Como diagnosticar o autismo leve?

O autismo é um transtorno de neurodesenvolvimento que traz dificuldades nas habilidades de interação e comunicação social e no comportamento. Existem três níveis diferentes de autismo, caracterizados como níveis 1, 2 e 3, que variam de leve a grave.

Portanto, no caso do autismo leve (nível 1), os sintomas podem ser mais brandos, o que pode dificultar o diagnóstico.

É importante ficar atento aos sinais e procurar ajuda especializada. É comum que os pais não consigam diferenciar o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) ou se o filho é uma pessoa introspectiva, ou seja, quando a criança é mais fechada e tímida.

Por isso, geralmente o diagnóstico do autismo nível 1 ocorre bem mais tarde, muitas vezes apenas na fase adulta.

Pessoas com autismo nível 1 (“leve”) geralmente conseguem se comunicar, estudar, trabalhar e lidar com atividades comuns do dia a dia, como atividade de autocuidado. Eles podem viver de forma independente e normalmente como qualquer outra pessoa, muitas vezes, sem precisar de ajuda. Todas essas questões dificultam o diagnóstico dos adultos.

Sinais do autismo nível 1

Veja, a seguir, alguns sinais do autismo nível 1:

  • Interesse diminuído em interações ou atividades sociais;
  • Dificuldade em conversar com uma pessoa;
  • Dificuldade na comunicação não verbal (entender gestos e expressões);
  • Dificuldade em se adaptar a mudanças na rotina ou no comportamento;
  • Dificuldade em se planejar ou se organizar;
  • Pouco contato visual;
  • Linguagem verbal fluida, mas de forma mecânica;
  • Estereotipias e repetições;
  • Apego demasiado a um determinado objeto.

Que especialista procurar?

É importante destacar que o diagnóstico do autismo é clinico, ou seja, não há um exame específico que determine se a pessoa tem o Transtorno. Por isso, notar os sintomas é fundamental para ter um diagnóstico precoce.

É bastante comum que o pediatra realize o diagnóstico do autismo, pois ele é o responsável pelo acompanhamento das crianças desde os primeiros dias de vida.

E quanto antes for realizado o diagnóstico, mais rapidamente vão começar as intervenções precoces para que a criança seja estimulada e melhore as suas habilidades e se desenvolva.

A criança pode ser encaminhada para um neuropediatra (neurologia infantil) ou psiquiatra infantil. Esses profissionais conseguem realizar um diagnóstico por meio dos sintomas e escalas de avaliações. No consultório médico, os responsáveis pela criança precisam falar sobre os comportamentos e detalhar tudo o que perceberam de diferente na rotina, abrangendo a vida familiar, escolar e social.

Depois da confirmação do diagnóstico, o autista e sua família recebe a indicação de abordagens terapêuticas, que geralmente contam com uma equipe de multiprofissionais.

Pessoas com autismo de nível 1 ou leve geralmente mantêm a qualidade de vida com pouco apoio. Esse suporte geralmente ocorre na forma de terapia comportamental ou outros tipos de terapia que ajudam a melhorar as habilidades sociais e de comunicação.

A terapia comportamental ou ABA também ajuda a desenvolver comportamentos positivos que podem não ocorrer de forma natural para o autista, mas precisa ser aprendida.

No caso de adultos, é comum que descubram ao procurar ajuda psicológica ou em uma consulta com um psiquiatra. Não são raros os casos de pais que são diagnosticados com o TEA logo após os filhos serem identificados com autismo.

O impacto do diagnóstico tardio do autismo leve

Autistas com nível leve podem demorar a ter um diagnóstico. Essas pessoas passam anos se sentindo inadequados à sociedade e sofrem muito sem saber o que acontece com elas.

Geralmente, pessoas com autismo leve não apresentam deficiência intelectual ou déficit de linguagem. Os adultos autistas sem diagnóstico podem apresentar desafios e/ou restrições sensoriais ao toque, sons, luzes, texturas, sabores e, muitas vezes, são vistos pelos outros como tímidos, ingênuos, antissociais e ríspidas.

O diagnóstico correto é fundamental para que a pessoa consiga ter uma vida normal, com mais tranquilidade, lidando melhor com suas limitações e melhorando habilidades sociais.

Referências:

https://www.autismspeaks.org/autism-diagnosis-criteria-dsm5

https://www.autismawareness.com.au/could-it-be-autism/understanding-autism/

https://www.webmd.com/brain/autism/high-functioning-autism

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Avaliação neuropsicológica: quando é necessária?

Se uma criança está enfrentando dificuldades e pais ou educadores suspeitam que ela tenha o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), uma avaliação neuropsicológica pode ajudar a confirmar ou descartar essa hipótese.

A avaliação neuropsicológica visa investigar quais as funções cognitivas estão preservadas e as que estão comprometidas. O profissional realiza testes padronizados para ter uma avaliação completa das funções cognitivas.

Por isso, realiza-se um mapeamento de todas as funções cerebrais das pessoas, além dos aspectos emocionais e da personalidade.

Cabe ao neuropsicólogo identificar o desempenho de habilidades como atenção, percepção, linguagem, raciocínio, memória, aprendizagem e habilidades motoras. Depois dessa avaliação neuropsicológica é possível identificar quais tipos de intervenções são indicadas.

Qual é o objetivo da avaliação neuropsicológica?

Ela avalia de forma cuidadosa e abrangente a pessoa para identificar pontos fortes e fracos em várias áreas. Algumas crianças encaminhadas para uma avaliação já podem ter um diagnóstico ou ainda estão tentando descobrir qual é a condição associada.

Em ambos os casos, os resultados de uma avaliação neuropsicológica podem ajudar a esclarecer diagnósticos e a traçar recomendações específicas para atender às necessidades de uma criança autista em casa e/ou na escola. 

A avaliação neuropsicológica também visa compreender a razão pela qual a criança autista não está absorvendo os conteúdos em sala de aula. Pode também descobrir quais são as dificuldades encontradas pela pessoa como falta de atenção, dificuldade em memorizar, diminuição da percepção visual e/ou auditiva e até mesmo se há um quociente intelectual deficitário.

Além disso, por meio da avaliação neuropsicológica é possível ajudar a pessoa com o TEA, seus pais e a escola na formação de um currículo adaptado, para que essa criança possa estudar de acordo com as suas dificuldades e limitações.

Como funciona

São realizadas entrevistas e testes neuropsicológicos padronizados e o neuropsicólogo poderá investigar o funcionamento cognitivo e estabelecer as habilidades e as dificuldades específicas de uma pessoa para planejamento de intervenção. Como algumas crianças exigem intervalos frequentes, os testes podem ser divididos entre duas a cinco consultas.

A avaliação neuropsicológica pode contribuirpara o diagnóstico correto do autismo. Normalmente, é realizada com base na observação, histórico e nas queixas do paciente e dos pais. 

As pessoas com o TEA devem ser examinadas por neuropsicólogos experientes e bem treinados. E essa investigação deve destacar a singularidade de cada pessoa com TEA.

A avaliação da inteligência é fundamental para qualquer avaliação neuropsicológica e quem tem autismo. Mas, a análise do perfil cognitivo é muito mais importante do que a medição do quociente de inteligência (QI). Por isso, avaliam-se as funções cognitivas individuais das pessoas com TEA.

Quando envolvem crianças e adolescentes, geralmente a avaliação neuropsicológica é feita com a presença dos pais. Inicialmente são coletados os dados do paciente – e as perguntas abrangem desde o nascimento até os dias atuais.

Em seguida, os especialistas aplicam testes ou usam ferramentas de diagnóstico para compreender as funções cognitivas, como funciona a memória, a atenção, o planejamento, entre outros fatores. 

É comum também que o neuropsicólogo converse com outros profissionais que convivem com a criança como professores e pediatras para entender melhor como ela se comporta.

As pontuações dos testes são interpretadas no contexto de outras informações. Alguns déficits não podem ser quantificados. As habilidades sociais, por exemplo, são avaliadas em grande parte por meio da observação de comportamentos.

Após a conclusão da avaliação, os pais são orientados e os profissionais indicam as medidas e terapêuticas adequadas para cada caso.

Referências:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5789214/

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O que é o modelo DIR®/Floortime™?

O modelo DIR®/Floortime™ foi criado no final da década de 1980 por pesquisadores norte-americanos para ajudar as crianças a se desenvolver, principalmente as que estão no espectro do autismo.

A sigla vem do inglês Developmental, Individual Difference, Relationship-based Model e significa “Desenvolvimento funcional emocional; diferenças individuais e de relacionamento”.

Por isso, esse modelo terapêutico visa o desenvolvimento das crianças com alguma alteração no desenvolvimento da sociabilidade, como é o caso do autismo, respeitando as diferenças individuais e as suas relações interpessoais.

O objetivo é ajudar essas crianças a utilizar suas capacidades levando em conta a etapa do desenvolvimento em que se encontram. E também como processam as informações que recebem do meio em que vivem. Por isso, visa na formação das competências sociais, emocionais e intelectuais.

Como funciona?

Esse método é uma terapia baseada em relacionamento para crianças com autismo. A intervenção é chamada Floortime porque os pais ou terapeutas se sentam no chão com a criança para brincar e interagir em seu nível. 

O objetivo é que os adultos ajudem as crianças a expandir seus “círculos de comunicação”. Terapeutas e pais se envolvem nas atividades e nos jogos da criança.

O método DIR®/Floortime™ foca na criança como um ser único e respeita a sua individualidade e limitações. É uma forma de sistematizar a brincadeira com a criança e proporcionar sua progressão sobre as etapas do desenvolvimento.

Pode ser aplicada por profissionais de diferentes áreas como psicólogos, fonoaudiólogos, pedagogos e terapeutas ocupacionais. Mas, a participação da família é fundamental para ser efetiva.

Algumas estratégias do modelo

Os terapeutas ensinam aos pais a direcionar seus filhos para interações cada vez mais complexas. O método não funciona isoladamente em habilidades de fala, motoras ou cognitivas. Ele foca no desenvolvimento emocional e incentiva as crianças a se esforçarem ao máximo.

O Floortime é uma das estratégias e significa “tempo de chão”, onde o terapeuta ou professor segue os interesses emocionais da criança e a desafia a estimular suas capacidades sociais, emocionais e intelectuais.

As sessões com o método incluem treinamento para pais e cuidadores, bem como interação com a criança. Mas, ocorrem em forma de brincadeiras para promover o desenvolvimento ou a aquisição das habilidades. A criança lidera a interação e o terapeuta segue seus interesses e motivações.

A interação é muito importante nesse processo. O autista e o terapeuta estabelecem uma relação que estimula a comunicação, mesmo que a criança ainda não fale.  Podem ser realizadas interações por meio da música, movimento, arte, jogos ou até mesmo diálogos.

Seis marcos principais do método DIR®/Floortime™

Há algumas habilidades importantes que as crianças precisam desenvolver. O método DIR®/Floortime™ se baseia nas seis fases do desenvolvimento que contribuem para o crescimento emocional e intelectual. São elas:

  • Auto-regulação, atenção e interesse no mundo;
  • Intimidade ou envolvimento em relacionamentos;
  • Comunicação recíproca intencional;
  • Resolução de problemas de comunicação complexos;
  • Criação e elaboração de símbolos/ideia;
  • Construção de pontes entre os símbolos/ideias.

Alguns benefícios do D.I.R.®/ Floortime™

A criança autista passa a se manter calma e regulada; interage com os outros de forma espontânea; pode iniciar uma comunicação empática e consegue resolver conflitos sociais.

Além disso, passa a assimilar, regular, responder e compreender sensações como o som, toque, e o planejamento e sequenciamento de ações e ideias.

E por fim, melhora os relacionamentos da criança com seus pais, professores, terapeutas e colegas. Aprende também a ter mais autonomia.

Saiba mais sobre o assunto

O modelo D.I.R.®/ Floortime™ foi criado por Stanley Greenspan e Serena Wieder nos EUA depois de anos de observações e estudos relacionados ao desenvolvimento infantil. Os pesquisadores unificaram o conhecimento de vários estudos e identificaram a importância e necessidade dos relacionamentos e do afeto para o aprendizado.

Referências:

http://www.icdl.com/floortime

https://www.autismspeaks.org/floortime-0

 

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Conheça os graus de autismo

Ao receber um diagnóstico de autismo, os pais podem ficar com muitas dúvidas e se perguntarem se há graus de autismo ou se todos os autistas são iguais. A resposta é sim. Há diferentes graus de autismo.

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) pode ser classificado de acordo com o grau de dependência do autista e necessidade de suporte e independência.

Por isso, o autismo pode ser leve, moderado ou severo (conhecidos também como níveis 1, 2 e 3 respectivamente).

Autismo no DSM-5

No Brasil, nós adotamos o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, que está na sua quinta edição (DSM-5), e que considera o autismo como um Transtorno do Neurodesenvolvimento.  O DSM-5 é a publicação oficial da Associação Americana de Psiquiatria.

Nós vamos explicar um pouquinho como o DSM define os graus do autismo. Desde 2013, o Transtorno do Espectro do Autismo é medido de acordo com sua gravidade, ou seja, o grau de comprometimento da condição do autista. Assim, é possível avaliar as habilidades de cada pessoa com o transtorno – se há comprometimento intelectual e de linguagem. 

Parece bastante complexo, mas o que queremos dizer é que o autismo pode ser classificado em níveis. Vamos destacar cada um deles para ficar mais claro para você. Quanto menor o nível, menos apoio a pessoa pode precisar. Por exemplo, pessoas com autismo de nível 1 (grau leve) apresentam sintomas leves e podem não precisar de muito apoio. Aqueles com autismo de nível 2 ou 3 têm sintomas que variam de moderados a graves e requerem apoio mais substancial.

Nível 1 de autismo

Começaremos pelo nível 1, que é considerado um grau mais leve, uma vez que a pessoa com autismo precisa de pouco apoio contínuo, pode ter dificuldade para se comunicar ou interagir socialmente ou não tem interesse de se relacionar com outras pessoas. Pode apresentar resistência quando ocorrem mudanças, ter estereotipias, dificuldade de comunicação, mas o autista leve tem um comprometimento menor. Por exemplo, uma pessoa com nível leve de autismo é capaz de falar, mas não tem sucesso ao tentar fazer amigos. Também possuem problemas de organização e planejamento que dificultam a independência.

Em alguns casos, os sintomas são tão sutis, que o diagnóstico pode ser realizado mais tarde. Entre eles destaca-se o Transtorno de Asperger antes assim chamado, que é uma condição de autismo leve, que apresenta pouca capacidade de fazer amigos, conversação unilateral, intenso foco em um assunto, entre outras características. 

Nível 2

Já o nível 2 é considerado um autismo moderado. A pessoa apresenta um déficit notável nas habilidades de comunicação tanto verbais quanto não verbais. Há pouca interação social com outras pessoas. Evita-se  a mudança na rotina, pois tem dificuldade em lidar com ela. Também é comum que fique estressado com mais facilidade e tenha muita dificuldade para mudar o foco e a atividade que está realizando. Ele é o meio termo e entre o leve e o severo. Por isso, o indivíduo com autismo moderado não é tão independente quanto os de níveis leve, nem tão dependente quanto os de autismo severo.

Nível 3

Chegamos ao nível 3, que é considerado o autismo severo. Pessoas nessas condições possuem severos prejuízos na comunicação verbal e não verbal. Além de serem muito limitados para interagir com outras pessoas. Não suportam mudanças na rotina e apresentam comportamentos repetitivos que interferem diretamente na vida dele e das pessoas em sua volta. E também apresentam alto nível de estresse e resistência para mudar de foco ou atividade. Geralmente, são dependentes para realizar as atividades do dia a dia, como trocar de roupa, comer, tomar banho… Podem ser mais agressivos em algumas situações. Apresentam mais comportamentos repetitivos, ou seja, fazem a mesma coisa repetidas vezes. E também comportamentos restritivos, podendo se distanciar do mundo e das pessoas ao seu redor. 

Claro que nem todo mundo com autismo se encaixa perfeitamente em apenas um nível (e sabemos também que dentro de cada nível tem variações). Mas os níveis ajudam a fornecer algumas características em comum entre os autistas e ajudar os médicos e especialistas a estabelecer metas e formas de lidar com cada pessoa que tem o Transtorno. 

É importante destacar que independentemente do grau, seja ele leve, moderado ou severo, a criança necessita de apoios específicos, pois geralmente o que diferencia são os sintomas que em alguns são mais sutis do que em outros.

É fundamental conversar com especialistas de confiança para esclarecer as dúvidas em relação aos graus do autismo e as razões que levam a pessoa com o transtorno a se enquadrar naquele nível.

Identificar qual é o nível do autismo é o primeiro passo para que a pessoa com o transtorno passe a ter o tratamento adequado e tenha mais qualidade de vida. 

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Como lidar com os comportamentos inapropriados do autismo

Um dos desafios dos pais de autistas é administrar os comportamentos inadequados das crianças e jovens dentro do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Como sabemos, de fato, as crianças com TEA apresentam problemas nas habilidades de comunicação, déficits na interação interpessoal e limitações sociais.

Contudo, os comportamentos inadequados podem ocorrer devido ao déficit na habilidade necessária para comunicar sentimentos, necessidades e desejos ou para concluir com êxito uma tarefa.

Geralmente, eles não levam em contam os comentários e olhares de reprovação e continuam agindo como se estivesse tudo bem.

Por isso, surgem as birras, os ataques de raiva e comportamentos agressivos.

Alguns exemplos de comportamentos inapropriados

  • Birras que parecem incontroláveis;
  • Recusa-se a fazer atividades simples como comer, se vestir, sair da cama ou fazer a lição;
  • Comem objetos como papel, borracha, sabão;
  • Fazem barulhos ou gritam em momentos inadequados;
  • Rir em momentos sociais inadequados como em um funeral;
  • São agressivos ou violentos;
  • Batem a cabeça na parede.

Entendendo esses comportamentos inadequados

É importante saber que um comportamento é um processo aprendido, dessa forma, pode ser modificado.

Geralmente, o comportamento é realizado para atender a uma necessidade ou propósito.

As birras, por exemplo, acontecem devido a alguma frustração ou proibição, quando eles não querem fazer algo, por medo, frustração, bem como, por tédio. E eles também querem provocar alguma reação nas pessoas presentes naquela situação.

Um erro que os pais cometem nessas situações é aceitar os comportamentos inadequados da criança autista.

Eles podem achar difícil – e certamente, é – lidar com esses tipos de constrangimento, principalmente se for em público e ficam irritados ou envergonhados.

Por isso, decerto, os pais cedem às exigências do filho,  o que reforça o comportamento inadequado.

É bom observar

A criança entende que conseguiu o que queria e, decerto, vai voltar a repetir esse comportamento inadequado toda vez que desejar o mesmo objetivo (serve como uma recompensa).

Primeiramente, os pais devem observar esses comportamentos e identificar em quais situações eles acontecem. É importante perceber se estão relacionados a dificuldade de comunicação ou a necessidade de rotina e hábitos.

Além disso, é importante reconhecer se ocorreu alguma mudança significativa no ambiente em que a criança está. E, em seguida, saber quais são os resultados obtidos pela criança depois desses comportamentos inadequados.

Igualmente, outra questão bastante delicada é sobre os comportamentos sexuais inadequados que surgem na adolescência. Os autistas podem tocar-se em locais públicos, tocar os outros e, da mesma forma, realizar a masturbação na frente de outras pessoas e tirar a roupa na frente de estranhos.

Como agir diante de comportamentos inadequados

Não é fácil lidar com esses comportamentos inadequados, mas é necessário que os pais e cuidadores demonstre que dessa forma a criança não conseguirá o que deseja. Sendo assim, não reforça o comportamento.

É importante manter a calma, não gritar, bem como, não brigar ou bater na criança. É necessário, no entanto, manter a mesma postura quando a criança apresentar esse comportamento e evitar ceder.

Os pais devem elogiar e dar atenção quando a criança conseguir ter um comportamento adequado. É importante conversar e explicar a necessidade de tal comportamento. Nesse sentido, pode ser usadas imagens ou fotos para facilitar a comunicação.

Ajuda Profissional

Certamente, ter uma equipe de profissionais ajuda bastante na orientação desses comportamentos. Busque ajuda de especialistas para lidar com os comportamentos inadequados e entenda como pode ajudar seu filho a se desenvolver e ter mais qualidade de vida.

Os pais devem procurar tratamento de um profissional qualificado para explicar suas preocupações e desenvolver um plano de tratamento individualizado para desse modo, reduzir os comportamentos inadequados de seus filhos.

ABA: ajudando a modificar comportamentos inadequados

A terapia ABA também é, sem dúvida, eficiente para modificar os comportamentos inadequados em situações específicas. Por meio de diversas técnicas de reforço e recompensa, as crianças autistas vão sendo estimuladas a aprenderem o comportamento adequado durante o dia a dia.

Muitas habilidades importantes podem ser ensinadas nas situações diárias de rotina. Os pais também precisam usar reforços positivos e negativos para que a ABA seja eficaz para minimizar os comportamentos inadequados.

O reforço positivo é uma das principais estratégias utilizadas na ABA. Quando um comportamento é seguido por algo que é valorizado, como uma recompensa, é mais provável que uma pessoa repita esse comportamento. Com o tempo, isso incentiva mudanças positivas de comportamento.

Cada vez que a pessoa usa o comportamento ou a habilidade com sucesso, recebe uma recompensa. Lembrando que essa recompensa pode ser um elogio, um brinquedo ou livro e também assistir a um vídeo, por exemplo. Essas recompensas positivas incentivam a pessoa a continuar usando a habilidade e mudar de comportamento.

Referencias:

https://raisingchildren.net.au/autism/behaviour/understanding-behaviour/challenging-behaviour-asd

https://www.autism.org.uk/about/behaviour/guidelines.aspx

https://www.autismspeaks.org/applied-behavior-analysis-aba-0

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Importância do apoio psicológico para os pais de autistas

O Apoio Psicológico é muito importante. Receber um diagnóstico de autismo pode causar diversas reações e sentimentos nos pais da criança ou jovem com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Estudos mostram que os pais que cuidam de crianças com o TEA geralmente relatam níveis aumentados de estresse, depressão e ansiedade. Por isso, é muito importante que os pais e mães de autistas recebam um apoio psicológico durante todas as fases da criança ou do adolescente com o TEA.

O estresse vivenciado pelos pais de uma criança autista representa um risco maior para diminuição da qualidade de vida. Esses pais correm um alto risco de “síndrome do cuidador” ou “estresse do cuidador”, que é uma condição de exaustão, raiva ou culpa.

Tudo isso causa um mal-estar muito grande e afeta seu bem-estar mental, físico, social e financeiro. Eles se sentem responsáveis em atender todas às necessidades de uma criança com autismo, dando todo o suporte, atenção, amor e carinho que eles precisam.

O Apoio Psicológico

Ao receber o apoio psicológico, os pais conseguem desabafar, aliviar o sofrimento e redirecionar pensamentos e comportamentos para aumentar o bem-estar.

A terapia é o momento que os pais conseguem falar e serem ouvidos e principalmente lidar com as dores, angústias e até luto pelo filho idealizado.

O papel dos psicólogos

Os psicólogos podem desempenhar um papel importante no diagnóstico de TEA e ajudar as pessoas a lidar e gerenciar os desafios associados ao autismo.

Com a terapia, as pessoas podem mudar as expectativas criadas e aprender a conviver melhor em família e ajudar na evolução do filho autista com menos angústia e sofrimento.  

Sabemos que criar uma criança no espectro pode ser muito diferente de cuidar uma criança neurotípica. Há questões sensoriais a serem consideradas, decisões educacionais que devem ser avaliadas, busca por profissionais e decisões terapêuticas que sobrecarregam os pais dos autistas. Eles podem ficar cansados e confusos com tudo isso.

Um terapeuta ajuda a identificar as necessidades das famílias e ajudar os pais a priorizar as tarefas e reduzir a ansiedade associada à sobrecarga.

Outra questão importante que pode acontecer é o desentendimento entre os pais. Sabe-se que os pais de crianças podem acabar brigando e discordando bastante sobre a criação, formas de tratamentos, terapêuticas, entre outras questões.

Isso pode causar sofrimento e estresse. O terapeuta pode ajudar um casal a superar as dificuldades enquanto estão juntos, visando o bem-estar da relação.

Mas, vale ressaltar que a terapia não faz milagre e não é da noite para o dia que surgem os resultados. É um processo que leva tempo, paciência, perseverança e comprometimento.

As mães costumam ser mais sensíveis, não se sentem compreendidas pelos companheiros e podem entrar em depressão.  Pedir ajuda pode ser muito difícil, principalmente no início. Não hesite em buscar apoio profissional se achar que precisa e para administrar melhor os sentimentos.

Acesso à terapia

Outra questão importante é que a terapia pode ter um custo elevado, o que dificulta o acesso. Mas, o que nem todo mundo sabe é que muitas universidades, centros de estudo e projetos voluntários oferecem tratamento psicológico gratuito. É importante se informar se há esses serviços disponíveis na sua cidade e buscar indicações.  

Também é possível buscar grupos de apoio. Pode ser útil ouvir ou conversar com pessoas que passaram ou estão passando por uma experiência semelhante.  Para muitos pais, os grupos de apoio oferecem esperança, conforto e incentivo para continuar a enfrentar os desafios de criar uma criança com autismo.

Referências:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5858410/

 https://journals.lww.com/md-journal/Fulltext/2019/08090/Emotional_problems_in_mothers_of_autistic_children.68.aspx

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O papel do psicólogo no autismo

O papel do psicólogo no autismo

Os psicólogos podem desempenhar um papel importante no diagnóstico de TEA e ajudar as pessoas a lidar e a gerenciar os desafios associados ao autismo.

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é uma condição que afeta o desenvolvimento neurológico e causa dificuldades de interação social, no comportamento e na comunicação.

Além disso, o psicólogo pode usar algumas abordagens terapêuticas desenvolvidas para tratar crianças com o TEA.

Vamos detalhar as principais e como esses especialistas são fundamentais para melhorar a qualidade de vida dos autistas.

 

Análise do Comportamento Aplicada (ABA)

A terapia ABA é uma terapia que usa técnicas de ensino baseadas em evidências para aumentar comportamentos adequados e reduzir aqueles que podem ser prejudiciais ou interferem no aprendizado.

Ela é bastante eficaz para melhorar as habilidades de comunicação e sociais.

É uma intervenção considerada bastante eficiente, pois ajuda no aperfeiçoamento de habilidades básicas e complexas, como:

  • olhar;
  • ouvir e imitar;
  • ler;
  • conversar;
  • interagir com o outro.

 

Os psicólogos aplicam a ABA depois de uma avaliação para verificar os comportamentos e determinar o que precisa ser melhorado.

As atividades podem ser desenvolvidas em casa, em escolas ou clínicas.

É uma terapia que usa formas de recompensas para reforçar o comportamento positivo e estimular determinada prática.

Os psicólogos também podem ensinar habilidades para os autistas e torná-los menos dependentes.

O ideal é que a ABA ocorra desde cedo, perto dos quatro anos de idade.

A família também recebe um suporte do psicólogo e é orientada a realizar as atividades em casa de acordo com as necessidades do autista.

 

Psicólogo e Terapia cognitivo-comportamental (TCC)

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) concentra-se na conexão entre pensamentos, sentimentos e comportamentos.

O psicólogo, que também é chamado de terapeuta, durante as sessões, conhece melhor a pessoa com autismo e sua família e aprende a identificar os comportamentos e pensamentos que causam desconfortos e precisam ser trabalhadas.

O psicólogo passa a acompanhar a rotina do autista e trabalhar a autorregulação por parte das crianças, a ensiná-las a obterem o autocontrole e como se comportar adequadamente.

Há diversas técnicas usadas pelos psicólogos para melhorar as habilidades sociais do autista.

Eles costumam escutar bastante os pais e a criança e ajudam a lidar com a ansiedade, depressão e situações do dia a dia como rejeição, isolamento e comportamentos inadequados.

Os psicólogos podem usar determinados objetos para estimular o autocontrole e a autorregulação.

Além disso, usam cartões simbólicos com desenhos para se aproximar do cotidiano da criança e fazem intervenções comportamentais.

Os psicólogos fazem com que o autista lide melhor com a frustração, medos, impulsividade, agressividade.

Os psicólogos podem também usar reforços positivos.

Para isso, busca estimular uma frequência maior desse comportamento na vida da criança.

Além dos autistas, os pais podem precisar de terapia para lidar com suas emoções.

 

Como encontrar o psicólogo ideal?

Todo o profissional que visa lidar com os autistas e aplicar a terapia ABA (Análise do Comportamento Aplicada) precisa ser capacitado, realizar uma especialização.

Os pais devem procurar psicólogos com experiência comprovada de atuação em ABA ao autismo e também em TCC.

A participação dos pais é fundamental em todo o processo.

Eles precisam acompanhar as etapas, as intervenções realizadas e ajudar nas mudanças sugeridas pelos psicólogos.

E quanto mais cedo essas intervenções ocorrerem, maiores serão as chances da pessoa com o TEA ter mais qualidade de vida.

 

Referências

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3196209/

https://www.autismspeaks.org/what-autism/treatment/applied-behavior-analysis-aba  

https://www.autismspectrum.org.au/how-can-we-help/therapy-services

https://www.psychologytoday.com/us/blog/child-development-central/201607/understanding-behavioral-therapy-autism

 

 

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