Conheça os graus de autismo

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Ao receber um diagnóstico de autismo, os pais podem ficar com muitas dúvidas e se perguntarem se há graus de autismo ou se todos os autistas são iguais. A resposta é sim. Há diferentes graus de autismo.

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) pode ser classificado de acordo com o grau de dependência do autista e necessidade de suporte e independência.

Por isso, o autismo pode ser leve, moderado ou severo (conhecidos também como níveis 1, 2 e 3 respectivamente).

Autismo no DSM-5

No Brasil, nós adotamos o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, que está na sua quinta edição (DSM-5), e que considera o autismo como um Transtorno do Neurodesenvolvimento.  O DSM-5 é a publicação oficial da Associação Americana de Psiquiatria.

Nós vamos explicar um pouquinho como o DSM define os graus do autismo. Desde 2013, o Transtorno do Espectro do Autismo é medido de acordo com sua gravidade, ou seja, o grau de comprometimento da condição do autista. Assim, é possível avaliar as habilidades de cada pessoa com o transtorno – se há comprometimento intelectual e de linguagem. 

Parece bastante complexo, mas o que queremos dizer é que o autismo pode ser classificado em níveis. Vamos destacar cada um deles para ficar mais claro para você. Quanto menor o nível, menos apoio a pessoa pode precisar. Por exemplo, pessoas com autismo de nível 1 (grau leve) apresentam sintomas leves e podem não precisar de muito apoio. Aqueles com autismo de nível 2 ou 3 têm sintomas que variam de moderados a graves e requerem apoio mais substancial.

Nível 1 de autismo

Começaremos pelo nível 1, que é considerado um grau mais leve, uma vez que a pessoa com autismo precisa de pouco apoio contínuo, pode ter dificuldade para se comunicar ou interagir socialmente ou não tem interesse de se relacionar com outras pessoas. Pode apresentar resistência quando ocorrem mudanças, ter estereotipias, dificuldade de comunicação, mas o autista leve tem um comprometimento menor. Por exemplo, uma pessoa com nível leve de autismo é capaz de falar, mas não tem sucesso ao tentar fazer amigos. Também possuem problemas de organização e planejamento que dificultam a independência.

Em alguns casos, os sintomas são tão sutis, que o diagnóstico pode ser realizado mais tarde. Entre eles destaca-se o Transtorno de Asperger antes assim chamado, que é uma condição de autismo leve, que apresenta pouca capacidade de fazer amigos, conversação unilateral, intenso foco em um assunto, entre outras características. 

Nível 2

Já o nível 2 é considerado um autismo moderado. A pessoa apresenta um déficit notável nas habilidades de comunicação tanto verbais quanto não verbais. Há pouca interação social com outras pessoas. Evita-se  a mudança na rotina, pois tem dificuldade em lidar com ela. Também é comum que fique estressado com mais facilidade e tenha muita dificuldade para mudar o foco e a atividade que está realizando. Ele é o meio termo e entre o leve e o severo. Por isso, o indivíduo com autismo moderado não é tão independente quanto os de níveis leve, nem tão dependente quanto os de autismo severo.

Nível 3

Chegamos ao nível 3, que é considerado o autismo severo. Pessoas nessas condições possuem severos prejuízos na comunicação verbal e não verbal. Além de serem muito limitados para interagir com outras pessoas. Não suportam mudanças na rotina e apresentam comportamentos repetitivos que interferem diretamente na vida dele e das pessoas em sua volta. E também apresentam alto nível de estresse e resistência para mudar de foco ou atividade. Geralmente, são dependentes para realizar as atividades do dia a dia, como trocar de roupa, comer, tomar banho… Podem ser mais agressivos em algumas situações. Apresentam mais comportamentos repetitivos, ou seja, fazem a mesma coisa repetidas vezes. E também comportamentos restritivos, podendo se distanciar do mundo e das pessoas ao seu redor. 

Claro que nem todo mundo com autismo se encaixa perfeitamente em apenas um nível (e sabemos também que dentro de cada nível tem variações). Mas os níveis ajudam a fornecer algumas características em comum entre os autistas e ajudar os médicos e especialistas a estabelecer metas e formas de lidar com cada pessoa que tem o Transtorno. 

É importante destacar que independentemente do grau, seja ele leve, moderado ou severo, a criança necessita de apoios específicos, pois geralmente o que diferencia são os sintomas que em alguns são mais sutis do que em outros.

É fundamental conversar com especialistas de confiança para esclarecer as dúvidas em relação aos graus do autismo e as razões que levam a pessoa com o transtorno a se enquadrar naquele nível.

Identificar qual é o nível do autismo é o primeiro passo para que a pessoa com o transtorno passe a ter o tratamento adequado e tenha mais qualidade de vida. 

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Dra. Fabiele Russo

Dra. Fabiele Russo

Neurocientista especialista em Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Fabiele Russo é Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP).