Sinais e sintomas do autismo

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Hoje vamos falar sobre um assunto bastante importante e necessário: os sinais e sintomas do autismo. Você sabe identificar quais são eles?

Muita gente pergunta como é possível saber se uma pessoa é ou não autista avaliando alguns comportamentos. Ou se há características semelhantes entre os autistas para ter um diagnóstico correto.

Sim, é bastante comum que as pessoas com o autismo apresentem alguns sinais e sintomas que evidenciem o autismo, mas a intensidade dos sinais e sintomas pode variar ou ser diferente para cada um. E também é importante destacar que esses sinais podem surgir desde o nascimento e serem sutis ou mais óbvios e até mesmo aparecer com o passar do tempo.

Então vamos lá! Vamos destacar alguns sinais e sintomas que os pais devem prestar atenção e procurar ajuda especializada para assim fechar o diagnóstico se for o caso.

Leia também: O que é o autismo (TEA)?

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Alguns sinais e sintomas do autismo são:

  • Dificuldade em fazer contato visual
  • Dificuldades em imitar
  • Dificuldades na habilidade de atenção compartilhada
  • Não lidam bem com mudanças na rotina
  • Dificuldade de interação com outras pessoas
  • Atrasos na fala e linguagem
  • Movimentos repetitivos 
  • Hipo ou Hipersensibilidade
  • Podem apresentar Hiperatividade ou Passividade
  • Apego incomum a objetos
  • Pouco tolerantes a frustrações 

– Dificuldade em fazer contato visual

Logo cedo, os pais podem perceber que as crianças não olham nos olhos nem mesmo quando são chamadas pelo nome. É bastante comum que algumas pessoas com autismo não façam contato visual, pois se sentem desconfortáveis ou porque essa é uma situação difícil para eles. Mas lembre-se que essa característica não pode determinar um diagnóstico de TEA, já que nem todos com autismo apresentam essa dificuldade. E também há crianças que são bastante tímidas ou tem uma personalidade mais introspectiva. Por isso, vale o alerta. 

-Dificuldades em imitar

Os bebês começam a imitar atitudes e comportamentos simples por volta dos seis a oito meses de vida.

A criança neurotípica tem a capacidade de  copiar as ações de adultos e colegas. Crianças que estão no espectro costumam ter grande dificuldade em imitar. Isso pode comprometer o seu desenvolvimento.

Com um ano de idade eles já imitam movimentos simples como bater palmas, mostrar a língua de volta e repetir movimentos. A criança também tem a habilidade de repetir as vocalizações do adulto.

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– Dificuldades na habilidade de atenção compartilhada

A atenção compartilhada acontece quando duas pessoas focam em um mesmo objeto ou dão atenção para uma mesma conversa, por exemplo. Essa atenção pode ocorrer por meio do olhar, gestos ou quando alguém aponta ou indica algo, além de palavras.

– Não lidam bem com mudanças na rotina

Um dos primeiros sinais de autismo pode ser o apego a rituais e a rotina. Isso é importante para pessoas com o transtorno, pois dá previsibilidade e controle. Por isso, é comum por exemplo que a pessoa dentro do espectro goste de comer sempre no mesmo prato e que fique ansioso se isso não acontecer. Ter uma rotina é uma forma da pessoa com autismo pensar que tem controle sobre o ambiente e de que não vão surgir novas situações que causem ansiedade e medo. Não há como negar que a necessidade de rotina pode se tornar inconveniente em alguns momentos. 

Pessoas com TEA em muitos casos precisam de rituais para conseguir sair de casa, por exemplo. Sentem dificuldade para experimentar alimentos ou bebidas novas, não gostam de conhecer pessoas novas ou lugares diferentes. Então é muito importante ficar atento a esse sinal, principalmente se estiver atrapalhando ou limitando o desenvolvimento da criança.

Dificuldade de interação com outras pessoas

Para quem tem autismo é bastante difícil interagir com outras crianças e até mesmo com pessoas mais próximas. Elas não conseguem se socializar. O autismo afeta como a criança percebe e processa as informações sensoriais. Por isso, sentem dificuldade de se relacionar com outras pessoas e de participar da vida cotidiana da família, da escola, do trabalho e da vida social. É comum que as crianças com autismo prefiram brincar sozinhos, por exemplo, e não gostem de lugares com muitas pessoas. 

Atrasos na fala e linguagem

Um dos sinais do autismo é o atraso na fala. Muitas crianças não conseguem se expressar verbalmente ou falar corretamente. Por isso, crianças com autismo podem repetir com frequência o que ouvem fazendo ecolalias, ficar balbuciando palavras ou sentir dificuldade para completar as frases de forma correta. É importante checar com uma fonoaudióloga, pois algumas crianças podem demorar a falar e isso pode não ter nada a ver com autismo. 

Movimentos repetitivos 

Outro sinal muito importante do autismo é a realização de movimentos repetitivos. Muitas crianças realizam movimentos com o corpo como balançar as mãos, bater os pés, girar objetos ou o próprio corpo e até fazer sons repetidos. 

Esses movimentos são chamados de estereotipias e são motivos para os pais procurarem ajuda profissional. Os autistas realizam esses movimentos para se organizar mentalmente, para se concentrar e até mesmo controlar a ansiedade, para se autorregular.

Os pais não devem repreender as crianças que apresentam esses comportamentos, pois é uma forma de auxiliar o cérebro com o excesso de estímulos que o autista recebe. Mas se a estereotipia estiver afetando ou prejudicando a pessoa de alguma forma ai sim esse comportamento deve ser trabalhado.

Saiba mais em: Entendendo a ecolalia no autismo

Hipo ou Hipersensibilidade

Muitas pessoas com o espectro do autismo têm dificuldade em processar informações sensoriais do dia a dia. Pessoas autistas são mais sensíveis aos sons, cheiros, sabores e toque. Muitas crianças com autismo são também hipersensíveis, ou seja, apresentam o Transtorno do Processamento Sensorial. Sendo assim, sua percepção das sensações não está regulada da forma adequada. 

Como você pode imaginar isso afeta diretamente a rotina, pois eles ficam ansiosos e desconfortáveis com algumas situações. Não suportam barulhos, tocar alguns tecidos, não conseguem comer alguns alimentos por causa da cor ou textura, por exemplo. Também podem ser indiferentes a dor e a temperaturas, cheirar ou tocar objetos excessivamente ou ter fascinação por luzes ou movimentos. A pessoa com TEA pode precisar de ajuda profissional paratrabalhar essas questões sensoriais e assim responder mais adequadamente as sensações e estímulos recebidos pelo ambiente.

Hiperatividade ou Passividade

Pessoas com o TEA podem apresentar comportamentos como hiperatividade, ou seja, são inquietos, não concluem uma atividade e têm muita energia. E também podem ser mais apáticos, não interagem com as pessoas ou não fazem contato visual.

Os pais costumam perceber esses sinais logo na primeira infância e buscam ajuda para controlar esses comportamentos mais impulsivos ou a falta de interesse que podem atrapalhar o desenvolvimento infantil e escolar. Em muitos casos pode ter o TDAH como comorbidade.

Apego incomum a objetos

Pessoas com TEA podem apresentar interesses fixos ou ter apego a determinados objetos que não são brinquedos. Dessa forma, sempre carregam com eles algum objeto considerado importante. Podem ser caixas de papelão, pedras, barbantes, tampinhas de garrafa, entre outros. E se alguém mexer com esses objetos, eles podem ficar ansiosos ou nervosos de forma excessiva. É preciso entender que esses objetos têm um significado para essas pessoas e respeitar esse comportamento. 

Pouco tolerantes a frustrações 

Pessoas com TEA podem se frustrar com mais frequência e ter comportamentos intensos como as famosas “birras”. Lembrando que é importante saber diferenciar birras de crises sensoriais.

Essas pessoas sentem dificuldades em lidar ou entender as regras. Também não entendem a necessidade de esperar em algumas ocasiões. Surgem episódios de choros intensos e que podem ser acompanhados de agressividade com as pessoas ao redor ou com eles mesmos. Essas questões devem ser trabalhadas na terapia comportamental. Sempre indico a terapia ABA (Análise do Comportamento Aplicada).

Espero que esse artigo tenha te ajudado a compreender um pouco mais sobre alguns dos sinais que podem estar relacionados ao Transtorno do Espectro do Autismo. Lembrando que cada pessoa é única e pode apresentar sinais diferentes. Mas a pessoa deve ser avaliada por um especialista e a intervenções devem ser realizadas por uma equipe preparada para que assim a pessoa tenha mais qualidade de vida.

Referências

https://autismsciencefoundation.org/what-is-autism/autism-diagnosis/

https://www.autismspeaks.org/signs-autism

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Dra. Fabiele Russo

Neurocientista, especialista em Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Pesquisadora na área do TEA há mais de 10 anos. Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) com Doutorado “sanduíche” no exterior pelo Departamento de Pediatria da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD). Realizou 4 Pós-doutorados pela USP. É cofundadora da NeuroConecta e também, coautora do livro: Autismo ao longo da vida.