Saiba mais sobre o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)

Você já ouviu falar sobre o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)? Ele é um transtorno neurobiológico de causas genéticas que costuma aparecer na infância e acompanhar a pessoa por toda a vida.

Entre os sintomas, destacam-se: desatenção, hiperatividade, inquietude e impulsividade. O diagnóstico geralmente ocorre quando a criança tem entre 6 e 12 anos ou logo após ingressar na escola.

Estima-se que o TDAH atinja cerca de 3 a 5% das crianças em todo o mundo.

De acordo com o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 5ª Ed. 2013), o TDAH é mais comum no sexo masculino do que no feminino.

E há três graus de TDAH: leve, em que a rotina da pessoa não é afetada; moderada, quando os sintomas começam a atrapalhar as atividades; e grave quando há vários sintomas que causam problemas na rotina profissional e escolar.

Principais sintomas

Para ter um diagnóstico, o médico avaliará os sintomas que a criança apresentou nos últimos meses. O DSM-5 definiu alguns critérios para que ocorra um diagnóstico correto do TDAH. Os sintomas variam de acordo com o tipo de TDAH – hiperativo, desatento ou ambos.

Para ser diagnosticado com TDAH, é importante que a criança ou adulto tenha um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade que altere o seu desenvolvimento, aprendizagem e rotina diária. Veja alguns sinais:

– incapacidade de reconhecer as necessidades e desejos de outras pessoas. Por isso, acabam fazendo interrupções frequentes e sentem dificuldade para esperar a sua vez;

– uma criança com TDAH pode ter problemas para manter suas emoções sob controle. Podem sentir raiva em momentos inapropriados, por exemplo;

– pode mostrar interesse em muitas atividades diferentes, mas não consegue terminá-las;

– a falta de foco pode ser constante. Uma criança com TDAH apresenta dificuldade em prestar atenção, mesmo quando alguém está falando diretamente com ela;

– tendem a evitar tarefas que exigem esforço mental prolongado. Sendo assim, não conseguem prestar atenção na aula ou fazer o dever de casa;

– cometem mais erros por desatenção ou dificuldade na hora do planejamento. Mas isso não quer dizer que sejam preguiçosos ou falta inteligência;

– uma criança com TDAH também pode ser mais introspectiva, sonhar acordada e ignorar o que está acontecendo ao seu redor;

– é comum serem esquecidas nas atividades diárias. Eles podem esquecer de fazer as tarefas e também perder objetos como brinquedos por desatenção;

–  sentem dificuldades para ficar parados, agem sem pensar e possuem pouca noção de perigo. Por isso, levantam da cadeira em sala de aula a todo momento, por exemplo;

– não escutam quando lhe dirigem a palavra;

– não conseguem brincar calmamente;

– costumam falar demais e interrompem com frequência;

– na adolescência podem ter baixa autoestima, serem mais agressivos e abusar de álcool e drogas;

– os adultos sem tratamento tendem a ter problemas no ambiente de trabalho e nas relações amorosas – não conseguem ser organizados, são impulsivos e sentem dificuldade para respeitar hierarquia.

Como conviver com TDAH

Não há cura para o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, pois não é uma doença. Entretanto, há tratamento e mudanças na rotina e comportamentos de familiares que podem ajudar os pais e as crianças a conviverem com o TDAH.  Após o diagnóstico, os pais devem aceitar o fato de que as crianças com TDAH têm cérebros que funcionam de maneiras diferentes e podem ter comportamentos impulsivos.  É comum que o especialista indique uma combinação de medicamentos, além de orientar pais e professores a lidar melhor com o transtorno. Em alguns casos, indica-se a terapia comportamental.

TEA e TDAH

Podem ocorrer uma confusão entre os sintomas de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Isso porque as crianças, em ambos os casos, podem ter problemas para manter o foco, ser impulsivas, ter dificuldade em se comunicar e se relacionar.

Mas são transtornos distintos. Quem possui TEA, sente dificuldades para se desenvolver, nas habilidades de linguagem e interações sociais e a capacidade de aprender. É comum que quem possua autismo também tenha o TDAH.

O diagnóstico correto e precoce é a melhor forma de evitar que as crianças tenham o tratamento adequado para se desenvolver plenamente, de acordo com suas limitações e particularidades.

Referências:

American Psychiatric Association (2003). Transtorno de déficit de atenção e de comportamento disruptivo. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. (4ª ed).

https://www.autism.org.uk/adhd

https://add.org

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Saiba detalhes das práticas baseadas em evidências

As práticas baseadas em evidências podem ser definidas como procedimentos de instrução ou intervenções que os pesquisadores mostraram ser seguras e eficazes por meio de pesquisas científicas.

Vale destacar que as pessoas com autismo se beneficiam bastante de intervenções precoces e outras estratégias que podem ser aplicadas ao longo da vida.

Essas medidas terapêuticas tendem a melhorar as habilidades sociais e de comunicação da pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Por isso, ajudam nos comportamentos, na parte cognitiva e motora, além de contribuir com a preparação para a vida escolar, acadêmica, profissional e saúde mental do autista.

 Veja abaixo detalhes de algumas práticas baseadas em evidências.

Reforçamento

Trata-se de dar um estímulo para reforçar um comportamento adequado.

O reforço positivo, por exemplo, leva em conta os gostos pessoais do autista. Assim, pode ser um elogio, um brinquedo, um abraço, um passeio, por exemplo. E esse reforço deve ser apresentado logo após a execução do comportamento esperado.

Extinção

Os procedimentos de extinção visam identificar a causa de um comportamento com o objetivo de eliminá-lo se ele não for adequado — como birras, gritos, choros, jogar-se no chão, cuspir, entre outros.

Por isso, é importante identificar o reforço que está mantendo aquele comportamento para retirá-lo. Para ser eficaz, é necessário sempre que possível substituir um comportamento inadequado por um adequado, ensinando novas habilidades.

– Dicas: é um procedimento característico do ensino por meio da ciência ABA. Há alguns tipos de dicas, mas todos visam dar um suporte necessário para que o autista atinja o comportamento-alvo.

A dica físicatotal, por exemplo, acontece quando o terapeuta faz o movimento total pela criança e é como se ela estivesse fazendo o movimento). Já usando a dica física parcial, há menos pressão e ajuda fornecida.

Na dica por gesto, o terapeuta gesticula com a boca ou até mesmo aponta um cartão ou ação como ajuda. E na dica por posição é colocado os materiais em uma posição favorável à emissão da resposta certa — com um cartão mais perto ou mais distante, por exemplo.

E com as dicas verbais, o terapeuta ajuda falando a resposta de forma total ou parcial. Há ainda dicas visuais em forma de filmes e a dica por pausa, que é fornecida apenas esperando a resposta da criança.

Integração sensorial

Pessoas com o TEA podem ter dificuldades sensoriais. E isso pode limitar bastante as suas habilidades no trabalho, família e lazer. Por isso, a prática de integração sensorial ajuda a criança com autismo receba informações sensoriais que  organizam o sistema nervoso central.

Além disso, auxilia a criança a inibir e/ou a modular a informação sensorial e ajuda no processamento da resposta aos estímulos sensoriais.

Modelação

A modelagem em vídeo ou vídeo modelação é considerada uma prática baseada em evidências para pessoas com TEA já que alguns respondem melhor a estímulos visuais. Assim, é possível ensinar novas habilidades ou comportamentos a crianças autistas.

Trata-se de demonstrações gravadas em vídeo indicando uma habilidade ou comportamento para  a criança ou jovem com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Eles assistem ao vídeo e conseguem entender melhor como funcionam as habilidades ou comportamentos e passam a repeti-los.

Treino de habilidades sociais

é comum que os autistas não entendam como agir em determinadas situações sociais.  Mas, isso é fundamental para que ele conviva em sociedade.

Com o treino de habilidades sociais, o autista aprende as regras de jogos, como funciona uma conversa, a gerenciar suas emoções, como ocorre e a necessidade do contato visual, a entender os sentimentos alheios, além de ter autocontrole e como resolver problemas, por exemplo.

A importância de buscar um profissional capacitado

As práticas baseadas em evidências devem ser realizadas por um profissionais capacitados, especialistas em comportamento e principalmente em autismo.

Eles conseguem definir  qual é a medida terapêutica mais indicada para cada autista, após umaavaliação do repertório da criança ou jovem e identificam as dificuldades de aprendizagem e falta de habilidades sociais.

Cada indivíduo é único e tem suas limitações, por isso, as intervenções devem ser individualizadas. Independentemente da prática baseada em evidências, o objetivo é o mesmo: promover o desenvolvimento comportamental de forma adequada e assim aumentar a qualidade de vida.

A família, cuidadores e professores também são fundamentais nesse processo. E precisam acompanhar constantemente a evolução do autista e algumas vezes, realizar exercícios em casa ou na instituição de ensino.

As pessoas próximas do autista devem ser instruídas para contribuir na manutenção desses comportamentos adequados.

Referências:
https://www.autismsociety-nc.org/treatment/
https://vcuautismcenter.org/resources/EBP.cfm
https://researchautism.org/use-of-evidence-based-practices/

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Saiba mais sobre os Transtornos de Linguagem

Pessoas com algum tipo de Transtorno de Linguagem apresentam dificuldades de se expressar e entender o que os outros estão dizendo. Vale reforçar que isso não está relacionado a problemas de audição.

Geralmente, esse  transtorno é percebido na primeira infância pelos pais ou educadores.

Há diversos tipos de Transtornos de Linguagem. E eles podem interferir na comunicação do indivíduo ao afetar a fala, a linguagem, a audição ou a voz.

Crianças com esses transtornos apresentam fala ininteligível (troca de sons na fala), dificuldades na elaboração de frases, para narrar os fatos e histórias, podem apresentar um vocabulário pobre, déficits de memória, entre outros sintomas.

Tudo isso pode atrapalhar o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita e causar dificuldades de alfabetização. Com isso, essas crianças podem ter problemas emocionais como baixa autoestima e dificuldades de interação com os colegas.

Dessa forma,  o diagnóstico e a intervenção precoce nos atrasos de fala e de linguagem são importantes para aumentar a qualidade de vida.

As causas dos transtornos de linguagem podem variar – é comum ocorrer por questões genéticas, degenerativas, por conta de uma lesão, questões ambientais e/ou emocionais.

A seguir, vamos detalhar alguns transtornos de linguagem.

Dislalia

Trata-se de uma dificuldade de falar alguns sons, o que causa erros na pronúncia ou dificuldade de articular palavras. É comum, por exemplo, trocar a letra R por L. Pode também omitir algumas letras.

Há alguns tipos de dislalia. A evolutiva, por exemplo, define-se como uma dificuldade de fala temporária que passa com a idade; já funcional é aquela em que há substituições de letras.

A audiógena ocorre em casos de deficiência auditiva e a orgânica acontece quando há alguma lesão cerebral ou alterações na estrutura da boca e língua.

Disfemia

Pode ser definido como umdistúrbio na temporalização da fala que afeta a fluência e a comunicação. Por isso há repetição frequente ou prolongamento de sons, sílabas ou palavras. Além de dúvidas frequentes ou pausas que interrompem o fluxo rítmico da fala.

Alguns especialistas consideram a disfemia e a gagueira o mesmo Transtorno, enquanto outros diferenciam as duas alterações de fala. Geralmente, os sintomas podem estar associados ao estado emocional da pessoa.

Estima-se que 5% da população mundial é afetada por esse transtorno.

Algumas crianças podem apresentar este distúrbio até  os 5 anos de idade e terem uma fala vacilante, repetições de vocábulos, semelhantes ao gaguejar. Mas isso cessa após o desenvolvimento da criança.  

Afasia

É uma condição que limita ou cessa a capacidade de comunicação. Afeta a capacidade de falar, escrever e compreender a linguagem, tanto verbal quanto escrita.

Pode ocorrer repentinamente após um derrame ou traumatismo craniano. E também surgir gradualmente por causa de um tumor cerebral. Às vezes, podem ocorrer episódios temporários de afasia. 

Entre os sintomas destacam-se:

  • frases curtas ou incompletas;
  • falar frases que não fazem sentido;
  • substituir uma palavra por outra ou um som por outro;
  • não entende a conversa de outras pessoas;
  • escreve frases que não façam sentido.

Apraxia da fala

Trata-se de uma condição neurológica em que a pessoa é incapaz de realizar voluntariamente movimentos motores da boca, língua, lábios e mandíbula para produzir sons de fala claros e consistentes.

Isso ocorre mesmo que os músculos estejam normais e ela saiba como fazer o movimento. É uma desordem neurológica da fala.

Por isso, pode fazer com que a pessoa perca a capacidade de falar. Pode estar presente desde o nascimento e afetar a capacidade da criança de formar sons e palavras.

Formas de tratamento

O diagnóstico pode ser realizado por um pediatra ou fonoaudiólogo, que é o profissional especializado no tratamento de problemas de linguagem e distúrbios da fala. 

Após avaliar a pessoa com o Transtorno de Linguagem,  o especialista definirá como será processo terapêutico de acordo com as dificuldades apresentadas.

A terapia de fala pode ser bastante eficaz para a redução dos sintomas dos Transtornos de Linguagem. São realizados exercícios que ajudam na familiaridade com certas palavras ou sons.

Por conta disso, é fundamental procurar um fonoaudiólogo especialista e capacitado para atender as necessidades da pessoa com o transtorno.

O tratamento  pode levar tempo. Quando as crianças têm algum tipo de transtorno de linguagem é necessária a participação dos profissionais, familiares, cuidadores e educadores, pois essas pessoas ajudam no processo terapêutico.

Já que estes são responsáveis por ajudar e incentivar as  atividades que estimulam a criança a aperfeiçoar sua capacidade de falar com clareza.

Referências

https://www.cdc.gov/ncbddd/childdevelopment/language-disorders.html

https://www.medicalnewstoday.com/articles/324764

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Atividades que estimulam a coordenação motora

Criar uma criança com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) exige que os pais desenvolvam uma atenção plena em relação aos tipos de atividades que serão mais benéficas para o desenvolvimento de seus filhos.

Além de terem dificuldades de interação social, comportamentos repetitivos e problemas para se comunicar, é bastante comum que as pessoas com TEA tenham dificuldades com postura e coordenação motora.

É importante destacar que algumas atividades ajudam muito a desenvolver a coordenação motora. Mas é necessário dividir a coordenação motora em dois tipos – a ampla, que inclui movimentos como engatinhar, pular e andar.

Já a coordenação fina é aquela que envolve mais o controle das mãos, o uso da força, precisão e velocidade.

A boa notícia é que o desenvolvimento motor infantil pode ser estimulado, de forma que a criança consiga executar as tarefas com mais autonomia ao longo do tempo.

É importante que as brincadeiras ocorram de forma terapêutica, mas sem forçar a criança. Lembrando que cada pessoa com TEA é única e precisa ser respeitada de acordo com suas limitações e comportamentos. Brinquedos muito barulhentos podem causar medos ou deixá-la agitada, por exemplo.

Escolher a brincadeira ou atividade ideal é importante para que ela se sinta segura e aprenda brincando. Procure a ajuda de uma terapeuta ocupacional e descubra como é importante investir em atividades lúdicas para o desenvolvimento da coordenação motora e até mesmo a diminuição da ansiedade.

A seguir, listamos algumas atividades simples que podem ser aplicadas no dia a dia e contribuir com o desenvolvimento da coordenação fina dos autistas.

Varal infantil: é possível criar um mini varal com caixa de sapato, barbante e pregadores coloridos para a criança brincar de estender e recolher a roupa. Como resultado, a criança vai ser estimulada a desenvolver os movimentos, a imaginação e até a independência.

– Botões no potinho: invista em potes coloridos e compre botões das mesmas cores. Faça furos nos potes e estimule a criança a colocar os botões dentro dos potes, de acordo com a cor.

Bolinhas de sabão: é uma brincadeira que contribui para melhorar a coordenação visual e motora, pois é um jogo que estimula a coordenação olho/mão.

Brincar de massinha de modelar: estimular a criança a brincar com massinhas ajuda na coordenação, na criatividade, na concentração, além de ajudar a pessoa com TEA a vivenciar novas experiências, sensações e movimentos. As crianças podem brincar de forma livre ou usar outros objetos como potinhos e palito de sorvete.

Desenhar com tinta guache: ao brincar com tinta, a criança desenvolve a coordenação motora, pois utiliza os dedos ou pincel para praticar a atividade. A brincadeira estimula a criatividade, noção de tempo e alguns sentidos como tato e visão.

Outras atividades que podem contribuir com a coordenação da criança:

– abrir e fechar zíper;
– colocar palitos dentro do paliteiro;
– pegar bolinhas de isopor de dentro de uma bacia com água usando uma peneira;
– passar bolinha de gude de um pote a outro com uma colher.

Dentro do ambiente escolar também é possível desenvolver as habilidades motoras das crianças e adolescentes com TEA. Por isso, é importante que os professores e coordenadores das instituições de ensino estimulem os alunos a praticar atividades como desenhos, pinturas, recortes e colagens. Além de investir em brincadeiras com objetos lúdicos, que estimulem a curiosidade, respeitando sempre a hipersensibilidade de alguns autistas.

Referências:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27733748

https://source.wustl.edu/2012/02/autism-affects-motor-skills-study-indicates/

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Qual é o papel do psicomotricista na intervenção do autismo?

O psicomotricista realiza ações que englobam as áreas saúde, educação e cultura, avaliando, prevenindo, cuidando e pesquisando o indivíduo na relação com o ambiente e processos de desenvolvimento.

Para ter mais qualidade de vida, melhorar as habilidades sociais e motoras, os autistas realizam diversas intervenções terapêuticas desde cedo. E também passam por diversos especialistas, das mais variadas áreas. Assim, é o caso dos psicomotricistas.

O objetivo da psicomotricidade é atuar na imagem corporal, juntamente com o movimento, a afetividade e a cognição.

Esse profissional estuda o ser humano por meio de seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo.

Um dos objetivos da psicomotricidade é realizar atividades que ajudam as crianças a desenvolver suas habilidades de forma individual.

Isso porque existe uma relação direta entre o desenvolvimento motor, afetivo e intelectual da criança. Por meio dos movimentos corporais, ela mostra os seus desejos, a sua afetividade, a forma como interage com o meio em que vive e a possibilidade de comunicação.

De acordo com a Associação Brasileira de Psicomotricidade (ABP), a psicomotricidade “é um termo empregado para uma concepção de movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização”.

O psicomotricista realiza atividades que trabalham o movimento, a inteligência e o afeto.

Portanto, o intuito é que a pessoa tenha uma percepção de si mesma, por meio das sensações e relações entre o corpo e o exterior. Além do jogo simbólico e a subjetividade psíquica.

Aliás, diversos especialistas como fisioterapeutas, profissionais de educação física, psicopedagogos, entre outros, podem se especializar em psicomotricidade.

Como contribui com os autistas

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é considerado uma disfunção global do desenvolvimento. Por isso, as capacidades de comunicação, de socialização e de comportamentos da pessoa são afetadas.

O psicomotricista realiza intervenções que estimulam o movimento corporal e nota as mensagens não verbais da criança. Dessa forma, auxilia na interação do autista com a sociedade ao melhorar suas habilidades cognitivas, afetivas e emocionais.

Portanto, alguns benefícios da psicomotricidade para autistas são:

  • ajuda a criança autista a descobrir o seu corpo, seu espaço e o mundo à sua volta;
  • melhora da percepção de estímulos por meio dos seus sentidos, sensações e sentimentos;
  • melhora as relações afetivas e emocionais;
  • desenvolver a parte sensorial, a motora, a linguagem e a capacidade de perceber ambientes sociais;
  • permite que o autista desenvolva habilidades ao apropriar-se de sua imagem e esquema corporal e  da consciência de seu corpo dentro de um ambiente ou de um contexto.

É importante reforçar que a criança autista precisa ter apoio da família, dos profissionais da escola e serem incentivados a realizar os exercícios de psicomotricidade indicadas pelo profissional para que o autista consiga desenvolver suas habilidades.

Por isso, é fundamental buscar ajuda profissional de um psicomotricista capacitado. Dessa forma, o profissional vai conseguir elaborar uma estratégia eficaz com as atividades adequadas de acordo com a necessidade da criança autista.

Quais brincadeiras podem ser realizadas em casa?

O desenvolvimento da psicomotricidade pode ser realizado em casa com brincadeiras simples indicadas pelo psicomotricista. Assim, estimula-se o senso de espaço, movimento e percepção da criança.

Entre as atividades que podem ser sugeridas estão:

  • jogo da amarelinha, que estimula o equilíbrio e coordenação motora;
  • bolinha de gude;
  • empilhar copos de plásticos;
  • desenhar;
  • jogo da cabeça, ombro, joelhos e pés para ajudar na identificação corporal e atenção;
  • pular corda.

A intervenção terapêutica com um psicomotricista pode ocorrer de uma a duas vezes por semana e durar cerca de uma hora por vez, dependendo de casa caso.

Busque referências dos profissionais para garantir a qualidade e a segurança do atendimento. Aliás, você já conhecia o trabalho do psicomotricista?

Leia também: https://neuroconecta.com.br/intervencoes-ludicas-para-o-desenvolvimento-dos-autistas/

Saiba mais sobre autismo: https://neuroconecta.com.br/conheca-14-sinais-que-sao-comuns-em-criancas-com-autismo/

Referências:

https://www.psychomotor.gr/contents/volume-9-2017/139-motor-proficiency-of-children-with-autism-spectrum-disorders-and-intellectual-disabilities-a-review.html

https://psycnet.apa.org/record/2016-59175-004

https://psicomotricidade.com.br/sobre/quem-e-o-psicomotricista/

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A relação da Síndrome de Down com o autismo

A relação da Síndrome de Down com o autismo

A Síndrome de Down é causada pela alteração genética caracterizada pela presença adicional de um cromossomo no corpo.

Por isso, a pessoa com Down apresenta características físicas peculiares, deficiência intelectual e de aprendizado. No Brasil, estima-se que uma em cada 700 pessoas nasça com a condição. E em alguns casos, essas pessoas também podem ter autismo.

Os humanos apresentam 46 cromossomos, que vêm em 23 pares. Crianças com Síndrome de Down têm 47 cromossomos, pois possuem três cópias do cromossomo 21 em vez de duas.

A expectativa de vida das pessoas com Síndrome de Down melhorou muito nas últimas décadas. Nos anos 1960, um bebê com Down geralmente não chegava aos 10 anos de idade. Atualmente, a expectativa de vida das pessoas com Síndrome de Down atingiu uma média de 50 a 60 anos e com qualidade de vida.

Características da Síndrome de Down

Primeiramente, em relação à característica física, as pessoas com Down possuem olhos amendoados, os membros são mais curtos, o tônus muscular é mais fraco e a língua é maior do que o normal.

De fato, elas podem apresentar outros problemas de saúde como cardíacos, respiratórios, refluxos e apneia do sono. Geralmente, a Síndrome de Down é detectada ainda na gestação, mas também há testes genéticos que podem diagnosticar a condição.

De fato, as causas da Síndrome ainda não foram esclarecidas, mas sabe-se que é genética e que as mulheres mais velhas (acima de 35 anos) são mais propensas a ter um filho com Down.

Relação com autismo

O autismo e a Síndrome de Down podem coexistir em alguns casos. O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) geralmente pode vir, eventualmente, com outras condições. Isso ocorre de fato, e é chamado de comorbidade.

Como resultado, as pessoas com esse duplo diagnóstico podem ter um perfil específico e apresentar alguns sintomas como:

  • dificuldade de interação social;
  • comportamentos motores repetitivos;
  • brincar de maneira incomum com brinquedos ou outros objetos;
  • comprometimento da linguagem;
  • regressão do desenvolvimento;
  • resposta sensorial incomum;
  • dificuldade com mudanças na rotina.

Estima-se que entre 18% e 39% de indivíduos com Síndrome de Down estejam dentro do espectro do autismo. Mas, para chegar ao duplo diagnóstico, alguns pais podem encontrar dificuldades no começo e precisam lidar com algumas incertezas. Ou seja, o diagnóstico de ambas as condições é importante para que a pessoa tenha um acompanhamento adequado e ganhe mais qualidade de vida.

Saiba mais sobre a Síndrome de Down

A Síndrome de Down foi descrita pela primeira vez por John Down, em 1866. Apenas em 1958, o francês Jérôme Lejeune e a inglesa Pat Jacobs descobriram a origem cromossômica da Síndrome. Foi quando ela passou a ser considerada então, uma síndrome genética.

Desde então, várias pesquisas estão sendo realizadas sobre o assunto e as formas de tratamentos e como as pessoas com Down são cuidadas de fato, mudou bastante.

Primordialmente, é fundamental que na infância esses indivíduos sejam estimulados para lidar melhor com suas limitações e melhorar suas potencialidades. Fonoaudiologia, fisioterapia, assim como, terapia comportamental ajudam a melhorar a capacidade de falar, andar e realizar as atividades diárias.

Vale destacar que as pessoas com Down podem ter uma vida relativamente normal — frequentar uma escola regular, praticar esportes e trabalhar, e deve ser integradas na sociedade.

Referências

https://raisingchildren.net.au/autism/learning-about-asd/about-asd/conditions-that-occur-with-asd

https://www.verywellhealth.com/children-diagnosed-with-both-down-syndrome-and-autism-1120493

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_atencao_pessoa_sindrome_down.pdf

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Benefícios-da-atividade-física-para-pessoas-com-autismo

Benefícios da atividade física para pessoas com autismo

Diversas pesquisas mostram que a atividade física regular melhora as habilidades motoras e as habilidades sociais de crianças, jovens e adultos com autismo.

Todo mundo precisa se movimentar e buscar uma atividade física que proporcione prazer, motivação e controle de peso, além de prevenção de doenças.

Você sabia que o exercício físico promove a liberação de um hormônio conhecido como endorfina, que auxilia nas funções do sistema nervoso como a autorregulação e melhora do sono?

Esses podem ser alguns dos problemas encontrados em pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

E também contribui para diminuições de estereotipia, comportamentos agressivos e hiperatividade.

Além disso, quando as crianças com autismo se envolvem com atividades esportivas, elas  constroem relações sociais com os colegas de equipe, pois trabalham com outras pessoas para atingir objetivos e constroem uma relação de confiança.

A participação no esporte também permite que sintam que possuem um papel na sociedade e fazem parte de um time.

Realizar movimentos frequentes também ajuda no conhecimento de postura corporal,  aumenta a noção entre espaço e tempo e do ambiente em que vive.  Outro benefício da prática de atividade física é diminuir as chances de obesidade.

Sabe-se que o excesso de peso pode acarretar doenças mais graves, como diabetes, doenças cardíacas, problemas ósseos e articulares. E os exercícios ajudam a melhora a flexibilidade, o que diminui problemas associados ao baixo tônus ​​muscular, aumentando o equilíbrio e a coordenação.

Entre as práticas terapêuticas, a atividade física aeróbica se mostra muito benéfica para estimular a interação e o desenvolvimento físico, pois trabalham vários músculos.

A criança que pratica atividade física passa a ter um conhecimento maior do seu corpo, sua força, a ter noção de lateralidade e apresenta melhora psicomotora.

Veja mais alguns benefícios:

– Aprimora-se a comunicação;

– Há redução de ansiedade;

– Autonomia;

– Melhora do humor;

– Aumenta a autoestima;

– Aprendem novas habilidades;

– Mais foco e concentração.

Como começar?

No primeiro momento, pode ser uma tarefa difícil fazer com que a pessoa com autismo comece a se exercitar por causar uma mudança na rotina.  E algumas atividades e modalidades esportivas podem ser desafiadoras para crianças com autismo. Isso não significa que elas precisam ser sedentárias, mas é importante ajudá-las a escolher uma atividade interessante e que se adeque as suas necessidades.

Nos primeiros anos, é fundamental que as atividades físicas estimulem a coordenação motora, prendam a atenção da criança e aumente a interação.

Já os mais velhos, podem praticar atividades que aumentem o condicionamento físico como natação, corrida, ciclismo, por exemplo.

A natação é indicada porque a água fornece um estímulo sensorial, e as pessoas podem fazer a atividade individualmente ou fazer parte de uma equipe.

Além disso, a criança que aprende a nadar consegue diminuir o risco de se afogar. E a água proporcionaum ambiente relaxante, já que são realizados movimentos suaves e repetitivos.

Para crianças com TEA, a água no corpo tem um efeito calmante e ajuda controlar o estresse. Segundo a Autism Spectrum Disorder Foundation, a natação pode ajudá-las a melhorar a fala, a coordenação, as habilidades sociais, a autoestima e no processamento cognitivo.

No caso de esportes coletivos – como futebol, vôlei, basquete, entre outros – estimula-se a interação, a responsabilidade em conjunto e o sentimento de pertencimento.

Entretanto, pode ser mais complicado explicar as regras dos jogos para quem possui TEA. Por isso, paciência e dedicação nesses casos é fundamental.

É importante ressaltar que as crianças com TEA podem brincar, correr, nadar e jogar bola. A diferença é que precisam ser ensinados de uma forma diferente, e em alguns casos, necessitam de algumas adaptações.

O exercício físico é importante para o bem-estar de todas as pessoas, não importa a idade ou habilidade.

Independentemente do exercício ou atividade esportiva escolhida, sempre consulte um médico antes de iniciar qualquer mudança na rotina e respeite a individualidade da pessoa com o TEA.

Conta para gente! Conhece alguém com TEA que realiza algum tipo de atividade física?

Referências:

Effects of Physical Exercise on Autism Spectrum Disorders: A Meta-analysis. Disponível em: http://www.bewegenvoorjebrein.nl/wp-content/uploads/2017/01/Sowa-Meulenbroek-2012-exercise-ASD-meta-analysis.pdf

Obesity in Children with Autism Spectrum Disorder. Disponível em:

https://journals.lww.com/hrpjournal/Fulltext/2014/03000/Obesity_in_Children_with_Autism_Spectrum_Disorder.4.aspx

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Depressão e autismo: quando há risco de suicídio?

A depressão é uma condição bastante frequente e pode afetar até 85% das pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).  Estima-se que  aproximadamente 20% dos jovens com autismo tenham também transtornos depressivos. E quase metade dos adultos com autismo terão um quadro de depressão durante algum momento da vida.

Isso pode ocorrer devido a  fatores biológicos, psicológicos e sociais. Além do fato de o autismo e a depressão compartilharem vulnerabilidades genéticas comuns.

Sabe-se também que a depressão é mais comum em indivíduos com autismo que possuem uma grau mais leve. Acredita-se que isso ocorre com mais frequência porque eles têm consciência de sua condição e isso causa sofrimento psíquico.

Sentir-se socialmente isolado e solitário e ter dificuldade para comunicar seus sentimentos pode levar algumas pessoas com autismo a ter pensamentos suicidas. 

Quais são os sintomas?

A depressão em pessoas com autismo pode se apresentar de forma diferente. Em alguns casos, há aumento da agressividade e/ou dos comportamentos repetitivos.

Mas as pessoas com depressão e autismo podem ter dificuldade em compartilhar e identificar seus pensamentos e sentimentos.

Geralmente, eles não conseguem rotular seus sentimentos, comunicar os sintomas ou preocupações sobre seu estado mental e falta de ânimo. Tudo isso prejudica o diagnóstico e o tratamento.

A depressão pode prejudicar a independência do autista, suas habilidades sociais e de comunicação e desencadear pensamentos suicidas.

O risco de suicídio

Além da tristeza, apatia, desânimo e incertezas, alguns autistas com depressão podem pensar em suicídio. Sabe-se que uma das principais causas de morte prematura de pessoas com TEA é o suicídio.

É importante salientar que é preciso estar atento, desde o princípio, aos sentimentos de infelicidade ou inadequação das pessoas com TEA.

De acordo com pesquisas, as tentativas de suicídio  entre indivíduos com transtornos do espectro do autismo é significativamente maior do que entre a população em geral.

Os pesquisadores acreditam que conviver com autismo, muitas vezes, significa ter que enfrentar dificuldades diárias. Para eles, é muito difícil a interação com outras pessoas, nos estudos ou no trabalho. Muitos ainda sofrem bullying e não são compreendidos.

Principais motivos que levam à depressão

Pesquisadores e os relatos de autistas mostram quais são os potenciais motivos para ter depressão e pensamentos suicidas. São eles:

  • bullying, isolamento, solidão;
  • achar difícil entender seus próprios sentimentos e aprender a administrá-los;
  • precisar esconder ou mascarar traços ou comportamentos autistas;
  • dificuldade de ter um diagnóstico correto;
  • problemas para dormir;
  • dificuldade para comunicar suas emoções e pensamentos;
  • dificuldade em identificar emoções alheias;
  • outras condições de saúde como  o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).

O que pode ser feito?

É muito importante que o diagnóstico seja realizado precocemente para que o autista receba o tratamento adequado.

A família e as pessoas próximas precisam estar por perto e reconhecer os sinais de depressão. O que pode ser complicado uma vez que as pessoas com espectro autista reagem e interpretam o mundo de forma diferente das demais pessoas.

Como eles sofrem e não conseguem se expressar, pode ser mais complexo um diagnóstico.

Alguns medicamentos como antidepressivos e a terapia comportamental podem ser indicadas para controlar os sintomas.

Há uma grande variedade de antidepressivos disponíveis no mercado e apenas um médico, geralmente psiquiatra, pode indicar qual é o melhor para cada caso.

Os medicamentos podem controlar os sintomas de tristeza, humor alterado, falta de sono e apetite, irritabilidade e perda de motivação dos autistas deprimidos.

Já a intervenção terapêutica trabalha as questões referentes ao sofrimento psíquico e também situações relacionadas aos conflitos internos. O objetivo é  trazer mais qualidade de vida para quem sofre com a depressão.

Alguns fatores podem diminuir os riscos de suicídio. É importante ter o apoio familiar e garantir uma adaptação adequada na escolar e que a inclusão escolar seja efetiva.

Se o autista demonstrar qualquer sinal de sofrimento, a procura por especialista deve ser imediata. Isso porque muitos não sabem pedir ajuda.

Referências:

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32150706/

https://www.spectrumnews.org/features/deep-dive/the-deep-emotional-ties-between-depression-and-autism/

https://www.autismspeaks.org/expert-opinion/whats-connection-between-autism-and-depression

https://www.autism.org.uk/advice-and-guidance/topics/mental-health/suicide

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Dificuldades Alimentares no autismo

A Seletividade Alimentar, que é um tipo de Dificuldade Alimentar que afeta cerca de 80% das crianças autistas e cerca de  30% das neurotípicas, ou seja, que não tem autismo ou qualquer outro tipo de atraso no desenvolvimento.

É um problemas muito comum e que precisa de atenção. Porém, sabendo o manejo das técnicas corretas, é possível conquistar uma boa alimentação e a nutrição adequada para o seu filho.

Primeiro você precisa compreender o que seu filho está passando, portanto, precisa saber o que é seletividade, o que é dificuldade alimentar, desta forma, você vai conseguir contornar melhor tudo isso.

O que é o comer normal?

O marco da seletividade alimentar normal se inicia aos dois anos de idade. É uma seletividade que a gente chama de típica, nesse marco dos dois anos acontecem várias mudanças no desenvolvimento da criança. Na idade pré-escolar a criança começa a ter preferências alimentares, elas começam a conhecer o sabor doce, conhecer o sabor do salgado, do refrigerante e começa a ter as preferências alimentares.

Com dois anos de idade elas começam a agir também mais pela parte do comportamento, então começam a escolher alimentos da preferências delas, como por exemplo o leite, a grande maioria gosta muito do leite, do sabor doce ao invés de comer a comida que lhe é ofertada, elas deixam de comer alguns alimentos mas voltam a comer uns dois, três dias depois ou ainda, depois de uma semana.

A quantidade de alimentos que essas crianças com seletividade alimentar típica (que é a seletividade natural) comem é bem abrangente, contém 50 ou mais alimentos.

Dentro dessa seletividade típica há uma variação de apetite, então aos dois anos de idade a criança consome menos alimento, porque o índice energético dela é um pouquinho menor, ok? Isso é normal.

A velocidade de crescimento diminui, então essas crianças necessitam de menos calorias. Portanto, aos dois anos é um marco que a gente percebe que a criança tem menos apetite, ela começa a comer menos.

Elas apresentam uma resistência em experimentar o novo, então rejeitam a comida sem mesmo ter experimentado antes, e gostam de comer somente alimentos que interessam à elas.

Mas se dentro do contexto comportamental dessa criança, tiver uma rotina alimentar adequada, ela consegue comer os alimentos que a gente quer que ela coma. E ela não exclui grupos inteiros de alimentos, então essa seletividade alimentar típica, é uma seletividade que oscila muito do que está dentro do esperado.

Seletividade Alimentar

E o que que seria a seletividade alimentar sem ser típica, que é a seletividade fora do normal, que a gente precisa ficar um pouquinho mais de alerta?

Lembra que a criança que come normalmente aceita cerca de 50 alimentos diferentes? Já em uma dificuldade alimentar, a criança que é mais seletiva aceita menos alimentos, ela come uma variedade de até 30 alimentos diferentes.

É aquela criança que deixa de comer, mas ser ofertar novamente daqui duas ou três semanas, volta a comer aquele alimento que rejeitou. Come pelo menos um alimento de cada textura e de cada grupo alimentar, então do grupo de frutas come uma, no grupo de legumes come outra, ou seja, de cada grupo de alimentos ela aceita comer pelo menos um determinado alimento.

Consegue tolerar o alimento perto dela, consegue interagir com alimento, às vezes chega até experimentar, colocar na boca, mas depois recusa, chega à tocá-lo, chega a interagir bem com esse alimentos.

E o que seria a recusa alimentar?

A recusa alimentar é um pouquinho mais grave tem que ser tratada de imediato.

São crianças que rejeitam e aceitam pouquíssimos alimentos, no máximo 20 alimentos. São crianças que geralmente só toleram crocante, ou somente alimentos brancos, ou só os pastosos, e dependendo do grau de dificuldade dessa criança, rejeita categorias inteiras de alimentos, por exemplo, se a criança rejeita uma fruta, ela rejeita todas as frutas, se rejeita uma verdura, rejeita todas as verduras.

Essas crianças requerem um tratamento a longo prazo, requer um manejo de comportamento um pouco diferente, são crianças com uma dificuldade alimentar um pouquinho mais grave. Elas não toleram sequer ficar no mesmo ambiente com outras pessoas comendo.

E tem crianças que chegam no grau de dificuldade de recusa alimentar tão grande que ficam desnutridas, ficam abaixo do peso, geralmente só querem leite. A  grande maioria das crianças com recusa alimentar, são crianças que vivem à base de leite, crianças que ficam só com uma madeira durante o dia inteiro. Por isso temos que ficar alertas e avaliar o porque disso, o porque das suas dificuldades.

Aversão oral

E temos também a aversão oral, que são aquelas crianças que não passaram pela fase oral no desenvolvimento dela, então são aquelas crianças que a mãe relata que não pegava muito o mordedor, não fazia a conexão “mão-boca“, que apresentam grande sensibilidade e medo excessivo de qualquer estímulo incluindo a parte orofacial.

São crianças que não gostam de chupetas, que tiveram dificuldades na amamentação, crianças que tem algum tipo de utensílio específico, não tolera qualquer tipo de utensílio, não tolera qualquer tipo de bico na mamadeira, apresentam dificuldades inclusive na escovação dos dentes.

E por fim, temos a neofobia alimentar

A neofobia alimentar nada mais é do que o medo de experimentar o novo. São aquelas crianças que tem vontade de experimentar, ficam com a boca cheia d’água, mas quando vai colocar o alimento na boca bloqueia, então o alimento para essa criança é como se fosse algo muito estranho.

Essas crianças apresentam mesmo uma neofobia, que é o medo, a fobia de ver um alimento. São crianças que sentem medo do alimento, crianças que sofrem ao ver um alimento de plástico, o alimento simbólico, uma brincadeira, se esquiva, tem medo, choram, tem crianças que até acelera o coração, dilatam as pupilas, então essas crianças têm realmente uma fobia alimentar.

Então esses são os tipos de dificuldades alimentares que as crianças podem apresentar. Se seu filho está passando por algum tipo de dificuldade alimentar procure um especialista para realizar as intervenções necessárias e garantir uma boa alimentação e nutrição.

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