Atividades pedagógicas para trabalhar em sala de aula

13 de dez de 2017

O número de crianças diagnosticadas no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) ainda na primeira infância vem aumentando. Estima-se que o autismo atinge 1% da população, 70 milhões de pessoas no mundo conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Destes, 2 milhões estão no Brasil segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Diante dessa perspectiva as instituições de ensino devem estar preparadas para atender à essa demanda desde a pré-escola até os demais níveis de ensino do sistema educacional.

A pedagogia pode contribuir com o desenvolvimento de uma criança no espectro. Essa é a área que tem como objetivo promover ações de ensino e aprendizagem, contribuindo para o desenvolvimento educacional de crianças nas instituições escolares. O pedagogo pode atuar como professor ou ter atribuições de gestor em uma escola. Em se tratando de educação especial, o pedagogo deverá focar seus esforços em estabelecer estratégias pedagógicas que possibilitem à criança no espectro ter um ambiente proveitoso na escola.

O primeiro passo para promover um bom aproveitamento em sala de aula é a inclusão. O professor tem papel fundamental nesse processo de integração da criança junto aos demais alunos e, também, no que cabe à assimilação do conteúdo educacional proposto. Isso só funcionará se houver suporte adequado, sobretudo porque cada criança com TEA apresenta suas especificidades.

Os professores devem ter em mente também que crianças com TEA costumam apresentar dificuldades em áreas como da comunicação, comportamento, motora, na interação social e na integração sensorial.

Outro ponto essencial é trata-los como crianças que são. Assim, devem ser tratadas como os demais alunos, no que cabe ao interesse por eles e no suporte em suas necessidades.

Entre os recursos pedagógicos que podem ser aplicados, temos:

Estímulo visual: uso de cartões com imagens para indicar ao aluno o que propõe uma determinada tarefa ou mesmo para mostrar a mudança de uma atividade para a outra pode auxiliar o aluno com TEA. Por exemplo, se a ação for ligada ao ensino do português ou matemática, você coloca uma imagem/símbolo que corresponda ao assunto, facilitando a assimilação do aluno com autismo.

Estruturação da rotina: com o estabelecimento de uma rotina diária para o autista, as atividades serão melhor aproveitadas. Crianças com TEA tendem a resistir à mudanças, portanto, caso haja necessidade, calcular em sala de aula um tempo extra de ensino e condução do autista em caso de atividades ainda não vivenciadas será bem-vindo.

Suporte para interação social: sabemos que pessoas no espectro tendem a apresentar dificuldade no campo de interação social. Para facilitar esse processo de integração com os demais colegas é preciso ensinar ao autista maneiras de interagir. Assim, se há algum colega em uma determinada atividade – como no uso de um computador, o autista saberá como agir, pedir licença e aguardar que o aluno saia do aparelho para então utilizá-lo.

Linguagem simples: como professores é preciso trabalhar uma comunicação facilitada e assertiva em sala de aula. Crianças com TEA têm dificuldade em ler sinais e gestos não verbais como expressões faciais. Professores muitas vezes tendem a lançar olhares em sala de aula à classe para expressar determinada aprovação ou reprovação sobre algum comportamento, como por exemplo, uma bagunça em classe. No caso da criança com TEA o recomendado é conversar diretamente com o autista e esclarecer o que se espera.

Estabeleça diálogo simples e direcione: mantenha uma dinâmica simples e direta para expressar determinadas instruções orais. Utilize de palavras-chave como “primeiro, faça isso. Depois, faça aquilo. Esse direcionamento curto e objetivo será melhor assimilado pela criança no espectro.

Atividades sensoriais: a sensibilidade aos estímulos sensoriais – como a luz fluorescente da sala – podem ser extremamente desafiadoras para a criança com TEA. Em sala de aula isso deve e pode ser trabalhado. Utilizar de estratégias como estabelecer pausas na rotina de aula para que a criança faça atividades que contribuam para trabalhar o estresse – como brincar, podem auxiliar a reduzir a tensão decorrente das limitações sensoriais.

Estabeleça pausas: caso a criança com TEA esteja demonstrando inquietação, faça uma pausa. Muitas vezes, passar um tempo distante da atividade que realizavam e depois retomar de onde parou é o suficiente para a criança se acalmar. Escolha algum local da sala de aula que possa ser esse ponto de “descanso”.

Uso de tecnologia: Atualmente, a tecnologia vem sendo considerada uma ferramenta poderosa para desenvolver as habilidades da criança e ser um facilitador de aprendizagem em sala de aula. Ferramentas da chamada “realidade aumentada” já têm sido desenvolvidas direcionadas às especificidades desse público. Em breve abordaremos esse tema aqui no site.

Converse com os pais: os pais das crianças com TEA geralmente são os mais bem instruídos em se tratando de atender às necessidades e desenvolver habilidades de seus filhos. Converse com os pais para que possa ter informações necessárias para estabelecer uma melhor rotina em sala de aula, bem como compreender o que está por trás de determinados comportamentos do autista.

É importante compreender que pedagogia para crianças com TEA pode variar entre as escolas. Existem várias abordagens diferentes para o planejamento de um currículo apropriado. Ao escolher uma instituição de ensino para seu filho (a) procure conhecer a filosofia da escola e saber se ela está apta a atender uma criança no espectro, lembrando que o plano de trabalho é individual, não existem uma regra, já que cada indivíduo no espectro é único.

 

Referências:

Kim Greene. Teaching Students with Autism Spectrum Disorder. Disponível em https://www.scholastic.com/teachers/articles/teaching-content/teaching-students-autism-spectrum-disorder/ Acessado em 4 de dezembro de 2017.

O que faz um pedagogo? Guia da Carreira. Disponível em http://www.guiadacarreira.com.br/carreira/o-que-faz-um-pedagogo/ Acessado em 4 de dezembro de 2017.

Pedagogy for inclusion. Asdin Schools. Disponível em http://www.asdinschools.org.nz/School-policies-and-practices/Evolving-inclusive-practices/Pedagogy-for-inclusion Acessado em 4 de dezembro de 2017.

Training materials for teachers of learners with severe, profound and complex learning difficulties. Complex needs. Disponível em http://complexneeds.org.uk/ Acessado em 4 de dezembro de 2017

Arkit and autismo new futures. Autism Pedagogy blog. Disponível em http://www.autismpedagogy.com/blog/2017/8/4/arkit-and-autism-new-futures Acessado em 5 de dezembro de 2017.

 



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