O papel do fonoaudiólogo no TEA

Neste artigos vamos falar um pouco sobre o papel do fonoaudiólogo em casos de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Características do TEA

É importante destacar que uma das características do TEA é o comprometimento da linguagem, seja ela oral ou escrita e também na comunicação verbal e não verbal. Essas características são consideradas os primeiros sinais para detectar se a criança está dentro do espectro do autismo.

Os fonoaudiólogos são terapeutas especializados no tratamento de problemas de linguagem e distúrbios da fala.  Ele desempenha um papel importante na inclusão e reabilitação dos indivíduos com autismo.

Após uma avaliação, o especialista trabalhará as habilidades sociais e de comunicação de cada individuo, o que possibilitará identificar as dificuldades que serão estimuladas durante o processo terapêutico.

Uma vez que o autismo é diagnosticado, os fonoaudiólogos avaliam as melhores formas de contribuir com a comunicação e a qualidade de vida da pessoa. Ao longo da terapia, o fonoaudiólogo também trabalha em estreita colaboração com a família, a escola e outros profissionais.

O fonoaudiólogo atua no desenvolvimento da criança com autismo contribuindo para reduzir os impactos do TEA na audição e fala, além de ampliar a independência cognitiva e funcional do autista, o que facilita a sua interação social. O objetivo é ajudar a pessoa a se comunicar de maneiras mais úteis e funcionais.

Os desafios relacionados à comunicação e à fala variam de pessoa para pessoa com o TEA. Alguns indivíduos no espectro do autismo não são capazes de falar. Outros gostam de conversar, mas têm dificuldade em manter uma conversa ou entender linguagem corporal e expressões faciais quando conversam com outras pessoas.

Desenvolvimento de habilidades

Vamos destacar alguns exemplos das habilidades que a fonoaudiologia pode trabalhar com as pessoas com o TEA:

  • Fortalecer os músculos da boca, mandíbula e pescoço;
  • Treinar os sons para deixar a fala mais clara;
  • Combinar as emoções com a expressão facial correta;
  • Compreender a linguagem corporal;
  • Ensinar a conversar e a responder as perguntas;
  • Combinar uma imagem com o seu significado.
  • Contribuir com o tom de voz.

O especialista deve ser consultado logo que surgir atrasos ou dificuldade de comunicação na criança. Assim que for detectado o déficit de linguagem já é possível introduzir ações para desenvolver as habilidades da pessoa com o TEA.

Com a atuação do fonoaudiólogo, a criança passará a entender e a usar as palavras. Sendo assim, conseguirá fazer perguntar e responder, conseguirá pedir ajuda e saber quando e como começar uma conversa.

O fonoaudiólogo pode também contribuir com o aprendizado do autista. Ele consegue trabalhar a leitura e escrita da criança e o ajuda a ler e a escrever.

Além disso, há uma técnica chamada Comunicação Ampliada e Alternativa (CAA) que inclui todas as formas de interlocução que podem ser usadas para expressar pensamentos, necessidades, desejos e ideias.

O fonoaudiólogo pode trabalhar a linguagem corporal do autista e ensinar a criança a reconhecer alguns sinais corporais que podem ser bastante sutis. Pode também ajudar o autista a desenvolver as habilidades de conversação, saber quando perguntar, quando dar bom dia, por exemplo.

A terapia fonoaudiológica pode acontecer em casa, na escola ou em um consultório. O autista pode fazer essa terapia sozinho ou em pequenos grupos. O fonoaudiólogo desenvolverá atividades lúdicas e dirigidas sempre enfocando o uso da linguagem no contexto correto. 

Importância da equipe multidisciplinar

Pelo fato do TEA ser um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta as pessoas de diferentes formas na área da sociabilização, comunicação e comportamento, o fonoaudiólogo deve preferencialmente atuar em conjunto com uma equipe multidisciplinar que reúna especialistas como pediatras, neurologistas, terapeutas ocupacionais, entre outros.

É sempre importante lembrar a necessidade de buscar um especialista credenciado e capacitado para atender as necessidades de uma pessoa com o TEA.

Esse profissional será um parceiro no desenvolvimento das habilidades do autista.

Busque indicações de profissionais com pediatras ou médicos de confiança para encontrar um fonoaudiólogo capacitado para atuar diretamente com seu filho.  

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Dra. Fabiele Russo

Neurocientista, especialista em Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Pesquisadora na área do TEA há mais de 10 anos. Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) com Doutorado “sanduíche” no exterior pelo Departamento de Pediatria da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD). Realizou 4 Pós-doutorados pela USP. É cofundadora da NeuroConecta e também, coautora do livro: Autismo ao longo da vida.