é que as estratégias eficazes baseadas em princípios comportamentais podem reduzir a necessidade de seu filho usar medicamentos.

Isso porque os pais aprendem maneiras de interagir com seus filhos e modificar o ambiente, praticar o reforço e outras técnicas que podem reduzir comportamentos inadequados como agressão, hiperatividade e sobrecarga sensorial.

O treinamento parental é muito usado na terapia ABA e ajuda a influenciar os comportamentos da criança e seu aprendizado e desenvolvimento.

Com a orientação de um profissional capacitado, os pais podem fazer uma grande diferença na vida de seus filhos.

Eles podem incorporar estratégias eficazes de mudança de comportamento nas experiências cotidianas, o que terá um impacto duradouro e positivo na vida da criança nos próximos anos.

Vale destacar que toda família que recebe o diagnóstico de TEA deve procurar por profissionais especializados e que possam oferecer intervenções baseadas em evidências como o treinamento parental.

Quando devo procurar treinamento parental?

Geralmente, o treinamento parental é indicado para pais de crianças com desenvolvimento atípico. Assim, eles aprendem as características gerais do TEA e a equilibrar expectativas quanto ao desenvolvimento da criança.

Também é fundamental para aumentar habilidades sociais, ajudando a criança a se comunicar melhor, a interagir e a diminuir comportamentos desafiadores.

Referências:

https://bmcpsychiatry.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12888-020-02973-7

https://behavioral-innovations.com/blog/importance-of-parent-training-aba-therapy/

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Como estimular a coordenação motora do meu filho em casa?

Muitos autistas apresentam algum tipo de dificuldade motora que pode atrapalhar o seu desenvolvimento e a sua independência.

A coordenação motora pode ser definida como a capacidade de coordenar os movimentos da interação entre cérebro e as articulações e músculos.

E estas habilidades motoras ajudam as crianças a aprender comportamentos sociais e de comunicação básicos.

A coordenação envolve movimentos finos, responsáveis por atividades como escrita e desenho e os grandes movimentos como andar e pular.

É muito importante que as crianças autistas desde cedo desenvolvam essas habilidades para não interferir no seu comportamento social e de comunicação.

Você sabia que é possível estimular a coordenação motora do meu filho em casa? A seguir, veja algumas dicas de atividades.

Quais dificuldades motoras as pessoas autistas apresentam?

Os autistas podem ter problemas na coordenação motora grossa, como uma marcha desajeitada e descoordenada. Além disso, podem ter dificuldades em manipular objetos e escrever.

Alguns podem ter problemas para coordenar os movimentos entre os lados esquerdo e direito do corpo e entre os diferentes membros, dificultando ações como pular ou balançar as pernas.

E ainda há o risco de ter problemas para manter sua postura e equilíbrio. Tudo isso pode dificultar pegar uma bola ou imitar os movimentos dos outros.

Leia também: O que é o autismo (TEA)?

Atividades que estimulam a coordenação motora

Os pais e responsáveis podem promover brincadeiras simples, como desenhar com tinta guache, mexer com massinhas de modelar, encaixar objetos em plataformas que ajudam a desenvolver habilidades motoras finas.

Já as habilidades grossas podem ser estimuladas por meio de ações como marchar, saltar em um trampolim, jogar bola, dançar, andar de triciclos e bicicletas.

Vale destacar que a coordenação motora pode ser estimulada de forma lúdica, ou seja, por meio de brincadeiras.

Veja abaixo algumas sugestões de atividades:

  • Pular obstáculos: separe um espaço na sala ou quintal e coloque diversos obstáculos para a criança brincar, desviar e pular. Use caixas de papelão ou brinquedos.
  • Recortes e colagem: cortar e colar são atividades que desenvolvem a coordenação motora fina das crianças. Invista em diferentes objetos, com cores diferentes e texturas distintas para estimular a criança.
  • Ligar os pontos: com caneta, lápis ou tinta a criança brinca de ligar os pontos e treinar a coordenação motora fina.
  • Brincadeiras com fantoches e pinturas, colagens com bolinhas de papel, cirandas, cantigas de roda, danças folclóricas, blocos de montar, quebra-cabeça são atividades recomendadas para melhorar a coordenação da criança.
  • Quebra-cabeças e blocos de construção são atividades fantásticas para treinar habilidades motoras finas, bem como habilidades visuais e cognitivas.
  • Massinha: é uma opção para praticar e desenvolver a motricidade fina. As crianças são obrigadas a usar os dedos e o pulso para manipular a massinha de maneira apropriada.

Respeite as limitações das crianças

É importante que a criança desenvolva suas habilidades motoras, mas elas precisam que a atividade seja agradável, principalmente do ponto de vista sensorial.

Crianças com TEA também podem ser excessivamente sensíveis a algumas texturas, sons, gostos e cheiros. Por isso, é fundamental que os materiais que a criança interaja não causem perturbações ou incômodos.

É fundamental encontrar o que funciona melhor para o seu filho. Seja qual for a escolha, amor, carinho, paciência e perseverança são ferramentas-chaves para alcançar êxito neste processo.

Referências:

https://www.autismspeaks.org/sensory-issues

https://profectum.org/motor-development-autism-affects-motor-skills/

https://www.spectrumnews.org/news/motor-difficulties-in-autism-explained/

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