Entenda o que são as funções executivas e a importância para o desenvolvimento

As funções executivas podem ser definidas como o conjunto de habilidades mentais que incluem memória de trabalho, pensamento flexível e autocontrole.

Essas habilidades são usadas todos os dias para aprender, trabalhar e gerenciar a vida diária.

Problemas com funções executivas podem dificultar o foco, a seguir instruções e a lidar com as emoções.

A função executiva é um tipo de “sistema de gerenciamento do cérebro”. Isso porque as habilidades envolvidas permitem definir metas, planejar e realizar as atividades.

Estudos apontam que o desenvolvimento dessas funções exercem influências diretas na regulação emocional.

As habilidades de funcionamento executivo geralmente se desenvolvem rapidamente na primeira infância e na adolescência.

Autismo e função executiva

A função executiva refere-se à capacidade de uma pessoa de processar informações. Inclui habilidades como:

  • Organização;
  • Planejamento;
  • Prestando atenção;
  • Inibir respostas inadequadas.

Sendo assim, é comum que as pessoas com autismo apresentem dificuldade com o funcionamento executivo.

Os autistas podem ter problemas com planejamento, organização, sequenciamento de informações e emoções autorreguladoras.

As dificuldades de funcionamento executivo também podem estar associadas a um controle deficiente dos impulsos.

Algumas pesquisas apontam que até 80% das pessoas com autismo sofrem de distúrbio das funções executivas, o que dificulta o gerenciamento do tempo e a conclusão de tarefas.

Em alguns casos, tarefas simples como limpar uma casa pode ser bastante complicado para os autistas.

Detalhes da função executiva para autistas

Vale destacar que nem todas as pessoas com autismo apresentam problemas ou dificuldades em todos os aspectos da função executiva. Em alguns casos, o indivíduo pode ter a capacidade de planejar, mas não consegue seguir adiante.

Veja abaixo detalhes sobre a função executiva e os autistas:

Planejamento

Planejar é a capacidade de pensar no futuro e escolher as ações necessárias para atingir uma meta e estabelecer um plano de ação. Quem tem autismo pode ter dificuldade em planejar e organizar tarefas.

Solucionar problemas

O primeiro passo para resolver um problema é conseguir identificá-lo. Depois, é preciso formular uma estratégia para solucioná-lo.

A solução de problemas exige raciocínio, planejamento, memória de trabalho e monitoramento. Dependendo de qual dificuldade na função executiva o indivíduo enfrenta, o autista terá dificuldade para resolver problemas.

Memória

Quem está no espectro pode ter dificuldade de memorizar situações simples como lembrar qual é o dia, a ordem das etapas ao escovar os dentes, por exemplo.

Basicamente, é a dificuldade de memorizar como executar uma função ou tarefa diária.

Atenção

Geralmente, os autistas têm uma grande capacidade de foco, mas direcionar esse foco pode ser um desafio.

Alguns apresentam problemas sensoriais e não conseguem se concentrar com luzes ou barulhos no ambiente.

Raciocínio

O raciocínio é a capacidade de compreender, analisar e pensar criticamente. Em alguns casos, os autistas podem ter dificuldade de raciocinar.

Ter iniciativa

Para aqueles com dificuldades de funções executivas, é comum ter problemas para ter iniciativa. Podem ter vontade de fazer alguma atividade, mas não sabem por onde começar.

Controlar impulsos

Alguns autistas não conseguem controlar seus impulsos no dia a dia.

Flexibilidade cognitiva

É a capacidade de pensar de uma maneira diferente em busca de soluções menos óbvias. Pode ser um desafio para os autistas que precisam de estrutura e previsibilidade, já que não gostam de mudanças e são apegados à rotina.

Monitoramento

Trata-se de processo inconsciente que entra em ação quando estamos no piloto automático fazendo tarefas normais.

Para alguém com problemas de função executiva, há dificuldade de prestar atenção nas atividades básicas e podem esbarrar em coisas ou se arriscar ao caminhar em uma rua movimentada.

O que pode ser feito para superar os desafios das funções executivas

É importante que os pais fiquem atentos às dificuldades que envolvem as funções executivas.

A criança ou jovem autista deverá ter um acompanhamento de diversos especialistas que ajudarão a desenvolver essas habilidades por meio de intervenções.

No entanto, no dia a dia, os pais podem contribuir com esse aprendizado. Veja abaixo algumas dicas para melhorar a função executiva dos autistas:

  • Usar suportes visuais para ensinar organização – A criança pode ter mais facilidade com a representação visual de como realizar determinadas tarefas.
  •  Dividir as tarefas – Dar um passo a passo das atividades do dia a dia pode facilitar a conclusão das tarefas.
  •  Estimular a independência e aprendizado – Os pais costumam intervir sempre que seus filhos estão tendo problemas. Mas, é fundamental que a criança ou jovem com autismo aprenda a fazer suas atividades do dia a dia.
  • Paciência e amor – Para que o autista treine essas habilidades, ele precisa ser estimulado, mas é preciso respeitar o seu tempo. Em alguns casos, pode demorar mais do que o esperado e é fundamental ter paciência, amor e evitar passar o estresse ou expectativa frustrada para a criança.

Referências:

https://www.autismspeaks.org/executive-functioning

https://autismawarenesscentre.com/executive-function-what-is-it-and-how-do-we-support-it-in-those-with-autism-part-i/

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O envolvimento e a participação do pai no autismo

O envolvimento e a participação do pai na criação de crianças e jovens com autismo é tão fundamental quanto das mães. Infelizmente, não é isso que acontece em todos os casos. É bastante comum que apenas as mães fiquem responsáveis pelos cuidados das pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) por diferentes razões.

Sabe-se que cuidar de uma criança autista é uma tarefa árdua para alguns pais. E que o amor e o afeto do pai e da mãe afetam igualmente o comportamento da criança, a autoestima, a estabilidade emocional e a saúde mental. A presença da figura paterna beneficia as crianças e ajuda também a desenvolver suas habilidades cognitivas, sociais e emocionais à medida que essas crianças crescem.

Os pais ficam responsáveis por cuidar, compartilhar momentos de atividades e brincadeiras, assim como têm responsabilidades de garantir que a criança ou jovem com o TEA tenham todos os cuidados e recursos para se desenvolver.

Pesquisadores afirmam que os pais da criança com TEA ao se confrontarem com o diagnóstico podem experimentar um sentimento de perda da criança idealizada e vivenciar um processo de luto do filho “perdido”. Por essa razão, os pais podem encontrar uma dificuldade para estabelecer vínculos afetivos com a criança nos primeiros anos. Alguns pais podem precisar de ajuda psicológica para lidar com a situação e superar essa dificuldade.

Um “pai engajado” é definido como aquele que se comporta de forma responsável com seu filho, é emocionalmente engajado e fisicamente acessível, fornece apoio material para sustentar as necessidades da criança, está envolvido no cuidado das crianças e exerce influência nas decisões de criação dos filhos.

Desenvolvimento infantil e a participação dos pais

A relação entre pai e filho pode ser tão importante quanto o relacionamento da criança com a mãe em estágios iniciais de desenvolvimento – o envolvimento do pai está relacionado a resultados positivos em bebês, como melhora no ganho de peso em bebês prematuros e melhores taxas de amamentação. Além disso, mães e pais têm diferentes estilos de brincar e se comunicar com as crianças e desempenham papéis únicos, mas vitais no desenvolvimento infantil. Alguns exemplos:

– Os pais promovem um comportamento mais exploratório e independente por parte de seus filhos pequenos. Eles ajudam nas brincadeiras mais físicas e estimulantes do que a maioria das mães;

– Ao falar com crianças pequenas, as mães simplificam suas palavras e falam no mesmo nível da criança. Os pais falam de outra forma e desafiam a competência linguística da criança.

– Em questão de disciplina, é comum que os pais sejam mais rigorosos e exigentes, o que pode ser mais efetivo nas intervenções terapêuticas.

Participação em tratamentos e intervenções terapêuticas

Para que o autista se desenvolva e tenha menos sintomas que impactem a sua vida, algumas intervenções terapêuticas são indicadas. E para ter sucesso, elas englobam tanto a família quanto a escola. Boa parte do tratamento se estende para a própria casa do autista e nesse momento a participação dos pais é fundamental para ter resultados positivos. O afeto e a proximidade dos pais são imprescindíveis para a criança se sentir acolhida e segura.

Por isso, é fundamental que os pais estejam presentes em todos os momentos da vida do filho com o TEA. É importante participar das consultas com pediatras, psicopedagogos e reuniões escolares para apoiar as mães e também entender mais o que acontece com o filho com autismo. Ter um pai por perto ajuda à criança autista a ser mais segura, equilibrada e evoluir com os tratamentos indicados.

Referências:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5357286/

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-711X2016000100006

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