Compartilhar: como desenvolver essa habilidade em crianças autistas

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Compartilhar pode ser uma atitude difícil de desenvolver, especialmente na infância. A maioria das crianças, sejam elas autistas ou neurotípicas – precisam de prática e suporte para desenvolver essa habilidade.

Saiba mais sobre o Transtorno do Espectro do Autismo

Nos primeiros anos de vida as crianças não costumam pensar sobre o sentimento das outras. Em geral, raramente são capazes de conseguir dividir seus pertences espontaneamente, com menos de seis anos de idade.

Trata-se de um comportamento normal. Faz parte do desenvolvimento de consciência da criança o que chamamos de “posse”.

Quando pequenas elas se preocupam com seus brinquedos, suas coisas, seu “mundo”. Na medida em que crescem e começam a brincar e a conviverem entre si, passam a partilhar seus pertences naturalmente.

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No caso das crianças autistas pode ser que haja maior resistência em compartilhar. A interação social é um dos limitantes característicos do transtorno.

Assim como uma criança que não esteja no espectro, o melhor a fazer é não força-la. Em vez disso, crie atitudes e um ambiente que incentive seu filho a querer ceder ao outro algum de seus brinquedos espontaneamente.

Compartilhar implica empatia. Para você, eles podem ser apenas brinquedos. Para a criança, pode ter um valor muito maior como apego, estímulo e segurança por exemplo.

Pense no seguinte: imagine você sendo obrigado a emprestar uma roupa da qual gosta muito. Você certamente não se sentiria confortável em fazer isso.

Da mesma forma é para criança. Portanto, deve se respeitar a decisão dela em não dividir. Até porque muitas vezes o objeto em questão que se deseja partilhar pode ser justamente aquele que conforta seu filho e tirá-lo de seu controle pode desencadear um desequilíbrio emocional, gerando ansiedade.

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Como desenvolver essa habilidade em seu filho? A chave é ir com calma. Observe como ele costuma interagir quando está junto à outras crianças. Conheça seu comportamento.

Com base nessa análise, você poderá ensiná-lo sobre os valores que há em compartilhar. Crie oportunidades para que você possa exercitar na prática com ele essa atitude quando estiverem juntos. Procure ser o exemplo que ele precisa, dividindo com ele seus objetos e reforçando essa atitude verbalmente ou através de imagens.

O importante é seguir uma dinâmica mais próxima daquela que se conecta com mais facilidade às crianças autistas, para que seja possível de ela assimilar em seu repertório o que você está ensinando e se sentir motivada a partilhar e, assim, contribuir com o aperfeiçoamento de suas habilidades de interação social, sempre respeitando suas limitações.

Referências:

McCann Sawyer, Lori; Luiselli, James K.; Ricciardi, Joseph N.; Gower, Jennifer L.. Teaching a child with autism to share among peers in an integrated preschool classroom: acquisition, maintenance, and social validation. Disponível em http://www.freepatentsonline.com/article/Education-Treatment-Children/131753665.html Acessado em 8 de fevereiro de 2018.

Naber FBA, Bakermans-Kranenburg MJ, van IJzendoorn MH, et al. Play Behavior and Attachment in Toddlers with Autism. Journal of Autism and Developmental Disorders. 2008;38(5):857-866. doi:10.1007/s10803-007-0454-5. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2335292/ Acessado em 7 de fevereiro de 2018.

Raising Children Network. Sharing and learning to share. Disponível em http://raisingchildren.net.au/articles/sharing.html Acessado em 7 de fevereiro de 2018.

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Dra. Fabiele Russo

Neurocientista, especialista em Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Pesquisadora na área do TEA há mais de 10 anos. Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) com Doutorado “sanduíche” no exterior pelo Departamento de Pediatria da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD). Realizou 4 Pós-doutorados pela USP. É cofundadora da NeuroConecta e também, coautora do livro: Autismo ao longo da vida.